Gaia e Cronos
MEAK
A01

Gaia e Cronos ler resumo

Algum tempo, algum lugar
Xien se levanta do chão. Está em um jardim. Vê um casal que deitou-se no chão. Reconhece de algum lugar. Vai em direção e sente uma mão em seu ombro. Vira-se.
Não vai querer mesmo falar com essas pessoas, vai? (Uehfo)
E se eu quiser? (Xien)
Vá em frente. (Uehfo)
Xien se aproxima.
Com licença... (Xien)
Quanta educação. (Uehfo)
... podem me dizer onde estou? (Xien)
Coisa mais feia, isso você podia ter perguntado pra mim. (Uehfo)
O casal continua olhando para as estrelas. Xien pula. Nada.
Merda. (Xien)
Olha a educação desaparecendo. (Uehfo)
Tá! vira para Uehfo Onde eu tô? (Xien)
Quer mesmo saber? (Uehfo)
Sim. vacila Acho. (Xien)
Via láctea. Xien olha feio para Uehfo Que é? Tem quem nas redondezas daria um braço por essa informação. (Uehfo)
Pode dizer algo mais específico? (Xien)
Planeta Terra. Por agora. (Uehfo)
Você podia ser um pouquinho mais... Por agora? (Xien)
Tá reclamando o que? Você não sabe nem quando é agora. Isso tem mesmo importância? (Uehfo)
Ok, pode me dar minhas coordenadas nas quatro dimensões? (Xien)
Não são quatro. E, mesmo que eu considere apenas as primárias que as pessoas acham que são as únicas que existem, ainda temos dois problemas: em que calendário e em relação a que parte deste universo você vai querer... (Uehfo)
É mais fácil eu me virar. (Xien)
Xien se vira de volta, Uehfo empurra Xien. Xien cai em cima do casal. Se levanta, arregala os olhos. Repara que não notaram. Chuta a perna de uma das pessoas. Percebe que a pessoa não sentiu o chute. Então se dá conta que não sentiu também. Chuta de novo, olhando para o próprio pé dessa vez. Suspira.
É claro que não tem importância. Morri. (Xien)
Não. Como eu disse, não são quatro dimensões só. (Uehfo)
Pode me explicar o que está acontecendo? Uehfo faz um gesto De uma forma que eu entenda? Uehfo abre a boca No sentido que me ajude, não que seja apenas inteligível? (Xien)
Nenhuma outra condição? (Uehfo)
Se aparecer mais alguma eu adiciono. (Xien)
Lembra de ter acordado sem memória? (Uehfo)
É minha lembrança mais antiga. (Xien)
Nossas lembranças mais antigas são aquelas que pessoas passaram para a gente. Claro, quando as passam, passam deformadas. Mas ainda sim, são mais antigas. (Uehfo)
Essa informação tem alguma utilidade ou só tá me contrariando porque acha isso engraçado? (Xien)
Estou aqui para te trazer suas memórias de volta. O jeito que faremos isso é você passeando por elas. (Uehfo)
Não dá pra só enfiar tudo no meu cérebro? (Xien)
Também adoro "Efeito Borboleta", mas não. Agora senta e assiste, porque não organizei essa merda toda em ordem cronológica e separei o mais importante pra você jogar fora. Quando eu mostrar o principal, os detalhes irão se ligar sozinhos. (Uehfo)
Pode me dizer ao menos quem sou eu? (Xien)
Você é o que sobreviveu. (Uehfo)
1992
Hery e Lisa estão na grama.
Não vai demorar muito agora. (Hery)
Vai ser legal fazer a formatura junto. (Lisa)
Claro. Se não eu ia ter que ir em duas. (Hery)
Tonto. (Lisa)
Lisa entra. Hery vai atrás. Lisa vai até o quarto. Os dois começam a se beijar.
Licença... (Modret)
Sim? (Lisa)
É que eu... Ia... (Modret)
Nossa, tá tarde... (Lisa)
Dorme comigo hoje. (Hery)
Pode ser. (Lisa)
Lisa e Hery saem do quarto. Modret joga no chão tudo que está na sua cama e deita.
Eu já disse que não precisa ter ciúmes dele. (Lisa)
Você divide o quarto com um cara que é apaixonado por você, não espere que eu não tenha nem um pouquinho de ciúmes. (Hery)
Tá. Mas, racionalmente, você sabe que... (Lisa)
Claro. O cara é estranho, você não iria me trocar por ele. (Hery)
Já pedi pra não falar isso. (Lisa)
Mas é verdade! Por exemplo, quem no mundo de hoje sabe lutar de espada e usar arco e flecha? (Hery)
Hery... (Lisa)
Você olha para ele e a impressão que dá é que ele vai tirar uma varinha mágica e... (Hery)
Quer saber? Se resolve sozinho hoje. (Lisa)
Lisa volta para dentro.
Lisa entra em casa e não encontra Modret. Sai e vai para o quintal da casa. Vê Modret falando com uma pessoa. Há uma máquina estranha ao lado.
Tenho certeza que você não vai se arrepender. (Likín)
Não tenho nada me prendendo aqui pra me arrepender. (Modret)
Não quero que vá pra lá pra se livrar de algo aqui, o que estou te entregando é responsabilidade. Não é viagem de férias. Eu sei que aqui é diferente... (Likín)
Eu sei. Não é querer me livrar daqui, é só... É só que eu tava sem saber. Agora não tô mais. (Modret)
Tem outra coisa. Sei que quer muito levar a pessoa que te criou. Mas, por favor, tome cuidado. E tente não se prender a certas coisas que aprendeu aqui. Domnik é guia, estando com você ou não. E é uma grande pessoa, grande guia. (Likín)
E aí, então, vamos? (Nilrem)
Acho que sim. (Modret)
Boa sorte, sibling. (Likín)
Likín abraça Modret. Modret entra na máquina. Nilrem entra também, com um livro embaixo do braço, com muito mais empolgação que Modret. A porta se fecha. Um barulho baixo, uma luz abaixo da máquina. A máquina sobe, com uma aceleração alta. O que parece ser uma pequena explosão é vista no céu.
Não se preocupe. Está bem. (Likín)
Quanto tempo faz que sabe que eu tô aqui? (Lisa)
Desde que chegou. (Likín)
Pra onde ele foi? (Lisa)
Pra casa. Vai se tornar guia. (Likín)
O que é isso? (Lisa)
Quem guia o povo. (Likín)
Ouvi você chamar ele de irmão... Por que você não é... (Lisa)
Porque não sou eu quem deve ser. Sou de pesquisas. vira-se para Lisa Não precisa ter medo. Não me importo de você saber sobre nós. Foi boa amizade enquanto esteve aqui. Apenas agradeço se não contar sobre isso. (Likín)
Quando ele veio pra cá? (Lisa)
Não veio. Quem pôs no mundo veio. Não sabia da gravidez. Vim visitar sempre que pude. Passou faz algum tempo. Agora eu vou ficar aqui, continuando o trabalho. Também era de pesquisas. suspira Bom, tenho muito trabalho pela frente. (Likín)
Likín segue em direção à rua.
Vai assim? (Lisa)
Assim como? (Likín)
Andando... (Lisa)
Likín para. Acha graça.
Melhor parar de assistir filmes se quiser levar o trabalho com astronomia a sério. (Likín)
Likín continua seu caminho.
Um mês depois, Modret e Nilrem chegam a uma lua de Saturno.
Isso é... Espetacular. (Nilrem)
Sim. (Modret)
Seus olhos se parecem com os de Likín. (Domnik)
Domnik? (Modret)
Likín pediu que eu te ajudasse. (Domnik)
Nilrem olha para Domnik, de cima a baixo. Domnik encara Nilrem. Modret não entende. Olha para Nilrem, que estava apenas sorrindo. Volta a olhar para Domnik.
Nilrem me criou, eu não ia deixar pra trás. (Modret)
Acho que teremos muito trabalho pela frente. (Domnik)
1997
Lisa está na cama, sentou-se, está chorando. Halen entra no quarto.
Veio a pedido dele? (Lisa)
Quando o Hery chega bravo, eu já corro pra cá. O que foi dessa vez? (Halen)
Ele é homem demais pra aceitar que eu vou ter uma carreira e que ele é quem terá que me acompanhar. (Lisa)
Imaginei, o mesmo de sempre. Acho que você já resolveu o que vai fazer. (Halen)
Por que acha que tô chorando? (Lisa)
Vai embora. Segue a sua vida. Se algum dia vocês se reencontrarem, ótimo. Se não, ele não é o último homem do mundo. (Halen)
Queria que ele fosse mais... Compreensivo. (Lisa)
Pegou o irmão errado. E agora nem adianta querer o outro! (Halen)
Lisa dá uma meia risada. Halen abraça Lisa.
Vou indo. Ainda tenho que estudar para o vestibular, não sou um gênio como vocês. (Halen)
Se precisar de ajuda... (Lisa)
Só preciso de matemática simples. Pode guardar as suas explicações mirabolantes. (Halen)
Halen sai do quarto.
No dia seguinte, Lisa está com as malas prontas, no aeroporto. Olha para a entrada. Uma pessoa chega até Lisa.
Are you ready? Seems like you are waiting for something, or someone... (Loki)
I was just... suspira Forget about it. (Lisa)
Let's go? (Loki)
Lisa consente com a cabeça. Loki ajuda com as malas. Hery está em casa, no sofá.
Ela vai desistir, vai ver que o lugar dela é aqui, do meu lado. (Hery)
Você podia conseguir um emprego por lá também, é um ótimo físico. E se tivessem te chamado? (Rith)
É diferente... (Hery)
Quantos anos você tem? 5?! 500, talvez?! (Rith)
Rith se levanta e sobe. Bate a porta do quarto. Halen dá um pulo.
Cansei de bancar a babá dele! Se quer ser idiota, foda-se! olha para Halen Foi mal. Quer ajuda aí? (Rith)
Claro. Pega meu coração, pulou pra baixo da cama. (Halen)
Rith baixa a cabeça.
Ah, não, aí é covardia! (Halen)
Halen vai até Rith e abraça.
Ele já é bem grandinho, pode tomar as próprias decisões. (Halen)
1999
Lisa desembarca no mesmo aeroporto. Um carro vem buscar. Uma hora mais tarde, está em uma base militar. Um general do exército entra.
Good morning. (general)
Eu sou brasileira, foi um dos motivos pelos quais me enviaram. (Lisa)
Ótimo. Então já deve ter lido nos jornais. (general)
Enquanto eles acharem que foi só um satélite da NASA, tudo ficará bem. (Lisa)
Pegamos um deles vivo. Ele não disse nada, por mais que tenhamos tentado. (general)
Confesso que o quanto vocês podem ter tentado me assusta um pouco. (Lisa)
O que mostra que seus superiores podiam ter se importado com algo mais importante que a cultura na hora de escolher o enviado. (general)
Posso vê-lo? (Lisa)
Claro. Imagino que não vá desarmar os guardas com o salto-alto para levar o refém. (general)
O general sai da sala. Lisa segue. Chegam a uma sala com dois guardas.
Dê ordem para cubrirem o espécime. (general)
O soldado entra na sala. Sai. O general e Lisa entram. Lisa fica sem reação.
Eu sei. Muito parecido conosco. A constituição interna nem tanto, tem algumas diferenças. (general)
Vocês pelo menos deram anestesia antes de abri-lo? (Lisa)
Pensamos nisso, se matássemos o espécime diminuiria o valor do estudo. Tivemos que variar, aparentemente nenhuma anestesia funciona duas vezes. Mas acabaram nossas opções, as últimas tivemos que amarrar. (general)
A pessoa abre os olhos. Olha para Lisa e sorri.
Não se alegre com o sorriso. Não fazemos ideia do que isso quer dizer na cultura dele. E é a primeira mulher que ele vê por aqui. (general)
Noite. Lisa, ainda meio mal, chega em seu quarto de hotel. Alguém segura Lisa e coloca uma faca em seu pescoço.
Quietinha. Não vou te ferir se não gritar. (Nilrem)
Nilrem solta Lisa, jogando no chão. Lisa se levanta.
Lembra de mim? (Nilrem)
O que querem na Terra? (Lisa)
Andou se drogando, garota? Tô querendo saber do alienígena. De repente ele está aqui por sua causa, como vou saber?! (Nilrem)
O que você quer aqui? (Lisa)
Quero aquele cara. Ele me pegou pelo pescoço quando chegou aqui, e ninguém faz isso comigo! Amanhã, às três da tarde. E não vai perder a hora! Fica de olho na hora! (Nilrem)
Em uma sala, longe dali, John e Mary olham para um telão.
This is not the guy that... (John)
Yes. And he just said that. I saw his file, just a crazy man. He kidnapped a child twenty years ago. It's not our bussiness. Call the hotel, tell them to call police, they'll to solve that. (Mary)
Manhã. Lisa está na cama, sentou-se. Levanta. Toma um banho e deita novamente. Meio-dia, vai até o quartel.
Veio visitar o espécime de novo? Trouxe um ursinho de pelúcia dessa vez, para ele não dormir com medo? (general)
É verdade que eu achei um pouco cruel a forma como... (Lisa)
Minha filha, que só achei há três meses, está em coma devido a aterrissagem do seu amigo. (general)
Então é pessoal. (Lisa)
Ele aterrissou no meu planeta, no meu país, no meu estado, na minha cidade e quase em cima da minha filha, então, sim, isso é pessoal. (general)
Eu não fazia ideia. Ele provavelmente também não. (Lisa)
Não me importa. E você só vai ver ele porque isso não depende de mim. (general)
Não estou mais com pena dele, estava apenas apontando os fatos. As evoluções científicas são mais importantes. Quero acompanhar as próximas cirurgias. (Lisa)
Ótimo. Vejo que seu caso não é de todo perdido. O noivo da minha filha é o melhor neurologista do país, um dos melhores do mundo. Irá fazer uma cirurgia por volta das 16h. Antes disso, haverão outros procedimentos. (general)
Lisa olha para o relógio. Três de meia. Modret está na cama, com amarras, olhando para o teto.
As pessoas também ficam loucas no seu planeta? (Lisa)
Não. Mas também podem se atrasar. A pessoa que abre alienígenas deve estar no trânsito. (Modret)
Perto dali, Nilrem sai de trás de um objeto coberto.
O que está fazendo aqui? (João)
Vi sua ficha, vai ser o auxiliar na cirurgia das 16h, certo? (Nilrem)
Você trabalha aqui? (João)
Tenho um vídeo interessante para você. (Nilrem)
Nilrem liga uma câmera e entrega para João. João vê Catarina com amarras, chorando. Encosta Nilrem na parede.
Tem um pessoal meu cuidando dela. Uns caras fortes que contratei. Se eu não aparecer lá, eles vão jogar um joguinho com ela, todos eles juntos. Talvez ela goste. Talvez não. Claro, nunca vamos saber, se você fizer o que eu mandar. (Nilrem)
João solta Nilrem. Dali a pouco, Modret chega, apoiado em Lisa. O objeto coberto era a nave. Lisa ajuda Modret a subir. Modret segura a mão de Lisa.
Não vejo um aliança. (Modret)
Tá me convidando para ir junto? (Lisa)
Lembra da parte do "De repente ele está aqui por sua causa"? Você é burra ou surda? (Nilrem)
Modret encara Nilrem.
Sua inteligência está disperdiçada aqui. A tecnologia lá está muito mais avançada. (Modret)
A dúvida era só se era um convite mesmo. E os outros tripulantes? (Lisa)
Deduziram que havia mais gente por causa do número de acentos. É uma nave padrão. (Modret)
Já volto. (Nilrem)
Nilrem sai e entrega a câmera e uma chave para João.
Sua filha é uma ótima atriz. Ela é ótima em outras coisas também, mas acho que isso você não vai querer saber. (Nilrem)
Nilrem entra de volta. A nave sai, quebrando o teto do galpão. João olha para o céu. Explosão. Se senta em uma cadeira. Liga a camera novamente. Catarina chora por alguns instantes ainda.
Nossa, você é ótima. (Nilrem)
Sério? (Catarina)
Sim. Sabe, você também é muito bonita. (Nilrem)
Você também não é de se jogar fora. Gosto de homens mais velhos. (Catarina)
João desliga o vídeo.
Pelo menos ela tá bem. Eu tô ferrado, mas pelo menos ela tá bem. (João)
Na lua de Saturno, a nave chega. Domnik está esperando, com uma criança. Vai até Modret, apoiando do lado oposto a Lisa. Nilrem olha para a criança, que sai correndo. Depois de algum tempo, Modret está na cama, deitaram. Lisa e Nilrem estão com Modret. Domnik chega.
Você deve ser Lisa. (Domnik)
Desculpe se causei algum transtorno... (Lisa)
Não causou. Até onde sei, Modret não está sob feitiço. (Domnik)
Quem é você? (Lisa)
Domnik. Sou guia. (Nilrem)
Lisa olha para Modret. Se levanta da cama.
Eu não estou aqui tentando roubar seu marido. (Lisa)
Domnik para um segundo. Ri.
Marido. Demorei pra lembrar o que significava essa. Não é nem meu nem marido. (Domnik)
Então não virou rei? (Lisa)
Guia. Não temos monarquia aqui. (Domnik)
É seu irmão? (Lisa)
Guias são duas pessoas que governam o povo em equilíbrio. (Modret)
Temos alguns outros conceitos também, acredito que irá assimilar tudo com o tempo. olha para Modret Agora preciso saber o que aconteceu. (Domnik)
Quando chegamos... (Nilrem)
Modret, preciso que você explique. (Domnik)
Fiz um pouso desastroso no meio de uma avenida muito conhecida. Fiquei algum tempo em prisão, fizeram experimentos. Usei o leitor assim que saímos do planeta, nada foi deixado dentro de mim. (Modret)
Machucou mais alguém? (Domnik)
Não... (Nilrem)
Nilrem, por favor. (Domnik)
Eu estava em prisão, não sei. (Modret)
Desculpa, eu não quero me intrometer, mas, na verdade, uma mulher está em coma. (Lisa)
Vejo que tem mais educação que essa outra pessoa. Talvez mais caráter também. (Domnik)
Eu disse que ninguém se feriu no acidente. Se me deixasse terminar... (Nilrem)
Se tivesse educação e um pouco mais de respeito, talvez. (Domnik)
Enfeiticei a mulher. Ela me viu sair da nave. Já deve ter acordado agora. (Nilrem)
Não desceram em uma avenida movimentada? Muito mais gente deve ter visto. (Domnik)
Imagino que tenha visto antes de eu... suspira Do começo. Quando acordamos, havia um cerco. Tive a ideia de segurar Nilrem como se fosse refém. É como o povo de lá, enganaria fácil. Alguém de nós tinha que escapar. (Modret)
Domnik olha para Nilrem um instante. Volta a olhar para Modret.
Não tem mais ninguém que queira buscar na Terra, certo? (Domnik)
Não. (Modret)
Domnik se volta para Lisa.
Se quiser voltar, fale comigo. Não traremos mais ninguém, não pelo menos nas próximas décadas. É arriscado demais. (Domnik)
Domnik sai do quarto.
Se importa se eu... (Lisa)
A vontade. (Modret)
Lisa vai correndo até Domnik. Domnik, percebendo, para.
Não gosta muito do Nilrem, né? (Lisa)
Não é confiável. Não tem o menor respeito pela cultura na qual vive. E mede o respeito pelas diferenças que tem de outros. (Domnik)
Não gostavam muito dele por lá também. Conheceu Likín? (Lisa)
A fisionomia de Domnik muda, a raiva desaparece. Um sorriso.
Sim. Como conheceu? (Domnik)
Eu vi a nave partir. Me jogou todas as informações como se estivesse me contando que ia chover no dia seguinte. (Lisa)
Bem seu feitio. (Domnik)
A criança é dele? (Lisa)
Não. Teria que ter sete anos se fosse, não quatro. (Domnik)
Não me dei conta. É do Modret? (Lisa)
Ainda não sei. Estivemos juntos algumas vezes, mas estive com outras pessoas também. (Domnik)
Lisa se cala.
Aqui não existe essa ideia de posse. (Domnik)
Então não vêem problema em trair? (Lisa)
Trair é mentir. Sim, vemos problema. Se quiser podemos conversar mais, mas tenho algumas coisas a resolver, terá que me acompanhar. (Domnik)
Ok. (Lisa)
No quarto, Nilrem sai e olha em volta. Retorna.
Obrigado por não ter dito a ela que a ideia foi minha. (Nilrem)
É a primeira vez que minto para Domnik. Não gosto disso. Mas faria mais mal juízo de você do que já faz. (Modret)
Você entende, não entende? Eu tinha que ficar livre para te salvar. (Nilrem)
Sim. Entendo. Está certo. Também não resistiria ao que resisti, e eu não iria querer isso. (Modret)
Na Terra, Rith está ao lado de uma pessoa, em um hospital. Chega o general na sala.
Como ela está? (general)
Com o cérebro está tudo bem. Já fiz vários exames. Mas o resto não está. (Rith)
O homem que soltou o espécime está preso. (general)
Tanto faz. Dúvido que o cara tenha mirado na frente do carro da Halen, de qualquer forma. (Rith)
Isso é guerra. Temos que encontrar o inimigo, eles já provaram que não têm qualquer consideração pela vida humana. (general)
Se não se importa, vou continuar tentando achar uma maneira de salvar ela. (Rith)
Está certo. Você é um médico, cuida dos feridos. Deixe que eu cuido do culpado. (general)
O general sai do quarto.
Como se isso fosse fazer diferença. (Rith)
Hery entra.
A Lisa foi com o ET! (Hery)
O quê? (Rith)
Eu descobri que ela veio para São Paulo. Foi para o quartel ao meio-dia e agora ninguém sabe onde ela está! (Hery)
Rith levanta, olhando com raiva para Hery.
Sinceridade? Faz dois anos que eu te aguento dizendo que ela vai se arrepender e voltar. Faz dois anos que você cheira a cachaça, dia e noite. Hoje eu estou com problemas, e não vou te ajudar com as suas alucinações. (Rith)
Não é alucinação, eu tenho certeza! (Hery)
Dane-se! Não faz diferença! A mulher que você ama e fez questão de perder foi embora! Eu e Halen estávamos bem, agora ela vai embora contra as nossas vontades, e não tem nada que eu possa fazer! Será que dá pra tirar os olhos da porra do seu umbigo por um instante?! (Rith)
Você não quer se vingar do ET que fez isso com ela? (Hery)
Rith pega Hery pelo braço, leva para fora do quarto, entra e fecha a porta.
Se ama mesmo ela, devia! (Hery)
Não fala de amor, você não sabe o que é isso! (Rith)
Hery chuta a parede.
Hery. (general)
Oi... Você é o pai da Halen, não é? (Hery)
Sim. Ouvi a conversa de vocês. (general)
Sinto muito pela sua filha. (Hery)
Ouvi falar de você. Não só através da minha filha. Seus experimentos não são muito aceitos na comunidade. (general)
Vejo mais longe que a maioria das pessoas. (Hery)
Acho que precisamos conversar. (general)
Alguns dias depois, Hery está em uma sala. O general chega.
Então? (general)
O projeto é espetacular. Na teoria funciona, com uma ou outra correção. Ele provavelmente não revisou muito bem o que fez. Isso é compreensível, com o tamanho do projeto. (Hery)
E você pode consertar? (general)
Sim. Sobrou alguma coisa? (Hery)
Do que? (general)
Pelos meus cálculos, quando a máquina foi ligada, explodiu. (Hery)
Junto com o cientista. (general)
Imagino que não iremos achar outro voluntário para completá-la tão facilmente. (Hery)
Essa parte você não precisa se preocupar. (general)
E o neuro? (Hery)
Estava na máquina também. Pensei em pedir para falar com seu irmão, mas já vi que isso não funcionaria. Eu mesmo falarei com ele. (general)
Na lua de Saturno, Nilrem está passando por um corredor. Uma mão pega em seu pescoço e encosta Nilrem contra a parede.
Eu tenho mais de duas vezes e meia a sua idade, porque ainda acha que me engana? (Domnik)
Não sei do que está falando. (Nilrem)
Não queria deixar Modret falar porque sabe que não tem costume de mentir. Eu ainda tava tentando contornar, mas corromper Modret foi demais! Vou mandar guardas para a Terra, para investigar sua história e, adivinha, você vai junto na nave. (Domnik)
Tem uma coisa que não menti. (Nilrem)
O que? (Domnik)
Existe mesmo um feitiço de coma. (Nilrem)
Nilrem coloca a mão na cabeça de Dominik, que cai, desmaia.
E eu sei usar. (Nilrem)
Setembro de 2007
Rith está fumando no terraço de um prédio.
Vai começar. (Hery)
Não sei se quero ver. (Rith)
Já fizemos os testes com as câmeras, tudo vai correr bem. O cara sabe do risco, e a família vai receber uma indenização se algo der errado. (Hery)
Se aproveitar da necessidade das pessoas não justifica. E queria ver você comemorar o aniversário de um ente querido mandando uma nota de cem assoprar a vela. (Rith)
Vai dar certo dessa vez. Ele vai encher o cú de dinheiro do governo e de entrevistas e livros fantasiosos. (Hery)
Rith entra. Minutos depois, Rith e Hery estão em um laboratório. Do outro lado do vidro, uma máquina. Uma pessoa entra na sala, com uma roupa de gala. Hery não entende.
Ele disse que não quer "fazer essa viagem mal vestido". (Rith)
A pessoa faz sinal de positivo para Rith e Hery. Respondem com o mesmo sinal. A pessoa entra. A máquina é ligada. Desaparece. Reaparece. Todo mundo bate palmas. A pessoa abre o casaco: tem bananas de dinamite ao redor do corpo.
Tira ele daqui! Tira ele daqui! (máquina)
A pessoa aperta um botão e explode tudo. A explosão é contida dentro da proteção. Hery e Rith, que haviam se abaixado no susto, levantam.
Era desse filho da puta que você tava com pena?! (Hery)
Não sabemos o que aconteceu nesses segundos. O contêiner da câmera resiste a tudo mesmo? (Rith)
Resistiu todas as vezes até agora. (Hery)
Horas depois, Rith e Hery estão em uma sala, com o general. Ligam o vídeo. A pessoa fecha a máquina e corre para o painel. Mexe em um painel e liga a máquina. Viaja. Abre. Outra pessoa entra. A primeira tira o casaco. A segunda ajuda a prender as bananas de dinamite no corpo. Se abraçam e a segunda pessoa sai. A primeira ajusta novamente o painel. Arruma a roupa. A máquina volta ao laboratório. Acontece a explosão.
Não precisam se apressar para limpar. Ele reajustou não só o tempo, como o espaço. A máquina não vai voltar aqui. (Hery)
Precisamos descobrir quem era o outro homem. (Rith)
Vou mandar levarem para analisar nos registros, mas pode levar algum tempo. (general)
Imprime uma foto dele e passa para o pessoal. Talvez seja alguém conhecido. (Rith)
Duas horas depois.
Sim, eu conheço. É o irmão dele. (soldado)
Moram juntos? (Rith)
Moravam. Ele cometeu suicídio semana passada. (soldado)
Obrigado. (Rith)
A pessoa sai.
Sabe o que isso quer dizer? (Rith)
Que não vamos conseguir colocar as mãos no desgraçado. (Hery)
Não. Que a experiência funcionou. Ele se matou semana passada. (Rith)
Hery olha para Rith. Sua expressão muda, Hery sorri. Sai correndo.
De nada. (Rith)
Dezembro de 2007
O general está andando em um corredor. Rith aparece correndo, passa e para o general. Respira ofegante.
Não pode fazer isso. (Rith)
É a única chance dela. (general)
Não é uma chance, é prisão! (Rith)
Assim que você tiver competência para consertar a situação dela, poderá tirá-la de lá. (general)
Não tem volta depois! (Rith)
Não tem volta mais agora. Ela não vai levantar daquela cama. (general)
Sou o noivo dela, não vou deixar fazer isso. (Rith)
Noivo não é estado civil. Você não tem poder de decidir nada. (general)
Não vou fazer a cirurgia. (Rith)
Arranjo outro. (general)
Vou para a TV. (Rith)
Faça isso e eu mando desligar os aparelhos. (general)
Não vai fazer isso. (Rith)
Chama a máquina de prisão, acha que a cama de hospital é melhor? Pelo menos assim saberemos o que ela quer. (general)
O general passa por Rith e continua andando.
Abril de 2008
O genral, Rith e Hery estão no laboratório. Rith está com um quadro e um lenço. O general liga um botão.
Onde eu estou? silêncio O que aconteceu com a minha voz? (Halen)
Uma câmera na máquina começa a virar.
Cadê meu corpo?! (Halen)
Amor, calma. (Rith)
Deve ser outro daqueles sonhos malucos... (Halen)
Você lembra do acidente? (Hery)
Sim. Eu não sobrevivi? (Halen)
Quase. (Hery)
Rith encara Hery.
Você entrou em coma, por causa de um OVNI que caiu na Terra. Estava em coma há 9 anos. Enquanto isso, uma experiência estava sendo desenvolvida. Uma máquina que viaja no tempo e no espaço. Ela foi bem sucedida. Resolvemos lhe dar a máquina como novo corpo. (general)
Rith? (Halen)
Ele fez a cirurgia. Ameacei desligar os aparelhos. Não havia mais vida para você, não iria sair daquela cama. (general)
Deixa eu ficar sozinha com o Rith. (Halen)
Rith e Hery saem da sala.
Se me pedir, eu destruo todo o sistema. Não podem fazer nada além de me expulsar daqui. (Rith)
Não sei o que quero. Num instante eu estava no meu carro, aí bati com um disco voador e virei uma máquina. (Halen)
Rith entra na máquina. A câmera vira até encostar na máquina. Outra câmera dentro vira para Rith.
Que isso?! (Halen)
Não imagino como deve ser a sensação, mas o movimento que você fazia antes para virar a cabeça agora vira as câmeras. Se você virar muito, muda para a câmera interna. (Rith)
Inteligente. (Halen)
Rith toca em um sensor.
Minha mão! (Halen)
Coloquei um sensor, para poder sentir ao menos isso. (Rith)
Rith sai. Volta com o quadro e o lenço. Coloca o quadro em um canto, amarra o lenço em um dos controles.
Obrigada. (Halen)
Quero construir um corpo para você. Não vou te deixar nessa geringonça por muito tempo. (Rith)
Você me aceita assim? (Halen)
O quê? (Rith)
Se for para ficar perto de você, eu prefiro isto do que a cama de um hospital. Você tem outra pessoa? (Halen)
Não. Não fizemos a promessa do na saúde e na doença oficialmente, mas eu não iria te abandonar. (Rith)
Não quero a sua pena. (Halen)
Não é pena. É dor de ter ver presa nessa... coisa. (Rith)
Pelo menos estou acordada. (Halen)
Junho de 2008
Rith e Hery estão na máquina. Hery programa o painel. Rith está com a mão no sensor. Hery olha para Rith. Liga a máquina. Some do laboratório. O general olha para o relógio. Espera alguns segundos. Olha para o espaço da máquina. Ainda vazio. Espera mais. Nada.
Em outro lugar, Hery aperta o botão novamente.
Não tá funcionando... (Hery)
Hery... (Rith)
Rith aponta para fora. Parece que estão em um descampado, a noite.
Mas ela não piscou, não fez nada. (Hery)
Talvez as piscadas da máquina fossem interferência na câmera. (Rith)
Talvez. (Hery)
Não. Não há registro de termos nos movido. Não sei como sei disso, mas eu sei que o comando não chegou. (Halen)
Hery pega uma chave de fenda. Abre o botão. Um buraco.
Tá desconectado. (Hery)
Alguém pode ter movido o controle para outro lugar? (Rith)
Tão possível quanto eu casar com o pai da Halen. (Hery)
Bom, vocês pensam parecido. (Rith)
Pessoas se aproximam da máquina.
E aí, chuta rápido: futuro ou passado? (Rith)
Tudo que tô rezando agora é pra falarem alguma língua que eu conheça. (Hery)
Hery abre a máquina e sai. As pessoas olham para Hery.
Alguma ideia de onde viemos parar? (Halen)
Nenhuma. Nem onde, nem quando. (Rith)
Do lado de fora, Hery se aproxima das pessoas.
Sabem falar minha língua? (Hery)
A pessoa faz um gesto para que Hery espere. Mexe atrás da orelha e começa a falar algo ininteligível. Dali a pouco, chega outra pessoa.
Como chegaram aqui? (pessoa)
Alguma coisa tirou nós dois de onde estávamos, junto com a máquina. (Hery)
Nós três. (Rith)
Três? (pessoa)
Tem uma pessoa dentro da estrutura da máquina. É complicado explicar. (Rith)
Depois de algum tempo, Hery, Rith e Halen estão em uma casa grande, na sala. Uma pessoa chega.
Meu nome é Luana. Vocês, quem são? (Luana)
Sou Hery, esse é Rith, meu irmão. (Hery)
Quem trouxe vocês aqui não quer que essa máquina continue existindo. Teremos que destruir. (Luana)
Não pode. Minha noiva está dentro dela. (Rith)
Comentaram isso comigo. Como colocou? DNA? (Luana)
Meu cérebro. (Halen)
Podemos resolver isso. Terá que confiar em nós. (Luana)
Podem me dar um corpo?! Mesmo que seja um robô baixinho e gordinho, eu aceito! (Halen)
Ajudaremos você, calma. Mas porque fizeram isso? (Luana)
Ela estava em coma. O pai dela ameaçou desligar os aparelhos. (Rith)
Vocês são de outro planeta, não são? (Hery)
Aqui, vocês é que são. (Luana)
Não podem simplesmente destruir nossa tecnologia. (Hery)
O laboratório na Terra já foi completamente eliminado. Não é uma decisão de vocês, ou sequer nossa. Poderão voltar para casa, se quiserem. Seria melhor que ficassem aqui. (Luana)
Vamos voltar para casa. E depois vamos vir para cá e retribuir seu favor. (Hery)
A primeira coisa é que não fomos nós que destruímos o laboratório na Terra. A segunda é que vocês levarão séculos para ter tecnologia para vir para cá. Do jeito que caminham, talvez destruam sua própria casa antes disso. olha para a máquina Vai aceitar nossa ajuda? (Luana)
Sim! (Halen)
Eu quero uma arma. (Rith)
Pra que? (Luana)
Caso o que forem fazer dê errado. (Rith)
Acha que vão te deixar chegar perto de alguém? (Hery)
Não é para atirar em outra pessoa. (Rith)
O que?! (Hery)
Rith... (Halen)
Não está arriscando só a sua vida. (Rith)
Não está arriscando a vida de ninguém, acredite em mim. (Luana)
Uma semana depois, Rith está dormindo em uma cadeira. Uma mão toca a sua. Rith se levanta e abraça Halen. Hery está olhando do lado de fora do quarto. Sai. Chega a uma casa. Esbarra com alguém jovem, de cabelos vermelhos compridos e olhos roxos. Olha com cara de nojo. A pessoa baixa a cabeça e continua andando. Hery chega até Luana.
Acordou? (Luana)
Sim. (Hery)
Vai querer ir para casa? (Luana)
Não. Quero passar o resto da vida num planeta estranho com criaturas estranhas. (Hery)
Sua hostilidade não me ofende. Só mostra que não é uma boa ideia para ficar conosco. Vamos começar os preparativos para vocês voltarem. (Luana)
Dali a pouco, Hery está caminhando em um mercado. Uma criança de cabelos loiros e olhos azuis pega a mão esquerda de Hery. Depois a direita.
Mamãe, ele também não é atlante! (Angely)
Me desculpe, ele... (Lisa)
Lisa empalidece. Hery olha para Lisa, depois para Angely.
Quantos anos você tem? (Hery)
Oito. (Angely)
Não sabia que eles reproduziam com a gente. Cadê ele? (Hery)
Quem? (Lisa)
O ET com quem você trep... (Hery)
Hery. (Lisa)
O que é ET? (Angely)
Extraterrestre. Quem nasce fora da Terra. É o que você é. É o que seu pai é. (Hery)
A Terra é meio pequena para resumir todo o resto com uma palavra só. E nosso pai nasceu na Terra. (Edmont)
Hery olha para a outra criança. Igual a primeira, mas com cabelos pretos e olhos cinzas.
Aqui eles fazem de várias cores? (Hery)
Posso deixar você de várias cores. (Edmont)
Ed, fala lá que já vamos. (Lisa)
Edmont vai embora.
Vai ficar com ele? (Angely)
Os olhos de Hery mudam de raiva para esperança. Lisa não consegue responder. Abaixa de frente para Angely.
Fala que encontrei um velho amigo nosso, e que vou precisar falar com ele. (Lisa)
Vai voltar para casa? (Angely)
Não precisa ter preocupação, anjo, não vou largar vocês. (Lisa)
Angely dá um beijo no rosto de Lisa, olha para Hery e vai embora.
Angely e Edmont chegam em casa. Modret se levanta.
Minhas crianças. Cadê Lisa? (Modret)
Ficou conversando com uma pessoa que vocês conheciam antes. (Angely)
Chamou a gente de ET. (Edmont)
Lisa vai voltar pra Terra? (Angely)
Creio que não. Deve ser só uma conversa. (Modret)
Animais entram na sala. Angely vai até são bernardo, Edmont até lobo.
Lembraram de dar comida quando saíram? (Modret)
Ahã. (Angely)
Vão brincar no quintal. (Modret)
Saem. Modret olha em um espelho.
Até que durou bastante tempo. (Modret)
Noite. Lisa se levanta da cama. Vai até o banheiro. Se olha no espelho. Hery aparece atrás de Lisa e abraça.
Sabia que você ainda me queria. (Hery)
Você não é o único que quero. (Lisa)
Lisa desvia e volta para o quarto.
Andou aderindo aos costumes locais? (Hery)
Isso não faz diferença. (Lisa)
Pra mim, faz. (Hery)
Então vai embora. (Lisa)
Hery baixa a cabeça. Senta na cama. Pega as mãos de Lisa.
O que fez enquanto estava com ele não é da minha conta. Se ele não se importava em ser corno... (Hery)
Lisa puxa as mãos, olha pro teto, suspira e olha de novo para Hery.
Agora está comigo, não está? Vai voltar para a Terra comigo, não vai? (Hery)
Não quero voltar para a Terra. Aqui as pessoas são muito mais evoluídas. (Lisa)
Não são pessoas. (Hery)
Não são humanos. E não sei porque isso te incomoda tanto. (Lisa)
Um ano. Fico um ano aqui e aí decidimos. (Hery)
Ok. (Lisa)
12 de março de 2009
Lisa está fazendo força. Cai para trás.
Mais um pouco só... (Halen)
Lisa faz mais força. Cai de novo. Um choro de criança. Rith chega com um lençol. Halen enrola a criança. Entrega para Lisa.
Para todos os efeitos, é filha de vocês. (Hery)
Não vai nem olhar pra cara da nossa criança? (Lisa)
Hery vai até Lisa. Pega a criança no colo.
Não estou te rejeitando. Preciso que fique protegida. Não sabemos o que eles podem fazer. (Hery)
Ele não vai fazer nada com ela. (Lisa)
Não vão começar de novo, né? (Rith)
Não é uma boa coisa para ser a primeira que essa criança houve na sua vinda ao mundo. (Halen)
Noite. Lobo entra no quarto. Lisa acorda, ofegante. Vai acordar Hery, mas Hery não está na cama. Lobo avança em Lisa, pegando seu pulso. Hery chega no quarto e bate com uma vassoura na cabeça do animal. Bate mais, até ter certeza que o animal não reage mais. Pega um lençol e enrola o pulso de Lisa.
Que merda foi essa?! (Hery)
É o cachorro do Edmont... (Lisa)
Seu filho?! (Hery)
Sim. Sabia que esse bicho era perigoso, avisei para o Modret, mas ele disse que tinha que trazer o que o Edmont tinha pedido, porque traria o que Angely pediu... (Lisa)
No dia seguinte, Lisa acorda, levanta, sente tontura. Olha para a ferida no pulso. Sai de casa. No campo, perto de uma árvore, encontra Angely.
Lisa... (Angely)
Nossa. Você cresceu. (Lisa)
Que aconteceu? (Angely)
O lobo do Edmont. Tinha alguma coisa errada. (Lisa)
Edmont deixou Nilrem fazer algo, disse que queria treinar... (Angely)
Lisa se senta junto da árvore. Coloca a mão na frente da boca. Olha para Angely, que parece não entender. Abre os braços, Angely abraça Lisa, Lisa abraça também. Lisa afasta Angely. Sente uma tontura mais forte.
Lembra quando falamos para vocês que tem uma hora que as pessoas vão embora do corpo e não podem voltar? (Lisa)
Edmont disse que... (Angely)
Não é igual o que aconteceu. Eu ia voltar para vocês. Mas agora... (Lisa)
Lisa sente outra tontura.
Mas te deixei mais alguém. Nasceu mais uma crianças daqui. coloca a mão no ventre Você lembra de Halen e de Rith? (Lisa)
Ahã... (Angely)
Ela tá lá com eles. Pede pra eles fugirem. Irem pra Terra. Mas não fale pra ninguém pra onde eles foram. Quando você crescer, cuida da pequena pra mim, tá? (Lisa)
Tá. (Angely)
Ang, acho que... (Lisa)
Lisa fecha os olhos. Uma lágrima cai dos olhos de Angely. Angely dá um beijo na bochecha de Lisa.
Vou cuidar dela. (Angely)
Hery vê a cena de longe.
Hery encontra Modret em uma sala, lendo pra Edmont. Modret se levanta.
Eu já sei que estão juntos. E ainda lembro o que isso significa pra vocês. (Modret)
Seu cachorro assassino está morto também. (Hery)
Também? (Modret)
Se não foi você, então quem... (Hery)
Então era ela a missão dele? (Edmont)
Mandou Crow atacar Lisa? (Modret)
Ela foi embora sem nem lembrar que a gente existia. (Edmont)
Hery vai para cima de Edmont, mas Modret impede, colocando Edmont atrás de si. Pega uma espada e joga outra para Hery. Hery pega a espada do chão, sem nem saber segurar. Então ajeita. Parte para cima de Modret, que se defende. Insiste novamente e sorri. Modret não entende. Começam a lutar. Modret, apenas se defende. Hery desarma Modret. Modret olha para a espada, que voou. Olha para Edmont, depois para a espada novamente. Sente dor. Hery cravara a espada no estômago de Modret. Edmont corre para Modret.
Ed... (Modret)
Você vai me deixar? (Edmont)
Eu não queria. (Modret)
Edmont olha para Hery.
Você fez isso. (Edmont)
Edmont pega a espada de Modret e atravessa em Hery, que cai imediatamente, com surpresa no olhar. Edmont olha Hery cair. Fecha a mão e aperta. Vai até Hery e arranca a espada. Joga longe. Olha para trás. Se aproxima de Modret. Ajoelha-se perto.
Promete que vai cuidar de todo mundo. (Modret)
Eu prometo. (Edmont)
Modret fecha os olhos. Edmont verifica: já não respira. Seus olhos enchem de lágrimas.
E vou matar esses traidores. (Edmont)
Angely chega. Olha para Edmont chorando sobre um corpo. Vê Hery. Hery olha para Angely. Angely se aproxima e se abaixa perto de Hery.
Fala pro Rith que Modret morreu e que Edmont irá atrás deles três para se vingar. Peça pra eles adotarem a Katerine. (Hery)
Hery fecha os olhos. Edmont se levanta. Limpa as lágrimas. Olha para Angely, com a mão em frente ao rosto de Hery.
Ele matou Modret, agora está sofrendo as conseqüências. (Edmont)
Angely arregala os olhos e corre em direção a Modret.
Já não tá mais aqui. (Edmont)
Que aconteceu aqui?! (Melody)
Mataram Modret. Que sejam expulsos seus cúmplices. (Edmont)
Como pode agir tão friamente? (Melody)
Melody... (Angely)
Angely abraça Melody, ainda com lágrimas nos olhos.
Tem que me ajudar. Só o que restou da minha família foi a criança mais nova de Lisa, não posso deixar Edmont pegar... (Angely)
Pode ir... Vou dar um jeito de segurar Edmont. (Melody)
Angely sai sem que Edmont note.
Modret tinha um desejo. (Nilrem)
Qual? (Edmont)
Fazer de você e Angely grandes guerreiros. (Nilrem)
Mel olha para Nilrem, olhos arregalados, boca entreaberta.
Que seja feita a vontade. (Edmont)
Mel olha para Edmont. Nilrem encara. Mel baixa a cabeça e sai.
Noite.
Será que deu tudo certo? (Rith)
Calma, Rith, seu irmão já deve até tá a caminho... (Halen)
Ouvem alguém bater.
Ele não tem a chave? (Rith)
Modret?! (Halen)
Sou eu, o Angely. (Angely)
Angely... abre a porta Que aconteceu? (Halen)
Minha mãe, meu pai, Hery... Estão todos... (Angely)
Não pode ser... (Rith)
Eu sinto muito, cheguei tarde demais para impedir, por favor me desculpem... (Angely)
Você não teve culpa, Angely. (Halen)
Mas e Edmont? (Rith)
Está no centro. Posso ver Katerine? (Angely)
Halen franze a testa.
A criança... Foi esse o nome que Hery falou... (Angely)
Claro... Ela está no quarto... (Halen)
Angely vai até o quarto. Os olhos de Rith enchem de lágrimas. Halen abraça. Rith limpa as lágrimas. Rith e Halen vão ao quarto.
A pequena sempre vai me lembrar ele. (Rith)
Ela é linda. (Angely)
É sua irmãzinha. (Halen)
Ir... (Angely)
É a palavra que usamos quando é filha de mesmo pai e mãe... Ou pai ou mãe... Que é quem te põe no mundo ou cria... (Rith)
Angely fecha a fisionomia e baixa a cabeça.
Hery falou alguma coisa? (Rith)
Eu já tava esquecendo... Pediu para que vocês fugissem, levassem Katerine e adotassem. Não é pra contar que morreram e vocês devem partir logo. Edmont pode vir atrás. (Angely)
Faremos isso. (Halen)
Não quer vir com a gente? (Rith)
Não posso. Edmont nos acharia num instante. (Angely)
Então acho que nunca mais nos veremos. (Rith)
Agosto de 2012
Estão prontos? (Nilrem)
Aposto que posso vencer com as mãos amarradas nas costas. (Edmont)
Bom que esteja se tornando um homem seguro, porque hoje é o dia da decisão. Vocês irão lutar um contra o outro, pelo trono. (Nilrem)
Angely se levanta.
Que absurdo é esse agora?! Não vou lutar contra Edmont! Se é por ser guia, não quero ser! (Angely)
Não pode. (Nilrem)
Então temos que lutar? (Edmont)
Como pode nos obrigar a isso?! (Angely)
Angely joga sua espada no chão.
Ou luta e tenta sobreviver, ou vou te matar aqui mesmo. (Edmont)
Angely encara Edmont, sem entender. Pega a espada de volta.
Angely e Edmont estão na arena. Angely está com a espada no pescoço de Edmont.
Acabe logo com isso. (Edmont)
Não... (Angely)
Angely larga a espada.
Não acredito no que eu estava fazendo. (Angely)
Edmont pega a espada e coloca no pescoço de Angely.
Espero que nunca se arrependa disso. (Angely)
Nunca me arrependo dos meus atos. (Edmont)
Angely fecha os olhos. A são bernardo pula contra Edmont. Angely foge, passa pela segurança e entra numa máquina. Edmont vê a máquina partir. Nilrem se aproxima. Coloca a mão no ombro de Edmont.
Setembro de 2012
Brasil, 4:00. Júlio tentava levantar sem fazer barulho.
Papai... (Agatha)
Você ainda não dormiu. (Júlio)
Eu tinha dormido, mas é que eu vi uma luz cair. (Agatha)
Agatha, eu sei que a mamãe morreu sem você poder conhecer ela, e que você só tem onze anos, mas... (Júlio)
Não, papai. Eu sei que a mamãe tá com o papai do céu e que não pode vir nos visitar, mas tá olhando pra gente. Não era ela. Foi alguma coisa que caiu no quintal. Parece que caiu dentro da piscina, jogou água pra todo lado. (Agatha)
Vou ver o que é. (Júlio)
Vou junto. (Agatha)
Você fica, pode ser perigoso. (Júlio)
Mas se for perigoso, eu tenho que ir pra te proteger. (Agatha)
Tá, mas toma cuidado. (Júlio)
Chegando ao quintal, Júlio e Agatha vêem a piscina quebrada, e algo dentro dela.
Que é isso? (Júlio)
Eu já vi num filme, é uma nave espacial! (Agatha)
Filha isso não é um filme. (Júlio)
Vamos olhar embaixo desse monte de pedaços. (Agatha)
Agatha sobe na máquina.
Espere! Você pode se machucar! Agatha! (Júlio)
Como será que abre? (Agatha)
Agatha já está em cima da suposta nave. Esta se abre sozinha e vêem uma criança inconsciente.
Meu Deus, não devíamos ter vindo! O que será que aconteceu com o garoto? (Júlio)
Angely tosse.
Tá vivo! (Júlio)
Ajuda ele pai! (Agatha)
Tá já estou indo! (Júlio)
Júlio desce até dentro dos destroços, tira a criança e leva pra dentro de casa. Coloca no sofá. Ao acordar, Angely vê Agatha e Júlio olhando pra si. Se senta.
Que aconteceu? Dá onde você veio? (Agatha)
Calma, não enche o coitado de perguntas. Talvez ele nem fale nossa língua. (Júlio)
Deixa pra lá, vocês não iam mesmo acreditar. (Angely)
Depois de ver uma nave descer do céu dentro da minha piscina, eu acredito em tudo! (Júlio)
Saturno. (Angely)
Como? A professora disse que não tem vida lá! (Agatha)
Não no planeta, mas em um satélite... (Angely)
Como era sua família? (Agatha)
Quem me trouxe ao mundo morreu faz três anos. (Angely)
Sinto muito. Você tinha irmãos? (Júlio)
Havia alguém, que nasceu junto comigo, e uma criança, nove anos depois, de alguém que me trouxe e de outra pessoa. É difícil traduzir isso pra língua de vocês, palavras demais. (Angely)
É fácil. Eram meninos ou meninas? (Júlio)
Esse é o problema de traduzir. isso importa pra vocês. (Angely)
Vai viajar de volta pro seu planeta ou quer ficar morando aqui? Pai, ele pode ficar?! (Agatha)
Agatha, isso é meio complicado. (Júlio)
Não tenho nada por aqui e vocês mal me conhecem. Alguém pode ter visto alguma coisa. (Angely)
Dá-se um jeito! (Agatha)
Seria bom ter uma família novamente. Disse que destruí sua piscina? (Angely)
Deve estar cansado. Melhor irem dormir. (Júlio)
Os três vão pro quarto. Angely e Agatha deitam. Júlio cobre as crianças.
Papai, nós não podemos sair por aí dizendo que ele caiu no nosso quintal com uma nave espacial. (Agatha)
Bom, sei lá. Vamos fazer assim: a partir de hoje, você é meu sobrinho. Já que nós nos mudamos hoje, ninguém pode dizer o contrário. (Júlio)
Mas não tenho nada que prove minha existência aqui na Terra. (Angely)
Podemos dizer que você é filho de uma irmã minha que não tinha registro. Te adoto e ninguém pode dizer nada. (Júlio)
Mas alguém pode querer investigar. (Angely)
Estamos no Brasil. Por que alguém iria? (Júlio)
Júlio vai para seu quarto. Deita na cama.
Caralho. Uma criança. Como deixam uma criança sair assim? Não vai conseguir se virar sozinho. Ele parece normal. Jurei que não me meteria nessas coisas de novo. Não depois dela. suspira Espero que eu não esteja fazendo nenhuma cagada. (Júlio)
No dia seguinte, Agatha e Angely estão no video-game.
Onde aprendem as coisas aqui na Terra? (Angely)
Na escola. Angely, você vai bater! (Agatha)
Nossa, já deve ser a décima quinta vez. (Angely)
Você aprende. (Júlio)
Quando nós vamos pra escola? (Angely)
Assim que o papai arranjar vaga e as aulas começarem. Calma, não precisa se apressar, nos estamos no começo de setembro. (Agatha)
Até quando duram as aulas aqui na Terra? (Angely)
Até novembro. (Agatha)
Então por quê você não tá tendo aulas? (Angely)
Tínhamos que mudar pra cá, eu terminei a escola mais cedo. (Agatha)
Onde você morava tinha calendário? (Júlio)
Era diferente. Mas aprendi o de vocês também. (Angely)
O que aprendiam lá? (Agatha)
A história da Terra, principalmente a de Atlântida. Lutar também. (Angely)
De quais planetas mais vocês falavam? (Agatha)
Só da Terra. É o planeta mais próximo povoado. E é daqui que nós viemos. (Angely)
Como assim? (Júlio)
Meu povo morava em Atlântida, até ela afundar, vê? É o mapa dela. (Angely)
Angely mostra a mão direita.
Todo mundo lá tem isso na mão direita? (Agatha)
Não, todas as outras pessoas têm isso na mão esquerda. Só eu tenho isso na mão direita... Pera, pensando bem, a criança também... Não sei porque. (Angely)
Hora do almoço. (Júlio)
Tô morrendo de fome. (Agatha)
As pessoas se sentam à mesa. Depois de comerem, Angely e Agatha voltam direto para o video-game enquanto Júlio arruma a cozinha. Depois, vai assistir TV.
Horas depois...
Consegui, ganhei! (Angely)
Parabéns, senhor primeiro lugar. (Agatha)
Filha não é só você que pode vencer. Faz horas que vocês estão aí jogando, vamos parando que já é tarde. (Júlio)
Papai, só mais uma. (Agatha)
Nada disso, vão tomar banho, jantar e dormir. (Júlio)
Angely, no seu planeta o seu pai era chato assim? (Agatha)
É legal ter disciplina. Uma boa todo mundo se organizar. (Angely)
Gostei disso, cadê o exemplo papai? (Agatha)
Tá, vamos todos tomar banho, primeiro a Agatha, depois eu e no fim o Angely. (Júlio)
Por que ele por último? Vamos por ordem de idade. Peraí, Angely, quando você nasceu?’ (Agatha)
No calendário de vocês, 12 de março de 2000. (Angely)
Legal! Eu sou mais nova. (Agatha)
Nasceu no dia do meu casamento. Minha esposa ficou grávida da Agatha pouco mais de um ano depois do casamento. percebe que Agatha ia perguntar algo Lembra da historinha da cegonha? (Júlio)
Nem fala mais nada! Eu posso ser criança, mas não sou burra! Não tenta me enrolar com essa historinha, porque nessa eu não caiu mais! Eu não vim de cegonha nenhuma, tá?! (Agatha)
Cegonha?! (Angely)
É, é uma história que os pais inventam para não dizer como e da onde eles arranjam filhos. Mais um dia eu descubro! Eles dizem que eles pediram pra uma cegonha trazer a gente. Aí ela bate na porta e deixa a gente numa cesta. (Agatha)
E as crianças acreditam? (Angely)
Ahã... (Agatha)
Isso é ilógico! (Angely)
Eu vou tomar banho e não quero que fiquem falando sobre besteiras, tá? (Júlio)
Você tem Páscoa e Natal? (Agatha)
Já ouvi falar. (Angely)
Depois então eu vou te contar e estória do Coelho de Páscoa e do Papai Noel. Outra dos adultos. (Agatha)
Algum tempo depois.
Só uma coisa... Ele abre a barriga da nossa mãe pra colocar a gente lá dentro??? (Agatha)
Não. Me disseram que fazem isso pra tirar aqui na terra, mas lá não. Você ia me contar sobre esse Papai Noel. (Angely)
Eles dizem que é um velhinho que entra pela chaminé, deixa presentes embaixo da árvore e vai embora. Mas eu sei que é mentira. Eu deixei a lareira acesa no Natal passado e não ouvi nada. (Agatha)
Ele entra pela chaminé pra deixar os presentes lá fora? (Angely)
Como assim? (Agatha)
Ué, você disse, embaixo da árvore. (Angely)
É que perto do Natal a gente monta uma árvore artificial e enfeita ela, até dia 06 de janeiro, quando a gente desmonta e guarda pra montar no outro ano. (Agatha)
Como é que esse "Papai Noel" sobe no telhado? (Angely)
Eles dizem que ele vem num trenó voador puxado por oito ou seis renas. (Agatha)
Por que ensinam as crianças a mentir? (Angely)
Angely, banho! (Júlio)
Mas que roupa eu visto? Vim com uma armadura, a que você comprou antes da gente acordar eu tô usando... (Angely)
Papai comprou umas três mudas. (Agatha)
Mudas?! (Angely)
É, por exemplo, agora, você tá usando uma muda de roupa, entendeu? (Júlio)
Onde estão as roupas? (Angely)
No guarda-roupas, lá no quintal. (Agatha)
Não, eu tirei todas as roupas do guarda-roupas para trazer ele pra dentro de casa. As roupas estão agora no armário de cozinha, que tá lá no banheiro. (Júlio)
Angely olha pra cara de Agatha e Júlio.
Vou tomar banho. (Angely)
Angely levanta e sai. Dali a pouco, Agatha está jogando. Júlio se aproxima.
Do que vocês andaram falando? (Júlio)
Ah, eu contei pra ele a estória do coelho da Páscoa e do Papai Noel e ele me disse que você colocou metade de uma semente dentro da mamãe, e a mamãe tinha a outra metade. Aí eu cresci e o médico me tirou da barriga da mamãe. (Agatha)
Ele disse como é que você foi parar lá dentro? (Júlio)
Não falou... Júlio sorri Falando nisso quem vai me explicar isso agora é você... (Agatha)
É... Bom... Eu... (Júlio)
Que cheiro de queimado é esse? (Agatha)
A comida! (Júlio)
Júlio corre até a cozinha e quase não consegue ver nada, por causa da fumaça.
A história dessa janta é muito pequena: "Era uma vez e virou carvão para sempre." (Agatha)
Que aconteceu?! (Angely)
Bom, hoje nós teremos que comer carvão. (Júlio)
Eu não tava mesmo com fome. (Agatha)
Agatha, banho. Angely, agora você vai ter que me ajudar a preparar o jantar. Agatha, você me ouviu. (Júlio)
Espero que o Angely não tenha pego uma roupa minha ao invés de pegar das dele. (Agatha)
Eu percebi que a minha era maior. (Angely)
Agatha franze a sobrancelha. Angely não entende. Agatha sai. Angely observa um RG que está em cima do armário.
Aqui na Terra vocês usam isso para se identificar? (Angely)
Você precisa de uma. Podia me ajudar a abrir as janelas, por favor? (Júlio)
Angely e Júlio abrem todas as janelas e começam a refazer o jantar. Uma hora depois está pronto.
Hoje a gente vai ter que comer fora, já que aqui dentro tá tudo desarrumado. Eu levo a mesa lá pra fora e depois a gente leva o resto das coisas. (Júlio)
Conseguiram refazer nosso jantar? (Agatha)
Nossa, você demorou no banho. Ajuda a gente a levar tudo lá pra fora... (Angely)
Tá... (Agatha)
E depois da janta, cama. (Júlio)
Na lua de Saturno, Melody encosta a mão no ombro de Edmont. Edmont levanta.
Não posso deixar isso ficar assim. (Melody)
Do que está falando? (Edmont)
Tem que ir atrás de Angely. (Melody)
Ele quem escolheu fugir. (Edmont)
Domnik, que me botou no mundo, nunca acreditou em Nilrem, eu também não. Vai atrás de Ang. Quando eu puder, trago vocês de volta. Ang não quer ser guia. Quando voltarem, derrubamos Nilrem. (Melody)
Não sei se... (Edmont)
Modret me colocou para cuidar de vocês porque confiava em mim. (Melody)
Novembro de 2012
Hora de dormir. (Júlio)
Já? (Agatha)
É, amanhã nós iremos registrar o Angely e encher a piscina. Por falar nisso, Angely, você já viu uma piscina? (Júlio)
Não. Só lago. Reparei que nós moramos muito longe da cidade. (Angely)
Ainda bem, já pensou se nós morássemos no meio da cidade? A NASA já tinha te levado pra fazer experiências e mais experiências. (Agatha)
Bom, mas chega de papo. Já está escurecendo. (Júlio)
Pai, o que você fez com o resto da nave do Angely? (Agatha)
Vendeu pro ferro velho e usou o dinheiro pra ajudar a consertar a piscina. (Angely)
Ué, muito justo. (Júlio)
Madrugada.
Júlio... (Angely)
Não, eu não vou pra escola hoje, mamãe. (Júlio)
Ih, meu Deus. (Agatha)
Deixa que eu vou lá. (Angely)
Você tá louco, e se eles vieram te buscar? (Agatha)
Júlio... (Angely)
Já sei. (Agatha)
Agatha pega um copo d’água, molha a mão e espirra na cara de Júlio, mas nada. Angely pega o copo.
Não adianta assim. (Angely)
Ah, é espertinho? Então como é? (Agatha)
Assim... (Angely)
Angely despeja a água do copo em cima de Júlio.
Que?! Onde?! Porque?! (Júlio)
Viu? Outro dia a mangueira estourou em cima de mim. Nunca acordei tão rápido. (Angely)
Papai, lembra de pouco tempo atrás, quando o Angely caiu com uma nave na piscina...? (Agatha)
Ah, não! (Júlio)
Descem a escada e vão até a piscina.
Se continuar assim, em três anos eu vou ter gastado todas as minhas economias! Acho que vou colocar a piscina em outro lugar! (Júlio)
Sobem na máquina.
Pelo menos fez menos estrago. (Júlio)
A porta se abre e se espantam.
Ei, ele é igualzinho a você, só que tem cabelo preto... Vocês são o quê?! Robôs?! (Agatha)
Edmont?! (Angely)
Edmont abre os olhos.
Beleza minha piscina virou aeroporto alienígena agora! (Júlio)
Ajuda ele, pai! (Agatha)
Agatha empurra Júlio que quase cai dentro da nave. Júlio pega Edmont e leva pra dentro.
Acorda... (Júlio)
Edmont... (Angely)
É o seu irmão? (Júlio)
Como você descobriu? (Agatha)
Pega um copo d’água pra ele. (Júlio)
Tá. (Agatha)
Agatha sai.
Edmont... Edmont abre os olhos Acordou. (Angely)
Abraça Angely e Angely estranha. Agatha volta com o copo d’água.
Que aconteceu? (Júlio)
Que está acontecendo? (Agatha)
Desculpa pelo o que eu fiz. Agora sei que estava errado. Você é a única pessoa que sobrou da minha família. (Edmont)
Agora dá pra explicar o que tá acontecendo? (Agatha)
Edmont volta a deitar.
Quem são eles? (Edmont)
Ei, você está na minha casa, quem devia perguntar era eu! (Júlio)
Olha, desculpa por ter caído no seu quintal e desculpa por ele também... (Angely)
Tá usando gênero agora? (Edmont)
É mania por aqui, você acaba pegando... (Angely)
Depende, parece que não vou ficar muito tempo. (Edmont)
Pai, tive aquele sonho de novo, ele tem que ficar também!!! (Agatha)
Ele pode ficar também! Mas terei que adotar os dois, fazer testes de conhecimento para entrar na escola... E também nunca poderão falar que vieram de Saturno, mas vou deixar bem claro que não sou colecionador de et se me aparecer mais um boto todo mundo pra fora! respira fundo Bom, meu nome é Júlio. Esta é a Agatha, minha filha. (Júlio)
Oi... (Agatha)
Bom, por hoje, onde você vai dormir? (Júlio)
Pode dormir na minha cama. (Angely)
Mas antes vai ter que limpar esses machucados. (Júlio)
Porque você não veio com armadura que nem o Angely? Não teria se machucado. (Agatha)
No dia que Ang veio, tava lutando. Mas eu tava dormindo quando acordei de um pesadelo e resolvi vir. (Edmont)
Claro! De repente acorda no meio da noite, sai de pijama e resolve fazer uma visita pro irmão, que, por ironia do destino, tá em outro planeta! (Agatha)
Vamos dormir que já são cinco e meia. Droga, eu só tenho mais duas horas e meia pra dormir. (Júlio)
Todo mundo sobe a escada e vai para as camas. Minutos depois...
Nossa, só não podemos dizer que ele tá dormindo que nem uma pedra porque a pedra pelo menos não faz barulho! (Edmont)
E se nós inscrevêssemos ele no livro dos recordes em altura de ronco? (Angely)
Boa idéia, podíamos ganhar um bom dinheiro. (Agatha)
Durmam, já são seis da manhã! (Júlio)
Agora ele ouviu. (Angely)
8:00. Júlio vai para o serviço. Na casa...
Angely, Edmont, acordem! Que droga, cambada de dorminhoco... vê uma buzina de brinquedo Já sei... (Agatha)
Agatha buzina no ouvido de Angely e Edmont. Angely e Edmont acordam, no susto. Agatha ri.
Não foi engraçado... (Angely)
Pois eu achei. (Agatha)
Por que você fez isso? (Edmont)
Vocês não queriam acordar. Vão se trocar que hoje é meu dia de fazer o café. (Agatha)
Agatha sai.
Ah, não, são dez da manhã! Eu quero dormir! (Edmont)
Vamos, eu te mostro onde tem roupas. (Angely)
Deixa eu dormir mais um pouquinho. (Edmont)
Não pode, eu sei que lá a gente dormia mais, mas vai ter que se acostumar. ele puxa Edmont Você não veio tentar terminar aquela luta, né? (Angely)
Não, eu vim dormir! (Edmont)
Edmont cobre a cabeça com o travesseiro.
Não, levanta... (Angely)
Angely puxa Edmont com força e Angely e Edmont caem no chão.
Tá, tá bom, você venceu! (Edmont)
Depois de cair em cima de mim você se rende! (Angely)
Angely e Edmont vão pro banheiro, se trocam e descem.
Espero que não tenham alergia ou aversão a nada de comer. (Agatha)
Não, na verdade só temos alguma aversão a álcool, mas vai passar. (Edmont)
Uma vez eu peguei o copo de champanhe do papai, escondido dele, tomei e fiquei tão bêbada que pensei que uma planta era o coelho da Páscoa. Meu pai diz que eu sou fraca para bebida. (Agatha)
Você tem 11 anos. É uma criança. Não tem que fazer coisas de adulto. (Edmont)
Agatha, Angely e Edmont tomam o café da manhã. Arrumam tudo.
E agora? Que costumam fazer por aqui? (Edmont)
Vamos pro video-game. O último que chegar é mulher do padre! (Agatha)
Agatha sai correndo.
Video-game? Mulher do que? (Edmont)
Falam umas coisas estranhas aqui. Video-game é legal. Vem. (Angely)
Angely e Edmont chegam na sala. Edmont pega um controle, vira, olha os botões.
O que faço com isso? (Edmont)
Primeiro você coloca o CD e liga o video-game... (Agatha)
...depois escolhe as opções de jogo e começa a jogar... (Angely)
Ah. (Edmont)
Algumas horas depois.
Quadragésima sexta vez que eu ganho. (Angely)
Você tá contando, é? (Agatha)
Mais um pouco e você passa meu recorde, Angely. (Edmont)
Não vale! Vocês sempre ganham de mim. Queria ver quem ia ganhar se os dois jogassem um contra o outro! (Agatha)
É só você largar o controle. Só nós temos que revezar! (Edmont)
Estão se dando bem aí? (Júlio)
Ela não larga o controle! (Edmont)
Eu tenho uma novidade. Vou trabalhar em casa. (Júlio)
Isso é bom? (Agatha)
É, porque vou ficar no micro aqui em casa, não gasta gasolina eu posso trabalhar até de pijama vou trabalhar a hora que eu quiser não vou gastar dinheiro com um lanche na esquina não vou parar no hospital com o colesterol no céu... (Júlio)
Ensinaram a respirar? (Edmont)
Nós não tínhamos que nos registrar? (Angely)
Pra isso que eu vim correndo. Tá aberto ainda. Aviso que não vamos resolver isso num dia só. (Júlio)
Dezembro de 2012
Pai, o que vou ganhar de presente da Natal? (Agatha)
Presente de Natal? (Edmont)
Você sabe como é nosso calendário, não sabe? (Agatha)
Sei. Tem 365 dias, sendo 366 a cada quatro anos, e começou a ser contado desde que supostamente Jesus nasceu. Os anos divisíveis por cem não são bissextos, a menos que sejam divisíveis por quatrocentos também, e... (Edmont)
Jesus nasceu no dia vinte e cinco de dezembro. (Agatha)
Não, foi apenas um jeito de adaptar a cultura cristã à pagã. (Edmont)
Nesse dia dizemos que é o Natal, e é tradição trocarmos presentes, montarmos uma árvore e um presépio. (Agatha)
Mas, por quê trocar presentes? Segundo essa história, quem faz aniversário é Jesus, quem devia ganhar presente é... (Edmont)
Eu também nunca entendi isso, mas sempre foi assim. Então, eu e o papai vamos para uma loja e cada um compra um presente para o outro. (Agatha)
Esse ano vamos aproveitar que não somos só nós dois e fazer amigo secreto. (Júlio)
Que é isso? (Angely)
É tipo um sorteio, como eu vou explicar... Que tal tirarmos agora? (Júlio)
Legal! (Agatha)
Sorteiam.
Alguém tirou a si mesmo? (Júlio)
Eu não. (Angely)
Nem eu. (Agatha)
Também não. (Edmont)
Tá, amanhã nós vamos às compras e cada um escolhe um presente que acha que a outra pessoa vai gostar e leva. Depois escolhe um papel de presente, e um enfeite, pra embrulhar o presente. Quando chegar em casa, embrulhamos os presentes e colocamos embaixo da árvore. Então no Natal nós entregamos os presentes. Mas antes de abrir quem deu o presente dá três dicas do que é, uma dica de cada vez, e quem ganhou o presente tem trinta segundos pra adivinhar. Se não conseguir adivinhar ou desistir, abre e vê o que é. (Júlio)
Dia seguinte.
Levantando pessoal. (Júlio)
Papai, você não tem que trabalhar? (Agatha)
Eu começo o ano que vem. (Júlio)
Deixa eu dormir. (Edmont)
Nós temos muito a fazer. (Júlio)
Vai ver se tô na esquina, vai... (Edmont)
Angely... (Júlio)
Agatha vai buscar dois copos d’água, volta e joga em cima Angely e Edmont. Edmont acorda num pulo. Angely sai de trás da cortina.
Pensaram que iam me pegar no meu truque?! (Angely)
Vão se arrumar, nós temos que comprar a beliche, já tô cheio de vocês dormirem na minha cama. (Júlio)
Fica hilário a gente dormindo na cama de casal e você encolhido no sofá. (Agatha)
Hilário pra você! Vamos levantando que temos compras a fazer. (Júlio)
Supermercado.
Bom, primeiro vamos para a seção de móveis... Ali. (Júlio)
Olha, beliche desmontável! (Agatha)
Pra desmontar com esses dois em cima? (Júlio)
Ela não ia ler de tão longe. Podemos testar ali. (Angely)
Tá, vão lá. (Júlio)
Edmont e Angely vão.
Papai, compra aquela ali pra mim. É tipo uma beliche: a parte de baixo é um mini armário e a de cima é cama. Daí fica os dois guarda-roupas pro Angely e pro Edmont... (Agatha)
Eu vou fazendo as compras e fala pra eles irem depois pra seção de brinquedos, escolher um brinquedo pra dar de presente de Natal pra quem eles tiraram ontem. Depois me encontrem no caixa vinte e cinco, tá? (Júlio)
Até daqui a pouco então. (Agatha)
Agatha corre até Angely e Edmont.
Angely, Edmont, já escolheram a cama? (Agatha)
Já. (Angely)
Então vamos pra seção de brinquedos pra escolher um presente pra pessoa que a gente tirou. (Agatha)
Caixa do supermercado, alguns minutos depois.
Cadê ele? (Angely)
Deve estar comprando o presente de quem ele tirou. (Agatha)
Ninguém viu o presente de ninguém? (Júlio)
Não (Angely / Agatha / Edmont)
Todo mundo já escolheu o papel de presente e o enfeite? (Júlio)
Já. (Agatha)
Tá gente, mostrem as camas que vocês escolheram, vou mandar entregar em casa. (Júlio)
Chegando em casa, Agatha, Júlio, Angely e Edmont estão na sala.
Bom, cada um leva o presente que escolheu pra um cômodo. entrega as sacolas para cada um E vamos ver os enfeites. (Júlio)
Vão pra loja, escolhem árvore, enfeites e presépio. Chegam em casa e montam tudo.
25 de Dezembro de 2012
Meia-noite. As pessoas se abraçam.
Agora eu quero o meu presente! (Agatha)
Calma, primeiro vamos ligar a árvore. (Júlio)
Júlio liga a árvore e todas as luzes acendem.
Bom, agora vamos anunciar quem nós tiramos... (Júlio)
Bom, eu tirei o Angely. Feliz Natal. (Agatha)
Agatha abraça Angely.
E as minhas dicas? (Angely)
Ah, tá... Bom, é pequeno, tem jogo e usa pilha. (Agatha)
Humm... (Angely)
30, 29, 28, 27, 26, 25, 24, 23, 22, 21, 20, 19... (Agatha)
Deixe-me ver... (Angely)
18, 17, 16, 15, 14, 13, 12, 11, 10, 9, 8, 7... (Agatha)
Tá desisto. (Angely)
Angely destrói a embalagem.
E eu tive tanto trabalho pra embrulhar! (Agatha)
Um mini-game dos antigos! Obrigado! (Angely)
E quem você tirou? (Júlio)
Edmont. Bem, tem cordas, você queria muito... (Angely)
Edmont corre na direção de Angely. Pega o presente.
Já sei o que é! estraçalha o papel de presente - uma guitarra Legal! (Edmont)
Achei que ia gostar. Dizem que a música acalma as feras. Era minha terceira dica. (Angely)
Agora chegou a sua vez Edmont... Quem você tirou? (Agatha)
Bom, Júlio, seu presente é eletrônico, tem quatro rodas e é pequeno. (Edmont)
Um carrinho! (Júlio)
Júlio corre, pega o presente e destrói a embalagem.
Parece mais criança que a gente. (Angely)
Então foi você que tirou meu nome! (Agatha)
Edmont olha para seu presente, e deixa com cuidado (e relutância) na estante. Pega uma coisa grande.
Bom, pro seu presente esse ano, eu me inspirei nos meninos, nessa coisa deles de que não tem diferença, e vi uns jogos que você tava jogando na internet... (Júlio)
Lego! (Agatha)
Agatha agarra a embalagem.
Você não deixou eu terminar de falar! (Júlio)
Não é como se precisasse. (Edmont)
Agatha abre a embalagem. Edmont vai para um canto, com a guitarra. Júlio pega o carrinho de novo, sorrindo como uma criança. Angely pega o game. Olha na direção da cozinha.
Comer? (Angely)
Júlio desmancha o sorriso de novo. Guarda o carrinho.
De noite, todo mundo dorme. De repente, Edmont está com uma espada no pescoço de Angely. Têm mais idade.
Achei que... (Angely)
Entendi sua metáfora com o presente. baixa a espada Não, não vou te matar. Sou um homicida, não suicida. (Edmont)
Que quer dizer com isso? (Angely)
Que nós estamos ligados demais pro meu gosto. (Edmont)
Tem algo errado com você. (Angely)
Só por quê estou de preto e óculos escuros? (Edmont)
Não, eu sinto. (Angely)
Quanto mais nos distanciamos, mais perto estamos. Só que há uma lei na física: dois corpos não ocupam o mesmo lugar ao mesmo tempo. (Edmont)
Se isso fosse acontecer, faltaria pelo menos uma década. (Angely)
Mais ou menos isso. joga a espada no chão Haverá uma luta final. (Edmont)
Angely nota um espelho. Mas há apenas um reflexo, um vulto. Tenta tocar. Tudo fica turvo. Escuro. Respiração alterada. O escuro clareia e Angely vê a parte debaixo da beliche. Olha para os lados. Senta. Sai da cama. Olha para Edmont, que dorme na cama de cima. Volta a deitar.
Está tudo bem agora. (Angely)

Resumo do Capítulo

Modret é descendente de atlantes que vive na Terra. Troca de lugar com Likín, que descobre que seu papel não é ser guia, e sim o de Modret. Tempos depois, volta à Terra atrás de Lisa, antiga paixão. Quem que criou Modret (sequestrou quando criança), Nilrem, volta junto, e deixa em coma uma amizade de Lisa, Halen. Anos mais tarde, Halen, Rith (com quem tem noivado), e Hery, que tem paixão por Lisa, por forças desconhecidas, acabam indo parar na lua de Saturno, onde está o povo atlante. Lisa tivera duas crianças com Modret: Angely e Edmont. Acaba ficando com Hery e tendo mais uma criança, Katerine. Uma criatura de Edmont mata Lisa, Hery mata Modret e Edmont mata Hery. Rith e Halen fogem pra Terra com Katerine. Com 12 anos, Angely e Edmont se enfrentam e Angely foge para a Terra também, conhecendo Júlio e Agatha, criança de Júlio, de 10 anos. Edmont chega algum tempo depois, a pedido de Mel, e pede desculpas a Angely. Júlio adota Angely e Edmont. Angely tem um sonho com Edmont, onde há um espelho, mas só há um reflexo.

Dara Keon