Mudança
MEAK
A03

Mudança ler resumo

Chegando ao Brasil...
Ainda bem que você foram mais espertos e compraram tudo novo. (Agatha)
Ei, eu tava sem dinheiro, tá? (Júlio)
Ai, tô morta... (Meg)
Vão pra mesma escola que a gente? (Agatha)
É, acho que sim... (Kat)
Vamos lá em cima, pra conversar direito? (Agatha)
Vão me deixar aqui??? (Kat)
Não, você vem junto, bobinha. (Meg)
Adoro ouvir conversa de gente mais velha! (Kat)
Ela é criança! (Agatha)
Pode deixar que ela não vai sair contando o que a gente disser. (Meg)
Meg, Agatha e Kat sobem a escada. Angely e Edmont vão para o quarto. Júlio se joga no sofá e liga a TV. Anoitece.
Depois de amanhã volta as aulas, né? (Edmont)
Ah, é... Tinha até esquecido... (Angely)
De quando à quando vão os bimestres aqui? (Meg)
Período I é março e abril. O II de maio e junho, as férias são em julho, o III período agosto e setembro e o IV outubro e novembro. (Angely)
Tá, brigado. Eu tô indo, tchau. (Meg)
Meg sai.
Esqueceu de passar a posição relativa do sol no início de cada dia também. (Edmont)
Que? (Angely)
Tem que ficar um pouco menos de nervoso. Vamo comer alguma coisa. (Edmont)
Angely e Edmont vão até a cozinha.
A aula começa depois de amanhã, que droga... (Agatha)
Ainda temos um dia de descanso. (Angely)
Gente, temos que fazer a janta... (Júlio)
Ah, tô afim não. (Agatha)
Nem eu. (Edmont)
Que, vão me colocar pra cozinhar? (Júlio)
Não tenho idade pra morrer. (Edmont)
Fazemos um lanche, é melhor. (Angely)
Rith falou pra nós irmos almoçar na casa dele amanhã. (Júlio)
Então, quem prepara o lanche? (Agatha)
Deixa que eu faço isso. Pra fazer lanche pelo menos eu sirvo. (Júlio)
Vamos lá arrumar o material da escola? (Agatha)
Meu material tá todo espalhado, tudo bagunçado... (Edmont)
Eu já arrumei. (Angely)
Tá, então você me ajuda. (Júlio)
Viu? Toma! Vai querer bancar o melhor... (Agatha)
Não têm o que fazer? É só dizer. (Júlio)
Agatha pega Edmont pela mão e sobem a escada. No quarto, Edmont e Agatha arrumam as coisas.
Nossa, quarto de menino é sempre uma bagunça, mas o de vocês superou. E só tem coisa sua jogada por aqui. (Agatha)
É, o Angely sempre foi mais organizado, mais perfeitinho, mais comportado... (Edmont)
Acho que as pessoas ficam menos organizadas depois que transam. (Agatha)
Por que está dizendo isso? (Edmont)
O que, acha que não sei? Ele quase nunca sai, tá sempre em casa. Nunca nem vi com alguém. (Agatha)
Não diz nada pra ele, eu prometi que não diria. (Edmont)
Não, pode ficar sossegado, eu não falo pra ele que você me contou. (Agatha)
Mas não fui eu quem contei! (Edmont)
Dali a pouco, está todo mundo na mesa. Todo mundo come em silêncio.
Então, o que acharam da viagem? (Júlio)
Legal. (Agatha)
Eu, Rith e Halen ficamos dormindo. Isso é estranho demais... (Júlio)
Talvez tenham feito alguma coisa e não se lembrem. (Edmont)
Mas e vocês, o que andaram fazendo? (Júlio)
Não acreditaria se contássemos. (Angely)
Eu vi você e a Meg. Que houve? (Júlio)
Nada. (Angely)
Ah, mente não Angely, vocês dois já são bem crescidinhos... (Júlio)
Agatha olha para Edmont.
Falei algo estranho? (Júlio)
Não, mas acho que alguém por aqui andou falando demais. (Angely)
Eu não disse nada, ela já tinha percebido. (Edmont)
Ela nunca falou nada. (Angely)
A culpa não é minha! (Edmont)
Que está acontecendo? (Júlio)
Agora conta pra ele também, não vai mesmo fazer diferença! (Angely)
Angely sobe pro quarto.
Angely, espera... Viu? (Edmont)
Eu não tenho culpa, ele é que não tem que ter vergonha disso. (Agatha)
Ele não tem vergonha, só não quer as pessoas... (Edmont)
Gente, o que aconteceu? Por que ele ficou daquele jeito? (Júlio)
Bom, o Angely deixou contar... (Agatha)
Ele nunca beijou ninguém. Quer dizer, fora a Meg, aquele beijo antes de a gente vir... (Edmont)
Eu sabia! (Júlio)
Vou falar com o Angely. (Edmont)
Que drama, ele tem dezessete, não trinta. (Júlio)
Edmont vai atrás de Angely. Agatha e Júlio arrumam a cozinha.
Angely, cê tá aí? (Edmont)
Não, pulei na privada e dei descarga. (Angely)
Olha, desculpa... (Edmont)
Não, deixa pra lá, uma hora eles iam saber. Espero que a Agatha não fale isso pra ninguém. (Angely)
Amanhã vamos na casa da Meg. (Edmont)
Legal. Mais gente pra me zoar. (Angely)
Não, acho que não vão fazer isso. (Edmont)
A única que não vai me zoar é a Katerine. (Angely)
Olha, nós não vamos falar nada, tá legal? (Edmont)
Ficam em silêncio.
Sabe que, se você for assexuado, isso não é um problema, né? (Edmont)
Sei. Mas não é isso. Eu só não... Fiquei a vontade ainda com alguém. (Angely)
O que você quiser. É sua decisão. (Edmont)
De madrugada, Edmont vai até a cozinha.
Cadê seu pai? (Edmont)
Foi dormir já. Que veio fazer aqui? (Agatha)
Não tô com sono. (Edmont)
Desculpa por... (Agatha)
Ele não ficou bravo. (Edmont)
Que bom. (Agatha)
E você, também não tá com sono? (Edmont)
Eu fiquei pensando em tudo que aconteceu lá. Aquilo sim é assustador. (Agatha)
Quando assistir um filme de terror, eu vou assistir rindo. (Edmont)
Agatha e Edmont ficam ali por algum tempo, em silêncio. Agatha vai sair da cozinha e Edmont se coloca na frente. Ficam se olhando. Edmont beija. Agatha afasta Edmont.
Somos irmãos! (Agatha)
Eu tenho certeza que não. (Edmont)
Meu pai te adotou. (Agatha)
Isso não conta. (Edmont)
Para, Edmont. (Agatha)
Tem certeza? (Edmont)
Edmont beija de novo. Agatha passa os braços em volta do pescoço de Edmont. Edmont para. Agatha se afasta. Angely chega. Agatha vai para a pia.
Que tá fazendo acordado à essa hora? (Agatha)
Eu? Vim pegar um copo d’água. E vocês? (Angely)
Nada. (Agatha)
Angely volta pro quarto. Edmont vai até Agatha.
Para, Edmont. (Agatha)
Por quê? (Edmont)
Isso não tá certo. (Agatha)
Que que tem de errado? (Edmont)
Meu pai... (Agatha)
Sabe que ele fala pra todos que somos afilhados dele. (Edmont)
Mas fomos criados juntos. (Agatha)
Mas não somos irmãos. (Edmont)
Para. (Agatha)
Agatha sobe a escada correndo. Na cozinha, Edmont encosta na pia.
Droga. (Edmont)
Edmont vai para o quarto. Angely já está dormindo. Edmont se joga na cama e vira pro canto. Agatha está com os olhos bem abertos, grudados no teto.
No dia seguinte, de manhã, Edmont vai até a cozinha. Júlio já acordou.
Bom dia. (Edmont)
Bom dia. (Júlio)
Bom dia... (Angely)
Agatha chega na cozinha. Tomam café da manhã, em silêncio. Depois arrumam a cozinha, calados também.
Olha, se querem me zoar, me zoem, mas esse silêncio tá me matando! (Angely)
Não é isso. (Edmont)
Então o que é? (Angely)
Edmont e Agatha ficam em silêncio.
Angely, tem que cortar a grama do jardim, você me ajuda? (Júlio)
Claro, melhor que esse silêncio aqui dentro. (Angely)
Angely e Júlio saem.
Agatha... (Edmont)
Olha, o que aconteceu não era pra ter acontecido. Esquece. (Agatha)
Angely pega o cortador de grana.
Angely, você sabe que... Se você for... Bom, se for... (Júlio)
Gay? (Angely)
É... Isso... (Júlio)
Deduziu que sou gay porque nunca saí com uma mulher? (Angely)
Não. É que, se for... (Júlio)
Você não vê nenhum problema, é isso? (Angely)
É. silêncio Sou péssimo nisso, né? (Júlio)
Mais ou menos. Mas acho que sinto atração por mulheres sim. Então, no máximo, posso ser bi. (Angely)
Isso não existe de verdade, né? (Júlio)
Júlio ri. Angely olha para Júlio. Júlio para.
Falei merda, né? (Júlio)
Sim. (Angely)
Júlio pega o cortador e começa a cortar a grama.
Meio dia, vão à casa de Rith, almoçar. Tocam a campainha.
Oi... Entra aí. Tão fazendo o almoço ainda. (Kat)
Cadê a Meg? (Agatha)
Lá no quarto dela. Ela prefere lavar a louça depois. (Kat)
Agatha sobe. Angely e Edmont sentam no sofá da sala. Júlio vai à cozinha. Kat fica na sala, desenhando.
Tem alguém nesse lugar da minha idade? (Kat)
Bom, aqui é meio despovoado, tem só três casas próximas. (Angely)
Tem uma criança que mora na outra casa. (Edmont)
Será que ela é legal? (Kat)
Não sei. Da última vez que vimos, tinha uns dez anos. (Angely)
Legal! (Kat)
Kat vai pra cozinha.
Devíamos ter dito que a última vez que vimos tínhamos treze. (Edmont)
Quatro anos? Faz tanto tempo assim? (Angely)
No quarto de Meg, Agatha e Meg estão na cama.
Jura??? (Meg)
Sim. (Agatha)
Mas ele mesmo disse? (Meg)
Disse. Mas não tem nada demais. (Agatha)
Que meigo... (Meg)
Meigo? (Agatha)
Ah, sei lá. Parece que todo cara parece ter pressa pra isso, pra mostrar que é macho alpha... Mas você parece preocupada com alguma outra coisa. (Meg)
Eu? (Agatha)
Não, seu reflexo. (Meg)
Impressão sua. (Agatha)
Pode contar. (Meg)
Agatha suspira.
Ele me beijou. (Agatha)
Angely?! (Meg)
Edmont. (Agatha)
Ah, bom... Peraí, mas vocês não são irmãos? (Meg)
Ele é adotado, só fomos criados juntos. (Agatha)
Então não tem problema. (Meg)
Como não??? Eu e ele fomos criados juntos! (Agatha)
E daí? Mais um motivo pra confiar mais nele, se der em alguma coisa essa história. (Meg)
Mas, você não entende... (Agatha)
Minha mãe costuma dizer que, quando começa com "você não vai entender", geralmente não faz sentido de verdade. (Meg)
E você e Angely? (Agatha)
Bom, se ele quiser algo... (Meg)
Ele é tímido, já vou logo avisando... (Agatha)
Tá pronto. (Kat)
Tá, nós já estamos descendo. (Meg)
Angely e Edmont conversam na sala.
Lembrei de uma coisa, por quê você e a Agatha estavam acordados até aquela hora? (Angely)
Nada. (Edmont)
Pode falar. Eu já percebi. (Angely)
Percebeu? (Edmont)
Como você olha pra Agatha. Ela também te olha diferente. (Angely)
Ela não quer nada comigo. Disse que não entendo, que a gente cresceu junto. (Edmont)
Ela tá com medo. (Angely)
Medo? Medo de que? (Edmont)
Gente, vamos? (Kat)
Tá. (Edmont)
Vão até a mesa. Rith, Halen, Júlio e Kat ficam conversando, mas o resto das pessoas nada diz. Halen em uma ponta da mesa, Rith em outra. Em um dos lados da mesa, Angely, Edmont e Agatha. Meg está a frente de Angely.
Mas, naquele dia, eu tava super mal! (Júlio)
Nossa, nem de porre eu fazia isso. (Rith)
Ah, mas eu fiz. E ainda quebrei a mesa que subi. Que mico... (Júlio)
Mico? King Kong, isso sim! (Halen)
Ah, mas eu conheço um maior. O cara veio se declarar pra mim, no meio de uma festa. Ele também tava de porre, mas ele fez pior. Tentou me beijar, tava com um bafo horrível de pinga. (Meg)
Júlio estranha.
Quantos anos você tem? (Júlio)
Júlio, tá dando bandeira. (Rith)
Ah?! (Júlio)
De dinossauro. Daqui a pouco a água chacoalha no copo quando você pisar. (Rith)
Eu desviei, ele caiu na piscina. O cara tava mesmo precisando de um banho frio! (Meg)
Eu lembro do cara que tentou beijar Agatha sem consentimento. Ele era grande, covardia do caramba. (Angely)
Que houve? (Meg)
Edmont mandou ele pro hospital. (Angely)
Edmont olha para Agatha. Agatha desvia o olhar.
Sério? (Rith)
O cara nunca mais botou a cara na escola. Espero que tenha entendido. Uma bosta, imagina se ninguém chegasse? Tem gente com umas ideias bem distorcidas por aí. (Angely)
Vocês não me contaram isso. (Júlio)
Eu me encarreguei do cara. (Edmont)
Meg olha para Júlio, que está encarando Edmont.
Falando em escola, como é ela? É grande? (Meg)
Enorme. (Agatha)
Espero não me perder! (Kat)
Bom, hora da sobremesa. (Rith)
Piscina da casa de Júlio. Meg está na cadeira fora da piscina, Kat numa bóia e Angely na beira (dentro da piscina).
Amanhã já tem aula... (Kat)
Prefiro ir pra escola do que voltar pro Egito! (Meg)
Concordo! (Angely)
Gente, vocês viram a Agatha? (Edmont)
Ela foi lá dentro. (Kat)
Edmont encontra Agatha na cozinha.
Preciso falar com você. (Edmont)
Não posso. (Agatha)
Por que tudo isso? (Edmont)
Olha, não tá certo... (Agatha)
Eu falei com Angely e ele também não vê nada de errado. (Edmont)
Meg também não, mas meu pai com certeza vai ver! (Agatha)
Agatha, tá fazendo tempestade em copo d’água. (Meg)
Fala isso porque não está no meu lugar. (Agatha)
Eu também acho isso. (Angely)
Agatha vai embora. Edmont vai atrás.
É, esses dois... (Angely)
Não sei porque, mas eu não vejo o que há de complicado. (Meg)
Ficam em silêncio por algum tempo. Angely vai falar alguma coisa, mas Meg cala com um beijo. Rith entra. Angely fica sem graça. Meg volta pra piscina.
Eu... (Angely)
Pode ficar sossegado, quem vai ter que enfrentar dinossauro é o seu irmão. ri, mas baixa a cabeça, depois volta a olhar para Angely Eu queria falar de outra coisa com você... (Rith)
Reconheceu a gente. (Angely)
Rith olha para fora. Volta a olhar para Angely.
Queria pedir pra que esquecesse tudo isso. (Rith)
Tudo bem. Edmont não reconheceu ninguém, acho que não lembra os nomes. (Angely)
Meg não sabe de nada. Adotamos ela depois de regularizar a nossa situação. Katerine também não. (Rith)
Eu não vou dizer nada. Edmont mudou. Mas não sei o que... Eu tive um sonho estranho depois que ele chegou. (Angely)
Sobre? (Rith)
Luta. (Angely)
A gente pode fazer uma coisa? Simplesmente não falar mais nisso? (Rith)
Angely consente com a cabeça.
Agora vamos fingir que estamos num mundo normal e você vai lá falar com a moça que acabou de te roubar um beijo. (Rith)
Edmont está na porta do quarto de Agatha.
Abre essa porta... (Edmont)
Não. (Agatha)
Pára de criancice! (Edmont)
Júlio sobe a escada devagar e fica ouvindo, em silêncio.
Criancice??? Diz isso pro meu pai! (Agatha)
Eu sei que ele vai entender. (Edmont)
Isso é o que você pensa. (Agatha)
Abre essa porta, por favor. (Edmont)
Agatha abre a porta.
Isso não está certo. (Agatha)
Podemos falar com o seu pai. (Edmont)
Não vai dar certo, ele nunca vai aceitar isso. (Agatha)
Por que não? Eu tenho algo de errado? (Edmont)
Olha, nos fomos criados juntos... (Agatha)
Olha, se você me disser que isso é desculpa, que só está sem graça de não querer nada comigo, eu aceito. Eu consigo lidar com isso. Não sou aquele trouxa e dei uma surra nele porque ele merecia isso. Mas só... (Edmont)
Agatha beija Edmont. Edmon afasta. Sorri.
Nunca pensei que você fosse fazer isso. (Júlio)
Edmont e Agatha olham para Júlio. Agatha dá um passo atrás.
Desde de quando está aí? (Edmont)
Tempo suficiente. (Júlio)
Olha, Júlio, eu... (Edmont)
Devia ter deixado só seu irmão ficar na minha casa. (Júlio)
Edmont vai pra seu quarto. Pega uma bolsa em cima do guarda-roupas. Enfia roupas. Tira peças. Coloca outras. Sai. Esbarra em Angely. Angely segura pelo braço.
Edmont, que houve?! (Angely)
Edmont respira fundo.
Júlio descobriu. (Edmont)
Ele não pegou vocês... (Angely)
Não, eu só estava falando com Agatha e ele ouviu. Tá, na verdade, ela finalmente me beijou. E seria sensacional, era pra ter sido... Perfeito. (Edmont)
Que ele fez? (Angely)
O que você acha? Falou que devia ter cuidado só de você. Fala pra ele que, do que o dinheiro dele pagou, não tô levando nada. (Edmont)
Mas, pra onde você vai?! (Angely)
Não sei. (Edmont)
Leva a moto. (Angely)
Você também pagou ela. (Edmont)
Leva, não tem importância. Não é como se tivesse levando pro inferno. Ou pelo menos espero que não. (Angely)
Brigado. (Edmont)
Edmont sai. Bota a bolsa nas costas, bota o capacete. Dá a partida. Arranca e sai com toda velocidade. Angely sai da casa e vê Edmont partir. Meg se aproxima de Angely.
Que aconteceu? (Meg)
Júlio pegou os dois se beijando. Discutiram, Edmont é estourado... (Angely)
Eu vou ver como a Agatha tá. (Meg)
Meg vai até o quarto. Agatha está chorando.
Calma, ele volta. (Meg)
Eu evitei tanto... Não era a primeira vez que ele me olhava, mas parece que, depois da viagem, ele simplesmente tacou o foda-se... (Agatha)
Meg a abraça.
Você não tem culpa. (Meg)
A moto de Edmont morre num farol. Edmont tenta ligar, nada.
Droga... (Edmont)
Leva a moto para o acostamento. Um carro para perto.
Devia verificar a bateria de vez em quando. (Rith)
Edmont levanta a aba do capacete.
Por que estava me seguindo? (Edmont)
Não devia sair de casa assim. (Rith)
E o que eu faço? Acampo no jardim? (Edmont)
Posso te ajudar se você quiser... (Rith)
Não, eu vou arrumar minha vida e voltar pra buscar ela. (Edmont)
Ahã. Montado num cavalo branco. E sem bateria, provavelmente. (Rith)
Rith sai do carro.
Pode ficar na minha casa até que as coisas se acalmem e Júlio entenda. (Rith)
Eu não... (Edmont)
Para de bancar o adolescente dramático. (Rith)
Edmont baixa a cabeça. Pensa por alguns instantes. Respira fundo.
Tá. (Edmont)
Na casa de Júlio, hora do jantar, todo mundo em silêncio.
Amanhã tem aula já... (Angely)
É. Já sabem a sala certa? (Júlio)
Já. Passamos na escola, vimos tudo direito e pegamos os cartões de entrada. (Angely)
Pai, sobre o que aconteceu hoje de tarde... (Agatha)
Espero que não aconteça de novo. (Júlio)
Mas, pai... (Agatha)
Não quero que veja mais ele. (Júlio)
No dia seguinte, de manhã, Angely vai até o quarto de Agatha, que ainda está na cama.
Agatha, ainda não se arrumou? (Angely)
Eu não vou. (Agatha)
É melhor você ir. (Angely)
Por quê? Por que meu pai quer? (Agatha)
Edmont não foi embora. Rith foi atrás dele. (Angely)
Agatha olha pra Angely. Se senta na cama.
Será que ele vai? (Agatha)
Seu pai não vai te deixar ir de camisola. (Angely)
Você acha que eu deveria... (Agatha)
Se arruma. Vai se atrasar. (Angely)
Angely desce. Agatha se arruma. Júlio leva para a escola. Na terceira aula...
Professor, com licença, posso falar com a Agatha? (Edmont)
O professor olha feio para Edmont. Olha para Agatha. Faz sinal com a mão pra que vá. Agatha sai da sala.
Então, o que decidiu? (Edmont)
Ainda vai ficar na escola? (Agatha)
Vou. Que decidiu? (Edmont)
Falamos no intervalo. (Agatha)
Agatha volta à sala. Edmont também. Entra e se senta.
E aí, falou com ela? (Angely)
Disse que fala comigo no intervalo. (Edmont)
Meg tá na sala dela, né? (Angely)
Nossa, que cê andou fazendo? Ela não parou de falar de você ontem... (Edmont)
De... mim? (Angely)
Faz de bobo não. Só faltou perguntar a cor da sua cueca... Angely cora Não tô falando literalmente. (Edmont)
Algo que queiram compartilhar com a sala? (Professora)
Desculpe. (Angely)
Aposto que sei mais da matéria que ela. (Edmont)
Edmont? (Professora)
Não, nada professora. (Edmont)
Na hora do intervalo, Edmont vai falar com Agatha (trazendo Angely consigo).
E aí? (Edmont)
Agatha estava conversando com Meg. Se levanta, vai até Edmont e beija.
Boa resposta. (Meg)
Meg olha pra Angely, que não sabe onde esconder a cara.
Ei, eu não gosto de bancar vela! (Angely)
Eu também não. (Meg)
Meg pega o braço de Angely e sai puxando. Angely fica sem graça. Se sentam em um banco da escola.
Deve ser estranho pra você isso tudo. (Meg)
Nem tanto. (Angely)
Eles já tinham alguma coisa? (Meg)
Eu percebi que eles não se tratavam tanto como irmãos... (Angely)
Ih, falando com uma garota? Pensei que não gostasse. (Bryan)
Era justamente o que eu precisava. (Angely)
Desiste, esse aí é mão quebrada. Mas se quiser um homem de verdade, eu tô aqui. (Bryan)
Uma pessoa chega perto de Angely.
Poderia falar com você? (pessoa)
Angely estranha, mas sai junto.
Você estuda com ele a muito tempo? (Meg)
Tenho que te avisar: ele é viado. (Bryan)
Certeza? (Meg)
Você não percebeu ainda? (Bryan)
Não... (Meg)
Angely e a pessoa chegam a um lugar na escola que não tem ninguém.
Já nos conhecemos de algum lugar? (Angely)
A pessoa tira os óculos e puxa pra frente uma trança de cor vermelha.
Melody??? (Angely)
Fodeu tudo. Tão atrás de mim. (Mel)
Por quê? Como entrou na escola, Mel? Aliás, quando veio pra cá?! (Angely)
Falsifiquei o cartão de entrada. E a identidade também. (Mel)
Que andou fazendo por lá? (Angely)
Não foi lá, foi aqui. Tem que me ajudar. (Mel)
Vamos falar com o Edmont. (Angely)
Então chegou bem aqui... (Mel)
Que fizeram quando eu fugi? Achei que fossem virar guias, quem está cuidando de lá agora? (Angely)
Mel olha pro chão. Olha de volta para Angely.
Que foi? O que aconteceu? (Angely)
Não tem jeito... Decente de eu contar isso. Descobri que o satélite ia colidir. (Mel)
Mas não há jeito de impedir? (Angely)
Já era. O outro satélite era maior que o nosso, a essa hora só sobraram pedaços. (Mel)
Mel? (Edmont)
Mel coloca os óculos de novo e esconde a trança. Edmont abraça Mel. Agatha chega e franze a testa. Edmont se afasta, ainda sorrindo.
Conhece ela? (Agatha)
É de onde viemos. (Edmont)
Essa pessoa sabe? (Mel)
Sabe. (Edmont)
Agatha desfranze a testa e se vira para trás, olhando para várias direções. Mel olha para o pescoço de Agatha.
Calma, não dá pra saber do que estamos falando. (Edmont)
Mel pega Agatha, vira, tira o cabelo amarrado da frente do pescoço. Solta.
Você viajou?! (Mel)
Mel, que isso?! (Edmont)
Várias vezes na vida, mas o que você tem a ver com isso?! (Agatha)
Viajou para algum lugar dois anos atrás?! (Mel)
Edmont, Angely... (Agatha)
Fala. (Mel)
Ela não vai fazer nada com você, pode responder. (Edmont)
Ela foi pra Curitiba com umas amigas há dois anos, lembra? (Angely)
Não recebeu meu sinal, porra?! (Mel)
Que sinal?! (Agatha)
Caralho, entendi tudo agora... Não lembrava disso... (Edmont)
Angely franze a testa e depois estica os olhos e bota a mão na frente da boca. Olha para Agatha.
Teve algum sonho de uma nave descendo na Terra antes da viagem? (Angely)
Tive. Nossa, eu nem lembrava disso... Como que eu lembrei agora? (Agatha)
Cacete, não sabe! (Mel)
Por isso caímos onde caímos. (Angely)
Cadê quem cuida, pra eu dar uma surra, por favor?! (Mel)
A mãe dela morreu, provavelmente só ela sabia. (Edmont)
Mãe? Ah, essa palavra... Nunca lembro essas... (Mel)
Do que vocês estão falando? (Agatha)
Sabe o sonho que teve? (Angely)
Sim. (Agatha)
É um sinal para que vá para algum lugar descampado, de preferência seguro. As pintas que você tem atrás do pescoço, formam o mesmo mapa que temos na mão, mas é menos perceptível. Você é um ponto seguro dos atlantes na Terra. Se tiver esse sonho de novo... (Edmont)
Angely se arrepia.
Ela não vai ter. (Angely)
Como assim? (Edmont)
Angely suspira. Olha pra baixo. Olha para Edmont.
Já era. (Angely)
Que? (Edmont)
Nosso... Mundo. (Angely)
Colidiu com um satélite maior. (Mel)
Só você conseguiu fugir? (Edmont)
Tiveram outros, mas não dava pra descer todo mundo junto, no mesmo ponto seguro. olha para Agatha Se bem que teria sido mais seguro descer direto na avenida Paulista no meio de uma passeata. (Mel)
Onde você ficou aqui? (Agatha)
Em muitos lugares. Fugi, me escondi, falsifiquei documento... O problema maior agora não é polícia. (Mel)
Gente, com licença... (Meg)
Está aí há quanto tempo? (Angely)
Muito tempo. Realmente, muito tempo. (Meg)
Meg, não vai contar pra ninguém, vai? (Edmont)
Angely, você é gay? (Meg)
As pessoas olham para Meg.
Quem é essa pessoa? (Mel)
Bryan disse que é. Eu só queria saber. Tipo, ao menos seria algo... Terrestre. (Meg)
Meg sai.
Quem é Bryan? (Mel)
Mel, não está pensando em fazer nada drástico, está? (Edmont)
Por que não? (Mel)
Você tá afim do Angely só, né? (Agatha)
Afim? O que diabos é... (Mel)
Tá, deixa pra lá. (Agatha)
Bate o sinal. Edmont olha para Mel, encosta no braço de Angely. Angely abraça Mel. Agatha, Edmont e Angely vão pras suas respectivas salas.
Mel entra na diretoria da escola. Mexe nas coisas. Senta no computador. Olha fichas.
Que está fazendo aqui? (diretor)
Eu me perdi. (Mel)
Estava mexendo nos arquivos... Qual seu nome? (diretor)
Melody. (Mel)
Podemos dar um jeito de você não levar uma suspensão por isso. (diretor)
Na casa de Rith, Júlio está andando de um lado para outro, enquanto Rith está no sofá.
Está exagerando. (Rith)
Não, eu não estou. (Júlio)
Ele é um bom garoto. (Rith)
Eu criei ele e ele desrespeita minha filha assim, na minha cara! (Júlio)
Desrespeita?! Olha, até onde sei, ela bateu em quem fez isso. (Rith)
É minha filha! (Júlio)
E por isso acha que é santa? (Rith)
Não fale assim da minha filha! (Júlio)
Ouvi ela e Meg conversando, acredite, eu sei. (Rith)
Fala isso porque não é sua filha. (Júlio)
Minha filha trouxe o último namorado em casa algumas vezes. Pra dormir. (Rith)
Sério? (Júlio)
Acredite, se você proibir, ela vai se meter a fazer as coisas escondida. E, se algo de pior acontecer, não vai ter coragem de te contar, e é capaz de ficar até se sentindo culpada, e você vai ter parcela nisso. É o que quer? (Rith)
Na nossa época eu já achava exagerado garotas de dezoito não serem mais... (Júlio)
Eu devia me sentir bem e nostálgico por você me lembrar meu irmão? (Rith)
Na hora da saída, Angely passa por um tumulto. Chega em alguém.
Que tá acontecendo? (Angely)
Sabe aquele diretor folgado, que cantou a Agatha? (Kinyn)
O abaixo assinado pra mandarem embora funcionou? (Angely)
Melhor. Tá apanhando duma garota lá... Cara, deu tesão de ver, assim que ela sair da cadeia juro que consigo o telefone! (Kinyn)
Ele é viado que nem você. (Bryan)
Cala a boca, Bryan. (Kinyn)
Uma garota?... Mel! (Angely)
Angely corre e consegue segurar Mel.
Calma! (Angely)
Gosta de "menininha indefesa" agora, monte de bosta?! (Mel)
Que está acontecendo aqui? (Edmont)
Me ajuda!!! Não vou conseguir segurar!!! (Angely)
Edmont pega o rosto de Melody e olha nos olhos.
Seo ninomi. É só um humano. (Edmont)
Melody para e Angely solta.
Parece que ele foi atropelado por um caminhão. (Agatha)
Vamos embora daqui, e rápido. Meu carro tá ali. (Meg)
Somos em seis, ou esqueceu da sua irmã? (Edmont)
Eu vou com a moto. (Angely)
Angely entrega o material para Edmont, pega as chaves e vai até a moto. Meg desanima. Pega o carro. Agatha vai no banco da frente, o resto vai no banco de trás.
Que aconteceu? Por que está correndo tanto? (Kat)
Tá com medo? (Meg)
Não, é que assim o guarda vai acabar notando mais fácil. (Kat)
Notando o que? (Agatha)
Que estamos com alguém que saiu no jornal na coluna dos procurados. (Kat)
Melody encara Kat. Kat se encolhe.
Na casa de Rith.
É, talvez você tenha razão, talvez não seja tão ruim assim. (Júlio)
Ainda bem que despistamos o policial... (Edmont)
Policial?! (Júlio)
Que aconteceu? (Rith)
Edmont olha para Júlio. Abre na mesa de centro um jornal. Logo depois Mel entra na casa. Rith levanta do sofá num movimento brusco. Kat olha pra Mel e vai pra seu quarto.
Pai, que você tá fazendo aqui? (Agatha)
Que essa garota tá fazendo aqui? (Júlio)
Mel faz um movimento em direção a porta.
Mel, você fica. (Edmont)
Mel?! Já está chamando ela assim?! E eu que já tava acreditando que você prestava... (Júlio)
Rith olha para Mel novamente.
Júlio, não faz drama. (Rith)
Angely olha para Mel, depois para Rith. Edmont olha pra Rith. Então para Angely.
Eu preciso falar com você. Agora. (Edmont)
Edmont e Angely saem da casa.
Eu sei quem é esse cara. (Edmont)
Que cara? (Angely)
Não se faça de desentendido. (Edmont)
Ele também sabe, ele lembrou, mas por favor... (Angely)
A garota, a pequena, é quem tô pensando? (Edmont)
Por favor, Edmont... (Angely)
Como eu não me toquei, a mão direita dela... (Edmont)
Edmont entra na casa. Vai na direção da cozinha. Angely vai seguir, Edmont encara Angely. Olha para Rith. Vai para a cozinha. Rith segue. Halen vai atrás.
Sei quem vocês são. (Edmont)
Ele se dispôs a te ajudar. Falou com Júlio, por causa de você e Agatha. Então não... (Halen)
Obrigado. (Edmont)
Como? (Halen)
Acho que Katerine não tem a culpa que eu ia descontar nela. (Edmont)
Halen olha para Rith, que sorri.
Tudo bem. (Rith)
Cuidaram bem dela. (Edmont)
Gritos na sala. Se entreolham. Voltam.
Esse maldito moleque que... (Júlio)
Mel tira uma faca da cintura, de trás.
Cala a boca. (Mel)
Júlio olha para Agatha.
É com isso que você quer se meter? (Júlio)
Agora, ou te faço calar. (Mel)
Calma, solta isso. (Edmont)
Mel atira a faca na mesa.
Por que não deixa ela me matar? O caminho fica livre. (Júlio)
É isso que pensa de mim? (Edmont)
Bancou o herói, agora vai bancar a vítima. (Júlio)
Pai, para com isso! (Agatha)
Júlio, eles já conhecem ela. (Rith)
Ah, é? Desde quando?! (Júlio)
Desde sempre. (Angely)
Júlio olha pra Angely por alguns segundos. Sua expressão ameniza. Arregala os olhos e olha para Rith.
Você sabe de tudo?! (Júlio)
Lembra que eu falei de um casal que levou a minha irmã, pra desviar Edmont? (Angely)
Mas então, Katerine é... (Júlio)
Minha irmã. (Edmont)
Isso tá muito confuso. (Kat)
Não sabia que estava ouvindo. (Rith)
Eu sabia que filha de vocês eu não era, só não sabia que era filha de pessoas que já moraram em outro planeta... (Kat)
Sabia? (Rith)
Deviam falar mais baixo de noite. (Kat)
Até que horas a senhorita fica acordada? (Halen)
Não tenho culpa se não me deixam dormir com o escândalo que fazem. (Kat)
Halen ruboriza.
Que confusão... Kat é sua irmã, eu sou irmã da Kat, logo... (Meg)
Não, sou meia irmã do Angely, e você minha irmã só de criação. Portanto, não precisa se preocupar. Assim como o Edmont e a Agatha também não precisam. (Kat)
Por que as crianças vêem as coisas tão simples? (Júlio)
Tá bonito o drama de família, mas eu ainda tô aqui. (Mel)
Percebesse. (Agatha)
Mel vai sair, mas Edmont segura o braço de Mel.
Eu não tenho que ficar agüentando isso. (Mel)
Ele é meu namorado. (Agatha)
Ei! (Júlio)
Júlio... (Rith)
Não quero tomar olha para Edmont "seu olha para Agatha namorado". (Mel)
Agatha, isso é mais sério que namoro. Temos um problema sério aqui. (Angely)
É, temos sim. (Meg)
Kat olha para o teto. Sobe de volta.
Onde ela vai ficar? (Halen)
Aqui não é. (Meg)
Nem na minha casa. (Agatha)
Angely e Edmont encaram Meg e Agatha.
Tem uma casa abandonada por aqui. Pode ficar lá. (Júlio)
Valeu. (Mel)
Mel sai. Júlio olha para Agatha.
E você... (Júlio)
Não nasceu na idade média pra ficar sendo controlada pelo pai. (Rith)
Júlio encara Rith. Agatha beija Edmont. Edmont olha para Angely. Angely olha para a porta. Meg fica olhando para Angely.
Mel entra em uma sala empoeirada.
Alguém em casa? (Mel)
Que fazes cá? Qual teu nome? (Elian)
Mel fica olhando para Elian alguns segundos, esperando algo. Elian não reage.
Melody. Acho que não tá muito afim de visitas. (Mel)
Mel sai da casa.
Conheço ela de algum lugar... (Elian)
Beatrice se aproxima de Elian.
Por que tratas todos assim? (Beatrice)
Era uma humana, uma ameaça. (Elian)
Também trataste a garotinha assim, ontem. (Beatrice)
Deu-te algo que me feriu. (Elian)
E eu joguei fora. (Beatrice)
Não quero que cresças entre humanos. (Elian)
Também sou uma. (Beatrice)
Mas logo não serás. (Elian)
Poderei andar contigo? (Beatrice)
És minha menina. (Elian)
Quando? (Beatrice)
Logo. Venha cá. (Elian)
Elian a puxa e beija Beatrice.
Angely encontra Mel na estrada, pedindo carona.
Pra onde está indo? (Angely)
Mais longe possível. Além de tudo aguentar drama de adolescente não dá. (Mel)
Por que tá fugindo de quem quer te ajudar? (Angely)
Não tô fugindo, não me querem lá. (Mel)
Pode estar enganada. (Angely)
É, parecia bem acolhedor. Principalmente a pessoa que me mandou pra casa que já tá devidamente ocupada. (Mel)
Sobe aí. (Angely)
Mel encara Angely.
Não veio atrás de gente a toa, sei que precisa de ajuda. (Angely)
Mel suspira fundo.
Desce. Eu piloto. (Mel)
Angely desce, Mel assume, Angely sobe atrás. Vão até a casa de Júlio.
Pode ficar aqui, se Júlio deixar. Edmont está na casa de Rith e Agatha já está enciumada. (Angely)
Não mora aqui? (Mel)
Ele vai ficar na casa de Rith. Agora que está namorando com a minha filha, não quero que eles durmam na mesma casa. (Júlio)
Ela pode ficar aqui? (Angely)
Pode. A segunda cama alienígena na casa vagou. (Júlio)
Ela vai ficar aqui? (Agatha)
Aquele seu papo de "quem quer te ajudar", pode me apresentar essa pessoa? Seria legal da sua parte. (Mel)
Toca o telefone. Agatha corre pro quarto. Tranca a porta. Atende.
Meg? (Agatha)
Ela tá aí, né? (Meg)
Tá. Angely tá a perigo, viu? Inocente do jeito que é... (Agatha)
É, eu sei. Bryan disse que ele é gay. (Meg)
Eu não acreditaria no Bryan. Ele já usava isso como ofensa antes, depois que a irmã arrombou a porta do armário e os pais não ligaram, parece que ficou pior... (Agatha)
Ah, mas se começar a se comportar demais, aí vou começar a desconfiar. (Meg)
Prefere que alguém mais experiente teste ele? (Agatha)
Não, deixa que eu faço isso. (Meg)
Noite. Angely vai até a terceira casa.
Nossa, ninguém arruma mesmo esse lugar. (Angely)
É melhor ires embora. (Beatrice)
Beatrice? (Angely)
Cresceste bastante. (Beatrice)
Pelas minhas contas, você devia ter uns quatorze... (Angely)
Doze. Por quê? Não te parece? (Beatrice)
Parece ter uns dezoito... (Angely)
Melhor saires, Elian voltará antes de amanhecer. (Beatrice)
Você falava tanto de Elian, e eu nunca vi. (Angely)
Ele sai quando escurece. (Beatrice)
Aliás, ninguém nunca viu... (Angely)
Eu não sou ninguém. (Beatrice)
Não foi isso que eu quis dizer. Digo que ninguém além de você. Tem certeza que essa pessoa existe? (Angely)
Existe! (Beatrice)
Tá, desculpa. Queria ver... (Angely)
Não, vai embora. Ele não gosta que eu fale com humanos. (Beatrice)
Ah?! (Angely)
Que ele não conhece. (Beatrice)
Ah, tá. Eu já estou indo. (Angely)
A menina veio trazer-me algo ontem. (Beatrice)
Beatrice vai até uma caixa e pega uma bolsinha de pano e entrega a Angely. Angely abre a bolsinha e tira de dentro uma pequena cruz.
Devolvas a ela. (Beatrice)
Por quê? (Angely)
Machucou a mão dele. (Beatrice)
Não machuca a mão, vê? (Angely)
Angely mostra a mão aberta com a cruz na palma. Beatrice fecha a mão de Angely.
Leves isso daqui. Ele pediu pra que eu queimasse, não sabe que eu guardei pra devolver. Vai agora. (Beatrice)
Angely coloca a cruz dentro da pequena bolsa e volta pra casa.
Uma semana depois, um general está olhando pela janela em sua sala. Alguém bate a porta.
Entre. (General)
Halen entra. Fecha a porta. Abraça o pai. Ele afasta Halen.
O que é essa preocupação nos seus olhos? (General)
Vim te pedir uma coisa que não sei se vai fazer por mim. (Halen)
E o que eu não faria por você? (General)
Tem uma pessoa... Uma mulher... (Halen)
Virou lésbica?! (General)
Não! É uma amiga. (Halen)
Me assustou. Continue. (General)
Ela... Tá sendo perseguida. (Halen)
Me diga quem persegue e eu dou meu jeito. (General)
É o seu exército. (Halen)
Não posso livrar uma criminosa por você. Sabe disso. (General)
Não é uma criminosa. (Halen)
E porque estaria sendo perseguida então? (General)
Por que ela não é daqui. (Halen)
O general para segundos, franzindo a testa. Fecha os olhos e bufa de leve. Abre. Se senta em sua cadeira.
Não posso. (General)
O que não pode é prender eles, sabendo tudo que te contei, e o que fizeram! (Halen)
Você nem saberia disso, não fosse essa... criatura ir te contar. Aliás, o que só prova que é mais perigosa. (General)
Ela não é perigosa. Já me conhecia. (Halen)
É uma das que te... Trouxe de volta? (General)
A mãe dela era. (Halen)
Onde e quando ela caiu? (General)
Curitiba, há 2 anos atrás. (Halen)
Não posso. (General)
Pai... (Halen)
Ela é uma das mais perigosas. (General)
Qualquer um é perigoso quando é atacado! (Halen)
Está me pedindo para apagar os arquivos?! E os homens que ela mandou para o hospital, o que quer que eu diga a eles? (General)
Ela matou alguém? (Halen)
O general vira de costas.
Eles... Não fazem isso. Foi o que um deles me disse. Faz uma semana. Ele fugiu. Não consegui mesmo achar isso entre os registros. (General)
Para com essa perseguição. Com todos. Eles vão pro canto deles. Talvez percam o medo de nós. Talvez possam fazer por outros o que fizeram por mim. (Halen)
O general baixa a cabeça. Levanta da cadeira. Olha para Halen.
Farei o que puder. (General)
Halen abraça, feliz. Dá um beijo no rosto. Sai. Saindo do quartel, entra em um carro. Rith está no volante.
E aí? (Rith)
Ele vai ajudar. (Halen)
E não fizeram nada com você? (Mel)
Eu... Sinto muito se... (Halen)
Não me pegaram nenhuma vez. Se eu encontrar alguém que pegaram, pode pedir desculpa. Mas tem certeza que isso não vai acabar te trazendo problemas? (Mel)
Tudo que veio depois de encontrar sua mãe foi lucro. Era o mínimo que eu podia fazer. (Halen)
Duas semanas depois, Angely está na cozinha.
Estou livre. (Mel)
Angely derruba o copo no chão. Olha para Mel.
Desculpa. Não queria te assustar. (Mel)
Livre? (Angely)
Pararam de nos caçar. Já procurei, tudo foi arquivado. (Mel)
Angely recolhe os cacos.
Que vai fazer agora? (Angely)
Eu descobri uma coisa sobre a casa abandonada. (Mel)
Ah? (Angely)
Mel entrega um papel a Angely.
Não rola parar um pouco? (Angely)
Lê. (Mel)
Angely olha para o papel.
Uma garota foi atropelada anteontem, perto de uma igreja. Isso não seria tão incomum, se não fosse o fato dela ter desaparecido do hospital misteriosamente nesta manhã. Nossa equipe de reportagem descobriu que ela, supostamente, seria a filha do casal Menini. Eles eram donos do casarão que pegou fogo o ano passado, numa festa que reunia todos os amigos e parentes.
Fatos estranhos cercam este casal. Há dezoito anos atrás, Júlia Menini teria engravidado. Comunicou-se à imprensa que ela havia abortado. Porém, segundo a ex-governanta da casa, a criança nascera e ganhara o nome de Lara. Dois anos depois, o irmão de Pedro Menini morreu e foi enterrado no jardim da casa. O túmulo teria sido violado, o corpo teria desaparecido e jamais fora encontrado.
No misterioso incêndio proposital do ano passado, todos os corpos foram encontrados, menos o de Lara. Os vizinhos diziam que Pedro Menini mantinha a garota trancada num quarto separado da casa, pois não a aceitava, sendo ela símbolo da traição de sua esposa. Agora foram encontrados registros e fotos de Lara no quarto existente no jardim da casa. O quarto não tem janelas, nem espelhos, apenas vestidos, uma cama, um banheiro, uma estante cheia dos mais variados livros e uma saída secreta.
Alguns dizem que a garota saia de noite, pra que ninguém na casa notasse. Há suspeitas de que talvez, por vingança de anos de cárcere, a garota teria causado o incêndio, matando à todos. No hospital os médicos dizem que Lara estava grávida. Não se sabe como fugiu, ou por qual milagre, ela não perdeu a criança.
Isso é de quando? (Angely)
2006. (Mel)
Mas será que isso tem a ver com a garota? (Angely)
Encontrei também outro artigo, de 2008. (Mel)
Mel entrega outro papel a Angely.
Uma menina, nascida em 7/9/2006, desapareceu misteriosamente ontem de um orfanato, quando uma suspeita foi confirmada: a garota que fugiu do hospital no mesmo ano do nascimento, seis meses antes, Lara Menini, era a mãe. Ela fora atropelada por um caminhão e, surpreendentemente, não perdeu a criança. Os que viram disseram que ela estava fugindo de algo quando foi atropelada.
Por causa do parto prematuro, Lara morreu algumas horas depois. O corpo foi enterrado no jardim da casa dos Menini. A casa foi posta em leilão, para ajudar a pequena órfã, mas ninguém se dispôs a comprar a casa: todos que lá entravam eram assassinados, misteriosamente. Por isso a recusa geral de entrar na casa.
A menina que desapareceu ontem teve problemas depois do nascimento. A criança não se alimentava e chorava todo o tempo. No dia do aniversário da mãe, encontraram a garota dormindo sem nenhum aparelho. Estava calma e sem problemas. Muitos disseram que era milagre. Outros que a mãe a tinha salvado e que a criança deveria ficar com a casa. A polícia está a procura e diz que, se não encontrá-la em um mês, desistirá da busca.
Bizarro. (Angely)
Do que estão falando? (Edmont)
Leia isso. (Mel)
Mel entrega as folhas a Edmont. Edmont lê.
Porra. (Edmont)
Encontrei algumas informações confidenciais também. Os registros da pessoa foram queimados. A única coisa que se encontrou no lugar do desaparecimento foi um pergaminho com um anel fechando. (Mel)
Angely vê um bilhete sobre a mesa. Pega. Franze a testa.
Há uma quarta casa. Ela agora pertence a vocês. Observação: o Egito foi apenas um teste. Nada daquilo era real. (Angely)
Como isso veio parar aqui??? (Edmont)
É melhor a gente ir ver isso. (Mel)
Pode ser blefe. (Edmont)
Não custa olhar. (Angely)
Saem pelos fundos e vão pra quarta casa.
Essa casa é enorme. (Mel)
Tudo isso pra que? (Angely)
Estágio. (Mel)
Acha mesmo? (Edmont)
Não, mas é o que está escrito no espelho. (Mel)
Mel aponta um grande espelho na parede lateral da sala. Mel e Edmont sobem a escada. Angely vai até a cozinha. Encontra três chaveiros, cada um com 14 chaves, sendo três diferentes. Mel e Edmont chegam. Angely levanta a chave. Edmont pega outro dos chaveiros.
Estranho. (Mel)
Vou ver se os outros estão bem. (Edmont)
Tá. Nós damos mais uma olhada na casa. (Angely)
Edmont vai até a casa de Agatha. Enquanto isso, Angely e Mel olham a casa.
Uma hora depois...
Tá. As três diferentes são do quarto, banheiro próprio e armário. (Angely)
Iguais são: Varanda, duas portas da cozinha, entrada da casa, banheiro de visitas e dispensa. (Mel)
Faltam cinco. (Angely)
Falta também o terceiro andar. (Mel)
Vê a cozinha que eu vejo a sala. (Angely)
Mel vai até a cozinha. Abre a dispensa. Angely está na sala.
Achei! (Mel)
Angely vai até a cozinha.
Que? (Angely)
No chão, tem uma abertura. (Mel)
Descobriram algo? (Edmont)
Angely entrega o chaveiro a Edmont.
Tá bizarro demais pra mim. (Edmont)
Descobrimos uma passagem. E as pessoas? (Mel)
Tudo normal. Não contei sobre isso aqui. (Edmont)
Abrem e levantam a pequena porta. Descem uma escada espiral de metal. Um espaço grande, com armários embutidos, trancados por um cadeado em duas das paredes e uma outra porta, com rampa. Também há 3 motos.
Portinha, moto, armário e esta outra porta. (Edmont)
Falta uma. (Mel)
Angely abre os armários. Encontram várias armas. Abrem a porta da rampa. É uma saída pro jardim.
Bom, ainda falta uma. (Angely)
Talvez seja daqui de fora. (Edmont)
Dão volta na casa. Descobrem uma escada para um andar superior da casa. Um escritório grande, com várias estantes de livros. Várias janelas, mas todas estão fechadas. Há também armários de guardar arquivos.
Lembra que perguntou do terceiro andar? (Angely)
Cara, quem é que tá fazendo isso? (Edmont)
Usando livros e arquivos ao invés de usar só computador? (Mel)
Edmont encara Mel.
Sei lá. Mas não tô com vontade de me jogar na cama e me sentir em casa. (Mel)
Há uma mesa de madeira com um desenho entalhado e um vidro transparente com as cores do símbolo. O símbolo tem duas espadas, uma de cabo vermelho e outra de azul, cruzadas, com uma rosa amarela sobre elas. Olham tudo em volta. Também há outra mesa, com computador. Angely pega um dos livros.
Parece mitologia. (Angely)
Na verdade, parece gente levando mitologia a sério. (Mel)
Alguém aí? Não pode pelos menos mandar um sinal? (Edmont)
Quem está fazendo isso? (Angely)
Não vai responder? (Mel)
Os chaveiros... Duas espadas, uma vermelha e uma azul, e uma flor amarela... Juntando eles corresponde ao símbolo da mesa... (Angely)
Não dá pra mandar uma explicação? (Mel)
Não é possível que ninguém responda... (Edmont)
Descem e entram na casa de novo.
Temos um andar subterrâneo que tem acesso pela dispensa, um escritório no terceiro andar que separa de todo o resto da casa, um espelho enorme logo na entrada... Sem contar as armas no porão e os livros estranhos no sótão... (Angely)
Ninguém vai explicar o que está acontecendo??? (Edmont)
Quem fez isso??? (Mel)
Quem está fazendo isso??? (Edmont)
Nós não somos brinquedo! (Mel)
Ou mandam um sinal, ou vamos embora! (Edmont)
Mel vê uma folha em cima da mesa. É a planta da casa.
Legal, mas isso não adianta nada! (Mel)
Já conhecemos a casa! (Edmont)
Edmont vira o mapa.
Aguardar?! (Edmont)
Droga... (Angely)
Temos vida, sabia??? (Mel)
Que faremos? (Angely)
Se entreolham. Edmont sai. Angely segue. Mel olha ao redor.
De manhã, Edmont acorda e vai à casa de Agatha. Agatha não está. Então volta para casa. Ouve uma voz e bate no quarto de Meg.
Oi... (Edmont)
Oi, meu amor... beija Edmont Tava estranho ontem. (Agatha)
Eu? (Edmont)
Você. Mas vamos deixar isso pra lá. Entra, vai ficar plantado na porta? (Agatha)
Edmont entra.
É melhor voltar aqui outra hora, estamos fazendo trabalho de escola. (Meg)
Ei! Tá com inveja??? (Agatha)
E por quê estaria? (Meg)
Porque eu tenho um namorado e você, um mala. (Agatha)
Meu namorado não é ruim assim. (Meg)
Mas é um mala do mesmo jeito. (Agatha)
Namorado? (Edmont)
Ela tá com o Bryan. (Agatha)
Bom, mas nós temos que fazer o trabalho... (Meg)
Tá expulsando meu namorado? Ele mora aqui... (Agatha)
Não no meu quarto. Tchau! (Meg)
Tá, já tô indo. (Edmont)
Viu o que você fez? (Agatha)
Edmont dá um sorriso. Depois beija Agatha e sai. Agatha fecha a porta e sorri.
Você viu que sorriso? (Agatha)
Viu? Valeu a pena eu expulsar ele. (Meg)
Não, eu prefiro o beijo. (Agatha)
E um zerão de média no final do ano, né? (Meg)
Tá, vamos fazer o trabalho. (Agatha)
Vai até a quarta casa.
Onde você foi? (Mel)
Não moro aqui. Ou a gente mora agora? (Edmont)
Mel dormiu aqui. Disse que parece seguro. Não está com uma cara muito boa... (Angely)
Você tem alguma esperança com a Meg? (Edmont)
Como assim? (Angely)
Fala de uma vez, Edmont. (Mel)
Ela tá namorando. (Edmont)
Alguém da escola? (Angely)
Bryan. (Edmont)
Que??? (Angely)
Agatha disse na frente dela e ela não negou. (Edmont)
Mas será que não é pra fazer ciúmes? Faz pouco tempo que tô aqui e vi um negócio que parece com isso que estão fazendo... Como era... Ah, novela! (Mel)
Ela tá namorando aquele cara? (Angely)
Vêem um bloco com algo escrito sobre o armário.
Gente, que é isso? (Edmont)
Vocês estão sendo testados. Se passarem nesse teste, terão tudo para vocês. Obs: Parabéns pelo Egito. (Angely)
Maluquice isso... (Mel)
Nós estivemos no Egito. (Angely)
Foram fazer o que lá? Ver múmia? Isso não tem graça nenhuma. (Mel)
Principalmente se estiverem correndo atrás de você. (Edmont)
Ah??? (Mel)
Conta pra ela. (Angely)
Bom... (Edmont)
2018
Na casa de Júlio, Agatha e Meg estão conversando na cozinha.
Ainda bem que já estamos de férias. (Agatha)
Quando será que o Angely vai perceber? (Meg)
Sei lá... Acho que essa história de fazer ciúme não tá dando resultado. (Agatha)
É... Será que ele tá tendo um caso com aquela Mel? (Meg)
De repente ele é mesmo gay como o Bryan diz. (Agatha)
Agoura não, ô! Prefiro que ele esteja mesmo tendo um caso com a Mel. Ao menos tenho chance... (Meg)
É, realmente! (Agatha)
Agatha ri.
Ri, ri mesmo... Queria ver se fosse o Edmont. (Meg)
Não, o Edmont já foi testado. (Agatha)
É, só eu na seca... (Meg)
E o seu namorado? (Agatha)
Ele não conta. Não é feio, mas só abre a boca pra falar bosta. (Meg)
Eu avisei. (Kinyn)
Ê, até que enfim chegou... Daqui a pouco desistíamos! (Agatha)
Tá livre, né? (Kinyn)
Tá. Meu pai, minha mãe e a Kat foram viajar. (Meg)
Convenci o meu pai a ir junto. E eles agora estão naquela outra casa que tem lá... Tem alguma coisa sobre Mel ter recebido de indenização.... (Agatha)
Que ótimo. Também falei pra eles que não tava afim de ensaiar hoje. Assim podemos fazer o que quisermos sossegadas. (Kinyn)
Na casa abandonada, mais tarde.
Beatrice... (Elian)
Que queres? (Beatrice)
Ainda estás chateada com aquilo? (Elian)
Não devias ter matado eles! (Beatrice)
Sabes que é disso que vivo. (Elian)
Eram meus amigos! (Beatrice)
Vais ter que aprender a entender isso se quiseres mesmo te juntar a mim. Não podemos confiar nos humanos. (Elian)
Mas eles não tinham feito nada! (Beatrice)
Moram aqui perto e descobriram o que sou. Se tornaram uma ameaça. (Elian)
Mas e a Kat? Ela não era perigo. (Beatrice)
Ela já estava morta, devia ter algum problema do coração. Além do que, assim que crescesse, se tornaria. Vamos parar de falar disso. (Elian)
Elian puxa Beatrice pra perto e beija.
Pare. (Beatrice)
Não é o que quer? (Elian)
Não vais fazer isso de novo. (Beatrice)
Sei que gostas. (Elian)
Estás fazendo isso só pra me fazer esquecer, mas eu não... (Beatrice)
Elian interrompe Beatrice, beijando.
Noite, quarta casa.
Segundo a escritura da casa, que eu achei no escritório, aquela parte das árvores pertence à casa. (Angely)
Eu já vi. Tem uma piscina e cinco redes de dormir espalhadas lá. (Edmont)
Tem wi-fi. Temos que botar senha. (Mel)
Gente, não tem passagem pro escritório por dentro da casa, não? (Angely)
Podemos procurar. (Mel)
Se entreolham e cada pessoa vai procurar num lugar alguma chave ou papel que explicasse algo. Edmont vai ao andar dos quartos. Mel procura no térreo. Angely vai ao porão. Não encontrando nada, Angely vai até o escritório. Lá percebe que há uma parte do chão que parece uma escada e tem uma tranca. Solta a tranca e a escada cai bruscamente. Edmont se assusta. Mel sobe correndo a escada do térreo. A escada desce para o corredor na frente dos quartos.
Um pouco de delicadeza ia bem. (Mel)
Desculpa. (Angely)
Ainda bem que estamos longe da cidade. (Edmont)
Será que ouviram nas outras casas? (Mel)
Acho que não, não estão perto o suficiente. (Edmont)
Que bom que a escada é resistente. (Angely)
Por que quando mandaram o mapa não colocaram essa parte? (Mel)
Angely desce a escada. Levanta pra ver se não há danos.
Sei lá. Devíamos ter olhado pra cima, tem uma tranca aqui. (Angely)
Vamos até a cozinha, dar uma olhada naquele bloco maluco. (Edmont)
Edmont fecha a escada-porta e tranca por fora.
Deixamos o lado de dentro aberto? (Mel)
Acho que é bom. (Angely)
Descem até a cozinha. O bloco está escrito de novo: "Mantenham a porta trancada, é só de entrada de vocês. Vocês já tem um primeiro caso. Boa sorte, detetives."
Que será que é MEA? (Edmont)
Bom, deve ser as iniciais dos nossos nomes em ordem de nascimento. (Mel)
Como isso sabe que eu nasci depois do Edmont? (Angely)
Seja lá o que for isso, sabe muito sobre a gente. (Mel)
Temos que descobrir o que é isso. (Edmont)
Olham atrás do bilhete: "Estou ajudando vocês com o primeiro caso. Depois disso, terão que caminhar sem ajuda."
Quero saber quem você é! Apareça! (Edmont)
Edmont, não vai adiantar. (Mel)
De que caso está falando? (Angely)
Não sei... (Edmont)
Deve ser do caso da menina, a que desapareceu. (Angely)
Mas o que a gente pode fazer?! (Edmont)
Sei lá. Se isso veio parar em nossas mãos, provavelmente não foi por acaso. (Mel)
Caminhar sozinhos... Não somos abrigados a aceitar isso. (Edmont)
De certa forma, tem razão. (Mel)
Quem é você??? (Edmont)
Não adianta, não vai responder. (Mel)
Nós não somos bonecos! (Edmont)
Há mais um recado no bloco: "Quando terminarem o caso, podem decidir se querem continuar ou não. É melhor resolverem logo, pessoas estão morrendo..."
Quem acha que é? (Edmont)
Minha preocupação maior é de quem falava. (Angely)
Vamos resolver isso. Quando mais rápido resolvermos, melhor. Querendo ou não continuar. (Mel)
No dia seguinte, Edmont vai à casa de Júlio. Toca e ninguém atende. Vai até a casa de Halen e Rith. Bate no bolso e percebe que esqueceu a chave. Toca a campainha. Meg atende a porta. Está com os olhos cheios de lágrimas. Agatha está no sofá, também chorando.
Que aconteceu? (Edmont)
Eles... Foram... Eles... Alguém... (Meg)
Morreram. (Agatha)
Quem? Do que estão falando? (Edmont)
Meu pai, minha mãe, Kat, Júlio... Morreram todos! (Meg)
Em casa, Mel está na cozinha.
Edmont foi de novo na casa do Júlio. (Angely)
Vai lá, aproveita e passa na casa da Meg pra saber direito o que rola. (Mel)
Mas você vai ficar sozinha aqui. (Angely)
Como fiquei na primeira noite. (Mel)
Angely vai até a casa de Meg. Meg abre a porta.
Por que você tá assim? (Angely)
Meg tenta falar. Respira fundo. Abraça Angely. Angely abraça de volta. Afasta Meg e olha nos olhos.
Que foi? (Angely)
A polícia ligou. Rith, Halen, Kat e Júlio tinham ido viajar... (Edmont)
Não... (Angely)
É. (Edmont)
Angely abraça Meg de novo.
Agatha tá dormindo, eu dei um calmante pra ela. (Edmont)
Mas foi confirmado? (Angely)
Ligaram pra casa da Agatha. (Edmont)
Angely passa a mão nos cabelos de Meg, que dorme.
Elas viram os corpos? (Angely)
Edmont, que havia sentado no chão, deita.
Cara, tava até esquecendo disso. (Edmont)
Que pergunta idiota, até parece que elas estão em estado de fazer isso. (Angely)
Acho que vamos ter que ir nós mesmo. (Edmont)
Não sei se posso. (Angely)
Pode. A gente já fez isso antes. E vamos fazer mais vezes, vamos viver mais que quem estiver ao nosso redor. (Edmont)
Eles... Não podem... Não todos ao mesmo tempo... Júlio... Kat... Kat devia viver tanto quanto nós... (Angely)
Cara, Júlio ainda tava com raiva de mim. Apesar do jeito que me tratou, eu não... Não queria isso... (Edmont)
Angely baixa a cabeça. Edmont levanta e abraça Angely.
Fica forte. Elas vão precisar da gente agora. (Edmont)
Angely levanta. Edmont levanta também. Seca a lágrima no rosto de Angely. Pega o telefone e disca.
Mel? Pode vir nos encontrar? (Edmont)
Edmont e Angely chegam na delegacia.
Que fazem vocês aqui? (delegado)
Vocês ligaram pra casa de Agatha Rebeca Alison? (Angely)
Não é você, é? (delegado)
Não... (Angely)
Então o que tá fazendo aqui? (delegado)
Ela é filha do cara, não tá bem. (Edmont)
Sãos gêmeos? (delegado)
Não, você bebeu, tá vendo em dobro! Ainda um em preto e branco! (Edmont)
Edmont, se acalma. (Angely)
Olha aqui, eu posso te prender por desacato à autoridade. (delegado)
Abuso de autoridade também é crime! (Edmont)
Edmont, se acalma. vira para o delegado Por favor, nós viemos fazer o reconhecimento do corpo. (Angely)
Não podem. (delegado)
Por que não? (Angely)
São da família? (delegado)
Não de sangue, mas... (Angely)
Então não podem. (delegado)
Na verdade, a gente pode. (Edmont)
Não podem. (delegado)
É melhor você não... (Edmont)
Senhor, eu era amigo de Júlio, ele adotou os dois. (policial)
Eu não tava perguntando do seu DNA quando perguntei se era da família. (delegado)
A gente pode fazer isso de uma vez? (Edmont)
Vai preso se continuar com todo esse nariz em pé. (delegado)
Eles perderam o pai. A coisa foi meio... (policial)
Eu também vi a cena do crime. Leva eles de uma vez. (delegado)
Vão até o necrotério. O policial levanta a parte de cima do lençol do primeiro corpo.
Halen. (Angely)
Ele é filha de gente do exército. Era amiga do Júlio. (Edmont)
Valeu. Melhor eu avisar o mais rápido possível. (policial)
Cobre novamente o corpo. Levanta o segundo lençol. Angely fica pior.
Eu ainda lembro deles quando... Quando eu vi a Kat a primeira vez... (Angely)
É o marido dela. É possível que o pai dela queira cuidar do enterro dele também, a única família que ele tinha era o irmão, morreu há muitos anos atrás. (Edmont)
Ok. (policial)
Cobre o corpo. Respira fundo. Puxa o lençol. Olha para outro lado. Angely dá passos pra trás. Edmont puxa Angely, Angely tenta empurrar, mas Edmont abraça. Afasta. Olha para Angely. Angely vai para a janela.
Angely... Ainda... (Edmont)
Eu sei. Só me deixa... Respirar... (Angely)
Angely fica alguns segundos na janela. Volta. O policial abre uma gaveta. Estranha. Puxa o lençol de uma vez. Olha para Angely e Edmont.
Mas eu tenho certeza... (policial)
Não pode ser outra gaveta? (Edmont)
Angely se aproxima.
Não é. Ela esteve aqui. (Angely)
Como você... (policial)
Quem levaria o corpo de Kat? (Angely)
Vamos fazer o enterro dos outros. Depois descobrimos isso. (Edmont)
Algum tempo, algum lugar
Melody me contou isso. (Xien)
Então você já sabe que você não é Mel. (Uehfo)
Muito engraçado. (Xien)
Xien levanta.
A gente pegou a criatura maldita que fez isso? (Xien)
Ah, não, eu já disse, organizei tudo direitinho, vai ter que ver. (Uehfo)
Eu já sei que sou Angely ou Edmont, por que não me conta de uma vez... (Xien)
Uehfo some.
Droga!!! (Xien)

Resumo do Capítulo

Júlio expulsa Edmont de casa, pelo envolvimento com Agatha. Rith convence Edmont a ir com ele pra casa. Agatha começa a namorar com Edmont, e Júlio aceita, convencido por Rith. Mel chega à Terra, com a notícia de que o satélite dos atlantes colidiu com um maior. Sobreviveram apenas poucos atlantes, e ela e os outros estão sendo caçados pelo exército. Edmont descobre sobre Rith, mas decide deixar toda a história no passado. Em uma casa abandonada perto deles, Beatrice e Elian, antigo conhecido de Mel, estão juntos. Halen, cujo pai era do exército, intervem a favor de Mel e dos atlantes, e eles deixam de ser caçados. Mel descobre a história de uma menina desaparecida da casa abandonada. Mel, Edmont e Angely recebem uma outra casa, equipada com armas e livros, para abrirem uma agência de investigações para casos sobrenaturais. Ao viajar para um fim de semana, Júlio, Rith, Halen e Katerine são atacados. Edmont e Angely vão reconhecer os corpos, mas o de Katerine desapareceu.

Dara Keon