Normatividade
MEAK
A09

Normatividade ler resumo

Madrugada. Edmont entra em casa, ligeiramente cambaleante. Mel acende a luz. Edmont coloca a mão na frente do rosto. Mel cruza os braços e encara Edmont.
Eu não preciso de babá. (Edmont)
Não é o que tá parecendo. Está agindo como criança. (Mel)
Te garanto que o que faço criança nenhuma faz. franze a testa Ou não deveriam. (Edmont)
Edmont sobe a escada. Entra no quarto de Angely. Se senta na cama, ao lado de Angely. Angely se vira.
Que horas são? (Angely)
Te acordei? (Edmont)
Mais ou menos. (Angely)
Bom, eu vou pro meu quarto... (Edmont)
Edmont faz movimento para se levantar. Senta novamente. Angely senta na cama.
Bebedeira? (Angely)
Eu? Não... (Edmont)
Angely vira o rosto.
Seu hálito diz o contrário. Por onde esteve? (Angely)
Por aí. (Edmont)
Melhor tomar um banho. (Mel)
Edmont aponta o dedo para Mel.
Vocês acham que só vocês têm direito de encher a cara. (Edmont)
Edmont levanta. Sai, cambaleando.
Tem voltado muito assim? (Angely)
Nos últimos dias é só assim. (Mel)
Onde será que vai? (Angely)
Não sei. Mas eu tenho a sensação que bebe, cata alguém, volta a beber e só para de beber aqui na porta. Se é que não tem álcool no quarto também. (Mel)
Noite seguinte. Casa de Denise. Festa a fantasia. Denise está de anjo. Andando pela festa, olha para Edmont. Edmont está de cupido.
Tá com a mesma fantasia do Angely? Gostei mais da sua versão. (Denise)
Não. Caiu vinho na camisa e Angely pediu pra trocar comigo, não quis ficar sem camisa. (Edmont)
Então agora você está de cupido e o Angely de morte? (Denise)
Sim. (Edmont)
Sabe onde ele pode estar? (Denise)
Não sei. Tava com Dara quando vi. (Edmont)
Mudando de assunto, eu soube que terminou com a Agatha... (Denise)
Tô só de novo. (Edmont)
Não está, se quiser. (Denise)
Angely está em uma cadeira, com queixo apoiado nas mãos, olhando para lugar nenhum. Derik se senta ao lado. Está de lobisomem.
Você viu a Kat? (Derik)
Não. (Angely)
Que ânimo contagiante... Não tava de cupido? Essa era do Edmont... (Derik)
Caiu vinho na blusa. (Angely)
E por isso não quis mais usar a fantasia? (Derik)
Sim. (Angely)
Vou indo, antes que esse mal humor me pegue. (Derik)
Derik se levanta. Helene chega e se senta do lado de Angely. Helene está de freira.
Oi! (Helene)
Oi... (Angely)
Que foi? Desanimado? (Helene)
Mais ou menos. (Angely)
Vem. (Helene)
Helene levanta, pega a mão de Angely e puxa.
Onde? (Angely)
Vem comigo, vamos sair daqui, tem muita gente. (Helene)
Bryan, de padre, está com Annie, de fada madrinha.
E se a Denise ver? (Annie)
Não vai, ela tá lá dentro... (Denise)
Recepcionando as pessoas. (Dara)
Dara está de bruxa. Brian se afasta de Annie.
Não é o que você está pensando. (Bryan)
Precisa pensar pra descobrir? Acho que não. (Dara)
Eu posso explicar... (Bryan)
Não precisa. Tive aula de biologia. (Dara)
Ela estava com problemas com a fantasia... (Bryan)
E você ia tirar dela pra consertar? Não sabia que costurava. (Dara)
Não conta pra sua irmã, por favor. (Bryan)
Que você estava querendo usar a sua varinha na fada madrinha? (Dara)
Pode ir lá contar. Ela não vai acreditar mesmo. (Annie)
Ei, viram a Kat? (Derik)
Com que fantasia ela estava? (Bryan)
Acho que era... Peraí, você não é namorado da Denise? (Derik)
Exatamente, ela tá lá dentro, né? (Bryan)
Bryan entra na casa.
Droga! (Annie)
Ainda tem três jogados num canto lá na festa. (Dara)
Quem? (Annie)
Um deles tá de múmia, o outro de fantasma e o terceiro de soldado. (Dara)
Eu perguntei quem! (Annie)
Os três. Um deles é seu namorado. Difícil adivinhar quem é quem, não? (Dara)
Danny é o fantasma, Raphael é a múmia e Victor é o soldado. (Annie)
Annie sai.
Como vocês sabem? (Derik)
Danny é minimalista. Raphael nem precisava de fantasia. Victor gosta de brigar. (Kat)
Kat está de odalisca.
Por onde andou? (Derik)
Por aí. (Kat)
Todo mundo usando fantasias óbvias. (Dara)
A minha não! (Derik)
Tem certeza? (Dara)
Dara sai.
Ela sabe? (Derik)
Deve saber. Não se preocupe, confiamos em Dara. (Kat)
A dela não é tão menos óbvia assim. (Derik)
Derik olha para Kat. Pega a mão de Kat. Kat puxa.
Ainda tá brava comigo? (Derik)
Tô. (Kat)
Você também estava escondendo coisas de mim. (Derik)
Sim, mas era diferente... (Kat)
Por que? (Derik)
Kat baixa a cabeça. Derik pega a mão de Kat. Noutro lado do jardim da casa...
Olha, eu não gosto das coisas assim, nem todo mundo gosta. Não gosto de ficar com alguém que não tenha algo a mais... (Angely)
Com um músico??? (Helene)
Acha que eu traía Meg? (Angely)
Ela morreu! (Helene)
Angely baixa a cabeça.
Desculpa. (Helene)
Tem alguém de cabelo preto e olhos cinzas por aí na festa. Vai conseguir o que quer. (Angely)
Angely entra na casa. Anda pela festa, olhando ao redor. Para. Vai em uma direção específica.
Eu tô indo. (Angely)
Peraí, eu vou com você. (Mel)
Mel vai sair, mas alguém segura-lhe o braço.
Vai me deixar na mão, gata? (Dancan)
Não posso deixar ir só... (Mel)
Eu tenho vinte e dois anos, só estou avisando pra não me procurarem. (Angely)
Acho que ele sabe se cuidar. (Dancan)
Eu tô com sono. (Mel)
Dorme na minha casa. (Dancan)
Mel fica aí, não preciso de babá. (Angely)
Você bebeu alguma coisa? (Mel)
Não, Mel, posso dirigir. (Angely)
Mas amanhã temos que viajar... (Mel)
Eu sei. Acordo vocês. (Angely)
Angely sai. Mel olha para Angely por uns segundos. Olha para Dancan, que sorri. Beija Dancan.
Madrugada. Edmont chega em casa.
Não conseguiu dormir? (Edmont)
Não. (Angely)
Angely, eu preciso te perguntar uma coisa. (Edmont)
Pergunte. (Angely)
Jura que vai dizer a verdade? (Edmont)
Eu minto pra você? (Angely)
Não sente mesmo nada por Handhara? (Edmont)
Eu já disse que... (Angely)
Não, Angely. Eu quero sinceridade. O que realmente sente? (Edmont)
Amizade. (Angely)
Posso acreditar nisso? (Edmont)
Claro. (Angely)
Manhã. Quarto de Edmont.
Acorda! (Mel)
Temos que viajar! (Kat)
Eu não vou! (Edmont)
Arranjo uma peruca preta e fico correndo de um instrumento pro outro? (Angely)
Tá, já estou levantando... (Edmont)
Já passamos do horário! (Angely)
Tá bom! (Edmont)
No avião, sentaram-se Kat, Edmont, Angely e Mel, nesta ordem.
Primeiro Itália, Portugal e... (Kat)
Não, primeiro é Inglaterra, depois Espanha, Itália, Portugal... (Angely)
Gente, eu não sei falar espanhol! (Kat)
Nós falamos por você. (Mel)
Nossa, vai ser um mês! (Kat)
Acha muito? (Angely)
Muito pouco tempo pra se fazer entrevistas num continente! (Kat)
A Europa é pequena, Kat. Espero que Edmont não durma no programa! (Mel)
Não, acho que vai conseguir dormir o suficiente aqui. (Angely)
Eu espero. (Mel)
Mas o que exatamente vão perguntar? (Kat)
Não sabemos. (Mel)
Por que eu não pude trazer Derik? (Kat)
Eu falei com Dara e me prometeu que vai ficar de olho em Derik. (Angely)
Kat encosta na poltrona. Mel coloca fones de ouvido. Angely recosta para trás. Kat olha pela janela. Vira para frente, olhos arregalados. Fecha os olhos, respira fundo e olha pela janela de novo.
Droga! (Kat)
Que foi??? (Angely)
Tem fogo na asa! (Kat)
Mel tenta se soltar, mas o cinto não solta.
Por que pedimos um avião particular?! (Mel)
Angely e Kat tentam se soltar e não conseguem.
Edmont, acorda! (Kat)
Edmont dá um pulo.
Ah?! Quê?! (Edmont)
Estamos caindo! (Mel)
Edmont também não consegue soltar o cinto. Kat desmaia.
Meu cinto tá preso! (Edmont)
Angely olha para Kat. Coloca a mão na cabeça. Desmaia. Mel olha para Angely e Kat. Olha para Edmont.
Que é isso?! (Edmont)
Você não comeu nada, estava dormin... (Mel)
Mel desmaia também. Edmont pega uma adaga da perna e corta o cinto. Tenta acordar as pessoas, em vão. Corre até a cabine. Não há ninguém.
Legal... (Edmont)
Pôr do sol.
Que aconteceu? (Mel)
Caímos. (Edmont)
Mel se levanta.
Tem alguma idéia de onde estamos? (Mel)
Antes ou depois do Atlântico. (Edmont)
Ou estamos numa ilha no meio do oceano. (Mel)
Não tava querendo pensar no pior. (Edmont)
Olha para Angely e Kat.
Estão bem? (Mel)
Devem estar, se você está. (Edmont)
O envenenamento. Provavelmente foi um ataque a gente. Viu mais alguma coisa? (Mel)
Os cintos tavam presos, quem tava na cabine sumiu. O avião bateu em árvores e depois caiu na água. Se eu tivesse inconsciente também, acho que morria todo mundo na água. Mesmo comigo não tendo desmaiado, não sei se teríamos sobrevivido se não fôssemos atlantes. (Edmont)
Kat abre os olhos. Senta. Olha para Mel e Edmont. Olha para o lado. Chacoalha Angely. Angely levanta, no susto.
Vocês estão bem? (Angely)
Tô sentindo tontura... (Kat)
Deve ser por causa do que comemos. (Mel)
Sério?! (Edmont)
Cadê o avião? (Kat)
Afundou. (Edmont)
Está anoitecendo. (Mel)
Uma hora isso ia acontecer. (Edmont)
Como você não afundou com o peso das ferraduras? (Mel)
Edmont encara Mel.
Vão nos procurar, não vão? (Kat)
Oficialmente estaremos na Europa depois de amanhã. (Angely)
Quer dizer que só teremos desaparecido oficialmente daqui a três dias. (Edmont)
Mel começa a andar em direção à floresta.
Tá indo aonde? (Edmont)
Ficar aqui é que não. (Mel)
Param em frente a uma cabana. Mel bate a porta. Sem resposta. Mel abre a porta e entra. Edmont segue. Kat pega na mão de Angely. Entram atrás.
Oi! Alguém em casa? (Mel)
Edmont abre um armário.
Parece ser de mais de uma pessoa, uma pessoa adulta e... (Angely)
Uma pessoa pula nas costas de Angely. Edmont pega e coloca contra a parede, segurando pelo pescoço.
Quem é você??? (Edmont)
A pessoa fica esperneando. Não responde.
Fala! (Edmont)
Angely se levanta do chão.
Acho que não tá entendendo... (Angely)
Aquieta! (Edmont)
Edmont, larga! É uma criança quase! (Mel)
A pessoa para de se mexer. Edmont solta. A pessoa sai correndo. Se entreolham. Um homem entra e aponta uma arma.
Que querem aqui? (Manuel)
Que bom que fala nossa língua. Qual seu nome? (Edmont)
Manuel. O que fazem aqui? (Manuel)
Viu um avião cair? (Mel)
Talita, eles mexeram em algo? (Manuel)
Talita faz sinal de negativo com a cabeça.
Então também fala nossa língua? (Edmont)
Quem são vocês? (Manuel)
Somos de uma banda, nosso avião caiu... (Angely)
Poderia virar essa coisa pra lá? (Mel)
Não até ter certeza de que são inofensivos. (Manuel)
Talita aponta Edmont.
Aquele ali me atacou! (Talita)
Você pulou em cima de Angely. (Mel)
Não deviam ter entrado. (Talita)
Tranca a porta então! (Edmont)
Manuel aponta a arma para Edmont.
Edmont soltou... Foi só susto... (Kat)
Manuel olha Katerine, de cima a baixo. Baixa a arma. Mel franze a testa.
Está todo mundo ao redor de uma mesa.
Moram só vocês aqui, não? (Edmont)
É, eu vi que mexeram no armário. (Manuel)
Você é a primeira pessoa que não se impressiona com o fato de serem... (Kat)
Gêmeos quase idênticos? Tanto faz. (Manuel)
Você mora aqui sem nenhum contato com a civilização? (Mel)
Tem isso. (Manuel)
Manuel aponta um telefone de discar na mesa.
Tá meio ultrapassado, não acha? (Kat)
E pra que eu preciso de outro? Me serve muito bem este. (Manuel)
Tá... (Kat)
Sabe como podemos sair daqui? (Mel)
A essa hora? (Manuel)
Onde estamos? (Angely)
Ainda é Brasil. (Manuel)
Pelo menos isso! (Edmont)
Eu vou agora. (Mel)
Pra onde? (Manuel)
Pra casa. Quanto mais cedo eu sair daqui, mais cedo chego lá. (Mel)
Se sair a essa hora, não chega lá. (Manuel)
E vou fazer o que? (Mel)
Vocês podem ficar aqui. (Manuel)
Aqui? (Kat)
Têm algum problema em dormir no chão? (Manuel)
Desde que não seja no chão lá fora, pra mim, tudo bem. (Kat)
Eu também não reclamo. (Angely)
Já dormi em lugares bem piores que isso. (Mel)
Tem uma rede pra me emprestar, pelo menos? (Edmont)
Pensei que nem sabia o que era isso... Talita, pega aquela rede que tá sobrando. (Manuel)
Talita entra num quarto. Barulho de coisas sendo reviradas. Volta com uma rede. Edmont se aproxima de Talita, que dá dois passos atrás. Edmont para. Olha para Manuel. Olha para Talita. Estende os braços. Talita entrega a rede. Edmont olha em volta. Vai até um gancho. Pendura. Vê outro gancho. Pendura o outro lado.
Olha. Daqui a pouco vai me dizer que sabe fazer uma fogueira. (Manuel)
Madrugada. Angely acorda. Franze a testa. Levanta. Vai até Edmont.
Acorda, eu acho que ouvi alguma coisa. (Angely)
Me deixa dormir! (Edmont)
Falo sério! (Angely)
Eu também. (Edmont)
Angely vai até o quarto de Manuel.
Acho que tem algo lá fora... (Angely)
Tem um monte de coisa lá fora. (Manuel)
Tô falando de gente. (Angely)
Vocês se impressionam fácil demais. (Manuel)
Quantos anos você tem? (Angely)
Trinta e sete, agora me deixa dormir! (Manuel)
Sério??? (Angely)
Volta pra sala ou eu te jogo lá! (Manuel)
Angely solta o ar e os ombros. Sai da casa. Anda. Olha ao redor. Entra de novo. Deita.
8:00.
Vamos, pessoal! Kat, levanta ou eu viro a rede! (Angely)
Tá, tudo bem. (Kat)
Kat boceja e se senta.
Me ajuda a acordar Edmont e Mel... (Angely)
Kat desce da rede, pulando Edmont, que está no chão ao seu lado. Se arrasta até perto de Mel.
Mel... Acorda! (Kat)
Melody levanta bruscamente. Esfrega o rosto. Encara Kat.
Pronto. Agora você acorda Edmont. (Kat)
Não era bem isso que eu tinha em mente. (Angely)
Angely se agacha perto de Edmont e chacoalha.
Edmont, precisamos ir... (Angely)
Como vocês dormem! (Talita)
É Edmont que não quer acordar! (Angely)
Estou acordada desde as cinco. (Talita)
E eu desde ontem. (Angely)
Angely se levanta e se vira para Talita. Talita se afasta bruscamente.
Eu não mordo. (Angely)
Ela não está acostumada com gente de fora. Só comigo. (Manuel)
Tem um copo d’água aí? (Kat)
Está com sede? (Manuel)
É só pra Edmont acordar. (Kat)
Edmont levanta. Se espreguiça.
Já comentei o quanto eu nunca gostei desse método? (Edmont)
Então vamos. (Angely)
Tá armando o maior temporal lá fora. (Talita)
Eu acho que alcançam a cidade antes de cair a chuva. (Manuel)
Melhor esperar passar. (Talita)
Mais inda nem começou! (Manuel)
É sua cria? (Edmont)
É impossível eu ter uma filha. (Manuel)
Deixa eles ficarem aqui, vão acabar se perdendo na floresta! (Talita)
Se é por isso, não tem jeito. Uma hora vamos sair daqui. (Edmont)
Mas com chuva é mais difícil! (Talita)
Talita! (Manuel)
Íris vem aqui de vez em quando, ela leva eles quando vier! (Talita)
Não dá pra ficar esperando. (Edmont)
Edmont vai até a porta. Vira a maçaneta. Puxa. Nada. Chacoalha. Nada. Olha para Manuel.
Talita... (Manuel)
Talita faz bico e entrega a chave para Manuel, que joga para Edmont. Talita se coloca em frente a porta.
Eles vão se perder. (Talita)
Manuel encara Talita. Talita continua olhando para Manuel.
Tudo bem, eles podem ficar! (Manuel)
Talita sai da frente da porta, corre e abraça Manuel.
Grazie! (Talita)
Talita vai pra seu quarto.
Olha, não queremos incomodar você... (Angely)
Vocês dois: banquem os engraçadinhos e amarro os dois na floresta pra virar janta. (Manuel)
Manuel pega a chave, abre a porta de saída e depois vai pra seu quarto.
As pessoas se entreolham.
Se querem ficar, vão ter que ajudar em algo. (Manuel)
Todo mundo fica olhando para Manuel.
Ok, qual o problema? (Manuel)
Quanto tempo vai demorar pra... (Angely)
É Íris. É minha irmã. Vão ter que ter paciência. (Manuel)
Demora tanto? (Mel)
Sim. (Manuel)
Kat, tem um lago aqui perto. (Talita)
Lago? (Kat)
É, enorme, vamos lá? (Talita)
Manuel encara Talita, que nem lhe volta o olhar. Suspira fundo.
Só Íris vem aqui. Ela não tem mais ninguém. (Manuel)
Então? (Talita)
Tá, mas eu não tenho roupa pra... (Kat)
Depois eu te empresto uma minha! Vamos assim mesmo! (Talita)
Ok. Mas eu vou com vocês. (Mel)
Saem.
O que fazem por aqui? (Edmont)
Sabem jogar cartas? (Manuel)
Faz tempo que não vejo um baralho. (Angely)
Isso vai ser engraçado. (Manuel)
De tarde, no lago.
Eles têm namorada? (Talita)
Não, não têm, por que? (Mel)
Acho que a Íris precisava de alguém. Manuel sempre diz isso. (Talita)
Como assim? (Mel)
Eu só vi fotos dela com namorado na época em que estava no colégio, mas nunca conheci nenhum namorado dela. (Talita)
Talvez não tenha. (Mel)
Por que? (Talita)
Pode sentir atração apenas por mulheres, ou nem sentir atração nenhuma. (Mel)
Não, isso não existe. Manuel me disse. As pessoas confundem amizade com o que homem e mulher sentem. Por exemplo, achei a Kat linda, mas não é que nem é com homem e mulher. E um dia eu vou crescer e sentir o que é pra sentir com um homem. (Talita)
Mel franze a testa. Na cabana, estão jogando cartas.
Eu encontrei ela na floresta, perdida e sem memória. (Manuel)
Nunca tentou descobrir nada? (Angely)
Não, ela nunca perguntou nada. E vocês? (Manuel)
A gente é tudo família. (Edmont)
Kat mora separado de nós. (Angely)
Justo a mais nova? (Manuel)
Quem adotou tinha sociedade com outra pessoa, as casas eram de todo mundo, e essa outra pessoa tinha Agatha. Bom, tecnicamente essa pessoa com quem tinha sociedade também nos adotou... (Angely)
Quando morreram, deixaram as casas nos nomes de Kat e Agatha. Kat é menor e foi morar numa casa junto com Agatha. (Edmont)
Vocês saíram de alguma novela mexicana? troca uma carta Bati. (Manuel)
Peraí, você não tem nenhuma trinca! (Angely)
Manuel coloca todas as cartas na mesa.
Por... (Edmont)
Temos tempo. Eu te ensino. (Manuel)
Angely levanta. Vai até a janela.
Tá chovendo... (Angely)
Talita sabe andar pela floresta. (Manuel)
Foi você quem escolheu esse nome? (Edmont)
Talita? (Manuel)
É. Você disse que estava sem memória quando encontrou. (Edmont)
Fui, fui eu. (Manuel)
Quanto tempo faz isso? (Edmont)
Dois anos. (Manuel)
E nunca lembrou de nada? (Edmont)
Seu irmão foi pra marte? (Manuel)
Ah? (Edmont)
Manuel aponta Angely.
Angely? (Edmont)
Edmont levanta. Vai até Angely. Passa a mão na frente do rosto de Angely, que se vira.
Não estão demorando muito? (Angely)
Pára com essa neurose, vamos jogar. Mel se vira melhor que a gente. (Edmont)
Se sentam novamente. No lago, Talita está em pé na chuva, Mel em pé, recostou-se em uma árvore, e Kat nadando.
Acho melhor voltarmos. (Mel)
Tá legal aqui. (Kat)
Sou a única pessoa responsável por aqui. Vamos. (Mel)
Talita baixa a cabeça.
Tá... (Talita)
Mel chega na cabana, com Katerine no colo. A coloca no sofá.
Que aconteceu??? (Angely)
Uma cobra! (Talita)
Espero que tenha puxado a resistência do lado certo... (Edmont)
Angely franze a testa. Se aproxima de Edmont.
Lisa era humana. (Angely)
Depois a gente fala disso. (Edmont)
Se afastam. Talita olha para Angely, depois para Edmont.
Onde ela foi mordida? Talita, acorda! (Manuel)
No braço. (Talita)
Faz muito tempo? (Manuel)
Não, acho que inda dá tempo... (Talita)
Noite. Kat está na rede. No meio de cobertores, sua e tem a pele pálida. Edmont e Mel estão dormindo. Angely está ao lado de Kat. Manuel vai até a cozinha e Talita vai atrás.
Eu ouvi uma conversa estranha. (Talita)
Do que? (Manuel)
Acho que eles não são humanos. (Talita)
Eles são estranhos mesmo. Achei que a história de gêmeos quase idênticos era coisa pra fazer fama, mas dá pra perceber que nenhum dos dois pinta o cabelo ou usa lentes. (Manuel)
Tô com medo. (Talita)
Pois foi você quem pediu pra eles ficarem! (Manuel)
Manuel volta pra sala. Talita vai pro quarto.
Vai ficar bem? (Angely)
Vai. Nunca vi esse tipo de cobra por aqui... (Manuel)
Como assim? (Angely)
Essa droga não era daqui. (Manuel)
Alguém já veio até aqui? (Angely)
Íris, mais ninguém. (Manuel)
E tem algum motivo pra fazer isso? (Angely)
Tem. Ele adora matar menininhas adolescentes. Vai aparecer aqui com uma máscara de ski, mas ignore. (Manuel)
Manuel vai pra seu quarto.
Angely vai até o quarto de Manuel, que está dormindo. Vai até a cozinha. Vê uma gaveta mal colocada e tenta arrumar. Empurra e puxa algumas vezes. Dá um puxão mais forte. A gaveta cai no chão. Angely abaixa e coloca as coisas dentro da gaveta. Entre as coisas, um papel com uma foto. O retrato de Talita com menos idade e um "procura-se" embaixo.
Que está fazendo aqui? (Manuel)
Angely se vira. Entrega o jornal a Manuel.
Não é da sua conta. (Manuel)
Talita não sabe que a família tá procurando, sabe? (Angely)
E você não vai dizer nada. (Manuel)
Você sabe que é só uma criança ao menos, não sabe? (Angely)
Mas vai crescer. (Manuel)
E se não quiser ficar com você? (Angely)
Outra coisa que não é da sua conta. (Manuel)
Não pode esconder isso pra sempre. (Angely)
Quer que seus irmãos voltem sãos e salvos pra casa? (Manuel)
Angely dá um passo atrás. Baixa a cabeça. Volta a sala. Chega perto da rede e passa a mão na cabeça de Kat.
Manhã. Angely está dormindo com o corpo escorado na rede. Edmont acorda. Talita está olhando pra Edmont.
Que foi? (Edmont)
Estava com calor? (Talita)
Edmont não entende. Talita estende a mão com a camisa para ele.
Desculpa, eu não consigo dormir com muita roupa. (Edmont)
Edmont pega a camisa e veste.
Seu irmão dormiu sentado ao lado da rede. (Talita)
Kat já melhorou? (Edmont)
Não está mais com febre. (Talita)
Eu ouvi você falando algo em italiano. (Edmont)
Manuel me ensinou a falar alguma coisa. (Talita)
Fala outras línguas também? (Edmont)
Ia ser médico, morou algum tempo na Itália. (Talita)
Você não lembra de nada mesmo antes de falar com Manuel? (Edmont)
Estava correndo de alguém. (Talita)
É tudo que lembra? (Edmont)
E da voz. (Talita)
Nem um rosto? (Edmont)
Ela já não disse que não lembra de nada? (Manuel)
Mel acorda. Olha, ainda com os olhos semi-serrados, para Manuel. Depois para Edmont. Levanta e vai até a janela.
Tem alguém aí. (Mel)
Mel vai até Kat. Passa a mão na cabeça. Kat acorda. Mexe em Angely. Angely levanta. Kat sai da rede. Manuel vai até a janela.
É Íris. A carona de vocês chegou. (Manuel)
Ela tem um problema nas cordas vocais. (Talita)
Manuel sai. Íris sai do carro. Olha para dentro. Vira de costas.
Temos companhia. (Manuel)
Quem trouxe eles pra cá? (Íris)
Caíram com um avião. Dizem ser de uma banda. (Manuel)
Eu conheço. Parecem inofensivos. (Íris)
Um deles achou o jornal. (Manuel)
Que você insiste em guardar. Não vai poder esconder isso por muito tempo. (Íris)
Já viu alguma coisa sobre eles? (Manuel)
Sim. São irmãos. (Íris)
Eu disse que você daria carona a eles. (Manuel)
Por que eu? (Íris)
Papai Noel ia demorar muito. (Manuel)
Mel aparece na porta. Íris olha pra Mel. Se vira de novo.
Então? (Manuel)
Íris vira os olhos pra cima, levanta e solta os ombros.
Manuel e Íris vão até a casa.
Íris, minha irmã. (Manuel)
Melody. (Mel)
Íris passa a falar com voz rouca.
Posso te chamar de Mel? (Íris)
Claro. (Mel)
Saturn? (Íris)
Sim. (Kat)
Então acho que não preciso dizer o resto dos nomes. (Manuel)
Já até perdi namoro por causa deles. (Íris)
Oi, Íris. (Talita)
Partiremos de madrugada. Estejam acordados. (Íris)
Kat, vamos até o lago de novo? (Talita)
Claro. Mel, você vem? (Kat)
Vou deixar irem dessa vez. (Mel)
Kat e Talita saem.
Você pode aproveitar a paz da natureza, lugar tão calmo como esse não se encontra na cidade. (Íris)
Moramos em um lugar afastado. (Mel)
Eu não. Gosto de andar por aqui. Vem comigo, não vai perder nada aqui. (Íris)
Íris sai. Mel olha para Angely, Edmont e Manuel. Sai.
Entardece. Íris e Mel estão na floresta.
E você nunca pensou em fazer carreira solo? (Íris)
Não, é legal tocar com minha família. (Mel)
Sabe, aqui é meio reserva. Se conseguir não fazer barulho a noite, tem bastante coisa para se ver. (Íris)
Talita parece meio com receio de você. (Mel)
É que uma vez eu bebi demais e ela acabou ficando assustada. (Íris)
Alguma coisa a ver com as asneiras que Manuel fala para Talita? (Mel)
Ele é meio conservador. (Íris)
De onde veio Talita? (Mel)
Manuel achou ela na floresta. (Íris)
Não parece ter interesse em falar disso. (Mel)
Não muito. É passado, não interessa mais. (Íris)
Tarde. Na cabana.
Trinca. (Angely)
Edmont joga as cartas na mesa.
Você tá roubando! (Edmont)
Nossa, o que tá acontecendo aqui? (Mel)
Joga aí com a gente. (Manuel)
Vai ter que apartar a briga primeiro se quiser continuar jogando. (Íris)
As crianças não voltaram ainda? (Mel)
Não, elas devem estar lá no lago ainda. (Manuel)
Posso falar com você? (Íris)
Claro. (Manuel)
Íris sobe para o quarto, Manuel segue. Angely olha, pelo canto do olho.
A família dela tá aumentando cada vez mais o recompensa. (Íris)
Você encontrou outra pessoa? Ótimo pra você. Mas não vai tirar ela daqui. (Manuel)
Ela é uma criança, não tem o que esquecer! Não sou você! (Íris)
Não grita, tem gente aí! (Manuel)
Danem-se eles! (Íris)
Eu já sei o que você quer, quer pegar a recompensa! (Manuel)
Acha que se eu levar ela lá eles vão me dar alguma recompensa??? Vão mandar me guilhotinar, isso sim! (Íris)
Então por que quer levá-la? (Manuel)
Ela tem uma casa, uma família! Aqui, nem contato com o mundo! (Íris)
Mas ela ia fugir com você e ia ter menos ainda! (Manuel)
É diferente! Ela não escolheu a esse lugar, nem te escolheu! E eu não tinha nenhuma intenção! (Íris)
Diferente por que? O tipo de diferente que você é eu sei, e não é melhor, é pior! (Manuel)
Por que ela não escolheu! (Íris)
E acha que ela quer voltar pra lá?! Está muito melhor comigo! Tem atenção! (Manuel)
O tipo de atenção que você considera... (Íris)
Eu nunca abandonaria ela! Você não queria ela! (Manuel)
É uma criança! (Íris)
Cala boca! (Manuel)
Kat e Talita chegam.
Cadê o Manuel? (Talita)
Tá lá dentro com Íris. (Angely)
Talita entra no quarto.
Você sabe que é! (Íris)
Estão brigando? (Talita)
Íris vira para o canto. Manuel baixa a cabeça. Olha para Talita.
Não, nós só estamos conversando. (Manuel)
Eu já vou. (Íris)
Íris vai até a sala.
Vocês já estão prontos? (Íris)
A hora que quiser. (Kat)
Manuel chega na sala.
Agradecemos a ajuda. (Mel)
De nada. (Manuel)
Íris sai, com pressa. Mel segue. Edmont e Katerine vão depois. Angely olha para Manuel. Manuel cruza os braços. Angely sai.
Manhã. Chegam a casa de Katerine.
Valeu por ter nos trazido aqui. (Mel)
Eu tô com um pouco de sede. (Íris)
Mel vai até a cozinha. Íris segue. Agatha acorda em seu quarto e desce a escada correndo. Corre e abraça Edmont.
Que bom que vocês estão bem! (Agatha)
Apareceu algo na TV? (Angely)
Ficaram um tempão dizendo que o avião de vocês tinha caído... (Agatha)
Mas o oficial era que viajaríamos hoje... (Edmont)
A imprensa descobre qualquer coisa. (Kat)
Cozinha.
Quem é essa? (Íris)
Ex de Edmont. (Mel)
Pelo jeito é ex por que ele quer. (Íris)
Mais ou menos. (Mel)
Mel, esquecemos de um detalhe. Era pra estarmos na Europa. (Edmont)
Ai, deixa as pessoas pensarem que morremos por hoje. Amanhã chamamos alguém e contamos que não. (Mel)
Tá legal. (Edmont)
Agatha tá chorando. (Kat)
Por que? (Edmont)
Sei lá, deu crise de choro. (Kat)
Saco. (Edmont)
Vai lá. (Kat)
Edmont e Kat voltam para a sala. Edmont olha em volta. Kat aponta a escada. Edmont solta os ombros e suspira fundo. Sobe a escada. Angely pega um jornal na mesa. Começa a folhear. A notícia da queda do avião. Olha para o canto da página. Levanta-se.
Agora acabaram-se as expectativas de encontrar Talita, mas só da parte da polícia. Há boatos de que os pais da menina tenham contratado um detetive particular. (Angely)
Acha que é a pessoa que conhecemos? (Kat)
Tenho certeza. Encontrei um jornal antigo lá. (Angely)
E por que não me contou? (Kat)
Ameaçou vocês. Você tava mal. Tínhamos que sair de lá primeiro. (Angely)
Íris sai da cozinha.
Íris, posso falar com você? (Angely)
Claro. (Íris)
Angely vai pro jardim da casa. Íris segue.
Eu sei sobre Talita. (Angely)
Do que está falando? (Íris)
Eu escutei a conversa de vocês. (Angely)
Olha, eu não posso tirar ela de lá, Manuel não deixaria. (Íris)
Ameaçou você também? (Angely)
Ele disse que mata Talita se eu tentar levar ela. (Íris)
Por que Talita tem medo de você? (Angely)
Íris respira fundo. Olha para o alto. Volta a olhar para Angely.
Talita ia fugir comigo. Não tinha nenhuma intenção com ela, não me entenda mal. Eu tava tentando ajudar. (Íris)
Mas isso não é motivo de medo. (Angely)
Ela tinha treze. Eu dava aula pra ela, de reforço. Então ela descobriu que sou lésbica. E se interessou, disse que já tinha gostado de amiguinha, que ficou com vergonha. Eu comecei a tentar ajudar, ainda lembro como é confuso descobrir isso, com tanta pressão pra ser normal, e nenhum exemplo do que é não ser normal. Um dia me ligou desesperada. Foi atrás de um colega mais velho da escola, pra tentar falsificar um RG pra entrar em uma balada LGBT. O cara tentou agarrar ela a força. Ela se trancou no banheiro, o cara tava tentando derrubar a porta. Cheguei lá, ele tinha conseguido derrubar, tava tentando arrancar a roupa dela. Peguei a coisa mais pesada que encontrei e bati nele. Abracei ela. Peguei o telefone pra chamar a polícia. Ela segurou o gancho do telefone. Falou pra eu ver se ele tava vivo. (Íris)
Não tava. (Angely)
Nisso, Talita saiu correndo. Um carro atropelou ela. Peguei ela no colo, botei no meu carro, fugi. Ela acordou e não lembrava de nada, nem quem era. Talita só tinha doze, eu, vinte e três. O cara mexia com coisa ilegal, mas eu sou lésbica, acompanhada de uma criança, e isso seria o centro de tudo pra todo mundo. As pessoas confundem sempre não ser hétero com pedofilia. Os pais dela iam achar que fui eu quem levei ela lá. E eu matei o cara. Sabe-se lá como ficaria Talita, com os pais descobrindo isso assim, com uma morte na história, e eu passaria o resto da vida na cadeia, ou... (Íris)
Poderia cuidar de Talita e continuaria livre. (Angely)
Escolheu a segunda opção. (Edmont)
Fui encontrar Manuel. Ele era um antigo namorado, o único que tive. Achei que estava só me ajudando. Talita estava sem memória, mas possivelmente lembraria de tudo se voltasse pra cidade. Mas ela nunca lembrou. Comecei a ficar mal. Fui falar com ele. (Íris)
Um ano antes
Dane-se se vou ser presa, eu quero que vá tudo pro inferno, não podemos mais prender ela aqui! (Íris)
Acha que estou fazendo isso por você??? (Manuel)
Íris dá um passo atrás, franze a testa, olha para Manuel de cima a baixo.
Que? (Íris)
Se algum dia na sua vida tivesse prestado um pingo de atenção em mim, já saberia que tô pouco me fodendo se você vai presa ou não. (Manuel)
Você disse que me amava. (Íris)
Pois é, eu deveria ser ator! (Manuel)
Nunca sentiu nada por mim? (Íris)
Senti. Mas você fugiu. E você cresceu, convenhamos, está quase velha. (Manuel)
Íris balança a cabeça para os lados.
Eu vou levar Talita daqui... (Íris)
Eu mato você. (Manuel)
Então me mate. (Íris)
Viva daqui ela não sai. (Manuel)
Eu vou levar ela, quer você queira, quer não. (Íris)
Íris tira um revólver da cintura. Aponta para Manuel. Talita chega perto da porta. Vê Manuel. Íris está em uma parte do quarto não visível. Manuel olha para a porta. Íris engatilha o revólver.
Não vai conseguir fugir. Já fiz isso antes, faço de novo. Não posso deixar acontecer... (Íris)
Vai, atira! (Manuel)
Acha que não tenho coragem? (Íris)
Então atira. Não vai levar Talita com você sem me matar primeiro. (Manuel)
Não! (Talita)
Talita entra correndo no quarto. Se coloca na frente de Manuel. Manuel sorri para Íris.
Talita, sai daqui. (Manuel)
Não. Não vou deixar ela atirar em você. (Talita)
Íris baixa a arma.
Íris nunca faria isso. Somos irmãos. Ela só está preocupada que você fique aqui e não conheça o mundo. (Manuel)
Não quero conhecer o mundo. É sujo, você me disse! Quero ficar aqui. (Talita)
Dias atuais (2022)
Algum tempo depois, eu voltei lá. Ele impôs condições pra que eu visse a Talita. Eu aceitei. (Íris)
Talvez se você falasse com a polícia... (Angely)
Acha mesmo que eles acreditariam? (Íris)
Aurium chega.
Eu esperava que essa amnésia passasse alguma hora. Mas faz dois anos. (Íris)
Cara, você só tá errando em cima do erro. (Edmont)
Ainda pode consertar isso. (Angely)
Como? Se eu tentar tirar a Talita de lá, o Manuel mata ela. (Íris)
Não se você tivesse ajuda. (Edmont)
De quem? Vocês? (Íris)
Por que não? (Angely)
Íris dá um sorriso de deboche. Balança a cabeça para os lados. Vira e vai embora. Angely baixa a cabeça. Edmont entra. Angely olha Íris indo. Entra também. Derik sai do banheiro, com roupas.
Então, melhor voltarmos pra casa, né? (Edmont)
É, descansamos e depois de amanhã ligamos pra alguma revista ou jornal pra marcar algo. Íris já foi? (Mel)
Sim. Eu tava pensando em adiar essa coisa de entrevista. (Angely)
Por que? (Mel)
Eu tô morto. Vamos pra casa? (Edmont)
Claro. (Angely)
Pera! Eu vou junto! (Kat)
MEAK.
Então tem família. (Mel)
Sim, que está procurando até hoje. (Edmont)
E nem faz ideia do que Manuel está realmente planejando. (Mel)
Eu acho que posso convencer Talita a voltar pra cidade. Alguém teria que distrair Manuel. (Edmont)
Posso fazer isso. Luto melhor e sei que vai baixar a guarda pra mim, por olharem e verem uma mulher. Primeiro precisamos que alguém vá falar com a família. (Mel)
Bom, não podem ser vocês, qualquer um reconhece a "Saturn". (Derik)
Exatamente. (Edmont)
Ah. Eu. (Derik)
No jornal tem o endereço? (Kat)
Tem. Mas é longe. (Angely)
Nada é longe pra um cão. (Edmont)
Muito menos pra um pássaro. (Derik)
Pode sair agora? (Mel)
A essa hora??? (Derik)
Quanto mais cedo for, mais cedo chega. (Mel)
Derik entra no banheiro. Sai como pássaro. Sobe na mesa. Vira o jornal com a pata.
Madrugada. Edmont abre a porta.
Oi. (Agatha)
Que horas são? (Edmont)
Três da manhã. (Agatha)
Não devia estar em casa dormindo? (Edmont)
Estou sem sono. (Agatha)
E eu te dou sono? (Edmont)
Desculpa, eu... (Agatha)
Agatha vira. Dá um passo. Edmont respira fundo.
Eu tava só brincando. (Edmont)
Agatha vira para Edmont.
Eu fiquei preocupada com aquela história do avião. Aliás, não fui só eu. (Agatha)
Sabe que não temos mais nada. (Edmont)
Denise tem namorado. (Agatha)
Que se dane. (Edmont)
Pensei que não gostasse de traições. (Agatha)
Aquele pessoal só finge que namora pra apresentar alguém quando perguntam. E é recíproco. (Edmont)
Não foi só a Denise, foi? (Agatha)
Achava que eu estava tendo algo sério com Denise? (Edmont)
Não quer mais namorada? (Agatha)
Não tô mais afim de nada sério. (Edmont)
Então é só isso? (Agatha)
Sim. (Edmont)
Agatha se aproxima de Edmont. Beija Edmont.
6h. Derik sentou-se e está dormindo na porta de uma casa. Alguém abre a porta. Derik cai. Acorda. Vira para cima e olha para a pessoa.
Ladrão! (pessoa)
Derik se levanta do chão.
Não, não, não, eu sou detetive! É que cheguei aqui muito tarde e achei melhor esperar amanhecer. (Derik)
Detetive? (pessoa)
É, eu soube que queriam alguém pra achar Talita. (Derik)
Pode deixar que eu cuido disso. (Brad)
Tudo bem. (pessoa)
A pessoa vai para outro cômodo. Derik arruma a roupa.
Quem é você? (Derik)
Brad, irmão da Talita, e você? (Brad)
Eu sou detetive. (Derik)
Pra mim nem maior de idade você parece. (Brad)
Eu tenho dezoito já! (Derik)
Continua parecendo um bebê. (Brad)
E você é o que? (Derik)
Policial. Prendo vagabundos que perturbam pessoas logo de manhã. (Brad)
Achei que prendiam bandidos. Como quem levou sua irmã. (Derik)
Como se você pudesse achar ela... (Brad)
E se eu dissesse que posso? (Derik)
Eu riria. (Brad)
Não vai custar me dar uma chance. (Derik)
Isso quer dizer que não vai cobrar? (Brad)
Talita tem quinze anos agora, certo? (Derik)
Grande coisa, tá escrito em qualquer jornal. (Brad)
Certo, mas alguém vem até aqui oferecer ajuda a essa hora da manhã sem querer cobrar nada? (Derik)
Não tente me enrolar, garoto, tenho cinco anos a mais que você. (Brad)
Brad vai fechar a porta na cara de Derik, mas Derik segura com a mão.
Tinha alguém que dava aula particular pra Talita, o nome era Íris. Aposto que não estava no jornal. (Derik)
Brad abre a porta.
Como ficou sabendo sobre Íris? (Brad)
Eu sou um bom detetive. (Derik)
Entra. (Brad)
9h. Mel vai até a polícia.
Manuel... Eu não sei o nome inteiro. (Mel)
Boa sorte então. (policial)
Mel se senta na frente do computador.
Mas não demora muito aí e lembre-se que não fui quem te ajudou. (policial)
Pó’dexá. Ah, tem mais uma coisa, estudou medicina e já foi à Itália. (Mel)
36... 37 anos agora? (policial)
Como sabe? (Mel)
Conheci um cara, pode não ser o mesmo, peraí. (policial)
A pessoa sai. Volta com uma foto. Entrega a Mel.
Sim, isso mesmo. (Mel)
A pessoa abre o arquivo de Manuel.
Estudamos juntos no colégio. Por que quer a ficha dele? (policial)
Posso copiar? (Mel)
Pode. Mas só porque é você. (policial)
Mel pega um CD. Coloca na máquina. Mexe no computador. Tira o CD e guarda na bolsa.
Brigado. (Mel)
Mas pra que você... (policial)
Eu tô com pressa, tchau! (Mel)
Edmont vai até o quarto de Angely.
Acorda, sabe que horas são? (Edmont)
Angely vira para Edmont.
Que horas? (Angely)
Três da tarde. (Edmont)
Angely senta rápido.
Tô brincando, são nove da manhã ainda. (Edmont)
Isso não é brincadeira, é sacanagem! (Angely)
Angely se deita de novo.
E você levantava se eu falasse a hora certa? (Edmont)
Cadê Mel? (Angely)
Foi até a delegacia ver se consegue algo sobre Manuel. (Edmont)
Derik não voltou ainda? (Angely)
Não. Mas levanta daí! (Edmont)
Pra que? (Angely)
Sei lá, vamos fazer alguma coisa, não dá pra ficar aqui sem fazer nada. (Edmont)
Não tem nada que possamos fazer. (Angely)
Tem sim, lembra que o avião foi sabotado? (Edmont)
Caramba... (Angely)
Levanta, preguiça! (Edmont)
10h. Mel chega. Edmont e Angely estão na cozinha.
Não vão acreditar no que descobri! (Mel)
Manuel já roubou um banco? (Edmont)
Não, mas matou um professor na faculdade. (Mel)
Que?! (Angely)
Isso mesmo. (Mel)
Então devia estar na prisão! (Edmont)
Falta de provas. E também tem suspeita de ter incendiado o quarto de quem trouxe ao mundo. Uma das pessoas tá em com até hoje e a outra se matou. (Mel)
Passamos dois dias naquela casa! (Edmont)
Talita está lá há dois anos. (Angely)
Melhor nós termos cautela. (Mel)
A campainha toca. Mel sai. Volta com Kat.
Vocês descobriram mais alguma coisa? (Kat)
Que Manuel é mais perigo do que pensávamos. (Mel)
Falei com o irmão de Talita, Brad, e descobri algumas coisas que podem convencer Talita a vir conosco. (Derik)
14h. Edmont no sofá, de ponta cabeça. Kat recostou-se em Derik. Angely anda de um lado para o outro. Mel se joga no sofá.
Definitivamente precisamos de Íris. (Mel)
Pra que? Nem temos um plano. (Kat)
Também não sabemos exatamente onde é. (Edmont)
Posso me transformar em pássaro. (Derik)
Manuel caça, periga te abater, fazer um churrasco e um enfeite de Natal. (Mel)
Derik se encolhe.
Eu é que faço churrasco de Manuel se tentar fazer isso! (Kat)
Também viro cachorro. (Derik)
Não, é arriscado. (Mel)
Certo, e como vamos encontrar Íris? (Edmont)
Mel abre mais os olhos. Levanta. Tira a carteira do bolso. Tira um papelzinho de dentro.
Ê, não perde tempo... (Derik)
Mel encara Derik. Pega o celular em outro bolso. Disca.
A campainha toca. Mel sai da sala com o telefone.
Quem é? (Kat)
Conhece um garoto chamado Derik? (Brad)
Ah, droga... (Derik)
Que foi? (Angely)
É o irmão da Talita! (Derik)
Como te encontrou? (Angely)
É policial! (Derik)
Derik corre até o banheiro. Kat abre a porta. Brad entra e olha em volta.
Ei, quem você pensa que é... (Kat)
Brad mostra o distintivo.
Vocês conhecem um garoto de dezoito anos chamado Derik? (Brad)
Sim, e você, quem é? (Edmont)
Brad Andrews. Esse garoto esteve na minha casa hoje de manhã. E tenho certeza que ele está aqui. (Brad)
Não vai encontrar aqui. (Mel)
Posso procurar? (Brad)
Por que está atrás de Derik? (Kat)
Ele veio perguntar da minha irmã. (Brad)
Talita? (Angely)
Como sabe??? (Brad)
Eu li no jornal. (Angely)
E adivinhou que eu sou irmão dela do nada? Clariviência??? franze a testa Peraí, vocês não são aquela banda que o avião caiu? (Brad)
Como sabe? (Angely)
Não é porque eu quero, pode ter certeza. Que se dane, não quero saber quem são, quero saber onde está aquele moleque que foi até a casa dos meus pais hoje de manhã! (Brad)
Brad vai para a cozinha. Volta.
Ei! (Kat)
Pode ficar sossegada que não vou machucar seu namorado. (Brad)
Brad abre o banheiro.
Que um cachorro está fazendo no banheiro? (Brad)
É Aurium. (Kat)
E por que está vestido? (Brad)
Aurium sai do banheiro.
É uma brincadeira que Aurium gosta. Voltando a Derik, esteve aqui sim, mas saiu agora pouco. (Kat)
Vou ver lá em cima. Você vem comigo. (Brad)
Brad sobe. Kat olha para Mel. Mel encolhe e solta os ombros e aponta o andar de cima com a palma para cima. Kat solta o ar e sobe com os ombros caídos.
Temos que nos livrar de Brad, Íris tá vindo pra cá. (Mel)
Não vai encontrar Derik e vai embora. (Angely)
E se descobrir os outros dois andares da casa? (Edmont)
Quem não vê a planta não descobre. (Angely)
Brad entra em cada um dos quartos. Kat segue, arrastando os pés. Brad abre os armários, checa os banheiros e embaixo das camas. Desce a escada, Katerine vem junto.
Então, encontrou alguma coisa? (Edmont)
Nada. (Brad)
Mel abre a porta da sala e encara Brad. Brad sai.
Se estiverem mentindo... (Brad)
Mel fecha a porta.
Não acredito que nem perguntou do sótão! (Kat)
Tudo bem, agora vamos pensar num plano pra trazer Talita pra cá. (Mel)
Bom, primeiro, você vai distrair Manuel. (Angely)
Talita vai quase todo dia ao lago. (Kat)
Eu falo com Talita. (Edmont)
Não, Kat fala. (Mel)
Por que eu? (Kat)
Te identificou como amizade logo de cara. (Mel)
Toca a campainha. Edmont atende.
Eu só vim aqui dizer que não podem fazer isso. (Íris)
Temos que fazer isso. (Edmont)
Por que querem tanto tirar Talita de lá? (Íris)
Sabe porque. (Mel)
Vocês estão arriscando vidas demais. (Íris)
Prefere deixar Talita lá, correndo esse risco? (Mel)
E qual a desculpa que vão dar pro Manuel? (Íris)
Uma caixa de chocolate, eu prometi levar pra Talita! (Kat)
Íris suspira fundo. Senta no sofá.
Eu ajudo. (Íris)
Bom, essa parte foi fácil. (Mel)
Íris chega na cabana, com Mel.
Manuel, você tá aí? (Íris)
Que você quer??? (Manuel)
Manuel vai até a sala.
Você tem visita. (Íris)
Oi. (Mel)
Esqueceu alguma coisa? (Manuel)
Talita pediu pra Kat trazer isso. (Mel)
Mel mostra a caixa de chocolate.
E porque não veio ela mesma? (Manuel)
Tá com gripe. (Mel)
E porque não veio um dos dois? (Manuel)
Não queriam voltar. Angely nem queria que eu viesse. Talita tá aí? (Mel)
Ela foi até o lago. Daqui a pouco ela tá de volta. (Manuel)
Lago.
Oi. (Kat)
Talita está de biquini. Olha para Kat com Aurium e sorri. Vê Angely. Desmancha o sorriso e dá um passo atrás.
Que vocês tão fazendo aqui? (Talita)
Encontramos Brad. (Kat)
Quem? (Talita)
Seu irmão. Desde que você sumiu, sua família tá te procurando. (Kat)
Isso é conversa. (Talita)
Por que eu jogaria conversa em você? (Kat)
Ele me disse que fariam isso. Pra me levar daqui. (Talita)
Manuel disse isso? (Kat)
Disse que pessoas da cidade acham que todo mundo tem que ser promíscuo. (Talita)
Se eu quisesse dormir com você não precisaria de conversa. (Edmont)
E o que vai fazer? Me pegar a força? (Talita)
Poderia. Não tem ninguém olhando. (Edmont)
Eu grito. (Talita)
Também não tem ninguém ouvindo. (Edmont)
Não ia conseguir. (Talita)
Talita, eu sou maior e mais forte que você. (Edmont)
Edmont, tá piorando as coisas, não melhorando! (Kat)
Estou dizendo que não precisaria passar conversa, não que eu faria isso. (Edmont)
Eu não vou com vocês. (Talita)
Brad queria que você voltasse pra casa. (Kat)
Eu me lembro desse nome, mas não sei quem é. (Talita)
É policial agora, sabia? (Edmont)
Está mentindo. (Talita)
Podemos te levar até a sua família. É só confiar na gente. (Angely)
Talita sai da água. Olha para Edmont.
Devia melhorar sua conversa pra convencer alguém de algo. (Talita)
Talita veste um vestido.
Preciso falar com Manuel primeiro. (Talita)
Manuel mentiu pra você. (Kat)
Ele não mentiria pra mim. (Talita)
Manuel e Íris não são irmãos. Namoraram um dia. Íris estava te ajudando anos atrás, e Manuel tá chantageando Íris pra que não te tire daqui. Manuel acha que pode ter algo com você. Sabe que sua família tá te procurando. (Edmont)
Kat encara Edmont. Talita olha para Kat. Depois para Angely. Sai correndo. Edmont corre atrás.
Talita entra na cabana e olha para Manuel. Edmont, Kat e Derik entram atrás.
Você mentiu pra mim? (Talita)
Do que está falando? (Manuel)
De tudo. (Talita)
Eu te amo... (Manuel)
Como filha? (Talita)
Como mulher! (Manuel)
Não é uma mulher, é uma criança, seu animal! (Mel)
Mel olha para Kat.
Não tínhamos planejado que vocês impediriam Talita de vir até aqui? (Mel)
Dá próxima não manda Edmont junto. (Kat)
Edmont encara Kat. Manuel pega a arma. Puxa Kat e coloca a arma na cabeça de Kat. Vira para Angely.
Eu falei pra você ficar quieto. (Manuel)
Larga ela, Manuel. (Íris)
Cala essa boca! (Manuel)
Achei que você fosse gente. (Talita)
Ia fazer alguma diferença? Você não gosta de mim! (Manuel)
Você sabia que eu tenho uma família?! (Talita)
Não ia precisar deles, eu ia ser sua família! Poderíamos fazer uma família! (Manuel)
Kat, sai. (Mel)
Kat franze a testa. Desfranze. Desmaia. Manuel solta Kat e aponta a arma para as outras pessoas.
Vocês todos vão morrer agora. Vão pagar pelo que fizeram! (Manuel)
Abaixa a arma! (Brad)
Como chegou aqui? (Derik)
Coloquei um rastreador no seu bolso sem que notasse. (Brad)
Abaixa você essa droga ou eu mato um deles! (Manuel)
Vai pegar muitos anos de prisão. Vocês dois! (Brad)
E quem vai me prender? Você? (Manuel)
Meus colegas que estão a caminho. (Brad)
Pois quando chegarem só vão pegar um monte de corpos! (Manuel)
Eu tô avisando, solta a arma e deita no chão! (Brad)
Tenta então! (Manuel)
Eu vou contar até... (Brad)
Manuel atira em Brad. Talita se encolhe com o tiro. Paralisa. Olha para Manuel. Manuel pega Talita pelo braço e puxa, com a arma apontada para Talita. Saem. Mel vai atrás, Edmont segue. Íris olha para Kat. Depois para Brad.
Manuel está puxando Talita.
Não!!! Me solta!!! (Talita)
Solta Talita, não tem como fugir pra sempre! (Mel)
Nem que eu precise mudar de dois em dois anos! Só me separaram se quiserem levar dois cadáveres! (Manuel)
Mel olha para Edmont. Baixa um pouco a cabeça e levanta. Começam a se afastar, para os lados de Manuel, aos poucos.
Eu sei o que estão fazendo! Não vão... (Manuel)
Um tiro. Manuel cai. Talita olha para Manuel. Olha para Íris. Fica olhando fixo.
Desculpa. Eu tinha que fazer isso. (Íris)
Foi no meio dos olhos. Não vai precisa verificar o pulso dessa vez. (Talita)
Talita olha para a cabana. Corre para a porta. Kat sai. Talita para. Olha para Kat. Balança a cabeça para os lados. Entra na cabana. As pessoas seguem. Talita abraça Brad.
Foi no braço. Vai sobreviver. (Mel)
Agora você vai voltar pra casa. (Brad)
Alguns dias depois, chega uma carta de Brad à MEAK:
Íris cumprirá alguns anos de prisão. Talita está fazendo tratamento pra tentar voltar a memória inteira, já lembra de muitas coisas e voltou a estudar. Não sei quem são na verdade, como encontraram minha irmã ou por que ajudaram ela a se livrar disso, mas de uma coisa eu tenho certeza: vocês um dia terão a merecida recompensa por tudo o que fizeram. Trouxeram minha irmã de volta. Isso dinheiro nenhum no mundo paga.
Algum tempo, algum lugar
Tá me enrolando! (Xien)
Como assim? (Uehfo)
Que história é essa de "Espero que tenha puxado a resistência do lado certo"??? (Xien)
Não fui eu quem disse, como vou saber? (Uehfo)
Se tiverem conversado sobre isso depois! (Xien)
Faz sentido. (Uehfo)
E... (Xien)
Gosta de CDs? (Uehfo)
CDs??? (Xien)
Brilham. E podem guardar um monte de coisas. (Uehfo)
Uehfo some.

Resumo do Capítulo

Edmont briga com Mel e Angely. Eles estão preocupados com a frequência e quão bêbado Edmont chega em casa. Os quatro vão a uma festa a fantasia. Lá, uma das amigas de Agatha tenta ficar com Angely. Angely vai embora, aborrecido. Mel tenta ir junto com ele, mas acaba ficando, com Dancan. No dia seguinte, eles pegam um avião para começar uma turnê. No meio do caminho, Angely, Kat e Mel desmaiam, mas Edmont, que não tinha comido nada, fica acordado, e descobre que o piloto e o co-piloto sumiram. Eles caem em uma floresta. Vão até uma cabana. São recebidos com hostilidade por Manuel e Talita. Conversam e acabam convencendo de que não são ameaça. Talita convence Manuel a deixar ficarem, até que Íris (irmã de Manuel) apareça, para levá-los de volta a cidade. A noite, Angely nota alguém do lado de fora, mas Manuel diz que Angely está paranóico. Kat, Talita e Mel vão até o lago, e Kat é mordida por uma cobra. Manuel diz que aquela cobra não existe ali. A noite, Angely acha um jornal e descobre que Talita está sendo procurada pela família. Manuel ameaça os outros, se disser algo. Íris aparece. Mel percebe que Talita não age naturalmente perto dela e tenta descobrir o que há de errado. Voltando, Íris e Manuel brigam. Íris vai embora e leva os quatro de volta. Angely fala para Íris que sabe. Íris conta que fugiu com Talita há dois anos, quando matou um rapaz que tentou abusar de Talita. Íris é lésbica, Talita houvera começado a descobrir sobre atração, e Íris tentava ajudar. Talita se acidentou e perdeu a memória. Conta que não é irmã de Manuel, que era um antigo namorado, e que achou que Manuel estava apaixonado e por isso ajudava, mas Manuel falou a verdade e ameaçou matar Talita quando Íris falou em levar de volta. Os quatro se oferecem para ajudar, mas Íris recusa. Derik vai até Brad (irmão de Talita) e diz que pode encontrá-la. Brad segue Derik de volta e olha toda a casa. Mel, Edmont, Kat, Angely e Derik armam um plano para trazer Talita de volta. Mel vai até a cabana com Íris, com o pretexto de levar um presente para Talita. Kat tenta convencer Talita, no lago, a voltar para casa, mas Edmont acaba atrapalhando. Talita vai até a cabana e faz Manuel confessar a verdade. Este se desespera e pega uma arma. Brad chega, também armado. Quando Brad ameaça atirar, toma um tiro. Mel e Edmont tentam cercar Manuel mas, antes que pudessem saber se daria certo, Íris atira em Manuel e mata. Talita recobra parte da memória. Íris é presa. Brad manda uma carta para a MEAK, agradecendo.

Dara Keon