Enigma
MEAK
A10

Enigma ler resumo

5h. Mel entra no escritório. Senta numa cadeira. Pega um CD na gaveta. Angely entra. Mel abre a gaveta, joga o CD dentro e fecha.
Te assustei? (Angely)
Angely puxa uma cadeira e senta.
Não... Tá com uma cara horrível, não conseguiu dormir? (Mel)
Edmont chegou agora pouco. Bebeu demais de novo. (Angely)
Tá descendo cada vez mais fundo. Já nem sei mais se é só bebida. (Mel)
Mel levanta. Anda até uma janela.
Acho melhor nós desistirmos da banda. Repartimos tudo o que temos e cada um vai cuidar da sua vida. (Mel)
Tá tão ruim assim? (Angely)
Sabe quantos compromissos desmarcamos por causa de Edmont? (Mel)
Angely baixa a cabeça.
Não vou abandonar Edmont. (Angely)
Não estou dizendo pra abandonarmos. Vai acabar com a banda se nós não acabarmos, do pior jeito. Se a gente seguir nossas vidas agora, a hora que se der conta que precisa de ajuda, estaremos aqui. (Mel)
Mel... (Angely)
Edmont só vai perceber que tá caindo quando chegar no fundo. (Mel)
Eu não sei de mais nada. (Angely)
Angely sai. Mel pega o CD de novo na gaveta.
O que você esconde aí? (Mel)
13h. Angely vai até o quarto de Edmont. Olha da porta. Edmont está na cama. Balança a cabeça para os lados.
Acorda aí, se arruma que temos uma entrevista agora. Samuel marcou. (Angely)
A essa hora? Que pessoa pra ver isso fomos arranjar... (Edmont)
Mel tá querendo dar um fim em Saturn. (Angely)
Edmont se senta na cama. Olha para Angely. Angely baixa a cabeça e fecha a porta. Edmont vai até o banheiro. Liga a torneira. Joga água no rosto. Olha pro espelho. Encosta a cabeça nele.
Edmont desce a escada.
E Kat? (Edmont)
Vamos pegar em casa. (Mel)
Bora? (Angely)
Tá. (Edmont)
Casa de Kat.
Como não se arrumou ainda?! (Edmont)
Não sabe que roupa usar e disse que não quer meu conselho. (Agatha)
Ê, Kat... (Mel)
Mel sobe. Edmont vai para a cozinha.
Que cara é essa? (Edmont)
Ela esqueceu que eu viro pássaro e cachorro, mas não viro planta pra criar raiz! Disse que é pra eu ficar aqui até ela voltar. (Derik)
Pode deixar que eu falo com Kat. (Edmont)
Não adianta. (Derik)
Eu tenho um argumento convincente. (Edmont)
E que milagre é esse? (Derik)
Dez minutos, Kat e Mel chegam a sala. Agatha sai do sofá e sobe.
Eu juro que eu não... (Angely)
Eu não tenho nada a ver com isso. Edmont! (Mel)
Edmont e Derik vêm da cozinha. Angely se levanta.
Mas tem certeza que funciona? (Derik)
Claro. (Edmont)
Do que vocês tão falando?! (Kat)
Edmont sorri. Kat encara Edmont. Angely olha no relógio.
Atrasamos. (Angely)
Melhor nós irmos. (Mel)
Angely e Mel saem. Kat vai atrás. Edmont vai até Kat.
Lembra quando Angely ficou doente e Agatha ficou cuidando? (Edmont)
Kat dá meia volta. Pega a mão de Derik. Derik sorri. Saem.
Angely vai dirigindo, com Edmont do lado. Mel fica atrás, olhando para fora, na janela ao lado de motorista.
Edmont, o que fez pra Kat mudar de idéia e querer carregar Derik? (Angely)
Lembrei de como Agatha cuidou bem de você. (Edmont)
Ah... (Angely)
Eu vi como tava na sala. (Edmont)
Não quero que pense que... (Angely)
Não namoramos mais. Agatha pode fazer o que quiser com quem quiser. (Edmont)
Mesmo assim. Eu não me sentiria bem tendo qualquer coisa. (Angely)
Agatha não quer algo com alguém, só quer... (Edmont)
Não sei viver como você. (Angely)
Eu também nunca pensei que soubesse, mesmo tendo acontecido coisas sem compromisso antes de Agatha. Isso não é coisa que se aprende, é coisa que se descobre. (Edmont)
Você só descobre o que existe. (Angely)
Mas não vai saber que existe se não tentar. Faz o seguinte: a próxima vez que Agatha te procurar, não foge. Você não tem atração? Vocês não estão mentindo pra ninguém. Não adianta ficar procurando a pessoa perfeita. (Edmont)
Não estou procurando a pessoa perfeita. (Angely)
Você sabe como era lá na nossa terra. As pessoas deveriam ser livres assim aqui, evitaria muita coisa. (Edmont)
Acho que eu já encontrei. (Angely)
Meg ainda??? Por que você não vira monge??? (Edmont)
Não notou... Ninguém nota. Nem a pessoa. (Angely)
Na mesa da entrevista coletiva, sentam-se nessa ordem: Kat, Angely, Edmont e Mel.
Então, vocês desmarcaram a última turnê por que o avião caiu? (repórter)
Na verdade nós adiamos. Vamos ver as datas de novo. (Angely)
E quando vai ser isso? (repórter)
Assim que eu parar da beber. (Edmont)
Que disse? (repórter)
Assim que nós reorganizarmos as datas e lugares. Foi melhor assim, poderemos ver isso direito, com mais calma. (Angely)
E já tem alguma idéia de pra onde vão? (repórter)
Pro lugar onde tiver mais orgia. (Edmont)
Não sabemos ainda. (Angely)
Que você tá fazendo??? (Mel)
Acabando com a nossa banda. (Edmont)
Até quando vocês acham que a banda vai durar? (repórter)
Esperamos que o tempo seja proporcional ao tamanho do meu saco pra aguentar vocês. (Edmont)
Edmont! (Mel)
Edmont se levanta e sai.
Que ele tá querendo?! (Samuel)
Me desculpem, não tem estado muito bem nos últimos dias. (Mel)
Angely se levanta. Samuel segura-lhe o braço.
A entrevista vai continuar. (Samuel)
Não podemos... (Angely)
No máximo ele vai atrás de um rabo de saia. Continuem! (Samuel)
Casa de Dara.
Ninguém vai atender essa campainha, não??? Que droga... abre a porta Ué, vocês não estavam numa coletiva? (Denise)
As outras pessoas estão, eu resolvi que não tava afim e sai. (Edmont)
Ah, tá... (Denise)
Dara tá aí? (Edmont)
Nossa, mal fala mais comigo. (Denise)
Vai ter que continuar brincando de bacanal só com seu namorado e os namorados das suas amigas. entra Cadê Dara? (Edmont)
No quarto, mas acho que ela tá... (Denise)
Edmont sobe a escada.
...dormindo. (Denise)
Edmont entra no quarto. Dara está na cama, dormindo, de camisola, sem cobertas. Edmont se aproxima devagar. Abaixa sobre Dara. Beija-lhe o pescoço. Dara acorda, sai da cama num movimento brusco e puxa o lençol pra frente de si.
Que pensa que tá fazendo?! Por que fez isso?! (Dara)
Uma pergunta de cada vez. (Edmont)
Isso não teve graça! (Dara)
Realmente eu não ia gostar se você tivesse dado risada. (Edmont)
Que deu em você?! (Dara)
Sinceramente? Não sei. Mas bem que gostou. (Edmont)
Vejo que já está melhor. (Denise)
Por que deixou ele entrar?! (Dara)
E como espera que eu consiga segurar um cara desse tamanho? (Denise)
Quer mesmo que eu responda?! (Dara)
Denise revira os olhos e sai. Dara vai até a porta. Edmont puxa Dara pelo braço e encosta na parede. Dara vai chutar Edmont, mas Edmont segura-lhe a perna.
Isso só funciona com crianças. (Edmont)
Por que está fazendo isso?! Sabe que eu... (Dara)
Virgem... vai subindo a mão pela perna Nunca namorou... (Edmont)
Me solta! (Dara)
Edmont solta Dara.
Tudo o que você quiser. Mas não pense que eu não vejo como me olha. (Edmont)
Edmont dá um sorriso. Sai do quarto. Dara senta na cama, olhando para o chão, ofegante.
Tudo bem que queira dormir com ela, mas não acha que tá indo um pouco rápido demais? Você sabe que ela nem beijar beijou ainda... (Denise)
Edmont continua andando e não responde.
Angely está dirigindo o carro para casa. Mel está no banco de carona. Kat e Derik estão no banco de trás.
Calma, não vai fazer nada que nunca tenha feito. (Kat)
Ainda tenho preocupação. olha para Mel Onde será que foi? (Angely)
Angely, olha pra frente! (Mel)
Angely vira para frente. Tenta desviar. Bate em uma pessoa com a lateral do carro. Termina a freada. Todo mundo sai do carro e vai até a pessoa. Outra pessoa olha. Dá um sorriso. Vai embora.
Que é isso?! (Angely)
Você atropelou! (Mel)
Estou falando da outra pessoa! (Angely)
Coloca dentro do carro! (Mel)
Hospital.
Alguém me ajuda aqui! (Angely)
De novo??? (Psique)
De novo o quê? (Angely)
Já falei pro pai delas levar Djanira num psicólogo! (Psique)
Do que tá falando? Esse é o nome da pessoa? (Angely)
Não, da irmã dela. O que aconteceu dessa vez? (Psique)
Tava no meio da rua... (Angely)
Vamos levar ela pra uma sala, ver o que aconteceu. Mas você devia ter chamado uma ambulância, não carregado ela pra cá de qualquer jeito! (Psique)
Vão até uma sala. Angely coloca na cama.
Agora vai pra sua casa, eu cuido dela. (Psique)
Fui eu quem atropelei! (Angely)
Viu alguém por perto? (Psique)
Uma pessoa, de branco, com uma tatuagem na mão... (Angely)
Ela fez alguma coisa? (Psique)
Riu e foi embora. (Angely)
Então pode ter certeza que a culpa não foi sua! (Psique)
Mas... (Angely)
Só tá atrapalhando aqui, vai pra sua casa, deixa eu fazer meu trabalho. (Psique)
Angely volta. Entra no carro.
Então? (Mel)
Disse que era pra eu voltar pra casa. (Angely)
E você vai obedecer?! (Kat)
Perguntou se eu vi alguém e, quando eu descrevi a pessoa que tava lá, disse que com certeza a culpa não é minha. (Angely)
Falou isso pra você não ficar com a consciência pesada. (Derik)
Não foi, tinha alguma coisa errada. (Angely)
Que isso na sua mão? (Mel)
A carteira da pessoa. (Angely)
Angely coloca a carteira no porta luvas.
Ah?! (Kat)
A carteira dela?! (Derik)
Eu peguei pra descobrir quem é. (Angely)
Edmont está na cozinha da casa. Dá risada. Mel chega.
Tá dando risada depois do que fez?! (Mel)
Não vão desmontar a banda? Por que ainda temos que ficar respondendo às perguntas daquelas criaturas sem vida própria? (Edmont)
Então é isso que você quer? (Mel)
Não. É isso que vocês querem. (Edmont)
Edmont sai da cozinha.
Tem mais alguma coisa. Eu conheço Edmont. (Angely)
Mudando de assunto... Já que você já deu uma de mão leve, vamos logo saber quem é a pessoa. (Mel)
Na casa de Dara, Denise e Bryan estão na sala. Toca a campainha. Dara vem até a sala para atender.
Edmont?! (Dara)
Vamos deixar eles sozinhos. (Denise)
Não... (Dara)
Denise sai com Bryan.
Que você tá fazendo aqui?! (Dara)
Vim pedir desculpa. (Edmont)
Eu desculpo. (Dara)
Dara empurra a porta para fechar. Edmont segura.
Precisamos conversar. (Edmont)
Tarde. Angely e Mel tocam uma campainha.
Acho que não tem ninguém em casa. (Mel)
Eu tô ouvindo alguém brigando. (Angely)
Atende logo essa droga dessa campainha! (Jay)
Não chegamos numa boa hora. (Angely)
Luiza abre a porta.
Sim? (Luiza)
A casa é sua? (Angely)
Eu? Não... Não teria todo esse dinheiro. É do seu Jay. Ele não tá. (Luiza)
Era você se mandando atender a campainha? (Mel)
Não é uma boa hora. (Luiza)
Mel passa por Luiza e entra.
É importante. (Angely)
Não podem entrar assim... (Luiza)
Já entramos. (Mel)
Mel encara Angely. Angely olha pra pessoa. A pessoa faz sinal para que Angely entre. Vão até o escritório. Há duas pessoas, uma virada para a entrada, uma de costas, sentada numa cadeira.
Quem são vocês?! (Jay)
É sobre sua cria. (Mel)
A pessoa que estava na cadeira se vira e olha pra Angely.
Oi. (Djanira)
O que Djanira andou aprontando? (Jay)
É sobre Agnes. (Mel)
Onde ela tá?! (Jay)
No hospital... (Angely)
Toca o telefone. Jay atende.
Sim? (Jay)
Agnes tá aqui. Ela tá bem. Mas eu tenho certeza que foi a Djanira de novo e, se não der um jeito nisso, não vai tirá-la da minha casa dessa vez. (Psique)
Tem um rapaz aqui, loiro, cabelo grande, alto, olho claro... (Jay)
Droga. Eu falei para ele ir pra casa. Foi ele quem atropelou ela. Mas tenho certeza que não foi culpa dele. (Psique)
Eu vou dar um jeito nisso. Vou buscar Agnes. (Jay)
Jay desliga o telefone.
Então, atropelou minha filha hoje à tarde? (Jay)
Não foi por... (Angely)
Djanira, o que fez? (Jay)
Nada. (Djanira)
Djanira! (Jay)
Acha que fui eu quem empurrei ela pra frente do carro? (Djanira)
Jay se senta na cadeira principal. Apoia os cotovelos na mesa e a cabeça nas mãos.
Tudo bem? (Mel)
Agora que já sabem que a culpa não é dele, podem ir. (Jay)
Tenho que ir pra escola. (Djanira)
Vou mandar você pra Ásia. (Jay)
Mesmo assim vou ter que freqüentar uma escola. (Djanira)
Luiza, acompanha os dois até a porta. (Jay)
Precisamos falar. (Angely)
Não vou processá-lo, pode ficar sossegado. (Jay)
Acho que podemos ajudar. (Mel)
Jay olha para Mel.
Vocês tem idéia de algum planeta pra onde eu possa mandá-la? (Jay)
É sério. (Mel)
Djanira, vai pro seu quarto. olha para Luiza E você cuida pra que ela não saia de lá. (Jay)
Carpe Diem, Angely. (Djanira)
Luiza sai com Djanira.
Latim. (Angely)
Sabe várias línguas, mas qualquer imbecil conhece essa expressão. Sentem-se. (Jay)
Mel e Angely se sentam.
Como estávamos dizendo, talvez possamos ajudar com isso. (Mel)
São psicólogos? (Jay)
Não, mas já vimos isso antes. (Angely)
Não, não viram. Podem ter certeza que nunca viram algo assim. (Jay)
Uma pessoa tentando fraternicídio? Sim, já vimos. (Mel)
Jay respira fundo. Levanta. Vai até a janela.
Desde pequena Djanira sempre agiu estranho com Agnes. Inventava várias brincadeiras pra por a vida da irmã em risco. Levei as duas ao teatro e acabei perdendo de vista. Quando encontrei Djanira ela disse que estava brincando com a irmã. Perguntei onde Agnes estava e Djanira olhou com um sorriso pra cima. Agnes tinha ido buscar um ursinho que Djanira houvera jogado lá em cima, numa estrutura de ferro. Não pude mais participar do grupo de teatro por que eles não queriam as duas lá. Outra vez eu as levei até um bar onde tinha arranjado emprego e Djanira mandou Agnes se esconder na cidade. Despedido de novo. Tive que sair no meio do expediente pra encontrar Agnes. Ela já quase perdeu a vida várias vezes por causa da irmã. (Jay)
Jay volta a se sentar na cadeira. Olha para baixo. Olha para as pessoas. Suspira novamente.
Então recebi uma herança. Pensei que colocando ela em melhores escolas, com pessoas mais civilizadas, dando uma vida melhor, ela se comportaria. Mas isso não aconteceu. Agnes tenta dizer que não é ela, mas eu sei que é. E não posso arriscar a vida de uma porque a outra... (Jay)
Jay apoia os cotovelos na mesa e esconde o rosto nas mãos.
Meu Deus. Deus me perdoe. (Jay)
Agnes já está melhor? (Angely)
Jay olha para as pessoas.
Sim, está. (Jay)
Graças a Deus... (Angely)
Eu queria que Djanira fosse igual Agnes. (Jay)
Não tem nenhuma idéia do por que é assim? (Mel)
Não. As duas foram criadas do mesmo jeito. Enquanto uma é um anjo, a outra, Deus que me perdoe, mas parece filha do diabo. Como vocês vêm, não há como ajudarem. (Jay)
Onde está quem gerou as crianças? (Angely)
Por que está perguntando? (Jay)
Pode ser algo com que tenha tido contato durante a gravidez. (Angely)
Foi assassinada há sete anos. (Jay)
Desculpe. (Angely)
Mel olha para uma caixa antiga sobre um armário.
Não há mais nada que queira nos contar? (Mel)
Como o que? (Jay)
A caixa. (Mel)
Por que eu esconderia algo tão a vista? (Jay)
Está tão à mão que uma pessoa jamais procuraria nada ali. (Mel)
Vocês são investigadores? (Jay)
Mais ou menos. (Mel)
Essa caixa tem um pergaminho estranho, está na minha família há vários anos... Pago quanto for pra quem puder traduzir. (Jay)
Nós não temos problemas com dinheiro. (Angely)
É que ele ainda não percebeu quem vocês são. (Djanira)
Não mandei você ficar no quarto? (Jay)
Por que pergunta? Você é quem sabe o que manda ou deixa de mandar. Já a parte de obedecer ou não, quem decide sou eu. (Djanira)
Posso ver o pergaminho? (Angely)
Não precisa, eu te falo o que tá escrito. (Djanira)
Você leu?! Como?! Ninguém consegue traduzir isso!!! (Jay)
Pai... (Agnes)
Jay corre e abraça Agnes. Ouve-se o som de um carro indo embora. Djanira pega a caixa e sai. Mel olha para Angely, que vai atrás.
Por que pegou a caixa? (Angely)
Ela não deve ver isso. (Djanira)
Por que esse ódio contra Agnes? (Angely)
Não é ódio. (Djanira)
Você leu o que tem aí? (Angely)
Leve isso pra um lugar seguro. (Djanira)
Djanira tira o pergaminho de dentro da caixa e estende para Angely.
Quando ler, vai me entender. (Djanira)
Angely pega o pergaminho. Djanira fecha a caixa. Angely entrega a carteira de Agnes para Djanira. Djanira volta ao escritório. Esbarra em Mel. Mel encara. Djanira segue.
MEAK. Angely desce a escada.
Pensei que Edmont estaria aqui. (Angely)
Não está no quarto? (Mel)
Não... Que será que aconteceu? (Angely)
Geralmente estaria dormindo no quarto, por causa da farra da noite anterior. Vai ver resolveu ficar por lá. Vou subir, preciso de um banho. Aí a gente vê esse troço. (Mel)
Mel sobe. Kat chega.
Preciso te contar uma coisa. Sobre Meg. (Kat)
Meg? O que tem ela? (Angely)
Sabia que Meg tinha um diário? (Kat)
Onde está? (Angely)
Isso é que eu queria saber. Desapareceu. (Kat)
E por que veio me contar isso agora? (Angely)
Por que sempre escrevia depois que saia com você. Não sei o que vocês faziam, mas ficava um bom tempo escrevendo. (Kat)
Que tá querendo dizer? (Angely)
Se cair em mãos erradas, isso pode ser um problema. Mel tá aí? (Kat)
Lá em cima. (Angely)
Kat sai. Angely se senta no sofá.
Será que tava falando sério? (Angely)
Edmont chega.
Não te vejo desde a tarde ontem, que andou fazendo? (Angely)
Falando com alguém. (Edmont)
Passou a tarde e a noite de ontem mais a madrugada, a manhã e parte da tarde de hoje falando com alguém? (Angely)
Mais ou menos. Que isso? (Edmont)
Edmont pega o pergaminho sobre a mesinha da sala.
Um caso. (Angely)
De onde veio? (Edmont)
Casa de Dara.
Por onde você andou?! (Denise)
Vai tomar conta da minha vida agora? (Dara)
Não, só que nossos pais estão viajando e se acontece alguma coisa a culpa vai cair em cima de mim! (Denise)
Não se preocupa. Eles se importam comigo tanto quanto você. (Dara)
Mas vai sujar o nome da família se engravidar ou... (Denise)
Dara ri. Sai.
Angely e Edmont estão no escritório. Mel chega.
Resolveu voltar ao trabalho? (Mel)
Por que não me falaram o que tinha acontecido? (Edmont)
Não sei usar telepatia ainda. (Mel)
E pra que serve celular? (Edmont)
Pra avisar que o celular está fora de área ou desligado. Tão fazendo o que aí? (Mel)
Decifrando pergaminho... (Angely)
Dá'qui, que eu faço isso mais rápido que vocês. (Mel)
Mel vai até a mesa.
Por que acha isso? (Edmont)
Por que vocês só passaram doze anos aprendendo coisas que prestassem e eu passei vinte e três. (Mel)
Senta e pega o pergaminho.
O que vocês fazem em meia hora eu faço só em cinco minutos. (Mel)
Onde foi que esqueceu a modéstia? (Angely)
Dentro da barriga, antes de nascer. (Edmont)
Mel se senta na cadeira. Edmont e Angely se entreolham.
Vem comigo. (Edmont)
Onde? (Angely)
Edmont sai do escritório. Angely segue. Entram no carro.
Aonde vamos? (Angely)
Casa da pessoa com quem estou namorando. (Edmont)
Namorando?! (Angely)
Lembra que eu disse que passei todo aquele tempo com alguém? (Edmont)
Será que eu pergunto? Pode ser... E se for? Quem é? (Angely)
Dara. (Edmont)
Angely olha para fora.
Pra que quer que eu vá junto? (Angely)
Resolveram fazer uma festinha particular, sabe essas reuniões de garotas? (Edmont)
Sou homem. (Angely)
Ninguém tem nada a ver com como você nasceu, nem eu. Não vivi tanto assim entre humanos. Não é disso que eu tô falando. (Edmont)
Do que então? (Angely)
Não vai me dizer que esqueceu o que duas pessoas podem fazer para se divertir! (Edmont)
Não vou sair dormindo com todo mundo que aparece. (Angely)
Não é pra tanto, você nem conseguiria com todo mundo. Acho. (Edmont)
Sabe o que eu quis dizer. (Angely)
Você tem que sair dessa... Eu vou ficar com Handhara e deixo você lá. (Edmont)
Eu não... (Angely)
Que foi? Acha que não vão gostar que você "atrapalhe" a reunião? Tão tudo babando em você. (Edmont)
Como você ficou sabendo dessa reunião? (Angely)
Dara me contou. (Edmont)
Casa de Denise.
Bom, espero que não se importem de eu ter trazido uma amiga... (Helene)
Pra fazermos esse tal feitiço, quando mais garotas melhor. Tem nome? (Denise)
Agnes. Feitiço de que? (Agnes)
Sabe, tem um garoto que conhecemos e achamos que ele precisa de uma ajudinha pra sair da toca... (Agatha)
15:00. Mel, Kat e Derik estão no sótão.
Isso aqui diz que alguém é a reencarnação de Astride, uma história de amor mono, e prometeu reencontrar, não se deitando com mais ninguém. Diz também que cumpriria sua promessa sem perceber nessa encarnação. (Mel)
Bom, você disse que Djanira leu isso, certo? (Derik)
Sim. (Mel)
Então Djanira deve ser a reencarnação de Astride. (Kat)
Não faz sentido tentar matar Agnes por causa disso. (Mel)
Claro que faz: primeiro Agnes, depois Jay. (Derik)
Isso pode até ser, diz que Astride matou a família também. (Mel)
E onde estão Angely e Edmont? (Kat)
Edmont carregou Angely daqui. (Mel)
Pra onde? (Kat)
Não faço ideia. (Mel)
Edmont e Dara estão no jardim.
Quero ver se o Bryan chega aí. (Dara)
Não chamou, chamou? (Edmont)
Não, ele teve que ficar ajudando o pai em casa. (Dara)
E Denise aproveita pra enfeitar um pouco mais a testa. Não entendo porque fingem ainda. Podiam só declarar que é uma festa que sai todo mundo com todo mundo e pronto. (Edmont)
Acha mesmo que ele ficou ajudando o pai em casa? (Dara)
Dara balança a cabeça para os lados, rindo.
Trocando de assunto, mas nem tanto, acho que seu irmão vai querer te matar. (Dara)
Só por que deixei na sala lá dentro? (Edmont)
Sabe que ele é tímido. (Dara)
Eu não tinha escolha, agora tenho compromisso. (Edmont)
Quarto de Denise.
Nem vai mais precisar de feitiço, eu tenho algo bem mais garanti... Achei! (Denise)
Denise pega um potinho.
Fala baixo, ele pode estar aí na porta. (Helene)
Agora ele não escapa. (Annie)
Não foi pra isso que viemos aqui... (Agnes)
E daí? (Agatha)
Gente, não é sacanagem demais, não? (Agnes)
Ele precisa se soltar. (Annie)
Estamos só dando um empurrãozinho... E também é injusto ele ficar nos tratando assim, parece até assexuado! (Helene)
Ele? De jeito nenhum! Andei lendo o diário da Meg... (Agatha)
Não pode sair lendo o diário de uma pessoa morta! (Denise)
Ela não vai ligar... E, também, se tudo que ela escreveu for verdade, seria um grande erro deixarmos Angely virar monge. (Agatha)
Vamos dar isso a ele e ver quem ele escolhe? (Agnes)
Descem a escada. Agnes, Helene e Annie distraem Angely na sala. Agatha e Denise vão até a cozinha e pegam uma garrafa de vinho.
Coloca tudo na garrafa. (Agatha)
Mas é metade do vidro pra dois litros, aqui tem um e meio! (Denise)
Não importa! Coloca! (Agatha)
Pega o vidro e despeja dentro da garrafa.
Conheço ele desde sempre, nem sabe o quanto ele é tímido. Tem certeza que seus pais não voltam hoje, nem amanhã de manhã, né? (Agatha)
Tenho... (Denise)
Na sala, Angely está no sofá, com um copo vazio na mão.
Tem certteza que não tchie conhesço? (Angely)
Agnes abre a boca.
Agora, vamos ver quanto cada um consegue beber de uma vez. (Agatha)
Pra que? (Angely)
Estamos brincando de testar fôlego. Lembra? Você conseguia por mais tempo que o Edmont até! Você primeiro. Se precisar a gente reenche a garrafa. (Agatha)
Angely vai até Agatha, cambaleando. Agatha entrega a garrafa. Angely quase derruba, mas vira a garrafa na boca. Bebe. Bebe. Bebe. Acaba.
Preciso de uma garrafa maior pra brincar disso. (Angely)
Ele vai se lembrar dessa noite pro resto da vida. (Annie)
Tinha o que exatamente lá dentro? (Agnes)
3h. Mel, Derik e Kat ainda estão no sótão.
A maioria é característica física. Isso não ajuda. (Derik)
Teríamos que conversar com Djanira e Agnes. (Kat)
Talvez se pedíssemos ajuda pra... (Mel)
Mel boceja.
Travesseiros. Acho que você tá precisando dormir. (Kat)
Claro, olha a hora... (Derik)
Ainda não foram dormir? (Edmont)
Que bom que não boceja está caindo de bebedeira. (Mel)
Eu não. (Edmont)
Peraí, Mel disse que você tinha saído com Angely... (Kat)
Ficou na casa de Denise. (Edmont)
Nossa. Denise? (Derik)
Na verdade, tem cinco lá. (Edmont)
Que vão fazer com Angely?! (Kat)
Uma coisa que você ainda não fez. (Edmont)
Angely não faria nada boceja em sã consciência... (Mel)
Em sã consciência não, mas depois de algum álcool... (Edmont)
Bom, se Angely não está aqui, boceja você vai ter que ajudar. (Mel)
Que pretendem fazer a essa hora? (Edmont)
Temos que descobrir se é boceja Agnes ou Djanira a pessoa boceja descrita aqui. (Mel)
Tem é que dormir. (Edmont)
Eu não estou boceja com sono. (Mel)
Edmont pega Mel pela mão. Saem do escritório.
10:00. Angely chega na cozinha.
E aí? (Edmont)
"E aí"?! Por que me deixou lá?! (Angely)
Eu tenho alguém agora, mono, lembra? Não podia ficar lá no meio com você. E aí? (Edmont)
Angely encosta na parede e olha para o chão.
Eu acordei na cama de Denise. (Angely)
Dormiu com alguém? (Edmont)
Quando eu acordei vi Helene de um lado, Annie e Denise de outro, Agatha numa poltrona e uma pessoa que nem sei o nome estava junto... (Angely)
Ok, me confundiu o balanço disso. (Edmont)
Angely senta-se a mesa. Pousa os braços na mesa.
Cinco. (Angely)
Angely derruba a cabeça na mesa.
Tá falando sério? (Edmont)
Eu não sei o que houve... Tava tudo meio misturado, eu tava lá, eu não tava. (Angely)
Que bizarro, eu tive um sonho meio esquisito com isso ontem. (Edmont)
Edmont se senta.
Foi ruim? (Edmont)
Não parece, mas... (Angely)
Então. Não precisa reclamar. (Edmont)
Angely levanta a cabeça. Olha pra Edmont. Levanta da mesa. Vai até a pia. Pega um copo d'água. Vira inteiro. Enche novamente. Começa a beber.
O único risco é aparecer alguma gravidez. (Edmont)
Angely engasga.
Calma, é só uma hipótese. (Edmont)
Toca o telefone. Edmont atende.
Dara? Oi, amor... (Edmont)
Angely tá aí? (Dara)
Tá aqui, sim. (Edmont)
Ah, não?... Que pena. (Dara)
Algum problema, Handhara? (Edmont)
Denise tava querendo falar com ele. (Dara)
Dá esse telefone aqui... Alô? (Denise)
Denise? Angely ainda não voltou. (Edmont)
Tá, ‘brigado. (Denise)
Denise desliga.
Acho que gostaram. (Edmont)
Cara, acho que, depois de ontem, não vou nem ter coragem de olhar pra cara de ninguém... (Angely)
Isso sim não vão gostar. (Edmont)
Onde esteve? (Mel)
Descobriram alguma coisa? (Angely)
É mesmo, ontem eu não encontrei as anotações de vocês. (Edmont)
Bom, diz que teve uma história aí que alguém prometeu não dormir com mais ninguém. (Mel)
Agnes ou Djanira? (Edmont)
As características físicas não ajudam e as psicológicas nós não sabemos. (Mel)
Sabia que conhecia de algum lugar... (Angely)
Angely vira e bate a cabeça na parede.
Quem? (Mel)
Vira de volta para Mel. Olha para Edmont.
É melhor você contar. (Edmont)
Contar o que?? (Mel)
Toca o telefone. Edmont atende.
Alô? ### Não, não tá. ### Tá, eu falo. ### Tchau. (Edmont)
Edmont desliga.
Era... (Edmont)
Toca o telefone de novo. Edmont atende.
Não. ### Eu digo. ### Tchau. (Edmont)
Quem era? (Mel)
Helene. Depois Annie. (Edmont)
Mas a troco de que queriam falar com Angely a essa hora da manhã? (Mel)
Não devia ser comigo, devia ser com Edmont. (Angely)
Tá escrito trouxa na minha testa? (Mel)
Toca de novo o telefone. Edmont coloca a mão, Mel pega da mão de Edmont.
Alô? ### Agatha... ### Com Angely? ### Por que ligou a essa hora? ### Não, não fiquei sabendo... (Mel)
Angely pega o telefone da mão de Mel e desliga.
Peraí, você disse que não lembra quem era... Agora diz que lembrou de onde conhecia... Era Djanira? (Edmont)
Agnes. (Angely)
Que que ceis tão escondendo? (Mel)
É irrelevante. Acredite, sem importância nenhuma. (Angely)
Toca o telefone de novo.
Atende, Angely. (Mel)
Angely pega o telefone.
Alô? ### Sou eu. ### Oi, Agnes... (Angely)
Peraí, Agnes não tinha nosso telefone, tinha? (Edmont)
Não, eu cheguei agora aqui... ### Essa noite?... ### Não sei. (Angely)
A gente precisa diferenciar Agnes de Djanira! (Mel)
Angely, aceita! (Edmont)
É que eu tenho umas coisas pra fazer... (Angely)
Quer ou não ajudar??? (Edmont)
Tudo bem... ### Que horas?... ### Tá, eu passo aí. ### Tchau. (Angely)
Angely desliga o telefone.
Agora você. (Mel)
Eu o que? (Edmont)
Vai ter que ir atrás de Djanira. (Mel)
Peraí, eu namoro! (Edmont)
É pra conversar, não pra trepar. E vocês são a melhor chance de perceber algo. Parecem em algumas coisas, apesar de tudo. (Mel)
Tá, porra. Mas, pra registro, prefiro quando tenho que acertar alguém. (Edmont)
Casa de Agnes e Djanira.
Meu pai saiu. (Agnes)
E Djanira? (Angely)
Tá no jardim. Entra. (Agnes)
Angely entra. Agnes fecha a porta. Senta no sofá. Angely senta ao lado.
É engraçado pensar que te atropelei e no dia seguinte... (Angely)
Me parece mais tímido que ontem. (Agnes)
Eu não costumo fazer esse tipo de coisa. Eu não sei, não é como se tivesse sido eu. (Angely)
É, me contaram que você só tinha transado com uma garota. (Agnes)
Angely baixa a cabeça.
Desculpa, não devia ter tocado nesse assunto. (Agnes)
Angely levanta a cabeça.
Não, eu já superei isso. (Angely)
Eu queria te contar algo, mas não sei se devo. (Agnes)
É sobre ontem? (Angely)
É que as garotas... (Agnes)
Tinha o que no vinho? (Angely)
Não era só vinho. Tinha um troço pra desinibir... Afrodisíaco também. (Agnes)
Cara, eu sabia que tinha algo errado. (Angely)
Não tá bravo comigo, tá? (Agnes)
Não. Eu é que não devia confiar nessas pessoas. (Angely)
Quero que saiba que eu não queria fazer isso... (Agnes)
Não, tudo bem. (Angely)
Agnes olha nos olhos de Angely.
Desculpa, eu tinha que ter me controlado... (Angely)
Agnes beija Angely. Senta-se no colo de Angely. Continua beijando. Angely para e afasta Agnes. Agnes sai, se senta no sofá e baixa a cabeça. Levanta e sai correndo. Angely segue. Agnes se deita na cama, virada de costas pra porta.
Eu não tenho graça, não é? (Agnes)
Não é isso. (Angely)
Se você tivesse gostado não tinha me rejeitado. (Agnes)
Por que pensa assim? (Angely)
Meu último namorado terminou comigo por isso. (Agnes)
Não fica assim. (Angely)
Angely se senta na beira da cama.
É que eu não costumo fazer isso, sabe? Não sou assim. Não sou eu. (Angely)
Isso é o pior. Pude ficar brava com meu ex por que ele me humilhou, disse isso pra todo mundo. Mas você... (Agnes)
Olha, não fica assim. Tava falando qualquer coisa. (Angely)
Então não sou sem graça? (Agnes)
Você tem que ir atrás de quem te dá valor. (Angely)
Desculpa, você deve estar achando que sou uma... (Agnes)
Seu corpo é seu para fazer o que você quiser. Mas eu não sei fazer as coisas assim. (Angely)
Agnes abraça Angely. Se afasta.
Por que bebeu tanto ontem? (Agnes)
Dizem que a bebida ajuda a esquecer. Funcionou. Esqueci quem era. (Angely)
Djanira está nadando. Edmont se aproxima.
Ei, você... Poderia me ajudar? (Edmont)
Que tá fazendo aqui?! (Djanira)
Minha moto quebrou. (Edmont)
Tá no jardim da minha casa! (Djanira)
Não vi portões. (Edmont)
Cara de pau! (Djanira)
Eu só queria uma ajuda. (Edmont)
Espera aqui que eu já volto. (Djanira)
Djanira sai da piscina. Entra em casa. Vai até o quarto. Coloca uma calça e uma camiseta. Pega uma caixa debaixo da cama. Volta para o jardim. Se aproxima de Edmont, que está com a moto. Agacha. Olha.
Tem alguém que entenda de motos e tenha raiva de você? (Djanira)
Não, por que? (Edmont)
Isso aqui foi feito de propósito. (Djanira)
Isso o que? (Edmont)
Djanira aponta um fio.
Isso aqui. (Djanira)
Levanta.
Por isso não queria ligar... (Edmont)
Deveria aprender a mentir. (Djanira)
Ah? (Edmont)
Entende de motos e foi você quem fez isso. (Djanira)
Por que acha isso? (Edmont)
Todos os da banda estão nisso também? (Djanira)
Edmont dá um sorriso.
Pelo menos escolheram montar uma banda. Se você fosse virar ator, morria de fome. (Djanira)
Finjo tão mal assim? (Edmont)
Não, eu tô sendo boazinha. Veio aqui saber do pergaminho? (Djanira)
Vim saber quem é você. (Edmont)
Suponho que seu irmão foi atrás da minha irmã. (Djanira)
Atropelou antes, então... (Edmont)
E algo mais. (Djanira)
Podemos conversar? (Edmont)
Vai querer me entrevistar agora? Isso vai ser engraçado. (Djanira)
Agnes sabe dessa história toda? (Edmont)
Não contei. Iria fugir. (Djanira)
Por que tem tanta certeza que é Agnes? (Edmont)
Se acham que eu sou a garota do pergaminho, estão perdendo tempo. (Djanira)
Tenho todo o tempo do mundo. (Edmont)
Mel está no computador. Para um segundo o teclado. Abre uma gaveta e vê o CD. Pega e fica olhando. Joga o CD na gaveta e fecha de uma vez.
Nós viemos ver se podemos ajudar em algo. (Kat)
Correção: ela me arrastou pra ver se podemos ajudar. (Derik)
Kat encara Derik.
Mas diz que eu tô errado! Estou ficando com ciúmes da agência, dá mais atenção pra isso que pra mim! (Derik)
Eu tô bolando algo pra descobrir quem é realmente Astride, com base nas características citadas no pergaminho. (Mel)
E nós não podemos ajudar. (Derik)
Na verdade, podem sim. Eu fiz uma tradução do escrito. (Mel)
Viu? (Kat)
Tá, já que já viemos até aqui. (Derik)
Derik e Kat se sentam.
4:00. MEAK.
Terminamos. (Kat)
Terminaram o que? (Angely)
Bom, nós bolamos algumas perguntas, tipo teste de vestibular. (Mel)
Tó, vai respondendo já. (Derik)
Derik entrega algumas folhas para Angely.
Tudo isso? (Angely)
E Edmont? (Mel)
Não sei. Me seguiu até lá, mas depois que entrei, não vi mais. (Angely)
Só responde o que tiver certeza. (Kat)
9:00. Edmont chega em casa.
Por onde andou? (Mel)
Tava com Djanira. (Edmont)
Todo esse tempo? (Mel)
É, nem notei que o tempo tava passando. É legal, apesar de se esquivar um pouco. (Edmont)
Eu, Kat e Derik fizemos um questionário, pra vocês responderem e depois compararmos com o pergaminho. (Mel)
E esse cansaço? (Edmont)
Eu tô legal. (Mel)
Vai dormir um pouco. Tá precisando. (Edmont)
Mel ri.
Que é? Não é por que tenho menos idade que não posso cuidar de você. (Edmont)
Eu já tô indo dormir. Agora é com vocês, não posso fazer mais nada. (Mel)
Por enquanto. E Kat e Derik? (Edmont)
Foram estudar. (Mel)
Eu sou a única pessoa responsável por aqui. (Edmont)
Ah? (Mel)
É. Aliás, eu e Derik. Vocês três são mais que isso. Nem tanto Kat, mais você e Angely. (Edmont)
Que tá querendo dizer? (Mel)
Que, se eu fosse fazer um gráfico, começaria com o exagero de Angely, depois você, Kat, Derik e eu. Vão acabar com a saúde assim. (Edmont)
Eu queria falar com você sobre a banda. (Mel)
Vai ficar querendo. Agora eu e você vamos fazer algo que quase não fazemos: você vai dormir e eu vou trabalhar. Amanhã falamos sobre isso. (Edmont)
Sobem a escada. Mel entra no quarto. Edmont vai pro escritório. Angely sentou-se, está olhando pro nada.
Pensando na vida? (Edmont)
Angely olha para Edmont. Volta a olhar para o papel.
Mais ou menos. (Angely)
Quantas perguntas fizeram? (Edmont)
Não sei, não terminei ainda. (Angely)
Quanto tempo faz que está aqui? (Edmont)
Estou desde as quatro e meia. (Angely)
Vê um livro sobre a mesa.
Sacanagem, acharam mais coisa. (Edmont)
Bem que eu vi que o texto tava pequeno pra tanta pergunta. (Angely)
10h. O telefone toca.
Alô? ### Eu mesmo. ### Oi, Helene. ### Não dá, tenho coisa pra fazer. ### Talvez. ### Tá, tchau. (Angely)
Ê, Angely... (Edmont)
Eu preciso dormir. Não quero falar com ninguém agora. (Angely)
Angely sai. Vai até a cozinha. Toca o telefone. Angely atende.
Annie? ### Hoje não. ### Eu tenho algumas coisas pra fazer aqui. ### Tá, tudo bem. ### Tchau. (Angely)
Angely desliga. Vai até a geladeira. Toca de novo. Volta para a sala. Atende.
Agatha... ### Não, eu tenho algumas coisas pra fazer aqui. ### O que? ### Eu tô organizando uma coisa aqui. ### Namora agora, esqueceu? Viu ontem. ### Sei... ### Tá, tchau. (Angely)
Desliga.
Agora só falta Denise. (Angely)
Volta a cozinha. Abre a geladeira. Olha. Fecha. Se senta à mesa e olha pras paredes. Boceja. Vai até a escada. Campainha. Baixa a cabeça.
Já vou! (Angely)
Vai até a porta. Abre.
Denise? (Angely)
Se eu ligasse você ia estar ocupado. (Denise)
Pensei que estaria com Bryan. (Angely)
Nós terminamos. (Denise)
Bom, já estava na hora. (Angely)
Por você. (Denise)
Que??? (Angely)
Denise se aproxima de Angely.
Não podia continuar com ele. (Denise)
Por que me embebedaram? (Angely)
Queríamos ver do que era capaz. (Denise)
Eu não gosto desse tipo de coisa. (Angely)
Não pareceu ontem. (Denise)
Denise coloca a mão na camisa de Angely e tenta desabotoar. Angely segura as mãos de Denise.
Não posso fazer isso. (Angely)
Fez ontem. (Denise)
Eu tinha bebido. (Angely)
Você deve ter algo aí, vinho talvez? (Denise)
Eu não quero. (Angely)
Qual o problema? (Denise)
Angely baixa a cabeça. Solta as mãos de Denise. Denise balança a cabeça para os lados. Sai.
Faltam três pra eu me explicar. (Angely)
Meia-noite. Edmont joga as folhas na mesa. Olha para as folhas. Cruza os braços sobre a mesa e apoia a cabeça. Cidade.
Você é mesmo uma garota linda. (Zenon)
Continua me chamando como se tivesse o dobro da minha idade. (Silvia)
Só o dobro? (Zenon)
Silvia estranha.
Ainda não me disse quantos anos tem. (Silvia)
Zenon encosta Silvia na parede e mostra seus dentes, com os caninos maiores.
Muito mais do que imagina. (Zenon)
9h. Annie atende a campainha.
Angely... (Annie)
Só vim dizer que foi um engano o que aconteceu. (Angely)
Angely olha para o sofá. Há uma pessoa.
Engano?! Tudo aquilo era engano?! Bom, pode se enganar toda noite aqui em casa... (Annie)
Não gosto desse tipo de coisa. (Angely)
Peraí, não tá querendo me dizer que você não gosta de mulher?! (Annie)
Não é sobre isso... (Angely)
Então explica, que eu não tô entendendo mais nada! (Annie)
Você sabe que eu não ajo assim, sabe que eu não sou assim. (Angely)
Tá se explicando por que? Alguém reclamou? (Annie)
Isso não vai se repetir. Eu não... (Angely)
Tudo bem, tchau. (Annie)
Annie bate a porta.
10h. Edmont está na cozinha.
Agatha ligou de novo. (Edmont)
Falta Agatha e Helene. (Angely)
Desculpe, "falta"? (Edmont)
Já falei com Agnes, Denise e Annie. (Angely)
Gente, eu tava lendo o que vocês responderam... (Mel)
Mel, você tá exagerando. (Edmont)
Por que? (Mel)
Nunca tinha te visto andando de toalha na cabeça, roupão e pantufa. (Edmont)
Lembrou de comer? (Angely)
Ei, eu tenho mais idade por aqui, cinco anos a mais que vocês. (Mel)
Pelo menos ainda não tá andando com a toalha nos pés, o roupão na cabeça e as pantufas no corpo. Cadê a tradução do pergaminho? (Edmont)
Lá em cima, já vou buscar. (Mel)
Não, você vai no seu quarto, se vestir, depois vai comer alguma coisa. (Edmont)
Mas... (Mel)
Está se entregando demais a isso. (Edmont)
Tudo bem, crianças, mas vê se vão fazendo alguma coisa enquanto... (Mel)
Deixa isso aqui e vai lá. (Edmont)
Mel deixa as folhas em cima da mesa e sai. Angely vai até o escritório. Pega alguns papéis. Desce. Edmont está no sofá na sala. A campainha toca.
Quem será? (Edmont)
Espero que nem Agatha, nem Helene. (Angely)
Edmont levanta e abre a porta. Kat.
Você não vai acreditar... (Kat)
Você tá parecendo papel... (Edmont)
Vão até a cozinha. Edmont pega a garrafa de água. Kat pega a garrafa da mão de Edmont. Vira. Edmont olha para Angely. Kat devolve a garrafa vazia.
Tudo bem, agora pode contar o que aconteceu? (Angely)
Eu vi sonhei com a pessoa, vampir. (Kat)
Ah? (Edmont)
Que diz aí, amante de Astrite! (Kat)
Astride. (Angely)
Que seja! (Kat)
Então é vampir? (Edmont)
Num sonho. (Kat)
Pode descrever? (Angely)
Tinha cabelos pretos, olhos verdes, pouco menos de dois metros, veio da espanha vinte e cinco anos e meio de humanidade cento e noventa e sete de vampir... (Kat)
Angely se aproxima de Edmont.
Como pode saber tudo isso? (Angely)
Não faço a mínima! (Edmont)
Eu só sei, tá legal?! (Kat)
Conseguiria dizer tudo isso se visse pessoalmente? (Angely)
Não. (Kat)
Mais alguma coisa? (Edmont)
Tava usando roupa comum e não tinha ninguém junto... Aliás, até tinha... (Kat)
Como assim? (Edmont)
Matou. (Kat)
Por isso todo o desespero. (Angely)
Toca a campainha. Angely vai até a sala. Abre a porta.
Entra aí. (Angely)
Derik vai até a cozinha.
Têm alguma coisa pra eu fazer? (Derik)
Vai até a cidade e procura saber de Silvia Pereira. (Kat)
Ah?! (Angely)
É a pessoa que eu vi! (Kat)
Como sabe que é? (Edmont)
Que garota?! (Derik)
Já disse que não sei como isso me vem! Só vem! (Kat)
Kat teve um sonho de vampir que atacou essa pessoa. (Angely)
Então deve estar morta. (Derik)
Eu tô mandando você ir saber notícias! (Kat)
Kat empurra Derik até uma janela. Derik vira pássaro. Pega a roupa e voa.
E não volta enquanto não souber o que puder! (Kat)
Acho que você tá com um pouco de tensão. (Edmont)
Eu??? Tô com muito calma! Um montão de calma! Não poderia estar com mais calma! (Kat)
Kat se senta.
Não tenho dúvidas dessa última afirmação. (Edmont)
Angely vai para um canto. Olha para Edmont. Edmont se aproxima de Angely.
Eu acho que tá ficando muito mal com isso. (Angely)
Já viu vampir matar antes. (Edmont)
Por isso mesmo, foi só Kat que viu isso aqui. (Angely)
Tem razão. Mas não podemos simplesmente arrancar o poder... (Edmont)
Tenho medo que acabe cedendo a isso. Eu já tava agradecendo por não ter tido mais esses sonhos. (Angely)
Delegacia. Derik de aproxima de Roger.
Por favor, houve algum... (Derik)
Não enche, garoto! (Roger)
Deixa ele comigo. (Brad)
Ué, mas você não trabalhava nessa cidade... (Derik)
É, fui transferido. (Brad)
Brad vai para um canto. Derik segue.
Que veio fazer aqui, miniatura de aprendiz de detetive? (Brad)
Não zoa não! Eu vim ver algo sério. (Derik)
Quem te mandou? (Brad)
Ninguém manda em mim! (Derik)
Brad cruza os braços e ri.
Já vi que foi a namorada. (Brad)
Preciso saber sobre uma tal de... Como era o nome... Ah! Silvia Pereira! (Derik)
Brad descruza os braços e fecha o rosto.
Pra que? (Brad)
Não posso dizer. (Derik)
Vem comigo. (Brad)
Brad vai pela delegacia. Derik segue. Passam por uma sala com uma cama no meio. Chegam a uma sala de gavetas. Derik trava na porta. Brad encara. Derik entra. Brad abre uma das gavetas. Derik engole seco.
Vinte e seis anos, saudável, aparentemente sem família, atriz... E agora tá aqui. (Brad)
Tem alguma hipótese do que pode ter sido? (Derik)
Não sabemos ainda. (Brad)
Brad olha para Derik, que olha fixo para o corpo. Fecha a gaveta.
Acho que devia ter vindo um dos outros dois. Você tá bem? (Brad)
Pode me levar onde encontraram o corpo? (Derik)
Kat anda de um lado para o outro. Angely e Edmont estão olhando para Kat.
Gente, desculpa, eu acabei caindo no sono de novo... (Mel)
Mel olha para Kat. Kat ainda anda de um lado a outro.
Que aconteceu? (Mel)
Teve um sonho. Amante de Astride. (Edmont)
Mas não estaria assim só por isso. (Mel)
Kat viu matar uma pessoa. (Angely)
Vou falar com Kat... E vocês, nem fizeram a comparação, né??? (Mel)
Tá, vamos ver, fala lá com Kat, tá dando angústia! (Edmont)
Edmont e Angely levantam. Vão até a mesa. Mel pega Kat pelo braço e faz sentar no sofá. Senta-se ao lado.
Por que você tá assim? (Mel)
Não te falaram? (Kat)
Não é só isso, eu sei. (Mel)
Kat vai se levantar, mas Mel segura pelo braço.
Fala pra mim. (Mel)
Eu tô com medo. (Kat)
Do que? (Mel)
Não foi simplesmente um sonho. Era real. (Kat)
Os outros também eram. (Mel)
Não, você não entende. Eu senti como se estivesse lá. (Kat)
Eu sei que isso deve ser ruim... (Mel)
Você não entendeu. Era como se estivesse no lugar da pessoa. (Kat)
Tá confuso. (Mel)
Quando encostou Silvia na parede, era como se tivesse me encostado. Quando mordeu, senti me morder. Senti minha vida querer ir embora. (Kat)
Você tá se envolvendo muito com isso. (Mel)
Já me disseram que você resolveu virar zumbi. (Kat)
Mel olha para Angely e Edmont. Volta a olhar pra Kat.
Exageraram um pouco. Kat, não era você que estava lá, tá bom? Nós vamos pegar. (Mel)
E se continuar assim? E se eu continuar sentindo como se estivesse lá? (Kat)
Você vai se acostumar. (Mel)
Não, não vou. Acho que é um castigo pela frieza que eu falava disso. Sempre tão indiferente, comparando meus problemas com isso. (Kat)
Mel abraça Kat.
Você não tem idade. Não tinha nem que ver isso. (Mel)
Tarde.
É, foi morta por um vampiro mesmo. Ele não deixou rastro, nenhuma pista. (Derik)
Melhor falarem com Djanira e Astride. A gente termina aqui. (Mel)
Edmont não é exatamente mestre da delicadeza. (Kat)
Mas fui quem falou primeiro, melhor continuar no mesmo contato. (Edmont)
Noite. Angely e Edmont chegam a um bar.
Oi... (Agnes)
Agnes, tem algo que você precisa saber. (Angely)
Você jurou que ela não ia ficar sabendo! (Djanira)
Mas eu não jurei nada. (Edmont)
É assim? (Djanira)
Angely baixa a cabeça. Djanira tira uma arma da bolsa e aponta pra Agnes.
Djanira, solta isso. (Angely)
Pode ser que vocês me culpem agora, mas vão me agradecer depois. (Djanira)
Zenon trava os braços de Djanira por trás. Um tiro, para o alto. Angely pega Agnes pela mão e corre. Edmont olha para Djanira. Djanira joga Zenon no chão. Edmont corre atrás de Angely e Agnes.
MEAK.
Cadê Kat? (Edmont)
Demos calmante. (Mel)
E as duas? (Derik)
Djanira ficou batendo numa pessoa, Agnes correu com Angely, mas saiu correndo pra outro lado. Falamos pra entrar no carro, mas... (Edmont)
Tinham razão sobre dormir direito, a primeira coisa que li já dizia tudo: se guardaria nessa encarnação, mesmo sem saber. (Mel)
Edmont olha para Angely.
Agnes já inclusive teve um namoro antes. (Angely)
Angely sai. Edmont segue.
Angely, não! (Edmont)
Temos que impedir isso! (Angely)
Eu conversei com Djanira, não é de se entregar fácil, não vai cair fácil. Além do que, a tal pessoa provavelmente nem sabe de nada! (Edmont)
Num beco, Zenon está olhando para Djanira.
Entendo que queira matar sua irmã, mas não pode fazer isso no meio de um bar. (Zenon)
Agora eu posso ir embora? (Djanira)
Posso te ajudar com isso, se quiser. (Zenon)
Zenon se aproxima de Djanira. Tenta um beijo, mas Djanira se afasta.
Não sou prostituta. (Djanira)
E quem disse isso? (Zenon)
Você pensou. (Djanira)
Só por que quis te beijar? (Zenon)
Aqui? Não quer só um beijo. (Djanira)
Parece que conhece bem os homens. (Zenon)
É fácil. Nenhum deles presta. (Djanira)
Djanira sai. Zenon se senta no chão.
Não pode ser. É verdade. (Zenon)
Djanira está andando. Uma moto diminui a velocidade ao seu lado.
Que quer? (Djanira)
Sobe aqui. (Angely)
Não pego carona com estranhos. (Djanira)
Não quero fazer nada com você. (Angely)
É, eu ouvi minha irmã falando. Parece bastante com nada. (Djanira)
Estamos procurando você e Agnes pela cidade. Agora te encontrei... (Angely)
Descobriram que estou certa? (Djanira)
Não está. (Angely)
Diz isso pra eu não matar ela assim que encontrar. (Djanira)
Estou falando sério. Leu mesmo o pergaminho? (Angely)
Não entendi inteiro. Mas vocês não sabem nada. Nem dela, nem de mim. (Djanira)
Por favor, não faz isso. (Angely)
Outra parte da cidade.
Djanira... Djanira... (Agnes)
Procurando alguém? (Zenon)
Foi o senhor... (Agnes)
Zenon olha em volta.
Senhor? Onde? (Zenon)
Foi você quem segurou Djanira no bar. (Agnes)
Então esse é o nome dela. (Zenon)
Sabe onde ela foi? (Agnes)
Com tanta raiva que ela estava, se eu fosse você, não procurava. (Zenon)
Até esqueci de te agradecer. (Agnes)
Zenon se aproxima de Agnes.
Por que? (Zenon)
Salvou minha vida. (Agnes)
Zenon mexe no cabelo de Agnes.
Ela não ia atirar. (Zenon)
Eu não sei. Sempre achei que todo mundo tava errado, mas agora... (Agnes)
Zenon passa a mão em volta a cintura de Agnes e aproxima de si.
Se ela realmente quisesse você morta, já estaria. (Zenon)
Que tá fazendo? (Agnes)
Você é bem diferente dela. (Zenon)
Senhor... (Agnes)
Ela é mais forte. (Zenon)
Zenon aproxima o nariz do pescoço dela. Cheira. Beija. Agnes estremece.
Me solta, por favor. Preciso achar minha irmã. (Agnes)
Zenon mostra seus dentes.
Não. (Zenon)
MEAK. Kat está com cobertor. Aperta o cobertor. Derik levanta.
Que ela tem? (Derik)
Mel olha para Kat.
Deve estar tendo algum sonho. (Mel)
Que espécie de sonho? (Derik)
Droga, tá acontecendo de novo! (Mel)
Mel abaixa perto do sofá.
Me solta! Socorro! (Kat)
Mel chacoalha Katerine.
Acorda! (Mel)
Que isso??? (Derik)
Não tá mais sonhando só como se estivesse só vendo! (Mel)
Kat, acorda! (Derik)
Kat arranha o sofá. Mel chacoalha Kat.
Socorro... (Kat)
Na cidade, Zenon solta o corpo de Agnes. Na casa, Kat acorda. Derik abraça Kat.
Morreu... Morreu... (Kat)
Calma, Kat... Calma, meu amor. (Derik)
Cidade. Edmont para a moto ao lado de outra. Angely vem em sua direção, com o capacete na mão. Djanira vem atrás.
Onde está Agnes? (Edmont)
Toca o celular. Edmont atende.
Mel? ### Não pode ser... (Edmont)
Que é? (Angely)
Djanira balança a cabeça para os lados. Sai. MEAK.
Cadê o calmante??? (Kat)
Já tomou dois comprimidos, vai fazer efeito daqui a... Ah, não, Kat, não vou deixar você dormir de novo! (Derik)
Eu preciso! (Kat)
Mel já foi atrás deles, não pode fazer mais nada! (Derik)
Me dá! (Kat)
Derik ajoelha na frente de Kat.
Não vai adiantar querer ficar sofrendo por elas! Eu quero você aqui! Eu preciso que você continue comigo! (Derik)
Kat olha para Derik. Senta no sofá. Derik senta ao lado. Kat abraça Derik.
Djanira está caminhando. Trava.
Você de novo. (Djanira)
Sabe, você me lembra alguém. (Zenon)
Impossível, nunca te vi na minha vida. (Djanira)
Talvez não nessa. (Zenon)
Essa é a cantada mais usada e mais imbecil que já ouvi. (Djanira)
Não é cantada. Se eu quiser você, não preciso disso. (Zenon)
Vai fazer o que? Me agarrar a força? (Djanira)
Poderia. Mas não quero. (Zenon)
E o que vai fazer, Don Juan? (Djanira)
Se afasta da menina! (Paulo)
Que isso? (Djanira)
Qual o problema, caçador? Tem medo de acertar ela? (Zenon)
Djanira trava a boca. Olha para Paulo. Paulo está apontando uma besta para Zenon.
Vamos, atire. Ela não vai ficar chocada, agora a pouco ia matar a irmã num bar... Qual o problema? Ainda não aprendeu a usar esse brinquedo? (Zenon)
Djanira dá um chute, desarmando Paulo. Paulo levanta e olha ao redor.
Que deu em você??? (Paulo)
Eu não sei. (Djanira)
Paulo pega a arma do chão. Djanira sai andando.
Edmont chega correndo na direção de Angely. Balança a cabeça para os lados.
Uma morte e um desaparecimento... Belo serviço. (Angely)
Não falou que era Djanira, falou? (Edmont)
Falei, tinha que dizer. (Angely)
Edmont senta no chão.
Djanira vai se matar. (Edmont)
Que? (Angely)
Ia matar a irmã pra impedir isso, vai se matar. (Edmont)
Não posso deixar isso acontecer! (Angely)
Cadê Djanira? (Mel)
Saiu sem que percebêssemos. (Edmont)
Droga! (Mel)
Alguém morreu pelo que eu não disse, não vou deixar agora morrer pelo que falei demais. (Angely)
Uma igreja.
Tanto tempo tentando evitar isso... Se eu tivesse pensado que poderia ser eu... Como eu ia imaginar... Me ajuda! Por favor! Me tira daqui, salva o que resta da minha alma... Não deixa eu voltar a encontrar ele! (Djanira)
Djanira sai da igreja. Zenon se levanta do banco na frente. Começa a chover.
Minha Astride! (Zenon)
Djanira olha para Zenon.
Sabe que é. Minha... Só minha! (Zenon)
Djanira balança a cabeça para os lados.
Deus não vai deixar! (Djanira)
Por que diz isso se eu te amo?! (Zenon)
Isso não é amor! Não chama isso de amor! (Djanira)
Você me pertence! (Zenon)
Não posso ser eu. (Djanira)
É sim... Não vê que usou aquele pergaminho como desculpa pra matar sua irmã?! Vem comigo... (Zenon)
Eu não posso... (Djanira)
Por favor! Eu te amo! (Zenon)
Antes eu morra! (Djanira)
Um raio. Zenon voa longe. Angely, Edmont e Mel chegam correndo. Edmont pega Djanira no colo. Zenon olha de longe. Coloca a mão na cabeça, aperta os olhos, dá dois passos para trás. Olha para Djanira novamente. Abre mais os olhos, balança a cabeça para os lados. Dá mais passos para trás. Corre em outra direção.
Ainda vive. (Edmont)
Obrigado, meu Deus... (Djanira)
Djanira fecha os olhos. Mel coloca os dedos no pescoço. Balança a cabeça para os lados. Angely dá um passo atrás. Olha para o céu. Mel olha em volta.
Dias depois. Mel, Angely e Edmont estão em um cemitério. Olham de longe uma cerimônia. Dois caixões.
Deveríamos fechar a agência também. (Angely)
Já ajudamos pessoas. (Mel)
Achei que isso tivesse acabado. Beatrice, Rith, Halen, Júlio, Meg, Agnes, Djanira... Quantas vidas mais vamos perder? (Angely)
Não podemos vencer sempre. (Edmont)
Algum tempo, algum lugar
A gente conseguiu salvar alguém de verdade? Por que parece que... (Xien)
Vocês tinham pouco treino. E Djanira queria morrer. (Uehfo)
E quanto a Agnes? (Xien)
Sempre se perde alguém. (Uehfo)
E como ninguém lembrou da porra da primeira frase e percebeu logo?! Angely... Ou eu... Ou sei lá... (Xien)
Bom, perfeição não existe. (Uehfo)
A gente nem sequer pegou a pessoa! (Xien)
Isso pode ser que seja uma coisa boa depois. (Uehfo)
O que, vai se arrepender e começar a ajudar a gente? (Xien)
Uehfo levanta os braços, com as palmas das mãos viradas pra cima. Some.
Ei! Eu acertei alguma coisa! Acertei, tenho certeza que acertei dessa vez!!! (Xien)
Franze a testa.
Que?! Não, pera... (Xien)

Resumo do Capítulo

Mel esconde um CD de Angely. Conversam e Mel fala em acabar com a banda, porque Edmont já não está mais junto de verdade. No dia seguinte, os quatro vão para uma entrevista coletiva e Edmont sai no meio. Vai até a casa de Dara, entra no quarto e beija Dara. Angely, pela preocupação, dirigindo para casa, se distrai e acaba atropelando Agnes. Vê Djanira, irmã de Agnes, sorrir e ir embora. Angely leva Agnes até o hospital, onde Psique (médica) diz que já falou a Jay, pai das duas, para levar Djanira ao psicólogo. Angely e Mel vão até a casa de Jay. Jay fala que Djanira tenta matar Agnes desde que são crianças. E diz que pagaria para alguém traduzir certo pergaminho, que está na família há anos. Djanira pega o pergaminho sem que vejam e entrega a Angely, dizendo que Agnes não pode ler e que Angely entenderá tudo depois que ler. Mel pega o pergaminho para decifrar e Edmont leva Angely a casa de Denise e Dara, e conta que está namorando com Dara. Denise, Annie, Helene, Agatha e Agnes embebedam Angely. Mel descobre que o pergaminho é sobre um caso de paixão e alguém se guardaria até hoje. Derik e Kat tentam ajudar Mel a descobrir se é Djanira ou Agnes. Angely volta para casa no dia seguinte. Dormira com Denise, Annie, Helene, Agatha e Agnes, que tentam ligar para ele. Por último, Agnes liga, e Mel e Edmont fazem Angely concordar em encontrar Agnes. Edmont segue Angely, para conversar com Djanira. Mel, Derik e Kat criam um questionário para tentar identificar quem é a pessoa do pergaminho. Edmont e Angely respondem ao questionário. Kat sonha com Zenon, vampiro. Vê matando uma mulher. Derik vai verificar e Brad o leva ao necrotério. Derik pede para ver o lugar onde foi morta. Kat diz a Mel que agora se vê no lugar da vítima nos sonhos. Angely e Edmont vão atrás de Djanira e Agnes. Encontram em um bar, tentam falar com Agnes, mas Djanira tenta matar Agnes. Zenon impede. Angely e Edmont tentam levar Agnes, mas Agnes foge. Angely encontra Djanira e tenta conversar. Zenon encontra e mata Agnes. Kat vê isso em sonho. Zenon tenta convencer Djanira, mas Djanira não quer ir com ele. Um raio cai sobre Djanira, jogando Zenon longe. Zenon levanta. Se sente zonzo e depois vai embora. Edmont pega Djanira no colo e Djanira morre em seus braços. Dias depois, estão no enterro. Angely desanima, lembra de quem morreu. Edmont diz que não é possível salvar todo mundo.

Dara Keon