Reviravolta
MEAK
A13

Reviravolta ler resumo

Manhã. Kat está no escritório. Abre uma gaveta. Pega um CD. Derik chega. Kat se assusta, se vira e prensa o CD ao tentar guardar. O CD se quebra. Kat bufa.
Droga! (Kat)
Desculpa... (Derik)
Não foi culpa sua. (Kat)
Kat pega o CD do chão.
Tem um aparelho pra consertar, eu vi por aqui... (Derik)
Derik vai até uma estante. Pega uma caixa. Abre e tira um aparelho de dentro. Leva até a mesa. Pousa o aparelho. Abre. Kat coloca o CD dentro do aparelho. Derik fecha.
Vai demorar muito? (Kat)
Pelo menos umas oito horas. (Derik)
E fica inteiro? (Kat)
Bem, o CD sim, mas o que tem dentro eu já não garanto. Os arquivos podem ficar meio danificados. O que tinha aí? (Derik)
Não sei. Mel pediu pra eu ler, antes de... (Kat)
Kat baixa a cabeça.
Não fica assim. Mel vai ficar bem. É mais forte que eu e você junto. (Derik)
Eu sei. (Kat)
Kat desce até a sala. Angely está assistindo TV. Uma pessoa fala da frente de um hospital.
Melody Lorrage Kallend, integrante da banda Saturn, continua internada neste hospital, em coma. Uma enfermeira nos disse que um misterioso homem a trouxe aqui, inconsciente e toda machucada, como se alguém a tivesse torturado. Os médicos dizem que não se sabe...
Eu vou sair com Derik, tá? (Kat)
Não tá pedindo permissão, tá? (Angely)
Cadê Edmont? (Kat)
Com Dara. (Angely)
Vamos? (Derik)
Kat dá a mão a Derik. Saem. Angely olha pra TV. Passam fotos de Mel. Angely desliga a TV.
Volta pra casa... (Angely)
Lago.
Eu tava voando outro dia e vi isso aqui. Gostou? (Derik)
É lindo! (Kat)
Kat vai até o lago se senta e coloca os pés na água.
Pena que eu não tô de biquíni! Podia ter me falado pra eu trazer... (Kat)
Derik se senta ao lado de Kat. Se abraçam.
Noite. Kat entra no escritório. Angely está limpando o chão.
Que aconteceu? (Kat)
Alguém usou o aparelho de consertar CDs, tava com defeito... Explodiu. (Angely)
Isso não é bom. (Kat)
Tem metade do CD aqui. (Angely)
E a outra metade? (Kat)
Angely balança a cabeça para os lados. Entrega a metade do CD a Kat.
E agora? Mel vai me matar. (Kat)
Angely abre mais os olhos e endireita o corpo.
Mel acordou? (Angely)
Não. (Kat)
Angely solta os ombros.
Mel vai ficar bem. Me prometeu. (Kat)
Kat joga o resto do CD no lixo. Sai. Angely pega.
Manhã. Escritório. Angely está em uma cadeira. Edmont entra.
Tô precisando de ajuda pra tomar uma decisão. (Angely)
Sobre o que? (Edmont)
Kat está escondendo alguma coisa. E é sobre Mel. (Angely)
E o que poderia ser? (Edmont)
Uma vez eu entrei no escritório e Mel se assustou. Estava com isto aqui na mão. (Angely)
Angely aponta o meio CD na mesa.
Tava inteiro. (Angely)
E que tem isso? (Edmont)
Kat quebrou o CD e foi usar, sem saber, o aparelho quebrado... (Angely)
Edmont ri.
Explodiu? (Edmont)
Dá pra recuperar o que resta aqui, não? (Angely)
Sim. E o que tem aí? (Edmont)
Acho que Mel estava escondendo alguma coisa e falou com Kat. (Angely)
Antes de ir atrás de Andrews? (Edmont)
Depois. Acho que Kat tem falado com Mel através de sonhos. (Angely)
A troco de que tá dizendo isso? (Edmont)
Disse que Mel prometeu que ia ficar legal e que ia voltar. (Angely)
Talvez isso tenha sido antes de sair. (Edmont)
Não creio. Pelo jeito como falou... (Angely)
Kat está em casa. Está escuro.
Até que enfim tava tendo um sonho normal e me acordam... Quem tá aí? (Kat)
Kat acende a luz.
Mel??? (Kat)
E o CD? (Mel)
Quebrou. (Kat)
Usa o recuperador. (Mel)
Tava com defeito e explodiu. (Kat)
Mel solta os ombros e olha para o teto. Suspira.
Que tinha lá? (Kat)
Tem que ser traduzido. (Mel)
Mel senta na cama.
Sobrou alguma coisa do CD? (Mel)
Metade. Mas, com isso, não se faz nada. (Kat)
Como não?! (Mel)
Espera usar metade do CD? (Kat)
Dá pra usar. O que fez? (Mel)
Joguei no lixo... (Kat)
Volta lá e pega! Eu só vou voltar quando fizer o que pedi! (Mel)
Kat acorda. A luz do sol entra pela janela. 8h. Levanta da cama. Anda de um lado a outro.
Derik! Derik! (Kat)
Ele não tá aqui, Kat! (Agatha)
Kat para.
Onde tá então?! (Kat)
Como espera que eu saiba??? (Agatha)
Kat sai do quarto. Agatha segue.
Passou a noite com ele? (Agatha)
NÃO! (Kat)
Calma, só tava perguntando. (Agatha)
Acha que eu sou o que??? (Kat)
Achei que era uma garota. (Agatha)
Kat se vira pra Agatha.
Tá insinuando o que? (Kat)
Nada. (Agatha)
Agatha passa por Kat e sai. Kat volta ao quarto, pega o celular. Clica no nome de Derik. Para.
Melhor não. Talvez... Droga. Preciso de ajuda, pode entrar lá sem que notem. Não, Mel não vai gostar. (Kat)
Kat coloca o celular no bolso. Vai até a MEAK. Entra por fora no escritório. Pega a lixeira. Revira.
Droga... Será que pegaram? (Kat)
Procurando isto? (Edmont)
Kat olha para Edmont. Angely vem junto. Em sua mão, o meio CD. Kat vai até Edmont. Edmont levanta mais alto.
Eu preciso falar com vocês. (Kat)
Sim? (Angely)
Mel disse que se não voltasse imediatamente, era pra ver isso e falar com vocês. (Kat)
E o que tem no CD? (Angely)
Um segredo que Mel guardou. (Kat)
Então fale. (Edmont)
Não posso. (Kat)
Kat se senta.
Primeiro por que não sei o que tem aí. Segundo por que Mel pediu. (Kat)
Não poderia adivinhar que ia ficar em coma. (Edmont)
Falou comigo através dos meus sonhos. (Kat)
Edmont franze a testa. Olha para Angely. Depois olha para Kat.
Devemos considerar que Mel tá... (Edmont)
Não! Prometeu que vai voltar... Prometeu... (Kat)
Kat baixa a cabeça. Levanta-se da cadeira.
Pode me dar isso? (Kat)
Não. (Edmont)
Edmont... (Kat)
Por que você tem que ler e falar com a gente depois? (Edmont)
Não sei, Mel pediu. (Kat)
Pára com isso, Kat. (Edmont)
Vocês não leram, né? (Kat)
Não tem por que não ler, se falou pra falar com a gente depois... (Edmont)
Entrega pra Kat. (Angely)
Quê? (Edmont)
Não implica, pertence a Mel. Vale o que Mel pediu. (Angely)
Edmont encara Angely. Entrega o meio CD pra Kat.
Achei que não houvessem segredos entre as pessoas da agência. (Edmont)
Edmont sai. Angely suspira.
Vou procurar alguém que possa tirar alguma coisa daqui. (Kat)
Eu posso fazer isso. (Angely)
Kat fica olhando para Angely.
Não confia em mim? (Angely)
Não é isso, é que... (Kat)
Ok. Você tem o direito de escolher como resolver isso. Foi pra você que Mel pediu. (Angely)
Casa de Dara.
Que foi? Por que tá com essa cara? (Dara)
Kat. Tá escondendo alguma coisa que Mel tava escondendo antes. (Edmont)
Não fica assim. (Dara)
Dara passa a mão no rosto de Edmont. Denise chega na sala.
Detesto interromper, mas nossos pais estão chegando. (Denise)
Droga. (Dara)
Que foi? (Edmont)
Vai ter que falar com eles. (Dara)
Pra isso que eu digo que o Bryan é meu namorado. (Denise)
Isso tem algum problema? (Edmont)
Vamos sair, assim não dá tempo! (Dara)
Dara pega a mão de Edmont. Se levantam.
Eles telefonaram... (Denise)
Você não disse que... (Dara)
Que você tá aqui com seu namorado? (Denise)
Denise dá um sorriso. Olha para o chão. Dara senta no sofá.
Não pode ser tão ruim assim, pode? (Edmont)
Noite. Edmont chega em casa.
Que cara é essa? (Angely)
Descobri o resto da família de Dara. (Edmont)
Edmont se senta no sofá.
Pela sua cara... (Angely)
Um pé na idéia. (Edmont)
Esse é o preço. (Angely)
Toca o telefone.
Alô? ### Sim... ### Nós já vamos. (Angely)
Angely desliga.
Quem era? (Edmont)
Hospital, Mel está com problemas. (Angely)
Madrugada. Escritório.
Tem certeza que isso vai dar certo? (Derik)
Mel prometeu que ia tentar distrair Angely e Edmont. (Kat)
Olha, eu não tenho certeza se lembro de tudo que tem que fazer... (Derik)
É claro que lembra! Tem que lembrar! (Kat)
Hospital.
Taquicardia. (Psique)
Parece bem. (Edmont)
Melhorou assim que vocês chegaram. (Psique)
Acho melhor um de nós passar a noite aqui. (Edmont)
Eu fico. (Angely)
Só um pode ficar. (Psique)
Edmont vai até a porta. A máquina começa a apitar mais rápido. Edmont franze a testa. Psique se aproxima de Mel. Edmont dá um passo atrás e fecha a porta. A máquina volta ao normal.
Acho melhor eu ficar. (Edmont)
Angely franze a testa. Vai até a porta. Apitos rápidos. Vai para perto da cama. Normal.
Meu Deus... (Psique)
Tudo bem, o que vamos fazer? (Edmont)
Melhor ficarem os dois. (Psique)
Mas você não disse que... (Angely)
Acho que alguma coisa relacionada a vocês. É estranho, parece que sonhei com isso hoje. Vocês ficam. Qualquer coisa, um se esconde. (Psique)
Manhã. Angely acorda. Levanta do sofá.
Cara, que palidez é essa? Mais um pouco e não vão te deixar sair do hospital... Que foi? (Edmont)
Lembra daquele dia que encontrei vampir, que tava com estaca porque você falou? (Angely)
Sonhou que tinha te matado? (Edmont)
Não... (Angely)
Angely apoia a cabeça nas mãos, debruça sobre um armário.
Eu deixei fugir. (Angely)
Edmont levanta bruscamente.
Como assim?! Tentou te matar! (Edmont)
Eu sei. (Angely)
Você ainda não é experiente nisso, foi a primeira vez que ficou frente e frente só com... (Edmont)
Você está a tanto tempo nisso quanto eu. (Angely)
Edmont se senta.
É mesmo... (Edmont)
Já matou alguém? (Angely)
Não é matar, Angely... (Edmont)
Edmont... (Angely)
Já. (Edmont)
Não vacilou. (Angely)
Não somos iguais. (Edmont)
Eu sei. (Angely)
Angely sai. Anda pelo corredor.
Ah, ainda bem que te encontrei... Me perdi, onde é o quarto de Mel? (Dara)
Terceira direita, conta cinco portas. (Angely)
Obrigado... (Dara)
De nada. (Angely)
Angely continua andando.
Angely... (Dara)
Angely pára e se vira.
Sim? (Angely)
Tem alguma coisa errada? (Dara)
Mel tá bem. (Angely)
Tô perguntando de você. (Dara)
Que eu saiba, não. (Angely)
Tem certeza? (Dara)
Sim. (Angely)
Angely continua andando. Dara chega ao quarto.
Por que Angely tava daquele jeito? (Dara)
Que jeito? (Edmont)
A tensão, não percebeu? (Dara)
Não... (Edmont)
E Mel? (Dara)
Não teve mais nenhum problema. (Edmont)
Não têm previsão nenhuma? (Dara)
Vamos fazer mais alguns exames. (Psique)
Pensei que já... (Edmont)
Depois desse ataque que Mel teve, melhor refazer tudo. (Psique)
Agora? (Dara)
Sim, se não se importam. (Psique)
Claro. (Edmont)
Não podemos ficar e... (Dara)
Melhor não. (Psique)
Tarde. MEAK. Edmont e Dara entram na sala. Kat anda de um lado a outro.
Que foi? (Edmont)
Beatrice! Eu vi! (Kat)
Calma, viu onde??? (Edmont)
Eu vi no hospital! (Kat)
Mas você não foi no hospital! (Edmont)
Nos sonhos, Edmont... (Dara)
Ah... (Edmont)
Mas tava no hospital como? (Dara)
Tava entrando no hospital e perguntou onde era o quarto de Mel! Quer transformar Mel! (Kat)
Isso é ruim. (Dara)
Por que acha isso? (Edmont)
Antes de entrar no hospital, dizia algo sobre levar alguém de nós pro seu lado. (Kat)
Edmont também estava no hospital. (Dara)
Edmont se senta no sofá e apoia a cabeça nas mãos. Olha para o chão. Levanta bruscamente.
Cadê Angely??? (Edmont)
Pensei que estivesse com vocês... (Kat)
Droga! (Edmont)
Tava mal hoje de manhã. (Dara)
Aquela vez Angely deixou a pessoa, vampir, fugir. (Edmont)
Disse que não sabia. (Dara)
Achei que fosse ficar com raiva de eu te falar. (Edmont)
Agora não acha mais? (Dara)
Gente, parem com isso! (Kat)
Dara encara Edmont.
Temos que descobrir onde tá Angely. E tem que ser agora, de noite Beatrice talvez vá agir. (Kat)
Podemos ligar. (Edmont)
Deixou o celular... (Kat)
Noite. Angely se senta em um beco.
Já anoiteceu... (Angely)
É. (Beatrice)
Angely coloca a mão na cintura. Tira uma estaca. Olha nos olhos de Beatrice. Estende a estaca para Beatrice.
Que isso? (Beatrice)
Eu não posso. (Angely)
Eu sei, humanidade, fraqueza, mas não prefere morrer dignamente? Tipo lutando? (Beatrice)
Não posso. Tenho medo de vencer. (Angely)
Pode deixar, não te deixo vencer! (Beatrice)
Então não faz diferença. (Angely)
Você tem algum trauma de infância??? (Beatrice)
Pensei que fosse só com Edmont. (Angely)
Só pode ter caído de cabeça. (Beatrice)
Beatrice revira os olhos. Pega a estaca da mão de Angely e joga pra trás. Se senta ao lado de Angely.
Do que você tá falando? (Beatrice)
Eu já lutei contra Edmont. Tínhamos doze anos. Eu venci. Mas exigiam uma luta até a morte. Eu larguei a espada. Edmont não. (Angely)
Ele ia mesmo te matar? (Beatrice)
Acho que sim. (Angely)
Mas isso é... Quer dizer, vocês eram crianças... (Beatrice)
Esqueceu sua idade? (Angely)
É diferente. (Beatrice)
Edmont diria o mesmo. (Angely)
Beatrice olha para fora. Para baixo. Levanta.
Mas isso faz sentido, é seu irmão! E também, eu duvido que você não tenha matado nenhum vampiro até hoje! (Beatrice)
Teve alguém. (Angely)
Tá vendo, não é assim tão... (Beatrice)
Deixei ir embora. (Angely)
Isso é mal. Procure um psicólogo. (Beatrice)
Angely olha nos olhos de Beatrice.
Bom, eu não tenho mais nada pra fazer hoje. (Beatrice)
Não vai me matar? (Angely)
Claro. Depois vou atrás de filhotes de beagle. (Beatrice)
Por que veio até aqui? (Angely)
Beatrice senta. Puxa Angely para seu colo. Angely deita.
Por que foi ao hospital? (Angely)
Não sabia que tava acordado... (Beatrice)
Senti se aproximar. (Angely)
Queria te ver. (Beatrice)
Edmont, Dara e Kat estão num bar.
Tem alguma coisa errada com Angely... (Edmont)
Por que acha isso? (Dara)
Eu sei, eu sinto isso. (Edmont)
Melhor voltarmos pra casa. (Kat)
Kat! (Edmont)
Kat tem razão. Angely sabe o caminho de casa. (Dara)
Você também?! (Edmont)
Pensa bem. Se for pra ter acontecido algo, já aconteceu. Agora é esperar. (Dara)
Aliás, eu devia era estar dormindo pra achar Angely... (Kat)
Edmont encara Dara e Kat. Se levanta da mesa. Sai. Derik chega. Se senta.
E aí? (Kat)
Nada. (Derik)
Acho melhor você seguir Edmont. (Dara)
Não vai fazer nenhuma besteira. (Kat)
Eu vou pra casa então. (Dara)
Dara sai.
Queria ver Mel. (Kat)
Posso passar no hospital e dar uma olhada pra você. (Derik)
Droga, por que me deixou esquecer??? (Kat)
Eu?! Deixei esquecer o que??? (Derik)
Aquela droga daquele CD! (Kat)
Deve ter terminado agora. (Derik)
Vai voando e entra pela janela do escritório! (Kat)
Mas... (Derik)
Vai, eu te encontro lá! (Kat)
Tá, eu vou. (Derik)
Kat e Derik saem. Andam até um beco. Derik se transforma em pássaro. Voa. Kat pega as roupas do chão. Guarda em uma bolsa.
Uma garota da sua idade não devia andar sozinha a essa hora. (Zenon)
Kat trava o corpo e vira para Zenon.
Me perdi. (Kat)
Vi você entrar com seu namorado aqui. E ele? (Zenon)
No meu bolso não tá. (Kat)
Talvez na sua bolsa. Não parecia tão volumosa quando entrou aqui. (Zenon)
Kat segura a bolsa. Zenon franze a testa. Ri.
Se quiser, te levo pra casa. (Zenon)
Não sabe onde é minha casa. (Kat)
Quem te garante? (Zenon)
Já te disseram que você tem cara de quem ataca as pessoas? (Kat)
Zenon ri.
Não se preocupe. Não sou pedófilo. (Zenon)
Tá me chamando de criança?! (Kat)
Tô. Por que? (Zenon)
Zenon encosta Kat na parede.
Não é? (Zenon)
Kat desmaia. Zenon segura.
Manhã. Hospital.
Não sabe a bagunça que isso tá virando... É sempre você que bota ordem. Agora Kat esconde coisas e Angely resolveu dar uma volta sem destino. Não sei se Kat já te contou, mas sonhou que Beatrice quer pegar alguém de nós. (Edmont)
Psique está na porta. Franze a testa. Se afasta alguns metros pelo corredor. Pega o celular. Disca.
Tem um cara que tá falando com a irmã em coma... (Psique)
Isso é comum. (Michael)
Ok, isso eu sei, amor, mas ontem eu sai daqui e ele estava falando com ela e hoje eu cheguei e ele continua falando sobre... (Psique)
Michael ri.
Ou é tagarela ou precisava desabafar e encontrou uma vítima indefesa. (Michael)
Isso é sério, Michael! Tá falando sobre transformar e coisas absurdas... (Psique)
Como o que? (Michael)
Vampiros. (Psique)
Pode ser só alguma história que ele inventou. Talvez ela goste de histórias de vampiro. (Michael)
Você é psicólogo ou o quê?! (Psique)
Michael suspira.
Não será um problema enquanto ele não achar que é um. (Michael)
Eu fico preocupada. As pessoas às vezes enlouquecem quando percebem que médico é diferente mágico, apesar de, de vez em quando, parecer a mesma coisa. (Psique)
Ele não vai fazer nada. Apenas acredita em coisas estranhas. (Michael)
Acontece que o último que acreditava em "coisas estranhas" quebrou o quarto inteiro, por que achou que tinha um fantasma aqui. (Psique)
Não se preocupe, ele só vai quebrar o quarto se achar que alguém é vampiro. Tem espelho no quarto? (Michael)
Tem. (Psique)
Se ele achar que alguém é vampiro, manda ele olhar no espelho. (Michael)
Por que? (Psique)
Nunca viu um filme? Todas as histórias dizem que eles não têm reflexo. (Michael)
E se ele tiver assistido "entrevista com vampiro"? (Psique)
Não tinha filme mais velho pra citar não? (Michael)
Drácula! (Psique)
Eu tenho que desligar agora. Tchau. (Michael)
Tchau. (Psique)
Te vejo em casa. (Michael)
Psique revira os olhos. Guarda o celular.
Sempre com a última palavra! (Psique)
Psique olha pra dentro da sala. Edmont não está. Vira para trás. Puxa o ar rápido, arregala os olhos e dá um passo para trás.
Eu não enlouqueci. (Edmont)
Estava escutando minha conversa??? (Psique)
Edmont cruza os braços.
Olha quem fala. (Edmont)
Mas você não sabia que eu tinha feito isso quando veio ouvir o que eu tava falando com o meu marido! E eu ouvi sem querer! (Psique)
Edmont franze a testa.
Quantos anos você tem? (Edmont)
Vinte e seis. (Psique)
Quanto tempo tem de casamento? (Edmont)
Onze... O que isso te interessa??? (Psique)
Se casou com quinze anos? Quantos anos tem a outra pessoa? (Edmont)
Não vou falar da minha vida com você! (Psique)
Trinta e cinco? (Edmont)
Como você... (Psique)
Lê revista de fofoca de artista? (Edmont)
Leio, mas o que... (Psique)
Agora sabe como se sentem. Odeio gente bisbilhotando minha vida. (Edmont)
Edmont sai andando pelo corredor. Toca o celular. Edmont atende.
Angely? (Edmont)
Como sabe que sou eu? (Angely)
Aparece na tela. A gente se preocupou aqui. (Edmont)
Ah... Kat tá com você? (Angely)
Esteve. (Edmont)
MEAK.
Já ligou pra amizades? (Edmont)
Até pra inimizades. ### Como assim, fugir? ### Se eu disser que vou fazer isso, Derik morre do coração aqui do lado. (Angely)
Me dá isso aqui... Alô? ### Não sabe onde ela tá??? ### Temos que procurar em todos os lugares! (Derik)
Hospital. Edmont bufa.
Tentaram o necrotério? (Edmont)
MEAK. Derik arregala os olhos. Angely pega o telefone.
Alô? (Edmont)
Que você disse? (Angely)
Nada, só tava brincando. Tenho certeza que Kat tá bem. (Edmont)
Tarde. Casa de Dara.
Nossa, com esse sorriso... Viu passarinho verde? (Edmont)
Acordei feliz, só isso. (Dara)
Realmente, com essa roupa... (Edmont)
Algum problema? (Dara)
Fica legal de vestido. (Edmont)
Dara sorri.
Já você não parece assim tão feliz. (Dara)
Não vim aqui descarregar problemas. (Edmont)
Alguma coisa errada? (Dara)
Nada... (Edmont)
Dara cruza os braços e encara Edmont.
É, agora parece mesmo você. (Edmont)
Edmont senta no sofá.
Kat não queria acabar com a banda. Acho que agora sumiu pra fazer birra. (Edmont)
Talvez fosse melhor dar apenas um tempo. (Dara)
Tá vendo? Seu sorriso saiu correndo... Vamos dar uma volta, não quero perder essa felicidade que você tá hoje. (Edmont)
Parque. Dara encostou e sentou junto a uma árvore, Edmont está com a cabeça em seu colo e o corpo no chão.
Sonhou que tínhamos casado? (Edmont)
É, e era aqui! Eu já tinha vindo aqui, mas nunca pareceu tão colorido. (Dara)
Edmont sorri.
Que foi? (Dara)
Não sabia que você sonhava com isso. (Edmont)
Eu tenho medo de perder tudo. (Dara)
Você nunca vai me perder. (Edmont)
MEAK. Angely pega uma bolsinha, desamarra e tira de dentro uma correntinha de prata com um pequeno rubi.
Passado
Oi. (Angely)
Oi... Tão cedo aqui? (Meg)
Eu te levo na escola. (Angely)
Pras garotas tentarem te agarrar na porta? Não... (Meg)
Não é tanto assim. (Angely)
Aquela Annie é a pior. Não sei como a Agatha anda com ela! (Meg)
Meg beija Angely.
Bom, eu tenho que ir. (Meg)
Meg pega a bolsa e vai até a porta.
Meg! (Angely)
Meg olha pra trás.
Que? (Meg)
Eu só queria... Dizer tchau. (Angely)
Meg ri.
Presente
Pra quem é isso? (Derik)
Angely guarda a correntinha.
Era. (Angely)
Derik olha para o chão.
Desculpa. (Derik)
Foi nada. E o CD? (Angely)
Derik olha para Angely.
Que CD? (Derik)
Sabe do que tô falando. (Angely)
Eu guardei. (Derik)
Só quero saber se não vai sofrer mais acidentes. (Angely)
Vou sair pra procurar a Kat. (Derik)
Angely levanta.
Vou com você. (Angely)
Voando? (Derik)
Angely senta.
Posso ficar esperando notícias. (Angely)
Tarde. Kat acorda. Um quarto. Apenas a cama, rústica. Lençóis simples.
Pelo menos dessa vez não foi no necrotério. Que lugar é esse? (Kat)
Kat se levanta da cama. Sem janelas. Vai até uma pequena porta. Puxa. Não abre. Bate na porta. Silêncio. Bate nas paredes. A porta se abre.
Estava tentando dormir. (Zenon)
Você... (Kat)
Não, acordou meu holograma. (Zenon)
Mas eu... (Kat)
Como já percebeu, o truque do desmaio não adianta. (Zenon)
Anulei meus sinais vitais! (Kat)
Grande evolução, uma frase inteira. (Zenon)
Como sabia que eu não morri? (Kat)
Defuntos têm um cheiro insuportável, sabia? (Zenon)
Não cheiram na hora que morrem. (Kat)
Zenon revira os olhos.
Tá, eu confesso, andei investigando vocês. (Zenon)
Pra que? (Kat)
Você é irmã daqueles dois, isso não foi muito difícil descobrir. (Zenon)
Como descobriu que tenho esse poder? Conhece algo de bruxaria? (Kat)
Uma passagem pelo necrotério não é algo que qualquer um tenha na ficha. (Zenon)
Que fizeram pra você? (Kat)
Me mataram... (Zenon)
Zenon se senta na cama.
...voltei do inferno. (Zenon)
Kat arregala os olhos e dá dois passos para trás. Olha em volta. Zenon ri.
Brincadeira. (Kat)
Me pegou pra isca? (Kat)
Não. (Zenon)
Zenon levanta.
Sobre eles terem feito algo, impediram que eu tirasse uma vida. Ela teve outro tipo de eternidade. (Zenon)
Vai me matar por vingança? (Kat)
Não penso nisso. (Zenon)
Que vai fazer então? (Kat)
Tô com sono agora, se não se importa, eu vou dormir. Tá com fome? (Zenon)
Não como desde ontem. (Kat)
Zenon sai. Volta com um sanduíche. Pousa na mesa.
É sem carne, né? (Kat)
Zenon encara Kat. Pega o telefone.
Que está fazendo? (Kat)
Você vai dizer pros seus irmãos que está na casa de um amigo. (Zenon)
Zenon estende o telefone a Kat.
E sem gracinhas. (Zenon)
Kat pega o telefone. Espera.
Alô? ### Oi, Angely. ### Sim, é Kat. ### Estou na casa de alguém. ### Estamos conversando sobre mitologia grega. A morte de Hércules é bem interessante... (Kat)
Zenon pega o telefone. Desliga. Encara Kat.
Que bom que lembrou de Djanira. (Zenon)
Zenon sai. Fecha e tranca a porta.
Não me deixa aqui! (Kat)
Kat bate na porta.
Quando vai me soltar??? (Kat)
Logo. (Zenon)
Kat se joga na cama.
Mel abre os olhos. Luz forte. Fecha os olhos. Abre novamente. Coloca a mão na frente do rosto.
Onde eu tô? (Mel)
Ah, meu Deus... (Psique)
Mel se senta na cama. Psique arregala os olhos.
Que isso? (Mel)
Mel arranca os tubos. Levanta.
Deita aí, garota, você tava em coma! (Psique)
Eu? Cadê minha família? (Mel)
Vou ligar pra eles, mas deita aí antes... (Psique)
Mel olha Psique de canto. Se senta na cama.
Enfermeira! (Psique)
Sim? (Paula)
Não deixa ela levantar. (Psique)
Tá... (Paula)
MEAK. Angely atende o telefone.
Alô? (Angely)
Lorrage Kallend? (Psique)
Casa de Dara. Edmont desliga o telefone.
Talvez a Mel saiba alguma coisa. (Dara)
Sobre o quê? (Edmont)
Kat. (Dara)
Acho que Kat não quer terminar a banda e fugiu. (Edmont)
Dara cruza os braços.
Acha mesmo que tem alguma coisa errada? (Edmont)
Não sei. Derik tá procurando. (Dara)
Como sabe? (Edmont)
Já passou por aqui umas três vezes. (Dara)
Hospital. Angely anda de um lado a outro. Edmont e Dara chegam. Angely se aproxima.
Disseram pra esperar aqui. Estão fazendo umas perguntas a Mel. (Angely)
Vai furar o chão. (Edmont)
Quarto de Mel. Mel está de braços cruzados encarando Psique. Michael entra.
Até que enfim chegou... (Psique)
É ela? (Michael)
Não, é o pombo na janela. Vai lá analisar. (Mel)
Parece de mal-humor. (Michael)
Também ficaria se não te deixassem sair da cama, ou falar com sua família. (Mel)
Tenho que fazer algumas perguntas. Sabe seu nome? (Michael)
Joana d’Arc. (Mel)
Ah? (Michael)
Peraí, você não acreditou, né? (Mel)
Isso não é uma brincadeira, senhorita Melody. (Michael)
Se já sabe, pra que perguntou? (Mel)
Michael puxa uma cadeira e senta. Mel bufa.
Melody Lorrage Kallend. Acertei? (Mel)
Idade. (Michael)
Em que ano estamos? (Mel)
Michael olha pra Psique. Mel revira os olhos.
Vinte e sete anos. (Mel)
Michael encara Mel.
Nome dos seus irmãos. (Michael)
Edmont, vinte e dois, Angely, vinte e dois, Katerine, treze, e Aurium tem dezoito. (Mel)
Michael franze a testa, abre a ficha.
É o cachorro. Me adiantei. (Mel)
Michael olha para Mel por cima da ficha. Fecha a ficha e pousa no colo.
Por que entrou em coma? (Michael)
Informação confidencial. (Mel)
Que? (Michael)
Não vou dizer. (Mel)
Angely entra na sala.
Mel... (Angely)
Angely vai até Mel e abraça. Mel retribui o abraço. Depois afasta. Angely olha para Psique.
Mel tá bem? (Angely)
Exceto se não tivesse costume de brincar com a cara dos outros antes. (Michael)
Não estou com nenhum problema, estou me sentindo super bem. (Mel)
Me corrija se errar: paguei uma semana por um furo de nada no estômago. (Angely)
Michael franze a testa e olha para Psique. Edmont e Dara entram no quarto.
Parece que a irmã de vocês voltou ao normal. (Psique)
Se notarem algo errado, me liguem. Me parece estar muito bem. (Michael)
Michael sai do quarto. Psique olha para Mel. Sai do quarto também.
Irmã de vocês? (Dara)
Acho que te confundiu com Kat. (Edmont)
Pareço ter treze anos? (Dara)
Não sei... Com essa roupa... Que fizeram com você enquanto eu dormia? (Mel)
Você não tá sentindo nada? (Angely)
Se não estivesse, acho que teria morrido... (Mel)
Estou falando de algo ruim. (Angely)
Tédio conta? (Mel)
Edmont vai até Mel. Abraça.
Eu sabia que você ia ficar bem. (Edmont)
Mel franze a testa e afasta Edmont.
Não tão esquecendo quem tem mais idade aqui pra cuidar de quem, né? (Mel)
Mel olha para Angely.
E Kat? (Mel)
Silêncio.
Tudo bem, o que estão escondendo? (Mel)
Saiu ontem. Não voltou ainda. (Angely)
Kat ligou e disse que está na casa de alguém. (Edmont)
Aurium pousa na janela. Mel olha. Arregala os olhos.
Cadê as minhas coisas??? (Mel)
Mel, não pode sair assim! (Edmont)
Psique entra no quarto.
Vamos fazer alguns exames e você terá alta logo. (Psique)
Quero minhas roupas! (Mel)
Estavam rasgadas, jogamos fora... (Psique)
Edmont... (Mel)
Nem pensar. (Edmont)
Dara? (Mel)
Não até ter alta. (Edmont)
Dara pode responder por si. (Mel)
Vai me matar se eu concordar? (Dara)
Angely, eu sei que... (Mel)
Você fica, Mel, a gente vê o que tá acontecendo. Repouso, lembra? (Angely)
Mas pôde ir pra casa! E também, ninguém tinha sumido! (Mel)
Quanto mais cedo fizermos os exames, mas rápido sairá. (Psique)
Eu quero sair agora! (Mel)
Vai ter que esperar. (Psique)
Mel olha para a janela. Vazia.
Vocês três, ninguém dorme antes de achar Kat. (Mel)
Psique franze a testa.
Pode nos dar licença? (Edmont)
São três e meia, às quatro venho pra começarmos os exames. (Psique)
Psique sai.
Você sabe de alguma coisa. (Edmont)
Kat não tá onde tá por vontade própria. Achei que era só sonho. (Mel)
Pensei que só Kat tivesse esse poder. (Dara)
Kat pode entrar em sonhos. (Mel)
Te disse isso? (Angely)
Não, acho que ainda não sabe. Deve ser inconsciente, como o "desmaio". (Mel)
O que sabe? (Edmont)
Kat falou que é vampir e que disse que não vai matar. (Mel)
Como se desse pra acreditar em palavra de vampir... (Edmont)
Por isso eu quero ir pra casa. (Mel)
Não vai adiantar nada, Kat desaparecida e você doente. (Dara)
Não tô doente! (Mel)
Melhor você ficar aqui, Mel. A gente vai procurar Kat. (Edmont)
Tem alguma idéia de como é o lugar? (Dara)
Não. Melhor irem logo. (Mel)
Edmont abraça Mel.
Tchau. (Dara)
Edmont e Dara saem.
Se cuida. (Angely)
Angely abraça Mel.
Eu vou. (Mel)
Angely dá um beijo na testa de Mel. Sai.
Agora só esperar Derik voltar. (Mel)
16h. Psique entra no quarto.
Bom, acho que... (Psique)
Ninguém. Janela aberta.
Essa garota é louca! (Psique)
Psique pega o telefone. Disca. Aguarda.
Melody L. K. fugiu do hospital. (Psique)
Oi pra você também. (Michael)
Isso é sério! (Psique)
Se ela fugiu, é por que estava em condições de fazer isso. (Michael)
Não fizemos os exames. (Psique)
Queria que eu impedisse que ela fugisse? Eu sou psicólogo, não segurança do hospital. (Michael)
Quer dizer que você já sabia??? (Psique)
Estava na cara que ela tentaria. Se ninguém viu ela sair, então... (Michael)
Saiu pela janela! (Psique)
Como pode ter certeza? (Michael)
Casa de Psique e Michael.
A porta tava trancada! (Psique)
Ela é mesmo louca. (Michael)
E você, psicólogo! Por que não me avisou que ela ia fugir??? (Psique)
Por que eu não sabia que ia ser pela janela! (Michael)
Um barulho forte do outro lado do telefone.
Psique? Psique??? (Michael)
Hospital. Mel pega o telefone da mão de Psique. Desliga. Pega Psique no colo. Coloca na cama. Pousa o celular do lado. Sai do quarto. Puxa a touca da blusa para cima dos cabelos. Passa pelos corredores a passos rápidos. Sai do hospital. Aurium, forma canina, estava na calçada. Levanta-se. Anda. Mel segue. Chegam a um beco. Autrium para ao lado de uma bolsa. Mel pega do chão. Abre. Franze a testa. Olha para Aurium. Desfranze. Tira a roupa de dentro da bolsa. Joga no chão. Se vira. Aurium late. Mel desvira. Pega a roupa, coloca na bolsa e põe a bolsa a tiracolo. Aurium continua andando, agora farejando o chão. Mel segue.
Noite. Mel e Aurium chegam a uma casa.
Não, tem janelas demais. (Mel)
Aurium raspa as patas na porta. Mel encara. Bate na porta. Nada. Mexe na maçaneta. Aberta. Entram. Aurium resmunga. Mel abre a bolsa e pousa a roupa no sofá. E se vira. Aurium volta a ser Derik. Derik se veste.
Kat tá aqui. Eu sei que está. (Derik)
Mel vira para Derik.
Se foi vampir que levou, está no subterrâneo. (Mel)
Não vou ter que virar cachorro de novo, vou? (Derik)
A casa tá empoeirada, é só procurar um lugar mais limpo, sinal de que alguém esteve a pouco tempo. (Mel)
Andam pela casa. Derik entra em um quarto. Olha embaixo da cama. Uma mão em seu ombro. Dá um pulo para trás.
Calma. Achei. Na cozinha. (Mel)
Não deveríamos ter trazido uma estaca? (Derik)
Mel olha para cima da cama. Franze a testa. Pega uma besta.
Acho que não. (Mel)
E sua mira? (Derik)
Continua uma merda. Mas ninguém precisa saber disso. (Mel)
Zenon abre os olhos. Franze a testa. Levanta da cama. Vai até a porta.
Pensei que não fosse acordar. (Zenon)
Quem é você? (Mel)
Um amigo. (Zenon)
Você tava atrás de Djanira. (Derik)
Que Deus a tenha. (Zenon)
Derik franze a testa.
Vampiros não podem falar de Deus? (Zenon)
Onde tá Katerine? (Mel)
Zenon dá um meio-riso.
Como vou saber? (Zenon)
Sabemos que pegou. (Mel)
Querem verificar? (Zenon)
Zenon se senta. Mel entra em um cômodo. Uma cama. Sem armários. Sai. Vai ao outro cômodo. Uma geladeira e uma mesa. Abre a geladeira. Sangue. Fecha. Puxa a geladeira do lugar. Puxa a mesa. Volta para a sala. Olha para Zenon e faz sinal com a cabeça para o lado esquerdo. Zenon levanta. Mel puxa o sofá. Vai até uma estante de livros. Tira do lugar também. Olha para Zenon de volta. Zenon puxa o bolso esquerdo pra fora. Depois o direito. Encolhe e solta os ombros.
A gente vai voltar. (Mel)
Já vão? Achei que podíamos jogar video-game. (Zenon)
Mel revira os olhos. Sai. Derik olha para Zenon. Segue Mel. Zenon vai até o quarto. Passa a mão na parede. Puxa a madeira. Passa para o outro lado. Kat está dormindo.
Seus amigos precisam se aprimorar. Espero que da próxima encontrem. (Zenon)
Noite. Angely, Edmont e Dara estão na MEAK.
Pra onde Mel iria? (Edmont)
A lógica seria vir pra cá. (Dara)
Pensou isso, por isso não veio. (Angely)
Derik e Mel entram.
Sabemos quem pegou Kat e onde tá. (Derik)
Retiro o que disse. (Angely)
Não devia estar aqui! (Edmont)
A casa é minha também. (Mel)
Entendeu o que eu quis dizer. Passou por tortura e ficou em coma. (Edmont)
E estou em perfeita saúde. (Mel)
Fiquei uma semana de cama e era menos do que Andrews fez. (Angely)
Fiquei mais que isso naquela cama. E você pelo menos podia comer, não estava com um tubo no braço. Aliás, quer parar de dizer isso?! Não tem outro argumento? (Mel)
Vai voltar pro hospital. (Edmont)
Mel cruza os braços.
Vai me carregar? (Mel)
Edmont se levanta e vai até Mel.
Pelo menos pra fazer exames. (Angely)
Não. (Mel)
Mel, por favor... (Angely)
Nem que me carreguem. Aliás, nem que tente. (Mel)
Viu como as coisas nunca funcionam no seu jeito? (Edmont)
Angely olha para Edmont. Edmont vai pegar Mel. Mel derruba Edmont no chão.
Não podem me forçar. (Mel)
Mel, por favor. Só os exames. Juro que não falo mais nada depois. (Angely)
Mel olha pra Angely. Depois para Edmont. Edmon bufa. Levanta do chão.
Ok. Só exames. Mas fica até sair o resultado. (Edmont)
Mel encara Edmont.
Madrugada. Casa de Kat. Kat sobe a escada. Derik segue. Derik senta na cama. Kat senta na frente, de costas, e se recosta em Derik.
Era muito estranho. Ainda bem que me acharam. (Kat)
Mel tinha sentido seu cheiro, mas achou que era de ter ido embora. Em forma de cachorro foi fácil. Teve algum sonho sobre? (Derik)
Fora o de antes, não. (Kat)
Tá bem mesmo? (Derik)
Estou. (Kat)
Eu não faria nada contra ela. (Zenon)
Zenon para na porta. Derik segura Kat com mais força.
Mas quem... (Derik)
Agatha. (Zenon)
Que você fez??? (Kat)
Nada que nenhum homem nunca tenha feito. Exceto talvez pelo sonífero. (Zenon)
Quem é você? (Kat)
Zenon. (Zenon)
Só isso? (Kat)
Diego Leonard. Mas isso era quando eu era vivo. (Zenon)
Que veio fazer aqui? (Kat)
Zenon tira do bolso da jaqueta o meio CD.
Ajudar. (Zenon)
Ei, isso... (Derik)
Deixou perto do computador de Katerine e eu peguei. Tudo o que prestava tá no computador já. (Zenon)
Zenon joga o meio CD para Kat.
Com que direito fez isso??? (Kat)
Com o direito de quem é o único que sabe grego aqui. (Zenon)
Grego? (Derik)
Os primeiros vinte e cinco anos da minha vida não foram lá muito úteis, mas cento e noventa e seis anos é um tempo meio grande pra fazer absolutamente nada. (Zenon)
E o que é isso? (Kat)
Um diário com algumas coisas bem além do que qualquer ser psicologicamente são poderia imaginar. (Zenon)
Diário... Mel disse que tinha trazido isso de... (Kat)
Kat olha pra Zenon. Zenon ri. Entra. Puxa uma cadeira. Senta-se.
Impressionante como ninguém conhece os pais de vocês. Sabe-se que você é sobrinha do cara que te adotou, meia-irmã deles por parte de mãe e que Mel é meia irmã deles por parte de pai... Exames de DNA bem pagos comprovaram isso. Mas faltam três peças nesse quebra cabeças. (Zenon)
Se você leu... (Kat)
Não deram tempo pra eu ler tudo. (Zenon)
Pode traduzir pra nós? (Derik)
A questão não é poder. É querer. (Kat)
Podemos fazer uma troca. (Zenon)
Troca? (Kat)
Eu traduzo e vocês esclarecem o que eu quero saber. (Zenon)
Não sei se podemos. (Kat)
Fale com seus irmãos. (Zenon)
Podemos arranjar outro tradutor. (Derik)
Zenon se levanta.
Vão ter que pagar pra traduzir, pagar cala-boca... Mesmo assim, sem garantia. (Zenon)
Zenon sai.
Talvez ele esteja blefando. (Derik)
Kat pega o laptop. Um arquivo na área de trabalho. Abre.
Bom, deve ser mesmo grego, dá uma olhada nas letras! (Kat)
Talvez ele tenha passado pro grego pra não entendermos. (Derik)
Acho que não teria tempo. (Kat)
Vamos falar com o pessoal. (Derik)
Isso é, se eu não sonhar com nada. (Kat)
Eu admiro você. (Derik)
Eu? (Kat)
No seu lugar, eu não teria coragem de voltar a dormir. (Derik)
Kat abraça Derik. Derik dá um beijo na testa de Kat. Se afastam. Derik levanta da cama.
Bom, acho que vou pra casa. (Derik)
Derik sai.
Derik! (Kat)
Derik volta.
Eu não conheço sua família. Aliás, eu não sei nada sobre você. (Kat)
Amanhã a gente fala, já é tarde. (Derik)
Kat se joga na cama.
Não sei nem se você tem casa. Não conheço sua casa, nem sua família, ou amizades... Eu só conheço você. (Kat)
No dia seguinte, Kat vai ao hospital.
Mel... (Kat)
Você tem que me ajudar a fugir daqui! (Mel)
Não precisa, só falta pegar os resultados dos exames. (Kat)
Psique chega.
Garota, você tem um anjo da guarda forte... Não há sequer um problema com o seu organismo! Aliás, só teve um caso parecido com o seu, de uma recuperação um pouco mais lenta, mas também fora do comum, e foi seu irmão. Parece até coisa de outro planeta, depois do que sofreram. (Psique)
Deve ser de família. (Kat)
Agora só uns testes psicológicos... (Psique)
Pra que??? (Mel)
Pra ter certeza que não tem algo que não vimos. (Psique)
Não é como se realmente pudessem fazer isso. (Mel)
Psique encara Mel. Sai.
Sabe que não podemos levantar suspeita, né? (Kat)
Eu sei. Sei mais que vocês. Só por isso não taco o foda-se. (Mel)
Você sabia que o CD tá em grego?! (Kat)
Não sabia que você sabia grego. (Mel)
E não sei. Mas Zenon sabe. (Kat)
Mel franze a testa.
Quem me sequestrou. (Kat)
Veio atrás de você de novo?! (Mel)
Enganou Agatha. Mas não fez mais nada. (Kat)
Que tem saber grego? (Mel)
Disse que traduz, mas só se contarmos o nosso passado. (Kat)
Eu não tenho nada contra. (Mel)
Mas... (Kat)
Que vai fazer? Mandar pra um jornal? Já deve saber mais que a gente sobre muita coisa. (Mel)
Não sei. Mas não estou com uma boa impressão. (Kat)
Teve algum sonho? (Mel)
Do passado. (Kat)
Não deve ter sido muito agradável. (Mel)
Foi como o outro sonho que tive, de Astride. (Kat)
Como se estivesse no lugar da vítima? (Mel)
É. Filha da madrasta. (Kat)
Não foi assim que sonhou desde que encontrou Zenon? (Mel)
Mas é diferente. Eu pensei que tinha sido pior por que era a primeira vez que sonhava assim. Mas não é: é por causa de Zenon! É mil vezes mais real quando é com Zenon! (Kat)
Se acalma. Então é isso que te perturba? (Mel)
É. Não sei se... (Kat)
Pode ser uma bom sinal também. (Mel)
Não sei. (Kat)
Vamos falar com Angely e Edmont. (Mel)
Angely vai ser a favor e Edmont contra. (Kat)
Eu já sei. (Mel)
Então empatou. (Kat)
Teremos que falar com Dara. Não pertence ao segredo, mas teremos que usar o voto, já que somos em quatro. (Mel)
Handhara namora Edmont e Derik e eu namoramos, então também pode opinar. (Kat)
Tá... Só corremos risco de novo empate. (Mel)
Noite. MEAK.
Fugiu de novo?! (Edmont)
Não, dessa vez deram alta. (Kat)
E o CD? (Angely)
Grego. (Mel)
Que?! (Derik)
Dara entra no escritório.
Atrasou. (Kat)
Desculpe, Denise pensa um pouco quando quer. (Dara)
Tudo bem, o problema é o seguinte: o CD que eu tava guardando... (Mel)
Escondendo. (Edmont)
Mel encara Edmont. Edmont cruza os braços.
É uma espécie de diário. (Mel)
De quem? (Angely)
Não sei. Não consegui ler. (Mel)
Edmont franze a testa e solta os braços.
Como não conseguiu? (Edmont)
Acabou de dizer que tá em grego. (Derik)
E o que vamos fazer? (Dara)
Alguém se ofereceu pra traduzir em troca de falarmos o nosso passado. (Kat)
Não vou falar com jornalista. (Edmont)
Não é jornalista. É vampir. (Mel)
E não convidou pra jantar? (Edmont)
É quem me levou. (Kat)
Era pra isso ser uma referência boa? (Edmont)
Não. Eu não quero falar também. (Kat)
Bom, não matou Kat quando pôde. (Dara)
Edmont encara Dara. A campainha toca.
Eu atendo. (Dara)
Dara desce pela porta interna. Passa pelos quartos, desce novamente, para a sala. Abre a porta.
Sim? (Dara)
Preciso falar com Melody, ela tá aí? (Zenon)
Está, quer que eu chame? (Dara)
Claro. Posso esperar na sala? (Zenon)
Dara abre a boca. Fecha. Franze a testa. Desfranze. Ri.
Isso não é só educação. (Dara)
Como assim? (Zenon)
Quem conhece de verdade chama de Mel. (Dara)
E você, quem é? (Zenon)
Como vou dizer se não sei de você? (Dara)
É claro que sabe. Acabou de me provar isso. (Zenon)
Volte ao meio-dia e pode entrar. (Dara)
Dara fecha a porta. Sobe de volta, por dentro.
Quem era? (Edmont)
Repórter. (Dara)
Quem é contra e quem é a favor de contarmos? (Mel)
Não acho boa ideia. (Kat)
Sonhou duas vezes com "malfeitos", certo? (Edmont)
Ahã. (Kat)
Contra. (Edmont)
Não vejo nada de errado. (Dara)
Nem eu. (Angely)
Que pode fazer? (Mel)
Derik. Último voto. (Kat)
Voto contra. (Derik)
Agradeceria se desse o seu voto e não o de Kat. (Mel)
Só acho que não devemos confiar em vampiros. Muito menos aqueles que sequestram e devolvem pra fingir que são bonzinhos. (Derik)
Grande merda. Empatou de novo. (Mel)
De novo? (Angely)
Eu e Kat discordávamos. Já sabíamos o que você e Edmont diriam. Logo estaria empatado. (Mel)
Não, não, não, eu já sabia que o Derik ia votar contra. (Kat)
Tudo bem, como vamos fazer o desempate? (Angely)
Sorteio. (Edmont)
Mel cobre o rosto com a mão e balança a cabeça para os lados. Dara franze a testa. Angely olha para Edmont, vira as palmas das mãos pra cima.
Alguma ideia melhor? (Edmont)
Mel olha para Edmont.
Pensar em uma ideia melhor já seria uma ideia melhor. (Mel)
Vamos esperar Kat sonhar alguma coisa e amanhã de tarde vemos isso. (Dara)
Acho que deveríamos tentar contato espiritual Djanira! (Derik)
Tem três pessoas pra decidir qual das três idéias. (Mel)
Esperar. A ideia de Edmont parece meio afobada. (Angely)
E a de Derik, foi mal, amor, mas... (Kat)
Acham que tava falando sério? Também prefiro a idéia de Dara. (Derik)
Desculpa, Edmont, mas você perdeu. (Mel)
Que seja. Mais nada pra conversar? (Edmont)
Acho que não. (Angely)
Te levo em casa, Dara. (Edmont)
Dara sai. Edmont segue. Angely baixa a cabeça.
Você tá me enrolando! (Kat)
Que??? Eu??? (Derik)
É, você disse que ia me apresentar sua família! (Kat)
Eu preciso ir agora... Faz o seguinte, amanhã eu te levo na minha casa. (Derik)
Jura? (Kat)
Derik cruza os dedos atrás das costas. Mel franze a testa.
Juro. (Derik)
Kat pega Derik pela mão e saem.
Viu isso? (Mel)
Que? (Angely)
Kat não conhece a família de Derik. (Mel)
Acho que devem ser iguais a Derik. (Angely)
Mas então por que não leva pra conhecer? (Mel)
Bom, acabou de prometer que... (Angely)
Estava cruzando os dedos. Não entendi lhufas, coisa de criança, parece até que queria que alguém visse. (Mel)
Derik não faria isso. (Angely)
Você acredita em todo mundo. (Mel)
E se for a única pessoa na família com esse poder? (Angely)
Se estiver escondendo isso da família, é só pedir pra não falar. Não é como se não tivéssemos segredos. (Mel)
Mas e se a origem não for humana? (Angely)
Tá achando que a família podem ser pássaros ou cães? (Mel)
Não é impossível. (Angely)
É, aí Kat teria um problema grande. Talvez a gente devesse falar com Derik. (Mel)
Tô com fome. Quer que eu faça alguma coisa pra comermos? (Angely)
Mel mede Angely.
Pede uma pizza. (Mel)
15h. MEAK. Escritório. Mel entra. Dara, Edmont, Angely, Kat e Derik estão ao redor da mesa redonda no centro. Mel senta-se.
Meu sonho não ajuda. (Kat)
Tem a ver com a pessoa? (Angely)
Tem, mas não ajuda em nada nossa decisão. (Kat)
Que sonhou com o vampiro? (Derik)
Então, o que vamos fazer? (Dara)
Ainda tem a minha idéia. (Edmont)
E se perguntássemos pro fantasma? Talvez saiba alguma coisa. (Dara)
Jak já foi embora com Sarah. (Edmont)
Então? (Kat)
Ainda não respondeu o que perguntei! (Derik)
Gente, não vamos... (Mel)
Mel franze a testa.
Ok, porque tá tudo fechado e as luzes estão acesas? (Mel)
Angely? (Edmont)
Já tava assim quando cheguei. (Angely)
Não é minha intenção que isso incomode vocês. (Zenon)
Zenon sai de trás de uma estante no fundo do escritório.
É que o contrário me incomodaria. (Zenon)
Mas como você...? (Dara)
"Volte ao meio-dia e pode entrar". (Zenon)
Zenon pousa uma capa na cadeira da mesa do computador.
Será que meu voto conta? (Zenon)
Óbvio que não. (Edmont)
Tá. (Zenon)
Zenon puxa a cadeira para perto da mesa, entre Angely e Kat. Senta-se.
Decidam logo, tenho mais o que fazer. (Zenon)
Bom, posso resolver isso. (Edmont)
Edmont levanta e vai até a porta de saída externa. Mel vai até Edmont e segura-lhe o braço.
Não, Edmont. (Mel)
Por que não?! (Edmont)
É a única alternativa que temos. (Mel)
Um a zero. (Zenon)
É vampir! (Edmont)
Um a um. (Zenon)
Você sabe grego? (Mel)
Onze a um. (Zenon)
Cala a boca! (Edmont)
Tá contando em números binários? (Derik)
Se fosse o sistema binário, eu falaria dez depois de um, não onze. (Zenon)
Eu acho que o argumento de saber grego só vale dez pontos se for em binário. (Derik)
Boa perspectiva. (Zenon)
Não tô mais contra. (Kat)
Ok. Vencemos. (Mel)
Por que não está mais contra Zenon??? (Derik)
Não estou é contra saber o que está escrito!!! (Kat)
Gente, vamos parar e pensar??? (Dara)
Já está ganho nosso voto. Zenon traduz, nós falamos. (Mel)
Vou buscar lá em casa o arquivo. (Kat)
Zenon levanta o meio CD e um pen-drive.
Esse símbolo, eu já vi isso! (Edmont)
Edmont vai até Zenon e toma-lhe o CD das mãos. Mel se aproxima.
Delicadeza zero! (Zenon)
Pode reclamar disso quando eu cravar uma estaca em você. (Edmont)
Edmont entrega o CD para Angely. Angely olha. Balança a cabeça para os lados.
Nilrem. (Edmont)
Mel se senta. Engole seco.
É o cara que criou o pai de vocês e criou vocês depois que o pai de vocês... (Derik)
Bom, isso já é uma dica pra entender o tal diário. (Zenon)
Vai traduzir, nós falamos pra você de onde viemos e só isso. (Edmont)
Assim parte meu coração. Acabou de me prometer uma estaca. (Zenon)
Edmont encara Zenon. Dara pega Edmont pela mão e saem. Kat pega a mão de Derik. Derik olha para Zenon. Kat e Derik saem.
Espero que habilidade de vampir inclua ler rápido. (Mel)
Mel sai. Zenon vai com a cadeira até o computador. Espeta o pen-drive. Franze a testa. Vira para trás.
Que foi? Tá com medo que eu roube alguma coisa? (Zenon)
Por que essa curiosidade? (Angely)
Digamos que depois de quase dois séculos você fica com nada pra fazer. (Zenon)
Não parece só isso. (Angely)
Angely sai pela porta interna. Na varanda, olha para baixo. Edmont e Dara estão indo embora, de mãos dadas.
Gosta de Dara? (Mel)
Angely olha para Mel. Volta a olhar para Edmont e Dara.
É uma pessoa legal. Bom que Edmont tenha alguém assim. (Angely)
Sabe que não foi o que eu disse. (Mel)
Dias depois. Escritório. Dara, Kat, Angely, Derik e Zenon ao redor da mesa. Edmont em pé, encostou-se na parede. Mel entra. Cruza os braços.
Bom, primeiro vocês. (Zenon)
Mel. Foi sua ideia. (Edmont)
Não vai reclamar? (Zenon)
Se estiver achando graça da gente, já pode decidir onde quer que joguemos suas cinzas. (Edmont)
Mel tira uma estaca do bolso, joga para Edmont. Edmont pega. Mel olha para Zenon.
Viemos de outro planeta. (Mel)
Que? (Zenon)
Saturno. (Mel)
Como assim? (Zenon)
Mel revira os olhos. Respira fundo. Se aproxima da mesa. Se senta.
Em 1705, Doki nasceu. Em 1878, deu a luz a Likín. Em 1972, a Modret. Doki era de pequisas, veio para a Terra em 1918, quando Domnik assumiu seu lugar na liderança atlante. Modret deveria descobrir sua vocação e ficar na Terra ou regressar a Saturno. Mas em 1979, Doki morreu. Perdeu-se o rastro de Modret, mas reencontraram em 1982. Likín veio a Terra. Descobriu Modret com Nilrem. Modret tinha se apegado muito. Likín respeitou isso, e permaneceu ajudando Modret a descobrir sua vocação. Essa é a parte atlante. (Mel)
Mel respira fundo.
Em 1992, Lisa e Hery estavam em noivado. Modret gostava de Lisa, mas era monogamia, essas coisas. Modret foi embora, e não convidou Lisa, sabia que Hery nunca iria. Levou Nilrem a tira colo. Em 1997 Lisa recebe uma proposta para ir para os estados unidos e deixa Hery. Em 1999, Modret acaba voltando a Terra, para vir atrás de Lisa. Lisa aceita ir embora. Mas, quando Modret desce, causa um acidente e deixa Halen em coma. Halen tinha relacionamento com Rith, familiar fraternal de Hery. (Mel)
Mel levanta. Vai até a janela.
Quando voltam a Saturno, Nilrem enfeitiça Domnik, coma. Lisa e Modret estavam completamente a merce de Nilrem. No ano seguinte, nascem Edmont e Angely. Oito anos depois, Rith e Hery criaram uma máquina de viagem no tempo. Precisavam de um cérebro humano e, mesmo Rith relutando, acabam usando Halen, que estava em coma. Quem trouxe ao mundo ameaçara desligar os aparelhos. Por um feitiço, vão parar em Saturno. Como lá a medicina está mais avançada, devolvemos o corpo a Halen. Destruímos o que era máquina. Oferecemos para que ficassem. Mas Hery era irracional. Lisa voltou para Hery. Engravidou. Tiveram Katerine em 2009. (Mel)
Mel olha para Edmont. Kat também. Edmont olha para outro lado. Angely baixa a cabeça. Zenon olha para Edmont. Então volta a olhar para Mel.
Um dia o cão de Edmont atacou Lisa. A saliva era envenenada. Hery foi até Modret, buscar vingança. Modret ficou sem reação quanto ao que acontecera, lutou com Hery para proteger Edmont. Perdeu, não sei como. Edmont atacou Hery. Matou. (Mel)
Mel levanta de novo. Vai até a mesa do computador.
Angely correu até Rith e falou que fugissem. Voltaram a Terra. Três anos mais tarde, Nilrem disse que deveria ter uma luta entre Edmont e Angely por um trono que nunca existiu. Poderiam ter sido guias junto em paz, ou nem serem. Angely venceu, mas fugiu. Foi para a Terra. Meses depois, Edmont foi atrás. (Mel)
Angely olha para Edmont. Edmont baixa a cabeça. Kat levanta, vai até Edmont. Abraça Edmont. Edmont abraça Kat de volta.
Então reencontramos Kat. Pedi desculpas a família, Rith, Halen. Mel veio para a Terra. Domnik acordara. Para destruir Nilrem, destruíram nossa terra e a maior parte do nosso povo. Aí descobrimos sobre vampirs. (Edmont)
Kat abraça Edmont mais forte. Angely baixa a cabeça.
Elian. Matou quase toda a parte humana da nossa família. Sobrou Agatha apenas. (Edmont)
Surpreendente. (Zenon)
Kat encara Zenon. Volta a mesa. Derik segura a mão de Kat. Edmont respira fundo.
Agora pode nos explicar? (Edmont)
Zenon levanta. Aponta a mesa central, com a palma pra cima. Edmont revira os olhos. Senta-se. Mel senta também.
O diário é mesmo do tal Nilrem. E acho que não sabem mesmo o que esse cara aprontou. Nem um décimo. Tem algum casal chamado Jak e Sarah nessa história? Porque só assim para ficar pior. (Zenon)
Quem nos deu a agência. (Mel)
Caralho. (Zenon)
Edmont e Mel encaram Zenon. Zenon senta.
Em 1975, Nilrem tinha 40 anos e estava tentando ensinar o que conhecia sobre feitiçaria a uma criança. Chegou a fazer um pacto para tornar essa criança seu aprendiz, algo equivalente a tornar seu filho. Essa criança tinha um casal de irmãos mais velhos, um de pai, um de mãe, viviam todos juntos. Então Nilrem esbarrou com alguém que conhecia muito mais coisa que ele. Alguém que ele leu como homem e descreve que descobriu que era mulher. (Zenon)
Doki. Domnik me disse que, apesar de não se considerar de qualquer gênero, usava o masculino porque tentaram lhe impor o feminino quando chegou. Usou também para se infiltrar em certos lugares, para pesquisa. (Mel)
Nilrem... Matou Doki? (Edmont)
Sim. Quatro anos depois. Mas pelas pesquisas, pelo poder. Então pegou Modret para criar, imaginou que poderia ser de serventia. (Zenon)
Edmont fecha a mão direita. A respiração pesa.
Três anos depois, 82, Likín apareceu. Isso complicou os planos. Em 89, rompeu o contato com seu aprendiz, aparentemente considerava que tinha perdido o foco. Se apaixonou pela irmã, ela não quis, agarrou a força. Ela engravidou, ele cismou que ficaria com a criança. Pelo que Nilrem cita no diário, não era cuidado de pai. Então Nilrem desistiu e focou apenas em Modret. (Zenon)
Kat segura forte a mão de Derik. Olha para Mel.
Qual era o nome dessa pessoa? (Mel)
Pelas caras de vocês, já sabem. Elian. Parece ser o mesmo? Imaginei pelo nome incomum. (Zenon)
O tal pacto. Foi isso que senti que havia algo de semelhante, no cheiro. (Edmont)
Zenon franze a testa.
Nossos sentidos são mais aguçados que os sentidos humanos. (Edmont)
A história é a mesma. Lara é o nome da criança. Matou a família toda depois que virou vampir, a culpa caiu em Lara. Lara fugiu, engravidou de alguém em algum momento, morreu no parto e Elian sequestrou Beatrice. (Angely)
Pera, A Beatrice?! (Zenon)
Angely franze a testa.
Melhor eu continuar. Quando Nilrem chegou com Modret na terra de vocês, percebeu que não conseguiria lá o poder que tinha aqui tão facilmente. Modret não era um rei como ele imaginava. Nilrem tava com monarquia em mente. E tinha planos de depois trazer o povo atlante para a Terra e reinar sobre todos, oculto sob a sombra de um rei manipulável. Não sabia o que fazer, mas sabia que Lisa seria a arma perfeita para dobrar Modret, que agora se tornava cada vez menos suscetível a ele. E precisava tirar Domnik do controle, e dominar seja lá quem pudesse substituir Domnik. De preferência colocar Lisa no lugar, mas prevenir qualquer outra coisa. (Zenon)
Mel baixa a cabeça. Engole seco. Edmont olha para Mel.
A gravidez. Não foi de atlante. (Edmont)
Do que tão falando?! (Kat)
A gente chega nisso daqui a pouco. (Zenon)
Mel levanta a cabeça e abre mais os olhos, olhando para Zenon. Sua respiração fica espassada.
Nilrem ficou de olho na terra. Precisava usar Lisa, mas teria que deixar Lisa suscetível também, ela não gostava dele. Precisava quebrar Lisa, precisava de um desastre. Continuou olhando para a Terra. Em 97, Lisa largou Hery. E isso era perfeito. Planejou trazer Lisa, depois daria um jeito de trazer Hery. Mas faria isso sem que Hery soubesse. Nessa parte fala algo sobre os atlantes usarem ajuda na terra, para pousarem em locais seguros. (Zenon)
Existem pessoas que são avisadas por sonho, e vão para um lugar seguro. Agatha era um ponto seguro, mas não sabia. Me fez pousar do pior jeito no pior lugar possível. (Mel)
Pior do que no meio da avenida Paulista? (Zenon)
Nem tanto. (Mel)
Foi o que Nilrem fez. Forçou que a pessoa não dormisse até que fosse tarde demais. Quando a pessoa finalmente dormiu, estava no meio da Paulista. Acordou assustada, disse que tinha que fugir. O amigo, que gostava dela, correu atrás. Além de forçar isso, Nilrem fez com que a nave causasse dano a pessoa que ficou dentro do carro, que tinha sido escolhida a dedo. (Zenon)
Halen... Minha mãe... (Kat)
A ideia era fazer Rith embarcar na vingança junto com Hery. Isso aceleraria os planos. O casal que saiu do carro era amigo há muito tempo de Rith e Halen, Rebeca e Júlio. Rebeca resolveu ir morar no Acre depois, Júlio foi junto. (Zenon)
Edmont levanta.
Não, pera, isso é loucura demais... (Edmont)
É hereditário, Edmont. (Mel)
Vocês acham que essa pessoa, Júlio... (Angely)
Sim, é a mesma família que vocês encontraram mais tarde. Nilrem programou o sinal da máquina em que Angely fugiu. Queria manter todo mundo rastreado. (Zenon)
E Edmont usou o mesmo para encontrar Angely. E eu usei o mesmo, pra encontrar vocês. (Mel)
Edmont suspira. Senta-se novamente.
Então Nilrem, mesmo a distância, começou a ajudar Rith e Hery a fazerem a máquina. Não teria conseguido sem eles, porque não conseguiria sozinho fazer uma máquina que, na verdade, era um completo desastre. Estava criando novas Realidades, quando eles achavam que ela voltava no tempo. Por isso destruíram a máquina quando chegou lá. Foi preciso para que as Realidades se equilibrassem. (Zenon)
Foi Domnik quem avisou Luana. Estava em coma, mas começava a se recuperar. (Mel)
Um pouco antes da máquina, tem um relato sobre parte da história posterior de Likín. Sabia que, mesmo na Terra, Likín ainda poderia ser um impecilho, agora que considerava Domnik fora do caminho. Então fez com que o caminho de Lara cruzasse o de Likín. Elian matou Likín, tirando ele do caminho. Depois que Hery já estava lá, só precisou esperar que Hery encontrasse Lisa. Quando Lisa foi atrás de Hery, se deu conta de que Modret não era mais tão manipulável. De que não poderia mais usar Lisa, porque Modret, mais uma vez, deixaria Lisa livre. Foi então que olhou mesmo para vocês dois. Ele tentava manipular vocês desde sempre, não ficou feliz quando nasceram, por ter trabalho com mais uma geração, ainda mais uma geração nascida ali. Já teria trabalho com Mel. Quando Domnik engravidou, eram duas crianças. Nilrem tentou matar, mas uma criança sobreviveu. Viu que poderia ter problemas se tentasse mais alguma vez. Mas percebeu o efeito que qualquer coisa causaria em Angely e em Edmont. Cita algo sobre não querer Angely como discípulo, associou Angely e Doki não sei porquê, mas pensou em usar Edmont. Porque sabia que, por raiva, conseguiria cegar Edmont. (Zenon)
Edmont solta o ar, pisca os olhos, balança a cabeça para os lados. Coloca os cotovelos na mesa, esconde o rosto nas mãos. Kat olha para Edmont. Baixa a cabeça. Angely olha para Mel. Mel continua com o olhar fixo em Zenon.
Nilrem não sabia como resolver o impasse. Então decidiu convencer Edmont de que era herdeiro de Modret, fazer assumir o tal trono que não existia. E colocaria Mel ao seu lado, porque, a essa altura, já tinha quebrado a resistência de Mel. Essa parte eu não sei se posso contar. (Zenon)
Kat olha para Mel. Dara também. Depois para Angely. Então para Edmont. Edmont pousa as mãos na mesa e olha para Mel.
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Que, acha que alguém nessa mesa já não adivinhou o que fez comigo? (Mel)
Não tá dizendo o que eu acho que... (Kat)
Ela tinha sua idade, Katerine. (Zenon)
Kat se encolhe.
Nilrem me olhava de um jeito que não se olha para uma criança. Vi Hery uma única vez na minha vida. Nunca vou esquecer o olhar de nojo. Nilrem me cercava fazia algum tempo. Fingia amizade, mas eu tinha medo. Quando me viu chorando, quando eu disse o que tinha acontecido, Nilrem riu. Então me disse que não tinha problema. Porque eu lhe pertencia. Porque ninguém mais iria tocar em mim. Que eu era especial. (Mel)
Mel levanta da mesa. Pega o meio CD em cima da mesa do escritório. Atira na parede. Os cacos se espalham. Mel grita. Edmont levanta. Angely levanta também. Mel ajoelha no chão. Angely olha para Edmont. Derik levanta e vai até Mel. Abaixa e abraça. Mel abraça de volta. Afasta. Derik levanta, junto com Mel. Leva Mel até a mesa de volta. Mel se senta. Derik senta ao lado de Kat. Kat abraça Derik.
Me convenceu de que era isso, de que eu lhe pertencia. Dali pra frente, não me deixava pensar, não me deixava reagir. Fez o que quis quando quis. Gostava de me provar que podia mandar em mim. Me criticava o tempo todo. Eu já não tinha muita defesa, tirou o que eu tinha. Se eu pudesse pensar, talvez me afastasse. Talvez falasse com Modret. Com Luana. Mas controlava cada passo. Se eu me aproximasse de outra pessoa, minava. Não podia ter nada que não fosse a si. Tinha que estar disponível pra quando quisesse, no meu canto e só quando não quisesse. Volta e meia fazia eu me sentir um lixo. Quando me feria mais forte, se eu me afastava, dizia que me amava, que eu lhe pertencia. Me convencia de que a gente tinha alguma coisa. De que não era só uma praga, me usando enquanto eu ainda era útil. (Mel)
conteúdo oculto (–)
Edmont dá um soco na mesa. Angely senta no chão, no canto. Dara levanta e vai até uma janela.
Quando engravidei, achei que essa era ao menos uma coisa boa. Eu comecei a pensar que não podia deixar a criança perto de Nilrem. Por mais que eu achasse que amava. Mas aí, minha criança... (Mel)
Mel baixa a cabeça. Edmont olha para Zenon.
Me diz que ao menos não foi Nilrem que forçou isso. (Edmont)
Essa criança nunca morreu. (Zenon)
Mel abre mais os olhos e olha para Zenon. Angely levanta. Olha para Edmont. Olha para Mel. Então para Kat.
A gravidez de Lisa era falsa. Foi forjada. Nilrem não quis arriscar perder o controle sobre Mel. Mas não queria se livrar do próprio sangue. (Zenon)
Kat levanta da mesa, jogando a cadeira pra trás. Treme. Derik vai na direção de Kat, mas Kat dá passos para trás. Mel vai na direção de Zenon, joga Zenon no chão e, antes que Zenon levante, Mel está com seu braço em volta do pescoço de Zenon.
Você tá mentindo, desgraça! Porque tá fazendo isso, tá achando divertido?! Hein?! Fala!!! (Mel)
Mel, Zenon tá sob feitiço! (Dara)
Mel olha para Dara. Dara vira da janela para as pessoas de volta.
Fiz um feitiço pra não mentir. (Dara)
Mel solta Zenon. Zenon se senta no chão. Mexe no pescoço.
Como sabe se funciona em vampir? (Edmont)
Funcionou em vocês. (Dara)
Mel e Edmont olham para Dara.
Só tinha como usar se fosse no lugar... Eu não tinha escolha, não achei que fosse ter algo pra vocês dizerem, mas depois que Mel se abriu, eu tive certeza que tinha pego em tudo... E Zenon está sendo mais grosso do que deveria... E eu tô contando uma coisa que eu me jurei não dizer antes que isso acabasse... (Dara)
Mel vai até Kat. Segura em seus braços.
Nilrem não importa. Domnik acordou. Parte de nós veio para a Terra. A maioria ficou. E a energia que foi criada destruiu Nilrem em tantos pedaços que nunca ninguém vai ter como refazer. Nilrem agora é coisa nula, não existe mais. Rith e Halen, é o que importa, e não importa o que veio no seu corpo. É só a merda de um corpo. (Mel)
Kat abraça Mel. Zenon pega a cadeira de volta. Se senta. Mel olha para Derik. Derik se aproxima. Mel afasta Kat. Kat abraça Derik. Derik olha para Mel. Mel aponta a porta que sai para os quartos com os olhos. Derik e Kat saem. Mel senta ao lado de Zenon. Edmont senta do outro lado. Dara senta ao lado de Edmont. Angely ao lado de Mel.
Depois fez o feitiço para que o parto parecesse real, decidiu que precisava fazer com que Kat voltasse para a Terra. Levou o cachorro de Edmont até a casa de Lisa e enfeitiçou. Hery foi atrás de Modret. Modret deveria matar Hery e se matar depois. Mas não saiu como esperado. Modret não era capaz de matar alguém. Nilrem achava que Modret deixou Hery matar ele porque achou que isso faria a raiva de Hery sumir e Edmont estaria a salvo. Mas Edmont matou Hery em seguida, o que deixou Nilrem feliz e imaginando que poderia direcionar Edmont para o que quisesse a partir dali. Inclusive matar o irmão. (Zenon)
Edmont olha para Angely. Angely baixa a cabeça.
Acho que nunca vou conseguir pedir desculpas suficientes por isso. (Edmont)
Você não foi a única criança que Nilrem manipulou. (Mel)
Como que um monstro desses pode sequer existir? (Dara)
Quando mataram Nilrem, devem ter liberado os pais dele. Jak e Sarah foram mortos e os fantasmas presos por Nilrem, para que não pudessem detê-lo. (Zenon)
Edmont levanta e sai pela porta externa. Dara levanta e vai atrás. Alcança Edmont no jardim. Pega no braço de Edmont, Edmont puxa o braço de volta.
Eu não tenho culpa, sabia??? (Dara)
Se tinha um feitiço pra fazer falar a verdade, bem que podia ter um pra apagar essa merda toda das nossas cabeças! Pelo menos teria sido útil! (Edmont)
Vai descontar em mim agora?! Não fui eu quem fez tudo isso! (Dara)
Não, eu que fiz! Eu fiz parte da merda! Prestou bem atenção na história?! Que lado acha que eu pareço mais?! (Edmont)
De que bosta você tá falando agora? (Dara)
Nilrem me queria pra aprendiz! (Edmont)
Dara dobra o braço e vira a palma da mão pra cima. Edmont se senta embaixo de uma árvore.
Angely é mais sensível. Tem mais controle. Tem mais coração. (Edmont)
É, é o que dizem. Agora repete comigo: e daí? (Dara)
Duvido que não ligue. (Edmont)
Dara senta-se ao lado de Edmont.
Eu te amo. (Dara)
Jura? (Edmont)
É claro que sim. Você é uma boa pessoa. Está lutando contra essa merda toda. (Dara)
Escritório. Zenon se levanta.
Eu deixei a tradução no computador. Se quiserem verificar em algum momento, fiquem a vontade. Com os textos lado a lado, devem perceber que não disse nada errado. (Zenon)
Zenon sai. Angely olha para Mel.
Desculpa nunca ter te perguntado. (Angely)
E quem disse que eu teria respondido? Eu só queria fingir que nada aconteceu. (Mel)
Ao menos descobrimos sobre Kat. (Angely)
Acho que é melhor fingir que isso não aconteceu. Kat acabou de descobrir quem Nilrem era. Seria melhor que não pensasse nisso, e isso envolve não pensar em mim. (Mel)
Angely levanta, para atrás da cadeira de Mel, vira a cadeira e abaixa de frente para Mel.
Você é a parte boa. (Angely)
Mel abraça Angely. Afasta. Desce pela escada dos quartos. Angely desce pela escada externa. Vai na direção de trás da casa. Dara esbarra em Angely. Angely segura Dara. Dara segura a blusa fechada. Está rasgada.
Que foi??? Você tá tremendo! (Angely)
Dara abraça Angely. Edmont aparece. Olha nos olhos de Angely. Dara segura forte em Angely. Angely olha para Dara. Olha para Edmont. Edmont entra em casa.
Que aconteceu??? (Angely)
Ele tentou... Tentou... (Dara)
Calma, Edmont não vai fazer nada com você. Não tem como. Se está dizendo o que eu... (Angely)
Minha blusa... Ele... (Dara)
Atlantes são fisicamente incapazes disso. Edmont não ia fazer, não consegue. (Angely)
Então por que... (Dara)
Eu não sei. (Angely)
Edmont entra em seu quarto. Pega uma mochila. Abre uma gaveta. Joga roupas na mochila. Mel entra no quarto.
Que tá fazendo?! (Mel)
Embora. Tô sobrando. (Edmont)
Quê?! (Mel)
Edmont para e olha pra Mel. Fecha a mochila.
Eu mando notícias. Íamos mesmo acabar com a banda e eu não nasci pra ajudar as pessoas. (Edmont)
Mel olha para a mochila. Olha para Edmont.
Não faz isso, por favor... (Mel)
Edmont abraça Mel. Afasta.
Eu sei o endereço, mando notícias. Se cuida e cuida de Angely. Frágil demais pra esse mundo. (Edmont)
Eu sei. Esse era um motivo pra você ficar. (Mel)
Não precisam de mais ninguém destruindo nada por aqui. (Edmont)
Edmont desce. Angely vem da cozinha.
Que tá acontecendo? Mel desce. Eu não... (Angely)
Edmont olha para baixo. Mel olha para Angely. Vai até a cozinha. Volta. Dá um soco em Edmont. Edmont cai no chão. Olha para o chão. Levanta.
Se queria provar que não tinha caráter, não conseguiu. Só conseguiu assustar Dara. Nunca mais faça isso. (Mel)
Não tem mais lugar pra mim aqui. (Edmont)
Nesse momento, não mesmo. (Mel)
Volto quando descobrir quem sou. Talvez não volte. (Edmont)
Edmont sai. Mel olha para Angely. Vai para a cozinha. Angely se solta no sofá. Deita. A vista mareja. Angely fecha os olhos. Lágrimas saem dos cantos.
Entrevista coletiva. Kat está com diversos microfones ao redor. Derik está ao seu lado, segurando sua mão.
Uma pergunta de cada vez! (Samuel)
É verdade que seu irmão mais velho se mudou? (Manolo)
Sim, não sabemos pra onde ainda, mas disse que ligará avisando. (Kat)
E Angely? Por que não está aqui? (Vitório)
Não está muito bem nesse momento. (Kat)
Que ele tem? Alguma doença? (Vitório)
Mais ou menos. (Kat)
Essa doença não existe. (Manolo)
As pessoas riem. Kat olha para Derik. Olha para as pessoas. Silêncio.
Mais alguma pergunta? (Samuel)
Por que marcou essa entrevista coletiva? (Vitório)
Estava esperando terminarem as perguntas pra falar. (Kat)
Ninguém vai perguntar mais nada, certo? (Manolo)
Silêncio. Kat se levanta.
Há algum tempo que pensamos em fazer isso e creio que agora é o momento. Já tinham manifestado essa vontade, mas eu ainda relutei. Agora não há mais como negar que... (Kat)
Vão acabar com a banda? (Vitório)
Vocês brigaram? (Manolo)
Derik se levanta.
Kat vai responder assim que deixarem falar. (Derik)
Kat olha para Derik.
Não tem outras palavras pra isso. Edmont foi embora, Angely não sai do quarto, Mel mal fala... (Kat)
Tomaram essa decisão juntos? (Vitório)
Kat volta a olhar para os repórteres.
Já tinham manifestado essa vontade, como eu já disse. Mas hoje acho que é o dia ideal. 31 de dezembro de 2022. (Kat)
A banda morre com o ano? (Manolo)
Se fãs nos esquecerem, sim. (Kat)
E o filme? (Manolo)
Sem mais perguntas. (Samuel)
Tudo bem, eu respondo mais essa. Não vou fazer um filme sobre a minha vida. Continua sendo privada. Eu só tenho treze anos. Tomem vergonha na cara. (Kat)
Kat vai para a saída. Derik segue.
Poderia continuar com carreira solo! Afinal, você é a vocalista! (Vitório)
Kat baixa a cabeça. Se volta. Olha para Vitório.
Ia ser horrível olhar pra trás e ver um bando de gente desconhecida. (Kat)

Resumo do Capítulo

Kat quebra o CD que Mel pedira que guardasse e lesse, se algo errado acontecesse com Mel. Edmont e Angely descobrem que o CD era um segredo. Edmont fica com raiva. Angely faz Edmont devolver o CD a Kat. Recebem uma ligação do hospital, dizendo que Mel está com problemas. Era uma distração de Mel. Edmont e Angely ficam no hospital. Kat e Derik vão para o escritório, tentar recuperar o CD. Angely confessa que deixou a vampira fugir na cidade. Kat sonha com Beatrice dizendo que levará um deles consigo e indo ao hospital. Angely anda pela cidade e encontra Beatrice, que seguia. Fala sobre a vampira que não matou. Edmont, Kat, Dara e Derik procuram Angely. Mel acorda no hospital. Fala para Angely, Edmont e Dara que um vampiro levou Kat. Tentam deixar Mel no hospital, mas Derik traz roupas e Mel foge. A noite, Derik e Mel encontram a casa onde Kat está. Não encontram Kat. Depois Derik acha Kat com o faro. Vão para casa. Encontram Zenon, que diz que recuperou os dados do CD e está em grego. Se oferece para traduzir, contanto que contem suas histórias. Kat fala com Mel. Mel concorda, Kat nem tanto. Resolvem votar para ter a opinião. Edmont discorda, Angely concorda. Dara concorda. Derik discorda. Esperam o dia seguinte, para esperar um sonho de Kat. Não acontece. Se reunem novamente. Zenon aparece. Kar muda de opinião. Zenon traduz o texto. Contam-lhe a história, começando por Doki, que gerou Likín e Modret, até a morte de Elian. Zenon revela que Nilrem manipulou toda a história, desde Doki, quando sequestrou Modret, passando pelo acidente que quase matou Halen, a máquina de Rith e Hery, as mortes, até infância de Mel, Angely e Edmont, forçando um caso com Mel, e usando a agressividade de Edmont para manipular. E que Kat é filha de Mel, que Nilrem forjou a gravidez de Lisa para esconder Kat. Edmont se enfurece. É agressivo com Dara. Resolve ir embora, não antes de tomar um soco de Mel por Dara. Dias depois, Kat dá a última entrevista, avisando do encerramento da Saturn.

Dara Keon