Três, não quatro
MEAK
A14

Três, não quatro ler resumo

Março de 2023
Quarto de Mel. Noite.
Não podia ter feito o que fez. Angely ficou muito mal. (Kat)
Com Dara foi imperdoável. Ao menos Angely conseguiu explicar... Se bem que não sei nem se entendeu. (Mel)
Logo Edmont, que fala tanto de seres humanos. E logo depois da gente saber... (Kat)
Kat baixa a cabeça.
Kat, você foi a única coisa boa que saiu disso. Eu passaria por tudo de novo, se soubesse que você seria o resultado. (Mel)
No corredor, Angely se aproxima do quarto.
Queria que viesse morar aqui com a gente. Poderia ficar com o quarto de Edmont. (Mel)
Angely baixa a cabeça. Olha para a frente. Suspira. Vai até a porta.
Alguma notícia? (Angely)
Não. Onde esteve? (Mel)
Procurando emprego. (Angely)
E aí? (Kat)
Nada. (Angely)
Eu fiz teste vocacional de novo. (Mel)
E o que descobriu? (Angely)
Que a palavra "entrega rápida" não quer dizer o que parece. (Mel)
Que tipo de emprego está procurando? (Kat)
Que dê dinheiro e eu saiba fazer. Tinha tirado pra ensinar no teste. (Angely)
Podia trabalhar na empresa. (Kat)
Com o quê? (Angely)
Ofereceu pra mim também. Já pensou, usar terno e gravata? (Mel)
Acho que vou continuar procurando. (Angely)
Quando eu tiver poder de decisão, vou baixar uma regra que só não pode ir sem roupa. Talvez eu crie uma área para pessoas que querem trabalhar sem roupa. (Kat)
Espero que não seja a parte do laboratório. (Mel)
Manhã. Campainha. Angely vai até a escada, desce, atravessa a sala e abre a porta.
Tá tudo tão confuso dentro da minha cabeça... (Dara)
Oi pra você também. (Angely)
Posso falar com você? (Dara)
Já tá falando. Não tá pensando em... (Angely)
Não, eu não vou contar pra ninguém. (Dara)
Angely aponta pra dentro com a palma pra cima. Dara entra. Angely fecha a porta. Vai para a cozinha. Dara segue.
Eu não sei o que fazer, o que pensar... (Dara)
O que pedimos pra não contar foi da nossa origem. (Angely)
Angely baixa a cabeça.
Sobre o que houve... (Angely)
Dara franze a testa.
Do que tá falando? (Dara)
Dara desfranze a testa.
Já esqueci aquilo. Principalmente depois que Mel me disse que o barulho que ouvi foi um soco que deu. E Edmont não fez nada no final das contas. (Dara)
Angely olha para Dara.
Não foi nada. O que Edmont fez foi absurdo. (Angely)
Que seja. Minha mente só tá confusa. Se eu perdoei, não tem porque alguém reclamar, né? (Dara)
Oi, bem que ouvi uma voz. (Mel)
Eu tava me sentindo meio só em casa. (Dara)
Eu vou continuar procurando algum trabalho. Só passei pra tomar um lanche, e já tinha feito isso. (Angely)
Angely vai para a sala. Kat desce a escada.
Pode me levar até em casa? (Kat)
Claro. (Angely)
Cozinha.
Mas Angely não precisa procurar trabalho, vocês ganhavam mó grana com a banda... (Dara)
O dinheiro não é eterno. E a gente fazia doações. Talvez não consigamos doar tanto mais, mas seria bom arranjar algo que pudéssemos ainda fazer alguma coisa, além da agência. (Mel)
Angely conseguiria emprego em uma escola fácil, Edmont comentou que o teste dele seria pra ser professor. (Dara)
Eu e Kat achamos que isso é uma desculpa pra procurar Edmont. (Mel)
Tem certeza? (Dara)
Angely não mente normalmente. Mas pode estar sentindo culpa. É a única explicação. (Mel)
Angely para a moto na frente da casa de Kat. Kat desce e tira o capacete.
Valeu. (Kat)
Angely... Você por aqui... (Agatha)
Não, é um holograma. Aliás, até o holograma de Angely tem mais o que fazer do que ouvir suas asneiras. (Kat)
Eu queria falar com ele sozinha. (Agatha)
Não trouxe o anti-ofídico. (Kat)
Não vou engolir seu irmão. (Agatha)
Não duvido que faça isso. (Kat)
Kat entra.
Seria legal ver vocês se dando melhor. (Angely)
Acho que caguei demais com ela. Edmont não deu notícia? (Agatha)
Angely baixa a cabeça.
Não fica assim... (Agatha)
Agatha se aproxima de Angely.
Sei que ele volta. (Agatha)
Angely olha para Agatha.
Vou procurar emprego. (Angely)
Na empresa... (Agatha)
Não é meu estilo de trabalho terno e gravata. (Angely)
E quando for se casar? (Agatha)
Angely franze a testa.
Ah? (Angely)
É, se um relacionamento seu for mais longe... Se gostar mais de alguém... Ou tiver que casar por algum motivo... (Agatha)
Do que você tá falando? (Angely)
Nada, esquece. (Agatha)
Vou pra casa. (Angely)
MEAK. Angely chega. Pousa o capacete no sofá. Mel está na sala.
Ué, achei que fosse procurar emprego... (Mel)
Fui levar Kat em casa. Agatha me veio com um papo estranho de casamento. (Angely)
Tá com Agatha? (Mel)
Não... Eu... Não. (Angely)
Então porque isso? (Mel)
Falou em ter que casar. Acha que pode ter uma criança, daquela vez? Tem gente que casa por isso. (Angely)
E pode ser de Edmont. E de Jeremy, Bryan, Victor, Eloy, e mais gente. E, se for você, o mundo não vai acabar também. (Mel)
Mel sobe.
Tarde. MEAK. Angely abre a porta. Dara entra.
Olha, desculpa por eu vir aqui de novo, mas você é a única pessoa com quem eu consigo falar. (Dara)
Fale. (Angely)
Eu não sei o que fazer, se estou com raiva, ou se era melhor Edmont ter ido embora... O fato é que meus sentimentos estão muito confusos e eu não consigo ficar falando sobre isso comigo só. (Dara)
18h. Dara está andando de um lado a outro. Angely está na cama, sentou-se.
Tá vendo? Não tá usando nem vírgulas mais. (Angely)
Mas é que eu tô com muito nervoso não consigo pensar direito nem falar... (Dara)
Senta aqui. (Angely)
Dara se senta na cama de Angely, na beira.
Por que Edmont tinha que estragar tudo? (Dara)
Não é o fim do mundo. Pode amar outra pessoa. (Angely)
Mas nenhum que me olhe como Edmont olhava. (Dara)
Você é legal. (Angely)
Me dê um exemplo de alguém que goste de mim! (Dara)
Angely olha nos olhos de Dara. Levanta. Vai até a porta. Volta. Ajoelha na frente de Dara. Dara franze a testa. Angely abre a boca para falar, mas trava, puxa mais o ar, abre mais os olhos. Aperta os olhos. Dara arregala os olhos. Angely abre novamente os olhos. Cai para trás, como se soltasse o corpo. A respiração espaça e fica pesada. Dara levanta.
Que foi, Angely??? Que você tá sentindo??? (Dara)
Nada... (Angely)
Vou chamar um médico! (Dara)
Não... preci... sa... (Angely)
Como não??? (Dara)
Angely fecha os olhos e sua cabeça cai para o lado. Dara puxa Angely para cima da cama. Sai do quarto, corre ao quarto de Mel. Vazio. Desce a escada correndo. Passa pela sala. Vai até a cozinha. Desce pela porta para a parte de baixo da casa. Sobe correndo, até o sótão. Desce de volta, dois andares, para a sala. Pega o telefone. Disca. Espera. Desliga bruscamente. Sobe correndo de volta. Chega ao quarto de Angely. Coloca os dedos no pescoço. Senta-se ao lado da cama.
0h. Angely abre os olhos. Senta-se na cama. Dara adormeceu ao lado da cama, no chão, sentou-se. Toca a mão de Dara. Dara levanta a cabeça, arregala os olhos e levanta-se do chão.
Que houve? (Angely)
Como que eu vou saber?! Você teve algum sonho estranho?! Será que tem o mesmo poder de Kat?! (Dara)
Nada. Só senti um gosto estranho, de metal, antes de... (Angely)
Desmaiar? (Dara)
Angely coloca os pés fora da cama. Dara senta-se ao lado. Angely olha nos olhos de Dara. Beija Dara. Dara corresponde. Param. Abrem os olhos. Dara levanta bruscamente, empurrando Angely.
Não quero sua pena! (Dara)
Não é pena! (Angely)
Não pode ser outra coisa! Não estrague nossa amizade, Angely! Por favor! (Dara)
Dara sai. Angely se joga na cama.
Mais fácil você ter pena de mim. (Angely)
Dara volta. Angely levanta da cama, quase caindo.
Não pode me confundir desse jeito! Não dei esse direito! Não deveria fazer isso com ninguém! Não devia tentar "consolar" alguém assim só porque tomou um pé na bunda! Ninguém gosta de sentir que tá com pena, sabia??? (Dara)
Dara respira rápido. Angely solta os ombros. Olha pra baixo. Olha para Dara. Vai até Dara. Olha para baixo de novo. Olha nos olhos de Dara. Engole seco. Dara beija Angely. Coloca os braços em volta do pescoço de Angely. Pula e passa as pernas em volta da cintura. Angely segura. Vira com Dara para a cama. Deita Dara, deitando por cima.
Manhã. Dara acorda. Angely está de costas para Dara. Um braço de Dara está embaixo do travesseiro, o outro enlaçado em Angely. Dara se levanta da cama. Pega as roupas. Veste-se. Sai do quarto. Angely abre os olhos. Vira-se para a porta. Volta a virar para a parede. Fecha os olhos. Se ajeita na cama.
Casa de Dara.
Foi encontrar seu namorado? Dizem que ele caiu no mundo... (Denise)
Que? (Dara)
As revistas, Edmont... Se não foi com ele, com quem passou a noite? (Denise)
Dara franze a testa.
Quem te disse que eu passei a noite com alguém??? (Dara)
Denize franze e testa.
Nossa, que tom de culpa... (Denise)
Denise desfranze a testa, arregala os olhos e sorri.
Peraí, não fez isso! (Denise)
Vou pro meu quarto. Cadê nossos pais? (Dara)
Eles não vieram nos visitar hoje. São turistas por aqui, esqueceu? (Denise)
Sempre ocupados. (Dara)
Não tenta fugir do assunto. (Denise)
Eu não estou... Peraí, o que você tem a ver com a minha vida??? (Dara)
Dara sai da sala.
MEAK. Cozinha. Angely chega de cabeça baixa. Olha para Mel.
Que cara é essa? (Mel)
Nada. (Angely)
Sei que é alguma coisa. (Mel)
Por que acha que tem algum problema? (Angely)
Por que vi Dara sair daqui de mansinho de manhãzinha. (Mel)
Ah? (Angely)
Angely... (Mel)
Eu trai Edmont. (Angely)
Não traiu, Edmont largou Dara, esqueceu? (Mel)
Eu já gostava de Dara antes. (Angely)
Conta uma novidade agora. (Mel)
Talvez eu tenha feito algo errado. (Angely)
Errado? (Mel)
Dara gosta de Edmont, terminaram, teve confusão... Não deveria ter me aproveitado disso. (Angely)
Realmente, Angely, você não presta! (Mel)
Mel sai da cozinha.
MEAK. Mel abre a porta.
Oi. Angely tá aí? (Dara)
Não. Aliás, queria falar com você sobre isso. (Mel)
Claro... (Dara)
Mel sai da frente da porta. Dara entra. Mel fecha a porta.
Não ficou com Angely por vingança, ficou? (Mel)
Dara arregala os olhos.
Não! (Dara)
Angely gosta de você de antes de você começar com Edmont. (Mel)
Tá falando sério?! (Dara)
Sim. Escondeu, escondeu, quando percebi, aí me dei conta que fazia tempo. Com Edmont eu te diria pra cuidar de si, com Angely é o contrário. É muito fácil ferir Angely. (Mel)
Mel sobe a escada. Dara senta no sofá. Kat abre a porta e entra.
Mel tá aí? (Kat)
Kat, também acha que estou usando Angely pra me vingar? (Dara)
Não liga pro que escreveram... (Kat)
Escreveram?! (Dara)
Kat franze a testa.
Não tá falando da revista? (Kat)
Mel veio conversar comigo. Acha que leu isso? (Dara)
Nã. Só eu fico de olho nisso. Tinha inclusive que avisar quando algo a mais aparecia. Quanto a essa história de vingança... (Kat)
Kat tira uma revista da mochila. Entrega a Dara.
Acho que metade do país acha isso. (Kat)
Kat sobe a escada.
Ou metade do planeta. (Kat)
Dara olha a revista:
Depois de ser largada por Edmont, Handhara recorreu a Angely. Golpe baixo, coitadinho do nosso anjinho!
Dara atira a revista na parede. Angely desce a escada, franze a testa.
Que foi? (Angely)
Você leu o que escreveram sobre mim??? (Dara)
Hein?! (Angely)
Uma revista de fofoca! Como sabem que eu fiquei aqui?! Nem minha família sabe! Ou não sabiam... (Dara)
Angely desfranze a testa.
Não dou atenção a isso. Nem tem mais Saturn. Se ninguém tinha nada a ver com minha vida antes, agora menos ainda. E menos que nada é algo... (Angely)
Acabou a banda, mas vocês não! Não vão te deixar em paz! Não a você, nem a ninguém! Acham que eu tô tentando me vingar! Que lógica tem isso??? (Dara)
Não liga pra isso. (Angely)
Não importa. Eu vinha falar com você mesmo sem essas coisas. (Dara)
Algum problema? (Angely)
Foi um erro. (Dara)
Foi um erro o que? (Angely)
Tudo. A gente não devia ter ficado junto... (Dara)
Está assim por causa da revista? (Angely)
Até Mel e Kat acham isso! (Dara)
Angely baixa a cabeça.
É por causa da opinião dos outros? (Angely)
Nós passamos uma noite juntos... Não é como se eu estivesse terminando também... (Dara)
Pra mim foi como uma vida. (Angely)
Angely, acho que foi apenas fraqueza nossa. (Dara)
Angely olha para Dara.
Você não desistiria pela opinião dos outros. (Angely)
Não ia dar certo. A gente tava mal. Foi isso. (Dara)
Ainda gosta de Edmont? (Angely)
Dara abre a boca. Fecha. Olha para baixo. Para o lado. Então olha para Angely. Angely baixa a cabeça. Sobe a escada. Dara suspira.
Você é perfeição demais. (Dara)
Casa de Dara. Derik está na sala, no sofá. Dara entra. Derik levanta.
Olha, eu sei que você não gosta muito de conversar comigo, mas eu acho que é a única pessoa que pode me aconselhar. (Derik)
Te aconselhar? Se sou a pessoa mais burra que existe na face da Terra? (Dara)
Kat tá perguntando da minha família... (Derik)
Fale a verdade. (Dara)
Como??? (Derik)
Não sei. (Dara)
Merda. (Derik)
Derik se solta no sofá. Dara senta ao lado.
E você, qual o problema? (Derik)
Não lê revista? (Dara)
Ah? (Derik)
Esquece. (Dara)
Seja quem for, fale a verdade. É o melhor. (Derik)
Dara encara Derik. Derik levanta e sai. Dara solta os ombros.
Acho que fui eu quem acabei de dizer isso. Como eu sou burra... (Dara)
MEAK. Porão. Angely está treinando arco e flecha.
Angely, eu preciso falar com você. (Dara)
Angely atira. Rearma sem olhar para Dara.
Sei que não gosta de mim. (Angely)
Não precisa tanta estupidez! (Dara)
Angely afrouxa o arco. Olha para Dara.
Desculpe, não era minha intenção. (Angely)
Tá vendo??? Eu é que fiz tudo errado! Você devia me xingar! (Dara)
Por que era o que Edmont faria? (Angely)
Dara encara Angely. Balança a cabeça para os lados. Vai até a porta da rampa, que vai para fora da casa. Coloca a mão no puxador. Tira a mão.
Que isso? (Dara)
Dara poe a mão em um fio azul. Segue o fio até um armário. Angely se aproxima. Pega um fio vermelho. Segue. Vai até a maçaneta da porta que entra na casa.
Que isso? (Angely)
Dara abre o armário. Arregala os olhos. Angely se aproxima. Há um dispositivo com dinamites. Um marcador conta 71:57:27.
Três dias? Temos três dias de vida? (Dara)
Isso não é nada bom. (Angely)
Sala.
Eu decidi que vou... (Derik)
Um barulho. Derik e Kat se entreolham.
Será que alguém se prendeu lá embaixo? (Kat)
Kat e Derik vão até a porta interna para o porão. Derik coloca a mão na maçaneta.
Não abre! (Dara)
Tem uma bomba aqui! (Angely)
Uma bomba??? Estão brincando! (Derik)
Não, não estamos! (Dara)
Que vamos fazer? (Kat)
Chamar a polícia. (Derik)
Tem certeza que é uma bomba??? (Kat)
Porão.
Não, é um despertador que solta fogos! (Dara)
Nós vamos trazer ajuda, se acalmem! (Derik)
Casa de Dancan.
Que? ### Uma bomba?! ### Tá, eu vou praí... (Mel)
Mel desliga.
Bomba? (Dancan)
Parece que deu alguma merda. Tenho que ir. (Mel)
Eu vou com você. (Dancan)
Não, você fica. (Mel)
Mas... (Dancan)
Mel cruza os braços.
É do esquadrão anti-bombas? (Mel)
Pera, é literalmente uma bomba? (Dancan)
Mel revira os olhos. Levanta da cama e vai para o banheiro.
Delegacia.
Peraí, você só pode estar brincando... (Brad)
E eu ia brincar com algo assim?! (Mel)
Não sei. Artistas são excêntricos. (Brad)
Sei que tá com raiva de mim, mas pode não envolver minha família nisso?! (Mel)
Tarde. MEAK.
Chamaram ajuda. (Angely)
Quero ver eles tirarem a gente se a bomba tá aqui dentro. (Dara)
Seja otimista. (Angely)
Prefiro ser realista. (Dara)
Temos alguma chance. (Angely)
Só se arranjarem um desarmador de bombas fantasma! (Dara)
Temos quase setenta horas ainda. (Angely)
Barulho de helicóptero.
Será que é a TV? (Angely)
A essa hora até no Japão já se sabe. Dessa vez eles inventam que você ia me dar um pé e eu me desesperei. (Dara)
Dara... (Angely)
Acha que ninguém pode pensar nisso? Escreveria isso se fosse alguém com um diploma de jornalismo que não tem nada de útil pra dizer. (Dara)
Eu só quero sair daqui. (Angely)
Onde vocês vão morar se tudo for pelos ares? (Dara)
Não vai tudo pelos ares. (Angely)
Ah, você não tem que pensar nisso, vai junto! (Dara)
Batidas na porta.
Sim? (Angely)
Com o que se parece o que está aí dentro? (Alberto)
Com uma bomba! (Dara)
Há parafusos? (Alberto)
Sim. (Angely)
Tem alguma... (Alberto)
Não precisa explicar cada passo, quer que abramos a bomba? (Dara)
Eu tava pensando em uma câmera de celular. Pra me mostrarem. (Alberto)
O sinal é uma merda nessa região. Angely, tem caixa de ferramentas aqui? (Dara)
Ei! (Alberto)
Acho que sim. (Angely)
Lado de fora.
De onde conhece esses malucos??? Acho que vão tentar abrir a merda da bomba! (Alberto)
Cara, eu nunca consigo dissuadir ninguém de nada nessa família, melhor ajudar. (Brad)
Alberto encara Brad. Lado de dentro.
Achei! (Dara)
Dara pega a caixa de ferramentas. Leva para o lado da bomba. Escolhe uma das chaves philipps. Abre os parafusos e tira o visor com contador.
Tem mais fio que nos filmes. (Angely)
Que fazemos agora? (Dara)
Quantos fios tem aí? (Alberto)
Um monte deles! (Dara)
Onde estão ligados? (Alberto)
Em tudo quanto é lado! (Angely)
Evacuem a área! Merda, eu já não disse que essa bosta pode explodir??? Temos um bomba aqui, não um show! (Alberto)
Dara e Angely se entreolham.
Desculpem, estava falando com as pessoas aqui fora. (Alberto)
Que fazemos aqui? (Angely)
Qual a cor do fio que tá ligado nas portas? (Alberto)
Um azul e um vermelho. Pera, dá pra ver, as cores dos fios não se repetem... (Dara)
Do lado de fora.
Tá fácil demais. João! (Alberto)
Sim? (João)
Tira todos os bisbilhoteiros e o escambal de inúteis. Inúteis ou não, não vou ser responsável por mortes aqui. (Alberto)
Mas acha que a bomba pode explodir aqui pra fora? (João)
Vai ser uma explosão, imbecil, essa casa enorme vai explodir! Eu nem sei quanto explosivo tem aí dentro! Você tem certeza que fala minha língua??? (Alberto)
Lado de dentro. Dara pega um alicate.
Vamos ter que cortar o fio que vem da porta. (Dara)
Cortar? E se explodir? (Angely)
É a única chance, liberaria a porta. Não quero ficar esperando o cara se decidir. (Dara)
É um risco. (Angely)
Assumo o risco. (Dara)
Kat, Mel e Derik estão na frente da MEAK.
Eu não vou sair daqui até estarem a salvo. (Mel)
O chefe mandou tirar todo mundo, disse que pode... (João)
Uma explosão. A casa desaba em si. Mel, Kat, Derik e João, que estavam mais perto, caem no chão. Mel se senta no chão. Olha para Kat. Kat senta também. Vai engatinhando até Derik. Pega o pulso. Beija a testa. Mel levanta. Corre para a parte de trás da casa. Angely ajuda Dara a se levantar. Mel para, ofegante, apoia as mãos nos joelhos.
Noite. Delegacia. Mel e Kat estão em uma sala de espera.
Livros, armas e todos os pertences pessoais de vocês. (Kat)
Edmont saiu a tempo. (Mel)
Sorte. Que vão fazer agora? (Kat)
Temos dinheiro ainda. Podemos encontrar um outro lugar, comprar tudo de novo. O pior são os livros. (Mel)
Angely entra na sala. Kat levanta e abraça Angely. Dara entra. Olha para Mel.
Bom, todo mundo bem, depoimentos tomados, vou pra casa. (Dara)
Te damos uma carona. (Kat)
Não, eu não moro tão longe assim. Tô indo. (Dara)
Dara sai.
A família não veio buscar? (Angely)
Acho que não. (Mel)
Angely sai. Chega até Dara.
Nós te levamos em casa. (Angely)
Não precisa, eu sei chegar sem ajuda. (Dara)
Por que essa hostilidade? (Angely)
Eu não quero mais reportagens. (Dara)
Não é isso. (Angely)
Dara encara Angely.
Tá, eu vou. (Dara)
Mel e Kat saem.
Vamos? (Mel)
Ainda tem seu carro... (Angely)
Eu sai de perto da casa com ele. (Mel)
Vocês vão ficar na minha casa. E você, resolveu parar de birra? (Kat)
Dara encara Kat.
Não sou eu quem tem 13 anos aqui. (Dara)
Casa de Dara. Angely e Dara entram na sala. Denise está olhando pela janela. Victor está no sofá, com o controle da TV na mão. Denise vira e olha para Angely. Então para Dara.
E ainda nega que está com ele??? (Denise)
Não assiste TV? (Dara)
Eu tava... (Denise)
Denise! (Victor)
...ocupada. (Denise)
Os botões da camisa tão errados. (Dara)
Victor e Denise olham pra camisa.
Mas eu fechei certo... (Denise)
certo. (Victor)
Victor encara Dara.
Vocês podiam ao menos assumir que estão todos juntos. (Dara)
Diz isso pros nossos pais. (Denise)
Não quero perder minha herança. (Victor)
Victor sai.
Bom, eu vou descansar no meu quarto, temos algo a descobrir amanhã. (Dara)
Como assim? (Angely)
Bombas não têm vontade própria. (Dara)
Que bomba? (Denise)
Esquece. Obrigado, Angely. (Dara)
De nada. (Angely)
Angely abraça Dara. Sai.
Casa de Kat.
O terceiro quarto tá livre? (Kat)
Angely podia dormir no meu quarto. (Agatha)
Agatha, Angely quer dormir. (Kat)
Têm certeza que não vamos incomodar? (Mel)
É claro que pode ficar aqui, afinal, família é pra essas coisas! (Agatha)
O cansaço do dia foi grande. Vão dormir no quarto que era de Rith e Halen. (Kat)
Angely deita na cama. Mel já deitara.
Nossa, eu nunca pensei nisso... Mudar de casa seria normal, mas vamos ter que recomeçar tudo. (Angely)
Acho que devíamos comprar uma casa na cidade, é muito longe aqui. (Mel)
É, talvez. Dara tava falando uma coisa e concordo: devíamos começar a investigar quem tentou nos explodir. (Angely)
Não é melhor deixar isso pra polícia? (Mel)
E se tiver sido alguém tentando se vingar? (Angely)
Zenon não faria isso. (Mel)
Não falei de Zenon. Acha que pode ter sido? (Angely)
Apenas pensei que estivesse falando de Zenon. Vamos ver, que fizemos ultimamente? (Mel)
Bom, deve ter sido antes do avião cair. (Angely)
Por que? (Mel)
Acho que o avião, a cobra que mordeu Kat, a minha moto e agora isso têm ligação. Não sei explicar por que, mas me pareceu que sim. (Angely)
Por que a cobra que mordeu Kat? (Mel)
Vi alguém rondando o lugar e Manuel disse que não haviam cobras daquele tipo por ali. Em todo caso, melhor falarmos com Kat. (Angely)
Nesse momento, estou com sono. (Mel)
Madrugada. Um grito. Angely e Mel sentam na cama.
Ok, eu juro que isso não parece grito de medo de verdade. (Mel)
Vocês realmente não gostam de Agatha, né? (Angely)
Se você achasse que foi de verdade, não tava aqui falando comigo. (Mel)
Vou ver. (Angely)
Angely vai até a cozinha.
Que foi? (Angely)
Uma barata! Tinha uma barata aqui! (Agatha)
Angely procura e nada.
Tudo bem, acho que foi embora. (Angely)
Agatha desce da cadeira.
Não sei nem como agradecer... (Agatha)
Não grita mais! (Mel)
Angely ri. Sai.
Droga! (Agatha)
Quarto.
Que era? (Mel)
Barata. (Angely)
Angely deita.
Barata? (Mel)
Engraçado, não lembro de Agatha ter medo de barata... (Angely)
Dorme, Angely. (Mel)
Mel se vira de volta.
Mas... Ah... (Angely)
Manhã. Kat mexe em Angely. Mexe em Mel.
Acorda! Droga... (Kat)
Kat sai. Volta com dois pratos de bateria. Bate um no outro. Angely senta na cama, Mel pula e coloca a mão na cintura. Olha para Kat.
Kat! (Mel)
Desculpem, mas é urgente. (Kat)
Fale. (Angely)
Acordem primeiro! (Kat)
Kat sai. Minutos depois, cozinha.
Não ia sair com Victor? (Kat)
Eu? (Agatha)
Não, a pessoa que namora com Victor. (Kat)
Eu desmarquei. (Agatha)
Preciso falar a sós com Angely e Mel. (Kat)
Que tanto escondem? (Agatha)
Não é da sua conta. (Kat)
Agatha baixa a cabeça. Sai.
Só o que me falta agora, querer que eu sinta culpa. (Kat)
Cadê Agatha? (Angely)
Foi ver Victor. (Kat)
Tava na casa de Denise ontem. (Angely)
Tá sentindo falta? (Kat)
Não, eu só... (Angely)
Então? Por que nos acordou quase literalmente no grito? (Mel)
Alguém quer Angely sete palmos abaixo da terra. (Kat)
Por que? Eu não fiz nada... (Angely)
Que sonhou, exatamente? (Mel)
Bom, vi o avião cair, bebida ser envenenada, Angely parar com a moto dando problemas e depois a bomba. Angely deixou a porta aberta, mas Dara fechou. Depois algo nos estados unidos, mas acho que ainda vai acontecer. (Kat)
Mas então não era necessariamente pra Angely. Qualquer um podia descer lá e se trancar com a bomba. (Mel)
Você não tava em casa. Kat não desce lá. (Angely)
Dara tem razão. Melhor começarmos a investigar quem poderia ter feito isso. (Mel)
Era um pessoa forte, um e oitenta... Mas não consegui ver mais nada. (Kat)
Vai ser difícil. (Angely)
Bom, não é todo mundo que tem um e oitenta. (Mel)
Angely tem um e oitenta. (Kat)
Zenon tem mais ou menos essa altura... (Mel)
Não acho que tenha sido. O avião foi antes de Djanira. (Angely)
Talvez tivesse alguma coisa com quem fugiu de você. (Mel)
E se aproximou de nós pra poder entrar! (Kat)
Zenon não me pareceu... (Angely)
Angely, você acredita em todo mundo. Deixa que nós decidimos de quem duvidar, não tem condições de logo você culpar alguém. (Mel)
Por que diz isso? (Angely)
Deixou vampir fugir pra não matar. (Mel)
Angely baixa a cabeça.
Vou sair, dar uma volta. (Angely)
Angely sai.
Melhor fazermos isso sem Angely. Vou até a delegacia, ver se têm alguma pista. (Mel)
Tarde. Delegacia.
Oi, você por aqui... (Brad)
Queriam explodir Angely. É natural que eu queira saber quem foi. (Mel)
Ah... Ou tiraram as impressões digitais errado, ou então quem fez isso queria brincar com a nossa cara. (Brad)
Fui ver o que pediu... (Renata)
Essa é Renata, minha nova parceira. (Brad)
Melody. (Mel)
Brad me falou de você. (Renata)
Bem ou mal? (Mel)
Ah... (Renata)
Então, o que conseguiu? (Brad)
Um túmulo remexido e um corpo roubado. (Renata)
Divertido. Agora temos que descobrir quem botou a bomba a partir de quem revirou o túmulo. (Brad)
E de quem era o túmulo? (Mel)
Que diferença faz? (Brad)
Talvez faça. (Mel)
Você acha que pode trabalhar melhor que a polícia? (Brad)
Achamos Talita. Você não. (Mel)
Aqui. (Renata)
Renata entrega a ficha a Mel.
Ei, vou precisar disso! (Brad)
Acabou de dizer que não faz diferença... (Mel)
Brad encara Mel. Sai andando.
É mais bonita ao vivo. (Renata)
Renata sai.
Manhã. Casa de Kat. Mel, Kat e Angely estão a mesa.
Parece que nossas suspeitas estavam certas. (Kat)
Pode ser que o corpo tenha sido mesmo roubado. (Mel)
A coisa, no sonho, não me parecia humana. (Kat)
E os restos do avião? (Angely)
Disseram que foi inconclusivo o resultado e deixaram por isso mesmo. Vamos ter que ir até os Estados Unidos? (Mel)
Bom, eu vi que ia acontecer algo lá. (Kat)
E a pessoa que as digitais tavam na casa é de lá. (Mel)
Eu vou. Mel já tem contato com polícia, vai se sair melhor aqui que eu. (Angely)
Tem certeza? Não queria procurar emprego? (Mel)
Não achei nada até agora mesmo... (Angely)
Mas não seria burrice você ir se Kat sonhou que vai te acontecer algo? (Mel)
Pode ser que não seja comigo. (Angely)
Kat franze a testa.
E com quem mais... (Kat)
Kat desfranze a testa.
Não tá achando que...? (Kat)
Edmont? (Mel)
Pode ser que todos sejamos alvo. (Angely)
Justificaria a parte da cobra. (Kat)
Tem que ir ao banco trocar dinheiro, ver a passagem... (Mel)
Eu faço isso. (Angely)
Talvez não seja uma boa ideia a gente se separar. (Kat)
Já ficou provado que não existe problema em atacar todo mundo junto. Talvez seja até mais fácil. (Mel)
Mel levanta.
Trouxe algumas roupas nossas, não quer se trocar? (Mel)
Trouxe? Mas se explodisse, eu ia junto... (Angely)
Não achei que fosse explodir. Mas achei que a casa ia ficar cercada e não íamos poder voltar lá. (Mel)
Me troco e levo o resto comigo. (Angely)
Posso escolher uma casa enquanto isso? (Mel)
Claro, qualquer lugar que você escolha tá bom pra mim. (Angely)
Angely sai. Chega ao quarto onde dormiram. Abre um armário. Vazio. Olha embaixo da cama. Puxa uma mochila. Olha para frente, Agatha está na porta. Abre a mochila. Fecha.
Onde vai? (Agatha)
Viajar. (Angely)
E quando volta? (Agatha)
Mel vai encontrar outro lugar. Deve ter achado quando eu voltar. (Angely)
Agatha baixa a cabeça.
Devia tentar se reaproximar de Kat. (Angely)
Não tem mais jeito. (Agatha)
Agatha olha para Angely.
Fiz muita cagada. (Agatha)
Acho que até de Mel você conseguiria se aproximar. A gente não foi criado pra condenar pessoas eternamente. (Angely)
Kat cresceu aqui. (Agatha)
Quem criou foram Rith e Halen. (Angely)
Angely vai na direção da porta. Dá um beijo na testa de Agatha e sai.
Será que achar que consigo gostar de mais de uma pessoa faz sentido se são gêmeos? (Agatha)
Sala. Mel e Kat estão no sofá.
Eu vou até o banco e depois no aeroporto. (Angely)
Angely coloca a mochila nas costas e sai. Mel olha pra Kat.
Vai ter que dizer. (Kat)
Mel respira fundo.
Sua moto explodiu. (Mel)
Angely volta, com a mochila na mão e ombros caídos.
Te dou uma carona. (Mel)
Valeu. (Angely)
Tarde. Casa de Kat.
A essa hora, está no avião. (Mel)
Sua vez. (Kat)
É. Vou ter que ir a uma imobiliária. Devo conseguir fácil, tendo dinheiro pra comprar a vista. Talvez até consiga um bom desconto. (Mel)
Cuidado pra não se meter em furada. (Kat)
Foda vão ser todos os móveis depois. (Mel)
Mas você não ficou um tempo que ficava se mudando? (Kat)
É, mas nesse tempo eu ficava em hotéis, fugia sem pagar, dormia em prédio abandonado. Nada que exigisse ficar escolhendo. Depois, ganhamos uma casa mobiliada. (Mel)
Edmont deve ter pego o dinheiro pra viajar provavelmente. (Kat)
Onde será que tá? (Mel)
Noite. Edmont está andando numa rua. Chega a um hotel.
News? Alguma novidade? (Edmont)
Your brother is here, sir. Seu irmão está aqui, senhor. (Rick)
What? Que? (Edmont)
Your brother, sir. É, o seu irmão, senhor. (Rick)
Do you know which hotel? Sabe em que hotel está? (Edmont)
I just said that. Eu já disse. (Rick)
Here? Are you sure? Aqui? Tem certeza? (Edmont)
Do you have any blonde clone? Tem algum clone loiro? (Rick)
What about the thing I asked? E sobre o que pedi? (Edmont)
Nothing yet. Nada ainda. (Rick)
Thanks. Valeu. (Edmont)
Edmont abre a carteira. Tira dez dólares. Entrega a Rick. Vai até o elevador. Sobe. Vai até um quarto. Pega a chave. Coloca na fechadura. Abre. Entra. Fecha. Se joga na cama. Franze a testa. Senta na cama. Vai até a porta. Abre e sai. Atravessa o corredor. Anda algumas portas.
Mesmo andar. (Edmont)
Edmont bate na porta. Nada. Barulho de TV. Edmont abre a porta. Entra. Angely se senta na cama.
Não está em casa. Melhor aprender a trancar a porta ou vai acabar recebendo surpresa em alguma hora imprópria. (Edmont)
Edmont... (Angely)
Angely vai até Edmont. Abraça.
Nossa, a saudade era tanta? (Edmont)
Angely afasta.
Então, o que veio fazer aqui? Não deve ter vindo me procurar. (Edmont)
Por que não? (Angely)
Não estou em perigo pra Kat sonhar comigo. Ou estou? (Edmont)
Não. (Angely)
Você e Mel vão morar nos Estados Unidos por que aqui é mais seguro contra explosões? (Edmont)
Também não. As impressões digitais da pessoa que colocou a bomba são de alguém cujo enterro foi aqui. (Angely)
Mas certamente a pessoa teria que estar lá pra fazer o que fez. Tem mais coisa. (Edmont)
Kat sonhou com os acidentes, depois que algo aconteceria aqui. (Angely)
Sou a única pessoa que estou longe... Como sabia que eu estaria aqui? Kat sonhou isso também? (Edmont)
Você gostou daqui quando viemos. Gostou da vista desse quarto, por que dava pra ver o sol nascer. (Angely)
Tava ocupado quando me hospedei. Não me animei a trocar. O meu dá pra ver o sol se pôr. (Edmont)
Melhor voltarmos pro Brasil. (Angely)
Eu não vou. (Edmont)
Por favor... (Angely)
Não adianta. Se for pra acontecer algo, que aconteça. (Edmont)
Edmont sai do quarto.
Manhã. Angely, com a mochila nas costas, bate na porta de um quarto. Rick abre.
Yes? Sim? (Rick)
Was there anyone in this room? Tinha alguém nesse quarto? (Angely)
A.L.K.? (Rick)
Yes, it's me. Sim, sou eu. (Angely)
He asked to give you that. Pediu pra entregar isso. (Rick)
Rick entrega um bilhete a Angely. Angely abre:
Não procure, não vai encontrar.
Are you brothers? São irmãos? (Rick)
Yes. Somos. (Angely)
I know you from somewhere... Eu conheço você de algum lugar... (Rick)
Do you know Saturn? Conhece a Saturn? (Angely)
My daughter is your fan... Can you give me an autograph? She would be so happy! Minha filha é fã de vocês... Pode me dar um autógrafo? Ela ficaria muito feliz! (Rick)
Sure. Claro. (Angely)
Cemitério. Angely senta em frente a uma lápide.
What are you doing in a cemitery at this time? Que faz num cemitério a essa hora? (Lorena)
I just stopped by. Só parei por aqui. (Angely)
Just in front of this grave? Justo na frente desse túmulo? (Lorena)
Why? Por quê? (Angely)
There was a vampire there. Um vampiro tava aí embaixo. (Lorena)
How are you so sure? Como tem tanta certeza? (Angely)
Don't you believe in vampires? Não acredita em vampiros? (Lorena)
Lies. They are always lying. Do you know this one? Mentiras. Estão sempre mentindo. Conhece quem tava aqui? (Angely)
Sure. Claro. (Lorena)
Can you take me? Pode me levar? (Angely)
Lorena ri.
I don't wanna see him dead. Não quero ver ele morto. (Lorena)
I won't kill your friend. Não vou matar. (Angely)
You just said you've met more than one vampire. If you are alive... Acabou de dizer que conheceu mais de uma vampira. Se tá vivo... (Lorena)
I let them go. Can't kill. Deixei fugir. Não consigo matar. (Angely)
What you want from him? E o que quer com ele? (Lorena)
You friend tried to blow me up. Tentou me mandar pelos ares. (Angely)
Lorena ri novamente.
And you don't wanna kill him? What for so? E não quer matar ele? Pra que então quer ver ele? (Lorena)
I wanna know what he has against me. Quero saber o que tem contra mim. (Angely)
Chegam a um mausoléu grande. Entram.
Hey, we have visit... Ei, tem visita... (Lorena)
Alguém pula em cima de Angely. Angely joga no chão. Entra em posição de defesa.
Honey, he just want to know why you tried to blow up him. Meu bem, ele só quer saber por que tentou explodir ele. (Lorena)
Eu? Ah, tô reconhecendo você... (Daniel)
Se mal me reconhece, por que... (Angely)
Foi uma troca. (Daniel)
Troca? (Angely)
Tava devendo um favor pra alguém que salvou minha vida. Bom, não que me importe com isso, mas ele ia tirar o que me deu se não fizesse isso. (Daniel)
E quem é? (Angely)
Vou te contar só por que ele me torturou. (Daniel)
Madrugada. Angely entra no banheiro do aeroporto. Olha no espelho. Joga água no rosto. Vira para trás.
Quem é você? Não pode ser uma pessoa comum. (Lorena)
Eu sou comum. (Angely)
Não é possível! Não consigo te matar, nem ele! (Lorena)
Angely franze a testa.
Isso parece bom. Pra mim. (Angely)
Eu tô falando sério! (Lorena)
Queria que eu lamentasse? (Angely)
Eu não devia ter pena de você, não tenho pena de ninguém, sou uma vampira! (Lorena)
Eu preciso mesmo ir. (Angely)
Lorena bufa e sai. Angely pega o celular. Disca.
Mel ainda está aí? (Angely)
Está. Ainda não encontrou nenhuma casa. (Kat)
Posso falar com Mel? (Angely)
Ei, esqueceu que eu estou com vocês? (Kat)
Desculpe. É estranho... (Angely)
...falar com alguém da minha idade. Mas é melhor se acostumar. Pode ter horas em que Mel não possa, como agora. (Kat)
Fazendo o que? (Angely)
Tá no banho. (Kat)
Ah... (Angely)
Diz logo o que é, merda! (Kat)
Vão ter que ir até a biblioteca. Um desses seres estranhos está por trás disso. Só tavam fazendo um serviço. (Angely)
E matou quem encontrou? (Kat)
Não vem ao caso. (Angely)
Como não??? (Kat)
Me escuta. Disse um nome estranho, tive que anotar. (Angely)
Certo, papel e caneta... (Kat)
Silêncio.
Soletre. (Kat)
G-A-K-H-J-E. (Angely)
É o nome da criatura? (Kat)
A espécie. O nome é Roger. (Angely)
Ah, bom... (Kat)
Eu tenho que desligar, vou acabar perdendo o vôo. (Angely)
Tá. Até. (Kat)
Até. (Angely)
Angely desliga o telefone. Se vira e toma com uma lixeira na cara. Cai. Daniel pega nos braços. Lorena pega pelas pernas. Em outro lugar, Edmont dá um passo pra trás.
What happened? Que foi? (Lucy)
Nothing. Nada. (Edmont)
There is blood in your mouth! Tem sangue na sua boca! (Lucy)
I need to go. Preciso ir. (Edmont)
But... Mas... (garota)
Edmont sai.
Manhã.
Mas eu não consigo! (Daniel)
Seu incompetente, por que não manda outro fazer??? (Roger)
Ninguém consegue, todos olham pra ele e... (Daniel)
Que bonitinho, se apaixonaram... Eu mesmo farei isso! (Roger)
Alô?! (Daniel)
Tarde.
Onde eu tô? (Angely)
Num lugar que ninguém vai encontrar você. (Roger)
Eu fiz algo errado? (Angely)
Precisa? Nós é que somos os bandidos. (Roger)
E a troco de que me prenderam? (Angely)
Viu uma vampira, uma chamada... (Roger)
Dxanir? (Angely)
Esse não é o nome dela. (Roger)
De quando não tinha virado. (Angely)
Ela nunca me contou. Pediu pra eu me vingar. (Roger)
Não é por Dxanir que está fazendo isso. Não parece. (Angely)
Cala a boca!!! (Roger)
Roger pega uma arma, aponta para Angely. Engatilha. Franze o rosto. Atira na parede lateral.
Mas que diabos! (Roger)
Eu avisei. (Daniel)
Roger atira em Daniel, que cai no chão.
Isso dói! (Daniel)
Agora é sua vez. (Roger)
Roger aponta de novo. Franze o rosto. Joga a arma no chão. Roger vai parar na parede. Daniel sai correndo e mancando. Roger arregala os olhos. Corre. Edmont se aproxima de Angely. Desamarra.
Valeu. (Angely)
Ainda é minha família. (Edmont)
Como descobriu que eu... (Angely)
Tenho minhas fontes. (Edmont)
Mas faz tão pouco que tá aqui... (Angely)
Angely... (Edmont)
Eu devo ter perdido o avião... (Angely)
Angely! (Edmont)
Que? (Angely)
Estamos no Brasil. (Edmont)
Que? (Angely)
Estávamos no sul dos Estados Unidos. Agora estamos no Brasil. No extremo norte, mas no Brasil. (Edmont)
Ah... Que horas são? (Angely)
Três da tarde. (Edmont)
Eu acho que vou pra casa. (Angely)
Angely sai. Volta.
Vem comigo. Vamos pra casa... (Angely)
Minha casa não é mais aqui. (Edmont)
Sempre vai haver lugar pra você entre nós. (Angely)
Se cuida. (Edmont)
Angely abraça Edmont.
Pelo menos me leva até um lugar que eu conheça. (Angely)
Edmont afasta Angely.
Não posso, infelizmente. Sobe a escada no canto, vai dar na rua. (Edmont)
Estamos em uma cidade? (Angely)
Mais ou menos. (Edmont)
Ah... Bom, vou indo. A gente se vê. (Angely)
Noite. Toca a campainha. Mel abre a porta.
Angely, onde esteve??? (Mel)
Quem tentou explodir a gente me pegou. (Angely)
Nos explodir? Tentou te explodir. (Kat)
Angely se senta no sofá.
Talvez. (Angely)
E aí, como se livrou? (Mel)
Não conseguiu me matar. (Angely)
Foi o que Mel perguntou, como se livrou? (Kat)
Não, vocês não entenderam. Não teve coragem. (Angely)
Como não?! (Kat)
Não mata pessoas?! (Mel)
Queriam que eu morresse? (Angely)
A gente só... (Kat)
Tá, eu entendi. (Angely)
Mas por que não te matou? (Mel)
Roger disse que não conseguia, Daniel perturbou Roger, Roger atirou em Daniel, depois virou a arma pra mim, não conseguiu de novo... (Angely)
Não te torturou, não te bateu? (Mel)
Angely pisca os olhos e franze um pouco o rosto.
Eu tô estranhando vocês... (Angely)
A gente? (Kat)
Não estão querendo que eu morra também, estão? (Angely)
Deve ter algo por trás disso, não é possível! (Mel)
Vou subir. Preciso descansar. (Angely)
Angely vai para o quarto.
Acho que caiu de cabeça e esqueceu de alguma coisa. (Mel)
Tipo o que? (Kat)
Alguém deve ter salvado Angely. (Mel)
Isso eu sei. Podíamos tentar hipnotismo! (Kat)
Quem vocês vão hipnotizar? (Derik)
Não tá achando muita folga? (Kat)
Vocês brigaram? (Mel)
É, alguém disse que ia me apresentar pra família. (Kat)
Meu pai e minha mãe trabalham! (Derik)
No que? (Kat)
Já disse, eles trabalham numa clínica... (Derik)
Seus pais mudam de emprego fácil. Era uma fábrica da última vez. (Kat)
Kat... (Derik)
Kat se levanta e sai.
Derik... (Mel)
Ah? (Derik)
Aprende a mentir. (Mel)
Mas eu... (Derik)
Que tem de errado com a sua família? (Mel)
Nada, só que... (Derik)
Então devo achar que são um porre? (Mel)
Eu moro na floresta. (Derik)
São pássaros ou...? (Mel)
Não, eu moro sozinho. (Derik)
E sua família? (Mel)
É complicado. (Derik)
Kat volta.
Ah, esta é minha casa, eu tinha esquecido, você é quem tem que sair. (Kat)
Kat... (Derik)
Está mentindo pra mim, eu sei! Não dá pra continuar assim. (Kat)
Como assim? (Derik)
Tá tudo acabado. Aliás, nunca existiu, né? Se não, confiaria em mim. (Kat)
Kat vai pra seu quarto.
Mel, eu não posso contar. (Derik)
Tá escondendo algo de Kat? (Angely)
Olha, eu... (Derik)
Eu também não podia contar pra Meg. Se eu tivesse contado, não teria morrido. (Angely)
Não se culpe por isso. (Mel)
Angely tá certo, e se acontecer alguma coisa com Kat? (Derik)
Daí vai ficar com isso na consciência pelo resto da vida. Como eu. (Angely)
Angely vai até a saída.
Onde vai? (Mel)
Não sei. (Angely)
Melhor nós irmos procurar quem te sequestrou. (Mel)
Angely volta e se senta.
Roger. Já viram na biblioteca? (Angely)
Trouxemos o livro. (Mel)
Gente, temos um problema... (Kat)
Todos olham pra Kat.
Eu sonhei hoje e tinha esquecido de falar... Agora me toquei do nome. (Kat)
Mais problemas? (Mel)
Roger. Mora por perto. (Kat)
Quão perto? (Derik)
Kat encara Derik.
Posso encontrar. (Derik)
Mora na cidade. E não tá fazendo isso por si. (Kat)
Ah... Pode nos levar? (Mel)
Claro. Você vem, Angely? (Kat)
Que vão fazer? (Angely)
Sei lá, vamos ter que ver. (Mel)
É perigoso. (Angely)
Não se for quem não conseguiu te matar. (Mel)
Pelo menos esperem amanhecer. (Angely)
Manhã. Mel, Kat e Derik entram em um bar de esquina. Kat senta no balcão. Mel encosta. Derik fica de frente para Mel e Kat.
Como não estranham aquele bicho? (Derik)
Não fica o tempo todo daquele jeito. (Mel)
Ia ser difícil viver assim. (Kat)
E você sabe como é? (Derik)
Kat vira Derik pra trás.
Não é meio... grande? (Derik)
Roger olha, franze a testa e se aproxima.
Algum problema? (Roger)
Queremos falar com você. (Mel)
Eu é que não quero! (Derik)
Derik! (Kat)
Minhas habilidades são de fuga, não de luta! (Derik)
Ele veio aqui brigar comigo? (Roger)
Não, eu apenas... Vim saber por que... (Derik)
Derik mede Roger.
...te-te-tentou ma-ma-matar a i-i-irmã, que-que-quer di-di-dizer, o i-i-irmão do meu... da mi-mi-minha na-na-namorada... (Derik)
Você é bem confuso. E por que gagueja tanto? (Roger)
Ta-ta-também ga-ga-gaguejaria se vi-vi-visse a-a-alguém co-com o do-do-dobro do seu ta-ta-tamanho. (Derik)
Roger sorri.
Isso ia ser meio difícil. (Roger)
Tudo bem, vocês não deviam ter vindo, deixa que eu falo. (Mel)
Roger olha Mel de cima a baixo. Mel encara Roger.
Se quiser algo além de falar... (Roger)
Saiam daqui. (Mel)
Mas... (Kat)
Saiam. (Mel)
Melhor nós fazermos o que Mel tá mandando. (Derik)
Covarde! (Kat)
Covarde, não, um ser inteligente com instinto de sobrevivência! (Derik)
Derik sai, levando Kat.
Você realmente não vai querer me deixar com raiva. (Mel)
É? (Roger)
Quero saber e quero saber agora quem tá pagando você pra fazer isso. (Mel)
E como vai me convencer a falar? (Roger)
Noite. Casa de Kat.
E aí? (Derik)
Me deu um endereço. (Mel)
Como convenceu? (Kat)
Parei de bater. (Mel)
E vamos até lá? (Kat)
Amanhã. (Mel)
Por que??? Temos sempre que deixar pra amanhã??? (Derik)
Algum problema? (Kat)
Vocês estão correndo perigo de vida! Não se importam com isso??? (Derik)
Calma! (Kat)
E se acontecer algo com você??? (Derik)
Não vai! É com Angely! (Kat)
Agora sabe? (Mel)
O foco virou Angely. (Kat)
Mel franze a testa.
Não pergunta, não sei responder. (Kat)
Derik abraça Kat. Mel vai até a cozinha.
É, conseguiu mesmo deixar Derik com medo. (Mel)
Do que tá falando? (Angely)
Falou tanto daquele negócio de Meg que agora Derik acha que pode acontecer algo com Kat. (Mel)
Acho que devia contar. (Angely)
Madrugada. Angely está no jardim. Chega um carro. Abre a porta. Desce.
Você... (Angely)
Não, não vim pra ficar. Mas sei que estão com problemas. (Edmont)
Mel conseguiu um endereço. Talvez seja da pessoa que está tentando matar a gente. (Angely)
Qual o endereço? (Edmont)
Eu pego lá dentro, com uma condição. (Angely)
Qual? (Edmont)
Não vai sem mim. (Angely)
E o que vai fazer? Ficar olhando pras paredes enquanto... (Edmont)
Só quero saber quem foi antes de você matar. (Angely)
É, você me conhece bem. Vai lá. (Edmont)
Angely entra na casa. Vai até o quarto. Olha para a cabeceira do lado de Mel. Dá a volta na cama. Coloca a mão no papel, mas outra mão segura sua mão.
Onde pensa que vai sem mim? (Mel)
Minutos depois, Edmont está de costas, recostou-se no carro.
Achei que vinha sem ninguém. (Edmont)
Eu também. (Angely)
Sou parte disso. (Mel)
Pelo menos é mais alguém pra lutar além de mim. (Edmont)
Impressão minha ou mudou o visual? (Mel)
As pessoas mudam. (Edmont)
Param o carro na frente de um grande armazém. Saem do carro. Edmont franze a testa.
Droga... (Edmont)
Que foi? (Mel)
Eu sei quem tá fazendo isso. (Edmont)
Edmont olha em volta.
E tenho certeza que você me ouviu. (Edmont)
Do que tá falando? (Beatrice)
Tenho certeza que atrás de você não tem ninguém. (Edmont)
O próximo passo era matar a família. (Beatrice)
Toca na minha de novo e vai ver o que te acontece. (Edmont)
É? (Beatrice)
Não vai matar Beatrice?! Angely eu entendo, mas você já teria enfiado a estaca antes de começar essa conversa!!! (Mel)
Tira Mel daqui. (Edmont)
Agora acha que mandam em mim??? (Mel)
Vamos, Mel. (Angely)
Edmont joga a chave para Angely. Angely entrega a chave para Mel. Entra no banco do passageiro. Mel franze a testa. Olha para Edmont. Então para Beatrice. Entra no carro.
Explica agora. (Mel)
Vamos embora, por favor. (Angely)
Por que??? (Mel)
Mel olha para Angely. Angely baixa a cabeça.
Então??? (Mel)
Não percebeu? (Angely)
Perceber o que??? (Mel)
Edmont... (Angely)
Mel olha para fora. Edmont continua firme, olhando para Beatrice. Beatrice olha para Angely. Então para Mel. Sorri.
Não pode ser. (Mel)
Mas é. (Angely)
Então é melhor... (Mel)
Angely olha para Mel com os olhos marejados.
Sairmos daqui. (Angely)
Mel olha pra Angely. Coloca a chave na ignição. Dá partida. Saem com o carro.
Beatrice olha o carro se afastar. Entra no armazém. Edmont segue. Uma sala montada de móveis velhos. Beatrice para no meio. Vira para Edmont. Edmont se aproxima.
Por que está tentando matar Angely? (Edmont)
E quer ele vivo pra que? (Beatrice)
É minha família. (Edmont)
E vai me matar por isso? (Beatrice)
Nossa ligação é mais forte do que pensa. Por que quer tanto isso? (Edmont)
Beatrice vira, mas Edmont segura-lhe o braço.
Responde. (Edmont)
Ninguém consegue matar ele. Isso não te dá medo? (Beatrice)
Me alivia. (Edmont)
Por que? Qual é o tamanho dessa... Ligação que vocês têm? (Beatrice)
Quando estávamos no carro, sussurrou duas datas. A que nascemos e outra que tenho certeza que você reconheceria. (Edmont)
Não sei. Eu nem lembro direito. (Beatrice)
Beatrice puxa o braço. Edmont pega Beatrice pela cintura e puxa pra si. Os rostos ficam próximos.
Mentira. (Edmont)
Claro que eu lembro. Ia esquecer como? (Beatrice)
Beatrice desenlaça os braços de Edmont. Senta-se em um sofá.
Como descobriu? (Beatrice)
Edmont vai para trás do sofá. Passa as mãos nos cabelos de Beatrice, jogados no sofá. Puxa para frente, deixando o pescoço descoberto do lado esquerdo.
Bateram em Angely e eu senti. Deve ter sentido também. (Edmont)
Já entendi por que quer ele vivo. Se ele morrer... (Beatrice)
Estranho que essa ligação tem ficado cada vez mais forte. (Edmont)
Quanto mais distantes em seu caminho, mais ligados ficam? (Beatrice)
Edmont agacha. Beija o pescoço de Beatrice. Beatrice fecha os olhos e relaxa o corpo.
Não quer que eu morra, quer? (Edmont)
Não. Você parece com Andrews. (Beatrice)
Tô tão machista assim? (Edmont)
Motivos diferentes. Mas o olhar, o instinto de proteção... (Beatrice)
Elian não era assim? (Edmont)
Beatrice abre os olhos e levanta do sofá.
Ele queria apenas uma amante. Como todos os outros. Só que uma amante que obedecesse ele. (Beatrice)
Edmont levanta. Vai até Beatrice. Toca a esmeralda. Beatrice segura-lhe a mão.
Fica mais fácil ver as coisas quando sabemos de tudo. (Edmont)
Fica mais fácil quando fica pra trás. Presente a gente calcula. Futuro a gente espera. Passado a gente esquece. Principalmente quando sabe detalhes tão absurdos. Prefiro esquecer o monstro que me criou. (Beatrice)
Manhã. Casa de Kat.
Tá, agora você vai me falar por que... (Mel)
Angely, tem... (Kat)
Estamos tendo uma conversa séria, Kat. (Mel)
Mas... (Kat)
Como ficou sabendo o que aconteceu? (Mel)
Mel... (Angely)
Não enrola, como soube que Edmont virou vampir? (Mel)
Que? (Dara)
Mel olha pra trás. Dara está olhando para Mel. Então olha para Angely.
Ainda bem que Agatha não está. (Angely)
Repete isso, eu acho que não entendi. (Dara)
Eu tenho algo sério pra te falar! (Derik)
Estamos falando de Edmont! O que pode ser mais importante??? (Kat)
Lembra que queria saber da minha família? (Derik)
Agora resolveu me contar?! (Kat)
Eles vivem em outro Universo. (Derik)
Não acredito que tá inventando isso pra não me apresentar sua família! (Kat)
Eu não... (Derik)
Derik, eu não quero saber disso agora! (Kat)
Temos um assunto mais sério aqui! (Dara)
É um segredo, eu não devia ficar guardando, é sério! (Derik)
Sua briguinha de namorados não é mais séria que a morte de Edmont! (Dara)
Mel olha pra Dara e depois pra Angely.
Edmont não morreu. (Angely)
Edmont me disse uma vez que um vampiro é alguém que devia ter ficado sete palmos abaixo da terra e eu concordo com isso. (Dara)
Se tivesse morrido, eu também não estaria aqui. (Angely)
Ia se suicidar? (Dara)
No dia que a gente tava junto. Eu passei mal. (Angely)
Hein?! Quando eu ia ficar sabendo disso??? (Mel)
Você sentiu... (Dara)
Por isso eu sei que Edmont vive. (Angely)
Angely sobe a escada. Entra no quarto. Senta-se no chão. Se encolhe. Esconde a cabeça. Levanta a cabeça bruscamente. Levanta do chão. Vai até o banheiro. Joga água no rosto. Olha para os próprios olhos no espelho. Baixa a cabeça.
Tá com calor? (Agatha)
Angely olha no espelho. Vê a Agatha de camisola. Olha em seus olhos. Mudam de cor. Ficam acinzentados. Se vira. Olha para Agatha. Então Agatha é Beatrice. Volta a ser Agatha. Angely vai na direção de Agatha. E encosta na parede. Beija Agatha, que corresponde. Para. Agatha está ofegante.
Mas os olhos do Edmont é que são cinzas... Os seus são azuis... (Agatha)
Angely tranca a porta do banheiro. Beija Agatha novamente.
Sala. Mel, Dara, Derik e Kat estão nos sofás. Olham para nada.
Meu Deus... (Dara)
Logo que Angely me falou, pensei em matar Edmont. (Mel)
Eu também. (Dara)
Pode ser uma ameaça. (Derik)
Ajudou a gente. Faz parte do nosso grupo, da nossa família. Não é simples vampir. (Kat)
Não podemos matar Edmont. Tem ligação com Angely. (Mel)
Teremos que deixar Edmont viver? (Dara)
Estaríamos matando Angely cravando uma estaca no peito de Edmont. (Mel)
Se entreolham. Silêncio.
Algum tempo, algum lugar
Quanta coisa. De repente, tudo tinha sido armação de Nilrem. Até mesmo Beatrice teve parte de Nilrem. (Xien)
Era um polvo. Armou tanto que tentou tomar até o que não teria como. (Uehfo)
E agora Edmont tacou o foda-se. (Xien)
E a ligação de Edmont e Angely começou a se fortalecer. (Uehfo)
Cada coisa que você mostra, parece que me lembro de novo. (Xien)
Essa é a ideia. Mas só vai conseguir enxergar a imagem depois que montar todo o quebra-cabeças. (Uehfo)
Ainda tem muita coisa? (Xien)
Depende do que define como muita coisa. (Uehfo)
É que tem uma coisa me incomodando. Você tem um nome? (Xien)
Não posso dizer. (Uehfo)
Podemos criar um? Me incomoda essa situação. (Xien)
Ok. Vou começar a te chamar de Xien e você me chama de Uehfo. (Uehfo)
Por que você é sol e eu lua? (Xien)
Sou eu quem estou trazendo a luz do conhecimento, nada mais justo. (Uehfo)
Uehfo estende a mão para Xien.
Continuar? (Uehfo)
Xien pega a mão de Uehfo.

Resumo do Capítulo

Mel oferece o quarto de Edmont a Kat. Angely ouve, mas não diz nada. Dara tenta falar com Angely, por confusão com tudo que acontecera. Diz que Edmont não fez nada demais, e que perdoou. Conversando, Angely quase se declara a Dara, mas sente dor e desmaia. Dara não consegue encontrar ninguém em casa e acaba dormindo ao lado de Angely, no chão. Angely acorda, diz que sentiu um gosto estranho antes de desmaiar. Angely e Dara se beijam. Dara sai, mas volta. Dormem juntos. Dara vai para casa sem dizer nada ao acordar. Angely diz a Mel que sente culpa, Mel debocha de Angely. Mel pede a Dara que tome cuidado para não ferir Angely. Kat diz a Dara que uma revista publicou que Dara estaria usando Angely de consolo. Dara diz a Angely que não podem continuar. Angely conclue que Dara ainda gosta de Edmont. Derik pede conselho a Dara sobre contar sobre sua família a Kat. Dara aconselha que Derik fale a verdade e Derik devolve o conselho, sobre Angely. Dara vai atrás de Angely. Briga com Angely. Vai sair, mas descobrem uma bomba no porão, ligada às portas. A polícia chega, mas Dara perde a paciência e resolve cortar os fios por si. A casa explode. Dara e Angely conseguem correr para fora. Angely e Mel vão para a casa de Kat. Angely e Agatha conversam sobre Kat, Agatha acha que não pode recuperar do que fez. Angely recomenda que tente. Mel, Kat e Angely especulam sobre quem pode ter feito o atentado. Lembram do avião, da cobra, e da moto de Angely, que dera problema. Pensam em Zenon, Angely discorda. Kat e Mel dizem que Angely nunca desconfia de ninguém. Mel vai a delegacia e pega os dados de uma impressão digital desconhecida achada na casa. É de alguém que já morreu. Kat sonha com todos os acidentes e com algo que aconteceria nos estados unidos. Angely vai investigar. Acha Edmont em um hotel que gostara em outra viagem. Conta sobre tudo. Edmont diz que não se importa se acontecer algo e some. Angely vai ao cemitério de onde era o corpo. Lorena (vamp) fala com Angely e leva Angely até Daniel, que fez a explosão acontecer. Daniel entrega Roger, mandante, de uma raça diferente. No aeroporto, Daniel e Lorena derrubam Angely. Sequestram. Não conseguem matar. Roger também não. Edmont salva Angely. Angely vai para casa. Fala de Roger. Kat briga com Derik, por causa do segredo sobre a família. Sai, mas volta. Lembra que sonhou com Roger. Mel, Derik e Kat vão ao encontro. Roger se recusa a cooperar. Kat e Derik voltam para casa. Mel consegue o endereço. Decide ver no dia seguinte. Edmont aparece, fala que quer ajudar. Angely tenta pegar o endereço sem Mel saber, mas Mel percebe. Vão em três até um galpão abandonado. Edmont se dá conta de quem é o lugar. Beatrice aparece. Angely convence Mel a entrar no carro e sair. Conta que Edmont se transformou. Saem com o carro. Chegando em casa, Dara ouve. Dara e Mel falam em matar Edmont. Angely conta que sentiu a transformação e que Edmont ainda vive, ou também teria morrido. Vai para o quarto. Encontra Agatha. Tem uma crise, e as imagens de Agatha e Beatrice se confundem, assim como a cor de seus olhos. Beija Agatha. Agatha corresponde. Angely tranca a porta do banheiro e continuam. Mel, Dara, Kat e Derik ficam na sala, sem saber o que fazer.

Dara Keon