Veneno
MEAK
A16

Veneno ler resumo

Angely e Mel estão no sofá da sala.
Talvez seja melhor pra mim e pra você. (Mel)
Então eu te incomodo? (Angely)
Não foi isso que eu quis dizer. (Mel)
Não queria morar só. (Angely)
Já tá mais que na hora da gente desgrudar. Até você e Edmont... (Mel)
Angely baixa a cabeça. Mel baixa a cabeça, depois olha para o lado.
Não foi o melhor argumento que já usei na vida. (Mel)
Tudo bem. (Angely)
Angely se levanta. Vai para a cozinha.
Eu só tava pensando que talvez fosse melhor a gente pudesse ter um lugar só pra si, sabe? Acho que, morando junto, tiramos a privacidade... (Mel)
Um barulho forte. Mel levanta e corre até a cozinha. Angely está no chão. Angely se encolhe. Mel se abaixa perto.
Que foi??? Tá sentindo alguma coisa??? (Mel)
Não é nada... (Angely)
Angely, sua pele tá pálida, tá tremendo! (Mel)
Não se preocupe, já vai... (Angely)
Angely desmaia.
Droga! (Mel)
Casa de Dara. Dara está atirando flechas. Coloca a mão no bolso. Tira o telefone. Olha a tela. Franze a testa. Atende.
Alô? (Dara)
Dara? (Mel)
Fala. (Dara)
Disquei o primeiro número que me veio à cabeça... (Mel)
Mel, que foi? Você parece... (Dara)
Aconteceu de novo! (Mel)
Aconteceu de novo o que??? (Dara)
Angely... (Mel)
Calma, eu tô indo. (Dara)
Dara para no farol. Acelera pra sair. A moto morre. Tenta ligar, sem sucesso. Leva a moto para a calçada. Um carro para junto.
Precisa de ajuda? (Filip)
Acho que a gasolina. (Dara)
Dara vira. Filip tem uma arma de caça, com um dardo. Dara olha para a arma. Olha para Filip.
Quem é você? (Dara)
Ninguém que você conheça. (Filip)
Filip atira o dardo. Dara coloca o braço na frente. Filip sorri e volta para o carro. Dara dá um passo para trás e aperta os olhos. Pega o telefone. Disca.
Mel? (Dara)
Já está melhor. (Mel)
Minha moto descarregou e tô com uma zonzeira estranha, podia vir me buscar aqui? (Dara)
Claro. (Mel)
Casa de Mel e Angely.
Parou, quando olhei, atirou isso em mim e foi embora. (Dara)
Pode ser algum tipo de veneno, melhor irmos ao hospital. (Angely)
Eu não gosto de hospitais. (Dara)
Mel cruza os braços.
E de viver? (Mel)
Noite. Hospital.
Bom, não me parece nada, mas vou esperar uma melhor análise do dardo. Por que alguém atirou em você? (Psique)
Talvez alguém que seja fã da Saturn. Ainda tem revista postando abobrinha. (Mel)
Posso ir pra casa? (Dara)
Pode. Vou fazer novos testes, só pra garantir, você disse que sentiu tontura e eu não gosto muito dessas máquinas. (Psique)
Dara olha para Mel.
Viu? Vim no hospital por besteira. Nem médico confia nessas bostas. (Dara)
Dara sai. Pega um cigarro do bolso.
E Mel? (Angely)
Mel... Sei lá, deve ter ficado lá dentro. (Dara)
Pra que? (Angely)
Sabe que não faço a menor idéia? guarda o maço de cigarros Me leva em casa? (Dara)
Melhor esperar Mel sair... (Angely)
Tá, eu sei ir. (Dara)
Dara sai andando. Angely franze a sobrancelha. Mel sai.
Que foi? (Angely)
Sei lá, saiu correndo na minha frente... (Mel)
Vai pra casa. (Angely)
Que? (Mel)
Vou atrás, deve ser algum tipo de droga que não detectaram. (Angely)
Vai lá. Qualquer coisa, me chama. (Mel)
Angely está na sala do casarão que Mel conseguira. Senta-se no chão. Levanta. Vai sair, Edmont segura-lhe o braço.
Sei que não foi atrás de mim que veio. (Edmont)
Desculpe, eu não quis incomodar. (Angely)
Já incomodou. (Dara)
Angely baixa a cabeça. Sai.
Nunca vi você falando assim com Angely... (Edmont)
Angely não se toca de nada! Não sabe nem o que deve fazer! (Dara)
Andou bebendo? Porque aquilo que eu fiz aquele dia, eu não ia fazer nada com você, e se você bebeu, é a mesma... (Edmont)
Claro que não! Não era isso que você queria?! Não me queria?! (Dara)
Ainda quero. (Edmont)
Dara se aproxima e beija Edmont, que abraça e puxa pra junto de si.
Angely entra na sala. Cabeça baixa. Mel levanta de sopetão do sofá.
Que foi??? Não aconteceu nada, aconteceu??? (Mel)
Não, só voltou com Edmont. (Angely)
Mel arregala os olhos.
Deve ter algo errado com o tal dardo, mas você não tomou dardo nenhum pra deixar isso assim! (Mel)
Que esperava que eu fizesse? (Angely)
Onde estavam? (Mel)
Edmont ama Dara. E Dara ama Edmont. Foi Dara quem me mandou embora. E acho que estava lá pra... (Angely)
Esqueceu que Dara tá fora de si?! Edmont pode até transformar Dara! (Mel)
Não cheguei a pensar nisso... (Angely)
Você pode ser muito inteligente, mas tem horas que sua bondade não te deixa pensar! (Mel)
Sabe a casa que você comprou? (Angely)
Estão lá? (Mel)
Sim. (Angely)
Então vamos agora, antes que seja tarde. (Mel)
Angely franze a testa.
Não vai fazer isso. (Angely)
Vou sim! (Mel)
Estou falando de Edmont. (Angely)
Como sabe? (Mel)
Não sei. Me deu alguma coisa, uma certeza... Eu sei que não vai. (Angely)
Confia demais em Edmont. (Mel)
Não tô pedindo pra confiar em Edmont. Tô pedindo pra confiar em mim. (Angely)
Dia seguinte. Toca o telefone. Mel acorda. Atende.
Alô? (Denise)
Sim? (Mel)
A Handhara tá aí? (Denise)
Não... Não voltou pra casa? (Mel)
Não, eu até estranhei. Pensei que estivesse com Angely. (Denise)
Mel desliga o telefone. Levanta. Vai ao quarto de Angely e bate na porta. Abre a porta. Vazio. Vai até a cozinha.
Esquece o café da manhã, acho que sua teoria tava errada. (Mel)
Casarão.
Dara! (Mel)
Edmont? (Angely)
Presente. (Edmont)
Mel tira uma estaca da calça e tenta cravar no peito de Edmont, mas Edmont segura.
O que andam caçando pra você ficar nesse susto todo. (Edmont)
Edmont... (Angely)
Edmont solta o braço de Mel.
Vieram procurar Handhara? (Edmont)
Você é que não foi. (Mel)
Tá lá em cima. (Edmont)
Se não estiver respirando, vou atravessar com um pedaço de madeira e enterrar você bem fundo, pra ninguém achar. (Mel)
Mel sobe. Edmont vai até a janela.
Não sei se está respirando. Talvez se arrependeu e se matou. (Edmont)
Angely arregala os olhos. Sobe as escadas correndo. Mel está perto de Dara, se agachou. Dara está num canto, se encolheu, abraça as pernas dobradas.
Dara, por favor... (Mel)
Não encosta em mim! (Dara)
Angely suspira fundo.
Só pode ser algo que Edmont... (Mel)
Não fiz nada. (Edmont)
Edmont encosta perto da porta e cruza os braços.
Acordei e tava aí no canto. Desse jeito. (Edmont)
Mel se levanta e encara Edmont. Angely abaixa perto de Dara.
Vem comigo... (Angely)
Não! Não toca em mim! (Dara)
Não vou tocar, apenas quero que venha. (Angely)
Vocês são maus... Todos maus! (Dara)
Eu não sou ruim. Você sabe disso. (Angely)
Fez o que afinal??? (Mel)
Edmont bufa e descruza os braços.
Tenho certeza que sabe, já fez tanto quanto eu. (Edmont)
Edmont sai. Dara olha fixamente nos olhos de Angely. Pega sua mão.
Tarde. MEAK.
Temos que falar com alguém que entenda disso. (Angely)
Temos é que ir atrás de quem fez isso. Deve ser a única pessoa que sabe como tirar isso de Dara. (Mel)
Talvez se eu tentasse falar com Dara de novo... (Angely)
Não. Temos que ir pela descrição que deu do carro. (Mel)
Consegue fazer algo com isso? (Angely)
Dou meu jeito. (Mel)
Noite. Cozinha.
Vou chamar Zenon. Você fica aqui e olha Dara. Depois vemos quem vai atrás do terceiro carro. (Mel)
Temos alguém. (Angely)
Kat não conta, Derik menos ainda... (Mel)
Angely olha fixamente para Mel. Mel franze a testa. Desfranze.
Não, isso não! (Mel)
Mas... (Angely)
É vampir! (Mel)
Zenon também. (Angely)
Cruza os braços e encara Angely.
Mel, por favor... (Angely)
Mel descruza os braços. Bufa.
Tudo bem. Eu falo com Zenon e você com Edmont. (Mel)
Casarão.
Aposto que relutou. (Edmont)
Por que diz isso? (Angely)
Edmont ri. Angely baixa a cabeça.
Tem seus motivos. (Edmont)
Angely entrega um telefone a Edmont.
Vai ligar dando o lugar exato. (Angely)
Tá. (Edmont)
Boa sorte. (Angely)
Pra você também. (Edmont)
Madrugada.
Realmente, não era o cara. (Zenon)
Deve ser quem Edmont foi atrás. (Angely)
Era o que eu menos desconfiava! Droga! (Mel)
Mel sai. Zenon franze a testa.
Seu irmão andou fazendo alguma coisa? (Zenon)
Angely baixa a cabeça.
Se transformou. (Angely)
Vampiro?! (Zenon)
Angely acena para cima e para baixo com a cabeça.
Pra ela confiar mais em mim que nele, a situação tá ruim mesmo... (Zenon)
Mel volta com uma besta. Zenon levanta bruscamente.
Não é pra você... Bom, de certa forma, é. (Mel)
Se queria me matar, não era mais fácil ter feito isso antes?! (Zenon)
É pra ir atrás de Edmont! (Mel)
Ah, é isso... (Zenon)
Edmont não vai fazer nada de errado. (Angely)
Edmont já era ruim de controle quando não tinha se transformado, agora então... (Mel)
Que bom que ainda fala bem de mim. (Edmont)
Edmont joga Filip no chão.
Era isso que procuravam? (Edmont)
Peraí, esse é o cara com quem eu... (Zenon)
Mel não confia em mim nem pra pegar um copo d’água. E você não interrogaria como eu interroguei. Sabia que ia te dar quem parecesse mais, porque, se mostrar os dentes, a chance de a pessoa se borrar inteira e entregar até a mãe era grande. Mas você não ia. Então esperei você falar e Filip te colocar pra fora da casa. Aí mostrei que é feio sair drogando as pessoas assim. (Edmont)
Filip faz menção de se levantar, Edmont pega pelo pescoço.
Não disse pra não se mexer?! (Edmont)
Edmont, coloca no sofá... (Angely)
Acho que ele já percebeu que você é forte. (Zenon)
Edmont joga Filip no sofá. Filip urra.
E aí você bateu até falar? Aparentemente não funcionou. (Mel)
Acho que quem pergunta com jeito é Angely. (Zenon)
Demorei pra descobrir a mudez. (Edmont)
Angely franze a testa.
Que foi? (Edmont)
Que mudez? (Angely)
Acho que foi porque fiz engolir umas vinte daquelas coisas que tinha no laboratório. (Edmont)
Angely abaixa perto de Filip.
Consegue escrever? (Angely)
Filip mostra as mãos. Estão ensanguentadas.
Como vamos descobrir a verdade agora se emudeceu ele e quebrou os dedos?! (Zenon)
Se quisesse falar, tinha falado já. Achei isso nas anotações... (Edmont)
Mel pega o papel da mão de Edmont. Lê. Balança a cabeça para os lados. Entrega a Zenon.
Num laboratório esquecido, um cientista, igualmente abandonado, prepara sua vingança para o mundo que o excluiu: um vírus. É passado através do sangue. A pessoa leva seis dias para... Morrer. (Zenon)
Zenon olha para Angely. Depois para Mel.
Continua. Fica pior. Essa porra acha que tá num filme de ficção científica. (Mel)
O vírus mexe com hormônios e muda de estágio a cada vez que o paciente dorme, provando que o vírus se modifica durante o sono. Os efeito observados variam a cada dia, não se apresentando no seguinte. No primeiro dia, mexe com a libido. No segundo, com medo. No terceiro, o senso de responsabilidade some. No quarto, a pessoa passa a falar sobre tudo. No quinto, tristeza. Então, a febre. O corpo esquenta, e a pessoa reclama de frio. Os estágios foram assim determinados: extroversão, antropofobia, infância, verdade e tristeza. E agora seu vírus está solto, para fazer a justiça que ele não teve. (Zenon)
E como curamos isso? (Angely)
Quebrei os dedos quando escreveu umas dez vezes que não tinha cura. (Edmont)
E você acreditou?! (Zenon)
Não fez o vírus para vender, fez pra matar. Se fosse por dinheiro, tinha dito a cura para parar de apanhar. Era pra destruir tudo. Não pensou em uma cura. (Edmont)
Angely baixa a cabeça. Silêncio.
Por que a calma? (Angely)
Dara tá dormindo. Passando para o terceiro estágio agora. Se ficar dormindo... (Edmont)
Ah, vocês estão aqui! Tem chocolate? (Dara)
Que? (Angely)
Infância. (Edmont)
Tô com vontade de comer chocolate! (Dara)
Não tem, mas podemos comprar. (Angely)
Já viu que horas... (Mel)
Zenon encara Mel. Angely sai. Dara sorri e segue.
Tá, onde tem sonífero? (Edmont)
Vai fazer o que? (Mel)
Alguma coisa de chocolate. (Edmont)
Se colocar ela pra dormir, ela passa pro quarto estágio. (Zenon)
Não se fizermos ficar dormindo até descobrir a cura do vírus... (Edmont)
Sabe quanto tempo levaram pra descobrir a cura da AIDS??? Acha que é assim, um segundo??? (Mel)
Não pretende encontrar a cura. Quer transformar ela numa vampira. (Zenon)
Mel olha pra Zenon. Então para Edmont. Senta-se no sofá e apoia a cabeça nas mãos.
Se for a única forma de... (Edmont)
Sai daqui. (Mel)
Não vai me impedir. (Edmont)
Mel levanta.
Sai daqui agora! (Mel)
Edmont sai.
E esse cara? (Zenon)
Leva pra merda de um hospital e larga. (Mel)
É... Um pouco... Tarde. (Zenon)
Mel vai até Filip. Coloca os dedos no pescoço.
Hospitais não aceitam mortos. (Zenon)
Agora que a gente não vai curar Dara nunca. (Mel)
Vou me livrar disso. (Zenon)
Boa ideia. (Mel)
Uma hora depois.
Mel, eu tive um sonho horrível! (Kat)
Sobre Dara? (Mel)
Não, era Zenon! Tava num lugar, com correntes, vampirs vigiando! (Kat)
Acabou de sair daqui. Será que o porra foi mandado por vampir? (Mel)
Não sei por que se preocupam tanto com Zenon... São mortos, que se entendam! (Derik)
Olha aqui, eu não fico sonhando com tudo que é vampirs que são em prisão, tortura ou morte, se eu venho sonhando com Zenon, isso é um sinal! (Kat)
Derik arqueia as sobrancelhas.
Vem sonhando com Zenon? (Derik)
Não foi... Isso que... Que eu quis dizer... (Kat)
É sinal sim... Sinal de que deveria ir atrás de Zenon. (Derik)
Derik sai.
Derik... Droga. (Kat)
Se não tivesse nada a mais nessa história, você ia xingar Derik por ter desconfiado. (Mel)
Tá achando o que??? Que quero alguma coisa com Zenon??? Tem mais que dez vezes a minha idade!!! (Kat)
Talvez esses sonhos estejam mexendo com você, disse que é mais real... (Mel)
E daí??? (Kat)
Kat, eu não sei... (Mel)
Olha, eu achei que você se importava com Zenon, mas se não se importa, deixa que prendam, não me importa mais nem se vampir guarda-roupa pegar! (Kat)
Kat sai.
De onde tirou "vampir guarda-roupa"? (Mel)
Do lado de fora da casa.
Parece preocupada... (Zenon)
Ai, você tá bem! (Kat)
Que foi? (Zenon)
Só um pesadelo. Viu Derik? (Kat)
Não. Mel tá aí? (Zenon)
Bom, mora aí... (Kat)
Kat continua na direção da rua. Zenon franze a sobrancelha. Entra.
Preferi queimar o corpo, por causa das impressões digitais. (Zenon)
Bem pensado. (Mel)
Angely e Dara... (Zenon)
Não voltaram ainda. Deve ter levado a algum lugar pra se distraírem. Viu Kat? (Mel)
Sim, ela me falou que tinha tido um pesadelo. (Zenon)
Os "pesadelos" de Kat são sobre o futuro. (Mel)
Você está preocupada com Dara, não é? (Zenon)
Angely ama Dara. (Mel)
Ele é forte, vai superar... (Zenon)
Não, não é. Não viu como ficou quando Meg morreu. Foi o primeiro namoro. Tenho medo que tente se matar. (Mel)
Ele gosta tanto assim dela? (Zenon)
Fisicamente Angely é muito forte, mas é o completo contrário emocionalmente. Sei que eu devia me preocupar com Dara, adoro essa pessoa também, mas só consigo pensar em Angely. (Mel)
Amanhece. Angely e Dara estão no chão, Dara no colo de Angely. Olham para o horizonte.
Tô com sono... (Dara)
Vai perder a aposta. (Angely)
Não quero mais o chocolate mesmo... (Dara)
Vamos pra casa e... (Angely)
Não moro com você. (Dara)
Eu sei, mas melhor você ficar na minha casa até livrarmos você desse vírus. (Angely)
Não me sinto doente... Só com sono... (Dara)
Por favor. (Angely)
Dara esfrega o olho. Faz bico.
Tá... (Dara)
MEAK. Angely e Dara entram. Dara se joga no sofá.
Dara, não, não dorme... (Angely)
Mas eu tô com sono... (Dara)
Melhor darmos mesmo sonífero pra ela. (Zenon)
Não precisa, eu já tô quase caindo... (Dara)
Você não pode dormir... (Angely)
Ela não vai agüentar. (Zenon)
Cadê Mel? (Angely)
Tá dormindo. (Zenon)
Por que Mel pode dormir e eu não? (Dara)
Olha, nos deixamos Dara aqui dormindo e vamos procurar a cura, tá? (Zenon)
Mas eu... (Angely)
Angely, ela não vai ficar acordada, melhor dar sonífero a ela. (Zenon)
Angely baixa a cabeça. Zenon tira um estojo do bolso. Angely olha.
Tava pensando nisso já. Peguei com um amigo. (Zenon)
Zenon abre o estojo e tira um vidrinho, um pedaço de algodão e uma injeção. Dara se levanta e esconde atrás do sofá.
Não quero tomar injeção! (Dara)
Não é pra você, eu só queria mostrar uma coisa... (Zenon)
Não mente! Vocês estavam falando em... (Dara)
Vamos esperar você dormir, assim não vê e não sente, tá? (Zenon)
Dara se agarra em Angely. Angely abraça Dara.
Vai doer! (Dara)
Os olhos de Angely marejam.
Eu deixo você apertar minha mão... Pode ser? (Angely)
Pode ser você inteiro, assim como a gente tá? (Dara)
Pode... (Angely)
Zenon se aproxima. Levanta a manga da blusa de Dara. Aplica a injeção. Dara aperta Angely. Uma lágrima desce no rosto de Angely. Dara amolece o corpo. Angely segura. Pega Dara no colo. Sobe as escadas. Coloca Dara em sua cama. Passa a mão em seus cabelos. Beija-lhe a testa. Levanta e sai do quarto.
Laboratório. O lugar está todo quebrado. Há duas mesas, em uma papéis espalhados, em outra com um computador em pedaços. As estantes estão viradas no chão. O chão está molhado, com muitos cacos.
Parece que passou um tornado aqui. (Angely)
Acho que você sabe bem o nome desse tornado. (Zenon)
Procuramos o que? (Angely)
Qualquer papel que tenha algo escrito. (Zenon)
Zenon começa a mexer nas gavetas de uma mesa. Angely olha ao redor. Toca as paredes. Nada. Zenon junta todos os papéis.
Tem uma coisa diferente aqui. Quer dizer, tem várias, mas essa consigo entender. (Zenon)
O que é? (Angely)
Parece que pode se tornar contagioso em alguns casos. (Zenon)
Melhor manter seres humanos longe. (Angely)
Posso cuidar dela. (Zenon)
Não somos seres humanos. (Angely)
Ah, é... (Zenon)
MEAK. Mel acorda. Levanta. Olha no quarto de Angely. Angely está ao lado da cama. Vai até a sala.
Descobrimos que é contagioso... (Zenon)
Bom dia pra você também. (Mel)
Desculpe. (Zenon)
Foram até o laboratório? (Mel)
Está completamente destruído. (Zenon)
Já desconfiava. Só descobriram isso? (Mel)
Sim. Podíamos procurar cientistas mais experientes... (Zenon)
Talvez antigos colegas. Parece revolta por que demitiram. (Mel)
Parecia. (Zenon)
Tanto faz. Vamos procurar empregos... Qual é o nome? (Mel)
Zenon tira um documento de identidade do bolso.
Filipe Gardel Asmond. (Zenon)
Pegou no laboratório? (Mel)
Sim. (Zenon)
Lá vou eu... (Mel)
Mel vira para a escada.
Mel! (Zenon)
Mel desvira.
Posso passar o dia aqui? (Zenon)
Claro. (Mel)
Tarde. Telefone toca. Angely atende no quarto.
Alô? ### Está. ### Não, não pode falar agora. ### Não temos nada, Denise. ### Não posso, tenho coisas pra fazer aqui. ### Outro dia. ### Tá, tchau. (Angely)
Casa de Denise.
Não é possível, chamei ele de viado e ele diz calmamente "tá, tchau"! (Denise)
Talvez ele esteja mesmo com Dara. (Agatha)
Mas ele devia ter retrucado algo como "gay é aquele corno do seu namorado!" (Denise)
Os meninos não ligam muito pra essas coisas. Talvez a gente devesse não ligar também. (Agatha)
Oi, garotas... (Danny)
Ué, o que está fazendo aqui? (Denise)
Vocês pediram pra eu ajudar numa matéria, pro vestibular no meio do ano... (Danny)
Ah, é mesmo! (Denise)
Casa de Kat.
Isso não é tão difícil assim! (Kat)
É fácil dizer quando teve professor particular! (Derik)
Eu te ensino. (Kat)
Você?! (Derik)
Não acabou de dizer que é fácil pra mim? Então? (Kat)
Derik encara Kat. Entrega o caderno. Telefone toca, Kat atende.
Kat? (Mel)
Sim? (Kat)
Não teve nenhum sonho sobre Dara? (Mel)
Não, por que? (Kat)
Dara tá com um vírus criado em laboratório. Tá correndo risco sério. (Mel)
Tá falando sério?! Por que não me disse isso quando fui aí?! Pera, você perguntou... (Kat)
Se você tiver algum sonho que indique alguma solução, não perca tempo vindo aqui. Mande Derik atrás da solução e só venham se tiverem certeza que vão resolver o problema. (Mel)
Tá. (Kat)
Kat desliga.
Dara está com um vírus, não vou poder te ensinar agora. (Kat)
E quais as características do tal vírus? (Derik)
Não sei. (Kat)
E como vai... (Derik)
Não preciso de dados. Se eu for ter algum sonho, não vai fazer diferença se eu sei ou não sobre o vírus. (Kat)
Também não faria diferença se você soubesse ou não que existe. Já não devia ter sonhado algo antes? (Derik)
Não custa tentar. (Kat)
Eu posso ficar aqui com você? (Derik)
Claro. (Kat)
Kat e Derik vão até o quarto. Kat pega um vidro de remédio na gaveta da cabeceira.
Não seria melhor dormir naturalmente? (Derik)
Eu não estou com o menor sono. (Kat)
Kat pega um comprimido e toma. Guarda o vidro. Deita na cama. Derik senta ao lado da cama e fica passando a mão na cabeça de Kat.
Noite. Telefone toca. Derik atende.
Alô? (Mel)
Mel? (Derik)
Pode ir até uma empresa, perguntar sobre uma pessoa que trabalhou lá, de nome Filipe Gardel Asmond? (Mel)
Estou cuidando da Kat aqui. (Derik)
Só um instante. (Mel)
Mel vai até o quarto de Angely.
Pode ir cuidar de Kat? Tá dormindo pra ver se encontra uma solução pra isso. (Mel)
Mas e Dara? (Angely)
Legal... Zenon! (Mel)
Sim? (Zenon)
Você fica aqui cuidando de Dara? Angely vai cuidar de Kat que tá dormindo pra ver se encontra uma solução. (Mel)
Claro. (Zenon)
Não tá fazendo nada importante não, né? (Mel)
Não, tô livre. (Zenon)
Angely dá um beijo na testa de Dara. Sai. Zenon pega uma cadeira e senta ao lado da cama. Mel volta a seu quarto. Pega o telefone.
Ainda tá aí? (Mel)
Sim. (Derik)
Angely vai cuidar de Kat. (Mel)
Vou esperar chegar, só pra garantir que não percamos nada de importante dessa vez. (Derik)
Tá, anota o endereço da empresa. (Mel)
Uma hora depois. Empresa. Rafael olha para Derik, que fala com Laura, na recepção.
Eu preciso saber, é caso de vida ou morte! (Derik)
Já disse que não damos informações de ex-funcionários! (Laura)
Ei, garoto! (Rafael)
Que? (Derik)
Rafael se aproxima.
Eu trabalhei com o cara de quem você tá falando. (Rafael)
Então acaba de virar meu melhor amigo. (Derik)
MEAK.
Melhor não subir. (Mel)
Por que? (Rafael)
É contagioso. (Mel)
E por que não se contagiaram? (Rafael)
Segundo as anotações, pode se tonar contagioso depois de algum tempo. Quando descobrimos isso, não entramos mais no quarto. (Mel)
Então como espera que eu examine ela? (Rafael)
Mel fica com olhar perdido. Olha para Rafael bruscamente.
Esperem aqui, eu já volto! (Mel)
Mel pega as chaves em cima da mesa e sai. Rafael e Derik se entreolham.
Hospital.
Onde estão as amostras de sangue da Dara? (Mel)
No laboratório, por que? (Psique)
Usam equipamentos pra manusear esse tipo de coisa, né? (Mel)
Sim, usamos. Por que? (Psique)
Como eu pego de volta? (Mel)
Você não pode pegar. (Psique)
Mas você pode, não pode? (Mel)
Claro, mas só há uma amostra e não fiz... (Psique)
Preciso disso. (Mel)
Pra que? (Psique)
Não posso dizer. (Mel)
Se não disser, eu não pego. (Psique)
Então eu me viro de outro jeito. (Mel)
Eu posso ajudar! (Psique)
Michael chega.
Psique, eu ainda quero saber por que quer se separar de mim! (Michael)
Psique respira fundo.
Eu não te amo mais. (Psique)
Mas então deve ter outro alguém! (Michael)
Tô ocupada agora, não tá vendo? (Psique)
Por que você sempre desvia do assunto??? (Michael)
Não tem... (Psique)
Tem sim, eu conheço você! (Michael)
Quer saber? Tem. Agora vá embora. (Psique)
Quem é? (Michael)
Psique, eu preciso disso rápido. (Mel)
Alguém mais novo que você, é isso que queria saber? (Psique)
E provavelmente mais novo que você também! (Michael)
E se for??? Quer saber??? Venho te traindo faz tempo! (Psique)
Dane-se, não vai se livrar de mim assim tão fácil! (Michael)
Mel dá um soco em Michael. Michael cai no chão. Psique dá um passo para trás. Mel olha para Psique.
Pode me dar atenção agora? (Mel)
Você virou lésbica, é isso??? (Michael)
Que??? (Psique)
Michael se levanta. Mel pega Michael pelo colarinha e encosta na parede.
Se tá te trocando, você devia aceitar, Psique é um ser humano e não te pertence. Mas tem uma pessoa que tá correndo risco de vida, é como família pra mim e, se morrer por que não se conforma que te troquem por alguém com menos idade, vou garantir que você tenha bastante tempo pra pensar nisso sete palmos abaixo da terra. (Mel)
Mel solta Michael. Olha para Psique.
Venha, vou pegar o que quer. (Psique)
Psique e Mel saem. Michael coloca a mão embaixo do nariz. Olha o sangue. Balança a cabeça para os lados e sai na direção contrária.
Mel está em uma cadeira. Psique sai pela porta com uma caixa em mãos.
Eu posso ajudar. (Psique)
Nós já encontramos um... (Mel)
Por favor, me deixa ajudar. (Psique)
MEAK. Mel entra e coloca a caixa sobre a mesa de centro. Psique entra atrás.
Olha, o Angely trouxe a Kat pra cá, ela tá no seu quarto, se não se importa. Agora o Angely tá com a Dara e Derik com Kat. (Zenon)
Tudo bem. (Mel)
Agora eu quero saber por que esse cara pode entrar no quarto e eu não. (Rafael)
Mel olha pra Zenon.
Desculpe, eu não ia adivinhar que não podia sair de lá. (Zenon)
Pode contar? (Mel)
Sou um vampiro, não pego doenças. (Zenon)
Como assim?! (Psique)
Acha que acredito? (Rafael)
Viu? (Zenon)
Zenon se joga no sofá. Mel respira fundo. Vai até o banheiro. Tira o espelho da parede. Traz até a sala e pousa na estante.
Ah, meu Deus! (Rafael)
Espero que não tenham problemas do coração. (Zenon)
Você é mesmo um... Um... (Psique)
Não mato ninguém, pode ficar sossegada. (Zenon)
Dara está doente, se não se importam de deixar isso de lado... (Mel)
Seu irmão trouxe outra... (Rafael)
É, você falou de duas. (Psique)
Não, a Kat tá só dormindo. Ela prevê o futuro nos sonhos dela. (Zenon)
Mel encara Zenon.
Que foi? Já contou meu segredo mesmo... (Zenon)
Eu perguntei antes. (Mel)
Mel aponta a caixa na mesa de centro.
Amostra de sangue. (Mel)
Vou precisar de algumas coisas do laboratório. (Rafael)
Vamos precisar. (Psique)
Você não é muito nova? (Rafael)
Tenho vinte e sete anos. Algum problema? (Psique)
Noite. Dara abre os olhos. Olha para Angely ao lado da cama. Passa a mão na cabeça de Angely, que acorda também. Dara beija Angely. Angely afasta Dara.
Dara, você tá doente. (Angely)
Dara sorri.
Só se o amor é uma doença... (Dara)
Dara tenta beijar Angely de novo, mas Angely se levanta e sai de perto da cama.
Qual o problema? (Dara)
Eu não posso me aproveitar disso. (Angely)
Se aproveitar??? Acha que sou uma garotinha indefesa??? (Dara)
Dara... (Angely)
Você me ama e não reage, não faz nada, não luta! (Dara)
Eu... (Angely)
Ao invés disso fica se lamentando por que acha que ainda amo Edmont! (Dara)
Você ama. Foi atrás de Edmont. (Angely)
E não tenho motivos??? Edmont pelo menos reage! (Dara)
Não vou me ofender, você não está falando o que... (Angely)
Verdade. É a quarta fase. (Edmont)
Angely olha para Edmont, que está na janela.
E você também... Não sabe nem conquistar alguém aos poucos, tem que ser de sopetão! (Dara)
Não pareceu incômodo aquilo ontem. (Edmont)
Eu achava que você tinha se transformado em vampiro por complexo de inferioridade. Mas não é complexo, você realmente é inferior. (Dara)
Não dá atenção, tá tentando provocar a gente. (Angely)
Tá falando a verdade. Não é isso que o vírus faz? (Edmont)
Zenon entra no quarto.
Gente, a quarta fase é revolta, não verdade, parece que aquilo era rascu... O-ou... (Zenon)
E você também... Tá de quatro pela Mel e não faz nada! Vocês são todos uns covardes! (Dara)
Como pode saber? (Edmont)
Ele escreveu aquilo pra mandar pra um jornal, não tinha terminado ainda. Fez alterações depois. Tava no papel que pegamos, achei que era o mesmo. (Zenon)
Está mentindo. (Edmont)
É claro que está! São todos mentirosos! Todos no mundo são mentirosos! Hipócritas!!! (Dara)
Zenon passa andando sem virar as costas para Dara e entrega um caderno a Edmont.
Nenhum de vocês aqui vale o ar que respira! Aliás, só o Angely, mas ele é bonzinho demais pro meu gosto! (Dara)
Dara sai do quarto. Angely segue.
Mel já não te mandou embora? (Zenon)
Edmont ri.
Quer dizer então que tá com paixonite por Mel? (Edmont)
Qual a graça? (Zenon)
Melody não se contenta com uma pessoa só. (Edmont)
Por que ela ainda não teve nada que fosse sério. (Zenon)
Tipo o que, perder parte do cérebro? (Edmont)
Edmont ri.
Humanos. (Edmont)
Edmont pula e vai embora. Zenon balança a cabeça para os lados. Vai até o outro quarto.
Sabem como induzir um coma? (Zenon)
Eu sei como. (Psique)
Dara entrou no quarto estágio e tá querendo fugir. (Zenon)
Descobri! (Rafael)
A cura??? (Mel)
Não, a doença só se torna contagiosa na febre!... A merda é que é altamente contagiosa... (Rafael)
Quanto? (Psique)
Tipo isolamento total. Isso que a gente tá fazendo aqui, não faria diferença. (Rafael)
Vamos pegar, induzir o... (Mel)
Me larga! (Dara)
Vamos voltar pro quarto, você tá mal! (Angely)
Droga! (Mel)
Barulho de vidro quebrando. E de algo pesado caindo no chão. Mel e Zenon vão até a sala. Angely desmaiou no chão.
Pronto, fugiu. (Mel)
Vou sair e procurar ela. (Zenon)
Zenon sai.
No quarto de Mel, Kat acorda.
Não deixa! (Kat)
Que foi??? (Derik)
Dara, Edmont pegou Dara! (Kat)
Dara está andando na rua.
Está fazendo o que andando só por aí? (Edmont)
Decidi terminar o que comecei. (Dara)
E o que seria? (Edmont)
Denise, o que mais deixei pendente??? (Dara)
Edmont para na frente de Dara. Dara para de andar de sopetão.
Eu. (Edmont)
Já dei o que você queria. (Dara)
Não. Você não entendeu nada. (Edmont)
Edmont beija Dara. Dara passa os braços em volta do pescoço de Edmont. Angely abre os olhos. Coloca a mão na cabeça. Senta na cama.
Não faz isso... (Angely)
Isso o que??? (Mel)
Não sei. Confusão minha. (Angely)
Mel, Edmont pegou Dara! (Derik)
Estão perto daqui. (Kat)
Zenon foi atrás já. (Mel)
Ninguém derrota Edmont. (Angely)
Todos olham pra Angely.
Como sabe? (Kat)
Só por que é seu irmão??? (Derik)
Kat encara Derik. Mel sai e volta com uma espada.
Você pode. (Mel)
Angely levanta da cama. Pega a espada. Baixa a cabeça. Lembra da luta no ringue. Lembra da luta no lago. Coloca a espada nas costas. Sai.
Será que vai matar Edmont? (Derik)
Não. Angely nunca conseguiria. Mesmo que tenha certeza que vai morrer depois. Mas consegue derrubar Edmont. (Mel)
Você também. (Kat)
Edmont melhorou desde que virou vampir. (Mel)
E se isso fizer Angely perder? (Kat)
Edmont já deve saber que não tem como ganhar. Vão lutar até alguém desistir. E isso deve ser tempo suficiente pra ou descobrirmos a cura, ou Dara... (Mel)
Não ter mais como se transformar. (Kat)
Casarão. Zenon entra em um quarto. Dara está de braços cruzados. A porta se fecha atrás de Zenon. Zenon se vira.
Veio fazer o que aqui? (Edmont)
Pegar ela de volta. (Zenon)
Achei que sua paixão fosse Mel... Ah, pera, foi quem pediu! Talvez Mel tenha se apaixonado por Dara também. É, acho que você não tem sorte mesmo... (Edmont)
Vai engolir sua prepotência agora. (Zenon)
Zenon tenta dar um soco em Edmont. Edmont desvia e ri. Zenon pega uma estaca da calça e tenta acertar Edmont uma, duas, três, quatro vezes. Na quinta, Edmont desarma Zenon. Pega a estaca do chão.
Quem vai engolir o que aqui? (Edmont)
Solta isso. (Angely)
Dessa vez vai ser até a morte? (Edmont)
Se for até a morte, morremos junto. (Angely)
Então, como vamos saber quem ganhou? (Edmont)
Quem colocar a espada na garganta primeiro. (Angely)
Mas eu nem tenho uma espada. (Edmont)
Sei que tem. Pode pegar. (Angely)
Angely sai do quarto. Edmont vai até Dara faz sinal com a cabeça para o lado. Dara franze a testa. Se levanta. Edmont tira o colchão e pega uma espada. Tira da bainha. Joga a bainha de volta. Beija Dara. Olha para Zenon no chão. Ri. Sai.
Edmont vai até o salão. Angely tira a espada da bainha. Pendura a bainha em uma janela. Se defende de um ataque de Edmont por cima. Edmont ri. Angely contra-ataca pela direita. Edmont defende. Uma sequência de três ataques de Edmont. Edmont consegue fazer um corte no braço de Angely. Angely começa a atacar, Edmont se defende, mas recua. Sai por uma janela. Angely olha. Edmont entra por outra, e tenta atacar Angely. Angely desarma Edmont. E coloca a espada no pescoço de Edmont.
Podem sair. (Angely)
Angely se afasta de Edmont. Chega perto da escada. Edmont pega a espada do chão.
Esqueci. Vampirs não têm palavra. (Edmont)
Edmont vai com a espada na direção de Angely. Angely não se move. No último segundo, Angely atravessa Edmont com a espada. Edmont se afasta. Coloca a mão na espada. Sai sangue pela boca de Angely. Edmont sorri. Edmont se desfaz em pó. Zenon olha para Angely, arregala os olhos. Corre e segura Angely, que cai. Dara se aproxima. Zenon engole seco.
Angely... (Dara)
Zenon olha para Dara.
Ele tá bem. Acho que vi Edmont fugir. Vamos embora. (Zenon)
Não vou embora e deixar Angely aqui!!! (Dara)
Lembra daquela história, se um morrer, outro morre? Edmont não deve ter ido muito longe, sabe que deixar o irmão frágil aqui é um perigo pra ele. Vamos. (Zenon)
Homem nenhum manda em mim!!! (Dara)
Mas tem uma mulher que vai me matar se eu não te levar. Por favor. (Zenon)
Dara sai. Zenon olha para Angely.
Descansa em paz, cara. Vou ajudar Mel a cuidar delas. (Zenon)
MEAK. Dara entra. Senta no sofá, de braços cruzados. Zenon entra depois, mancando.
Ai, vocês estão bem, graças a Deus... (Kat)
Cadê Angely? Foi atrás de vocês... (Mel)
Zenon olha para o chão. Depois para Mel.
Preciso falar com você. Melhor ser em particular. (Zenon)
Não. Angely não... (Mel)
Nem me esperaram? (Angely)
Mel dá um empurrão em Zenon, que cai no chão.
Você quer me matar do coração??? Que brincadeira mais escrota! (Mel)
Você me disse que a vida de um dependia da do outro! (Zenon)
Estão trabalhando no laboratório? (Angely)
Sim, estão. (Derik)
Zenon olha para Angely. Levanta do chão. Vai até Dara.
Vamos para o quarto, Dara... (Zenon)
Dara levanta de sopetão.
De jeito nenhum! Não vou ficar presa lá, dormindo até vocês descobrirem que isso não tem cura! Se é pra mim morrer, quero aproveitar minhas últimas horas! (Dara)
Não são suas últimas horas. (Angely)
Ah, não? Já sabe a cura? (Dara)
Angely se aproxima de Dara. Pega as mãos entre as suas.
Já me tiraram Meg, não pode acontecer de novo... Não é possível eu tenha feito algo tão ruim que valha isso! Não é possível... (Angely)
Angely se ajoelha nos pés de Dara.
A menos que você realmente queira ir, não vão te levar de mim. Pode parecer egoísmo, mas eu te imploro, não vai... Não queira me abandonar assim... (Angely)
Dara puxa Angely e faz levantar.
Não fica assim, eu não quero ir! Quero ficar aqui com você... (Dara)
Dara abraça Angely. Se afasta. Vai para o quarto, levando Angely pela mão.
Ele quebrou essa etapa. (Zenon)
Vamos falar com Psique e Rafael. Ver se já descobriram algo. (Mel)
Edmont está andando na rua.
Então, confirmou? (Beatrice)
Edmont joga a espada que trazia pra Beatrice. Beatrice olha para a espada. Edmont abre os braços, de frente para Beatrice. Beatrice empunha a espada. Beatrice balança a cabeça para os lados. Edmont faz um sinal com a cabeça para baixo e para cima. Beatrice atravessa Edmont com a espada, no coração. Edmont vira pó. Beatrice sorri. Desfaz o sorriso. Olha em volta. Pega a roupa no chão. Joga a espada longe. Dá dois passos a frente. Edmont abraça Beatrice por trás. Beatrice solta a roupa e se vira para Edmont. Beija Edmont. Edmont ri.
Assustou, pequena? (Edmont)
Não sei como teve coragem de arriscar. (Beatrice)
Angely sabia que isso aconteceria. Vi nos olhos que tinha acabado de descobrir. Por isso enfiou essa espada em mim. Me transformou em pó e foi embora antes que eu voltasse. (Edmont)
Angely é incapaz de tirar uma vida. (Beatrice)
Quanto mais a minha. (Edmont)
Isso é fantástico. (Beatrice)
Posso ir lá e transformar Dara em vampir. Não farão vigilância. Crêem que morri. (Edmont)
Angely não. (Beatrice)
Eu sei. Mas você vai distrair. (Edmont)
A troco de que? (Beatrice)
Da sua vingança contra Mel. (Edmont)
Beatrice ri.
E quem disse que eu quero me vingar? (Beatrice)
Você até hoje diz que deixou Elian. Mas sabe muito bem que te trocaria por Mel num estalar de dedos. É disso que você tem raiva. (Edmont)
Se eu quisesse matar, já tinha feito. (Beatrice)
Não faz por que sabe que eu te mandaria pro inferno. Literalmente. (Edmont)
Beatrice franze a testa. Então ri.
Incesto é pecado. (Beatrice)
E daí? Sou vampir. (Edmont)
Beatrice fecha a expressão.
Tá zombando de mim. (Beatrice)
E por que estaria? (Edmont)
Não é capaz disso. (Beatrice)
Que tal outra aposta? (Edmont)
Fale. Ainda tenho mais certeza que vou ganhar essa. (Beatrice)
Se eu ganhar, anulamos a aposta anterior. (Edmont)
E quando eu ganhar? (Beatrice)
Mato todo mundo. (Edmont)
Mas então eu não terei prêmio quando ganhar a outra aposta. (Beatrice)
Mudamos o seu prêmio. (Edmont)
Refaremos as apostas então. Quando eu conseguir Angely, você me seguirá e não me trairá pelo resto da eternidade. (Beatrice)
Fechado. E mato todo mundo se não conseguir Melody. (Edmont)
Inclusive Handhara. (Beatrice)
Já vai ter morrido até lá. (Edmont)
Pensei que amasse Handhara. (Beatrice)
Como me disse, eu já tive o que queria. (Edmont)
Mas acabou de dizer que quer transformar em vampira. (Beatrice)
Eu disse que podia, não que queria. (Edmont)
Se conseguir Melody, eu desisto de Angely. (Beatrice)
Então uma aposta está dependente da outra. (Edmont)
Exatamente. (Beatrice)
Quando eu ganhar essa aposta, ganho automaticamente a outra. (Edmont)
Que seja. (Beatrice)
MEAK.
Peraí, acho que descobri! (Rafael)
Psique vai até a bancada de Rafael. Rafael pinga sangue e uma mistura em um vidro, fecha e coloca no microscópio. Rafael olha, sorrindo. Fecha a expressão. Sai. Psique vai olhar.
Descobriu como matar ela mais rápido. (Psique)
Angely está em seu quarto. Mel chega.
Então, já... (Mel)
Sim. Está em coma. (Angely)
Dizem que as pessoas em coma podem nos ouvir. (Mel)
Eu sei que Dara pode. (Angely)
Denise ligou pra cá duas vezes. (Mel)
Se preocupa com Dara. (Angely)
Não acho que seja com Dara. (Mel)
Denise entra no quarto, em seguida Derik e Kat.
Tentamos impedir... (Kat)
Agora vão me dizer o que tem de errado com a minha irmã! (Denise)
Pegou uma doença grave. (Mel)
E por que ninguém me disse??? Achei que ela estivesse aqui com Angely, tava até feliz pelos dois! Mas não, ela tá doente, e ninguém me avisa! (Denise)
Ligou pra cá me pedindo pra sair, não achei que fosse com Dara. (Angely)
Eu queria arrancar a verdade de você! Depois do quinto telefonema é que fui perceber... Dara! (Denise)
Denise se aproxima da cama.
Como ela tá? (Denise)
Melhor não ficar muito perto, pode ser contagioso. (Mel)
Se ele pode, por que eu não??? (Denise)
Denise, vamos... (Kat)
Não! Não saio! (Denise)
Angely já está aqui com ela. (Derik)
Eu sou irmã dela, dá licença??? (Denise)
Vão vocês, nós ficamos aqui. (Angely)
Mas... (Mel)
Angely senta ao lado de Denise. Kat e Derik saem. Mel sai também.
Ela vai sobreviver, né? (Denise)
Sim, vai. E ainda vão brigar muito. (Angely)
Corredor.
Denise tem coração... (Derik)
Será que conseguiram alguma...? (Mel)
Um barulho de uma pequena explosão. Mel, Kat e Derik correm até o outro quarto. Rafael está no chão.
Nós queremos salvar uma vida, não inventar um novo tipo de pólvora! (Psique)
Pelo menos estou fazendo evoluções... (Rafael)
Rafael se levanta.
Você está bem? (Mel)
Sim... Mais ou menos... (Rafael)
Peraí, gente, acho que consegui alguma coisa! Não... Esquece... Viraria uma morta-viva... (Psique)
Zenon chega.
Falando dos meus amigos aí? (Zenon)
Será que a solução de Edmont não é a única? (Mel)
Se for, Dara vai morrer. (Zenon)
Semanas depois. MEAK.
Encontramos! (Psique)
Mel corre até o quarto onde estavam Psique e Rafael.
É isso! (Psique)
Vocês já testaram e... (Mel)
Se ela ainda estiver no quarto estágio, resolverá com certeza! (Rafael)
Então temos que ir atrás de Dara. (Mel)
Mel! (Angely)
Será que os cientistas de fora já... (Rafael)
Descem e vão até a sala.
Acordaram Dara. Acham que tem o antídoto pra se estiver na quinta fase. (Angely)
Como assim, "acham"? (Mel)
Eles não têm certeza e fazem isso??? (Psique)
Eu tentei impedir, mas a família... (Angely)
Essa merda é contagiosa no final da quinta fase! (Mel)
Temos que levar isso pros laboratórios. Ver se conseguem alterar. (Rafael)
Mel, você vai também? (Angely)
Vou ficar aqui esperando. E você vai me ligar feliz da vida porque aceitou se casar com você. (Mel)
Laboratório. Dara está num quarto, acordou. Tentam fazer tomar o remédio.
Não quero... (Dara)
Mas você precisa, querida... (mãe)
Vocês nunca deram o menor valor pra mim. (Dara)
Não é verdade, nós te amamos. (pai)
Mentira. Vocês estão sempre mentindo... (Dara)
Do lado de fora...
I need to talk to Dara! I can make her to take the pill!!! Preciso falar com Dara! Eu posso fazer tomar isso! (Angely)
The family said you can't enter. A família disse que você não pode entrar. (George)
I need to! Eu preciso entrar! (Angely)
I shouldn't even be here, boy, not after what you did. Não era nem pra você estar aqui, garoto, depois do que aprontou. (George)
I won't do it again, I swear! Eu juro que não farei de novo, só me deixe entrar... (Angely)
It's impossible. Impossível. (George)
Angely vai até uma janela. Sai. George vai atrás. Olha para baixo. Olha para o lado. Angely entra pela outra janela.
Está fazendo o que aqui??? (pai)
Dara... (Angely)
Angely se aproxima de Dara e abraça. Afasta.
Você tem que tomar isso, tá? (Angely)
Pra que? (Dara)
Você me prometeu, lembra? Prometeu que não me deixaria... (Angely)
Me desculpa, eu não posso cumprir... Não quero mais viver aqui... (Dara)
Por favor... (Angely)
Você sabe que não vai adiantar... Tanto quanto eu... (Dara)
Ao menos lute. Luta. Você não é assim. É uma das pessoas mais fortes e incríveis que conheço... Você sabe que ama viver, e que isso é só um efeito, que não é você... (Angely)
Angely pega o comprimido e o copo d’água. Dara olha para Angely. Pega o remédio. Coloca na boca. Pega o copo d'água. Olha nos olhos de Angely. Toma a água.
Graças à Deus... (mãe)
George chega e puxa Angely.
No, let him! Não, deixem ele! (pai)
But, mister, he... Mas, senhor, ele... (George)
Doesn't matter, he will stay here! Não interessa, ele fica! (mãe)
Noite. Angely e Dara estão na cama do laboratório.
Qual a estrela que você mais gosta? (Dara)
É a mais brilhante... Ofusca todas os outras quando aparece. (Angely)
Está se referindo ao sol? (Dara)
A você. (Angely)
Não sou uma estrela. (Dara)
É sim. Pra mim é. (Angely)
Até o sol vai morrer um dia. (Dara)
E tudo que há na Terra vai morrer junto. (Angely)
Você gostava da Meg também. (Dara)
E você me salvou. Não acho que isso aconteceria de novo. (Angely)
Ela vai brigar comigo quando eu morrer. Você vai ver uma discussão no céu. (Dara)
No Brasil, Edmont está em uma janela, olhando para o céu.
Não se alimenta desde que o amor da sua vida foi pra Europa. (Beatrice)
Só amo a mim. (Edmont)
Deixa de ser cínico. (Beatrice)
Pensando que Angely pode tentar se matar quando Dara morrer. (Edmont)
Certo como dois e dois são cinco. (Beatrice)
Não me conhece mesmo. (Edmont)
Então vamos até o bar. Me prove que não está triste, que pode se divertir. (Beatrice)
Edmont sai da janela. Beatrice entra em um bar. Edmont entra atrás. Olha para Mel. Senta-se em uma cadeira no balcão. Olívia se aproxima de Edmont.
Tem alguém ocupando essa cadeira? (Olívia)
Meu mau humor. (Edmont)
Olívia franze a testa. Sai. Mel sai do bar. Edmont segue. Para em um beco. Vê Mel cravar estaca na primeira pessoa, que desfaz. A segunda segura Mel. A terceira vem com a estaca na direção de Mel. Mel joga a segunda em cima da terceira. Edmont atravessa as duas pessoas com um pedaço de madeira grande. Desfazem em pó.
Não preciso de ajuda. (Mel)
Eu sei. Mas tava tão bem encaixadinho, não resisti e brincar de espetinho. E Dara? (Edmont)
Dizem que acharam o antídoto pra quinta fase. Acordaram e Angely conseguiu fazer tomar o tal remédio. (Mel)
Por que não foi junto? (Edmont)
Alguém devia ficar de olho em você, pra não botar fogo na cidade. (Mel)
Outro lugar na cidade. Beatrice desarma Zenon.
Por que está perdendo tempo aqui? Edmont foi atrás de Melody. (Beatrice)
Edmont está morto! (Zenon)
Não teria tanta certeza se fosse você... (Beatrice)
Ele não vai matar ela. (Zenon)
Ah, não? (Beatrice)
Zenon consegue encostar Beatrice na parede.
Finalmente. (Zenon)
A gente já esteve nessa posição. Nem adianta fingir que não. (Beatrice)
Mas antes seu coração não era meu alvo. (Zenon)
E cadê a estaca? Ou vai ficar me segurando contra o muro até o sol nascer? Desculpe lembrar, mas vai fritar junto... Já acabou com meu jantar, a essa hora deve estar num local público, por que não vai acabar com o de Edmont? (Beatrice)
Zenon corre. Encontra Mel e Edmont em um beco. Edmont está com a estaca na mão.
Solta isso! (Zenon)
Edmont olha para Zenon. Ri. Joga para Zenon. Zenon pega. Franze a testa.
Eu vi Angely te matar! (Zenon)
Se eu morresse, também morreria. Não teve coragem de se matar em seguida, então, aqui estou. (Edmont)
Então é isso? Tem que matar os dois ao mesmo tempo? (Zenon)
Enfiando uma estaca em mim, só faz Angely sentir dor. Você tem coragem de enfiar uma em Angely, logo em seguida? (Edmont)
Silêncio. Edmont ri e sai. Encontra Beatrice mais adiante.
Depois diz que eu não te conheço... (Beatrice)
É divertido ver Mel lutando. Bem melhor que muita gente que já enfrentei. Só teria uma coisa mais divertida que isso. (Edmont)
Sei... Vocês não são irmãos mesmo, são? (Beatrice)
Não. Mas eu também não me importaria. (Edmont)
Então pega o Angely. (Beatrice)
Essa parte é bem mais complicada do que você sequer imagina. (Edmont)
Angely abraçou Dara. Dara chora.
Só vai durar mais algum tempo... (Angely)
Mas daí meus pais vão voltar a me tratar como antes... Eles não se preocupam comigo. E Denise também. Ela acha que eu nunca deveria ter nascido, que deveria ter morrido no parto... (Dara)
Não é assim também... (Angely)
É sim. E você também não vai mais me dar essa atenção. (Dara)
Claro que vou! (Angely)
Não. Vocês todos acham que sou muito forte, mas eu não sou... Não sou... (Dara)
Dois dias depois. MEAK. Angely entra, de cabeça baixa.
Que aconteceu??? (Mel)
Disseram que Dara não tem mais nada no sangue. (Angely)
Mas não era pra estar comemorando??? (Zenon)
Tá muito mal ainda. Não passou o efeito, parece. (Angely)
Acha que é um erro? (Mel)
Por que não volta lá? Passa uns dias com ela e vai ver como ela melhora! (Zenon)
Acha mesmo? (Angely)
Acho que faz sentido. (Mel)
Angely sai.
Uma hora depois. Casa de Dara. Pessoas cercam a casa. Laila está no quarto de Dara.
É só um anti-depressivo. (Laila)
Não quero! (Dara)
Pessoas entram na casa. Duas entram no quarto de Dara.
Tome o remédio. (Laila)
Não vou tomar e pronto! (Dara)
Você ainda tem o vírus e ele se tornará contagioso dentro de algumas horas. Vai morrer de qualquer jeito, quer levar a humanidade junto??? (Laila)
Mentiram pra mim... Ninguém se importa comigo! (Dara)
Entrada da casa.
Mas o que está acontecendo aqui??? (Angely)
Há ordens pra que ninguém entre na casa. (Lúcio)
A família de novo??? (Angely)
Não, são ordens do governo. (Lúcio)
Como assim? (Angely)
Aqui é área de risco, há um vírus que pode se... (Lúcio)
Derik acerta Lúcio por trás com um pedaço de pau. Lúcio cai.
Kat previu isso, entra logo antes que reparem! (Derik)
Mataram as pessoas lá dentro? (Angely)
Não, os pais de Dara viajaram, Denise ficou cuidando dela, mas a médica sedou e foi pro quarto de Dara. Querem que ela tome um vidro de remédios, pra parecer suicídio. Ela ainda está com o vírus. (Derik)
Temos que entrar antes que Dara concorde em tomar. (Angely)
Derik se transforma em pássaro e vai até a janela do quarto de Dara. Angely entra na casa com a roupa de Derik nas mãos. Derik passa voando e bica a segurança. Laila pega Derik pela pata. Dara bate com uma bandeja em Laila. Derik se transforma em cachorro e começa a latir para o pessoal da segurança, que corre. Angely chega. Entrega as roupas a Derik. Derik vai até o banheiro. Sai com roupa, em forma humana e mancando.
Eu distraio quem tá vindo, saiam e peguem meu carro. (Angely)
Mas eu estou... (Dara)
Angely sai. Dara ajuda Derik. Vão até o carro. Derik entra no carona. Dara pega a direção. Começa a chorar.
Que foi agora??? (Derik)
Vou acabar matando todo mundo! (Dara)
Ah, não! (Derik)
Derik sai do carro e abre a porta do motorista.
Vai pro lado. (Derik)
Mas você não sabe dirigir... (Dara)
Prefiro tentar! Você não tá em condição de nada, mexer com cérebro é muita sacanagem, não depende mais de você! Vai pro lado, por favor! (Derik)
Dara vai para o banco de carona. Angely chega.
O que ainda fazem aqui??? (Angely)
Que bom que chegou, Dara não tá em condições de dirigir! (Derik)
Vai atrás. (Angely)
Derik entra atrás e Angely pega a direção. Acelera e sai queimando o chão. Andam e não vêem ninguém seguindo.
Pra onde vamos? (Derik)
Não faço a menor idéia. (Angely)
Noite. Derik vai até um orelhão público. Disca.
Alô? (Mel)
Estou com Angely e Dara. (Derik)
Derik? (Mel)
Sim. (Derik)
Que bom, deu preocupação. Kat quase me matou aqui por que Angely tinha deixado o telefone comigo. Onde estão? (Mel)
Num lugar de seqüestro. (Derik)
Mas sequestraram Dara? (Mel)
Tenho que desligar. (Derik)
Derik desliga. MEAK.
Que pena, não deu pra localizar... (Mel)
No quarto, Zenon anda de um lado a outro.
Droga, ela tinha que guardar as armas no andar de baixo... (Zenon)
Zenon desce.
Mel, não disse que tínhamos visitas. (Zenon)
Esses são umas pessoas que dizem que Angely sequestrou Dara. (Mel)
Legal, se não se importam, eu... (Zenon)
Zenon se dirige a saída. Uma pessoa se posta na sua frente.
Agora temos duas portas pra rua? (Zenon)
Mel joga uma pessoa no chão. Zenon derruba a da sua frente.
Até que enfim! (Kat)
Kat joga um molho de chaves para Mel. Saem.
Antiga cabana de Manuel.
Que bom que chegaram. (Derik)
E Dara? (Mel)
Cada vez pior. (Derik)
Achei que tinham curado ela. (Zenon)
Fizeram uma besteira. Só alteraram o vírus. A essa hora, já está contagioso. Sorte que estamos só nós aqui. (Kat)
Ei, você é humana! Ou meio-humana... (Derik)
Se esse vírus metido me invadir, mato num segundo! Me congelo desmaiando e... (Kat)
As pessoas se entreolham.
Não, poderia morrer. (Zenon)
E o que acha que vai acontecer com se o vírus vencer??? (Derik)
Vão até o quarto. Vazio.
Mas estavam aqui! (Derik)
Pra onde Angely levou Dara??? (Mel)
Vai acabar fazendo uma besteira. (Kat)
Estamos fazendo o que aqui ainda??? (Zenon)
Não vai adiantar. (Psique)
Por que? (Mel)
Por que eu já tentei. (Psique)
Angely está com Dara nos braços. Estão na frente de uma cachoeira, na parte de baixo. Senta Dara no chão. Encosta em uma árvore.
Aqui é o lugar que te falei. (Angely)
É bonito... (Dara)
Não está mais triste? (Angely)
Não... Tá quente aqui. (Dara)
Acho que mudaram o efeito com aquele falso antídoto. (Angely)
Podemos ir lá em cima? (Dara)
Claro. (Angely)
Angely tira sua camisa e rasga.
Pra que isso? (Dara)
Vou amarrar você em mim, pra não ter perigo de cair. (Angely)
Não precisa me carregar, não quero que tenha mais trabalho... (Dara)
Eu levo, não tem problema. Não sinto cansaço, sou forte. (Angely)
Angely se senta na frente de Dara, entre as pernas, de costas. Passa o pano da blusa em volta da cintura sua e de Dara. Dara segura em Angely, com as pernas e os braços. Angely levanta, Dara escorrega um pouco. Angely senta. Pega o resto do pano e dá nas mãos de Dara. Dara segura o pano com as duas mãos, os braços em volta de Angely. Angely escala a cachoeira. Chegam em cima antes de amanhecer. Angely encosta-se em uma árvore e coloca Dara a sua frente.
Aqui de cima é ainda mais lindo. (Dara)
Mais alguma coisa que queira pedir? Pode me pedir o que quiser... (Angely)
Dara puxa os braços de Angely. Os aperta em volta de si. Se vira de lado. Angely beija a cabeça de Dara. Uma lágrima cai de seu rosto.
Eu ativei o GPS do celular. Psique tá vindo. Já deve estar chegando. (Dara)
Por que? (Angely)
Eu vou morrer. Você já me deu muito de isso não ser entre estranhos. Psique não é uma pessoa qualquer querendo salvar o mundo. Ela tentou me salvar. (Dara)
Psique chega. Está com uma roupa especial. Mel chega também. Angely levanta, com Dara nos braços.
Se esperarmos mais, Dara vai começar a sentir dor. (Mel)
Já está doendo. (Dara)
Por que não me disse? (Angely)
Porque você me fez não sentir. (Dara)
Você saiu de casa porque eu desmaiei. Você tomou o remédio porque eu te dei. (Angely)
Não matei minha irmã nem fugi com um demônio por sua causa também. E lutei e salvei pessoas. E, no final, não me transformei em um monstro por você também. (Dara)
Dara beija Angely. Angely coloca Dara em pé no chão. Dara abraça Angely. Se vira, se apoiando em Angely, ficando de costas. Aponta o horizonte.
Tá nascendo... (Dara)
Angely abraça Dara.
Não quero que você fique. Quero que lembre de mim viva. (Dara)
Angely abraça Dara um pouco mais forte.
Qualquer coisa que pedir. (Angely)
Angely ajuda Dara a se sentar perto de uma árvore. Passa a mão no rosto de Dara. Beija sua testa de novo. Se levanta e vai até a beira da cachoeira. Pula. Mel olha na direção da cachoeira. Psique se aproxima de Dara. Não olha nos olhos. Abre uma maleta pequena. Tira uma injeção. As mãos tremem.
Não consigo fazer isso. (Psique)
Mel... (Dara)
Mel vai até Psique. Estende a mão. Psique entrega a injeção. Mel abaixa perto de Dara. Psique sai de perto. Mel dá um beijo na cabeça de Dara. Afasta. Dara estende o braço. Mel aplica a injeção.
Pede pro Angely guardar as... (Dara)
Dara fecha os olhos. Mel abraça Dara. Lágrimas caem do rosto de Mel.
Casa de Denise. Mel chega. Denise vai na direção de Mel e abraça Mel. Bryan levanta e vem na direção de Denise. Denise abraça Bryan. Mel continua entrando na casa, vai até o escritório.
Então, não tinha jeito. (pai dela)
Você fala como se fosse uma empresa sua que quebrou. (Mel)
Olha aqui, eu não... (pai dela)
Tanta frieza... Dara morreu. Será que entende isso? Não é dinheiro, não se compra uma vida. (Mel)
Eu amava minha filha. (pai dela)
Podia ter dito isso antes. É meio tarde, não acha? (Mel)
Nós dávamos tudo a ela. Fizemos o que podíamos. Ela tinha tudo o que queria... (mãe dela)
Dara queria atenção. Amor. Família, não dinheiro. (Mel)
Mel sai do escritório. Volta pro carro. Zenon está no banco do carona, corpo coberto.
Esqueceu de entregar a caixa. (Zenon)
Isso não pertence a essas pessoas. (Mel)
MEAK. Mel entra. Zenon também. Zenon carrega uma caixa de veludo vermelho, com partes prata.
Será que ele já voltou? (Zenon)
Angely entra na sala.
Oi. (Angely)
Vem cá. (Mel)
Mel vai até Angely. Abraça. Afasta. Angely olha para Zenon.
É o que estou pensando? (Angely)
Os restos de Dara. (Zenon)
Os mortais. (Angely)
Vai ficar com isso? (Zenon)
Até poderem juntar com os meus. (Angely)
Zenon entrega a caixa para Angely. Angely vai para seu quarto. Abre uma gaveta. Pega uma bolsinha. Tira uma correntinha de prata com um pequeno rubi. Abre a caixa com as cinzas. Coloca a correntinha dentro. Fecha a caixa. Coloca na cabeceira de sua cama.

Resumo do Capítulo

Mel fala em morarem separados, Angely reluta. Angely desmaia. Mel liga para Dara. A caminho, Filip atira um dardo em Dara. Dara sente tontura. Quando chega, Dara fala a Angely e Mel. Levam ao hospital. Nada é detectado em exames. Angely segue Dara e encontra no casarão, com Edmont. Angely volta para casa. Mel briga com Angely, diz que Edmont pode transformar Dara. Angely diz que não pensou nisso, mas, quando Mel vai sair, Angely diz que sabe que não, apesar de não saber porque. No dia seguinte, Denise liga perguntando por Dara, e Mel e Angely vão atrás. Chegam e Dara está em estado alterado, chorando em um canto. Edmont diz que acordou e encontrou assim. Mel e Angely levam Dara para casa. A noite, Mel acha três carros que batem com a descrição. Depois de discutir, Mel concorda, e Angely pede ajuda para Edmont. Mel fala com Zenon. Dos carros suspeitos, aquele que Zenon foi atrás era o verdadeiro. Zenon não conseguiu nada mas Edmont, desconfiando das escolhas de Mel, segue Zenon. Trás Filip. Inclusive com as mãos quebradas. Trás também um papel, falando sobre os sintomas do que foi injetado. Diz que Dara deve passar por cinco estágios, cortados por períodos de sono, depois morrer. Dara acorda e pergunta de chocolate, Angely sai com Dara para comprar. Edmont fala em colocar Dara para dormir, e deixar em coma, para que não entre no quarto estágio enquanto não for descoberto. Mel desconfia e diz que Edmont quer transformar Dara. Edmont diz que pode ser o único jeito. Mel expulsa Edmont. Kat diz que sonhou que tinham pego Zenon. Derik fica com ciúmes, quando Kat diz que vem sonhando com Zenon. Ao ver Zenon, imagina que foi apenas um sonho. Mel diz a Zenon que sua preocupação maior é com Angely. Angely tenta fazer Dara dormir. Zenon fala que é melhor que durma. Zenon dá uma injeção em Dara para isso. Angely e Zenon vão ao laboratório. Está tudo quebrado. Zenon encontra mais papéis, mas a única coisa que consegue descobrir é que se torna contagioso. Denise liga novamente, Angely diz que Dara não pode falar. Mel liga a Kat e pede que avise se tiver algum sonho. Derik vai até a empresa onde Filip trabalhou. Rafael, ex-colega de Filip, fala com Derik. Rafael chega a MEAK. Mel diz que não pode examinar Dara, porque é contagioso. Rafael estranha. Mel vai até o hospital, buscar as amostras de sangue. Psique está brigando com Michael. Mel interrompe, bate em Michael por não parar, diz a Psique que é urgente. Psique pede para ajudar e volta a MEAK com Mel. A noite, Dara acorda. Tenta beijar Angely, mas Angely diz que estaria se aproveitando. Dara fica com raiva. Briga com Edmont e Zenon também. Zenon fala com Psique e Rafael, para tentar induzir o coma. Dara foge, derrubando Angely. Zenon vai atrás. Edmont encontra. Kat chega a MEAK e fala que viu que Edmont tentaria transformar Dara. Mel manda Angely atrás, com uma espada. Edmont fala em lutar até a morte, Angely diz que morreriam junto. Fala em uma luta até que a espada esteja em uma garganta. Vão para o saguão do casarão. Angely consegue, mas Edmont ataca novamente. Angely atravessa Edmont com a espada. Edmont se desfaz em pó. Zenon vê. Diz a Dara para irem para casa, que Angely apenas desmaiou, que Edmont não irá deixar morrer. Ao chegarem a MEAK, antes que consiga dizer a Mel, Angely aparece. Dara fala em ir embora, mas Angely convence a ficar. Longe dali, Beatrice encontra Edmont. A seu mando, Beatrice crava uma espada em seu peito. Edmont desaparece e volta. Refazem a aposta anterior. Caso Beatrice conseguisse Angely, Edmont mata a todos. Se Edmont conseguisse Mel, Beatrice fica com Edmont para sempre. Na MEAK, Denise chega, e descobre o que houve com Dara. Fica com Angely perto de Dara no quarto. Dara está em coma induzido. Semanas se passam. Psique e Rafael conseguem encontrar a solução para o estágio quatro. Angely chega. Diz que descobriram a solução para o estágio cinco e vão acordar Dara. No laboratório, Dara acordou e não quer tomar o remédio. A segurança tenta impedir Angely de entrar, por ter tentado impedir que acordassem Dara, mas Angely consegue forçar a entrada. Convence Dara a tomar o remédio. A família de Dara diz a segurança que Angely pode ficar. Em outro lugar, Beatrice diz a Edmont que acha que Edmont parou de se alimentar por causa de Dara. Vão até um bar. Se separam. Mel está no bar, seguindo vampiros. Edmont segue. Zenon tenta derrubar Beatrice. Beatrice diz a Zenon que Edmont está com Mel. Zenon vai atrás. Pergunta sobre Edmont ainda estar em vida. Edmont diz que Angely tem que morrer ao mesmo tempo. Angely volta para casa. Diz que o efeito não parece ter passado. Zenon e Mel dizem a Angely para voltar. Na casa de Dara, tentam forçar Dara a tomar um remédio para que pareça suicídio. Angely chega, impedem de entrar. Derik acerta a pessoa. Armam um plano e tiram Dara de dentro da casa. A noite, Derik liga para a MEAK e avisa que estão "em um lugar de sequestro". Na MEAK, há pessoas dentro da casa. Mel e Zenon derrubam. Vão junto com Kat para a antiga cabana de Manuel. Derik se preocupa com Kat, então Kat diz que desligaria seu corpo. Pensam em usar isso, descobrem que Angely e Dara fugiram. Psique chega e diz que o que pensaram não iria adiantar, pois já tentou. Longe dali, Dara e Angely conversam. Angely escala uma cachoeira com Dara nas costas. Chegam ao topo. Dara diz a Angely que está mandando sinal de onde está para Psique. Que Psique deve estar chegando. Que não queria morrer entre estranhos, ao menos. Psique e Mel chegam. Mel diz a Angely que Dara começará a sentir dor se esperarem mais. Dara diz que já está com dor, mas que Angely ajudou a amenizar. Dara diz a Angely que não quer que veja. Angely pula da cachoeira. Psique não consegue aplicar a injeção. Dara pede que Mel faça. Mel aplica a injeção. Dara pede que Mel diga a Angely para guardar algo, mas não consegue terminar. Mel abraça o corpo de Dara. Quando voltam a cidade, Mel vai até a casa de Dara. Briga com os pais de Dara, pela forma como agiram a vida toda de Dara. Leva as cinzas para casa. Entrega a Angely. Angely vai para o quarto. Coloca um pingente com um cordão dentro da caixa. Deita e dorme.

Dara Keon