Chamado
MEAK
A18

Chamado ler resumo

MEAK. Cozinha. Mel está comendo um lanche na mesa, Zenon sentou-se a sua frente.
Angely já não disse que Edmont não volta mais aqui? Não sei o que ainda te preocupa. (Mel)
Ele acredita em palavra de vampiro. (Zenon)
Quer dizer que eu não devia acreditar em você? (Mel)
Quer saber? Não mesmo. Não devia deixar um vampiro entrar na sua casa. (Zenon)
Beleza. Tchau. (Mel)
Não foi isso que eu quis dizer. (Zenon)
Mel encara Zenon. Morde o sanduíche e continua comendo.
Casa de Tereza.
Aproveitem bem, não é sempre que o papai consegue tirar férias. (Tereza)
Mas tem certeza que não quer ir com a gente? (Alice)
Não, vocês precisam de um tempo sozinhos. (Tereza)
Você é a filha que toda mãe pede à Deus. Se não fosse essa sua mania de... (Alice)
Ah, por favor, mãe, não começa! Não quero discutir antes de você viajar! Não quero ficar aqui brava com você, nem quero que vá com raiva... (Tereza)
Tá bom. (Alice)
Achei a chave! (Alberto)
Alberto entra na sala.
Vamos? (Alberto)
Alice abraça Tereza, depois Alberto faz o mesmo. Saem. Tereza vai pro quarto, até a janela. Acena. Barulho de carro. Tereza vai até um gaveteiro. Pega velas vermelhas e roxas. Espalha pelo quarto. Cobre o espelho. Pega um livro grosso com um desenho e um XIX na capa.
E agora? Como vou saber qual? (Tereza)
Tereza começa a folhear.
Que legal, esse nasceu no primeiro dia, primeiro mês e primeiro ano do século dezenove... Diego Leonard, espanhol... 1801, 1826. Vinte e cinco anos de humano e mais de duzentos de vampiro. Perfeito. (Tereza)
Deixa no chão. Levanta, pega um isqueiro na cabeceira, ao lado de um cinzeiro. Acende cada uma das velas no quarto. Fecha a janela. Senta no chão. Arranca a página do livro. Pega uma folha do bolso e segura junto com a página do livro arrancada.
Diego Leonard, nascido e morto em Espanha, tendo visto 9264 sóis e nunca mais. Tendo sido amaldiçoado pela sombras para o resto de tua existência. Me escuta agora. Tu e só tu. Te chamo agora, te chamo pra cá, te chamo pra mim, te chamo por mim. Que tu não descanses enquanto não me encontrares. Que eu sofra teus males, que o que te fere também me fira. Que me encontres por tua intuição, que saibas que sou eu, mesmo nunca tendo me visto. Que sonhes comigo e que eu sonhe contigo. Se não me levares, que te tornes um ser fraco e viva o resto de tua vida preso a mim, atormentado. Que não esperes muito tempo, que me encontres e me leves logo, que já sou tua e só tua. Que teu coração escute meu chamado. Que me queiras para ti e só para ti. Que não me abandones. Que venhas para perto e me leves para longe. Não me importa o que acontecerá, não me importa pra onde me levarás, só me leve daqui, me tire deste lugar. Tu matas e eu sei disso. Quero que me leves daqui quanto antes. Que morras se deixar outro me fazer dele. (Tereza)
MEAK. Mel está lavando um prato, na pia. Zenon está atrás.
Mas eu tô dizendo que... (Zenon)
Zenon dá um passo em direção a Mel. Mel vira na mesma hora para trás. Zenon faz um movimento em direção a Mel, mas coloca a mão na cabeça e dá um passo para trás.
Caralho, não basta Angely?! (Mel)
Zenon continua com a mão na cabeça, apertando os olhos.
Zenon, olha pra mim! Qual o problema? (Mel)
Eu não sei... (Zenon)
Zenon abre os olhos. Tira a mão da cabeça. Olha para Mel.
Passou. (Zenon)
Já sentiu isso alguma vez? (Mel)
Só quando tomava tiro. Tem gente que acho que confunde a gente com zumbi. Ou gostam de brincar de tiro ao alvo quando estamos amarrados. (Zenon)
Já passou por tortura muitas vezes? (Mel)
Perdi a conta. Mas a que eu mais me lembro... (Zenon)
Dia seguinte. Biblioteca.
Com licença. (Tereza)
Sim? (Cândida)
Vim devolver esse livro... (Tereza)
Ah, claro... (Cândida)
Cândida pega o livro. Franze a testa.
Foi alguém que pediu pra você devolver? (Cândida)
Não. (Tereza)
Quando pegou isso? (Cândida)
Ontem, vinte e três de fevereiro, de manhã. (Tereza)
Certo... Eu tava atrapalhada ontem, você precisava de autorização pra pegar isso... (Cândida)
Desculpe, eu não sabia. (Tereza)
Oi, ontem eu vim aqui procurando... Ah, é esse! (Alex)
Cartão de identidade. (Cândida)
Alexander coloca o cartão sobre a mesa. Cândida coloca dentro da máquina e tira do outro lado.
Certo, pode levar. (Cândida)
Alexander pega o livro. Se vira, dá alguns passos. Franze a testa. Vira de volta. Olha pra Tereza. Tereza estava olhando para Alexander.
Alguma coisa errada? (Alex)
Precisa ser maior de idade pra pegar isso? (Tereza)
Tava tentando levar? (Alex)
Não, ela veio devolver, pegou ontem... Eu tava atrapalhada, acabei não olhando qual era... (Cândida)
Pode vir comigo, por favor? (Alex)
Eu? (Tereza)
Sim, você. (Alex)
Tá. (Tereza)
Tereza sai da biblioteca. Alexander se aproxima da mesa e encara Cândida.
Desculpa, eu... (Cândida)
Vão saber disso. (Alex)
Alexander sai da biblioteca.
Então, o que quer? (Tereza)
Saber quem te mandou pegar isso. (Alex)
Ninguém. Fiquei curiosa. (Tereza)
Vem comigo. (Alex)
Alexander vai até seu carro abre a porta de carona.
Não espera que eu vá pra sua casa, espera? (Tereza)
Tenho autorização pra pegar isso por que caço as coisas que estão aqui. (Alex)
E daí? (Tereza)
Você não está sendo treinada, por que, se estivesse, não ficaria apenas um dia com o livro e teria autorização pra pegar. (Alex)
Vai fazer o que? Me torturar pra saber por que peguei? (Tereza)
Não, mas eu preciso te mostrar algo. (Alex)
Quem me garante que você não é aliado de algum vampiro? (Tereza)
Aliados de vampiros não têm autorização pra pegar isso. (Alex)
Você pode ter... (Tereza)
Um vampiro que quisesse você ou o livro apenas pegaria e isso não tem serventia pra um vampiro, eles podem só ir até o outro e perguntar. Agora cala a boca a entra no carro. (Alex)
Se não o que? (Tereza)
Posso dizer pros meus superiores que leu este livro e tenha certeza que será bem pior. (Alex)
Tereza bufa. Entra no carro. Alexander joga o livro no banco de trás e entra pela porta de motorista.
Apartamento de Alexander. Alexander coloca o livro sobre o sofá. Tereza olha em volta.
Pobre demais pra você? (Alex)
Não, não sou rica. (Tereza)
Deduzi pela camiseta que esta usando. É de marca. (Alex)
Presente da minha madrinha. (Tereza)
E seus pais? (Alex)
Viajando. (Tereza)
E eles sempre te deixam sozinha assim? (Alex)
Não, é a primeira vez que fazem isso. (Tereza)
Tem irmãs? (Alex)
Um irmão. Serve o exército. Não vejo há três anos. Por que tantas perguntas? Aliás, perguntou tanto e não quis saber do meu nome, que é Tereza aliás. O seu? (Tereza)
Alexander. O nome não determina a pessoa. (Alex)
Pensamento interessante. Posso chamar de Alex? (Tereza)
Pode. (Alex)
Então, Alex, por que afinal me trouxe aqui? (Tereza)
Tem o despeito e a coragem de alguém que conheci. (Alex)
Amigo ou inimigo? (Tereza)
Aliás, conheci várias com suas características. (Alex)
Você é mulherengo? (Tereza)
Não, esqueceu? Caça-vampiros. (Alex)
Ah... Pode me levar pra casa agora? (Tereza)
Não tem ninguém te esperando, ou tem? (Alex)
Não quero ficar aqui e não faço a menor idéia de como voltar. Me trouxe, agora me leva. (Tereza)
Eu me enganei. Só parece forte. (Alex)
Quero ir pra casa e quero agora. (Tereza)
Por que está tão assustada? (Alex)
Por que tá jogando comigo? (Tereza)
Poderia ser um vampiro e você nem ter desconfiado. (Alex)
Não, você tava no sol. (Tereza)
Achou que eu ia te levar a alguma coisa. Sua mãe nunca te falou pra não conversar com estranhos? (Alex)
Eu vou embora! (Tereza)
Alexander aponta a porta.
A biblioteca fica a duas quadras daqui, você com certeza reparou. (Alex)
Tereza sai correndo.
Pronto, agora ela aprende que isso não é brincadeira. (Alex)
Noite. Tereza está andando só.
Se perdeu? (Rust)
Não falo com estranhos. (Tereza)
Por isso se perdeu. Onde fica sua casa? (Rust)
Não vou dizer. (Tereza)
Te levo a delegacia. A polícia você diz, né? (Rust)
Não. (Tereza)
Não devia mesmo. Nunca vi coisa ligada ao governo ser confiável. (Rust)
Por que está me seguindo? (Tereza)
Tô tentando ajudar. Cê tá com cheiro de quem fez feitiço. (Rust)
Por que está prestando atenção em mim??? Não quero sua atenção, seu, seu... (Tereza)
Rust, antes que encontre o adjetivo que tá procurando. (Rust)
Que seja! (Tereza)
Tereza anda mais rápido. Rust cruza os braços e meneia a cabeça para os lados. Tereza anda olhando para trás. Anda algum tempo. Olha para trás novamente. Bate em Rust.
Não quis te assustar, mas não é seguro aqui. (Rust)
Legal, agora tá aparecendo um monte de maluco com intenção de me proteger! (Tereza)
Tereza sai correndo. Rust corre atrás e segura Tereza contra a parede.
Isso não foi legal. (Rust)
Rust mostra os dentes.
Rust solta Tereza e olha para trás.
Who is talking about... Not even to enter in people's house you ask, you make them to allow. Olha quem fala... Nem pra entrar na casa das pessoas você pede, você obriga a deixarem. (Zenon)
Tereza franze a testa.
It could be worst, I could be unable to find my own dinner. Pior é não ter competência pra conseguir o próprio jantar. (Rust)
Zenon olha para Tereza, depois para Rust.
I'm here to protect her. Vim protegê-la. (Zenon)
Rust franze a testa.
Zenon that I know would never do it. Zenon que conheço nunca faria isso. (Rust)
I'm not the same. This one died like an year ago. Não sou o mesmo. Esse morreu faz pouco mais de um ano. (Zenon)
I'm wrong in beleving you still dislikes me? Tenho razão de achar que ainda não gosta de mim? (Rust)
There is no way to change it. Isso realmente não há como mudar. (Zenon)
I have envy of my age and experience. Tem inveja da minha idade e experiência. (Rust)
What kind of experience? With men maybe? Que tipo de experiência? Com homens talvez? (Zenon)
Rust olha para o céu.
And Virgine still asks me why I do want you dead. Human culture is really something trashy. E Virgine ainda me pergunta porque quero que você morra. Cultura humana é realmente desprezível. (Rust)
Zenon tenta dar um chute no peito de Rust, mas Rust segura o pé. Zenon chuta com o outro pé e se livra. Rust vai para trás, colocando a mão na boca. Sangue. Lambe a mão. Zenon tira uma estaca da calça. Rust desvia o golpe, segura o braço de Zenon e dá um soco. Zenon vai para trás e cai a estaca no chão. Rust pega a estaca. Zenon tenta chutar novamente, dessa vez Rust puxa a perna e Zenon cai no chão. Rust pega a estaca e senta-se em cima de Zenon.
You are so fucking disgusting that I think if, at this very moment, your worst fear is the stake or my body too close to yours. Você é tão desprezível que imagino se, nesse momento, seu pior medo é a estaca ou meu corpo perto demais do seu. (Rust)
Rust abre as mãos, solta a estaca. Abre mais os olhos e descurva o corpo. Sorri. Se desfaz em pó. Cai um cabo de vassoura, junto com as roupas cheias de cinzas. Zenon se senta. Levanta do chão.
Tem uma boa mira, garota... (Zenon)
Zenon abaixa e pega no chão um bracelete de prata, com uma pequena esmeralda. Guarda no bolso.
Qual seu nome? (Zenon)
Liv. Ele disse que o seu é... (Tereza)
Zenon. Fala inglês? Achei que... (Zenon)
Não. Só que essa palavra me pareceu um nome. (Tereza)
Pelo jeito, acertar foi um golpe de sorte. Melhor eu te levar pra casa agora. Onde mora? (Zenon)
Casa de Tereza. Zenon e Tereza param na porta.
Parece não ter ninguém. (Zenon)
E não tem. (Tereza)
Mora sozinha? (Zenon)
Meus pais viajaram. Não quer... (Tereza)
Não, já vai amanhecer, melhor eu voltar. (Zenon)
Tem alguém te esperando? (Tereza)
Minha esposa. Sou caça-vampiros e ela vai ficar achando que aconteceu algo comigo se eu demorar. (Zenon)
Zenon sai. Tereza entra em casa. Se joga no sofá.
É ele! Ele existe! (Tereza)
Do lado de fora, Zenon franze a testa. Meneia a cabeça.
Dia seguinte, manhã. Apartamento de Alex. Toca a campainha. Alex abre.
Nossa, quanto tempo, hein? Já achei que tivessem te pego na África! (Alexander)
Que nada, ele veio pra cá... (Igor)
Igor entra.
...e, como você vê, ainda sou eu mesmo. (Igor)
Não pegou Rust ainda então? (Alex)
Mas um dia eu pego. (Igor)
Ou ele te pega. (Alex)
Pega nada. (Igor)
Já visitou seus pais? (Alex)
Não, cara, eles vão me encher daquela ladainha de que meu trabalho é perigoso e blablabla... Não tô com paciência pra isso. Tem visto minha irmã? (Igor)
Nossa, eu sabia que conhecia ela de algum lugar! (Alex)
Peraí, você e ela não...? (Igor)
Velho, sua irmã é um bebê! Ela tem quinze, não é? (Alex)
Completa hoje, vinte e cinco de fevereiro. (Igor)
Então, por que não vai vê-la? (Alex)
Ah, meus pais... (Igor)
Viajaram. (Alex)
Como sabe? (Igor)
Bom, eu preciso falar com você sobre ela... A última vez que a viu foi quando ela tinha doze, correto? (Alex)
Sim... Por que, aconteceu alguma coisa com ela??? (Igor)
Primeiro que ela pensa que você foi servir o exército. (Alex)
Meus pais devem ter falado isso, possivelmente não queriam falar que tava esperando completar dezoito pra sair de casa. (Igor)
Ela pegou o dezenove na biblioteca. (Alex)
Como assim? Ela não tem... (Igor)
A mulher da biblioteca se distraiu e acabou deixando ela pegar. (Alex)
Mas pra que ela pegou? (Igor)
Bom, eu cheguei quando ela tava devolvendo. Então trouxe ela pra cá, fiz umas perguntas... Ela tava agindo daquele jeito que eu odeio, mas parou. Acho que acabei assustando ela. (Alex)
Ela tá sozinha em casa? (Igor)
Está. (Alex)
Tarde. Casa de Tereza. Toca a campainha.
Já vou! (Tereza)
Tereza levanta da cama, veste um roupão e vai até a porta.
Quem é? (Tereza)
Está com voz de sono, não costumava dormir até tão tarde. (Igor)
Tereza abre a porta em um puxão. Pula em cima de Igor.
Nossa, se soubesse que a saudade era tanta, tinha vindo mais cedo! (Igor)
Por que demorou tanto??? (Tereza)
Igor franze a testa.
Vamos entrar, não quero ficar dando show aqui fora. (Igor)
Tereza desce. Entra. Igor entra e fecha a porta.
Como você cresceu... (Igor)
Queria que eu ficasse aquela tampinha até voltar??? Faz três anos! Você é que cresceu mais do que devia... Andou tomando anabolizante? (Tereza)
Não, é de verdade. (Igor)
Magrinho do jeito que era? Tem certeza? O exército te fez realmente bem! Espera a mamãe e o papai chegarem... (Tereza)
Tenho umas coisas pra falar com você. (Igor)
Sobre? (Tereza)
Primeiro... Não fui pro exército. (Igor)
Igor senta-se no sofá.
Eu sai de casa. (Igor)
Tereza senta ao lado de Igor.
Então por que... (Tereza)
Nossos pais não queriam que eu fosse caça-vampiros. Disseram que era muito arriscado. (Igor)
Isso não existe... (Tereza)
Sabe que sim. E sei que andou pegando o que não devia na biblioteca. (Igor)
Como soube? (Tereza)
Alexander é meu amigo. Ele disse que te assustou um pouco... (Igor)
Me assustou? Ele não me assustou! Nada me assusta... (Tereza)
Nem nossos pais sem sangue, jogados no chão da sala, até torturados? (Igor)
Tereza olha para baixo.
Então é melhor não brincar com isso. (Igor)
Zenon abre os olhos. Levanta. Vai ao banheiro. Lava o rosto. Anda de um lado pra outro. Veste uma camisa. Sai. Chega a um bar grande. Quase todas as mesas ocupadas. Zenon vai até o balcão.
Quero falar com o dono dos sonhos. (Zenon)
Morpheu não pode atender. (Marcos)
É urgente... (Zenon)
Ele não mora mais aqui. (Marcos)
E pra onde se mudou? (Zenon)
Pro além. (Marcos)
Ah? (Zenon)
Isso mesmo que ouviu. Morpheu tá morto. (Marcos)
Então não foi ele. (Zenon)
Você tá enfeitiçado. Eu percebi isso. (Marcos)
É, tem sim... (Zenon)
De pouco tempo. (Marcos)
Tem certeza? (Zenon)
Tenho. (Marcos)
E pode me dizer algo sobre ele? (Zenon)
É de alguém inexperiente. (Marcos)
Só? (Zenon)
Conheço quem pode dizer... Sim? (Marcos)
Zenon se vira e vê Mel.
Vocês se conhecem? (Marcos)
Por quê? (Mel)
Uma caça-vampiros e não sabe que ele é um... (Marcos)
Ah, sei, sim. Me ajudou em algumas coisas... (Mel)
Tá ajudando caça-vampiros??? (Marcos)
Silêncio no bar, todo mundo olha para o balcão. Zenon ri.
Já falei pra não ficar fazendo esse tipo de brincadeira! (Zenon)
Pessoas voltam-se para suas mesas e suas conversas.
É open bar de sangue? (Mel)
Há alguns vampiros e os humanos que estão aqui provavelmente não acreditam em vampiros ou caçam a gente. (Zenon)
Menos mal. (Mel)
Não respondeu minha pergunta. (Marcos)
Mel tira a estaca da cintura.
Algum problema com isso? (Mel)
Não, é que... (Zenon)
A última caça-vampiros que saiu daqui com ele foi encontrada com uma estaca no coração. (Marcos)
Mel encara Zenon.
Melody... (Zenon)
Mel sai. Em uma mesa mais para o fundo, Angely olha Mel sair. Virgine senta-se em outra cadeira na mesma mesa.
Sua irmã? (Virgine)
Não vou nem perguntar como sabe. (Angely)
Manda ela tomar cuidado, aquilo é um dos piores que já vi. (Virgine)
Você é vampir, né? (Angely)
Como sabe? (Virgine)
Não tem muito como eu responder a essa pergunta. (Angely)
Angely se levanta e vai atrás de Mel.
Angely... O que diabos você é? (Virgine)
Beatrice senta-se onde Angely estava. Virgine levanta.
Qual o problema? (Beatrice)
Se me desse com prostitutas, andava com Kassandra. (Virgine)
Virgine sai do bar. Um homem se aproxima de Beatrice.
Você é lésbica? (homem)
Não, por que? (Beatrice)
Seria um desperdício. (homem)
Mel anda pela cidade. Zenon está atrás de Mel. Angely segue Zenon e Mel. Virgine segue Angely. Zenon segura Mel pelo braço. Mel puxa o braço e dá um soco em Zenon.
Au! (Zenon)
Não era pra fazer carinho. (Mel)
Eu ia naquele bar quando ainda matava! (Zenon)
E agora? Como se alimenta? De vegetais?! Não, não, já sei! Tá roubando banco de sangue! (Mel)
Zenon baixa a cabeça. Mel balança a cabeça para os lados e sai.
Parece que não vai conseguir a caçadora. (Virgine)
Não quero conseguir Mel, eu só... (Zenon)
O que é isso, um dois em um? (Alexander)
Zenon e Virgine viram para Alexander.
E vai matar qual dos dois? Pode escolher quem vai deixar inteiro pra te torturar. (Virgine)
Que raro. E eu querendo pegar Rust, agora vou pegar a líder do bando. (Igor)
Rust já era. (Zenon)
Que?! (Virgine)
Do que tá falando? (Igor)
Eu mais uma vez tentei matar ele, quando estava cercando uma vítima e... (Zenon)
Achei que chamava de presa. (Alex)
Começamos a lutar, ele me derrubou e ela matou ele. (Zenon)
Virgine olha para baixo, com a sobrancelha franzida.
Claro, acha que vamos acreditar que uma garota indefesa, que foi cercada por Rust, acabou com ele? (Alex)
Matou ela em seguida? Não, deve ter transformado em vampira. (Igor)
Levei ela pra casa dela. (Zenon)
Alex ri.
É sério, eu até dou o... (Zenon)
Zenon coloca a mão na cabeça e cai de joelhos. Virgine pula e sobe em um prédio. Igor aponta para cima, olha para os lados, depois aponta para Zenon.
Droga, tava fazendo teatro pra desgraçada fugir! (Alex)
Não faz sentido, Rust e Zenon não se bicam. (Igor)
Vai me dar aula de psicologia vampírica agora?! (Alex)
Zenon fica em pé. Seus olhos estão brancos. Os caninos saídos, mas maiores que o normal. Sai correndo e, passando entre Alex e Igor, joga Alex em um muro, Igor em outro. Alex se levanta, mexe o corpo. Vai até Igor, que ainda está olhando para o céu.
Isso doeu. (Igor)
Acostume-se. (Alex)
Não sabia que conseguiam fazer isso... (Igor)
Nem eu. Isso é feitiçaria. (Alex)
Conseguiu nos distrair. (Igor)
Pra você isso é até aceitável, é um iniciante... Eu é que... (Alex)
Pára de me bajular e me ajuda a levantar daqui! (Igor)
Não tenho culpa se quem te ensinou botava a culpa dos erros dele em você, eu não faço esse tipo de coisa. (Alex)
Velho, vai! (Igor)
Alex extende a mão a Igor, que segura. Alex puxa Igor de uma vez.
Caralho! Devia ter me levantado sozinho! (Igor)
Ê, mas você só reclama, hein??? (Alex)
E você, quem é? (Igor)
Alex vira para trás.
Zenon não é ruim. (Angely)
Claro, ele é santo e eu sou virgem! (Alex)
Não falei em santidade, apenas que não é ruim. (Angely)
Por que todo artista acha que sabe e tem o poder de tudo? (Igor)
Não foi você que nos ajudou com Andrews? (Alex)
Na verdade, só tirei Dalila do lugar. Edmont ajudou vocês lá em cima. (Angely)
Então você salva a mocinha e seu irmão ataca o bandido? (Igor)
Atacava. (Angely)
Se ele tivesse morto a imprensa... Ah, não, ele não... (Alex)
Angely baixa a cabeça. Volta a olhar para Igor e Alex.
Sabe o que Zenon foi fazer quando saiu daqui? (Angely)
Se esconder do sol. (Igor)
Salvar sua irmã. Foi a pessoa de quem Zenon falou, que salvou e levou em casa. Agora alguém com obcessão por Rust está atrás. (Angely)
Tereza! (Igor)
Igor pega a arma que estava no chão. Alex procura a sua também. Pega do chão. Está em pedaços. Baixa perto e pega os pedaços. Igor olha em volta. Toca no ombro de Alex. Alex olha para Igor. Igor faz sinal com a cabeça, para o lado e para cima. Segue andando. Alex solta o resto da arma e segue.
MEAK. Mel anda de um lado pro outro. Kat está no sofá.
Por que não contou pra mim??? (Mel)
Não tava em casa! (Kat)
Tá, agora Zenon tá com feitiço e eu não posso fazer nada, por que nem sei onde é a casa de... de... (Mel)
Tereza. (Kat)
Isso! (Mel)
Calma, Angely já foi cuidar disso. (Kat)
MEAK. Meia-noite. Angely entra.
Ainda bem que chegou, Mel tava... (Kat)
Cadê Zenon?! (Mel)
Alguém que Rust criou foi atrás de Tereza, então Zenon sentiu isso e foi atrás pra proteger. (Angely)
Por que não foi ajudar?! (Mel)
Por que já tem duas pessoas que caçam vampiros pra fazer isso. (Angely)
Vão no mínimo matar Zenon! (Mel)
Zenon foi salvar Tereza, vão ver que... (Angely)
Kat, vai dormir! (Mel)
Tá, já vou. (Kat)
Kat sobe as escadas.
Porque tá desse jeito? (Angely)
É Zenon! (Mel)
Quer ir... (Angely)
Bora. (Mel)
Casa de Tereza. Tereza está dentro do quarto, de porta trancada. Algo bate contra a porta. Tereza sai pela janela. A porta cede. Yuri puxa Tereza para dentro e leva para a sala.
Por que está atrás de mim??? (Tereza)
Matou meu mestre! (Yuri)
Yuri joga Tereza no chão e sobe em cima. Zenon chega na porta de entrada. Igor chega, entra. Joga Yuri de cima de Tereza. Pega uma estaca e tenta cravar em Yuri, mas Yuri segura sua mão. Yuri bate com a outra mão no meio do braço de Igor, que grita. Yuri joga Igor para fora da casa. Sai. Tereza acerta Yuri com uma cadeira. Yuri joga Tereza de volta para dentro da casa, acertando uma parede. Tereza desmaia. Zenon tenta entrar novamente, mas não consegue. Igor pega a besta, Yuri desarma Igor, chutando o braço que não quebrou. Sobe em cima de Igor e morde o pescoço. Igor grita. Zenon continua olhando para dentro. Yuri levanta. Vai na direção da porta, Zenon se vira.
Qual o problema? Quer ela? (Yuri)
Zenon permanece em silêncio. Yuri ri. Dá um soco em Zenon. A boca de Zenon sai sangue. Os olhos voltam a ficar brancos. Zenon pega Yuri pelo pescoço. Olha para Igor. Joga Yuri longe. Pega um dos pedaços da cadeira com que Tereza acertara Yuri. Yuri se levanta e corre na direção contrária. Zenon atira o pedaço de madeira e as roupas e a madeira caem mais pra frente, sob efeito da inércia, enquanto o corpo de Yuri se desfaz em pó. Zenon se aproxima de Igor. Alex olha de longe. Zenon levanta e limpa na camisa o sangue da boca. Os olhos deixam de ser brancos. Zenon sai. Alex chega perto de Igor. Abaixa. Coloca a mão no pescoço. Solta seu corpo no chão.
Maldito... (Alex)
Alex entra na casa. Vê Tereza no chão. Se aproxima a passos lentos. Olha em volta do pescoço. Pega o pulso. Abre mais os olhos. Pega Tereza no colo.
Manhã. Mel chega a casa de Tereza. O corpo de Igor está sendo coberto. Entra na casa. Alex está na sala.
Alex... Aconteceu algo aqui? (Mel)
Um vampiro, o que mais poderia ser? Ah, pensei no que mais: pode ser um vampiro que seu irmão disse que era bonzinho. (Alex)
Quem? (Mel)
Zenon. Cheguei aqui quando ele se afastava do corpo do Igor. (Alex)
Você conhecia? (Mel)
Meu amigo. Era caça-vampiros. (Alex)
Conheço Zenon... (Mel)
Ninguém conhece um vampiro. Eles se traem entre si, acredite, nunca serão fiéis. Confie num leão faminto, mas não confie num vampiro de barriga cheia. (Alex)
Tem certeza que foi Zenon? (Mel)
Não, tava limpando o sangue da boca porque vampiro baba sangue, não sabia disso? (Alex)
Igor morava só? (Mel)
Na verdade, essa é a casa dos pais dele. Tereza, irmã mais nova de quinze, ficou sozinha quando os pais viajaram e Zenon veio atrás dela. Igor tentou defender e provavelmente esqueceu que Zenon não podia entrar. Então ela ficou viva. (Alex)
Já falou com Tereza? (Mel)
Tá inconsciente ainda. Deve ter tentado defender o irmão e foi jogada pra dentro. (Alex)
Deve ter sido Igor pra proteger. (Mel)
Por que? (Alex)
Por que, não podendo entrar, Zenon não jogaria pra dentro. (Mel)
Prédio abandonado. Zenon está olhando pela janela, para o mar.
Ouvi quando disse uma vez pra Mel que gostava do mar. (Angely)
Não há nada tão misterioso, grande e cheio de vida como ele. (Zenon)
Parece que tá com problema. (Angely)
Uma garota que salvei. Agora penso nela o tempo inteiro e sinto como se ela fosse a única coisa que importasse, que eu tivesse que defender. Não sei por que, mas percebo quando tá em perigo. (Zenon)
Talvez tenha se apaixonado. (Angely)
Não é gostar. É mais forte que isso, não é escolha. Como beber sangue. Eu não gosto, mas sou incapaz de separar isso de mim. (Zenon)
Bebe sangue por que precisa se alimentar. (Angely)
Eu sei, fui eu quem escolhi, mas... (Zenon)
Não, não é isso. O que você é tem algo com magia. (Angely)
Será que é conseqüência do... (Zenon)
Você tem um motivo para estar nos rondando, nos ajudando de vez em quando, não é? (Angely)
Não acreditaria. (Zenon)
Bom, eu vim de outro planeta, quer algo mais estranho? (Angely)
Noite. Mel e Alex saem do cemitério.
É, acho que é morto mesmo. (Alex)
Não queria estar no lugar de Tereza. (Mel)
Mas você já perdeu um irmão. (Alex)
Como sabe? (Mel)
Angely falou. (Alex)
Ah, tá. Pensei que tivesse visto Edmont. (Mel)
Alex para de andar. Mel para e olha para Alex.
Por que não matou ele ainda??? (Alex)
Teríamos que matar Angely. (Mel)
Podemos só prender ele, ou distrair... (Alex)
Não, você não entendeu. Existe uma ligação tão forte que Angely sentiu a transformação. (Mel)
Tem medo que Angely morra também. (Alex)
Tenho certeza que vai acontecer. (Mel)
Alex olha para o céu.
Eu sei como pegar Zenon. (Mel)
Alex olha para Mel.
Não é tão fácil como pensa. (Alex)
Anda frequentando minha casa. (Mel)
Vamos armar uma emboscada? (Alex)
Espero aparecer e te ligo. Não diga nada do outro lado. Vou perguntar se tem alguém me ouvindo três vezes. Desligue e vá. (Mel)
Se ele perceber ou conseguir escapar, você está morta. (Alex)
Duvido. Mas não conte comigo pra acertar, minha mira é uma merda. (Mel)
Vou estar na casa de Tereza. Levo reforço. (Alex)
Madrugada. MEAK. Mel entra. Zenon levanta do sofá.
Mel... (Zenon)
Se não se importa, preciso usar o telefone. (Mel)
Mel pega o telefone. Zenon tira da tomada. Mel encara Zenon.
Eu preciso me explicar. (Zenon)
Passei na casa de Tereza. (Mel)
Não pude impedir que o irmão fosse morto. (Zenon)
Mas Tereza ainda vive. (Mel)
Ainda parece brava comigo. (Zenon)
Sem ressentimentos. Mas ainda preciso usar meu telefone. Se você não tiver quebrado puxando da tomada, claro. (Mel)
Zenon religa o telefone. Mel pega a disca.
Alô? ### Tem alguém me ouvindo? ### Tem alguém me ouvindo? ### Responde, tem alguém me ouvindo?! (Mel)
Mel bufa. Desliga.
Que foi? (Zenon)
Tô com fome. E com preguiça. (Mel)
Casa de Tereza. Alex desliga o telefone.
Bom, vocês já sabem quem é o Zenon... (Alex)
Minha avó conheceu ele quando tinha vinte e cinco. (José)
Não mata ele, por favor. (Tereza)
Que bom que acordou, não vai precisar de ninguém para... Que??? (Alex)
Se matarem ele, vão estar me matando. (Tereza)
Cláudia franze a testa.
Tá falando do vampiro que matou seu irmão! Você tem alguma coisa com esse... (Cláudia)
Fiz um feitiço. Pra isso tinha usado o livro. (Tereza)
Do que ela tá falando? (José)
Ela pegou o dezenove sem que ninguém visse. (Alex)
Pensei que Zenon fosse mais velho... (José)
Estamos em 2023, mas estamos no século XXI. (Cláudia)
Ah... (José)
Vamos prender ele, desfazer o feitiço e matar depois. (Alex)
Não é bruxa. (Cláudia)
Não, fiz só esse feitiço. (Tereza)
Só tem um feitiço desse gênero que uma humana comum pode fazer. Só não sei onde achar. (Cláudia)
MEAK.
Bom, eu tenho que... (Zenon)
Não, não vai. (Mel)
Vai amanhecer, não posso sair mais tarde. (Zenon)
Pode sair de noite. (Mel)
Alex, Cláudia e José entram, com bestas. Zenon olha para Mel. Casa de Kat. Kat acorda.
Não deixa! (Kat)
O quê?! (Angely)
Zenon. (Kat)
MEAK.
Não seria capaz de... (Zenon)
Olha quem fala. (Mel)
Achei que acreditasse em mim. (Zenon)
Achou que ela não pensasse. (Alex)
Achei que queriam matar. Se eu soubesse que iam enrolar, tinha feito o serviço. (Mel)
É mesmo, o que estão esperando?! (Zenon)
Tereza fez um feitiço. Temos que tirar antes de matar Zenon. (Alex)
Manhã. Angely chega.
Mel, eu preciso falar sobre Zenon... (Angely)
Não precisa me alertar, já prenderam. (Mel)
Que??? (Angely)
Por que se espanta? Atirei em Elian. (Mel)
Errou. (Angely)
Por que minha mira é uma merda. Se fosse por minha vontade, teria sobrado a roupa e o pó. Por que com Zenon seria diferente? (Mel)
Por que não é ruim. (Angely)
Você e sua mania de achar que... (Mel)
Pergunte a Kat. (Angely)
Tava sonhando desde o começo. Anteontem Zenon foi a um bar. Voltei lá e me disseram que tinha ido falar com alguém que controla sonhos. (Mel)
Acha mesmo que estava... (Angely)
Tenho certeza. (Mel)
Zenon disse que tava sonhando com Tereza. Pode ser que... (Angely)
Por que? Já sei, Edmont jurou pra você que... (Mel)
Para, Mel. Por favor. (Angely)
Que foi? Ah, esqueci que não consegue acreditar que Edmont... (Mel)
Não é disso que eu tô falando. (Angely)
Do que mais poderia ser? (Mel)
Não tá conseguindo convencer nem a si que Zenon é ruim. (Angely)
Se acha isso, não me conhece. (Mel)
Então é pior. Não consegue parar de pensar, mesmo sabendo. (Angely)
Vou esquecer. Esqueci Elian. (Mel)
Tarde. Edmont está com Beatrice. Estão na cama.
Eu não falei que era fácil? (Edmont)
Como sabia que Tereza tinha matado Rust? (Beatrice)
Eu vi. Daí foi só dizer isso a Yuri e esperar que Zenon fosse defender Tereza. Só que achei que Zenon chegaria primeiro e Igor mataria. (Edmont)
Iniciantes. (Beatrice)
Às vezes fala de um jeito que parece ter, pelo menos, trezentos anos. (Edmont)
Ainda bem que não aparento isso. (Beatrice)
Bom, espero que Zenon não fuja, ou que volte ao que era. Não quero perto de Mel. (Edmont)
Preocupado com sua irmã? (Beatrice)
Dificultaria ganhar a aposta. (Edmont)
Me quer tanto assim? (Beatrice)
Não preciso ganhar a aposta pra te ter. É só meu ego falando. (Edmont)
E o que ele tá dizendo? (Beatrice)
Pra eu seduzir Mel e deixar se matar depois. Então vir atrás de você e prender num quarto, pra só eu poder entrar. (Edmont)
Beatrice levanta e vai até a janela. Edmont ri.
Se mostra tão forte, me provoca e vira um copo de cristal quando eu respondo. (Edmont)
Tem alguma coisa errada com você. Parece que falta algo. (Beatrice)
E o que poderia ser? (Edmont)
Não sei. Sinto o mesmo com Angely. (Beatrice)
Edmont joga Beatrice na cama, sobe em cima e segura os braços contra a cama.
Não repita mais isso. Nunca mais. (Edmont)
Zenon está em uma cama. Está com correntes.
Não acredita que um vampiro possa mudar, não é? (Zenon)
Calado. (José)
Não deve mesmo acreditar. Fui o único no mundo. (Zenon)
Não acredito que alguém que tortura e mata uma mulher grávida possa mudar. (José)
Eu... (Zenon)
Quieto, sua voz me irrita! (José)
Te irrita o fato de eu estar inteiro. (Zenon)
José pega uma estaca e enfia no estômago de Zenon. Tereza, na sala, cai no chão, com a mão no estômago.
Tudo bem?? (Cláudia)
Tá doendo... Meu estômago... (Tereza)
Alex bufa. Sobe e tira a estaca do estômago de Zenon. Ouve-se outro grito de Tereza.
Não faz mais isso! (Alex)
Ele me provocou... (José)
Humanos morrem de dor, apesar de não fazer grande efeito nesse maldito vampiro! (Alex)
Quer trocar de lugar? (Zenon)
Cala a boca! (Alex/José)
Posso pelo menos saber qual feitiço que ela fez? (Zenon)
Não. (Alex)
Eu poderia ajudar, conheço... (Zenon)
Alex sai do quarto.
Não somos idiotas. (José)
Noite. Zenon abre os olhos. Tereza está abrindo a corrente de sua mão direita. Zenon olha para José, que dorme.
Que tá fazendo??? (Zenon)
Não quero que te matem. (Tereza)
Não ouviu eles dizerem que matei seu irmão??? (Zenon)
Foge daqui, dá tempo de arranjar um lugar pra se esconder deles. (Tereza)
Tereza termina de tirar as correntes. Zenon senta na cama e esfrega o pulso. Olha para Tereza.
Tá esperando o que??? (Tereza)
Um explicação. (Zenon)
Pra eu te explicar, teria que contar minha vida inteira, o que seria tempo suficiente pra eles te acorrentarem de novo. (Tereza)
Não precisa ficar com medo, eles vão desfazer o feitiço. (Zenon)
Primeiro: não é comigo que estou me importando; segundo: não tem como desfazer.+++ (Tereza)
Então você vem comigo. (Zenon)
Por que??? (Tereza)
Quando descobrirem que me soltou, te matam. (Zenon)
Não vão descobrir. (Tereza)
Claro que vão, quem mais poderia ser??? (Zenon)
Se me matarem, não vai morrer. (Tereza)
E por isso vou deixar te matarem! (Zenon)
Tá mesmo preocupado comigo? (Tereza)
Pára de enrolação e vamos logo. (Zenon)
Saem. Pegam um carro. Param em frente a MEAK.
Tá louco?! Ela te entregou! (Tereza)
Mas vai te proteger. Vamos falar pra ela que o feitiço não tem jeito de ser tirado. (Zenon)
Ela vai te matar assim que entrar! (Tereza)
Não se avisarmos antes que você vai morrer também. (Zenon)
Não vai acreditar. (Tereza)
É a única saída que sei. (Zenon)
Zenon sai do carro. Tereza segue. Zenon toca a campainha.
Já vai... (Angely)
A porta se abre.
Achei que já tivesse morrido. (Angely)
Não vai... (Zenon)
Não acredito que tenha feito o que dizem. (Angely)
Mas Mel acredita. (Zenon)
Já enganaram demais Mel. (Angely)
Ela está? (Zenon)
Não, mas logo vai saber que conseguiu fugir. (Angely)
Essa é Tereza. (Zenon)
Eu sei. (Angely)
Angely sai da frente da porta. Zenon entra. Tereza não.
Não pretende ficar aí do lado de fora, né? (Zenon)
Tereza entra.
Mel deve chegar daqui a pouco. (Zenon)
Não vai achar que veio justo pra cá. (Angely)
Angely olha para Tereza.
Quer descansar? Tem um quarto de hóspedes aqui. (Angely)
Não precisa, eu... (Tereza)
A gente não vai te fazer nada. (Angely)
Angely sobe a escada. Tereza olha para Zenon. Segue Angely.
Tem cobertor no guarda-roupas, se quiser. (Angely)
Não é ele, né? (Tereza)
Como assim? (Angely)
Não parece o Zenon que foi citado no livro... (Tereza)
Que livro? (Angely)
Fiz um feitiço pra ele. Precisava de um livro com vampiros, peguei o do século dezenove. Estava organizado por ordem de transformação, abri bem na página dele. (Tereza)
Queria atrair alguém ruim? (Angely)
Acho que eu não acreditava que isso realmente existisse. (Tereza)
Angely vai para a sala. Zenon está com um retrato de Mel nas mãos. Olha para Angely e devolve o retrato na estante.
Agora é só convencer Mel que não é ruim. (Angely)
E tirar esse maldito feitiço. (Zenon)
Quando chegou, Igor já tinha morrido? (Angely)
Já. (Zenon)
Tem certeza? (Angely)
Zenon baixa a cabeça.
Deixei um vampiro matar ele. (Zenon)
Por que? (Angely)
Eu não sei... Era como se não me importasse com que acontecia com o caça-vampiros. Voltou aquela sensação de indiferença a vida humana. Era estranho. Só Tereza importava. (Zenon)
Talvez tenha sido o feitiço. (Angely)
Temos que tirar ele. Ela disse que não tem jeito, mas eu tenho certeza que tá mentindo. (Zenon)
Bom, vai ficar aqui essa noite? É o último lugar onde Mel procuraria. (Angely)
Manhã. Mel chega.
Você acredita que Zenon fugiu??? (Mel)
Acredito. (Angely)
Angely, você não... (Mel)
Mel sobe a escada e vai até o quarto de hóspedes. Abre a porta e encontra a cama desarrumada. Angely vai atrás.
Onde estão? (Mel)
Não sei, tavam aqui... (Angely)
Angely, pára de proteger Zenon, Zenon mata pessoas! (Mel)
Te juro que não sei. (Angely)
Mel desce e Angely novamente segue.
Mel, você tem que me escutar. (Angely)
Você é mole demais. Ninguém é como você! (Mel)
Acredite em mim, Zenon não é ruim! (Angely)
Claro que é! (Mel)
Não matou Igor. Tereza sabe que... (Angely)
Também se enganou, libertou Zenon! (Mel)
Não, não se enganou! (Angely)
Pode ser que não. Afinal, fez um feitiço pra chamar Zenon pra si. Aliás, eu tenho que agradecer. Não fosse esse bendito feitiço eu não teria descoberto o que Zenon é realmente. Vou agradecer livrando Tereza. (Mel)
Casarão.
Detesto quando alguém tem idéia de se esconder aqui. (Edmont)
Melhor não tentar tirar, fica mais forte quando tá em transe. (Beatrice)
Acha mesmo que não derrubo Zenon? Por mim jogava pela janela agora mesmo. (Edmont)
Claro, então viraria o herói de Mel... Ah, esqueci, ia acabar descobrindo que Zenon é bom. (Beatrice)
Por que Inês tinha que deixar entrar? (Edmont)
Deveria ter matado ela já. (Beatrice)
Por que você não faz isso? (Edmont)
Me mataria. (Beatrice)
Eu? Não. Pode ficar. (Edmont)
Não tem coragem de matar Inês? (Beatrice)
Não é questão de coragem. Não tenho sede quando chego perto. Com certeza não é um ser humano. (Edmont)
Tem preconceito contra outros sangues? (Beatrice)
Não tem o mesmo gosto. (Edmont)
Então já bebeu o sangue dela. (Beatrice)
Do mesmo jeito que já bebi o seu. (Edmont)
Edmont se levanta.
Será que não tem jeito de sair daqui sem ser com aquela capa preta que dá na vista? (Edmont)
Angely. (Beatrice)
Tá ficando tedioso já. Outra forma? (Edmont)
Não tem saída pro subterrâneo. Posso mesmo ficar com Inês? (Beatrice)
Espere Zenon ir embora. É bem capaz de te matar se te ver fazer isso. Vou dormir pra não morrer de tédio. (Edmont)
Edmont vai pra um dos quartos. Zenon está em outro, do mesmo jeito que ficou quando precisou defender Tereza: olhos brancos, caninos maiores que o normal. Beatrice entra no quarto. Zenon rosna.
Não se preocupe, não vim fazer nada contra sua protegida. (Beatrice)
E o que veio fazer aqui? (Zenon)
Desde quando me nega assim? (Beatrice)
Beatrice se aproxima de Zenon. Zenon dá um passo para trás.
Qual o problema, acha que ela vai ficar com ciúmes? Ah, não, já sei, não é uma cena pra menor de idade presenciar. (Beatrice)
Se você estivesse viva teria apenas dois anos a mais que ela. (Zenon)
Meu corpo cresce mais rápido. (Beatrice)
Mas não adiantou nada, ainda age como uma criança. (Zenon)
Crianças não fazem sexo. (Beatrice)
É a única diferença. (Zenon)
Preferia a sua outra versão. (Beatrice)
Vai visitar ela no inferno. (Zenon)
Beatrice sai do quarto. Zenon se aproxima de Tereza. Tereza abre os olhos.
Onde estamos? (Tereza)
Vou te levar pra longe daqui. (Zenon)
Não precisa... (Tereza)
Precisa sim. (Zenon)
"Que venhas para perto e me leves para longe". É o feitiço... (Tereza)
Você fez. Você quis. E ainda quer. (Zenon)
Não pedi pra me transformar em vampira. (Tereza)
Pediu sim. Não com uma frase, mas com o feitiço inteiro. (Zenon)
Então você sabe qual é... (Tereza)
Zenon se abaixa perto de Tereza e beija Tereza. Vira Tereza de costas para si, deita e abraça Tereza.
Beatrice entra no quarto de Edmont. Deita ao lado de Edmont na cama. Abraça Edmont. Edmont senta, quase jogando Beatrice da cama.
Temos que sair daqui. (Edmont)
Que??? (Beatrice)
Pega a capa, nós vamos sair. (Edmont)
Edmont se levanta. Pega uma capa e entrega a Beatrice. Beatrice pega. Edmont pega outra capa e veste. Beatrice se levanta e veste a capa. Edmont sai. Beatrice segue. Minutos depois, Mel e Angely entram. Mel está com uma espada e uma besta.
Não sei por que veio com arma. (Angely)
Mel estende a espada para Angely.
Não vou usar isso. (Angely)
É só pra ameaçar. (Mel)
Não posso. (Angely)
E se me atacar? (Mel)
Zenon não... (Angely)
Mesmo que acredite que não é perigo, mais alguém costuma passar dias aqui. (Mel)
Angely olha para Mel. Olha para a espada. Pega. Sobem. Mel abre a porta do quarto. Tereza e Zenon dormem, em abraço. Sai. Angely segue. Vão até o carro. Mel abre o porta-malas.
Pretende fazer o que? (Angely)
Mel pega um lança-chamas.
Que isso??? (Angely)
Tereza já provou que é isso que quer. Quer se transformar. Acabo com isso já e pronto! (Mel)
Queria isso quando esteve com Elian?! (Angely)
Eu não chamei Elian. Aliás, da primeira vez que estivemos juntos, nem sabia o que era. Zenon vai transformar Tereza nisso também, a menos que acabemos com isso agora. Como foi com Beatrice. (Mel)
Não, Mel, você sabe que não foi Zenon! (Angely)
Sei apenas que achei que Elian era uma boa pessoa, mas tinha sequestrado bebê e criado pra ser cruel igual a si. (Mel)
Não é Elian, Mel! (Angely)
Mel baixa o lança-chamas. Angely abraça Mel. Mel empurra Angely. Entra na casa. Colocando fogo na porta, bloqueando a entrada de Angely. Angely pula para dentro de uma janela no segundo andar. Corre até o quarto.
Zenon, sai! (Angely)
Mas... (Zenon)
Mel perdeu o controle! (Angely)
Zenon pega um cobertor grosso e sai. Angely pega Tereza no colo e pula pela janela. Coloca Tereza no chão.
Está bem? (Angely)
Obrigado... (Tereza)
Angely olha pra trás.
Mel... (Angely)
Dentro da casa, Mel olha pra todos os lados. Mel fecha os olhos forte e abre. Então fecha novamente, mas naturalmente, e cai no chão. Zenon se aproxima e solta o cobertor. Pega Mel no colo. Olha para o cobertor, caiu no fogo. Angely entra.
Leva ela daqui. (Zenon)
Angely pega Mel e sai do casarão. Deixa Mel perto de Tereza. Tereza se aproxima de Mel. Olha para Angely, mas Angely não está mais ali. Zenon olha para o fogo. Olha pra fora. Meneia a cabeça. Olha novamente para fora. Franze a testa. Pula o fogo e olha para o céu. Está completamente nublado.
Dia seguinte. Mel acorda no quarto de Tereza. Mel levanta da cama. Vê um caderno. Pega. Minutos depois, Alex, Tereza, Cláudia e José estão na sala. Tereza sentou-se no sofá.
Parabéns, Tereza, enganou todo mundo... (Mel)
Ah, você tá bem! (Alex)
Ela olhava tudo... Tudo que citasse aquela palavra tão procurada. Em busca daquele ser que sabia existir, o que todos negavam. Mas ela só sabia isso sobre ele: que existia; que estava em algum lugar; e que a esperava. fecha o caderno O que significa isso? (Mel)
Tereza levanta.
É só algo que eu tô escrevendo. (Tereza)
Mentira. Tem mais algumas aqui, querem ouvir? (Mel)
Ela tá louca, colocou fogo naquele lugar... (Tereza)
Pra impedir mais gente morta. Não tem volta o feitiço, sabiam disso? (Mel)
Tem sim. (Tereza)
Não tem, não. Matem Tereza, depois Zenon. (Mel)
Ela não está dizendo coisa com coisa... (Tereza)
Que isso, Mel? (Alex)
Um dia eu vou encontrá-lo... Meu vampiro. Meu dono. Aí estarão todos perdidos. Vou matar cada um deles. Da forma mais dolorosa e devagar que puder. (Mel)
Alex pega o caderno e abre.
Eu já vi acontecer. Não dá pra salvar mais. Vai estar melhor se morrer, na verdade. (Mel)
Pode explicar isto? (Alex)
Tereza tenta fugir, mas Cláudia segura. Alberto e Alice entram.
Mas o que está acontecendo aqui??? (Alberto)
Tereza se solta, vai até Alberto e abraça. Alice passa a mão em sua cabeça.
Saiam já da minha casa! (Alberto)
Senhora, sua filha... (Cláudia)
Ainda bem que chegaram. (Tereza)
Estávamos tentando ligar, não atendia, então viemos. (Alice)
Mel pega uma besta. Olha para Alberto e Alice.
Se afastem. (Mel)
Mel, não é assim que... (Alex)
Cala a boca. Você e Tereza vêm comigo. (Mel)
Que? (Alex)
Mel joga a chave do carro para Alex.
Pega Tereza e vamos embora. (Mel)
Mas... (Alex)
Faz o que eu tô dizendo! (Mel)
Não vou deixar... (Alice)
Atiro aqui! Não tô blefando! (Mel)
Alex olha para Alberto. Tereza abraça Alberto, depois Alice. Mel sai e Tereza vai junto, com Alex. Alex entra no banco da frente. Tereza e Mel no de trás. Alex sai com o carro.
Vão nos pegar. (Alex)
Não, não vão. (Mel)
Pra onde vamos? (Alex)
Pra praia. (Mel)
Encontrar alguém? (Tereza)
Terminar com esse problema de uma vez por todas. (Mel)
MEAK. Zenon anda de um lado a outro.
Tem algo errado. (Zenon)
Deu pra perceber que tá pensando isso. (Angely)
É como se o feitiço quisesse vir, mas algo estivesse impedindo que eu entre em transe. (Zenon)
Isso é bom, talvez o feitiço esteja indo embora. (Angely)
Não, é algo nesse lugar que está impedindo. (Zenon)
Isso é ruim? (Angely)
Sim, quer dizer que Tereza tá em perigo. (Zenon)
Tá, vamos sair daqui. Mel levou o outro carro, o de vidro filmado ficou. (Angely)
Beatrice e Edmont estão em um cano enorme.
Ainda bem que esse foi desativado. (Beatrice)
Gosta tanto assim de olhar o mar? (Edmont)
Juro que viemos parar aqui por acaso! (Beatrice)
E desde quando se acredita em juramento de vampir? (Edmont)
Beatrice baixa a cabeça.
Por que não gosta de ser vampir? (Edmont)
Às vezes sinto falta da minha humanidade. (Beatrice)
Tolice. Vem cá. (Edmont)
Edmont vai até Beatrice e beija. Beatrice segura a pedra em seu pescoço. Edmont afasta, fecha e abre os olhos forte. Beatrice olha nos olhos e vê mudarem: ficam azuis. Dá um sorriso.
Angely? (Beatrice)
Zenon... (Angely)
Edmont se vê dirigindo um carro. Zenon olha pro espelho e vê os olhos mudarem. Edmont sorri e atira o carro para o penhasco.
Noite. Mel, Tereza e Alex chegam a praia.
Vai fazer o que? Me matar afogada? (Tereza)
Não sei ainda. (Mel)
Melody, chega de besteira. (Alex)
Mel joga a arma na areia.
Vem. Tá se achando tão foda, então tenta me derrubar. (Mel)
Zenon acorda. Sai das ferragens. Olha ao redor. Floresta. Senta no chão. Angely chega na casa de Kat.
Kat, alguma coisa??? (Angely)
Um livro... Onde você tava? (Kat)
Cadê? (Angely)
Derik foi... (Kat)
Derik chega. Angely pega o livro.
Página cento e trinta e dois. (Kat)
Angely pega a página, arranca e sai.
Mas é só um anjo que pode fazer isso... (Kat)
Na praia, Alex está no chão. Mel está em pé, olhando para Alex.
Olha só, a gente não devia só ajudar pessoas? (Edmont)
Mel olha para Edmont. Alex derruba Mel, com uma rasteira.
Perdeu. (Alex)
Mel pega a chave do carro, na areia, e atira no mar.
Estamos presos na praia. E aí, o que vamos fazer? (Edmont)
Zenon puxa Tereza.
Acha que pode fugir de mim?! (Zenon)
Legal, alguma animação. (Edmont)
Edmont se senta no chão. Alex pega a besta.
Solta ela. (Alex)
Atira, caçador. (Zenon)
Não! (Tereza)
Eu posso desfazer isso! (Angely)
Aaahhhh, por quê? Vai acabar com a diversão! (Edmont)
Vai embora, já passou da sua hora. (Angely)
Por que? (Edmont)
Edmont se levanta. Angely se vira e encara. Edmont bufa e sai.
Se sabe como desfazer, desfaça. (Mel)
Angely puxa Tereza e joga em cima de Alex, joga Mel na areia e segura Zenon pelos braços. Zenon tenta se soltar. Mel olha pra trás, mas vira, por causa da luz.
Angely solta Zenon. Zenon cai na areia, desmaia. Tereza se levanta. Pega a besta. Aponta para Angely.
Não podem fazer isso comigo. (Tereza)
Eu não disse? Não vai parar até conseguir! (Mel)
Tereza, vem comigo. (Angely)
Não! (Tereza)
Melody, Alexander, tirem Zenon daqui. (Angely)
Parados! (Tereza)
Mel pega Zenon no colo. Sai andando. Alex segue.
Não vai atirar. (Angely)
Vou sim. Tirou minha vida. (Tereza)
Não tirei... (Angely)
Ninguém gosta de mim! Eu arranjei um jeito e você estragou tudo! (Tereza)
Sua família te ama, Igor te amava! (Angely)
Não tô falando de família! (Tereza)
Você tem só quinze anos! (Angely)
E minha vida já tá destruída! (Tereza)
Não é esse seu caminho. (Angely)
Foda-se! (Tereza)
Edmont chuta Angely no chão, coloca Tereza no ombro e corre. Angely corre atrás. Entram no cano grande. Edmont joga Tereza no chão. Angely chega. Dá um chute, Edmont defende. Angely tira uma estaca da calça. Trava e a estaca cai de sua mão. Angely cai no chão, com uma estaca atravessada no estômago. Olha para Edmont, que se curvara, com a mão também no estômago. Edmont se endireita. Olha para Tereza. Cresce o caninos.
Quer mesmo isso, não é? (Edmont)
Desde que nasci nunca fiz se quer uma escolha por mim mesma. Sempre fui gentil, doce... Tentei me livrar disso e finalmente consegui. Pelo menos vou ter a morte que escolhi. (Tereza)
Não, Edmont... (Angely)
Edmont vai até Tereza. Passa seus braços em volta de Tereza e vira Tereza de costas para Angely, ficando de frente. Morde. Angely tenta se levantar, mas cai para trás. Tereza abraça Edmont. Uma lágrima dos olhos de Angely. Tereza solta o corpo. Edmont afasta a boca. Passa a mão no sangue. Solta o corpo. Pega a mão de Angely e passa o sangue na mão.
Era o que queria, o que buscava, a meta de toda a sua vida. (Edmont)
Edmont segue andando. Vai até a saída, onde o sol está nascendo. Sorri. Angely fecha os olhos.
Tarde. MEAK.
Então, vai mesmo montar uma agência? (Zenon)
Acho que vamos. (Mel)
Tá, eu ajudo. (Zenon)
Eu poderia estar falando de mim e Angely. (Mel)
Leio pensamentos. Eu perguntaria "Vamos?" e você diria "É, eu, você, Angely, Derik e Kat". (Zenon)
Que bom. Assim provavelmente já sabe que vou te pedir desculpa. (Mel)
Tudo bem. Que acha, Angely? (Zenon)
Qual vai ser o nome da agência? Fênix? Que renasceu das cinzas? (Angely)
Continua com o nome anterior. (Mel)
Também tem esperanças que Edmont volte. (Angely)
Mel olha para baixo. Olha para Angely.
E Tereza? (Mel)
Dia seguinte. Cemitério. Angely se aproxima de Alberto e Alice.
Eu tentei evitar... (Angely)
Não é culpa sua. (Alice)
Ela procurou isso. Não parece a mesma filha que criei. (Alberto)
Teve coragem. Lutou, não se entregou fácil. (Angely)
Mesmo? (Alice)
Sim. E disse pra mim que amava vocês. (Angely)
Se Igor tivesse ficado, isso teria sido evitado. (Alberto)
Se nós tivéssemos deixado ele seguir sua vida e continuar perto de nós ao mesmo tempo, aí sim ele teria evitado! Tereza saberia! (Alice)
Não briguem. Acho que não querem ver vocês brigando. (Angely)
Mas nós... (Alice)
Agora não temos mais ninguém... Onde erramos? (Alberto)
Não erraram. Eu errei. (Angely)
No que diabos você poderia ter errado?! (Alberto)
Não dá pra explicar. Só posso dizer que errei. (Angely)
Angely sai.
Algum tempo, algum lugar
Eu sei o que foi o erro. (Xien)
Angely não conseguiu controlar Edmont. Pela primeira vez, Angely perdeu. (Uehfo)
Tereza precisava de acompanhamento médico. O desespero era tanto que queria encontrar alguém que, se não ficasse, matasse. (Xien)
Nunca vou entender isso. Nem as pessoas com essa mania de que vão encontrar a outra metade de si. Não rola só tipo se dar conta de que você é uma pessoa inteira sozinha? (Uehfo)
Considerando o quanto se propaga essa ideia... (Xien)
Que tal a gente voltar? Quero muito ver a próxima parte. (Uehfo)
Uehfo estende a mão para Xien. Xien pega.

Resumo do Capítulo

Zenon está na MEAK. Mel diz que não precisava estar ali, que Edmont não irá aparecer. Em outro lugar, Alice e Alberto, mãe e pai de Tereza, viajam. Tereza faz um feitiço um vampiro, pega a página em que Zenon estava de um livro sobre vampiros do século XIX. Na MEAK, Zenon sente uma forte dor de cabeça. Passa. Zenon e Mel desviam do assunto. No dia seguinte, Tereza devolve o livro. Encontra Alexander na biblioteca. Alexander diz a Tereza venha consigo, que irá contar a seus superiores se não vier. Assusta Tereza, fazendo perguntas. Tereza vai embora. Se perde. A noite, Rust acha Tereza. Diz que quer ajudar, pois Tereza está com cheiro de quem fez feitiço. Tereza foge, mas Rust segura. Zenon aparece. Lutam. Tereza mata Rust. Zenon leva Tereza em casa. Tereza fica feliz, percebera que era Zenon. De manhã, Igor encontra Alexander. Falam sobre Rust, que Igor seguiu até o Brasil. Igor fala sobre a irmã, Alexander se dá conta que era Tereza. Fala sobre o que houve. Igor vai ver Tereza. Fala sobre vampiros. Diz a Tereza que não fique atrás disso, fala sobre os pais deles. Zenon acorda mal. Vai a um bar, perguntar sobre sonhos. A pessoa no bar diz que percebeu um feitiço recente em Zenon. Mel chega. A pessoa do bar diz que a última caça-vampiros com quem Zenon saiu encontraram com uma estaca no coração. Mel sai. Angely vê de longe. Virgine fala com Angely, fala que Mel deve se proteger de Zenon. Angely sai. Beatrice senta-se. Virgine sai. Segue Angely, que segue Mel, assim como Zenon. Mel e Zenon discutem. Mel sai. Virgine chega até Zenon. Alexander e Igor chegam. Zenon fala que Rust morreu. Diz que levou a vítima para casa, fala em dar o endereço, mas sente novamente a dor de cabeça. Virgine foge. Zenon cai de joelhos e levanta, com os olhos brancos e os caninos maiores que o normal. Foge também. Angely aparece. Diz que Zenon não é ruim. Que salvara Tereza e que existe alguém com obcessão em Rust atrás de Tereza. Vai embora. Encontra Mel na MEAK. Fala que avisara Igor e Alex. Mel manda Kat ir dormir. Vão atrás de Tereza. Na casa de Tereza, Yuri tenta matar Tereza. Igor protege e Yuri mata Igor. Quando Yuri tenta ir atrás de Tereza novamente, Zenon mata Yuri. Alex chega a vê Zenon perto do corpo de Igor. Zenon sai. Alex deduz que Zenon matou Igor. Mel chega e fala com Alex. Angely encontra Zenon. A noite, Mel fala com Alex sobre fazer uma emboscada para Zenon. Tereza pede que não matem Zenon, que o feitiço faz coisas em Zenon terem também efeito em si. De manhã, cercam Zenon na MEAK. Mel conta a Angely que entregou Zenon. Angely diz que Kat sonhou com Zenon. Mel diz que acha que Zenon fez um feitiço pra isso, que fora falar com alguém que controla sonhos. Alex e outras pessoas tentam procurar o feitiço, para desfazer. A noite, Tereza solta Zenon. Zenon diz que só vai se Tereza for junto. Tereza foge com Zenon. Zenon vai para a MEAK. Longe de Zenon, Tereza pergunta se era Zenon mesmo, e, quando Angely pergunta se Tereza procurava alguém ruim, Tereza diz que acha que não acreditava que de fato fosse acontecer. Longe de Tereza, Zenon diz a Angely que acha que Tereza está mentindo sobre não poder desfazer o feitiço. Mel chega de manhã e não encontra mais Tereza e Zenon. No casarão, Beatrice e Edmont conversam. Edmont fala que Beatrice pode matar Inês se quiser. Zenon está em um quarto, em transe. Beatrice tenta transar com Zenon, mas Zenon rejeita. Diz a Tereza que irão para longe e deita-se junto com Tereza na cama. Beatrice vai até Edmont, Edmont diz que têm que sair. Saem. Angely e Mel chegam. Mel vê Zenon com Tereza. Pega um lança-chamas no carro. Diz que Tereza provou que era isso que queria. Discutem. Angely diz a Mel que Zenon não é Elian. Mel coloca fogo no casarão. Angely consegue tirar Tereza e Mel. Zenon olha para o fogo. Depois para fora. O céu ficara completamente nublado. Mel acorda no dia seguinte, no quarto de Tereza. Pega o diário. Acha sobre Tereza querer encontrar um vampiro. Alex e Cláudia seguram Tereza. Alice e Alberto chegam. Mel pega uma arma e faz Tereza e Alex irem consigo. Zenon a Angely diz que algo ali está impedindo o feitiço de agir. Angely pega um carro e sai com Zenon para ir atrás de Tereza. Edmont e Beatrice estão em um cano. Beatrice faz o feitiço de troca de corpos por si só. Edmont vai para no carro com Zenon. Joga o carro em um barranco. Noite. Mel e Alex lutam. Edmont chega. Zenon chega e pega Tereza. Angely chega e diz que pode desfazer. Angely empurra Tereza para Alex e segura Zenon. Uma luz intensa. Zenon cai no chão. Tereza pega a arma e aponta para Angely. Angely fala que Mel e Alex tirem Zenon dali. Saem. Edmont pega Tereza e corre. Angely corre atrás. Tereza enfia uma estaca no estômago de Angely, que cai. Edmont pergunta a Tereza se é isso mesmo que quer. Tereza confirma. Edmont morde e bebe todo o sangue de Tereza.

Dara Keon