Viagem sem volta
MEAK
B01

Viagem sem volta ler resumo

Dezembro de 2002
Beatrice abre os olhos. Senta-se. Está em uma caixa aberta. Sai da caixa. Olha pros lados. Há outras seis caixas. Sai da sala principal. Desce as escadas. É dia.
Merda. (Beatrice)
Mel levanta. Sai. Vai até a caixa de Beatrice. Balança a cabeça para os lados. Vai até outra caixa. Pega o pulso de Derik. Solta. Em outra caixa, pega o pulso de Inês, que está com a barriga grande. Vai a outra. Kat abre os olhos.
A gente chegou com vida? (Kat)
Ou isso, ou nem saímos. É igualzinho o anterior. (Mel)
Zenon levanta no susto.
A gente... (Zenon)
Atravessamos. (Derik)
Derik se senta na caixa. Zenon sai da caixa. Derik também, quase cai no chão. Kat sai também.
Ninguém se desintegrou? (Derik)
Cadê Beatrice? (Kat)
Fugiu. (Mel)
Por quê? (Kat)
Deve estar querendo correr e avisar Edmont. (Mel)
Eu queria me despedir. (Beatrice)
Beatrice entra.
Não acho que vá cumprir sua parte tanto quanto não acha que vou cumprir a minha. Principalmente depois da última. (Beatrice)
Agatha se senta.
Que ano dessa vez? (Agatha)
2002. (Derik)
Agatha olha para o teto. Um círculo com algo que parece uma rosa com seis pétalas.
Não sei como decorou essas coisas. (Agatha)
Agora temos que procurar se teve alguma ocorrência aqui. (Mel)
Bem que podiam ter parado aqui, né? (Zenon)
Ninguém tá te obrigando a vir junto. (Mel)
Eu só queria encontrar eles de uma vez. E terminar com isso. Não é como se eu tivesse outra coisa pra fazer. (Zenon)
Derik arqueia as sobrancelhas e abre mais os olhos.
Tá ajudando a gente porque não tem mais o que fazer? (Derik)
Não é isso, eu... (Zenon)
Só vai piorar as coisas se continuar tentando se explicar. (Beatrice)
Inês se senta na caixa. Beatrice vai até Inês e ajuda a sair.
Eu vou sair e começar a procurar. (Zenon)
Zenon se vira pra saída.
Vai virar churrasco. (Beatrice)
Zenon baixa os ombros.
A gente não podia chegar uma vez ao menos durante a noite? (Zenon)
Você e Beatrice têm que esperar, nós não. (Mel)
Odeio quando diz isso. (Zenon)
Então para de reclamar toda vez que a gente chega. Você já sabe, pra que me fazer repetir? (Mel)
A noite, em frente ao lago da principal? (Zenon)
Se precisarem se esconder dentro, deixem a blusa de sinal dessa vez. (Agatha)
Kat, Mel, Agatha e Derik saem.
Tá com aquele baralho de Uno? (Zenon)
Perdi quando a gente tava correndo da gárgula. (Beatrice)
Ilha principal. Alan olha. Franze a testa. Se aproxima.
Ei, parecem perdidos... (Alan)
Nem sempre as aparências enganam. (Mel)
Eu sou Alan. E vocês? (Alan)
Alan aperta a mão de Mel.
Meu nome é Melody... (Mel)
Eu sou Derik, a gente namora. (Derik)
Alan olha pra Mel.
Eu não, Kat. (Mel)
Por que sua irmã namora com um cara mais novo? (Alan)
Tenho cinco anos a mais! (Derik)
Tem certeza? (Alan)
Claro, nasci em 84, Kat em 89! (Derik)
Derik... (Kat)
Mel encara Kat.
Achei que você tivesse nascido em 85... (Kat)
Então você tem treze e ele dezoito? (Alan)
Kat abre a boca para falar. Fecha.
É, e eu faço vinte e oito em 2003, ano que vem. (Mel)
Eu já tô entendendo essa confusão... Vieram no templo? (Alan)
Conhece? (Mel)
Sim. Se quiserem ficar na minha casa... Bom, não é uma casa, é uma pensão abandonada. (Alan)
Alan, Mel, Kat, Agatha e Derik andam em direção a um casarão.
Eu vim pra cá junto com minha prima caçar vampiros, mas agora não tem mais nenhum... Nem aqui nem na nossa vizinha, a Ilha de Ares. Então nós vamos vender... (Alan)
Pessoas passam, com pressa.
Peraí, eu ainda tenho que mostrar a cadeira que meu tio morreu! Foi de uma facada e até hoje ninguém sabe do onde veio a faca... (Estela)
Estela, assim a gente não vende essa bosta! (Alan)
E quem disse que eu quero vender? (Estela)
Estela entra na casa.
Me desculpem, ela é minha prima, veio comigo e agora não quer que a gente vá embora. (Alan)
E essa história de... (Derik)
Não. O tio dela, aliás o único que ela tem, meu pai, tá vivo caçando na Europa. (Alan)
Alan olha para a casa e bufa.
Bom, vamos entrar... (Alan)
Alan para e franze a sobrancelha.
Peraí, vocês não podem ter vindo só em quatro! (Alan)
É que vieram... (Kat)
Resolvemos nos separar. (Mel)
Alan desfranze e cruza os braços.
Tão me enrolando de novo. (Alan)
Por que acha isso? (Mel)
Cortou ela de novo. (Alan)
Não quero falar sobre as pessoas que vieram junto. (Mel)
Trouxeram o que com vocês? (Alan)
Ai, droga, esquecemos dinheiro, os CDs e o livro, tudo, lá no templo! (Kat)
Dinheiro tudo bem, mas pra que trouxeram livros e CDs, não roupas? (Alan)
Perdemos tudo num barco naufragado e já iam espalhar que tínhamos morrido. Só Kat tinha dinheiro, então comprou os CDs que queria e trouxemos o resto. O livro tem a ver com o motivo, o problema que nos trouxe aqui. (Mel)
Espalhar que estavam mortos? (Alan)
É que tinham uma banda, eram pessoas famosas, então simulamos um desastre pra justificar o desaparecimento. (Agatha)
Pra que?! Pretendem voltar?! Porque vai ser bem difícil acharem um caminho que... (Alan)
Foi pra ninguém vir atrás. (Mel)
Entram. Vão até a sala e se sentam.
E o livro, o que é? (Alan)
Pra ajudar a derrubar o que viemos procurar. (Mel)
Gente nossa. Ou ao menos que já foi. (Kat)
Kat baixa a cabeça. Derik abraça Kat.
Sabe sobre Andrews? (Mel)
Que Andrews? (Alan)
Você disse que caça vampirs. (Derik)
Sim, mas só conheço os que ficam realmente famosos por suas maldades, e dos antigos. (Alan)
É a origem de vampirs, nasceu no início do segundo milênio. (Mel)
Pode ser isso no seu mundo, mas aqui não. Os vampiros daqui existem há muito mais tempo que isso. Não entendi por que está falando disso. (Alan)
Caçam pessoas que fazem bruxaria aqui? (Mel)
Estamos no século XXI já, acorda. (Alan)
Não sabemos se quem caça vampirs simpatiza com pessoas assim, na verdade nem nunca vimos ninguém assim... (Kat)
Ah, eu tenho certeza que sim. Vocês dizem que são famosos, devem ter ido a muitos lugares. Só não reconheceram. (Alan)
Precisamos de alguém pra encontrar Angely e Edmont. (Mel)
Isso é nome de homem ou de mulher? (Alan)
Mel franze a testa.
Que diferença isso faz? (Mel)
Alan dá um sorriso.
Bastante. (Alan)
Alan continua sorrindo. As pessoas continuam olhando pra Alan. Alan desmancha o sorriso.
Pode nos ajudar a encontrar alguém? (Mel)
Tenho um amigo que talvez encontre. (Alan)
Alan pega o celular no bolso.
Noite. Adolescentes estão a beira do lago menor, na ilha do templo. Cinco sentaram-se em círculo e alguém em pé, com um punhal. Coloca o punhal no pulso.
Lhe peço poder para... (Íris)
Acho melhor vocês voltarem pra casa. (Zenon)
Se levantam.
Quem é você??? (Íris)
Os outros têm língua também? (Zenon)
Sou a porta-voz. (Íris)
E o que vieram fazer aqui? (Zenon)
É o novo coveiro por acaso? (Íris)
Coveiro? (Zenon)
Qualquer um sabe que essa é a ilha do cemitério. (Íris)
Estão na sétima série? (Zenon)
Como sabe? (Íris)
Têm cara de crianças. (Zenon)
Não somos crianças, viemos aqui para trazer um... (Íris)
Blablabla, de onde pegaram isso? Livro de contos de fadas? (Zenon)
Vai se arrepender dessa blasfêmia! (Íris)
Blasfêmia, até onde sei, é contra Deus. (Zenon)
Quando nós tivermos o poder... (Íris)
É melhor voltar pra casa, tem animais selvagens aqui. (Zenon)
Você é caça-vampiros? (Íris)
Conhece isso? (Zenon)
É claro que nós... (Íris)
Ah, que bom, por que tem uma aqui na ilha... (Zenon)
Nosso mestre nos mandou uma mensageira! (Maurício)
Zenon coloca a mão no rosto quase na altura da testa. Tira, olha para o céu.
Dai-me paciência... (Zenon)
Zenon olha para Íris.
Eu não vou garantir que vão falar diretamente com o diabo, mas poderão ganhar uma passagem de ida sem volta pro outro mundo se continuarem aqui. (Zenon)
E ele é o empecilho entre nós! Temos que destrui-lo! (Maurício)
Que decadência, minha primeira luta aqui será contra colegiais... E nem à isso chegaram ainda! (Zenon)
Maurício vai na direção de Zenon. Zenon dá um soco e Maurício desmaia. Cláudia vem, junto com Bernardo, Zenon segura Bernardo, aperta um ponto no ombro, Bernardo cai. Cláudia dá um chute na cara de Zenon. Zenon cai. Puxa a perna de Cláudia. Cláudia bate a cabeça em uma pedra e desmaia. Zenon arregala os olhos, vai de quatro mais perto. Coloca a mão em frente ao nariz.
Ainda tá respirando! A culpa não foi minha, acho que ela lutava... Luta alguma coisa. Eu tive que me defender... (Zenon)
Ângelo sai correndo na direção contrária. Zenon levanta.
Olha, eu não tô querendo machucar você... (Zenon)
Íris corta a mão. Olha em volta.
Era pra ter funcionado... (Íris)
Íris olha para Zenon. Zenon olha fixamente para a mão de Íris.
Você é um vampiro também... (Íris)
Zenon volta a olhar pra o rosto de Íris.
Vai pra casa. (Zenon)
Pode fazer o que quiser comigo! (Íris)
Então isso é uma ordem! (Zenon)
Qual o problema? Não pode beber sangue humano? (Íris)
Íris dá um passo em direção a Zenon. Zenon dá um soco, derrubando Íris.
Desculpa, era o único jeito... (Zenon)
Que está acontecendo aqui??? (Daniel)
Zenon olha para Daniel.
Conhece essas crianças? (Zenon)
Tenho sempre que espantar essas pragas do cemitério... (Daniel)
Ótimo, pode ligar pra casa deles? (Zenon)
Mas o que você é? (Daniel)
Zenon ajeita a jaqueta e endireita o corpo.
Caçador de vampiros. (Zenon)
Então deve conhecer Alan? (Daniel)
Ele deve estar falando de um caça-vampiros... Peraí, será que é o mesmo Alan que me ajudou? Então é melhor eu avisar ele, lembro pelo que ele passou nessa época... A prima dele, não posso deixar ela morrer... Ísis já tem cinco anos aqui. Falta um ano pra ele saber que tem uma filha. E cinco para ele fazer outra. Mas, se eu avisar, ele não vai passar por isso e não vai me ajudar no futuro. Acho que vou ter que matar a mim mesmo aqui. (Zenon)
Conhece? (Daniel)
Um que tem uma prima tampinha e chata? (Zenon)
Estela. Eles vão sair da ilha assim que vender a casa. (Daniel)
Acho melhor eu impedir essa venda. E vai casar? (Zenon)
Sim, acho que vai. A prima dele não quer ir, mas ela é menor e tem que ir junto. (Daniel)
Pode me ajudar com eles? (Zenon)
Ah, claro. (Daniel)
Daniel usa um apito.
Zenon chega a ilha central. Na praia, vê Mel no balcão de um quiosque. Se aproxima. Mel cruza os braços.
Não combinamos de esperar na frente do lago? (Mel)
Tinha uns aspirantes a projetos de bruxas fajutas... (Zenon)
E saiu de lá pois... (Mel)
Derrubei e ajudei o coveiro a trazer de volta. (Zenon)
Hein?! (Mel)
É que o coveiro disse que costumam invadir o cemitério e sabia onde moravam. (Zenon)
Você matou as pessoas?! (Mel)
Não! Eu só derrubei... Uma delas bateu a cabeça, mas tá todo mundo vivo! Juro! (Zenon)
Mel encara Zenon.
E aí, o que conseguiram? (Zenon)
Mel descruza os braços.
Conhecemos alguém de nome Alan... (Mel)
Não comprou a casa, comprou?! (Zenon)
Não... Por que? Conhece? (Mel)
Sim, a casa vai cair dia dois de janeiro. (Zenon)
Melhor a gente arranjar um lugar e convidar pra passarem o ano novo. (Mel)
Mel franze a sobrancelha.
Pra conhecer, estava atrás de você. (Mel)
Ele não morreu... Não vai morrer soterrado. (Zenon)
E Estela? (Mel)
Zenon baixa a cabeça.
Vai entrar o ano novo abraçando Kat. (Mel)
E o que descobriram pra achar Edmont? (Zenon)
Finge que tá tentando me cantar. (Mel)
Alan e outra pessoa se aproximam.
Não disse que tava esperando alguém? (Mel)
É, seus amigos chegaram... Bom, você não é a única mulher por aqui. (Zenon)
Mel encara Zenon. Zenon vai para uma mesa. Mel olha para a pessoa acompanhando Alan.
Que isso? (Mel)
Esse é meu amigo... (Alan)
J. (J)
"Jota"? (Mel)
Não posso dizer meu nome. (J)
Sabe sobre... (Mel)
Sim. Tem três bruxos que podem inclusive trazer quem quiserem de onde estiver. Mas vamos precisar saber exatamente se são quem estão procurando. As realidades tem várias repetições, inclusive tenho que te avisar que há perigo de encontrar sua réplica mais nova aqui. (J)
Tá, me fala como. (Mel)
Qualquer pessoa pode ter uma réplica em alguma dimensão. Viajar entre as dimensões, mesmo usando o templo, é perigoso por isso. (J)
É meio tarde pro aviso, será que podemos ir direto ao assunto? (Mel)
Já vou chegar ao ponto! Esses bruxos, eles não têm réplicas, por isso é difícil encontrá-los. Eles são apenas três para centenas de Realidades! (J)
Mel cruza os braços.
Tá, mas como posso achar? (Mel)
Alan olha pra Zenon. Zenon ainda está olhando nesta direção.
Só um instante, já volto. (Alan)
Alan vai até Zenon.
E eu que achei que tinha acabado com todos os vampiros... (Alan)
Vim pra cá ontem. (Zenon)
Escuta aqui... (Alan)
Zenon franze a testa e olha para baixo.
Eu tenho como trazer mais gente pra cá se eu precisar. Posso fazer aparecer duas dúzias de caça-vampiros aqui amanhã se eu quiser. Então é melhor ficar longe dela, porque se eu desconfiar... (Alan)
Zenon desfranze a sobrancelha e volta a olhar para Alan.
Você vai se casar, né? (Zenon)
Tá me ameaçando?! (Alan)
Não, eu... (Zenon)
Olha aqui, se tocar um dedo nela, eu juro que te mato! (Alan)
Alan volta para perto de Mel e J.
Tenho que encontrar Clítia. (Zenon)
Mel olha para Zenon. Franze a testa. Zenon e Mel olham para a praia ao mesmo tempo. Beatrice chega, senta-se a uma das mesas. Alan olha para Mel, para Beatrice, então para Zenon.
Esse desgraçado tava esperando a namorada! Mas se ele acha que vou ficar intimidado com isso... (Alan)
São quem veio comigo. (Mel)
Que??? (Alan)
Beatrice estava com Edmont. (Mel)
Não acredito nisso, você... (Alan)
Zenon não é ruim. Bom, não mais. (Mel)
Não existem vampiros bonzinhos... (Alan)
Talvez aqui não, mas Zenon não é ruim. (Mel)
Já vi isso acontecer, ele transformou seu irmão e os dois te convenceram que não são maus... (Alan)
Edmont é ruim. Aliás, pra ser ruim tem que melhorar. (Mel)
Agora não estou entendendo mais nada. (Alan)
Zenon já nos ajudou e nós já ajudamos também. Só não sai por aí espalhando isso, ou Zenon vai virar caça. (Mel)
E daí?! Quer que eu te conte tudo que ele já fez??? (Alan)
Zenon se arrependeu. (Mel)
Isso não vai trazer as vidas de volta! (Alan)
Mas pode salvar outras. Se quer saber, Zenon me disse que aquele lixo que você chama de casa vai cair no dia seguinte do ano novo, você vai se salvar e Estela não. Acha que ia querer salvar Estela se fosse ruim? (Mel)
Alan olha para Mel um instante. Desvia o olhar.
Vocês se conheceram na nossa Realidade original, e acho que você tinha algum motivo para acreditar em Zenon. (Mel)
E seu irmão, por que ainda está vivo? (Alan)
Edmont tem uma conexão forte com Angely. (Mel)
Então são gêmeos, um bom outro mau, é isso? (Alan)
Que vida complicada essa sua... (J)
Mel encara J.
Já pensaram em matar ambos? (Alan)
Só Ang vence Edmont e Ang não consegue matar ninguém, assim como só Edmont consegue atacar Ang. (Mel)
Zenon vem até o balcão. Mel encara Zenon.
Tive impressão que já entregou tudo. (Zenon)
"Você não é a única mulher aqui"? (Mel)
Zenon baixa a cabeça.
Era pra despistar. (Zenon)
Me pareceu bem naturalmente misógino. (Mel)
O que diabos significa misógino?! (Alan)
Alan já sabe que eu... (Zenon)
Eu já contei. (Mel)
E eu fingi que acreditei. (Alan)
Zenon vira para Mel.
Posso falar com você em particular? (Zenon)
Peraí, eu ainda não disse como podemos chamar os bruxos! (J)
Eu já volto. (Mel)
Mel e Zenon vão para o lado oposto de Beatrice.
Que foi? (Mel)
Eu menti pra você. A casa dele não vai cair. (Zenon)
Mel abre mais os olhos.
Agora já falei! (Mel)
Era pra ele não vender. Mas depois eu pensei que, sabendo disso, ele iria embora mais rápido. (Zenon)
E qual o problema de sair da ilha? (Mel)
Eu tenho que resolver isso sozinho. Vou sair daqui e procurar a solução do problema. (Zenon)
Caralho, Zenon... (Mel)
Vocês conseguem se virar sem mim? (Zenon)
A gente já faz isso metade do dia, mas isso sobre Alan, você não... (Mel)
Então, até minha volta. Só mais uma coisa: se não conseguir segurar Alan aqui até eu voltar, segura a Estela. Diga que ela pode ficar com vocês, não sei... (Zenon)
Tá. Mas volta logo, se a gente achar outro sinal de que seguiram, a gente vai embora. (Mel)
Zenon sai.
Vai fazer alguma besteira, isso sim. E vou ter que limpar. (Mel)
Mel volta ao quiosque.
Pode falar, como chamamos? (Mel)
Bom... ("J")
Alan e Mel chegam na casa. Estela está conversando com Kat.
Estela, eu disse que hoje era seu dia de cozinhar... (Alan)
Claro, eu tava pensando em fazer torta de camas com recheio de mesa! (Estela)
Derik disse que ia buscar alguma coisa pra gente. (Kat)
Chegou alguém querendo comprar a casa? (Alan)
Só um casal que não gosta de morcegos. (Estela)
Estela! (Alan)
Ah, mas são uma fofura... (Kat)
Não acredito, agora é complô! (Alan)
Então, como vamos resolver o problema? (Kat)
Precisamos de algumas coisas... (Mel)
Trouxe a comida e aproveitei pra trazer uns itens que precisamos da outra vez. Nossa, deu um trabalho... (Derik)
Derik olha ao redor. Todo mundo está olhando para Derik.
Que tão olhando? (Derik)
Dia seguinte. Kat abre os olhos. Senta na cama. Franze a testa.
Derik! Estela! (Kat)
Derik senta na cama. Estela vira para o lado de Derik e Kat.
Que é? (Estela)
Não posso ver isso e simplesmente ficar calado! (Alan)
Você tá é com preocupação de perder seu emprego! (Mel)
Estela abre mais os olhos e senta na cama.
Não, você não entende o que é ser um caça-vampiros! (Alan)
Melhor apartarmos. (Kat)
Kat, Estela e Derik levantam. Descem a escada.
Que tal a gente parar por aqui? (Kat)
Enquanto ainda não pegaram em armas... (Derik)
Alan, ela já não te explicou... (Estela)
Uma pessoa morreu e quer que eu fiquei quieto??? (Alan)
Você que não teve competência de achar todo mundo! (Mel)
Certeza que foi seu amiguinho! (Alan)
Zenon não faria isso! E Beatrice sabe que vou largar pra trás se fizer! (Mel)
E do que estão se alimentando?! Margaridas?! (Alan)
Mel estende o pulso. Alan olha. Arregala os olhos. Balança a cabeça para os lados.
Você é mais louca do que imaginei. (Alan)
Seus conceitos escrotos não tão me importando muito no momento. A gente precisa achar Edmont e Angely, e isso é tudo que me interessa agora. (Mel)
10h. Templo. Um desenho no chão com sal, velas amarelas, maças pelo chão.
Tá, e agora? (Kat)
Bom, agora nós esperamos até meio-dia e... (Alan)
Kash, Yads e Wige aparecem na sala. Derik se ajoelha.
Não tínhamos que fazer o feitiço antes? (Mel)
Nós não precisamos que nos chamem quando o assunto é de nosso interesse. (Kash)
Nós precisamos... (Alan)
Nós sabemos. (Yads)
Wige olha para Derik.
Já não dissemos que não somos deuses? (Wige)
Talvez estejamos falando na língua errada. (Yads)
Derik, quer parar de fazer papel de ridículo??? (Estela)
Derik se levanta.
Como sabiam? (Derik)
Não é como se um evento desse porte passasse desapercebido. (Kash)
Precisam encontrar algumas coisas para que possamos fazer o feitiço de localização. (Wige)
Porque vocês mesmos não podem achar? (Mel)
Não podemos fazer nenhuma interferência física nas Realidades. (Yads)
Poderíamos destruir uma Realidade fazendo isso, e tudo que há nela. (Kash)
Mas só de aparecerem aqui já não estão... (Kat)
Não são seres materiais. (Derik)
Derik sabe o feitiço. (Kash)
Kash some.
Eu?! (Derik)
Sim. Mas vai ter que perder mais uma camada. (Yads)
Derik olha para o chão. Yads e Wige some.
Do que tavam falando? (Mel)
De uma coisa que eu não posso contar. (Derik)
Por que não? (Kat)
Kat... Você me ama? (Derik)
Derik olha para Kat.
Amo. Fez algo errado? (Kat)
Não interessa o que fiz antes. (Derik)
Derik olha para Mel.
Preciso que lembrem do que eu fiz quando estava com vocês. (Derik)
Derik olha para Agatha.
Preciso que saibam que não sou ruim. (Derik)
Olha novamente para Kat.
Preciso que acreditem no que digo. Vocês não fazem ideia do quanto preciso disso. Vocês são minha família. Não importa quem estava para trás. Eu não posso voltar pro meu passado. Nem é meu o direito de decidir sobre isso. (Derik)
Derik baixa a cabeça.
Vou entender se quiserem que eu vá embora. (Derik)
Volta a olhar para Mel.
Mas vocês são tudo o que tenho. E tudo que importa pra mim. (Derik)
Kat abraça Derik. Derik abraça de volta. Uma lágrima cai de seu rosto. Alan olha para Estela. Olha para Mel. Mel tira uma espada que trazia nas costas. Derik se vira para Mel. Olha para Alan.
Eu não sei o que ele fez, mas tá parecendo coisa de criança fugida de casa. Ele é humano, e é quase uma criança. Não pode ter sido tão ruim assim. (Alan)
Mel guarda a espada.
Vai fazer o que você tem que fazer. (Mel)
Mel olha para Derik.
Se for possível, volta com as coisas do feitiço. Acho que você é a única pessoa aqui que pode procurar livremente. (Mel)
Eu também posso. (Kat)
Alan franze a testa.
Do que diabos estão falando agora?! (Alan)
Kat... (Derik)
Já tá na hora de contar. (Kat)
O que é? (Mel)
Mel, lembra quando Psique morreu e você disse que eu não tinha tido nenhum sonho com isso? (Kat)
Lembro. (Mel)
Kat se senta no chão. Derik senta-se atrás. Kat solta o corpo. Estela arregala os olhos. Alan vai até Kat e pega o pulso. Franze a testa. Olha para Mel.
Tudo bem, isso nós já sabemos. (Mel)
Uma das maças no chão sobe no ar. Alan levanta e pega a maça. Olha e passa a mão em volta. Chacoalha um braço no ar. Kat respira fundo. Alan dá um passo para trás e cai no chão.
Derik vai achar o feitiço. Depois vocês procuram os ingredientes. (Mel)
Alan se levanta e limpa a roupa.
Tenho acesso a muitas coisas. Posso ajudar. (Alan)
Ótimo. Até que enfim disse algo que gostei de ouvir. (Mel)
É noite. Alan e Mel chegam em casa. Estela sentou-se ao lado do sofá onde Kat está, no chão. Derik sai do banheiro.
Tá faltando só uma coisa da lista. (Derik)
E o que é? (Mel)
Dentes de vampir que nunca tenha bebido sangue. (Derik)
Mel solta os ombros. Alan arregala os olhos. Kat acorda.
Onde raios vamos conseguir isso??? (Alan)
Isso o que? (Kat)
Dentes de vampir que não tenha bebido sangue. (Derik)
Vou atrás dos meus contatos, ver se conseguem isso em algum cemitério. (Alan)
Beatrice pode ajudar. (Mel)
Falando em mim? (Beatrice)
Alan olha para Beatrice, que sentou-se na janela.
Você já não está além do limite?! (Alan)
Não devia ficar em uma casa a venda, é um convite para qualquer pessoa que queira entrar. (Beatrice)
Pessoas não precisam de convite. (Alan)
Você não é exatamente do tipo que tem educação, né? (Beatrice)
Precisamos de uma ajuda que deve ser mais fácil para você. (Mel)
Beatrice franze a testa.
Envolve beber sangue de alguém? Por que tô com fome. (Beatrice)
Não. Entra aí. (Mel)
Beatrice pula para dentro. Alan encara Mel. Mel vai até a cozinha. Beatrice segue.
Mel volta da cozinha. Beatrice volta junto. Alan olha fixamente para Beatrice. Beatrice para. Olha para Alan. Olha para Estela.
Minha boca tá suja? Eu não tenho como olhar no espelho. (Beatrice)
Tá um pouco no... (Estela)
Alan encara Estela. Agatha se aproxima de Beatrice. Limpa o canto da boca de Beatrice. Volta a sentar no sofá.
Valeu. (Beatrice)
Você e Zenon mataram uma pessoa ontem. (Alan)
É claro que não. (Beatrice)
Cara-de-pau. (Alan)
Que motivos eu teria para mentir? Se eu tivesse matado, não poderia fazer nada. Acha que sou a única criatura da noite aqui? (Beatrice)
Zenon... (Mel)
Saiu ontem antes de amanhecer. (Beatrice)
Não tem mais nenhum vampiro aqui, eu matei todos! (Alan)
Deixou alguém passar. E ontem transformou outro alguém. (Beatrice)
Será que já bebeu sangue? (Mel)
Provavelmente não. Vou lá e volto com os dentes sem nem darem falta de mim. (Beatrice)
Mel franze a testa. Beatrice revira os olhos.
É, eu tava escutando atrás da porta. Bom, vou indo antes que suje os dentes. (Beatrice)
Não mata. (Mel)
Por que? (Beatrice)
De repente os dentes desaparecem por isso. (Mel)
Peraí, se você arrancar o pedaço de um vampiro, ele desaparece instantaneamente! (Alan)
Isso é um problema. (Kat)
Não com partes do esqueleto. (Beatrice)
Como sabe? (Derik)
Derik fecha os olhos, coloca a mão no rosto e solta ar.
Que pergunta idiota, como se vocês fossem legais com outras criaturas da espécie... (Derik)
Melhor eu ir. Se os dentes se desfizerem, mato e procuro mais alguém. (Beatrice)
Beatrice sai.
Bom, amanhã terminamos de limpar o templo. (Mel)
Tô com fome. (Alan)
Cemitério. Íris sentou-se em um túmulo.
Esperando sair? (Beatrice)
E o que mais eu estaria fazendo? (Íris)
Sei lá. Por que deixou que enterrassem aqui? (Beatrice)
Tive que sair correndo, uns policiais chegaram. (Íris)
Matasse também. (Beatrice)
Eram muitos. (Íris)
Impossível que esse fim de mundo tenha muitos policiais. (Beatrice)
E você, o que veio fazer aqui? (Íris)
Preciso dos dentes. (Beatrice)
Íris se levanta.
Do Henrique?! (Íris)
Preciso pra um feitiço. (Beatrice)
Por que os dele? (Íris)
Estão limpos. (Beatrice)
Não precisa matar ele. Não vai voltar para se vingar. (Íris)
Beatrice desvia e alguém que pularia em Beatrice cai no chão.
Não quero Íris e não me importo com o que farão com suas vidas, mas se querem continuar, vou precisar dos seus dentes. (Beatrice)
Que graça, um vampiro sem dentes, por que não tira os seus?! (Henrique)
Henrique pula em Beatrice, mas Beatrice chuta e Henrique cai no chão.
Por que já bebi sangue. Se for por bem, terá sua chance, nascem de novo. Se for por mal, aí eu mando vocês pro inferno em seguida. (Beatrice)
Mel, Kat, Agatha, Inês, Derik, Estela e Alan entram na casa. Beatrice está no sofá, deitou-se.
Tão rápido? (Alan)
Agatha olha para Beatrice. Sobe a escada. Inês segue Agatha.
Vamos fazer logo isso. Antes que amanheça. (Beatrice)
Por que antes que amanheça? (Estela)
Beatrice se senta no sofá.
Não sei se os dentes continuarão inteiros depois que morrerem. (Beatrice)
Como assim? (Kat)
Amarrei ao ar livre. Vamos? (Beatrice)
Você fica. (Mel)
Por que? (Beatrice)
Só fica, Beatrice. (Mel)
Templo. Kat, Mel, Derik, Estela e Alan estão em volta do centro, com diversas coisas espalhadas.
E agora? (Kat)
Sei lá. (Alan)
Derik? (Mel)
Sou uma pessoa, não um computador pra você colocar no modo de busca e encontrar respostas! (Derik)
Estela coloca tudo dentro da cesta que tem no centro.
Sabe o que fazer? (Alan)
Com certeza não vão se mexer se ficarmos olhando. (Estela)
Estela fecha a cesta. Nada. Estela abre. Mel dá um passo para trás, Alan vários, Kat tampa o nariz. Estela desmaia. Derik também. Kat pega a tampa e tampa de novo a cesta.
Acho melhor jogar fora e tentar de novo. (Kat)
Deve ser isso mesmo. Essas... Coisas... Nem sempre tem um aspecto bonitinho... (Alan)
Kash aparece.
Deixe aí até amanhã. (Kash)
Caraca, mas aí, se a gente abrir, esquece aquilo de vocês interferirem, não vai ter Realidade que resista... (Kat)
Melhor ficarem duas pessoas de guarda e duas irem para casa. (Kash)
Eu fico. (Alan)
Mais isso soma quatro, nós somos só em... (Mel)
Também fico. (Beatrice)
Não falei pra ficar lá?! (Mel)
Não, você disse apenas pra eu ficar, não disse onde. Eu e Alan ficamos e vocês vão. (Beatrice)
Tenho uma ideia melhor. Eu e você ficamos e Alan e Kat levam Estela e Derik para casa. (Mel)
Ei, eu quero ficar! (Alan)
Pra passar a noite inteira tentando matar Beatrice? Melhor ir pra casa. (Mel)
Alan abre a boca, Mel encara. Alan pega Estela no colo e sai. Kat levanta metade do corpo de Derik. Mel se aproxima, pega Derik no colo e sobe, com Kat atrás. Beatrice se senta no chão. Mel volta e senta no chão na frente de Beatrice.
Perdi o baralho de Uno quando tava correndo da gárgula. (Beatrice)
Mel joga o corpo para trás no chão.
Manhã. Mel abre os olhos. Levanta. Esfrega os olhos.
Eu fico de vigia. (Beatrice)
Não precisa ser legal comigo, eu não vou ser com você. (Mel)
Você tá com sono. (Beatrice)
Não tô vigiando a poção, tô vigiando você. (Mel)
Por que eu tentaria impedir? (Beatrice)
Porque Edmont fugiria. (Mel)
Não tinha pensado nisso. (Beatrice)
Hahaha. (Mel)
Edmont fugindo ainda sim não está comigo. (Beatrice)
Mas vive. (Mel)
Tarde. Mel está dormindo. Beatrice vai até a cesta. Abre. Cheira. Encolhe e volta os ombros. Vira em cima do controle do templo. O controle ilumina. Beatrice tenta tocar, fere a mão. Seus olhos ficam mais claros e seus caninos aparecem.
Caral... (Beatrice)
Mel acorda. Se aproxima do centro.
Mas que diabos você fez?! (Mel)
Agora a gente precisa que terminem essa coisa. (Beatrice)
Mel olha para a mão de Beatrice.
Se machucou? (Mel)
Que diferença faz? (Beatrice)
Não estou... (Mel)
"Não precisa ser legal comigo, eu não vou ser com você." (Beatrice)
Mel se senta no chão. Cruza os braços. Fecha os olhos. Beatrice olha para a porta. Anda ao redor do templo. Sobe a escada. Olha para fora. Sol. Volta. Se aproxima de Mel, devagar. Agacha. Chega a mão perto do rosto de Mel. Se afasta. Senta-se do outro lado do templo.
Que droga. Edmont, cadê você? (Beatrice)
Noite. Mel acorda.
Droga, onde... (Mel)
Beatrice entra, trazendo um sanduíche.
Não sabia que ainda comia esse tipo de coisa. (Mel)
Comer eu como, mas isso aqui não é pra mim. (Beatrice)
Tá falando sério? (Mel)
Tá me alimentando, qual o problema? (Beatrice)
Mel olha para o sanduíche. Olha para Beatrice.
Se quiser, interprete assim: se eu te deixar morrer de fome, fico sem comida. (Beatrice)
Faz mais sentido. (Mel)
Mel pega o sanduíche. Alan e Derik chegam.
Valeu. (Mel)
Está aceitando comida dela??? (Alan)
Um sanduíche. Se estiver envenenado, antes morrer do veneno que de fome. (Mel)
Nós também não comemos ainda. (Derik)
Então por quê não vão procurar alguma coisa pra comer? (Beatrice)
E você, ainda não matou ninguém? (Alan)
Quando eu fizer isso, vou pra longe só pra te irritar. (Beatrice)
Alan olha para Mel.
Isso aqui não é uma amizade, é uma trégua. Assim que acharmos Edmont, a programação volta ao normal. (Mel)
E porque a gente vai ficar esperando?! (Alan)
Acha mesmo que, se você resolvesse me derrubar agora... (Beatrice)
Alan tira uma estaca da calça e atira contra Beatrice. Beatrice segura a estaca, quase cravada no seu peito.
É tudo que você tem? (Beatrice)
Alan tira outra estaca. Mel desarma Alan e joga no chão.
A trégua inclue proteção. Não vai querer brigar comigo. (Mel)
Alan levanta.
Acha que tenho pena por ser mulher? (Alan)
Mel acabou de te jogar no chão, será que a burrice é tanta que não entende uma ameaça?! (Kat)
Alan olha para Katerine. Estela entra.
Eu vou indo. Acho que não precisam de mim aqui, já têm bastante proteção. (Alan)
Já fugi do exército. Não sei porque achou que alguém aqui tava pedindo a sua proteção. (Mel)
Por que você...? (Alan)
Ninguém aqui é ser humano. (Mel)
Eu sou. (Agatha)
Alan olha para Agatha. Inês entra atrás de Agatha.
Mas tenho uma marca no pescoço e aparentemente sou chamariz de atlante. (Agatha)
Veio todo mundo? (Mel)
A gente vai fazer o tal feitiço. Se acharmos outra marca, a gente vai embora de novo, não vai? (Agatha)
Alan franze a testa.
Quantas vezes vocês já viajaram? (Alan)
Não é como se alguém estivesse contando. (Kat)
Alan olha para o chão. Olha para Mel.
Vocês não fazem nem ideia de quanto tempo estão fazendo isso? (Alan)
Por volta de dois anos. (Mel)
E como comemoram aniversário? (Estela)
Não tivemos muito tempo pra isso. (Mel)
A hora que a gente parar, é mais fácil usar o calendário do lugar. (Kat)
As datas não... (Estela)
Não. Já teve vez de a gente sair de um lugar vendo ovos de páscoa e chegar em outro com enfeites natalinos. (Kat)
Wige, Kash e Yads aparecem.
Já estão a postos? (Kash)
Era pra ter jogado no controle do templo? (Mel)
Sim. (Yads)
Boa parte do que a gente fez envolvia algo assim. (Beatrice)
Porque é aqui que está concentrado o poder para mudar de Realidade. (Yads)
Por que não apareceram antes? (Mel)
Não podemos transportar as pessoas. (Yads)
O desequilíbrio que causaram nos prendeu aqui. (Wige)
Yads encara Wige.
Que foi? Não é como se quisessem nos fazer mal. (Wige)
Podemos andar com isso? (Alan)
Agatha senta no chão, em um canto. Inês se aproxima e deita no colo de Agatha.
Por que elas vieram? (Alan)
Agatha também quer se despedir de Edmont. (Derik)
Trouxeram o fã clube inteiro? A grávida também é?! (Alan)
Cresci com Edmont e Angely. E tenho a impressão que isso não é da sua conta. (Agatha)
Porque diabos você trouxe tanta gente que podia querer impedir você?! (Alan)
Mel cruza os braços.
Agatha tem razão. Não é da sua conta. (Mel)
Melhor começarmos o feitiço. (Kash)
Kash, Yads e Wige cercam o controle do templo. Dão as mãos. Fecham os olhos. Olham para cima. O controle do templo, que estava com brilho, começa a acender mais. Estela dá um passo para trás. Inês levanta e corre para fora. Volta e puxa Agatha pela mão para fora. Mel olha para Alan.
Pega Estela! (Mel)
Mel olha para Derik.
Voa daqui! (Mel)
Mel pega Kat e corre. Alan pega Estela e vai atrás. Beatrice corre e Derik sai voando.
Aurium pousa no topo da montanha, na ilha principal. Olha as pessoas correndo. Vê pularem no mar. As paredes do templo iluminam. Brilham mais. Aurium fecha um pouco os olhos. Mais luz. Aurium esconde a cabeça na asa direita. Explosão. Aurium cai para trás, na pedra de baixo. Sacode a cabeça. As asas. Voa. Atravessa novamente a ilha e a parte de mar que separa da parte menor, que tem o templo. Pousa na praia. Mel emerge. Em seguida, Kat, Alan, Agatha e Estela. Beatrice sai do mar e tira o sobretudo. Derik volta a forma humana. Estela esconde o rosto em Alan. Beatrice entrega o sobretudo e Derik veste.
Tá todo mundo bem? (Derik)
Kat sai do mar e abraça Derik.
Pra onde foi?! (Kat)
Sabia que Mel ia te salvar, se o planeta não fosse explodir inteiro, então fui pra cima da montanha, pra ver se via algum sinal surgir ou qualquer coisa que ajudasse. (Derik)
O templo já era. (Alan)
Isso quer dizer que não vamos encontrar Edmont e Angely se não estiverem aqui? (Beatrice)
Se essa bosta tiver mesmo explodido, se for destrutível, deve ter outro jeito de viajar. (Mel)
Mel vai em direção ao lugar onde ficava o templo. Kat segue. Derik olha para Agatha. Agatha olha ao redor.
Inês!!! (Agatha)
Talvez tenha levantado antes e voltado. (Derik)
Agatha corre em direção ao templo. Derik vai atrás. Beatrice também. Alan segue, então Estela. Chegam ao buraco deixado pelo templo. Mel para. Arregala os olhos. Barra Kat com o braço. Kat também arregala os olhos e olha para Mel. Agatha corre. Se ajoelha perto de Inês. Inês abraçou-se a Angely, que está no chão, de lado. Edmont está também no chão, de ponta-cabeça em relação a Angely. Os corpos estão semi-encolhidos. Agatha levanta e se aproxima de Edmont. Passa a mão em seu rosto. Uma pessoa está de costas para as pessoas, de frente para Angely e Edmont. Tem um bracelete de prata com uma esmeralda no braço direito. Alan e Estela chegam. Beatrice chega.
Tinha dito pra você se esconder. (Beatrice)
É que você disse, que caça por aqui? (Rust)
Alan tira uma estaca do tornozelo e vai em direção a Rust. Rust vira e pega Alan pelo pescoço e levanta no alto. Alan solta a estaca e tenta tirar a mão de Rust de seu pescoço.
Solta, Rust. (Beatrice)
Rust não morreu? (Derik)
Deve ter encontrado Rust daqui. Não teria como ter trazido de lá. (Mel)
Zenon trouxe. (Beatrice)
Como?! (Kat)
Zenon ficou carregando meu bracelete. Não sei porque diabos. (Rust)
Rust solta Alan no chão.
Não se ataca pelas costas. Quer lutar comigo, tenha mais coragem. (Rust)
É fácil me mandar ter coragem, daqui a pouco tem mais vampiro aqui que gente! (Alan)
Mas ninguém te atacou. Ao contrário de como tem agido até agora. (Beatrice)
Alan ri.
É no mínimo engraçado ver vocês falando em coragem. É bem corajoso mesmo atacar pessoas que não têm metade da sua força! (Alan)
Não gosto disso. Por isso só ataco quem merece. (Rust)
Mel olha para Beatrice.
Meu acordo é com você, não com Rust. (Mel)
Então manda Zenon parar de me carregar pra lá e pra cá. (Rust)
Rust se aproxima de Mel.
Eu não preciso de acordo. Quer me matar? Tenta. Muita gente já tentou. (Rust)
Só se for de onde vem. Não tem nenhum Rust famoso aqui. (Alan)
Rust se abaixa perto de Alan.
Conhece Virgine? (Rust)
Alan se levanta e bate a roupa. Rust levanta.
Uma das filhas de Aléxis. Além dela, tem Kassandra, Dilan e Argo. (Alan)
Derik... (Mel)
Eu não existo aqui. E Andrews não chama Andrews. (Rust)
Quem é Andrews?! (Alan)
Aléxis. (Kat)
Mas Aléxis é só o primeiro da segunda linhagem! (Alan)
Existe outra linhagem? (Rust)
Rust olha para a lua.
Quem sabe essa presta. (Rust)
Rust segue andando.
Aonde pensa que vai?! (Alan)
Vou procurar Virgine. (Rust)
Mas Virgine nem sabe que você existe... (Beatrice)
Rust olha para Beatrice.
Virgine morreu onde estávamos? (Rust)
Sim. (Beatrice)
Então meu assunto pendente veio pra cá. (Rust)
Rust vira de volta e continua andando.
Não disse que queria lutar??? (Alan)
Vocês têm um assunto bem mais fora de controle que eu e Beatrice pra resolver aí. (Rust)
Mel olha para Edmont e Angely. Kat se aproxima de Agatha.
Agatha, precisa se afastar. (Kat)
Não sei se consigo... (Agatha)
Temos que fazer. Vai ser muito pior se não fizermos. (Mel)
Agora vocês vão matar eles? (Alan)
Não podemos. A última vez que tentamos, quase morremos. Foi aí que fugiram. (Mel)
Mas então... (Alan)
Mel tira um colar com uma aquamarine ciano de dentro da roupa.
Tem um feitiço. Para controlar isso. (Mel)
Não vão acordar mais. (Beatrice)
Vocês já sabia disso. (Mel)
Não achei que íamos encontrar dormindo. (Beatrice)
Alan vai na direção da estaca no chão. Mel pega e joga no lago.
Tira uma do cu agora. É só de onde tá faltando. (Mel)
Alan encara Mel. Mel cruza os braços.
Beatrice se aproxima de Edmont. Toca seu cabelo. Edmont abre os olhos. Puxa Agatha e morde. Inês levanta e bate nas costas de Edmont. Mel olha ao redor. Kat abaixa e encosta em Angely. Angely levanta. Edmont larga Agatha. Levanta e olha para Angely.
Que está acontecendo?! (Inês)
Edmont olha para Agatha. Olha para Angely. Pula e some no ar. Angely abaixa perto de Agatha. Passa a mão em seu rosto.
Você vai ficar bem. (Angely)
Não vou. (Agatha)
Angely sente tontura. Senta no chão.
Você não... (Mel)
Agora podem pegar Edmont... Ele já me deu o último... beijo... (Agatha)
Agatha fecha os olhos. Inês se aproxima de Agatha. Pousa a mão em seus olhos. Abraça Angely.
O que tá acontecendo, papai? (Inês)
Vai ficar tudo bem. Vamos cuidar de você agora. (Angely)
Me diz pelo menos que esse que ficou é o bonzinho! (Alan)
Angely, o que houve? (Mel)
Agatha se envenenou. É um feitiço. Mas só serve pra quem é comum. (Angely)
Por isso ele acordou?! (Alan)
Não. Mas por isso mordeu Agatha. Beatrice acordou Edmont. Kat me acordou. (Angely)
Porque estavam longe?! (Inês)
Angely afasta Inês e olha em seus olhos.
Não foi escolha nossa. (Angely)
Por que tá falando com Inês?! Inês não fala!!! Emudeceu depois que Edmont quase matou!!! (Beatrice)
Angely olha para Inês. Alan franze a sobrancelha.
Edmont matou ela? (Alan)
Beatrice olha para Alan. Olha para Mel.
Parecia que sim, mas aí Inês acordou. (Beatrice)
Angely não deveria ouvir. (Alan)
Por que? (Ang)
Se sua teoria é de que só vampir ouve, eu não... (Beatrice)
Não, só o pai. (Alan)
Do que diabos tá falando? (Mel)
Ela é uma fênix. Deve ter... Congelado a gravidez, sei lá... (Alan)
Tá dizendo que essa barriga aí... (Beatrice)
Se um vampiro dorme com uma fênix e depois mata ela, vai gerar uma criança. E só quem deveria ouvir o que ela fala é o Edmont. (Alan)
A gente devia ir pra casa. (Derik)
Precisamos achar Edmont. (Mel)
Amanhã. (Beatrice)
Eu sei que o sol já vai nascer... (Mel)
Tá todo mundo em frangalhos aqui. (Beatrice)
Beatrice tem razão. (Alan)
Beatrice olha para Alan.
Alguém me arranja uma câmera. Rápido. (Beatrice)
É uma das coisas que a gente aprende. Não dá pra fingir que a gente é máquina e não precisa de descanso e comida. A gente fica mais fraco e fica mais difícil fazer alguma coisa decente. (Alan)
A gente tem que enterrar Agatha, Mel. (Kat)
Mel olha para Agatha. Olha para o chão.
Vamos pra casa. (Mel)
Casarão. Todo mundo chega. Alan entra. Estela olha para a casa. Angely, com Agatha nos braços, Mel, Kat, Derik, Beatrice e Inês vão para a lateral da casa. Estela segue.
Tem alguma pá na casa? (Mel)
Estela vai para trás da casa. Volta com duas pás. Mel pega uma e Angely pega outra. Começam a cavar. Kat abaixa perto do corpo de Agatha. Coloca a mão e puxa de uma vez. Olha para Derik.
Agatha tá... Esse frio... (Kat)
Não tá mais aí, Kat. (Estela)
Derik puxa Kat pela mão. Kat abraça Derik. Sentam-se no chão. Estela se senta junto. Angely olha para Agatha. Continua cavando. Beatrice vai atrás da casa. Volta com uma terceira pá. Começa a cavar também. Inês senta perto de Kat, Derik e Estela. Mel para de cavar. Sai. Crava a pá no chão. Senta-se. Olha para Beatrice. Beatrice para. Olha para Mel.
Fala. (Beatrice)
Você teve um caixão ao menos. (Mel)
Beatrice baixa a cabeça.
Devia ter ficado. Não tava aqui cavando. (Beatrice)
Não dá mais pra escolher isso agora. (Angely)
Beatrice olha para Angely. Angely para de cavar. Olha para Beatrice.
Agora a gente tem que seguir. (Angely)
Beatrice sai da cova. Entra na casa. Alan estava na sala, levanta. Beatrice passa direto. Vai até o primeiro quarto. Puxa os pregos, tirando a porta. Faz isso com mais cinco portas. Pega uma delas, vai até a escada, pousa no chão, ficando metade para fora. Sobe com uma perna do lado que está pousado, bate o pé na outra metade, quebrando. Junta os dois pedaços e volta. Junta duas portas, perpendicular uma a outra. Pega os pregos, bate com a mão. Faz o mesmo com uma terceira porta. Pega uma metade e prega na parte de cima das portas. A outra metade, na parte de baixo. Desce com a última porta nas mãos. Coloca em pé na frente de Alan.
Consegue levar isso? (Beatrice)
Claro, eu... (Alan)
Beatrice deixa a porta, Alan segura, quase derruba. Beatrice sobe. Desce com a caixa. Sai. Alan segue. Angely e Mel estão cavando. Mel para. Sai. Angely para também. Sai da cova também. Beatrice pousa o caixão no chão. Vai até Agatha. Angely olha para a casa. Edmont sai de trás dela. Se aproxima. Pega o corpo de Agatha. Coloca dentro da caixa. Beatrice sobe. Volta com cobertores. Usam para descer o caixão. Inês pega a última porta. Tampa. Beatrice ajuda Inês a sair da cova. Edmont pega uma das pás, Angely outra. Beatrice pega a terceira. Jogam a terra. Mel olha para Kat. Olha para o caixão. Angely, Edmont e Beatrice continuam. Angely joga a última pá. Beatrice pega os cobertores, se cobre e sai, em direção a ilha principal. Mel entra. Alan olha para Edmont. Estela pega no ombro de Alan. Alan olha para Estela. Olha para Edmont. Vai para a casa, Estela segue. Beatrice volta. Estende a mão a Inês. Inês olha para Angely. Pega a mão de Beatrice. Entram. Derik levanta do chão. Kat enxuga os olhos. Levanta também. Entram na casa.
Dia seguinte. Mel e Alan estão na cozinha.
Sei apenas que dura três meses a gravidez. Não deveria nem responder a vocês, devia ser hostil com vocês. Acho inclusive que é o maior perigo, de tudo que trouxe com você. (Alan)
Quero saber sobre fênix, não sobre o quanto você acha que tá todo mundo conspirando pra eu não matar Edmont. (Mel)
Alan suspira fundo.
A mãe tá morta. Quem tá falando com eles é a criança. A alma da mãe vai embora e a da criança toma conta dos dois corpos até o nascimento. (Alan)
Alan levanta.
Você não vai aceitar minha ajuda de qualquer jeito. Eu vou voltar pra minha casa, pra... (Alan)
Não vai, não. (Mel)
A casa não caiu. (Alan)
Que casa ia cair? (Estela)
Zenon disse que a casa ia cair, para eu não comprar a casa. Não quer que Alan saia daqui. (Mel)
Aquele... (Alan)
Disse que vai acontecer algo muito ruim. (Mel)
Alan pega uma arma em uma gaveta.
Só se for para ele. (Alan)
Alan... (Mel)
Arruma suas coisas, Estela. (Alan)
Mas... (Estela)
Vamos voltar para casa. Assim que eu achar algo sobre fênix, mando para vocês. Quanto a Edmont, se vocês não resolverem, vou ter que comunicar o conselho. (Alan)
Não faria isso se fosse você. (Angely)
Ah, o anjinho está me ameaçando?! (Alan)
Não vou fazer nada contra você. (Angely)
Você não poderia ser eu. Tem pena de vampiros. (Alan)
Mas você vai abandonar a casa? (Mel)
Não precisam dela? (Alan)
Sim. (Mel)
É muito caro, ele tá cobrando os olhos da cara! (Estela)
A gente tem um baú de ouro... (Derik)
Um baú de ouro??? (Alan)
Derik, acho que não era pra sair espalhando... (Kat)
Compramos ouro pra carregar. Não dá pra saber quando a moeda vai mudar. (Mel)
Mas quanto era? (Alan)
Te damos o dinheiro se ficar. (Kat)
Não vou ser subornado nem por um milhão! (Alan)
Não podemos comprar a casa. (Kat)
Posso conversar com você, Angely? (Mel)
Vão para outro cômodo.
Zenon falou que, se não conseguisse manter Alan aqui, mantivesse pelo menos Estela. (Mel)
Tem certeza? (Angely)
Acho que é com Estela que a coisa pega. (Mel)
Tá. (Ang)
Oi de novo. (Kash)
Achei que tinham explodido! (Mel)
Já passamos por coisas piores. (Kash)
Por que voltaram? (Angely)
A situação ainda não foi resolvida. (Kash)
Não dá tempo de ver o problema de Estela antes? (Mel)
A solução do problema é mais curta que o caso de Estela. (Kash)
Mel olha para Angely. Então para Kash.
Não podemos matar Edmont. Angely tem que fazer isso, não é? (Mel)
Edmont não deve morrer. Mas você tem os termos do acordo. (Kash)
Mel franze a sobrancelha. Desfranze. Tira o colar do pescoço. Estende a Angely. Angely vai pegar, Kash pega. Fecha o colar nas mãos. Um brilho. Abre. Um anel e um transversal, o anel com uma aquamarine principal e o transversal com uma em uma ponta. Mel pega o anel. Coloca no dedão esquerdo de Angely. Pega o transversal.
É bem a cara de Edmont. (Mel)
Noite. Beatrice chega a um lugar cheio de prédios.
Até que enfim civilização... (Beatrice)
Estava na Ilha de Hera? (Dilan)
Sim. (Beatrice)
Beatrice se vira. Engole seco.
Que foi? (Dilan)
Preciso sair desse lugar. Ir pra bem longe. (Beatrice)
Fugindo do caça-vampiros? (Dilan)
Não. Alguém com caninos como os meus. (Beatrice)
Não sei o que é pior. Mas por que um vampiro ia estar caçando você? (Dilan)
Ainda não está. Mas vai estar quando descobrir que eu fugi. (Beatrice)
Fugiu? Ele é do tipo que cria e acha que é dono? (Dilan)
Eu quem criei. (Beatrice)
É, isso é realmente estranho. encolhe e volta os ombros Foda-se. Tá com fome? (Dilan)
Manhã. Angely e Mel entram em uma caverna. Edmont está no chão, sentou-se.
Sabe que já discutimos longamente enquanto vinham até aqui? (Edmont)
Se você quer continuar... (Mel)
Ou Angely vai mandar a gente pro espaço. E aí pode acontecer bastante merda, desquilíbrio, blablabla... (Edmont)
Mel estende a mão aberta, com o transversal.
Se já sabe, então acho que não preciso continuar. (Mel)
Faça as honras. (Edmont)
Mel se aproxima de Edmont. Abaixa. Abre o transversal. Atravessa em um ponto na orelha de Edmont, depois outro. Olha para a mão, que tem um pouco de sangue. Lambe o sangue. Levanta. Edmont fica olhando Mel sair da caverna. Olha para Angely, que está olhando para si.
Sabe que não pode tocar em Mel. (Angely)
Nosso acordo era sobre não machucar. (Edmont)
Dissemos deixar em paz. Você não é a definição de paz para ninguém. (Angely)
Acho que Meg e Handhara não diriam isso de você também. (Edmont)
Angely baixa a cabeça. Sai também. Alcança Mel.
Um quarto do que temos vou entregar a Alan pela casa. Disse que pertence a empresa ou sei lá pro que trabalha, então vai levar o pagamento e trazer a escritura quando vier visitar Estela. (Mel)
Resolveu deixar? (Angely)
Sim. Outra parte vou ter que usar pra reformar a casa e... (Mel)
Em nome de quem vai vir essa escritura? (Angely)
Nos nomes de Melody Lorrage e Angely Kallend. (Mel)
Separou nossos nomes? (Angely)
Vão ajudar a criar nossas identidades, não é como se fosse a primeira vez que precisamos disso. (Mel)
Chegam ao casarão. Entram. Kat está na sala, com um livro. Fecha o livro.
Tava pensando, a gente não existe aqui. (Kat)
E você é menor de idade. (Mel)
E daí? (Kat)
Mel vai registrar você. (Angely)
Kat levanta.
Sério?! (Kat)
Sim. É bem justo, se formos pensar. (Mel)
Kat sorri de canto de boca.
E, também, se fizerem exame de DNA... (Kat)
Vão descobrir que somos extraterrestres. (Mel)
Kat apaga o sorriso.
Tem isso. (Kat)
Alan está no quarto. Fecha uma mala.
Não precisa mais reclamar que eu fico te carregando pra lá e pra cá. (Alan)
Até que era legal. (Estela)
Tem certeza que vai mesmo? Pode ficar aqui, se for porque quer resolver problemas, somos mestres em atrair. (Mel)
Deixei minha noiva na casa da minha mãe... Por enquanto elas se dão bem, mas relação de sogra e nora geralmente não dá certo. Mando o convite quando for me casar. (Alan)
Você tem só vinte anos... Por que quer casar tão cedo? Além do que, ela é cinco anos mais velha que você, isso é um absurdo! (Estela)
Alan ri.
Você não tem jeito mesmo, né? Não entendo, por que não vem comigo... (Alan)
Não quero agüentar aquela mala. E aqui é tão legal... (Estela)
Tenho que ir. (Alan)
Tomara que não aconteça nada mesmo com você. (Mel)
Eu vou pra casa e vou provar a vocês que esse vampiro está mentindo. (Alan)
Estela abraça Alan.
Calma, não tô indo pro matadouro... (Alan)
Tomara que não! (Estela)
Noite. Estela está em seu quarto, abraçou-se ao travesseiro. Kat bate na porta. Estela se senta na cama.
Entra. (Estela)
Quer falar sobre isso? (Kat)
Isso? passa as mãos nos olhos Isso o que? (Estela)
Os ciscos que caíram nos seus olhos. (Kat)
Eu não tô chorando... (Estela)
Kat cruza os braços.
Tá, eu tô. (Estela)
Não tá chorando só por que Alan foi embora. (Kat)
Ele nem é meu primo de verdade, meu pai era ex da tia dele quando se casou com minha mãe. (Estela)
Mas você gosta de Alan. (Kat)
Faz dois anos que meu pai morreu e ele aproveitou pra ficar com a minha guarda. Me arrependi de fazer isso com ele, deixar ele ir assim... (Estela)
Isso que você sente não é gratidão, nem o que tá sentindo agora é remorso. (Kat)
Ele vai casar, nem teria jeito de nada. (Estela)
Não vai ser a única pessoa que vai amar na vida. Nem tem idade pra isso. (Kat)
E você tem? (Estela)
Kat se senta ao lado de Estela na cama.
Existe muita coisa nesse mundo pra ser vista. Acredite em mim, não é como fazem parecer, o sentido da vida não é encontrar outro alguém que te ame pra sempre. (Kat)
Estela baixa a cabeça.
Mas e se for o sentido da minha vida? (Estela)
Acho que sua vida é importante demais pra ter tão pouco sentido. (Kat)
Estela sorri. Abraça Kat. Kat abraça Estela de volta.
Queria ter conseguido convencer Agatha disso. (Kat)
Estela se afasta. Olha nos olhos de Kat, que estão marejados. Abraça Kat novamente.
Prometo que não vou chegar a isso. (Estela)
Kat abraça Estela mais forte. Angely está do lado de fora. Baixa a cabeça. Continua seguindo pelo corredor.

Resumo do Capítulo

Beatrice, Mel, Derik, Inês, Kat, Zenon e Agatha chegam a uma Realidade em 2002, usando o templo. Inês está com barriga de gravidez. Mel, Kat, Derik e Agatha saem. Encontram Alan na ilha principal. Alan percebe que vieram do templo. Vão todos para o casarão que fica em uma ilha a parte. Conta que veio com Estela, sua prima, caçar vampiros e estavam indo embora em breve. Nota que estão em quatro. Mel diz que não vai falar sobre quem mais veio junto. Contam que o barco que foram inicialmente para a ilha naufragou e que mandaram espalhar que estavam mortos, para que ninguém seguisse, pois eram pessoas famosas. Que trouxeram um livro para derrubar quem vieram procurar. Perguntam sobre Andrews, Alan não sabe. Pedem ajuda para encontrar alguém, Alan liga para uma pessoa. A noite, Zenon sai do templo e encontra um grupo de adolescentes tentando fazer um ritual. Tenta convencer a saírem, atacam Zenon. Zenon derruba todo mundo, exceto Íris. Íris se corta para tentar completar o ritual. Não consegue nada, mas percebe o que Zenon é, pelo olhar fixo em seu sangue. Diz que pode fazer o que quiser consigo. Zenon derruba Íris quando tenta se aproximar. Daniel, que cuida do cemitério, aparece. Zenon diz que caça-vampiros. Daniel pergunta se conhece Alan. Zenon lembra de Alan da primeira realidade, e que ainda não sabe que tem Ísis. Pergunta sobre Estela, Daniel confirma. Zenon encontra Mel nos quiosques da ilha principal. Zenon diz que a casa de Alan irá cair, e Estela morrer. Alan chega, Mel e Zenon fingem que não se conhecem e Zenon sai. Alan está com J. J fala sobre as realidades. Alan vai até Zenon e ameaça. Volta. Beatrice chega. Mel conta que vieram junto. Conta sobre a ligação de Edmont e Angely. Zenon pede para falar com Mel a sós. Diz que era mentira sobre a casa, mas que Estela tem que ficar na ilha. Vai embora. Mel volta a falar com Alan e J. No dia seguinte, Mel e Alan discute, uma pessoa aparecera sem vida. Mostra o pulso: tem alimentado Beatrice. Vão para o templo. Juntam as coisas para o feitiço. Kash, Yads e Wige aparecem. Dizem que notaram o que houve e que precisam de coisas para o feitiço de localização, que Derik conhece, mas terá que "perder mais uma camada". Somem. Derik pede que deixem seu passado de lado, que não pode voltar e que são sua família. Mel puxa a espada quando acha que Alan fará algo, mas Alan diz que não vai. Kat conta sobre conseguir mover coisas quando "desmaia". Mel encarrega Kat e Derik de procurar os itens do feitiço. A noite, faltam dentes de um vampiro que nunca tenha bebido sangue. Mel fala em Beatrice, Beatrice se faz notar. Diz que está com fome. Vai até a cozinha com Mel. Voltam. Alan e Beatrice discutem sobre a pessoa que morreu, Beatrice diz que Alan esqueceu de alguém, que agora transformou outro alguém. Beatrice sai para buscar os dentes. Mel instrue que não mate, para que os dentes não desapareçam. Chegando ao cemitério, encontra Íris esperando Henrique sair da cova. Quando volta, fala para serem rápidos para fazer o feitiço, pois amarrou ao ar livre Íris e Henrique. Vão Mel, Kat, Derik, Alan e Estela. Ao juntar os itens, Estela e Derik desmaiam. Kash diz que deixem ali até o dia seguinte e que fiquem duas pessoas de guarda. Ficam Beatrice e Mel. De manhã, Beatrice joga a poção em cima do controle do templo, que ilumina. Queima a mão ao tentar tocar. A noite, todo mundo vem ao templo. Mel pergunta porque, Agatha diz que, se acharem outra marca, se vão para outra Realidade de qualquer forma. Alan estranha, Mel diz que não sabem quantas viagens fizeram, apenas que se passaram em torno de dois anos. Kash, Yads e Wige aparecem. Contam que o desequilíbrio que Angely e Edmont causaram lhes prendeu ali. Kash, Yads e Wige ficam em volta do controle do templo. O controle começa a acender. As outras pessoas fogem. O templo inteiro ilumina e, por fim, explode. Saem do mar e vão em direção a onde estava o templo. Um grande buraco. Inês abraça Angely, que está no chão, de frente para Edmont, também de frente para si, mas de ponta-cabeça, com os corpos semi-encolhidos. Agatha abraça Edmont. Rust está olhando também. Alan tenta atacar Rust, mas Rust segura e solta a pedido de Beatrice. Alan diz que não existe Rust ali, Rust pergunta de Virgine. Alan confirma, e descobrem que ali Andrews se chama Aléxis. Rust sai. Mel diz a Alan que não podem matar Edmont e Angely, que tentou e foi então que aconteceu tudo. Mostra uma pedra no pescoço, um feitiço pra que nunca mais acordem. Beatrice se aproxima de Edmont. Edmont acorda com o toque de Beatrice. Ataca Agatha. Kat toca Angely, Angely acorda. Edmont para. Some. Angely se aproxima de Agatha. Agatha diz que podem matar Edmont, pois já teve o último beijo. Então cede. Angely explica que Agatha se envenenou com um feitiço, mas que não funcionaria contra Edmont. Angely fala com Inês, e ouve resposta. Beatrice diz que Inês não fala desde que Edmont quase matou. Alan se dá conta e explica que Inês é fênix, que não é mais Inês ali, é cria de Edmont, outra fênix, e que só Edmont deveria ouvir. Mel fala em acharem Edmont. Beatrice diz que não têm condições. Kat fala que têm que enterrar Agatha. Vão para casa. Mel, Angely e Beatrice cavam a cova. Beatrice faz um caixão com portas da casa. Edmont aparece. Põe Agatha no caixão. Inês tampa. Angely, Beatrice e Edmont enterram. No dia seguinte, Alan explica a Mel que Inês morreu, a criança controla os dois corpos. Fala em ir embora. Mel chama Angely e diz que precisam manter Estela ali. Kash aparece e diz que o feitiço pode resolver o problema. Transforma o colar em um anel com uma aquamarine no centro e um transversal com uma em uma ponta. A noite, Beatrice encontra Dilan por acidente e diz que precisa ir embora dali, quer fugir de Edmont. Mel e Angely vão até uma caverna. Edmont deixa Mel colocar o transversal. Saem. Mel diz a Angely que ficarão com o casarão e Estela vai ficar também. Quando Alan está arrumando as malas, Estela ainda protesta que Alan não deveria se casar. A noite, Kat consola Estela, diz que Alan não pode ser o sentido de sua vida. Diz que queria ter conseguido convencer Agatha. Estela promete que não chegara a tanto. Angely ouve e segue pelo corredor, de cabeça baixa.

Dara Keon