Sangue do meu sangue
MEAK
B06

Sangue do meu sangue ler resumo

Noite. Derik está no sofá, de braços cruzados olhando para baixo.
Que cara é essa Derik? (Mel)
Não consegui emprego e não tenho dinheiro pra dar presente pra Kat. (Derik)
Por que não falou comigo? Podia ter pedido. (Mel)
Não, esse dinheiro é pra despesas. (Derik)
O que tem aí dá e sobra pra nos sustentarmos por anos. (Mel)
Não é tanto assim. (Derik)
É muito e Angely tá trabalhando, ainda anunciamos os quartos e serviço de investigação. Era só pedir. (Mel)
Lá eu fazia bicos... Consegui dar um vestido uma vez. Era dinheiro meu, sabe, dinheiro que eu ganhei. Mas agora... (Derik)
Acha mesmo que Kat liga pra isso? (Mel)
Queria dar alguma coisa. (Derik)
Vou atrás das pessoas, tão demorando muito. (Mel)
Eu não gostei dessa história de isca. Principalmente depois de Kat sonhar e não querer me contar de novo. (Derik)
Mel arregala os olhos.
Que?! (Mel)
Caralho, você... Eu vou buscar um copo de água... (Derik)
Derik vai para a cozinha. Angely chega.
Que foi?! Aconteceu alguma coisa?! (Ang)
Eu mato Zenon e Alan, não passa de hoje! (Mel)
Mel sai. Derik volta com o copo d'água.
Ué, mas onde... (Derik)
Que Zenon e Alan fizeram? (Ang)
Levaram Kat e Estela de isca. Quando mais repito isso, mais parece uma ideia estúpida. (Derik)
Ang sai. Derik segue.
Ares.
Não precisam exagerar... (Zenon)
A gente quase virou comida! (Kat)
Nem atrasamos tanto assim... (Alan)
É claro que atrasaram, um deles chegou a morder a Kat! (Estela)
Mel chega e abraça Kat.
Você tá bem? (Mel)
Foi de leve, não precisa... (Kat)
Mel afasta.
Quem de vocês atrasou? (Mel)
Você tava ouvindo?! (Zenon)
Angely chega também.
Mel... (Ang)
Quem foi irresponsável nesse nível? (Mel)
Também não precisa dar show. (Alan)
Não preciso dar show? Querem matar Kat e Estela, é isso? (Mel)
Mel, não precisa exagerar. (Ang)
Exagerar?! Quase... (Mel)
Mel respira fundo. Derik chega. Com o copo d’água. Zenon olha pro copo. Franze a testa. Fecha os olhos, balança a cabeça para os lados. Alan olha e segura uma risada.
Derik, o que diabos... (Kat)
Eu disse que ia trazer um copo d’água, eu trouxe... Por que não esperou na sala? (Derik)
MEAK. Kat, Mel e Angely estão na sala.
Eu já disse que não é nada... (Kat)
Kat, se abre com a gente... (Mel)
Não é nada! Vou ter que soletrar?! (Kat)
Kat respira fundo. Olha para baixo. Olha para Angely e Mel.
Desculpa, é que vocês tão insistindo tanto... (Kat)
Se tivesse algum sonho com o seu futuro, um sonho ruim, você contaria? (Ang)
Claro! Eu sei que se preocupam comigo. O que eu vejo é pra impedir. Por que eu não... (Kat)
Kat cheira o ar.
Que cheiro de queimado é esse? (Kat)
Derik passa correndo para a cozinha. Kat segue. Mel e Angely também. Há fumaça por toda a cozinha.
Droga... Até isso tinha que dar errado?! (Derik)
Derik olha para Kat.
Era o seu bolo... (Derik)
Angely abre as janelas. Estela chega.
Mas o que aconteceu aqui??? (Estela)
Tá chegando meia-noite e eu não tenho nada pra dar de presente pra Kat... (Derik)
Derik sai.
Só por isso??? Derik... (Kat)
Kat vai atrás de Derik. O relógio de Mel desperta no pulso. Mel arrasta a geladeira, pega um embrulho e entrega para Angely. Angely olha para o embrulho. Olha para a geladeira.
Lugar criativo pra esconder alguma coisa... (Ang)
Abre logo, quero entregar o de Kat. (Mel)
Ang abre. Luvas. Ang sorri e abraça Mel. Mel abraça de volta.
Valeu. (Ang)
Mel afasta. Pega mais um embrulho atrás da geladeira. Coloca a geladeira no lugar. Sai.
Bom, eu nem sabia, mas... Parabéns. (Estela)
Angely sorri.
Só engano meu ou faz aniversário no mesmo dia que a... (Estela)
De Kat você sabia. Normal, conversam mais. (Ang)
É... Quando amanhecer eu compro um presente pra você também. (Estela)
Não precisa. Presentes não são necessários, e só se dá quando é possível. (Ang)
Vai valer se der o sorriso que deu quando Mel te entregou o dela. Alguém já te disse que você parece uma criança? (Estela)
Dara dizia isso. (Ang)
E quem é essa? Se for essa... Com vocês nunca sei... (Estela)
Ang olha para a janela.
A segunda pessoa com quem namorei. (Ang)
Ang olha para Estela.
Kat não te contou? (Ang)
Não... (Estela)
Tiveram que matar Dara, por causa de um vírus. (Ang)
Ai, desculpa, que furo, logo na primeira hora do seu aniversário... (Estela)
Sei que não fez por mal. (Ang)
Bom, eu vou lá dar o presente da Kat, antes que fale mais alguma besteira. (Estela)
Estela sai. Ang vai até seu quarto e pega a correntinha de prata com um rubi. Deita-se na cama. Enrola a corrente na mão.
Você disse que eu teria crianças e que era para dar a primeira. (Ang)
Senta-se na cama. Levanta. Desce as escadas. Ninguém na sala. Vai até a janela. Olha o mar.
Talvez eu devesse ter dado isso a Inês. (Ang)
Alan e Zenon entram correndo. Angely guarda a corrente no bolso e se vira.
Que foi? (Ang)
Alguma coisa tentou me pegar... Alguma coisa com asas... (Zenon)
Alan sorri e cruza os braços.
Eu salvei ele. (Alan)
Não precisa se exibir. (Zenon)
Mas é verdade, se não fosse eu... (Alan)
Você o que? (Estela)
Acabei de salvar a vida do Zenon. (Alan)
Como assim? (Estela)
Uma coisa com asas passou e quase me atropelou. Ser levado seria melhor do que ficar olhando pra cara de "eu sou o máximo" dele! (Zenon)
Zenon sobe.
Não vai dar os parabéns, não? (Estela)
Eu? (Alan)
Não, tô falando com o quadro! É aniversário do Angely. E da Kat também. (Estela)
E só me diz no fim do dia?! (Alan)
Estela revira os olhos. Sobe.
Na verdade no começo. Já passou de meia-noite. (Ang)
Ah... Bom... Então... Feliz aniversário... Quantos anos? (Alan)
Acho que vinte e cinco. Pelo menos parece, pelas minhas contas. (Ang)
Melhor não mudarem de realidade de novo. (Alan)
Alan sobe.
Beatrice chega a um quarto de hotel. Edmont sentou-se na janela.
Vendo se consegue enxergar Melody? (Bea)
Não. Mas dá pra ver a MEAK daqui. (Edmont)
Já tinha dito isso. Tem saudade? (Bea)
Não. (Edmont)
Edmont vira para Beatrice.
Como foi o jantar? (Edmont)
Beatrice mostra um relógio. Edmont vai até Beatrice.
Foi tudo que conseguiu? (Edmont)
Não, isso eu trouxe pra você. (Bea)
Outro feitiço? (Edmont)
Hoje é doze de março. (Bea)
Sério? (Edmont)
Não sabia? (Bea)
Nem lembrei. Por que eu lembraria? (Edmont)
Pelo que sei, foi o dia em que você nasceu. (Bea)
Os dias aqui não são os mesmos de lá. Os tempos das Realidade são diferentes. (Edmont)
Beatrice abre a mão de Edmont, coloca o relógio e fecha a mão.
De nada. (Bea)
Beatrice se deita de costas para Edmont. Edmont se senta ao lado.
Preferia alguma coisa viva. (Edmont)
É, eu sei que não precisava, mas achei que ia gostar. (Bea)
Prefiro a outra data. (Edmont)
Que outra? (Bea)
Edmont vira Beatrice para si.
Eu prefiro essa vida, por isso prefiro você e oito de janeiro, não doze de março. (Edmont)
Beatrice se levanta e vai até a janela.
No caso de Lisa, quem gostava de outra pessoa era Lisa. Pelo menos teve coragem de ir atrás do que queria e não ficou se lamentando porque não podia ter. (Bea)
É, mas ficou com a pior opção, como eu. No caso de Lisa foi burrice, mas eu tô me contentando com você enquanto não posso ter o que quero. (Edmont)
E por quê eu? Por que não Inês, por exemplo? Pode ir atrás até de Kassandra. (Bea)
Inês morreu. E Kassandra... É, talvez eu vá atrás mesmo. Não fica chorando em cima dos corpos, nem nunca libertou meu jantar. (Edmont)
6:00. Casarão em Ares. Sandro toma café.
Ainda não recebi meu pagamento. (Etos)
Sandro derruba a xícara. Olha para Etos.
É que é um grande custo manter as Ilhas, mesmo cobrando aluguel de tantas pessoas... (Sandro)
Os juros são baixos e nem isso você paga. (Etos)
Um por cento de um é baixo, um por cento de um milhão é alto, você tem que entender... (Sandro)
Não é porque pegou mais dinheiro que vou diminuir a taxa. Devia medir mais seus atos antes e não depois. (Etos)
Mas... (Sandro)
Vou ser muito legal e te dar até o fim do ano pra pagar. Depois eu vou tomar a Ilha, cortar suas mãos e pés e te jogar no mar. (Etos)
Etos vai até a porta. Pára.
Um lembrete: meus juros não são um por cento, e o que você pegou não está só na casa dos milhões. (Etos)
Angely bate na porta da diretoria.
Entra. (Dínamis)
Desculpa, é que uma pessoa me pediu um livro emprestado e sumiu, tive que ficar procurando... (Ang)
Seus alunos estão no ginásio. (Dínamis)
Aconteceu alguma coisa? (Ang)
Não. Aquele evento eu já cuidei. (Dínamis)
Cuidou... Que... (Ang)
É um feitiço, todo mundo esqueceu tudo. (Dínamis)
Mas... (Ang)
Mel me disse que não gosta de trapaças, mas acha que mantenho a escola dando lugar até pra professor vampiro como? Até Xisto já fiz esquecer umas coisinhas. (Dínamis)
Angely baixa a cabeça.
Eu preciso manter a escola de pé. Agora, como eu disse, seus alunos estão no ginásio. (Dínamis)
Angely entra no ginásio. Todas as pessoas, balões, enfeites, um bolo grande no centro. Derik vem até Ang.
Escondeu meu livro. (Ang)
Diz que têm uma tradição de fazer uma festa surpresa no primeiro aniversário de docentes na escola. Faz pouco tempo que estou por aqui, porque diabos acha que eu negaria um pedido da diretoria? (Derik)
Uma pessoa baixa anda com um capuz preto pelo corredor. As costas fazem uma grande curva. Alice, está com o passo acelerado. Passa pela pessoa. Franze a testa. Se vira para trás.
Ei, você! (Alice)
A pessoa começa a andar mais rápido. Alice segue.
Não vou fazer nada, apenas queria saber o porquê do casaco preto... (Alice)
Alice pisa no capuz. A pessoa continua, o capuz fica. Alice arregala os olhos.
Deus do céu... (Alice)
A pessoa pega o braço de Alice. Alice puxa. Corre na direção contrária. De um par de olhos cinzas infantis, cai uma lágrima. Alice invade o ginásio.
Tem um monstro no corredor! (Alice)
As pessoas se calam e olham para Alice. Angely vai até Alice.
Não precisa ficar assim, o que foi que viu? (Ang)
Ele tava com um capuz preto, eu pedi pra me esperar, disse que só queria saber porque estava com o capuz, mas ele, ele continuou... andando, sem querer eu pisei, o capuz saiu e... (Alice)
Tudo bem. Melhor você se acalmar, tá? (Ang)
Angely abraça Alice. Kat, Derik e Estela estão do outro lado do ginásio. Kat pousa o prato de bolo em uma mesinha.
Melhor irmos verificar. (Kat)
Mas disse que é... (Derik)
Ela deve tá querendo se aparecer, adora fazer isso... (Estela)
Nossa, já arrumou inimizade? (Kat)
Ela mora numa mansão e se acha o máximo por isso. (Estela)
Mesmo assim, temos que ir ver. (Kat)
Se vocês não se importam, eu prefiro... (Derik)
Kat encara Derik. Derik pousa o prato na mesinha, ao lado do de Kat.
Ir junto. (Derik)
Tarde. Angely, Kat, Estela e Derik chegam.
Mel! Mel! (Kat)
Deve estar no quarto. (Ang)
Vou lá ver. (Estela)
Estela sobe. Olha pela porta. Alan está com o rosto quase encostado no de Mel. Arregala os olhos e volta para a sala.
Ela tá ocupada. (Estela)
Estela vai para a cozinha. Kat segue. Alan chega a sala.
Alguém podia me avisar que Mel não gosta de beijo repentido. (Alan)
Você beijou Mel? (Ang)
Lésbica eu sei que ela não é... Ela é feminista, não devia ter tomado a iniciativa, é isso? (Alan)
Devia saber se uma pessoa quer um beijo antes de beijar. (Ang)
Tem que explicar pra Alan que isso funciona sem importar o gênero seu e da pessoa. (Derik)
Mulher também é uma pessoa. (Ang)
Outra lição bem importante pra se dar na escola. (Derik)
Olha, eu nem beijei ela, tá! (Alan)
Por que Mel não deixou. (Derik)
Como você... (Alan)
Pode até saber como esconder estacas, mas Mel ainda é mais veloz que você. (Derik)
Ok, eu tô disposto a ser... (Alan)
Um ser humano melhor? (Derik)
Isso... Como vocês acham que eu devo falar com ela? (Alan)
Acorda, você tentou arrancar um beijo, acha que Mel vai achar que foi sem querer? (Derik)
Realmente duvido. "Que caralhos você tá fazendo?" e me pegar pelo pescoço quando continuei... Enfim... (Alan)
Entendeu que isso tem que ser decisão de Mel também? (Derik)
Acho que sim... Achei que as mulheres achassem isso romântico... Sei lá... (Alan)
Derik revira os olhos.
Mas eu quero ser... Um ser humano melhor. Eu quero que ela me queira. E se eu der flores?! (Alan)
Derik tampa o rosto.
Que foi? (Alan)
Não dê nada com espinhos, caso mande enfiar... (Derik)
Tá, eu entendi, sem flores. (Alan)
Eu vou te ajudar. (Derik)
Você? (Alan)
Consegui namorar com Kat e sou sua melhor chance de parar de ser essa bosta. (Derik)
Ei! (Alan)
Angely vai até a cozinha.
Eu sei que você gosta de Alan... (Kat)
Será que ela não podia ficar só com o Zenon, não?! (Estela)
Ei, Alan não é criança, sabe muito bem o que faz, eu garanto que Mel não beijou Alan a força! (Kat)
Alan quem tentou beijar Mel. (Ang)
Estela e Kat olham para Angely.
Mas não conseguiu. (Ang)
Viu? Agora vai desistir e quem sabe não começa a enxergar quem realmente gosta de si? (Kat)
Estela está apaixonada? Por que não me contou? (Alan)
Porque você já devia ter notado. (Estela)
Estela sai da cozinha. Kat sai também. Alan olha para Angely.
Não pergunta pra mim. (Ang)
Ang sai. Kat chega ao quarto de Mel.
Oi, tudo bem? (Kat)
Seja lá o que tiver falado, mereceu. Estávamos procurando arquivos sobre a tal ave que quase pegou Zenon e tentou se aproveitar da minha distração. Avisa que, mais uma dessas, e pode continuar trabalhando aqui, mas vai ter que procurar outro lugar pra morar. (Mel)
Estela viu. (Kat)
Então avisa que pode ficar se quiser, porque eu não quero. (Mel)
Alan entra no quarto, abre a boca olhando para Kat. Mel cruza os braços e encara. Alan olha para Mel e sai.
E aí, o que descobriram sobre a ave estranha? (Kat)
Nada. Como vai a escola? (Mel)
Acho que a coisa apareceu lá. Mas não achamos mais depois, pode ter sido uma tentativa de chamar a atenção, da pessoa que falou que viu. (Kat)
Por que as pessoas fazem isso? (Mel)
Descobri algo da escola. Sabe a pessoa na diretoria? (Kat)
Dínamis? (Mel)
É. Tá com idéias pra mudar o sistema de ensino em Ilha. (Kat)
E... (Mel)
É de Dínamis a idéia de deixar do jeito que conhecemos lá. (Kat)
Com a especialização e tudo? (Mel)
Sim! (Kat)
Acho que Derik quem mais vai ficar feliz. Aliás, sabe que especialização Ang e Edmont fizeram? (Mel)
Você não sabe??? (Kat)
Mel chega ao quarto de Zenon.
Não tinha me dito que fez especialização pra docência. (Mel)
Achei que fosse achar sem sentido. (Ang)
Por quê? Por que Edmont fez medicina? (Mel)
Não te contamos o que fizemos. (Ang)
Até Kat sabia! (Mel)
Que discussão importante, podemos falar do assassino que tentou me pegar? (Zenon)
Talvez seja coisa de Clítia. Deve estar com raiva. (Ang)
Pode ser. Ou Edmont. (Mel)
Eu saberia. (Ang)
Beatrice? (Mel)
Não faria algo assim. (Ang)
Sei que tinha asas. (Zenon)
E aí, falando do que? (Derik)
De quem quase pegou Zenon, voando. (Ang)
Era ave? Ouvi falar que andou rondando por aqui. (Derik)
Ótimo, tem mais algum detalhe? (Mel)
Além de dizerem que é sinal de apocalipse? (Derik)
Isso não ajuda muito. (Zenon)
Bom, se voa, eu posso procurar. (Derik)
Não tem medo? (Ang)
Medo? (Derik)
Derik franze a sobrancelha.
Por que, acha que pode querer me pegar? (Derik)
Essa coisa me atacou, deve ter algo contra vampiros, não contra aves, certo, Derik? (Zenon)
Vendo por esse ângulo... (Derik)
Apenas procure, por favor! (Zenon)
E quem faz meu trabalho de escola? (Derik)
Eu faço, vai logo! (Zenon)
Derik se transforma em pássaro e sai pela janela. Zenon guarda as roupas.
Xisto vai preferir que Derik faça o trabalho. (Ang)
Não precisa saber disso. (Zenon)
Noite. Praça.
Acha que a Katerine é capaz de fazer algo mais drástico? (Xisto)
Alete balança a cabeça para os lados.
Tem certeza que não podemos... (Xisto)
Alete aponta Xisto, depois baixa os dedos da mão, menos dois, e balança a cabeça para os lados.
Eu sei. Mas tem certeza que corro risco por isso? (Xisto)
Oi, eu precisava falar com você... (Ang)
Sobre o que? (Xisto)
Sabe da tal ave estranha que disseram que anda rondando as Ilhas? (Ang)
Tá acreditando nessa estorinha? (Xisto)
Tem alguém que conheço, com algo em comum com você, que quase pegaram. (Ang)
E o que seria esse algo em comum? (Xisto)
Bom... É... (Ang)
Xisto joga Alete no chão e pula em cima de Angely, caindo no chão junto. Asas passam. Ang e Xisto levantam.
Ele vinha na sua direção... (Xisto)
Tem certeza? (Ang)
A ave passa de novo. Leva Xisto. Alete grita. Ang olha para o céu. Alguns metros para frente, ossos caem no chão. Alete vai até os ossos. Se ajoelha no chão. Seus olhos estão marejados. Toca nos ossos. Uma lágrima cai. Angely abaixa perto de Alete.
Não são de Xisto, não morrem assim. (Ang)
Pé... g... su... (Alete)
Angely abraça Alete.
Dia seguinte, MEAK, 6:00.
Mas por quê não veio para cá?! (Mel)
Foi só uma noite fora. (Ang)
Eu não tenho uma bola de cristal para saber onde você tá! (Mel)
Calma, se tivesse acontecido alguma coisa, eu tinha sonhado. (Kat)
Calma?! Será que vocês não entendem?! (Mel)
Kat vai até a cozinha. Volta com um copo de água.
Não precisa ficar desse jeito, Ang não tá nem com algum pedaço faltando. (Kat)
Angely baixa a cabeça.
Desculpa. (Ang)
Tudo bem. Dessa passa. Mas na próxima, te coloco uma coleira. (Mel)
Mel pega o copo e bebe toda a água.
E não faz essa cara que você fez coisa errada e sabe disso. (Mel)
Angely olha para a porta. Alete está com um jornal na mão. Kat franze a sobrancelha.
Você não é ajudante de história? (Kat)
Mel vai até Alete. Alete abre o jornal. Dobra. Entrega a Mel. Mel lê. Olha para Ang.
Acho que quer ficar aqui com a gente. (Mel)
Angely, foi Xisto que aquela coisa pegou?! (Kat)
Alete baixa a cabeça.
Vem comigo, vou te dar um quarto. (Mel)
Alete pega a carteira no bolso.
Não vamos cobrar de você. (Mel)
Mel sobe. Alete segue.
Acho que tá atrás de vampirs. (Ang)
Então não precisamos nos preocupar. (Kat)
Pegou Xisto, que não era ruim, e ainda tem Zenon e Beatrice. (Ang)
Beatrice?! Acorda, Angely, Beatrice é ruim! (Kat)
Não, não é. Sei que não. (Ang)
Então, estão falando do que? (Derik)
Da tal ave que anda rondando. (Ang)
Eu procurei e não encontrei nada. Têm mais alguma informação? (Derik)
Sim... (Kat)
Derik pega um caderninho e uma caneta em uma gaveta.
Pode falar. (Derik)
Parece que essa coisa caça vampirs e deixa só os ossos. (Kat)
Quando eu disse pra Alete que os ossos não eram de Xisto, acho que Alete disse Pégaso. (Ang)
Quer dizer que escreveu, né? (Kat)
Não, disse mesmo. Acho que só tem dificuldade para falar e por isso não fala. (Ang)
Vou falar com Alete para ver se me dá mais algum dado. (Derik)
Derik vira e começa a andar em direção a escada, Kat segura pela blusa. Derik desvira.
Que foi? (Derik)
Se toca, acabou de perder a única pessoa que tinha! Bom, era o que era, mas, mesmo assim, deve estar mal demais para ficar respondendo questionário, não acha? (Kat)
6:20! (Ang)
Ang sobe a escada correndo. Derik e Kat se entreolham.
8:00. MEAK. Kat, Derik, Estela e Ang entram.
Ué, que aconteceu? (Mel)
A escola tá de luto hoje e amanhã. (Kat)
E Alete? (Ang)
Lá em cima. (Mel)
Será que agora liga de eu perguntar? (Derik)
Mas você não toma chá de semancol mesmo, né? (Kat)
Que aconteceu afinal? (Estela)
Deixa que eu explico, vocês vão se trocar. Vão me ajudar na biblioteca. (Mel)
Procurar a tal criatura? (Ang)
Sim. Vão logo, coloquem roupas confortáveis que ficaremos o dia inteiro. (Mel)
Algum tempo depois.
Por isso o Zenon não saiu pra procurar o Angely ontem. (Estela)
E Alan eu não encontrei. Não podia sair e correr o risco de a criatura aparecer aqui. (Mel)
É verdade, desde que ele soube que estou gostando de alguém, não vejo ele. (Estela)
Mel franze a testa.
Não deve ter sido isso. (Mel)
Oi. (Alan)
Onde esteve? (Estela)
Fui caçar o que tentou pegar o Zenon. (Alan)
Você? Se importando com Zenon? (Mel)
Queria bancar o herói... (Zenon)
Zenon olha para Alan.
Conseguiu? (Zenon)
Bom, eu encontrei ele. (Alan)
E...? (Zenon)
Entra uma pessoa com asas nas costas. Zenon se esconde atrás de Mel.
Eu sabia! Você quer que eu... (Zenon)
Mel puxa Zenon por cima de sua cabeça, derrubando Zenon a sua frente, e segura pelo pescoço com o braço.
Tá vendo voar ou tentar te pegar? (Mel)
Não. (Zenon)
Então larga mão de fazer escândalo. (Mel)
Mel solta Zenon. Zenon se levanta.
Bom, ninguém perguntou, então... O nome dele é Beleno. (Alan)
Não vim aqui machucar ninguém. (Beleno)
Zenon se levanta.
E por quê voou em cima de mim? (Zenon)
Você é um vampiro. Quase todos são maus. (Beleno)
Quase, disse bem! (Zenon)
Esse quase foi só por você, de quem fui informado a pouco. (Beleno)
E veio pra Ilha só por vir ou está atrás de algo? (Mel)
Meu pai. Eu sou daqui. (Beleno)
Bom, ele deve ter se mudado, você é o único alado de que temos notícia por aqui. (Estela)
Ele não é alado... (Beleno)
Sua mãe que é? (Zenon)
Na verdade os pégasos não se reproduzem. (Beleno)
Ele quis dizer que o pai dele é um vampiro. (Alan)
Vai matar todos os vampiros na Ilha até encontrar alguém que tenha uma característica sua?! (Estela)
Mel olha para os olhos de Beleno.
É assim que me alimento. (Beleno)
E quando vai saber que era seu pai? Sabe que gosto ele tem? (Alan)
Isso não teve graça. (Zenon)
Desculpa, sua espécie se alimenta da minha espécie, conhecer alguém que se alimenta da sua espécie é muito engraçado pra mim. (Alan)
Vou saber se estiver de frente com meu pai. (Beleno)
Bom, eu ia te oferecer algo para comer, mas... (Estela)
E... tã... pu... quê... m... tou... me... amo...? (Alete)
As pessoas olham na direção de Alete.
Não era pra pegar ele. (Beleno)
Alete vai na direção de Beleno com uma faca. Beleno segura o braço de Alete. Alete solta a faca e bate em Beleno.
Desculpa, por favor... (Beleno)
Alete para. Beleno limpa os olhos de Alete, que têm lágrimas. Abraça Alete. Mel sobe a escada. Alan segue. Zenon está olhando para Beleno. Olha ao redor na sala. Sobe correndo a escada, atrás de Alan e Mel.
Estela perguntou se ia matar todo mundo até encontrar alguém com quem se parecesse. (Mel)
É mesmo, ele tem olhos cinzas! (Zenon)
Edmont? (Alan)
Mas tem um problema: lembram que Inês também falava com Angely? (Mel)
A ligação deles pode confundir o garoto. (Zenon)
Isso quer dizer que ele pode querer caçar o Angely? (Alan)
Angely estava junto quando pegou Xisto e acabou de dizer que não era para pegar Xisto. (Zenon)
Exato. Temos que evitar que se encontrem. (Mel)
Bom, se prefere altura... (Estela)
Ok, parece que teremos que dar um jeito de tirar Angely daqui mais rápido do que achávamos. (Mel)
Como? (Zenon)
Pela janela. (Mel)
Tá louca??? (Alan)
Mel sai pela janela.
Isso foi um sim?! (Alan)
Ela é sã tanto quanto você é corajoso! Devia ter aceitado a idéia e ido! (Zenon)
Por que não foi você??? (Alan)
Porque eu ia virar lembrança! (Zenon)
Ang estica o lençol na cama. Arruma a parte de cima. Mel entra pela janela. Ang olha para Mel.
Podia ter usado a porta. (Ang)
Minha porta emperrou. (Mel)
Biblioteca. Mel e Ang entram.
Angely, pode fazer cadastro? (Mel)
Pretende levar livros pra casa? (Ang)
Claro. Faz no nome da agência, acho que pode. (Mel)
Tá. (Ang)
Ang vai até a recepção. Mel vai Estela e Kat.
Que bom que conseguiram sair e vieram. (Mel)
Mel... (Kat)
Temos que procurar sobre pégasos, têm algumas informações que podem ajudar... Não leiam alto que pode assustar alguém aqui dentro. (Mel)
Mel pega um papel sobre a mesa e escreve. Entrega a Estela e Kat:
Nada de falar sobre Beleno para Angely. Rasguem o bilhete e digam que Derik já passou isso para vocês.
Derik já falou disso. (Kat)
Kat rasga o papel.
Mais nada? (Kat)
Não. (Mel)
20:00. MEAK.
Como vamos fazer para manter Angely fora daqui? (Kat)
Teremos que levar Beleno e avisar Derik e Alete pra não contarem nada pra Angely. (Mel)
Não imaginam o que achei! (Derik)
Sótão.
Quer dizer então que é da mesma gravidez de Inês? (Mel)
Sim. (Derik)
Pra cada fênix no mundo tem pégaso? (Kat)
Não. Vampirs são uma das poucas criaturas do mundo que pode ir pra cama com Fênix. Se beber o sangue logo em seguida, de jeito que mataria um ser humano, o espírito vai embora e surge uma criança, que controla os dois corpos até o nascimento. Caso reencontre antes do parto e faça qualquer coisa contra, aí surge também pégaso. Não cresce muito antes do nascimento, mas depois acelera seu crescimento até onde queira. (Derik)
Por isso tem esse tamanho todo, enquanto Inês ainda é bebê. (Mel)
Então, vai vir atrás de Edmont? Mas Edmont não vai morrer... (Kat)
Acho vai se reconstituir dos ossos. (Mel)
Daí Beleno vai pegar de novo, Edmont vai ressuscitar de novo e isso vai virar um enorme ciclo até Beleno morrer. (Derik)
Isso não seria uma resposta aos nossos problemas? (Kat)
Fala isso pra Ang, que vai sentir toda vez que Edmont virar jantar da própria cria. (Mel)
Isso é. (Kat)
Pra matar é só cortar as asas. (Derik)
Você viu o que eu vi?! É uma criança! Sem contar que não tem nem um ano de idade! (Kat)
Mas se herdou tudo de Edmont, tem aquela cara mas é uma desgraça. (Derik)
Temos que dar um jeito de levar para algum lugar onde tenha tanto vampir que nem pense em voltar. (Mel)
Transilvânia? (Derik)
Kat revira os olhos. Mel franze a sobrancelha.
Se Natasha sabia tanto de fênixs, por quê não nos preveniu disso? (Mel)
Bom, nós temos o telefone ainda... (Kat)
Mel pega o celular. Disca. Espera.
Natasha? Preciso falar com você. (Mel)
Dia seguinte. Tarde. MEAK.
Ei? Tem alguém em casa? (Nat)
Só eu. (Mel)
Nat coloca Inês no sofá.
E Angely? (Nat)
Tá dormindo. (Mel)
Então não tá sozinha. (Nat)
Mas sou a única pessoa que vai falar com você enquanto não me explicar uma coisa. Te chamei aqui porque tivemos um pequeno problema. (Mel)
E no que posso ajudar? Se seu irmão tiver feito... (Nat)
Não tem nada a ver com Edmont. Bom, até tem, mas não é um problema que Edmont criou. Aliás, até é... Enfim... (Mel)
Mel balança a cabeça para os lados. Olha para Nat.
Parece que não tirou tudo que tinha no corpo. (Mel)
Do que tá falando? (Nat)
De uma coisa com asas que já fez uma vítima inocente. (Mel)
Essa vítima seria Zenon? (Nat)
Não. (Mel)
Não conheço mais nenhum vampiro inocente, tão querendo juntar uma liga de vampiros? (Nat)
Então sabe do que estou falando? (Mel)
Pégaso. É a única coisa que eu conheço com asas e que pode estar ligado a Inês e, portanto, a mim. (Nat)
Quarto de Kat. Kat anda de um lado para o outro.
Não gosto disso. (Kat)
Mel sabe se virar. (Derik)
Aquela pessoa não é humana! (Kat)
E daí? Mel também não! (Derik)
Eu vou lá... (Kat)
Kat vai na direção da porta. Derik segura seu braço. Kat olha para a mão de Derik e encara Derik.
Pode me bater se quiser, porque Mel é mais forte e vai me bater mais se eu te deixar sair. (Derik)
Quarto de Alan e Zenon. Alan está na cama de cima, Zenon na de baixo.
Acha que ela vai arrancar alguma coisa da mulher? (Alan)
Não sei. (Zenon)
Zenon vira para o outro lado.
Será que essa mulher sabe mesmo de alguma coisa? (Alan)
Zenon bufa.
Não sei. (Zenon)
Ela é lésbica, não é? (Alan)
Silêncio.
Zenon? (Alan)
A porta bate. Alan desce da cama. A cama de Zenon está vazia. Sai no corredor. Zenon entra em um quarto. Alan segue. Zenon bate a porta. Abre um pouco, desvira o sinal para "Não perturbe", e fecha de novo.
Que eu fiz? (Alan)
Sala.
Você sabia! Por isso não enterrou o corpo antes! Agora tá correndo perigo! (Mel)
Tá falando do Angely ou do Edmont?! (Nat)
Como assim?! (Mel)
Os pégasos são predadores dos vampiros, Angely não é vampiro! (Nat)
Mel respira fundo.
O que acontece a Edmont afeta Angely. (Mel)
Bela desculpa! (Nat)
Olha aqui... (Mel)
Beleno desce a escada. Inês está no sofá, chorando. Beleno pega Inês no colo, Inês para de chorar. Fecha as asas na frente de Inês e de si, abaixo do pescoço.
Não têm vergonha, não? Brigando na frente de uma criança... (Beleno)
Não finja que não sabe. (Derik)
Saber? Do que? (Beleno)
Sabe quem é essa criança. E nós sabemos quem você é e o que veio fazer aqui. (Kat)
Estela, eu já disse que não vou ficar mais... (Ang)
As asas de Beleno voltam para o lugar. Ang olha para Beleno.
Não pode ser... Você não parece mau... (Beleno)
Porque não é. E não vamos deixar você matar Angely. (Mel)
Tem que haver outro. (Beleno)
Como sabe que não é ruim, nem... (Kat)
Kat olha para Beleno.
Peraí, seus olhos... Você não enxerga... (Kat)
Beleno mira nos olhos de Ang. Natasha pega Inês. Beleno coloca as mãos na cabeça. Cai.
Beleno acorda em uma cama.
Você tá bem? (Ang)
Beleno se senta na cama.
Quero que saiba que tentei entrar nos seus pensamentos. (Beleno)
Por isso desmaiou? (Ang)
Você tem uma mente muito confusa. (Beleno)
Eu sei. Às vezes nem eu entendo. (Ang)
Eu percebi que você e meu pai... (Beleno)
Depois vou te explicar tudo. (Ang)
Angely vai até a porta e abre. Derik quase cai. Se reequilibra.
Olha, não fui eu, Melody quem mandou, Kat insistiu... (Derik)
Tudo bem. (Ang)
Só mais uma coisa... Beleno, né? (Derik)
É. (Beleno)
Se você sabia que Angely não era ruim, por que atacou? (Derik)
Derik... (Ang)
Não tentei ver isso, apenas segui o cheiro. (Beleno)
Natasha está com Inês em um quarto. Alete entra.
Fênix? (Nat)
Alete acena para baixo com a cabeça.
Muda ou tem dificuldade para falar? (Nat)
Alete levanta dois dedos.
Ela aqui também é fênix. Deve ter notado antes de eu falar, né? (Nat)
Alete acena para baixo. Se aproxima de Inês.
Como evita os vampiros? (Nat)
Alete coloca a mão no tórax, sobre o coração.
Tava com um? (Nat)
Alete acena para baixo com a cabeça.
Foi o que o pégaso pegou? (Nat)
Alete baixa a cabeça.
Ele não fez por mal. (Nat)
Natasha entrega Inês para Alete.
Sabe que isso passa? (Nat)
Alete franze a sobrancelha.
Agora que não está mais com esse vampiro, seus instintos normais vão voltar. Vai tentar arranjar outro? (Nat)
Alete pega uma folha e uma caneta no bolso. Escreve. Entrega a Nat.
"Eu amava muito Xisto." Nome estranho... Tá, amava ele, mas precisa de outro para não acabar morrendo. Por que não tenta o Zenon? Ele parece legal, sei como fazer o pacto. (Nat)
Nã... p... su. (Alete)
Então vem comigo. Dou um jeito de te proteger. (Nat)
Posso? (Derik)
Alete franze a sobrancelha novamente.
A criança. (Nat)
Inês olha para Derik e sorri. Alete entrega Inês para Derik.
Cresceu, hein? (Derik)
Se cresce 4 anos em 1, são quatro meses em um também. (Nat)
Alete, quantos anos você tem? (Derik)
Alete levanta dois dedos, abaixa, levanta dois de novo, abaixa, depois mostra dois dedos em uma mão, cinco em outra.
Quê?! (Derik)
Xisto deve ter achado ela nova, pôde proteger. Peraí, o pégaso... (Nat)
Beleno? (Derik)
Ele pode proteger você, Alete. Bom, enquanto ele não matar o pai, é claro. (Nat)
Não vai matar Edmont, Edmont é imortal. (Derik)
Se ele ficar dando atenção a Edmont, não vai conseguir proteger ela. (Nat)
E o que acontece se, numa hipótese muito remota, conseguisse matar Edmont? (Derik)
Morre. É o motivo pelo qual ele veio ao mundo. (Nat)
Por isso nunca ouvi falar de pégasos... (Derik)
Geralmente, quando um vampiro desavisado faz a besteira de fazer um pégaso, outros vampiros amarram ele em algum lugar pro pégaso levar e eles ficarem livre dele. (Nat)
Ninguém toca em Edmont. Pode ter certeza. (Derik)
Teremos que mostrar isso ao garoto. (Nat)
Como? (Derik)
Podemos entregar Edmont a ele. (Nat)
E se funcionar? Quer dizer, e se matar Edmont? (Derik)
Daí Edmont vai estar morto e ele também. (Nat)
Simples assim?! Esqueceu de Angely?! (Derik)
Cadê a Alete? (Nat)
Deve ter ido comer alguma coisa. E essa criança? (Derik)
Ah, soube que a sua namorada ficou com ciúmes da Inês... (Nat)
É, ficou. Aliás, espero que não fique de novo. (Derik)
Fala pra ela que, se você for pra cama com Inês quando a menina crescer, você vira churrasco. (Nat)
Por quê? (Derik)
Se uma fênix dorme com algum ser que não seja vampiro ou manigê, é o que acontece. (Nat)
Derik olha para Inês.
É bom avisar Inês disso quando crescer. (Derik)
Vai saber. (Nat)
Não faz muita diferença essa coisa de cama. É mais emocional, sabe? (Derik)
Essa modernidades... (Nat)
É um conceito atlante bem antigo, na verdade. Mas vou levar Inês pra ver Kat, a gente conversou da outra vez. Talvez Kat até goste de Inês. (Derik)
Vai lá, eu vou arrumar as coisas aqui, afinal, Angely pediu pra eu ficar um pouco aqui com Inês, fazendo aquela cara de criança abandonada. (Nat)
Eu já volto. (Derik)
Derik vira para Inês.
Com Inês, né? (Derik)
Inês sorri. Derik sai com Inês. Alete chega no quarto onde estava Beleno, com uma faca. Solta os ombros. Tira o lençol. Só há travesseiros. Sai.
Anoitecer. Angely, Mel, Zenon e Alan estão na sala.
Então, como faremos com a criança? (Mel)
Podemos pedir para ir embora com Natasha. (Zenon)
Não vai. (Ang)
Então podemos abrigar ele aqui. (Alan)
Edmont vai vir provocar. (Ang)
Levamos pra algum lugar que ninguém descubra. (Mel)
Edmont pode descobrir e chegar antes de mim. (Ang)
Tá, então dá uma solução ao invés de ficar jogando areia! (Zenon)
Edmont sabe tudo que sei... (Ang)
Angely fecha os olhos.
Inclusive dessa conversa. (Ang)
Angely abre os olhos. Baixa a cabeça. Levanta e sai.
Ang... (Mel)
Melhor assim. (Zenon)
Mas... (Mel)
Eu sei que ele vai ficar chateado, mas não queremos que Edmont saiba dos nossos planos, não é? (Alan)
Noite. Kat, Estela e Beleno estão andando nas pedras.
É bom poder andar assim, sem aquele capuz. (Beleno)
Suas asas são bonitas, não precisa se envergonhar. (Estela)
Mas as pessoas gritam. (Beleno)
Não tem jeito de esconder? (Kat)
Quando eu era menor até dava. Mas agora dói muito. (Beleno)
Estela vira para Kat.
Melhor nós voltarmos, sua mãe vai ficar preocupada. (Estela)
Por que você não conta para ele? (Beleno)
Estela olha para Beleno e empalidece.
Do que tá falando? (Estela)
Não é na mãe dela que você está pensando. (Beleno)
É mais complicado do que parece. (Estela)
Vamos pra casa? (Kat)
Eu vou dar uma volta. Mas levo vocês em casa. (Beleno)
MEAK. Mel está na sala. Kat, Estela e Beleno entram.
Só fomos dar uma volta. (Kat)
Tudo bem, mandei Derik procurar. Mas da próxima vez avisa. (Mel)
Beleno volta na direção da porta.
Isso inclui você. (Mel)
Vou dar uma volta. (Beleno)
De novo? (Mel)
Voar. (Beleno)
Tá. Mas vê se volta bem. (Mel)
Vai se acostumando, ela é assim mesmo. (Estela)
Mel encara Estela. Beleno sai.
Alete ainda não encontrei. (Derik)
Kat, Estela, peguem o celular e vão procurar Alete. Me liguem de uma em uma hora. Derik, eu percebi que foi de má vontade. (Mel)
Eu?! (Derik)
Nat entra na sala com Inês.
Normalizou. (Nat)
Eu não disse? (Mel)
Alan chega.
Minha cama tá toda suja! (Alan)
Não tenho culpa se ela gostou da sua. (Nat)
Deve ser porque já sujou a sua inteira! (Alan)
Só impressão minha ou você tá de encrenca comigo? (Nat)
Gente, eu vou procurar a Alete... (Zenon)
Que bom, assim não precisamos ir! (Kat)
Só se quiserem ter outra fênix criança por aqui. (Nat)
Zenon franze a testa.
Eu jamais faria isso! (Zenon)
Se os instintos dela tiverem voltado, você não terá como se segurar. (Nat)
Olha aqui, minha cama... (Alan)
Parou essa merda. (Mel)
Silêncio.
Zenon, você fica. Aliás, tem um encanamento na cozinha precisando de conserto. (Mel)
Virei encanador??? (Zenon)
Se você tem mais de duzentos anos e não sabe consertar nem a porcaria um encanamento, posso te ensinar, mas acho que devia começar a usar seu tempo de vida pra aprender a fazer coisas úteis. (Mel)
Zenon vai para a cozinha.
Alan, vai com Kat e Estela procurar Alete. (Mel)
E a minha cama?! (Alan)
Vai dormir lá fora se continuar falando disso. (Mel)
Alan pega uma besta em uma gaveta e sai. Estela e Kat seguem.
Derik, Nat, vão dar um jeito na cama de Alan. Aliás, o que tanto aconteceu? (Mel)
Ela resolveu brincar com a comida. (Nat)
E Inês? (Derik)
Eu deixo com Angely. (Mel)
Não querendo te questionar, mas ele já cuidou de alguma criança? (Nat)
Vai saber o que fazer. Se puderem ir, aproveitem e resolvam a de Nat também. (Mel)
Mel pega Inês no colo. Derik e Nat sobem.
Ouvi um barulho... (Ang)
Já resolvi tudo. (Mel)
Mel entrega Inês nas mãos de Angely.
Cuida disso que eu tô precisando de um banho. Começa pela frauda, tenho certeza que Inês não cheira assim naturalmente. (Mel)
Mel sobe. Ang olha para Inês. Puxa um pouco a frauda atrás. Solta.
Acho que você tá precisando mais de banho que Mel. (Ang)
21:00. Alan, Estela e Kat estão andando pela cidade.
Não sei pra que trouxe essa coisa. (Estela)
Podemos ser atacados. (Alan)
Por mosquitos? (Kat)
Não é a Alete ali? (Alan)
Acho que sim... (Estela)
Alete está andando. Alan, Kat e Estela seguem de longe. Alete vai até o lago, mergulha. Alan, Kat e Estela olham a água. Alete sai do outro lado. Olha para as pessoas, ninguém vê. Se aproxima de Beleno. Beleno se levanta.
Alete? (Beleno)
Alete tira um punhal do bolso, corre na direção de Beleno. Beleno segura o braço de Alete. Uma luz. Beleno ainda segura Alete, mas aparenta mais idade e está maior. Voa com Alete. Kat e Estela olham.
Beleno pegou Alete! (Kat)
Alan olha para Kat, Kat aponta para cima. Alan olha para Beleno e Alete.
Eu sabia que ele não era confiável! (Alan)
Mentiroso, foi você quem trouxe ele! (Estela)
Atira logo, droga! (Kat)
Alan atira e acerta a asa de Beleno. Caem.
Droga, eu não sei nadar! (Alan)
Kat entra correndo na água. Mergulha. Volta com Alete. Estela se aproxima e ajuda Kat a puxar Alete para a beira.
Banana! (Estela)
Eu também ajudei! Eu quem atirei! (Alan)
Tá respirando? (Estela)
Kat pega o pulso.
Normal. Precisamos levar pra MEAK. (Kat)
Manhã. Alete acorda. Vai até a sala, olha por trás da porta.
Deve ter caído no mar. (Alan)
Então morreu, aquela cachoeira... (Kat)
Atirou mesmo na asa? (Estela)
Tô falando que foi... (Alan)
Então morreu. (Derik)
Alete sorri.
Mas como vamos falar com Ang? (Kat)
Alete fecha a expressão.
Prédio abandonado. Beleno abre os olhos. Vê Beatrice. Levanta bruscamente.
Calma, eu não vou fazer nada. (Bea)
Você é uma vampira. (Beleno)
Eu sei. Não precisa jogar na cara. (Bea)
Vai querer bancar a boazinha? (Beleno)
Não acredita porque não tem um monte de pessoas dizendo que sou? Eu podia, não fosse minha burrice. Tem gente que chama de amor também. (Bea)
Não sei. Mas parece estar carregando um peso. (Beleno)
E você parece que não enxerga. Nem tudo que parece é. (Bea)
Beleno baixa a cabeça.
Você não enxerga mesmo... (Bea)
Não o que vocês enxergam. (Beleno)
Beleno vira para Beatrice.
Qual o peso? (Beleno)
Coisa demais pra anjos. (Bea)
Não sou um anjo. (Beleno)
É o que? (Bea)
Melhor você não ficar sabendo. (Beleno)
E esses olhos claros? (Bea)
São do meu pai, pelo que sei. (Beleno)
Tem asas também? (Bea)
Não. Ele é como você. (Beleno)
Beatrice engole seco.
Não quis te ofender. (Beleno)
Não é isso... (Bea)
Beatrice suspira.
Acho que conheço essa pessoa. (Bea)
Conhece? (Beleno)
Melhor você não conhecer, eu posso te levar até a família... (Bea)
Eu já fui até lá. Atiraram em mim. (Beleno)
Fizeram isso com a sua asa? Angely não deixaria isso... (Bea)
Vim aqui para matar ele. Quer dizer... Eu vinha pra matar meu pai... Mas... (Beleno)
Por isso disse que era melhor eu não saber... (Bea)
Beatrice balança a cabeça para os lados e se afasta.
Foi você que transformou em ossos... (Beatrice)
Eu... Foi... Engano... Eu não sabia que não era ruim... Achei que todos eram... (Beleno)
Vai terminar com isso? Vai me matar? (Beatrice)
Beleno olha diretamente nos olhos de Beatrice. Se aproxima.
Não vou te machucar. (Beleno)
Beleno beija Beatrice.
MEAK. Sol a pino.
Angely ainda não apareceu... (Mel)
Calma, Mel, não morre assim tão fácil... (Kat)
Mel olha para Angely na porta.
Quer me matar de preocupação?! (Mel)
Só impressão minha ou você tem falado essa frase muitas vezes ultimamente? (Derik)
Cadê Beleno? (Ang)
Como assim? (Alan)
É uma pergunta simples... Eu acho... (Ang)
Pois é, saiu e não voltou. Deve ter herdado essa mania. (Kat)
Alete pega papel e caneta no bolso, escreve e entrega a Angely:
Ele me atacou, Alan me defendeu.
Pégasos não atacam fênixs... (Ang)
Alete olha bruscamente na direção da porta da copa. Zenon aparece. Para. Fica olhando para Alete. Nat chega. Olha para Alete, então para Zenon.
Angely, leva ela daqui. (Nat)
Por quê? (Ang)
Leva agora! (Nat)
Ang pega Alete pela mão. Alete fica olhando para trás. Zenon dá um passo em direção a Alete, Mel segura pelo braço.
Você fica. (Mel)
Ah? (Zenon)
Sol, fogo, cinzas... Quer um seqüência mais detalhada? (Kat)
Estela vem da cozinha, esfregando o olho.
Que está boceja acontecendo? (Estela)
Vai todo mundo dormir, tá todo mundo com cara de sono aqui. (Mel)
As pessoas se entreolham.
Será que não me ouviram?! Vou ter que colocar vocês na cama e contar historinha?! (Mel)
Mel... (Zenon)
Ninguém faz nada aqui enquanto não tiver dormido. (Mel)
Mel cruza os braços. As pessoas sobem a escada. Mel sai.
Praça. Ang está em um banco, com a cabeça apoiada nas mãos. Alete está ao lado, de cabeça baixa. Mel se aproxima. Abaixa em frente a Ang. Passa a mão no cabelo de Ang. Ang tira as mãos da frente do rosto. Mel limpa uma lágrima de Ang.
Não fica assim, talvez tenha sido melhor. (Mel)
Não atacaria ninguém sem um motivo... Alguém deve ter feito alguma coisa... Talvez Edmont... (Ang)
Olha, agora temos que cuidar de Alete. Eu conheço quem tem as ilhas, talvez possa ajudar. (Mel)
Casa de Sandro. Escritório.
Não sei. Talvez seja difícil lidar com uma fênix, sabe, elas vão com qualquer vampiro que aparecer... Pode me colocar em perigo. (Sandro)
Sei que você pode cuidar. Tem segurança suficiente nessa casa pra não entrar ninguém. (Mel)
Sandro olha pela porta. Alete está em uma cadeira na sala. Olha para Mel.
Tudo bem. Mas só vou fazer isso porque é você quem tá pedindo. (Sandro)
Tarde. MEAK. Angely e Mel chegam.
Não sei, eu estranhei. (Ang)
Nossa, você desconfiando de alguém? Isso é sério... (Mel)
Não viu como falou no final? (Ang)
Sim, Sandro dá em cima de mim. Mas se eu deixei até Alan ficar aqui... (Mel)
Tenho receio de deixar Alete lá. (Ang)
Bom, Alete não vai fazer nada, por causa daquela história que Derik falou. Se Sandro se meter a besta, Alete taca fogo em Sandro. Mas Alete tem nosso contato, caso algo aconteça. (Mel)
Angely franze a testa.
Podemos tentar achar o corpo de Beleno, se você quiser. (Mel)
Angely sorri. Olha para Mel.
Não morreu. (Ang)
E como você... (Mel)
Mel arregala os olhos.
Edmont. (Mel)
Edmont está olhando Beatrice e Beleno, que dormem. Bate a porta. Beleno e Beatrice acordam.
Vai me jogar no mar também? (Edmont)
Edmont... (Bea)
Ah, não, isso foi seriado. E o casal original se amava. E tem aquela coisa estranha de humanos sobre sexo, possessividade. Podem trepar, eu não ligo. (Edmont)
Acha que eu preciso da sua autorização? (Beleno)
Eu não respondia desse jeito pra Modret, sabia? (Edmont)
Mas mandou matar Lisa. (Beleno)
Você não precisou fazer o mesmo, já que eu fiz o serviço antes de você aparecer. (Edmont)
Beleno vai na direção de Edmont. Edmont joga Beleno contra a parede. Vai de novo, mesmo resultado. Beatrice pula em Edmont pelas costas. Edmont joga Beatrice pela janela. Um grito.
Que pena. (Edmont)
Beleno avança mais uma vez, de novo vai contra a parede.
Não te disseram? Ninguém me derruba. (Edmont)
Isso não é verdade. (Ang)
Mas você não conta. Não é uma pessoa em específico. (Edmont)
Você que não é! (Beleno)
É mesmo, a criança tá sabendo de coisas demais! Parece que teremos que fazer uma queima de arquivo. (Edmont)
Você não vai tocar em Beleno. (Ang)
Tudo bem. Posso fazer sem tocar, atiro dois machados de longe, vai ser divertido. Está precisando que alguém corte as asinhas mesmo. (Edmont)
Beleno se levanta.
Tá falando disso?! (Beleno)
Beleno abre as asas. Sai por uma janela, entra por outra voando, pega Edmont e sai de novo pela janela. Angely cai no chão. Beatrice entra. Se abaixa perto de Angely.
Sai daqui... (Ang)
Não... Você me salvou... De novo... (Bea)
Vai tentar te pegar... quando voltar... Eu tô quase desmaiando... Sabe que volta... antes de m... (Ang)
Angely fecha os olhos. Beatrice mexe nos bolsos e acha o celular. Acha o contato da MEAK. Clica. Coloca o celular na orelha e espera.
Alô? (Mel)
Conhece o prédio abandonado de Ares? (Bea)
Quem é? (Mel)
Vem rápido se você quer que nosso anjo viva. (Bea)
Tá me ameaçando?! ### Alô? ### Alô?! (Mel)
Que foi? (Alan)
Alguém ameaçando... (Mel)
Te ameaçando? Andou roubando o namorado de alguém? (Zenon)
Olha minha cara de quem briga por isso... Disse que se eu quisesse que "nosso anjo" vivesse, era pra eu ir ao prédio abandonado em Ares... (Mel)
Deve ser mentira, Angely sabe se defender. (Alan)
Porque alguém chamaria Angely de "nosso anjo"? (Zenon)
Sei lá, mas é a única pessoa que eu conheço que alguém chamaria de anjo... (Alan)
Ou Beleno... Tem asas... Angely foi atrás de Beleno... (Mel)
Mel sai correndo.
Não era blefe, devia ser Beatrice. Angely protege Beatrice. (Zenon)
Edmont deve ter pego Angely. (Alan)
Zenon e Alan se levantam. Vão em direção a porta, Alan coloca o braço na frente de Zenon.
Monte de cinzas não faz nada. (Alan)
Então vai logo! (Zenon)
Alan sai. Nat desce a escada com Inês. Zenon olha para Nat.
Cadê o Derik? (Nat)
Pra que? (Alan)
Ela agora só quer comer com ele. (Nat)
Quanto tempo ela tem? (Alan)
Um mês e uma semana. (Nat)
Mas parece ter... (Alan)
Desligado! Ela tá com cara de cinco porque cresce quatro em um! (Zenon)
Zenon olha para Alan.
Peraí, o que você tá fazendo aqui ainda??? (Zenon)
Mel mandou eu voltar! (Alan)
Banana! (Zenon)
Até parece que você também não obedece! (Alan)
Ninguém vai responder minha pergunta? (Nat)
Vê lá em cima. (Zenon)
Derik desce a escada.
Que cara é essa? (Zenon)
Você já escutou "pode dar licença, a gente precisa falar a sós"? (Derik)
Bem feito! (Nat)
Por quê?! Que eu te fiz?! (Derik)
Acostumou ela mal, agora dá comida você! (Nat)
Nat entrega Inês para Derik e sai. Zenon e Alan sobem também.
Noite. Nat acorda. Levanta. Vai ao quarto de Zenon e Derik. Zenon e Alan estão falando. Vai ao quarto de Kat. Só Kat e Estela. Olha outros quartos. Pega o celular. Digita. Coloca na orelha e espera.
Mel, onde... ### No hospital? ### Mas ele tá bem? ### Ok, viu Derik? ### Tá, ‘brigada. (Nat)
Nat sai da MEAK. Vai na direção da ponte. Olha para trás. Solta os ombros. Volta. Se aproxima de Derik e Inês, que dormem na grama.
Que susto você me deu! (Nat)
Derik acorda bruscamente. Inês acorda também, começa a chorar.
Queria matar nós dois??? (Derik)
Derik se senta e pega Inês no colo.
Não chora, é só a criatura que tá te criando... (Derik)
Você está aqui fora com Inês, acha isso pouco?! Esqueceu do Edmont??? (Nat)
Se responder que sim, vai me deixar triste. (Edmont)
Derik levanta e congela com Inês no colo. Nat se coloca a frente.
Não vai levar ela enquanto eu estiver viva. (Nat)
Discurso mais usado, não dava para falar outra coisa? Isso tá mais batido que as frases de Angely. Falando nisso, cadê quem te protege dessa vez? (Edmont)
Você deve saber, tá ligado a ele pra desgraça do coitado. (Nat)
Beleno me fez o favor de mandar pro hospital. Doeu um pouco, mas ao menos eu posso fazer o que quiser... Até Angely chegar aqui e estragar a brincadeira, claro. Mas até lá, você já era. (Edmont)
Nat tenta dar um soco em Edmont. Edmont desvia o soco. Tenta chutar, Edmont se esquiva.
Adoro uma boa luta. (Edmont)
Derik, vai pra dentro com a Inês! (Nat)
Não percebeu que Derik nem consegue se mexer? Mais um pouco e para de respirar. (Edmont)
Nat tenta dar outro soco, Edmont segura sua mão, puxa Nat para si e morde. Tira os dentes e joga Nat no chão. Angely abre os olhos no hospital. Está com correntes. Inês olha para Edmont fixamente. Nat tira uma estaca da cintura, levanta e tenta cravar em Edmont. Edmont pega a estaca e crava em Nat pelas costas. Nat contrai o corpo e arregala os olhos. Cai de joelhos. Seu corpo cai para trás. Edmont vai até Derik e pega Inês no colo. Mel entra no quarto de Angely.
Que porra é essa?! (Mel)
Me solta, Edmont tá com Inês! (Ang)
Como... (Mel)
Mel vai até a cômoda e pega uma chave.
Não deixaria aqui, na cara, tem alguma coisa... (Mel)
Fez pra me provocar, achou que você não ia estar aqui, abre logo isso! (Ang)
Mel abre as correntes, liberta Angely, vai na direção da porta. Vira para trás. Angely não está mais na cama e a janela está aberta. Edmont olha para Derik. Nat se arrasta. Edmont olha para Nat. Balança a cabeça para os lados. Olha para Derik.
Nada? (Edmont)
Edmont encolhe e volta os ombros.
Tá, vou mesmo precisar de alguém pra cuidar de Inês. (Edmont)
Edmont pega o pulso de Derik. Asas. Inês não está mais nos braços de Edmont. Puxa Derik para sua frente.
Vai devolver meu brinquedo ou vai querer mais um cadáver aqui? (Edmont)
Kat, Estela, Alan e Zenon descem. Saem da casa.
Não, não, não, uma gracinha e o pescoço de Derik já era. Sabe que posso quebrar antes de você sair daí, né, Kat? (Edmont)
Edmont, eu vou com você, mas solta Derik, pelo amor de Deus! (Kat)
Amor de Deus? Acha mesmo que eu ligo pra isso? Só troco Derik pela criança. (Edmont)
Mas o que você quer com Inês?! (Kat)
Conto o que vou fazer e vocês impedem. Não sou prepotente assim. (Edmont)
Edmont se vira com Derik. Angely acabou de atravessar a ponte. Edmont solta Derik.
Ok, acabou a festa hoje, já entendi. (Edmont)
Edmont corre e pula no mar. Beleno desce com Inês. Kat abraça Derik. Se afasta. Chacoalha Derik.
Derik, sou eu, Kat... (Kat)
Derik olha nos olhos de Kat.
Que aconteceu? (Derik)
Kat abraça.
Não importa... Só importa que você tá bem... (Kat)
Derik afasta. Beija Kat.
Não quero bancar a chata, mas já que estamos todos inteiros, podemos entrar? (Estela)
Kat abraça Derik.
MEAK. Hall de entrada. Angely encostou-se na parede; Derik deitou no colo de Kat, estão no sofá; Estela perto de Alan; Zenon perto de Mel.
Então, como vamos resolver isso afinal? (Estela)
Bom, primeiro Inês. (Derik)
Não tava com Nat? Pode vol... (Kat)
Angely sai correndo. Todo mundo olha para a porta. Angely olha ao redor, fora da casa. Vai até a lateral. Nat está no chão. Angely abaixa perto de Nat.
Achei que tivesse entrado... Ou que fosse fazer algo para se regenerar... (Ang)
Não é tão simples assim. (Nat)
Por quê? (Ang)
Bom, todo mundo morre um dia, não é? (Nat)
Pára com isso, você não vai morrer... Ainda tem que cuidar de Inês, lembra? (Ang)
Inês... Inês... Agora o pacto vai pro espaço... Se eu tivesse lembrado disso, tinha lutado melhor. (Nat)
Não foi culpa sua, não ia derrubar Edmont. Mas não vai morrer só por isso, você é mais forte que isso. (Ang)
Eu precisava falar com você ainda, por isso não tinha arrancado isso... (Nat)
Nat arranca a estaca. Grita. O sangue de Nat começa a correr pela ferida aberta. Nat respira.
Tem um pégaso aí agora. Eles têm... instinto pra cuidar de... fênixs... ainda mais sendo a própria... irmã... (Nat)
Nat fecha os olhos e sua cabeça cai para o lado. Ang pega Nat no colo. Volta para dentro. Coloca Nat no sofá.
Angely, ela tá... (Zenon)
Eu sei. (Ang)
Peraí, ela não é humana, por quê... (Alan)
Nem todos os não-humanos são tão difíceis de matar. (Zenon)
Será que ela tinha família? (Estela)
Dia seguinte. Tarde. Quarto de Mel.
Quer mesmo se mudar? (Mel)
Assim que arranjar lugar. (Ang)
Não precisa fazer isso. (Mel)
Edmont vê tudo que vejo. (Ang)
E Inês? (Mel)
Talvez eu leve Inês e Beleno para morar comigo. (Ang)
Mas vai ficar aqui em Ilha, né? (Mel)
Claro. E, se precisarem de ajuda, é só me chamar. (Ang)
Dias depois. MEAK. Hall de entrada. Noite. Ang chega. Kat anda de um lado a outro.
Que houve? (Ang)
Derik sumiu. (Mel)
Ang olha para Kat.
Eu já devia ter imaginado. (Ang)
Já revoei tudo, nem um sinal. (Beleno)
Quem viu por último? (Ang)
Bom, ele disse "já sei" e saiu correndo. (Estela)
Já procuraram na casa inteira? (Ang)
Nem sinal. (Alan)
Zenon saiu pra procurar, eu espero que... (Kat)
Nada. (Zenon)
Ang cheira o ar.
Quem colocou o que pra cozinhar? (Ang)
Mel franze a sobrancelha.
Que eu saiba, não tem nada cozinhando. (Mel)
Derik vem da cozinha.
Gente... (Derik)
Kat corre e abraça Derik.
Não faz mais isso comigo! (Kat)
Isso o que?! (Derik)
Onde você tava?! (Mel)
Kat afasta.
Fui ao mercado comprar umas coisas. (Derik)
Não passou pela sala! (Kat)
Entrei pela cozinha. (Derik)
Pra me assustar?! (Kat)
Queria fazer uma surpresa... (Derik)
Por acaso é uma que vai queimar se você não for rápido a cozinha? (Mel)
Derik sai correndo. Fecha a porta da cozinha atrás de si.
Ninguém abre a porta, e fiquem esperando na sala! (Derik)
As pessoas se entreolham. Derik abre a porta da copa, que fica atrás do hall.
Como passou praí? (Zenon)
Pulando janelas. A gente devia ter uma porta entre a cozinha e a copa. Enfim, podem vir. (Derik)
Entram na copa. A mesa está posta.
Que isso? (Kat)
Comida. Pelo menos é o que eu espero que seja, já que essa era a intenção. Não vão sentar? (Derik)
Pra que tudo isso? (Beleno)
Pra comer. (Derik)
Mel encara Derik.
Um pedido de desculpas e um agradecimento. As desculpas é pelo cheiro que ficou na cozinha do que era para ser um bolo semana passada. E o agradecimento é por estar aqui. (Derik)
Então o segundo é com o Angely? (Estela)
Com todo mundo. Vocês quem trabalham, eu não faço nada, não sei lutar... Bom, enfim, já que eu não sei fazer nada mais... (Derik)
Não sabia que você sabia cozinhar. (Kat)
Isso quer dizer que vai aceitar o pedido de casamento? (Alan)
Isso.... (Kat)
A gente não tem idade pra isso ainda, Alan. (Derik)
Fez algum curso de culinária? (Zenon)
Na verdade sei cozinhar, costurar e outras coisas, aqui julgadas coisas de mulher, desde os sete anos. (Derik)
Como assim "aqui julgadas coisas de mulher"? (Estela)
É só pedir a lista pra Alan, tenho certeza que tem decorado. (Derik)
Ô, isso é injusto, tô tentando melhorar! (Alan)
Mel olha para Alan.
Juro, pergunta pro Derik! (Alan)
E aí, gente, já podem comer, juro que nada do que está sobre a mesa morde. (Derik)
Todo mundo se senta.
Algum tempo, algum lugar
Natasha morreu. (Xien)
Sim. Você quem matou? (Uehfo)
Eu já entendi. (Xien)
Tem certeza? Eu ia me divertir te sacaneando. (Uehfo)
A única certeza que tenho até agora é que não gosta de mim. (Xien)
Se eu te odiasse, te deixaria aqui sem rumo no limbo pra sempre. (Uehfo)
Pera, então morri! (Xien)
Nem todo mundo permanece morto. E nem todo mundo que vai pro limbo morreu. (Uehfo)
Como iam se virar com quase todo mundo sem treino? (Xien)
Uma pessoa com asas que come vampirs e uma que taca fogo nas pessoas seriam duas aquisições bem úteis. E alguém que cozinhe vai bem também. (Uehfo)
Derik cozinha bem. Disso eu lembro. Deu até água da boca agora. (Xien)
Seguir em frente então? (Uehfo)
Bora. Tô com uma vontade louca de comer de novo. (Xien)

Resumo do Capítulo

Derik e Mel conversam. Derik está mal por não ter dinheiro para dar presente a Kat. Derik comenta sobre não gostar na ideia de isca, e que Kat tinha sonhado algo e que não quis lhe contar. Mel vai atrás das pessoas. Encontra Kat, Estela, Zenon e Alan discutindo sobre o atraso, que Kat chegou a tomar uma mordida. Briga com Alan e Zenon. Vão para a MEAK. Kat insiste que não sonhou nada de importante. Derik queima um bolo que fazia. É aniversário de Kat e Angely. Beatrice dá um relógio de presente a Edmont. Edmont não lembrava, e diz que prefere comemorar a data que se transformou. Em uma comparação com Lisa, Beatrice diz a Edmont que Lisa foi atrás do que queria. Edmont diz que está se contentando com Beatrice enquanto não pode ter o que quer. Etos cobra de Sandro, que tem as ilhas, a dívida que nem juros estão sendo pagos. Angely fala com Dínamis, que lhe diz para ir ao ginásio e que não se preocupe com o que houve, que fez um feitiço e todo mundo esqueceu. Vai ao ginásio e há uma festa. Derik conta que existe uma tradição de fazer uma festa no primeiro aniversário de quem ensina na escola. Alice vê uma pessoa com capuz andando no corredor. Pisa no capuz por acidente, corre ao ginásio e fala sobre um monstro. Kat, Estela e Derik vão procurar. Chegam em casa mais tarde com Angely. Estela vai chamar Mel, encontra Alan quase beijando Mel. Vai para a cozinha, Kat segue. Alan aparece. Tentou beijar Mel, mas Mel impediu. Derik explica a Alan sobre porque não deveria tentar beijar uma pessoa do nada. Angely vai até a cozinha. Estela está com raiva de Mel, Angely explica o que houve. Alan chega, apenas tendo ouvido que Estela gosta de alguém, e Estela diz que Alan já devia ter percebido. Kat e Mel falam sobre o que houve na escola. Falam também sobre o sistema de ensino, que a ideia de mudar para a forma como conheciam era de Dínamis. Mel fala com Angely, que não sabia das especializações de Angely (docente) e Edmont (medicina). Zenon pede que Derik procure o pássaro. A coisa pega Xisto, deixando apenas ossos. Alete fala a Angely que foi pégaso. Angely leva Alete em casa. Volta de manhã, Mel briga por isso. Alete vai até a MEAK e pede um quarto. Mel não deixa que pague. Kat, Angely e Derik falam sobre o pássaro, Xisto e o que Alete disse. Com Estela, vão para a escola, mas voltam, pois a escola está de luto. Alan aparece com Beleno, a criatura alada. Zenon se assusta, mas Mel pára Zenon. Beleno explica que está procurando que lhe fez vir ao mundo, que é vampir. Explica que pretende matar e que se alimenta de vampirs. Alete lhe ataca, Beleno diz que não pretendia pegar Xisto. Mel vê a cor dos olhos de Beleno, juntando ao fato de que Angely estava com Xisto, deduz que é de Edmont. Leva Angely para a biblioteca. Derik descobre que Beleno é da mesma gravidez que Inês, que surgiu porque Edmont de alguma forma assustou Inês, e que pode acelerar o próprio crescimento. Mel chama Natasha para explicar porque não contou de Beleno. Brigam. Angely volta a biblioteca e encontra Beleno. Beleno tenta ler seus pensamentos, desmaia. Quando acorda, conta a Angely que desmaiou porque Angely tem uma mente muito confusa. Natasha se oferece para proteger Alete. Conta a Derik que, caso matasse Edmont, Beleno morreria. Mel, Angely, Zenon e Alan falam snobre o que fazer a respeito de Beleno. Angely vai embora, por se dar conta de que Edmont saberia da conversa. Alete vai ao quarto de Beleno com uma faca, mas não encontra. Estela, Kat e Beleno saíram. Na volta, el diz a Beleno que também tem que avisar quando sair. Manda Kat, Estela e Alan atrás de Alete, que sumiu. Seguindo, acham Alete, mas Alete atravessa o lago, fazendo-se perder de vista. Do outro lado, ataca Beleno. Beleno cresce novamente, usando Alete, e voa. Acham que Beleno atacou Alete, e Alan atira na asa de Beleno. No dia seguinte, as pessoas pensam em como contar a Angely, enquanto Beleno acorda no prédio abandonado: Beatrice lhe salvou. Beatrice percebe que é cria de Edmont e que foi quem pegou Xisto, mas Beleno diz que não vai machucar Beatrice, e beija Beatrice. Na MEAK, Angely chega. Alete diz que Beleno atacou, e Alan defendeu. Angely tira Alete dali porque Zenon chega e ficam hipnotizados. Mel manda todo mundo ir dormir, dizendo que está todo mundo com cansaço, para ir atrás de Angely. Encontra Angely chorando. Fala pra precisam cuidar de Alete e decide falar com Sandro para ajudar. Sandro concorda e Angely desconfia de Sandro. Então fica feliz e diz a Mel que Beleno não morreu. Edmont encontra Beleno e Beatrice dormindo. Provoca Beleno, que tenta lhe atacar em vão. Beatrice lhe ataca, Edmont joga pela janela. Beleno tenta atacar de novo. Angely chega. Edmont fala em matar Beleno, Beleno pega Edmont e voa pela janela. Edmont vira pó. Beatrice chega e liga para a MEAK. Mel sai, manda Alan ficar. Leva Angely ao hospital. Derik adormece no jardim da MEAK com Inês. Nat aparece, Edmont também. Nat tenta lutar com Edmont. Derik congela. Edmont crava a estaca nas costas de Nat. Beleno pega Inês, Edmont faz Derik de refém. Kat, Estela, Zenon e Alan aparecem. Edmont tenta trocar Derik por Inês. Angely aparece. Edmont foge. Angely acha Nat morrendo. Nat arranca a estaca. Diz a Angely que Beleno pode cuidar de Inês. Morre. No dia seguinte, Mel diz a Angely que vai se mudar, e que talvez leve Beleno e Inês. Derik faz um almoço para as pessoas, para se desculpar pelo bolo e agradecer por estar ali.

Dara Keon