O que vem fácil
MEAK
B07

O que vem fácil ler resumo

Varanda da MEAK. Manhã. Angely sentou-se no banco e olha para o horizonte.
Que foi? (Mel)
Tava pensando na Saturn. (Ang)
Por quê? (Mel)
Nosso sucesso. Foi uma coisa quase inacreditável. Não precisamos de muito tempo, nem sequer lutamos muito pra subir. Foi simplesmente inexplicável. (Ang)
E porque estava pensando nisso agora? (Mel)
Eu e Edmont sempre tivemos tudo muito fácil. Lá era explicável, não existe a desigualdade daqui. Mas chegamos aqui e Júlio nos adotou, sem questionar. (Ang)
Acho que Júlio sabia sobre Agatha. (Mel)
Será? (Ang)
"Vocês vieram em uma nave espacial, então vou botar vocês pra dormir no quarto com a minha criança, só podem ser criancinhas inocentes mesmo!". Parece razoável? (Mel)
Tem razão. (Ang)
E aí, depois que cresceram, veio Saturn, do jeito que veio. (Mel)
Quando acordei, temos esse ouro. (Ang)
Foi do dinheiro que tínhamos lá. Trocamos por ouro, não sabíamos em que tempo cairíamos. Já te contaram da gárgu... (Mel)
Agora Edmont simplesmente pega o que, como e quando quer. (Ang)
A culpa não é sua. (Mel)
Meu emprego é outro exemplo. Já você... Quando caiu na Terra, você devia ter caído perto da gente. (Ang)
Mas minha sorte tava invertida da de vocês. Fiquei vagando por aí, fugindo de tudo que podia, sendo hacker e outras coisas. (Mel)
Ang franze a sobrancelha.
Outras coisas? (Ang)
Bom, cheguei a assaltar uma loja de jóias. Pedi emprego e a pessoa me disse que se me comesse me contratava. (Mel)
Ang olha para baixo. Olha para Mel.
Nós nunca precisamos de nada disso. Será que algum dia a conta vai vir? (Ang)
Talvez pra Edmont, que fez coisas erradas. Não devia estar na escola? (Mel)
Dínamis disse que acha melhor eu ficar só com o pessoal da tarde. (Ang)
Não é o horário do primário? (Mel)
Sim. (Ang)
Bom, acho que sua sorte acabou. E a casa? (Mel)
Não encontrei ainda. (Ang)
Já procurou na vila? (Mel)
Ainda não. Será que tem alguma casa vaga? (Ang)
Só vai saber se procurar. Não que eu esteja te expulsando, sabe que, por mim... (Mel)
Eu sei. (Ang)
Bom, deixa eu ir. Tenho umas coisas pra resolver na cidade. (Mel)
Problemas? (Ang)
Não, coisa minha. (Mel)
Sol a pino. Ang está na sala, Zenon vem das escadas.
Viu Alan? (Ang)
Mel saiu? (Zenon)
Sim. (Ang)
Ele tá cismado que ela anda se encontrando com alguém. (Zenon)
Qual o problema? (Ang)
Essa parte ele não me respondeu. (Zenon)
Estela passa pela sala, vai para a cozinha. Anda rápido e com o rosto meio contraído. Angely segue. Estela bate a porta da geladeira.
Alguma coisa com errada? (Angely)
Um frango mal morto que não devia ter saído andando! (Estela)
Estela sai, andando rápido. Zenon entra, desviando de Estela.
Do que tava falando? (Ang)
Bom, ela tava procurando um sanduíche agora pouco. (Zenon)
Nem vi o tempo passar, me atrasei... (Ang)
Angely pega uma bolsa sobre a mesa e sai. Kat está na cama, deitou-se e olha um livro.
Que tá estudando? (Derik)
Classificação de sujeito. (Kat)
Eu ia perguntar se podia ajudar. (Derik)
Pode sim. (Kat)
Derik franze a sobrancelha. Kat senta, estende o livro a Derik.
Você me pergunta e eu respondo. A resposta tá no fim do livro. (Kat)
Derik pega o livro.
Pegaram meu sanduíche! (Estela)
Essa é sujeito indeterminado. (Kat)
Não, sujeito morto! (Estela)
Não fui eu! (Derik)
Não, foi o Zenon que resolveu mudar a dieta! (Estela)
Pode ter sido outra pessoa! (Derik)
Mel e Alan estão fora e Ang não faz esse tipo de coisa. (Estela)
Nem pense em me acusar. (Kat)
Você não gosta de alface. (Estela)
Também tem Beleno aí, sabia? (Derik)
Aquele que só come folhas e alguns vampiros em ocasiões especiais? (Estela)
Bom, gosta de alface... (Derik)
Estela encara Derik.
Eu tava com fome, você não voou a noite toda! E o frango tá lá ainda! Eu não comeria frango! (Derik)
É, realmente, seria quase canibalismo... Pera, acha que eu vou comer só frango?! Sou um animal onívoro, não carnívoro! (Estela)
Ixi, não vem misturar Biologia aqui, não! (Kat)
Vai fazer outro! (Estela)
Tô ajudando Kat a estudar. (Derik)
Kat pega o livro da mão de Derik.
Ei! (Derik)
Você fez, você conserta, não me usa de desculpa. Sabe que odeio isso. (Kat)
Derik bufa. Sai. Chega na cozinha e abre a geladeira.
É, frango, vou ter que te arranjar uma nova casa. Mas nem se empolga que agora você vai entrar na dança junto. (Derik)
Pega um prato com um pedaço de frango e coloca sobre a mesa. Vai até uma fruteira e pega uma alface. Barulho da geladeira abrindo e batendo.
Tá, Estela, eu sei que ficou com raiva, mas eu já vou fazer... (Derik)
Derik olha para a cadeira. Um corpo de frango, como se tivesse se sentado.
Olha, não fui eu quem pegou seu pedaço, se for exigir, vai ter que pedir para Estela, né, Estela? (Derik)
Derik cruza os braços. Descruza. Pega o frango e coloca no freezer. Vai até a porta, a maçaneta não vira. Vai até a janela. Não abre.
Isso tá ficando sem graça! (Derik)
Vá buscar meu ouro! (Martim)
Janelas e porta abrem e fecham, batendo. Derik se encolhe. Se aproxima da porta, abre, corre. Sobe as escadas. Dá um encontrão em Beleno no corredor.
Mas que diabos??? (Beleno)
É Leo, Leo voltou, Leo taquí! (Derik)
Kat sai no corredor. Estela vem atrás.
Voltou pra me pegar, voltou pra... (Derik)
Derik pega nos braços de Kat. Kat empurra Derik e dá um tapa. Pega pela mão, leva para dentro do quarto e tranca a porta.
Agora respira e diz o que aconteceu. (Kat)
Eu tava na cozinha e daí o frango sentou na cadeira e janelas e portas queriam me morder... (Derik)
Precisa de outro tapa? (Kat)
Não. (Derik)
Então explica direito. (Kat)
Isso é teatro pra não me fazer outro sanduíche! (Estela)
Derik abre a porta, sai e pega nos braços de Estela.
Você não entende??? Leo voltou, quer me pegar! Pode querer se vingar de Kat também! Pode querer se vingar de todo mundo! (Derik)
Zenon chega e puxa Derik para sua frente.
Calma, nós estamos aqui, ele não vai te pegar! (Zenon)
Se tentar, vai se ver comigo! (Kat)
Quem é Leo? (Beleno)
Conhece algum espírita? (Estela)
Mel sai de um prédio. Vai até Alan. Pega o jornal de Alan, vira e entrega de volta. Alan pega e fecha o jornal.
Bem que percebi que tinha algo errado. (Alan)
Ontem mandou Derik vasculhar a Ilha em busca de encrencas. (Mel)
Você saiu e não voltou, achei que fosse isso. (Alan)
Não te passa pela cabeça que eu posso ter uma vida pessoal? (Mel)
Não fala de ninguém. (Alan)
E quem disse que eu preciso falar? Ou que tenha que ser alguém específico? (Mel)
Mas como você, logo você, uma pessoa tão séria pode... (Alan)
Não gosto de compromissos. (Mel)
Por que não procura pelo menos alguém que você conheça melhor??? (Alan)
Quer dizer alguém que talvez vá sentir algo por mim? Desculpe, não quero me envolver. (Mel)
Já tentou alguma vez??? (Alan)
Não te interessa. (Mel)
Alan fica em silêncio.
Já terminou? (Mel)
E se a pessoa não quisesse envolvimento? (Alan)
Você noivou com a primeira pessoa com quem foi pra cama. (Mel)
Não foi a primeira, quando eu tinha quatorze meu pai me levou num... (Alan)
Mel encara Alan.
Tá, essa vez não conta. (Alan)
Quantos anos você tinha quando conheceu Helena? (Mel)
Dezesseis. (Alan)
E Helena? (Mel)
Vinte e um. (Alan)
Devia procurar alguém da sua idade. (Mel)
Não posso nem tentar?! (Alan)
Já ouvi essa frase uma vez. De alguém que já tinha engravidado três pessoas, e nasceram seis crianças. (Mel)
Não engravidei ninguém! (Alan)
Adivinha? Na época não sabia e, algum tempo depois, eu também tinha engravidado. (Mel)
Ah, claro, quem sabe a prostituta não engravidou, eu tenho uma filha de cinco anos e não sei! (Alan)
Se você já pode ter uma ereção, já pode engravidar alguém. (Mel)
Alan ri. Mel cruza os braços. Alan fecha a expressão.
Cê não tá falando sério, tá? (Alan)
Mel revira os olhos e sai andando.
MEAK. Tarde. Zenon anda de um lado para outro.
Que foi? (Alan)
Tô esperando a Mel. (Zenon)
Não adianta se iludir com ela, parece que prefere desconhecidos. (Alan)
Do que você tá falando? (Zenon)
Alan coloca a mão no ombro de Zenon.
É isso mesmo, amigo, ela não quer se envolver com ninguém. (Alan)
Quê?! (Zenon)
Acho que isso é comportamento de prostituta, mas... (Alan)
Alan vê uma mão em seu ombro, vira e toma um soco, indo para trás.
Por que fez isso??? Tá treinando pra ser a Mel?! Nunca me disseram que força de soco era hereditária!!! (Alan)
É só pra te lembrar que você não tem nada a ver com a vida de Mel. (Kat)
Eu só tava avisando Zenon porque ela tá iludindo ele! (Alan)
Tava esperando ela porque Derik disse que tem um fantasma aqui. (Zenon)
Alan olha para Zenon.
Sério? (Alan)
Kat dá um chute entre as pernas de Alan. Alan cai no chão.
Mel não ilude ninguém, se não quer, fala. (Kat)
Derik chega com um diversas de cruzes.
Eu já te fiz alguma coisa errada? (Zenon)
Não, isso é pra Leo! (Derik)
Fantasma não tem nada contra cruz... Tem? (Kat)
Pra ter voltado Leo só pode ter feito pacto com... (Derik)
Derik olha para Alan e arregala os olhos.
É possessão??? (Derik)
Sim, por uma dor que não desejo nem pro meu pior inimigo. (Zenon)
Foi Leo??? (Derik)
Que aconteceu??? (Estela)
Estela vai até Alan e ajuda a ir até o sofá.
Fui eu. (Kat)
Por quê?! (Estela)
Ele tomou um fora da Mel e tava chamando ela de prostituta por causa disso. (Zenon)
Não foi isso que aconteceu! (Alan)
Então foi o que? (Estela)
Alan faz silêncio.
Cachorro. (Estela)
Ei, eu viro cachorro e não faço uma coisa dessas! (Derik)
Juro que imaginei um cachorro xingando o outro dizendo "seu alan!". (Estela)
Meu Deus do céu, é contagioso. (Derik)
20:00. Alan está em sua cama. Zenon chega e pega uma capa.
Vai sair? (Alan)
Zenon olha para Alan.
Tá, não precisa agir assim comigo, eu achei mesmo que ela tava te enganando. (Alan)
Zenon veste a capa.
Não vou falar mais nada dela! (Alan)
Você tentou beijar a pessoa, ela não quis. Aí você diz que quer ser melhor que isso e começa a seguir a pessoa pela cidade, e ainda falar merda dela. Me diz uma coisa, como você tem coragem de morar aqui ainda?! (Zenon)
Zenon sai. Alan senta na cama. Levanta. Vai até o quarto de Mel. A porta está aberta.
Mel, eu queria pedir desculpa. (Alan)
Alan entra no quarto. Angely chega na porta, franze a sobrancelha.
Sabe, eu sei que não devia ter te chamado de... (Alan)
Mel não taí, não. (Ang)
Alan puxa o lençol. Dois travesseiros.
Pra que isso? (Alan)
Pra me enganar que não era. (Ang)
Te falaram o que eu fiz? (Alan)
Disfarçando com jornal de ponta-cabeça? É, Mel me contou. (Ang)
Eu vou atrás dela. (Alan)
Pra te dar outra bronca? (Ang)
Alan volta para seu quarto. Deita-se na cama. Olha para o rádio-relógio. O rádio-relógio começa a flutuar. Alan se senta na cama. Levanta e corre até a porta. Tenta abrir a porta, mas está trancada.
Alguém me ajuda! (Alan)
Vá buscar meu ouro! (Martim)
A porta abre. Alan sai correndo. Encontra Estela no quarto, na cama, lendo uma revista de ciências.
Tá no meu quarto, tá no meu quarto! (Alan)
Que foi, encontrou uma barata? (Estela)
É o fantasma! (Alan)
Da barata? (Estela)
Alan joga a revista no chão.
Ei! (Estela)
Aquele fantasma que atacou o Derik tá no meu quarto! (Alan)
E ele disse alguma coisa??? (Estela)
Disse. (Alan)
Alan se senta na cama.
Mas não sei o que foi. (Alan)
Beleza. (Estela)
Deve ter dito pro Derik também. (Alan)
Alan e Estela vão ao quarto de Derik. Derik está na cama, Kat está de lado, com o corpo sobre o de Derik. Kat se senta.
Estamos interrompendo? (Alan)
É, a gente tava trepando. Com roupa, a porta aberta e comigo de lado, é que a minha... (Kat)
Não, não estão. (Derik)
Não posso mais falar grosseria pra Alan? (Kat)
Não é isso, é que pode ser importante. (Derik)
Sim, é sobre o fantasma. (Estela)
Ele te disse alguma coisa? (Alan)
Sei lá, eu tava com medo demais pra saber. (Derik)
Bananas... (Estela)
Derik baixa a cabeça.
Não liga, quem tem que gostar de você sou eu. (Kat)
Desculpa, não quis chatear. (Estela)
Melhor usarmos gravadores, assim saberemos se ele disser algo. (Alan)
E você vai lembrar de colocar pra gravar? (Estela)
Acho que não. (Alan)
Então temos que falar com Mel. (Kat)
Eu queria pedir desculpas por... (Alan)
Tudo bem, é só eu contar o que você falou e Mel te bater que tá tudo limpo. (Kat)
Kat sai. Estela segue.
Ela não tava falando sério, tava? (Alan)
Derik sai.
Ares. Mel está em uma mesa. Zenon se senta.
Oi. (Mel)
Não leve a mal, não tava mesmo te seguindo, só queria te pedir um favor. (Zenon)
Fale. (Mel)
Derik acha que o fantasma é o Leo, e que veio do inferno. (Zenon)
E daí? (Mel)
E daí que ele acha que cruzes espantariam o fantasma. (Zenon)
Entendi. Quer que eu fale com Derik? (Mel)
Pra que outra pessoa eu pediria? (Zenon)
Bom, agora temos que encontrar alguém pra tirar fantasma de lá. (Mel)
Claro. Isso resolveria o problema das cruzes. (Zenon)
Alguém já te disse que existem outras pessoas com problemas no mundo? (Mel)
Orelhão. Anoitecer.
Então, vocês resolvem problemas com fantasmas? ### Certo, e quanto sai? ### Como assim, depende do que estamos tentando proteger? Tô tentando proteger minha casa, é lá que está. ### Tá, depois acertamos o preço. ### Sabe o casarão da Ilha... ### Seus concorrentes?! Mas nós não resolvemos problemas de fantasma! ### Sociedade? Depois discutimos isso, podem ou não... ### Tá, meia hora. Até logo. (Mel)
Mel desliga.
"Sociedade"? (Zenon)
Disseram que querem sociedade conosco, porque não têm tido muitos negócios ultimamente. (Mel)
E vai aceitar? (Zenon)
Deixa comigo, sei enrolar gente que se acha esperta. (Mel)
Noite. MEAK. Lado de fora.
Então quer dizer que teremos que ficar aqui fora até tirarem essa coisa? (Kat)
Peraí, e se eles levaram até amanhã??? (Zenon)
Ficaremos aqui até amanhã. (Alan)
Vocês e minhas cinzas! (Zenon)
A garota que Alan ajudou pode te abrigar. (Estela)
Já não pediram pra abrigar Inês? Além do que, vai ficar estranho pedir "Olha, Zenon poderia ficar aqui durante o dia? É que tem alergia a sol!" (Mel)
Podemos todo mundo passar a noite no hotel. (Ang)
Hotel. Ang está olhando pela janela. Franze a sobrancelha. Sai do quarto, desce as escadas. Sai pela saída de emergência.
Não posso aceitar isso. (Bea)
Beatrice entrega uma mochila para Angely.
Por quê? (Ang)
Não é dinheiro só seu e, mesmo que fosse... (Bea)
Não vai fazer falta. (Ang)
Eu sei. (Bea)
Fique com isso. Pra arranjar um lugar pra ficar. Sei onde anda vivendo. (Ang)
Prefere o que? Que volte pra Edmont? (Bea)
Leve isso. Vai te ajudar, até arrumar emprego. (Ang)
Do que? Prostituta? É a única coisa que sei fazer. (Bea)
Você também sabe lutar... (Ang)
Posso chegar em MEAK e dizer "ei, tem vaga?"... Ah, esqueci, Mel enfiaria uma estaca em mim antes de eu terminar a frase. (Bea)
Pode pedir uma vaga no cemitério. (Ang)
Daí é o outro lado que me mata. (Bea)
Você pode fazer alguma coisa, sei disso. (Ang)
Por que estão nesse hotel? (Bea)
Fantasma. Mel contratou umas pessoas pra tirarem de lá. (Ang)
Bom, não me surpreende, escolheram um lugar que, pelo que dizem, era onde faziam a festa. Mas por que vocês não... (Bea)
Mel ficou com medo de Kat querer resolver. (Ang)
Deixa eu ir, ver se você tem razão. (Bea)
E onde vai procurar? (Ang)
Lugares noturnos, eu acho. (Bea)
Beatrice se vira. Ang segura seu braço. Beatrice vira de volta. Angely estende a mochila. Beatrice revira os olhos, pega a mochila e coloca nas costas.
MEAK. Beatrice chega com a mochila e um livro embaixo do braço.
Ok, vamos falar com um fantasma agora. (Bea)
Duas pessoas passam correndo por Beatrice. Uma chega a olhar para trás, mas continua correndo.
Acho que não vão receber. (Bea)
Beatrice entra na casa. Voa uma garrafa de café em sua direção. Beatrice desvia.
Quem mora aqui não vai gostar dessa bagunça, sabia? (Bea)
Vá buscar meu ouro! (Martim)
Quanta educação. Esqueceu do "por favor". (Bea)
Eu não peço, eu mando! (Martim)
Não só tem educação, como também é humilde. (Bea)
Não quero conversar. Quero meu ouro! (Martim)
Eu quero que uma certa pessoa me ame, não podemos ter tudo. (Bea)
Sou um fantasma e posso matar todo mundo! (Martim)
E eu posso te expulsar daqui. Com essa ganância, vai direto pro inferno. (Bea)
Está blefando... (Martim)
Não tô, não. Posso te expulsar ou podemos entrar num acordo. (Bea)
Sou um fantasma, não faço acordos! (Martim)
Então será expulsão. (Bea)
Beatrice tira um amuleto do bolso e amarra no pulso. Abre o livro. A garrafa de café vem de novo, mas dessa vez cai ao chegar perto.
Desculpa, mas isso não funciona. Agora, qual era mesmo a página... (Bea)
NÃO! Qual o acordo? (Martim)
Bom, eu ia propor te dar o que você quer e você vai embora, mas agora que já não aceitou, vai ter que ir embora sem o que quer mesmo. (Bea)
Eu quem fui roubado aqui! Tenho direito de reenvidicar de volta o que era meu! (Martim)
Era, disse bem. Ninguém aqui rouba. Bom, não foi o que aconteceu nesse caso. (Bea)
Beatrice folheia o livro. Franze a sobrancelha.
Oi? Ainda tá aí? (Bea)
Beatrice fecha o livro.
Parece que foi mais fácil do que imaginei. Já sabe se voltar... (Bea)
Beatrice levanta o pulso.
Hotel.
Eles não vão sair de lá! (Camilo)
Como assim? (Mel)
Nunca! São invencíveis! (Ricardo)
E são milhões! (Camilo)
Mel olha para as malas.
Precisa de tudo isso pra se livrar de fantasma? (Mel)
Não, isso é nossa bagagem. (Camilo)
Vamos embora da Ilha e recomendamos que façam o mesmo. (Ricardo)
Camilo e Ricardo pegam as malas e saem do hotel.
Ok, será que teremos que procurar alguma autoridade religiosa? Por que mais parece que tavam falando de outra coisa. (Mel)
Não deve ser Leo. (Ang)
Ou trouxe todas as amizades que encontrou no mundo. (Mel)
Teria vindo pro hotel, atrás de Kat. (Ang)
Pode ser que esteja esperando e, se não voltar, vem aqui. (Mel)
Não precisa ficar... (Ang)
Avisa o resto do pessoal, te encontro na biblioteca. (Mel)
Mel... (Ang)
Mel sai. Ang olha para o elevador. Olha para a saída. Sai. Olha para Mel. Mel olha para trás. Angely corre até Mel.
Porque simplesmente não conversamos? (Ang)
Com todo mundo? (Mel)
Sei lá, que sejam muitas almas. Não ajudamos pessoas? Por que não podemos ajudar a irem em paz? (Ang)
E vamos. Com um livro e um bom feitiço sai todo mundo de lá. (Mel)
Mel... (Ang)
Mel revira os olhos.
Não adianta insistir, não vai conseguir me dissuadir. O que pode fazer é vir comigo e escolher o mais ameno, porque, se depender de mim, mando pro inferno de qualquer jeito. (Mel)
Madrugada. Biblioteca.
Estamos fechando, só tem uma garota devolvendo um livro aqui... (Lis)
Fizemos um cadastro, em nome da agência, a gente... (Mel)
A MEAK? (Lis)
Sim. (Mel)
Sinto muito, estou mesmo muito cansada pra ficar aqui, só se vocês conseguirem chamar os outros dois. O telefone deles é esse aqui. (Lis)
Lis entrega um cartão a Mel. Mel pega o celular. Digita. Coloca o telefone no ouvido. Espera. Solta os ombros. Desliga. Guarda o celular.
Devem ter saído. (Lis)
Não pode mesmo ficar aqui? (Mel)
Sinto muito, tenho mesmo que ir. Meu namorado está esperando. (Lis)
Vocês por aqui... (Bea)
Não tinha mais o que fazer e resolveu ler um pouquinho? (Mel)
Se é por causa da casa, já foram embora. (Bea)
Se tivessem me dito que era sobre fantasmas... (Lis)
Não sabíamos que conhecia esse tipo de coisa. (Ang)
Nós três que trabalhamos aqui conhecemos isso. Quando quiserem algo do tipo, é só falar. (Lis)
Edmont mandou você se livrar por quê? (Mel)
Olha para Angely.
E você, porque não me contou logo? (Mel)
Mas eu... (Ang)
Não foi Edmont que mandou eu fazer isso. Fiz porque Angely já me salvou várias vezes. (Bea)
E quanto vai cobrar? (Mel)
Mel! (Ang)
Bea revira os olhos e sai.
Beatrice estava ajudando. (Ang)
A última vez que ajudou, foi um acordo que fizemos. (Mel)
Do que você tem medo? (Ang)
Mel encara Angely. Do lado de fora, Beatrice sai. Edmont puxa Beatrice e coloca contra a parede.
Que esperava, que te oferecesse um quarto? (Edmont)
Essa é a parte em que você me mata? (Bea)
Edmont passa a mão no rosto de Beatrice.
Não entendeu ainda que você não é do lado da MEAK? Você é como eu. Dessa vez vou te perdoar. Vamos voltar pra casa... (Edmont)
Que casa?! Alguma que você matou alguém pra ter??? (Bea)
Angely alugou. Tá me controlando. (Edmont)
Duvido. (Bea)
Se fosse mentira, já tinha saído aqui e dito isso. Você sabe que sabemos, essa coisa agora é praticamente em tempo real. Vem comigo, eu vou cuidar de você. (Edmont)
Como vou saber que não vai me maltratar de novo? (Bea)
Já te dei essa resposta. (Edmont)
Mas se você não faz isso só porque Angely está olhando... (Bea)
Eu já entendi que não vai mais aceitar minhas grosserias. (Edmont)
Edmont beija Beatrice. Sai, levando Beatrice pela mão. Angely sai com Mel.
Eu não confio. (Mel)
Não teria motivos para mentir. (Ang)
Sem contar o principal? O que é? (Mel)
Edmont e Beatrice entram em um apartamento. Edmont puxa Beatrice, Beatrice se afasta.
Que foi? (Edmont)
Anda se alimentando do que? (Bea)
Normalmente vento, ou às vezes Angely deixa eu pegar algo vivo. (Edmont)
Seu corpo não tá frio. (Bea)
Porque fiz uma visita a delegacia e tinha alguém fugindo. (Edmont)
Angely deixou? (Bea)
Quer parar de falar de Angely? Já tá me irritando. (Edmont)
Não tô com vontade de fazer nada. (Bea)
Sabe o que é isso? (Edmont)
Edmont se aproxima de Beatrice e abraça.
Fome. Eu vou ver se arranjo algo pra você. (Edmont)
E o que seria? (Bea)
Bom, você não quer mais gente, vejo se arranjo um bicho qualquer. (Edmont)
Está matando animais? (Bea)
Edmont revira os olhos. Afasta de Beatrice.
Não precisa matar. (Edmont)
Edmont sai do quarto.
Por essa você me paga, Angely. (Edmont)
Não queria Beatrice? (Ang)
Posso arranjar outra pessoa. Posso ver se Henrique está tendo crises de consciência também. (Edmont)
Sei que prefere e foi você quem fez ficar dependente desse jeito. Estava se encontrando, conseguiu viver longe de você, mas você desviou de volta. (Ang)
Estava se era arrependendo, só devolvi o rumo. (Edmont)
Poderia estar caçando os bichos se você não tivesse feito o que fez. (Ang)
Dentro do quarto, Beatrice olha ao redor. Abaixa para sentar, a cadeira se move. Olha para os lados. Pega a cadeira. Move-se de novo.
Meu ouro. (Martim)
Então, não vou sentar enquanto não te arranjar o que você quer? (Bea)
Tem um orfanato aí na frente. Crianças não sabem como fugir de incêndio, ficam apavoradas, sabia? (Martim)
São gado pra mim, porque me importaria? (Bea)
Você não me engana. Foi tentar me expulsar daquela casa porque? (Martim)
Interesse. Viu uma pessoa parecida com... (Bea)
Aquele anjo? Nem consigo aparecer perto dele, ou me mover, por quê você poderia? (Martim)
Porque eu não morri? (Bea)
Não se importa mesmo com as crianças? (Martim)
Vai fazer o que? Tirar as cadeiras delas? (Bea)
Silêncio.
Fantasma? (Bea)
Beatrice vai até a janela. Arregala os olhos. Sai pela janela, desce até a rua. Vai para a lateral do prédio. Pula e sobe a escada de emergência. Entra por uma janela. Camas. Crianças acordam. Gritam. Beatrice corre até o extintor, tira da parede. Quebra a alavanca. Vai até o corredor, pega outro, destrava, vai até a labareda e apaga. As crianças se encolhem. Duas pessoas adultas entram. Beatrice sai pela janela. Desce na lateral do prédio novamente.
Meu ouro. (Martim)
Duas horas depois, Beatrice entra no apartamento. Edmont está na cama. Há animal no canto do quarto, deitou-se.
Onde foi? (Edmont)
Tomar ar. (Bea)
Edmont levanta e vai até Beatrice. Toca seu rosto.
Frio. (Edmont)
Você disse que traria algo, por quê eu iria atrás? Não te faria desfeita. (Bea)
Edmont se deita novamente.
Tá ali. Não deu pra trazer quem confundiu a criatura com propriedade. (Edmont)
Bea olha para o canto do quarto. Olha algum tempo.
Não vai viver muito mais tempo. Sedei porque o que a pessoa fez tava causando dor. (Edmont)
Edmont senta-se. Beatrice se aproxima do animal.
Só beijo depois disso se escovar os dentes umas dez vezes. Se bem que a pessoa não tava em melhor estado. Você realmente tá de sacanagem comigo, Angely. (Edmont)
Por mim você morria de fome. (Ang)
Manhã. Ang está andando pela Ilha. Brenda segura o braço de Angely.
Professor? (Brenda)
Brenda. (Ang)
Lembra meu nome? No dia achei que fosse desses que sai com uma cada dia e, quando encontra, ou finge que não conhece, ou fica esperando ela falar o nome pra não pagar mico. (Brenda)
Não costumo fazer esse tipo de coisa. (Ang)
Essa é a terceira mais usada. (Brenda)
Tá com tempo agora, porque não repete a dose? (Edmont)
Tenho que ir, tenho mesmo. (Ang)
Mentira. Que feio. (Edmont)
O fato de você estar me perturbando me faz ter que ir. (Ang)
Ares.
Bea... (Edmont)
Edmont passa a mão nas costas de Beatrice, que está de costas.
Não vai fazer isso. (Ang)
Eu disse que você me pagava. (Edmont)
Beatrice senta-se na cama e olha para Edmont.
Que? (Bea)
Edmont se senta e beija Beatrice. Deita Beatrice na cama e fica por cima, entre as pernas de Beatrice. Em Hera, Angely sai correndo. Atravessa a ilha, chega até a MEAK.
Ang, podia falar com as pessoas na escola... (Mel)
Depois eu falo com você, Mel. (Ang)
Ang sobe. Encontra Alan no corredor.
Angely... (Alan)
Já volto, peraí... (Ang)
Mas... (Alan)
Angely entra correndo em seu quarto, tranca a porta, entra no banheiro. Vira o chuveiro para o frio, abre e entra embaixo. Tira a camisa. Alan desce a escada.
Contou pra ele quem tá no quarto dele? (Alan)
Eu não, passou correndo. (Mel)
Bom, correndo daquele jeito, deve ser dor de barriga. Vai ser engraçado Estela saindo correndo. (Alan)
Mel revira os olhos. Banheiro de Angely.
Angely? (Estela)
Estela? Tá fazendo o que aqui? (Ang)
Desculpa... (Estela)
Estela se levanta e vai até a porta do banheiro.
Eu passei mal na escola, Alan me trouxe para casa e eu vim direto aqui, pra falar com você. Fui esperar e acabei caindo no sono... (Estela)
Angely paralisou. Vira a cabeça de lado, ainda olhando nos olhos de Estela.
Angely? Tá me escutando? Que cara é essa? (Estela)
Angely vai na direção de Estela. Estela dá passos para trás. Fica contra a parede. Angely está levemente ofegante.
Angely? (Estela)
Chega a mão perto do rosto de Estela, sem tocar. Estela beija Angely. Angely levanta Estela e coloca as pernas de Estela em volta de si. Vira, continuam se beijando, deita Estela na cama, ficando por cima.
Angely?! (Mel)
Angely se afasta de Estela. Olha nos olhos de Estela. Sai do quarto, esbarra em Mel e continua. Passa correndo. Mel entra no quarto, Alan entra atrás.
Você tá bem? (Alan)
Ah? (Estela)
Que Angely fez? (Mel)
Me beijou... (Estela)
Filho duma... Será que era mesmo o Angely? (Alan)
Se fosse Edmont, tinha levado junto quando saiu correndo. Ou tinha gritado que não dava pra falar, aqui de dentro. (Mel)
Por que ele me beijou? (Estela)
É isso que também queremos saber. (Alan)
Liczu. (Mel)
Ah? (Alan)
Uma coisa que sabemos fazer, mas às vezes não se faz de propósito. E precisa que já ter alguma fagulha na pessoa. (Mel)
É algum feitiço??? Ele enfeitiçou ela??? (Alan)
Não exatamente. (Mel)
Quer fazer o favor de me explicar??? (Alan)
Mel beija Alan. Se afasta. Alan entra no banheiro, tranca a porta. Barulho de chuveiro.
Boa idéia. (Mel)
Ah? (Estela)
Vem comigo, Estela. (Mel)
Estela? (Estela)
Com virgem é até pior. Vem comigo. (Mel)
Tarde. MEAK. Angely entra. Mel recostou-se no balcão, de braços cruzados.
Sei que não fez de propósito, mas posso saber o motivo? (Mel)
Depende do que estiver falando. (Ang)
Estela. Aconteceu mais alguma coisa? (Mel)
Fora eu não ter ido na escola hoje... (Ang)
Bom, com Estela aconteceu primeiro. (Mel)
Não exatamente. Na verdade, foi uma conseqüência. (Ang)
Explique-se. (Mel)
Às vezes eu consigo controlar Edmont, impedir que machuque alguém. (Ang)
E daí? (Mel)
Às vezes Edmont devolve isso. (Ang)
Ang baixa a cabeça.
Como não pode fazer isso com outros meios... (Ang)
Sexo. Você podia arranjar alguém. (Mel)
Não é assim, eu vou na esquina e arranjo... (Ang)
Pra uma noite talvez. Se pagar, é claro. E com grandes chances de estar ajudando a manter a pessoa numa vida de merda. Mas tava falando de alguém permanente. (Mel)
Acho que ninguém ia se sentir confortável de estar com alguém e saber que outrem tá vendo e sabendo de tudo, ainda mais sabendo que é vampir. (Ang)
Não precisa contar. (Mel)
Sabe o que aconteceu da última vez que não contei as coisas. (Ang)
Kat desce a escada, Derik atrás.
Posso interromper? (Kat)
Sim. (Ang)
Um sonho. Bom, sei que devia ter contado de manhã, mas esperei para confirmar. (Kat)
Fale. (Mel)
A alma penada... Não pode agir quando Ang está perto. (Kat)
Não tem mesmo colegial de tarde na escola? Assim a gente podia ir junto com Angely. (Derik)
Agora que eu tinha encontrado a casa? (Ang)
Vai ir embora e nos deixar aqui, sem proteção, com essa... essa... coisa??? (Derik)
Quem sabe eu não posso... (Kat)
Mel olha para Ang.
Eu não disse que não demoraria muito pra Kat pensar nisso? (Mel)
E o que sugere??? (Kat)
Mel olha para Kat.
Angely, vai dar uma volta. (Mel)
Mas... (Derik)
Quem vai falar com essa coisa agora sou eu. (Mel)
Tem certeza? (Ang)
Mel encara Ang. Ang sai.
Ok. Agora vamos ver o que essa coisa quer. (Mel)
Beatrice está andando pelo subtérreo de Ares.
Meu ouro! (Martim)
Não dá pra trocar o disco, não? (Bea)
Fizemos um trato. (Martim)
Se me explicasse ao menos do que está falando... (Bea)
Do ouro que seus amigos me roubaram. (Martim)
Não tenho amizades. (Bea)
Não tente me enganar, eu sou... (Martim)
"um fantasma, fantasmas não são enganados". Além de prepotente tá se repetindo demais. (Bea)
Convença o irmão daquele com quem anda indo pra cama de me entregar meu ouro. Se não fizer isso, vou mandar o mundo pro inferno! (Martim)
Por que eu? Por que não pede pra quem mora com Angely? (Bea)
Foi a única que não saiu correndo. (Martim)
Ah, mas você é um doce de fantasma, porque fariam isso?! (Bea)
Eles me temem, sou um fantasma! (Martim)
Sério?! Sabe que acho que você ainda não tinha dito isso??? Tá tentando convencer a mim ou à si disso? (Bea)
Dois dias! É o que te dou! (Martim)
Tá querendo dizer setenta e duas horas? (Bea)
Sim! Quer dizer, não... Está tentando me enrolar?! (Martim)
Beatrice encolhe e solta os ombros.
Joguei, se você caísse... (Bea)
Não pode me enganar, sou... (Martim)
Cala a boca, que se repetir isso só mais uma vez, juro que pode explodir o mundo que eu não vou ligar! (Bea)
Falando com alguém? (Edmont)
Ninguém. (Bea)
Falando consigo? (Edmont)
É. (Bea)
E o que você não pode repetir? (Edmont)
Ah? (Bea)
Aliás, porque quer explodir o mundo? (Edmont)
Como assim...? (Bea)
Tá, se não quer dizer quem era, tudo bem. (Edmont)
Edmont se aproxima de Beatrice e beija. Puxa para junto pela cintura. Beatrice se afasta.
Que deu em você? (Bea)
Algum problema? (Edmont)
Está mais... (Bea)
Não gosta mais? É por causa dos dois anos sem? (Edmont)
Só não entendi porque. Já entendi, Íris e Henrique sumiram... (Bea)
Íris é lésbica. (Edmont)
Eu sei. Acho inclusive que Íris levou Henrique por receio de Henrique se apaixonar por você. (Bea)
Eu não ia me importar. Henrique é... (Edmont)
Não precisa de detalhes. Aliás, eu ouvi os detalhes. Quero saber o porquê da mudança. (Bea)
Edmont encara Beatrice.
Foi pressão de Angely. (Bea)
Seu anjo da guarda só está me obrigando a cuidar de você. Eu podia fazer isso sem te levar pra minha cama. Falando em cama, o que tá fazendo nesse lixo? (Edmont)
Andando. E você? (Bea)
Te procurando. (Edmont)
Edmont puxa Beatrice. Beatrice beija Edmont.
Daqui a pouco eu viro metade peixe. (Ang)
Não é má idéia. Uma bela vingança. (Edmont)
Continua e... (Ang)
Não pode fazer nada, não estou fazendo mal à ninguém. (Edmont)
Edmont beija o pescoço de Beatrice.
Edmont... (Bea)
Edmont para a olha para Beatrice.
Aqui não. Esse lugar é nojento. (Bea)
Claro. (Edmont)
Entram se beijando no apartamento. Alguma coisa joga Beatrice na cama e Edmont pela janela. Na MEAK, Angely cai no chão. No apartamento, Beatrice se senta na cama.
Meu ouro! Eu não repetirei mais! (Martim)
Pôr do sol. Estão Alan, Mel, Zenon, Estela, Kat, Derik, Beleno e Inês na sala. Angely está no sofá da sala, pele pálida e sem respiração.
Não vamos enterrar, eu sei que não morreu! (Mel)
Tá sem pulsação... (Alan)
Eu percebo quando alguém está... (Zenon)
Não morreu, porra! (Mel)
Kat está no chão, Derik de um lado, Estela de outro, sentaram-se.
E você não fica assim! Angely pode ter o mesmo poder que você! (Mel)
Pára, Mel, não adianta ficar se enganando. Eu sei que... (Estela)
Você não sabe nada! E pára de fingir que é forte que eu tô vendo as lágrimas... Que não deveriam estar aí, porque ninguém morreu aqui! Angely já desmaiou assim, deve ser coisa de Edmont! (Mel)
Nunca levou tanto tempo pra acordar ou ficou desse jeito... (Derik)
Um livro atravessa a sala. Derik arregala os olhos. Kat levanta, puxa Derik e Estela, coloca dentro do banheiro e fecha a porta. Mais coisas voam. Beleno agacha com Inês, e protege a si e a Inês com as asas. Mel pega o telefone, que quase acerta Kat. Zenon segura um cabo de vassoura que quase lhe atravessa. Alan tira uma estaca do tornozelo.
Se não tem um escudo pra tirar de algum lugar, não vai ser útil! (Mel)
Alan olha para o balcão. Kat pega a mesa e coloca atrás, Alan, Zenon, Kat e Mel se enfiam embaixo da mesa. Muito barulho de coisas quebrando. O sol some no horizonte. O barulho para. Beleno fecha as asas e levanta. Inês ri e bate as perninhas. As pessoas saem de onde tinham se escondido. A parede entre a sala e a copa foi destruída.
Será que essa coisa depende do sol? (Derik)
Angely! (Mel)
Mel vai até Angely e abraça. Afasta. Angely se senta.
Eu disse, mas não queriam acreditar em mim! (Mel)
Mel, se afasta dele, pode ser que tenha sido... (Alan)
Não, não é. (Zenon)
Kat vai até Angely abraça também.
Acho que essa coisa tem algo contra o Angely. (Estela)
Beleno, Edmont... (Ang)
Angely levanta, pega uma capa pendurada em um gancho. Beleno deixa Inês no colo de Derik. Sai da MEAK. Voa. Vai até Ares. Pousa em um beco. Edmont vem até Beleno. Pega a capa. Veste.
Não me incomodaria sair assim mesmo. (Edmont)
Te prenderiam. (Beleno)
Não ligo. (Edmont)
Não tem mulheres na cadeia, como acha que eles se divertem? (Beleno)
Edmont ri. Balança a cabeça pros lados.
Angely vai te dar um sermão quando chegar em casa, cê tá parecendo Alan. E eu jurando que ia me lembrar do banho de sol semanal. (Edmont)
Ang está andando. Beatrice segura seu braço.
Bea? (Ang)
Onde tá indo? (Bea)
Angely baixa a cabeça.
À escola. (Ang)
Não vai se... (Bea)
Angely olha para Bea.
Vou. Não posso ficar trabalhando na escola com todos esses problemas. (Ang)
Que Edmont fez agora?! (Bea)
Ang olha para baixo.
Não posso dizer. (Ang)
Peraí, se tudo que Edmont faz te influencia também... Não vai dizer que... (Bea)
Bea... (Ang)
Eu sabia que algum motivo tinha pra ficar... (Bea)
Bea engole seco.
Também não é assim... (Ang)
Me ajuda? (Bea)
No que? (Ang)
A sair daqui... A ir embora... Não quero ficar aqui te prejudicando... (Bea)
Não tá me prejudicando. (Ang)
Vai se demitir por isso e eu não tô te prejudicando?! (Bea)
Angely olha pro céu. Meneia a cabeca um pouco para baixo. Beatrice olha. Asas. Pousam no alto da biblioteca.
Você tava chorando? (Beleno)
Não, eu... Pera... Achei que nunca mais ia te ver... (Bea)
Meu ouro! (Martim)
Não disse que não ia mais repetir?! (Bea)
Que isso?! (Beleno)
Acho que talvez você possa me ajudar. (Bea)
Edmont encontra Angely no meio da praça.
Agora você prejudicou alguém. (Ang)
Precisa de terapia. (Edmont)
Precisa de alguém que cuide, e a culpa é sua. Tava independente e tava quase voltando a... (Ang)
Ao que, Angely? Nunca teve coração. Elian criou, aí Beatrice se livrou, acabou ficando comigo. Se entrega desse jeito porque é o que quer, se acostumou a pertencer a alguém. Você querendo ser legal é que só vai deixar a coisa pior. (Edmont)
Beatrice não é ruim. (Ang)
Repete tanto isso que acho que você quer se convencer. (Edmont)
Não, eu sei disso. Os dois anos... (Ang)
Que Beatrice passou do lado de Melody?! (Edmont)
Angely engole seco. Edmont ri.
Mel dá mais ordem que eu. Você não entende nada mesmo. (Edmont)
Noite. Alto da biblioteca.
Acha mesmo que é do ouro que o fantasma está atrás? (Beleno)
Diz o tempo todo que quer o ouro e disse que foi "o irmão do cara com quem ando"... (Bea)
Essa parte eu entendi. Mas o que será que tem esse ouro? (Beleno)
Sei lá. Mas quem tava antes com o ouro queria se livrar de qualquer jeito. (Bea)
Como será que essa coisa atravessou pra cá? (Beleno)
Não sei. (Bea)
Não podemos simplesmente tirar o ouro de lá e deixar todo mundo passar fome. (Beleno)
Se eu fizer isso, Melody vem atrás de mim. (Bea)
Posso fazer isso, ninguém desconfiaria e eu sei onde tá o ouro. (Beleno)
Não, se Ang descobrir... (Bea)
Posso explicar pra ele. (Beleno)
Edmont falaria com Melody. (Bea)
Temos que arranjar um jeito. (Beleno)
Se Angely mesmo fizesse isso, Melody não ia ser opor. (Bea)
Então acha que temos que convencer meu pai? (Beleno)
Mas isso não é Edmont? (Bea)
Não. Ele só me fez. (Beleno)
Ah... (Bea)
Temos que falar com meu pai e convencer ele a nos ajudar. (Beleno)
É o que o fantasma mandou. (Bea)
Por que ainda não fez? (Beleno)
Edmont saberia. (Bea)
Tem medo dele? (Beleno)
Por que acha que pedi sua ajuda? (Bea)
Então eu falo com meu pai. (Beleno)
Mas faz isso longe de Melody. E não diz que eu quem falei, vai achar que é mentira. (Bea)
Se mandou eu falar longe dela, ela não vai saber nem que eu falei sobre isso, como saberia que foi você? (Beleno)
Pode deduzir. (Bea)
Mas que faremos com a questão de como o pessoal vai se sustentar sem esse ouro? (Beleno)
Não sei. Aí que tá o problema principal. (Bea)
E, pelo que entendi, já tem uma parte que não está com eles. (Beleno)
Pior que me deu dois dias pra fazer isso. Tenho só até depois de amanhã de tarde. (Bea)
Melhor mesmo falarmos com meu pai e arranjarmos um jeito de expulsar essa... (Beleno)
Beleno cai pela janela, como se alguém jogasse. Beatrice corre e olha para baixo. Beleno voa.
Acha mesmo que pode nos derrotar??? Você está muito enganado! Não vai conseguir fazer eu me estatelar no chão e isso não me mata! (Beleno)
Dia seguinte, manhã. Beleno abre os olhos. Vê Beatrice. Senta-se na cama.
Déjà vois. (Bea)
Onde... (Beleno)
Angely alugou para Edmont. (Bea)
Que houve? (Beleno)
O mar é sua fraqueza, passarinho. (Bea)
Beleno levanta.
Precisamos encontrar um feitiço pra expulsar aquele cara. (Beleno)
Pára de falar nisso, pode escutar e te jogar de novo. (Bea)
Que você tá fazendo aqui??? (Beleno)
Ah? (Bea)
Por acaso esse quarto é meu. (Edmont)
Beatrice olha pra porta. Edmont encostou-se na porta.
Eu não tinha pra onde... (Bea)
Então deixasse onde estava. Angely logo ia atrás. (Edmont)
Eu vou embora... (Beleno)
Não. Foi Angely que pagou o quarto. (Bea)
Edmont ri.
Tá me desafiando? (Edmont)
Você não precisa ficar aqui com ele. Eu arranjo um lugar pra... (Beleno)
Angely já viu uma casa para ir morar e acho que vai levar você e Inês. Quem sabe não dá abrigo pra criatura aí também? (Edmont)
Criatura, não... (Beleno)
Beleno vai na direção de Edmont, mas Beatrice segura.
Edmont é mais forte que você! (Bea)
Beleno olha para Beatrice.
Ele é mais forte ou você tá com medo de perder ele? (Beleno)
Beatrice engole seco. Solta o braço. Beleno abre a janela e sai, Edmont puxa Beatrice do sol. Beatrice senta-se no canto do quarto, encolhe-se. Edmont fecha um lado da janela, dá a volta na luz e fecha o outro.
Temos um problema aqui. (Edmont)
Do que tá falando? (Bea)
Do que me jogou pela janela. Sei que não foi essa criatura, porque teria ouvido o barulho das asas e veio por trás, se não eu teria visto. (Edmont)
Não veria mesmo, foi fantasma. (Bea)
Edmont pega um vaso no ar. Olha para trás.
Isso? (Edmont)
Isso o que? (Bea)
Não sei se vem de Angely ou de mim, mas podemos ver fantasmas. (Edmont)
Sério? (Bea)
Tá com uma aparência horrível... Ia tomar banho quando alguém te matou e se frustou por isso? (Edmont)
Como você pode me ver? Sou um fantasma, fantasmas... (Martim)
Gosta de enumerar as próprias qualidades assim, "sou um fantasma, fantasmas não fazem isso, fantasmas são aquilo, fantasmas podem aquilo outro"... (Bea)
Não me irrite! (Martim)
Olha só, sem "sou um fantasma"? (Bea)
E aí, tá querendo o que, que não foi ainda? (Edmont)
Meu ouro! (Martim)
Existe muito ouro no mundo. Especifique. (Edmont)
Seus amigos estão com meu ouro. (Martim)
Ah, esse ouro? Sinto muito, não posso fazer nada. (Edmont)
Então vão todos morrer! (Martim)
Sou imortal. (Edmont)
Mato sua amante! (Martim)
É mortal. Mas é dispensável. (Edmont)
E quanto à Melody? (Martim)
Faça. Kat pode virar fantasma também e acabar com você. Sabia que Kat só não usa mais esse poder por proibição de Mel? (Edmont)
Mas ela vai continuar morta! (Martim)
Quem sabe assim eu consigo esquecer? (Edmont)
Está blefando! (Martim)
Talvez. Você pode nunca saber. Não ajudo sem uma recompensa. (Edmont)
Posso te livrar da ligação com seu irmão. (Martim)
Não tenho interesse. (Edmont)
Tem medo? (Martim)
Não, é que é divertido. Não tente usar psicologia de esquina, não funciona. (Edmont)
Se eu tirar essa ligação, pode ser que possa te matar... (Martim)
Sabe que acho que você quem tá blefando agora? (Edmont)
Acha que não posso fazer isso? Acha que não posso remover a ligação? (Martim)
Não, eu acredito em você. (Edmont)
Edmont, pare de provocar... (Bea)
Edmont olha para Beatrice.
Por quê? Tá engraçado. O máximo que pode fazer é me jogar no sol de novo. Mas acho que já viu que isso não funciona. Não é... (Edmont)
Edmont vira. Martim sumiu.
Sem graça. (Edmont)
MEAK, Angely chega com Beleno. Mel, Zenon e Alan estão na sala.
E aí? (Ang)
Ainda não conseguimos. (Mel)
Não conseguiram o que? (Beleno)
Prender o fantasma. (Alan)
Derik quem tá tentando agora. (Zenon)
Acham que vão fazer uma criança de 6 meses e meio falar isso?! (Derik)
Bom, você tava tentando... (Alan)
Não tinha feito as contas ainda. É o que tem agora, biologicamente. (Derik)
Não é uma criatura humana. (Mel)
Foi isso que eu disse. (Kat)
Quem tá cuidando de Inês??? (Derik)
Estela. (Kat)
Ah... (Derik)
E não grita comigo! (Kat)
Desculpe, é que achei... (Derik)
Não temos tempo pra briga de casal agora, podem deixar isso pra depois? (Beleno)
Por que, o gênio tem alguma solução? (Zenon)
Eu posso tentar. (Beleno)
E por quê conseguiria se nós não conseguimos? (Alan)
Porque sou irmão dela... (Beleno)
Tem mesmo que ser bebê? (Ang)
Com menos de um ano. (Estela)
Derik olha para Kat.
Não disse que Estela tava cuidando??? (Derik)
Ela tá dentro do berço, desesperado! (Estela)
Derik sobe correndo. Beleno vai atrás.
Ok, tem alguma outra solução? (Alan)
O que esse feitiço vai fazer? (Ang)
Materializar a coisa aqui. (Mel)
Se morrer novamente, vai direto para onde deveria ter ido, não poderá ficar perturbando aqui. (Kat)
Vão matar? (Ang)
Acorda, já morreu. Só que ficou aqui pra perturbar. (Kat)
Angely suspira. Franze a sobrancelha. Sai.
Angely! (Kat)
Deixa, deve ser algo com Edmont. (Mel)
Mas... (Kat)
É melhor não nos metermos, podem se entender e já temos problemas demais aqui pra interferirmos em outra confusão. (Mel)
Beleno e Derik olham pela janela do quarto. Beleno pega Derik no colo e pula pela janela. Coloca Derik no chão. Martim está na beira do penhasco, com Inês no colo.
Avisa na próxima! (Derik)
Que achou que eu fosse fazer?! (Beleno)
Sei lá! (Derik)
É bom estar assim de novo, assim posso fazer ameaças reais. (Martim)
Quem disse que não íamos conseguir fazer ela falar aquilo? (Beleno)
E não conseguiram. Falou, mas não foram vocês que fizeram. (Derik)
Eu quero meu ouro. (Martim)
Ouro? Que ouro? (Derik)
Meu ouro roubado! Que vocês roubaram! (Martim)
Inês começa a chorar.
Não chora, meu amor, não vai fazer nada com você... (Derik)
Você quem pensa. (Martim)
Sabe que tá ferrado se fizer... (Beleno)
Não tenho nada a perder. Vão me matar de novo? Não ligo. Eu já tava morto mesmo. Mas vocês têm algo a perder. Se eu for, a criança vai comigo. (Martim)
Como pode ter certeza? (Beleno)
Beleno abre as asas.
Eu posso matar ela antes de me jogar. (Martim)
Nós não roubamos nada. Aquele ouro foi comprado. (Derik)
Alguém me roubou! (Martim)
Muito bem. Pegue o nosso dinheiro com quem realmente te roubou e traga aqui. Assim nós te devolvemos o ouro e tá tudo limpo. (Derik)
Acha que não sei que já gastaram meu ouro??? (Martim)
Tá! Vai atrás do cara que nós reaveremos tudo! (Beleno)
Acha que sou idiota??? Primeiro que não posso voltar pra lá e segundo que vocês fugiriam para outro lugar e... (Martim)
Derik, pega! (Beleno)
Quê?! (Derik)
Eu disse pega! (Beleno)
Derik olha para Beleno, franzindo a testa. Desfranze. Vira cachorro e pula em Martim. Martim, Derik e Inês caem. Beleno pula, pega Inês. Derik vira pássaro e voa. Beleno olha para Martim e vê Martim desaparecer.
Sol a pino. Biblioteca.
É isso! (Derik)
Encontrou? (Estela)
O feitiço leva uma volta da Terra para se firmar. Não podíamos ter atacado antes disso. Agora o feitiço não funciona mais. (Derik)
Bom, não faltamos a escola em vão. Será que Kat já sonhou alguma coisa? (Estela)
Kat está em seu quarto. Se vê em um porto.
Por que me chamou aqui, Martim? (Lúcio)
Ainda não entendo porque nosso pai deixou tudo para você. (Martim)
É fácil, eu trabalhei e ajudei ele a juntar tudo. Nosso pai acabou de ser enterrado, como pode pensar nisso? (Lúcio)
Enterros... Sempre alguém sai ganhando, não é? (Martim)
Como é que é?! (Lúcio)
Bom, você ganhou com o enterro do nosso pai... E se você for enterrado, quem ganha? (Martim)
Minha mulher. (Lúcio)
E quem se casar com ela. (Martim)
Vai me matar e se casar com a minha mulher?! Não sei qual vai ser o mais difícil, derrubar alguém mais forte que você ou conseguir levar para a cama alguém que não é uma prostituta! Sim, porque o fato da única coisa que você faz ser ir pra cama com prostitutas usando dinheiro alheio impede as duas coisas! (irmão)
Martim olha no relógio. Lúcio coloca a mão no tórax e dá um passo atrás. Martim sorri.
Já estava na hora... (Martim)
Você... me... (Lúcio)
Lúcio cai no chão. Martim se aproxima.
Não, foi sua santa mulher. Ela comentou algo sobre eu ser melhor que você... Sabe, acho que prefiro a opinião dela que a do nosso pai. (Martim)
Lúcio tenta pegar a perna de Martim. Martim dá um passo atrás.
Mesmo porque, mortos não dão opinião. Pode ficar sossegado, eu e ela aproveitaremos muito bem esse ouro. Poderia jogá-la fora e pagar prostitutas, mas, como eu disse, teria que pagar e ela faz tudo que elas fazem, e bem melhor. Mas acho que sabe disso. (Martim)
Martim empurra Lúcio para água. Kat se vê na água. Acorda. Respira fundo.
Tem que devolver o ouro de Lúcio... (Kat)
Derik e Estela entram no quarto.
Que bom que acordou... (Derik)
Martim não podia ser atacado antes de estar a um dia normal. (Estela)
Angely já voltou? (Kat)
Não. Sonhou algo? (Derik)
Martim roubou o ouro de Lúcio. São da mesma família. Precisa devolver para poder ficar livre. (Kat)
Então é isso?! Depois vem nos acusar de roubo! (Derik)
Podemos impedir isso de acontecer nesta Realidade... (Estela)
Como assim? (Derik)
Aconteceu lá, o fantasma nos seguiu de lá. Então... (Estela)
Também já aconteceu aqui. (Kat)
Ah?! (Derik)
Estava fora de seus corpos, como é um espírito só que controla todas as suas réplicas, se juntaram. (Kat)
Como sabe disso? (Estela)
Podia fazer outra pergunta sobre fantasmas? Essa é muito difícil... (Kat)
Você viu isso no sonho? (Derik)
Não. Só acordei sabendo. (Kat)
Ah... (Derik)
Ao invés de ficar aqui em cima de mim fazendo perguntas difíceis, poderiam tentar pensar em uma solução. Prometo que se pararem, farei o mesmo. (Kat)
Tá, onde tá o corpo do...? (Estela)
Lúcio. No fundo do mar. Isso eu vi, estavam num porto banhado pelo atlântico. (Kat)
Talvez se nós fôssemos numa sessão espírita... (Derik)
A gente podia perguntar se sabem expulsar espírito!!! (Estela)
Gente, ninguém estranhou nada? (Kat)
Estranhar o que? (Derik)
Estamos armando e ainda não nos jogou pela janela. (Kat)
Ang deve ter chegado. (Estela)
Kat levanta e sai do quarto. Estela segue. Derik depois. Trava quando vê Beatrice frente a frente com Kat.
Estela, tem uma daquelas estacas escondidas? (Kat)
Isso. Assim o feitiço será quebrado e a coisa terá a chance de pegar vocês três, já que Mel, Alan e Zenon saíram e Beleno desapareceu com Inês. (Bea)
Angely quem está nos protegendo. (Derik)
Eu vim justamente conversar com Angely e não encontrei. Consegui um feitiço pra proteger esse lugar. Usei em mim primeiro, pra depois vir pra cá. Não pode se manifestar onde eu estiver, então é melhor me manterem com vida. (Bea)
Você já não tá com vida há alguns anos. (Kat)
Encontramos Angely e depois te matamos. (Derik)
Não vai deixar. Deveria, mas não vai. (Bea)
Então vamos esperar e ver se temos alguma idéia para expulsar Martim. (Kat)
Martim? (Bea)
É o nome do espírito. (Derik)
Podemos ir à biblioteca e procurar um feitiço de expulsão. (Bea)
Não pedimos sua opinião. (Kat)
Mas não deixa de ser uma boa idéia. (Estela)
Se a criancinha se sentir melhor, Mel, Zenon e Alan foram pra lá, não é minha opinião. (Bea)
Como sabe? Peraí, criancinha??? (Kat)
Eu vi saindo e Mel pediu pra Alan pegar o cartão. (Bea)
Então nós três vamos. (Derik)
Pra Martim pegar vocês logo que saírem? Eu disse que fica imóvel, não que não possa ver seus planos. (Bea)
Ok, nós quatro. Mas você fica em silêncio, porque eu posso perder a paciência e mandar você pro inferno num segundo. Depois eu viro fantasma e acabo com essa coisa também. (Kat)
Por que ainda não fez isso? (Bea)
Mel não deixa. (Estela)
Que bonitinho. (Bea)
Biblioteca.
Tá, você disse que estavam aqui, então... (Kat)
Kat olha para trás. Apenas Estela e Derik, que olham para trás também.
Mas onde... (Kat)
Pessoal! (Alan)
Olham para cima. Alan acena. Mel encara Alan da mesa. Todo mundo na biblioteca olha para Alan. Kat, Estela e Derik sobem.
Beleno deu o recado? (Mel)
Que recado? (Kat)
Pra vocês virem... (Zenon)
Deve ter sido isso que tava tentando dizer... Mas não dava pra entender, daquela distância... (Derik)
Como sabiam que estávamos aqui? (Alan)
Beatrice. Esquece, estamos procurando o que? (Estela)
Anoitecer. Beatrice chega ao apartamento.
Edmont... (Bea)
Não tá. (Ang)
E onde foi? (Bea)
Pela primeira vez eu não sei. (Ang)
Como não? (Bea)
Também não sei. Saiu, de repente, perdi contato. Disse que ia voltar, mas até agora... (Ang)
Angely senta-se na cama.
Que foi? (Bea)
Recuperei... (Ang)
Angely olha para o teto. Edmont está em um prostíbulo.
Que você fez? (Ang)
Nada. Mas adorei poder ter vindo aqui. Vejo que está com Beatrice. (Edmont)
Não vai fazer o que eu... (Ang)
Pode apostar que vou. (Edmont)
Angely levanta e vai na direção da porta. Beatrice segura pelo braço.
Vai me deixar falando assim?! (Bea)
Eu tenho que ir, Edmont... (Ang)
Pode impedir à distância. Eu sei, já vi fazer. Aliás, o que vi foi o efeito, mas você entendeu. (Bea)
Não dessa vez. (Ang)
Edmont tá com alguém? (Bea)
Ainda não... franze a sobrancelha Bom, agora tá. Tenho mesmo que ir. (Ang)
Beatrice joga Angely na cama.
Beatrice eu não quero te machucar... (Ang)
Então não machuque. (Bea)
Beatrice sobe em cima de Angely.
Manhã. Angely abre os olhos. Beatrice está com os braços em volta de si. Tira o braço de Beatrice, se virando. Passa a mão no rosto de Beatrice.
Não devia ter feito isso. (Ang)
Ang vê algo brilhante no chão. Sai da cama e pega. Uma pedra branca. Solta. Olha para o dedo, com um corte pequeno. Olha para a pedra no chão, ficou cor de sangue. Desmaia, caindo no chão. Beatrice abre os olhos, vira, olha para Angely e arregala os olhos.
Edmont acorda. Senta-se na cama. Olha para Martim na janela.
Sabe quando acorda e sente que, pra ficar melhor, bastava o sol sumir? (Edmont)
Procure seu irmão. (Martim)
Eu sei onde... franze a sobrancelha Ou talvez não... Que fez? (Edmont)
Tinha razão, não posso remover a ligação. Mas posso segurar o garoto. Você não sabe onde ele está porque ele também não sabe. Agora me dê meu ouro e eu te falo como eternizar isso. (Martim)
Ainda posso encontrar, não deve estar muito longe. (Edmont)
Quer ou não seu irmão dormindo eternamente e te deixando livre? (Martim)
Claro. Vou fingir que vou ajudar a se livrarem de você e pego o ouro. É a coisa mais fácil do mundo. (Edmont)
Edmont entra na MEAK. Beatrice está com uma capa na mão. Edmont pega a capa, enrola e joga pela janela, no sol.
Que tá fazendo? (Bea)
Veio fazer a visita e vai sair sem falar com ninguém? (Edmont)
Eu sei que deve estar com raiva por Angely... (Bea)
Raiva?! (Edmont)
Edmont ri.
Eu tava vendo vocês e me divertindo lá também, foi praticamente uma suruba. Adoro surubas. (Edmont)
Estou falando de Angely ter desmaiado. (Bea)
Não seja prepotente, acha mesmo que você tem tanto poder? (Edmont)
Se não está com raiva, porque... (Bea)
Edmont vira Bea para a porta. Melody está olhando para Edmont e Beatrice, de braços cruzados.
Que diabos tão fazendo aqui? (Mel)
Viemos ajudar. Ah, e caso não tenha notado no sofá, não foi culpa de Beatrice. Foi Martim. (Edmont)
Beatrice franze a sobrancelha.
Tá me defendendo? (Beatrice)
Ok, talvez com Angely dormindo eu consiga te matar, é isso? Por isso quer ajudar? (Mel)
Já fiz esse teste. Onde estão as crianças? (Edmont)
Na escola... Pera, você não... (Mel)
Não. Era só uma pergunta mesmo. (Edmont)
Você tá agindo bem bizarramente... (Beatrice)
Como pretende ajudar? (Mel)
Bom, vocês pesquisam sobre essa pedra aqui... (Edmont)
Edmont joga a pedra para Mel. Mel pega e olha.
E eu mando Martim pro quinto dos infernos. (Edmont)
Zenon chega e pega a pedra da mão de Mel. Olha. Mel encara. Zenon olha para Edmont.
Onde achou isso? (Zenon)
No lugar onde Angely desmaiou. (Edmont)
Como sabe...? (Bea)
Sei onde estava até a hora em que desmaiou. (Edmont)
Ele prendeu a essência de Angely, se destruirmos essa pedra mandamos o fantasma pra onde já deveria ter ido e depois faremos um feitiço com o que restar da pedra pra devolver Angely a si. (Zenon)
Como sabe disso? (Mel)
Um cara fez isso comigo uma vez e Clítia resolveu assim. Bom, pelo menos o cara não perturbou mais a gente. (Zenon)
Deve ter tido medo de realmente expulsarem, depois de terem destruído. Se só isso resolvesse, alguém já teria voado pela janela. Essa coisa adora jogar as pessoas no mar. (Bea)
Mas Kat falou que você fez um feitiço... (Mel)
Não dura tanto tempo as... (Bea)
Uma estaca acerta Edmont. As roupas e a estaca caem no chão, junto com cinzas. Edmont volta. Sem roupas.
Alan, sai daí. (Mel)
Quer fazer o favor de se vestir, seu... seu... Exibido! (Zenon)
Tô na dúvida se tá com inveja ou tá com medo de gostar. (Edmont)
Edmont. (Mel)
Alan aparece. Edmont revira os olhos. Pega a roupa no chão. Veste a calça. Coloca a camisa no ombro.
Não custava tentar. (Alan)
Podia ter matado Angely também. (Mel)
Não pensei nisso. (Alan)
Pensar não é uma coisa que você costuma fazer. (Mel)
Beleno chega, com uma caixa grande. Pousa a caixa no chão.
Onde esteve esse tempo todo? (Mel)
Beleno abre a caixa. Tem ouro dentro.
Pelo que falaram, isso é tudo. (Beleno)
Ah? (Alan)
Estive na biblioteca e escutei a conversa de vocês. Já que faltava uma parte, porque usaram, então completei. (Beleno)
Roubou isso? (Bea)
Tinha dinheiro. (Beleno)
Do que? (Mel)
Peguei umas coisas que ninguém usava. (Beleno)
Mel cruza os braços.
Juro, nem notavam! (Beleno)
Teve uma coisa que eu não lembrei! Clítia quebrou a pedra, ficaram cacos da pedra original e um líquido vermelho. Ela me fez beber o líquido vermelho e comeu os cacos! (Zenon)
Beatrice olha para Zenon.
Que foi? (Zenon)
A ideia era a coisa toda parecer mais simples? (Bea)
Objetos começam a voar novamente. Mel, Zenon e Alan vão para trás do balcão, embaixo da mesa. Edmont se senta no sofá. Olha para Beatrice. Mel volta e puxa Beatrice para trás do balcão, embaixo da mesa. Uma estaca acerta Edmont, que vira pó e volta, de novo sem calça. Beleno pega a caixa e sobe correndo. As coisas param de voar. Mel sai. Vai na direção da escada, Beleno desce. Beatrice, Zenon e Alan saem de trás do balcão.
Que você fez??? (Alan)
Joguei a praga fora. (Beleno)
Como assim??? Vamos nos sustentar como agora??? (Zenon)
Trabalhando. (Beleno)
Beleno olha para Mel.
Vocês não... Tipo... Não foi assim que conseguiram comprar o ouro? (Beleno)
Temos que acordar Angely agora. (Mel)
Tá, mas já que Derik não tá aqui para perguntar, cadê Inês? (Bea)
Por que eu responderia para você? (Beleno)
Responda para mim então. (Mel)
Na casa de alguém em quem confio. Ela vai trazer Inês aqui amanhã. (Beleno)
Vamos fazer o ritual... (Mel)
Ninguém notou quem sumiu daqui? (Bea)
Todo mundo olha ao redor. Edmont não está mais.
Por que não vai atrás? (Mel)
Beatrice arranca a capa do sofá. Se enrola. Sai.
Ei, isso é nosso! (Alan)
Depois eu pego de volta. (Mel)
Lago. Noite. Edmont está atrás de uma árvore. Aponta uma besta. Na direção da besta, uma pessoa esmaga a pedra na mão. Abaixa perto de Angely e deixa o líquido escorrer da mão na boca de Angely. Edmont coloca o dedo no gatilho. Mira. Mel olha para os cacos em sua mão e respira fundo. Edmont engole seco. Baixa a besta. Mel coloca os cacos na boca. Vai até o lago. Enche as mãos de água, coloca na boca e engole. Edmont baixa a cabeça e segue para longe.
Dias depois. Beleno está com Angely no quarto. Malas abertas, com roupas.
Não entendo porque ela gosta dele. (Beleno)
Não acho que goste. Por que não fica morando comigo? (Ang)
Pai, você sabe que eu não posso ficar morando perto dela. (Beleno)
Por que não? (Ang)
Se não gostar dele, então é de você e fica com ele porque não pode te ter. (Beleno)
Beatrice mexeu mesmo com você. (Ang)
Beleno baixa a cabeça.
Sei que andou por aí e aprendeu da cabeça das pessoas a partir de quem cresceu, mas nem todo mundo gosta só de uma pessoa. (Ang)
Não é só isso. Eu levo Inês para longe e Edmont não pode nos pegar. (Beleno)
Silêncio. Angely baixa a cabeça. Volta a olhar para Beleno.
Volta pra visitar? (Ang)
Com certeza. (Beleno)
Uma hora depois. Angely entra em uma casa com malas. Olha ao redor. Franze a testa.
Ué, quem limpou... (Ang)
Até que limpar uma casa não é assim tão difícil. (Bea)
Eu disse pra me esperar e dividirmos isso. (Ang)
Depois do convite eu tinha que fazer alguma coisa. (Bea)
Já se alimentou? (Ang)
Não é perigoso usar a mesma fonte de Zenon? (Bea)
Vou falar com Zenon. Vai entender. (Ang)
Beatrice sai da sala.
De criatura temida a fazer faxina na casa... (Edmont)
Não vou me aproveitar de Beatrice. (Ang)
Preferia que se aproveitasse... Não desse jeito, claro. (Edmont)
Você quem me forçou a isso. (Ang)
Agora tem um lugar vazio aqui. Vou ter que arranjar outra pessoa. (Edmont)
Boa sorte. (Ang)
Algum tempo, algum lugar
Edmont não se livrou de Angely porque teria que matar Mel. (Xien)
Isso é uma lembrança? (Uehfo)
Xien revira os olhos. Se vira de costas.
Olha, eu sei que eu falei como se fosse simples saber se você é ruim ou... (Xien)
Ah, não, dessa vez eu não tava sacaneando. (Uehfo)
Xien vira para Uehfo.
Não? (Xien)
Quem sabe? (Uehfo)
Xien cruza os braços. Uehfo ri.
Não, é verdade, não tava. É que te sacanear é quase irresistível! (Uehfo)
Tanto que até quando não me sacaneia arranja um jeito de me sacanear em seguida. (Xien)
Mas teve qualquer pista dessa vez? (Uehfo)
Não. Parece que fica é mais confuso a cada momento. (Xien)
Tipo ver o final do filme depois voltar do começo. (Uehfo)
Tá mais pra ver o começo da cena decisiva, aí cortar pro começo do filme. (Xien)
Xien se senta no chão.
Edmont tava usando instinto sexual pra sacanear Angely. (Xien)
E... (Uehfo)
Eu gosto de sexo. (Xien)
Angely também. Só não tinha tanta coisa de pegar o que passasse na frente, como Edmont. (Uehfo)
Não sei se eu gostaria se alguém me fizesse sair correndo porque fiquei com tesão no meio do nada. (Xien)
Xien solta o corpo para trás no chão. Suspira. Uehfo se senta sobre o tórax de Xien.
Em frente? (Uehfo)
Não dá pra chamar de escolha se eu só tenho uma opção, né? (Xien)
Uehfo passa a mão no rosto de Xien, fechando-lhe os olhos, e deita para trás.

Resumo do Capítulo

Angely e Melody conversam sobre suas vidas. Angely diz que teve tudo muito fácil e acha que pode vir cobrança depois. A tarde, Zenon diz a Angely que Alan acha que Mel tem alguém. Estela briga com Derik, por ter pego seu sanduíche. Quando Derik vai fazer outro, Martim, fantasma, exige seu ouro. Derik não entende, corre e procura as pessoas, dizendo que Leo voltou. Mel encontra Alan lhe seguindo. Discutem porque Alan ainda está tentando convencer Mel a sair consigo. Mel fala sobre Dancan e insinua sobre Ísis. Quando chega a MEAK, Alan entende Zenon errado e fala de Mel. Kat lhe dá um soco e um chute. Derik tenta se pqroteger com cruzes, achando que Leo fez pacto com demônio para voltar. Mais tarde, Zenon dá bronca em Alan pelo que fez. Alan vai pedir desculpa, mas acha travesseiros no lugar de Mel. Voltando para o quarto, Martim exige seu ouro. Alan corre, encontra Estela, mas não lembra o que Martim disse. Derik também não lembra. Zenon pede a Mel que fale com Derik sobre as cruzes. Mel liga em uma agência que caça fantasmas. Dizem que as pessoas têm que ficar fora da MEAK até que tirem os fantasmas. As pessoas vão para um hotel. Angely encontra Beatrice, que devolve a Angely dinheiro que Angely tinha dado. Angely pede que fique com o dinheiro. Comenta sobre o fantasma, que Mel chamou outras pessoas por receio de Kat querer sair do corpo para resolver. Beatrice vai até a MEAK, de onde saem correndo as pessoas que Mel contratou. Beatrice fala com Martim. Ameaça expulsar com feitiço. Martim se cala, Beatrice acha que funcionou e vai embora. No hotel, CAmilo e RIcardo dizem que são milhões de fantasmas, que vão embora da ilha e que as pessoas deveriam fazer o mesmo. Mel resolve procurar um feitiço de expulsão. Angely tenta convencer a ajudar e conversar com as almas. Mel não dá ouvidos. Vão a biblioteca. Encontram Beatrice saindo. Beatrice diz que se livrou do fantasma, Mel pergunta quanto vai cobrar. Beatrice sai e encontra Edmont. Edmont diz que Angely está vigiando e que já entendeu que Beatrice não quer mais saber de grosserias. Beatrice sai com Edmont. Angely e Melody saem da biblioteca, Melody diz não confiar em Beatrice. Edmont está com Beatrice. Beatrice indaga sobre como anda se alimentando e, quando Edmont diz que trará algo, mostra que não quer matar nem animais. Edmont sai, conversa por pensamento com Angely, diz que fará Angely pagar. Martim exige de Beatrice o ouro. Provoca um foco de incêndio em um orfanato. Beatrice consegue apagar. Voltando ao apartamento, Beatrice encontra Edmont com um pitbull. Diz que treinaram para atacar crianças. Em pensamento, diz a Angely que vai pagar. De manhã, Angely encontra Brenda, pessoa com quem transara quando estava com o feitiço da espada. Edmont puxa Beatrice, para provocar Angely. Angely corre para casa, para o chuveiro. Estela passara mal e estava em seu quarto, para pedir que falasse com os professores. Angely se aproxima de Estela. Estela beija Angely. Mel chega e Angely corre. Mel diz a Alan que tem algo chamado Liczu, que pode ser feito até por acidente, mas a pessoa tem que sentir algo. Beija Alan, que corre para baixo do chuveiro. Mais tarde, Angely explica a Mel sobre Edmont usar sexo para se vingar. Kat chega e conta que viu em sonho que Martim não pode fazer nada com Angely por perto. Mel manda Angely sair, pra que possa falar com Martim. Martim está falando com Beatrice. Explica do ouro. Dá dois dias. Edmont chega. Beatrice diz que falava só. Vão para o apartamento. Martim joga Edmont pela janela e exige seu ouro. Pessoas na MEAK acham que Angely morreu. Martim começa a atirar coisas dentro da MEAK, as pessoas se escondem. Para. Angely acorda. Pede a Beleno para levar um casaco a Edmont. Vai a escola se demitir. Encontra Beatrice no caminho. Acaba contando de Edmont. Beatrice pede ajuda para ir embora. Angely olha para cima e autoriza Beleno a levar Beatrice. Descem no telhado da biblioteca e encontram Martim. Angely encontra Edmont em uma praça. Edmont diz a Angely que Beatrice quer receber ordens, e lembra a Angely que os dois anos Beatrice estava com Mel. Beleno e Beatrice falam sobre o ouro. Beatrice pede que Beleno fale com Angely para se livrarem do ouro, mas sem dizer que foi quem falou sobre isso. Fala sobre expulsar Martim, Martim joga Beleno de cima do telhado. Beleno voa, mas Martim joga Beleno no mar. Beatrice leva Beleno para o apartamento. Edmont chega, discutem. Beleno vai embora, com raiva de Beatrice. Edmont fala de Martim, Martim aparece. Edmont consegue ver Martim. Martim se oferece para quebrar a ligação de Angely e Edmont em troca de ajuda. Edmont debocha, Martim some. Na MEAK, estão tentando fazer Inês falar um feitiço. Angely sente algo e sai. Inês fala sem ninguém por perto, Martim pega Inês. Beleno e Derik conseguem pegar, derrubando Martim no penhasco, Martim some. Descobrem no dia seguinte que o feitiço era instável no primeiro dia. Kat vê em sonho que Martim na verdade roubara Lúcio, a quem a herança tinha sido deixada toda. Conta a Estela e Derik. Beatrice aparece. Fala em ir a biblioteca, onde Mel, Alan e Zenon foram. Vão, mas Beatrice some. Beatrice encontra Angely no apartamento. Angely perde contato com Edmont por um instante, e descobre que Edmont está em um prostíbulo. Beatrice segura Angely. Angely acorda com Beatrice no dia seguinte, pega uma pedra no chão e desmaia. Edmont acorda e vê Martim. Não acha Angely. Martim oferece deixar Angely dormindo eternamente. Edmont concorda em ajudar. Vai até a MEAK, levando a pedra, fala para destruírem e diz que cuidara do fantasma. Zenon diz que conhece a pedra, e fala como destruir. Alan atira em Edmont, Edmont volta. Beleno aparece com ouro. Diz que é o que falta no ouro que têm. Martim ataca. Beleno joga todo o ouro no mar. As coisas param. A noite, no lago, Edmont aponta de longe uma arma para Mel, que está fazendo o ritual para acordar Angely. Não consegue atirar e vai embora. Beleno decide ir embora com Inês, para se afastar de Beatrice, de quem gosta, e de Edmont, para proteger Inês. Angely vai morar com Beatrice.

Dara Keon