Dinheiro e confiança não nascem em árvore
MEAK
B08

Dinheiro e confiança não nascem em árvore ler resumo

Manhã. Sala da MEAK. Mel está em frente ao balcão. A parede da copa foi refeita com madeira, não há mais porta. Kat, Estela e Derik estão no sofá. Zenon e Alan estão perto da porta da cozinha.
A verdade, pessoal, é que achamos que poderíamos viver daquilo pro resto da vida e agora não temos mais. Então, vamos ter que cortar despesas e trabalhar para sustentar isso aqui. De qual coisa vocês querem saber primeiro? (Mel)
Vai pelo primeiro que você falou. (Estela)
Ok. Vamos ocupar dois quartos. Eu, Kat e Estela em um, Alan, Zenon e Derik outro. (Mel)
Peraí, não tem lugar suficiente para guardar as roupas de três... (Zenon)
Venda as melhores e teremos mais dinheiro. (Mel)
Não vou vender minhas roupas! (Zenon)
Então arranje uma caixa e guarde no sótão. Quem não aceitar essa coisa dos quartos, arranja uma casa ou pode dividir o sótão. (Mel)
E a segunda parte? (Derik)
Trabalhar. Vamos ter que arranjar empregos. (Mel)
Mel olha para Zenon e Alan.
Lamento por quem tem menos idade, vocês já deveriam ter feito isso. (Mel)
Eu não posso sair no sol! (Zenon)
Emprego noturno. (Mel)
Quem vai cuidar da pensão? (Alan)
Quem estiver aqui, ninguém trabalha o dia inteiro. (Mel)
Quando vamos dormir?! (Zenon)
Temos 6 pessoas, dá muito bem pra fazermos isso. (Mel)
Vai nos sobrecarregar! (Alan)
Mel cruza os braços.
Vocês não tem vergonha, não? Repararam que só vocês tão reclamando? (Mel)
É isso mesmo, só nós vamos protestar?! (Zenon)
Zenon olha para Kat, Estela e Derik. Kat olha para Estela. Estela encolhe os ombros. Kat olha para Derik. Derik vira as palmas para cima. Kat olha para Zenon.
Também não entendi. (Kat)
Não vão dizer nada?! (Alan)
Não dá pra procurar todo mundo junto. (Derik)
Vamos procurar todos os empregos de tarde que encontrarmos e os três tentamos até estarmos todos empregados. (Estela)
Podemos sair agora. (Kat)
Kat olha para Alan e Zenon.
Podem fazer isso, mas a noite. (Kat)
Kat sai da sala. Estela e Derik seguem.
Ei! Espera aí! (Zenon)
Isso é injusto! (Alan)
Já reclamaram demais. (Mel)
Mel olha para Zenon.
Até esperava isso de Alan... Se bem que a gente só pulava de um lado pra outro, nunca te vi com um emprego. (Mel)
Zenon cruza os braços. Mel desencosta do balcão.
Querem ficar aqui o dia inteiro? Ótimo. Posso dar um jeito nisso. (Mel)
Algum tempo depois. Alan está limpando o armário. Zenon está lavando a louça. Coloca um pote a direita. Olha para a pilha a esquerda.
Bom, aqui pelo menos não pego sol. (Zenon)
Alan para.
E é mais fácil cuidar daqui. (Alan)
Não temos patrão, nem nada... (Zenon)
Temos a Mel. (Alan)
Zenon enxuga as mãos.
Tá, eu vou arranjar um emprego. (Zenon)
Isso aqui é trabalho pro Derik! (Alan)
Zenon encara Alan.
Mas hoje são vocês que vão fazer, e eu quero a casa inteira brilhando! (Mel)
Anoitecer. Kat, Estela e Derik estão em Ares.
Ok, já fomos em duas lanchonetes e três lojas. (Derik)
Tem um monte de lugares nessa Ilha... (Kat)
Os quiosques! (Estela)
É, deve ser mais legal trabalhar perto da praia... (Kat)
Se vocês quiserem podem procurar lá, mas eu prefiro um lugar menos salgado e arenoso. (Derik)
Bom, ainda tem lojas aqui. Isso só contando as térreas. (Estela)
Eu recebi convite pra fazer um filme na outra realidade. (Kat)
Era outra realidade nos dois sentidos. Lá você era famosa. (Estela)
Pior que nossa pensão nem recebe ninguém. (Kat)
Claro, já deu uma olhada no hotel? (Estela)
Melhor pararmos de conversar e continuarmos procurando. (Derik)
Angely chega à diretoria da escola.
Queria falar comigo? (Ang)
É sobre seu trabalho. (Dínamis)
Eu sei que tenho faltado... (Ang)
A parte ruim é que vou ter que arranjar outro professor. (Dínamis)
Angely baixa a cabeça.
Eu ia... Outro dia... Já ia... (Ang)
Não recebeu o recado? (Dínamis)
Que recado? (Ang)
A diretoria vai ficar vaga, vou me aposentar. (Dínamis)
Vai? (Ang)
Tenho cento e cinquenta anos! Tá na hora! (Dínamis)
Eu não... (Ang)
Pretendo me aposentar, guardei muito dinheiro nesses anos todos. Quero você na diretoria. (Dínamis)
Prefiro continuar nas aulas. Mas conheço alguém. (Ang)
MEAK.
Como assim, diretoria? ### Mas eu nunca cuidei de nada que fosse grande... ### Tá, eu sei que eu coordenava mais os shows do que quem a gente contratava, mas isso é diferente... ### Tenho que procurar um emprego com a experiência que eu tenho, ou acha que me especializei em direção de escola e não avisei? ### Desculpa, não falei com intenção de cutucar. ### Eu nunca nem ensinei... ### Tá, eu posso tentar, mas não garanto nada. ### Tô indo praí. (Mel)
Noite. Diretoria. Mel sentou-se ao lado de Angely, estão a frente de Dínamis.
Pelo que senti, você pode coordenar isso aqui. (Dínamis)
Tem certeza? (Mel)
Tenho. Você começa a trabalhar semana que vem. (Dínamis)
Já?! (Mel)
Algum problema? (Dínamis)
É... meio em cima. (Mel)
Você vai saber o que fazer. (Dínamis)
Dínamis levanta.
Já levei o que tinha de meu daqui. Todos os arquivos estão no computador e na nuvem. O e-mail tá salvo na lista de endereços do e-mail da escola. A escola tem também um site, mas disso o corpo discente que cuida. Aliás, melhor você fazer uma reunião com o corpo discente e com o docente na segunda pra se apresentar, eles sempre chegam antes. O livro de regras da escola fica na gaveta, melhor você ler umas três vezes. Há algumas regras que não levamos tão a sério, você quem terá que julgar isso. Geralmente faço reuniões às segundas de manhã e às sextas de noite. Nunca precisei de vice, mas se quiser contratar um, tudo bem. Tudo que precisa saber está no livro ou no computador e, se não entendeu nada do que eu falei, eu escrevi tudo aqui... (Dínamis)
Dínamis tira um papel do bolso, entrega a Mel.
Agora, se me dão licença, a Austrália me espera. (Dínamis)
Dínamis entrega uma chave a Angely.
Fecha a escola pra mim? (Dínamis)
Angely abre a boca, Dínamis sai da sala e fecha a porta. Angely e Mel olham para a porta.
Será que é tão ruim assim pra jogar no meu colo desse jeito? (Mel)
Juro que achei que era só um emprego. (Ang)
Angely levanta. Abre a porta. Olha para o corredor. Vazio. Mel se levanta também. Guarda o papel no bolso.
Quem vai ficar cuidando da MEAK? (Ang)
Quem de lá não arranjar emprego. (Mel)
MEAK. Mel chega. Derik está no sofá, de braços cruzados.
De novo? (Mel)
Kat e Estela arranjaram trabalho. (Derik)
E qual o problema? É em algum lugar ruim? (Mel)
Não. O problema é que eu não arranjei. (Derik)
Então você fica cuidando do lugar. (Mel)
Que legal, todo mundo vai ter salário, menos eu... (Derik)
Eu pego o dinheiro que eu pagaria para alguém que não morasse aqui e te pago metade, já que vou querer metade do salário de todo mundo pra sustentar a casa. (Mel)
Derik levanta.
Legal! (Derik)
Isso é ironia? (Mel)
Não, é sério, eu gostei... Começo hoje? (Derik)
Não, hoje quem tá fazendo isso são as criaturas que a língua não cabe na boca. (Mel)
Derik franze a testa e entorta a boca.
Alan e Zenon tão limpando a casa? (Derik)
Até que não são ruins. Só ficamos sem jantar hoje... (Mel)
Eu preparo um lanche pra todo mundo em dois minutos! (Derik)
Derik vai para a cozinha. Alan e Zenon descem a escada.
Que caras são essas? (Mel)
Já limpou 14 banheiros? (Alan)
Conseguiram entrar no banheiro ao mesmo tempo? (Mel)
Foi difícil, mas... (Zenon)
Por que não limparam 7 cada? (Mel)
Alan olha para Zenon.
Não ia ter com quem falar mal de você. (Zenon)
É, esqueci, você não podem parar de falar. Quando vocês morrerem, vão ser dois caixões, um pra vocês, outro pra língua. (Mel)
Mel sobe.
Podia ter dormido sem essa. (Alan)
Ela também tava falado de você. (Zenon)
Mas foi mais pra você, não fui eu quem cutucou. (Alan)
Vou procurar emprego. (Zenon)
Alan franze a sobrancelha.
A essa hora da noite? (Alan)
Não, assim que o sol nascer. Gosto de pegar o sol da manhã, queima mais devagar! (Zenon)
Zenon sai.
Casa de Angely.
Mas nunca vai aceitar! (Bea)
A gente pode tentar. Edmont fica vigiando a MEAK. Descobri que Derik vai cuidar, mas não pode ficar 24 horas por dia na recepção. (Ang)
Mesmo que finja que acredita em mim, vai inventar qualquer coisa. Por exemplo... (Bea)
Dia seguinte. MEAK. Sol a pino.
Não temos tido caso nenhum e a pensão não recebe hóspedes de dia, quanto mais de noite. (Mel)
Acho que Beatrice tá virando vidente. (Ang)
Se já sabia, por quê mandou perguntar? (Mel)
Mandou eu não perguntar, na verdade. (Ang)
E por quê veio? (Mel)
Sei que não confia em Beatrice, mas eu tenho certeza que não vai fazer nada. (Ang)
Não se atreveria, sabe o que ia acontecer. (Mel)
Por favor, dá uma chance. (Ang)
Só porque colocou dentro da sua casa não quer dizer que eu também tenha que colocar aqui. (Mel)
Como sabe que fiz isso? (Ang)
Edmont me falou. (Mel)
Eu saberia, Mel. (Ang)
Fui até sua casa e vi na janela. De camisola. (Mel)
Queria falar comigo? (Ang)
Mel cruza os braços.
Pedir pra você voltar, mas já que está em tão boa companhia... (Mel)
Vai me ajudar com Beatrice ou não? (Ang)
Tudo bem. Mas se eu vir fazendo uma coisinha se quer... (Mel)
Eu sei. Estaca. (Ang)
E você vai ter que me ajudar a falar com o resto das pessoas. (Mel)
Sol a pino. MEAK.
Quê??? (Kat)
Kat, calma... (Estela)
Por que vai trazer pra cá??? (Derik)
Tá morando com Angely. (Mel)
Sem querer ofender Zenon, mas, Angely, ela é uma vampira! (Alan)
Eu sei disso. (Ang)
Pra que fazer tempestade em copo d’água? Ela não estaria enganando o Angely, sabe que não duraria muito tempo e sabe que estamos alertas quanto a ela. Ao primeiro mal passo, mandamos pro inferno. (Estela)
Tá do lado dela?! (Alan)
Pois eu sou a favor de fazer isso agora mesmo, pela ousadia. (Kat)
Pela ousadia dela pedir emprego aqui ou de agarrar Derik bêbado? (Estela)
Derik baixa a cabeça. Levanta e sai.
Derik... (Kat)
Kat olha para Estela.
Viu o que você fez?! (Kat)
Seu namorado te trai e eu que tomo bronca?! (Estela)
Nós tínhamos terminado e você não tem nada a ver com isso! (Kat)
Kat levanta e vai atrás de Derik.
Ai... Desculpa... (Estela)
Estela levanta. Mel passa rápido por Estela, que senta de volta. Passa por Kat e Derik e para, de braços cruzados.
Vamos voltar ao assunto? (Mel)
A gente já... (Kat)
Na sala, com todo mundo? (Mel)
Kat revira os olhos e volta. Derik olha para Mel. Baixa a cabeça e volta. Mel vai para a sala também.
Zenon, você gostou de desconfiarem de você? (Estela)
Isso é diferente! Eu tenho um motivo! (Zenon)
Que não conta pra ninguém... (Estela)
Isso não tá em discussão aqui. (Zenon)
Está sim. Estamos falando de confiança. Nós confiamos em você, que tem um currículo bem maior e não estou falando isso pra te deixar chateado como, sem querer, acabei fazendo com o Derik. Por que não confiamos nela? Por que alguns aqui viram ela matar? Só por quê não vimos as vítimas do Zenon ele é mais confiável? Não estou querendo te deixar pra baixo, mas é o único exemplo que tenho. (Estela)
E agora vamos confiar em Beatrice só por quê confiamos em Zenon? (Kat)
Ainda mais quando estamos dormindo, vulneráveis e... (Derik)
Gente... (Ang)
Todas as pessoas olham para Angely.
Por favor. (Ang)
Tarde. Casa de Angely.
Como assim, deixaram?! (Bea)
Deixaram. Hoje de noite você já pode ir lá, ficar na recepção. (Ang)
Sério?! (Bea)
Assim que o sol baixar. Telefone vermelho da pensão, azul da agência. (Ang)
Beatrice abraça Angely.
Valeu! (Bea)
Angely sorri. Beatrice se afasta, olha para Angely e passa-lhe a mão no rosto.
Queria que Edmont não existisse. (Bea)
Angely se afasta e baixa a cabeça.
Não diz isso... Pode deixar com raiva, posso não conseguir segurar e... (Ang)
Beatrice se aproxima e levanta o rosto de Angely.
Não quero perder você. (Ang)
Beatrice se aproxima e beija Angely. Angely se afasta.
Não, por favor... (Ang)
Beatrice suspira.
Tudo bem. Você vai aceitar um dia. Eu vou saber esperar. (Bea)
Beatrice sai da sala.
Tá perdendo a parte boa de morar com Beatrice. (Edmont)
Sua opinião não me importa (Ang)
"Não quero perder você..." "Não, por favor..." Que nojo... (Edmont)
Por que não vai tomar um sol? Tá um dia lindo lá fora. (Ang)
Dia seguinte, amanhecer. Sala de docentes. Há tanto docentes quanto discentes na sala. Angely está também. Mel chega com pastas. As pessoas se entreolham.
Bom, Dínamis resolveu ir pra Austrália e, por enquanto, isso aqui tá me parecendo muita confusão, então, por favor, não me façam perguntas muito complicadas. Vou tentar dirigir isso, Dínamis disse que eu podia, mas, se tiverem uma outra indicação, podem fazer. Por enquanto, é só o que tenho a dizer. (Mel)
Eu dou aula de Geografia. Tenho uma reclamação sobre uma aluna. Ela não rende, é muito desligada e não presta atenção... (Bianor)
Já tentou perguntar pra pessoa por quê disso? (Mel)
Não, temos que falar direto com os pais dela, isso é falta de vergonha... (Bianor)
Talvez a pessoa esteja com um problema, deveríamos falar primeiro com a pessoa. (Mel)
Silêncio.
Mais alguma reclamação? Podem fazer, eu não mordo. (Mel)
As pessoas se entreolham.
Tá, então vou pra minha sala. (Mel)
Mel sai. Docentes olham para Bianor.
Que foi?! Não têm mais o que fazer?! (Bianor)
Horário de entrada. Kat, Estela e Derik estão no corredor.
Então, começam hoje? (Derik)
Sim. E você, o que arranjou? (Estela)
Não contei? Mel deixou eu ficar cuidando da casa. (Derik)
Junto com Beatrice?! (Kat)
Não, só vou ver quando chegar e quando sair. (Derik)
Alan e Zenon já arranjaram emprego? (Estela)
Sei lá. Mas com certeza arranjarão, depois do que Mel fez fazerem... (Derik)
MEAK. Zenon e Alan estão na sala.
É aí que precisa de motorista? ### Ah, já arranjaram... (Alan)
Um tempo depois.
Não precisam mais? (Zenon)
Mais um tempo depois.
Tem que ser mulher? (Alan)
E mais um tempo depois.
Só porque é teste de brinquedo não precisa... Alô? ### Desligou. (Zenon)
Zenon coloca o telefone no gancho.
Será que vamos continuar limpando a casa? (Alan)
Ou ocupando o telefone enquanto alguém pode estar com problemas. (Bea)
Olha aqui... (Alan)
Porque vocês não vão bater nas portas? Talvez pedir emprego de segurança, olha o tamanho de vocês... (Bea)
Tá me chamando de guarda-roupa?! (Zenon)
Se estiverem no desespero, tem bares "pra mulheres" em Ares. (Bea)
Não vou me prestar a esse papel. (Alan)
Não é tão ruim. (Zenon)
Já esteve num?! Pra que?! (Alan)
Pedido da Clítia. (Zenon)
Deve ficar ridículo de tapa-sexo. (Alan)
Se me dissesse que acha que eu ficaria bem, eu ia ter que te dizer que não te acho sexy. (Zenon)
Não, eu posso ter gostado de uma lésbica, mas gay eu não viro. (Alan)
Vou pedir aumento se tiver que aguentar isso. (Bea)
Toca o telefone. Beatrice atende.
MEAK agência de investigações, no que podemos ajudar? ### Mário? ### Ah, não, mandamos de volta para a tribo, canibal tava dando muito trabalho, mas, se quiser passar seu endereço... Alô? (Bea)
Beatrice coloca o telefone de volta no gancho.
Você e a Mel deviam dar aulas de respostas para trotes. (Alan)
É o primeiro elogio que ouço desde que entrei. (Bea)
Se depender de mim, será o único. Aliás nem foi tão boa assim, quem acreditaria nisso? Eu não acreditaria. (Zenon)
Ok, agora por favor me diz que, com mais de duzentos anos nas costas, você não fica por aí passando trote nas pessoas. (Bea)
Claro que não! (Zenon)
Zenon olha para Alan.
Tô falando sério! (Zenon)
Mas eu nem... (Alan)
Vocês não têm mais o que fazer? (Bea)
Não. (Alan)
Beatrice pega o telefone.
Tenho certeza que Melody não dirá isso... (Bea)
Vai contar pra ela que estamos aqui? Pode fazer, eu não ligo. (Alan)
Beatrice disca e coloca o telefone na orelha.
Alô? Melody? (Bea)
Alan arregala os olhos e sai correndo.
Ei, me espera! (Zenon)
Zenon pega o capuz e segue Alan.
Tudo bem, foi engano. ### Eu sei que minha voz é bonita, mas meu jantar tá gritando no chão e é melhor eu acabar logo antes que alguém chegue. (Bea)
Beatrice desliga o telefone. Olha para o relógio.
Mais cinco horas e eu vou pra casa... Pelo menos podia acontecer de ligar alguém fugindo de baratas. Ia ser mais animado. (Bea)
Silas desce a escada e vai na direção da porta.
Ei, não vai pagar pelo quarto?! (Bea)
Silas vira para trás.
Eu não vim aqui! Aliás, eu nunca vim aqui, entendeu?! (Silas)
Silas sai. Beatrice sobe a escada. Bate a porta de um quarto.
Entra. (Fábio)
Beatrice entra no quarto. Fábio está na cama, corpo coberto até a cintura.
Porque estavam sempre bêbados demais e eu sou sempre um pervertido que será processado? (Fábio)
Proce...? (Bea)
Nunca processam mesmo. Nem se importam em saber meu nome. Além do que, mesmo que conseguissem um juiz que aceitasse a cretinice, o nome deles seria eternamente comprometido. (Fábio)
A gente devia sair pra beber. Dedo podre também é minha especialidade. (Bea)
Fábio se senta.
Nem dá pra dizer que você é vampira. De falar em vampiros, eu lembro de alguém com um destino bem pior que o meu e lembro que não deveria estar me lamentando desse jeito. (Fábio)
Alguém especial? (Bea)
Minha irmã. A única pessoa que me entendia. (Fábio)
Que aconteceu? (Bea)
Zenon aconteceu. (Fábio)
Ah. (Bea)
Ela parecia um pouco com você. (Fábio)
Cabelo vermelho? (Bea)
Não. Sabia me consolar. (Fábio)
Bom, eu só comentei de beber... Telefone, já volto. (Bea)
Beatrice sai.
Sabia que ouvido de vampiro é bom, mas não sabia que é tanto... (Fábio)
Beatrice atende o telefone na sala.
MEAK agência de... (Bea)
Beatrice olha para o telefone e arregala os olhos.
Quartos. ### Tudo bem, foi só uma pequena confusão, não faz muito tempo que estou no emprego. ### Temos sim, muitos quartos vagos. ### Se temos problemas com hóspedes diferentes? Bom, no momento nem temos ninguém aqui... ### Ótimo! ### Quanto?! ### A diária não é tão alta... ### Todos os quartos?! ### Mesmo assim é muito mais que o preço que cobramos... ### Não, não estou reclamando, de modo algum, nem é meu isso aqui... (Bea)
Beatrice franze a sobrancelha.
Só um instantinho, outra ligação, eu já volto... (Bea)
Beatrice aperta um botão no telefone, pousa no balcão. Sobe as escadas e entra novamente no quarto de Fábio.
Que susto você me deu! (Bea)
Só cortei o dedo... Ouviu isso também?! (Fábio)
Senti o cheiro. (Bea)
Pode ficar sossegada, não vou me matar por causa de gente escrota assim. (Fábio)
Tá, então vou voltar pro telefone. (Bea)
Eu já passo lá e pago. (Fábio)
Se o lugar fosse meu, até falava pra você que não precisava. (Bea)
Sinal de que se um dia comprar isso aqui, você vai à falência. (Fábio)
Beatrice desce a escada e pega o telefone.
Então, tem uma família grande e bizarra com muito dinheiro... Quando vem pra cá mesmo? (Bea)
Tarde. Alan e Zenon estão em um bar vazio.
Facilita essa coisa de vários bares, uns em cima dos... (Alan)
Akasha se aproxima de Zenon e Alan.
Estão esperando vocês. (Akasha)
Akasha volta e Zenon e Alan seguem. Um tempo depois, em uma sala, Isauro está atrás de uma mesa, recostou-se para trás. Alan e Zenon estão em pé em frente a mesa. Akasha está perto da porta.
Então acham que podem nos proteger. (Isauro)
Sim. (Zenon)
O que sabem lutar? (Isauro)
Bem, a gente aprendeu lutando, sabe, luta comum... (Zenon)
Não. Não sei. (Isauro)
Eu fui CV. (Alan)
Isauro inclina-se mais para frente.
Se foi, quer dizer que foi expulso. (Isauro)
Ele se aliou a uma vampira. (Zenon)
Mentira, eu fui enganado por ela! (Alan)
Akasha joga Alan para fora do prédio. Depois Zenon. Zenon puxa o capuz e se cobre.
Por que tinha que dizer que foi enganado??? (Zenon)
Não queria que ele pensasse que eu... (Alan)
É mau? Desculpa, mas isso aqui não me parece ter fregueses bonzinhos ou empregados que bebem leitinho quente antes de ir pra cama! (Zenon)
Tá me chamando de bebê?! (Alan)
E claro, brilhante dizer "fui enganado"! Eles não empregariam alguém que foi enganado! (Zenon)
Eu não ia mesmo trabalhar em um lugar de demônios! (Alan)
Isso, diz mais alto. Aproveita e diz que teríamos uma ótima ligação para a nossa agência que caça coisas ruins. Quem sabe eles não mudam de idéia e, ao invés de nos jogar aqui, não nos levam para cima e jogam de lá mesmo! (Zenon)
Vamos voltar pra casa. Tô com fome... (Alan)
MEAK. Derik está na sala, com livros. Alan e Zenon entram.
Estudando? (Zenon)
E o almoço? (Alan)
Derik olha para Alan.
Depende do que pretende comer, pode olhar a geladeira. Se for complicado, pode usar seu salário pra encomendar. (Derik)
Não precisa pisar. (Alan)
Derik volta a olhar o livro.
Estou procurando um negócio que Beatrice deixou embaixo do telefone errado. (Derik)
Ah? (Zenon)
Deixou um nome que tenho certeza que... Ah, achei! (Derik)
Derik levanta e mostra o livro pra Alan e Zenon.
Yaksah? (Zenon)
Que bonitinho... (Alan)
Podemos derrubar isso, eu já vi um desses. (Zenon)
As armas estão lá em cima. (Derik)
Derik, Zenon e Alan sobem. Voltam. Yaksahs pela sala. Recuam para a escada.
Tá, eu achei que era um só... (Zenon)
Disse que a Beatrice deixou embaixo do telefone errado? (Alan)
Que, acha que tava no certo e são hóspedes? (Derik)
Ok, gente, vamos rezar para isso ter sido mandado pelo Edmont. (Zenon)
Assim Angely vai aparecer aqui para nos salvar? (Derik)
Pegou o espírito. (Zenon)
Por enquanto, a gente vai. (Alan)
Derik, fica, se a coisa ficar feia, chama ajuda. (Zenon)
Zenon e Alan entram na sala. Zenon toma um soco. Alan tenta cravar uma estaca em quem deu um soco e toma um chute. Seguram Zenon e Alan. Beatrice entra na sala.
Mas o que é isso??? (Bea)
Você disse que não tinham problemas com hóspedes diferentes! (Zania)
Nos atacaram! (Lora)
Tudo bem, não vão mais fazer isso, né, gente?! (Bea)
Beatrice olha para Alan e Zenon.
São nossos hóspedes??? (Alan)
Que vão pagar muito bem a estadia, não é? (Bea)
Beatrice olha para Lora e Zania, com um sorriso.
Nos atacaram! (Zania)
Essa parte eu já ouvi, mas explicamos agora e isso significa que não farão de novo. Inclusive, vou ligar para as outras pessoas que moram aqui e avisar de vocês, tá? (Bea)
Se formos... (Zania)
Podiam largar... Por favor? (Bea)
Largam Zenon e Alan. Beatrice pega o telefone. Disca. Olha para Alan e Zenon.
Não vão mostrar os quartos? (Bea)
Ué, eles vão ocupar todos, porque não podem escolher sozinhos? (Alan)
Eu mostro. Os quartos estão lá em cima... (Derik)
Escola. Diretoria.
Como assim?! ### Mas tem certeza que não vão fazer nada demais? ### Você viu? ### Confia tanto em Beatrice, Angely... ### É claro, mal demos o cargo e já enfiou lá um monte de... ### Eu sei que estamos com problemas financeiros, mas... ### Tá, agora você liga para Estela e Kat. (Mel)
MEAK. Bea está na recepção, sentou-se.
Então, temos agora uma família de... (Mel)
É uma família Yaksah, têm bastante dinheiro, muito gentis, com dinheiro... Uma família grande e rica... Eu já disse que têm muito dinheiro? (Bea)
Porque não foram se hospedar no hotel? (Estela)
Bom, eu até perguntei quando disseram que iriam pagar dois milhões, mas... (Bea)
Por que você perguntou?! Podiam ter desistido! (Kat)
Seres humanos não têm costume com a aparência de Yaksahs. (Bea)
Dia seguinte. Noite. MEAK. Mel e Angely estão no quarto de Mel. Mel está na cama. Angely sentou-se no chão.
Não sei, ainda não me acostumei com... Yaksahs. (Mel)
Não têm uma energia muito positiva, mas não acho que vão fazer algo errado. (Ang)
"Energia positiva"? É religião ou tá achando que são pilhas gigantes? (Mel)
Tem algo errado. (Ang)
Já percebi. (Mel)
Não tem a ver com aqui. Edmont... (Ang)
Angely levanta e sai correndo. Mel senta-se na cama.
Peraí, fala o que tá acontecendo! (Mel)
Ares. Angely chega em um apartamento. Bate. Nada. Angely chuta a porta, a tranca arrebenta, a porta bate contra a parede. Angely entra. Vai até o quarto. No espelho, a inscrição "FRAQUEZA". Fábio está na cama, de costas.
Vão me expulsar? (Fábio)
Expulsar? (Ang)
Por que você... (Fábio)
Fábio senta e vira para a porta. Respira fundo.
Angely. (Fábio)
Achou que fosse Edmont. Mas antes achou que fosse outra pessoa. (Ang)
Soraia. Pode não acreditar, mas já vi quebrar mais de cem portas. (Fábio)
Por isso perguntou se iam te expulsar. (Ang)
Alan dormiu com Clítia e expulsaram. (Fábio)
Acusou Soraia de estar inventando isso. (Ang)
É, agiu como um idiota. Mas mesmo que eu vá lá, de cabeça baixa, e admita que... (Fábio)
Fábio baixa a cabeça.
Não vão me perdoar por isso. (Fábio)
Soraia achou que Alan estava armando com Clítia. Ninguém te enganou com palavras. (Ang)
É. Eu simplesmente fraquejei. Não precisa dizer isso, já tá escrito no espelho. (Fábio)
Não vão te expulsar. Confie em mim. (Ang)
Fábio olha para Angely.
Se me defenderem como defenderam Zenon, não duvido que... (Fábio)
Fabio baixa novamente a cabeça.
Desculpe. (Fábio)
Tudo bem. Vou te levar até a MEAK, depois damos um jeito de falar com Soraia. (Ang)
Podemos passar numa lanchonete antes? (Fábio)
Claro. (Ang)
MEAK. Beatrice está na recepção. Franze a testa. Vai até a parte de trás da casa. Olha e vê uma pessoa amarrada e alguns dos hóspedes conversando. Sobe até o quarto de Alan, Zenon e Derik.
Acordem! (Bea)
Pulam das camas.
Que estão fazendo dormindo??? (Bea)
Acabou de responder, o que deu na sua cabeça??? (Alan)
Na minha nada, mas deve ter dado algo na da família! Tem uma pessoa amarrada lá fora! (Bea)
Eu sabia que não podíamos confiar neles! (Alan)
Zenon desce da beliche.
Engraçado como você sempre guarda tão bem o que percebe... Sempre sabe de tudo, mas só ficamos sabendo que você sabia depois! (Zenon)
Olha aqui... (Alan)
Parem de implicância, tem gente precisando de ajuda lá embaixo! (Derik)
O que vamos fazer? (Zenon)
Nosso banquete surpresa às dez horas. (Derik)
Ah? (Alan)
Vai envenenar a comida? (Bea)
Seria arriscado, podem querer que comamos junto. Mas com todo mundo reunido, podemos atacar. (Derik)
Você lembra da última vez que tentamos isso? (Alan)
Eu não tava junto. (Mel)
Se modéstia pagasse imposto... (Zenon)
Kat e Estela entram no quarto.
Reunião? (Kat)
Que bom que vocês chegaram, vai ser mais para... (Zenon)
Mel encara Zenon.
Vai querer colocar as crianças nisso?! (Mel)
Ei! (Estela)
Tenho o dobro da sua idade, não reclama! (Mel)
Faz dois anos que isso não é verdade. E não foram dois anos de brincadeira no parque. (Kat)
Mel encara Kat.
Peraí, eu vi no livro que comem insetos também! (Derik)
Isso nós não comemos, então eles não vão falar nada. (Zenon)
Do que tão falando? (Kat)
Vamos fazer um banquete. Caso nos convidem pra comer junto, só serão envenenadas as coisas que não comemos. (Bea)
Mas como vamos descobrir o que pode matar essas coisas? (Estela)
Derik bate a porta de um dos quartos. Zania abre.
Sabe, eu sou quem cozinha por aqui, por isso preciso saber ao que têm alergia. (Derik)
Alergia? (Zania)
É, o que prejudica vocês. (Derik)
Quarto. Zenon está em um canto do quarto, com a cadeira na sua frente.
E se eles sentirem o cheiro?! (Zenon)
Não vão sentir, solta essa cadeira. (Mel)
Mas... (Zenon)
Você nunca transformou ninguém?! (Bea)
Já, mas é diferente! (Zenon)
Gente, tira do meu mesmo que isso aí... (Bea)
Já fiz isso uma vez, eles não querem saber de quem envenenou, só vem atrás de... (Zenon)
Peraí, fez Derik se arriscar e não disse que era isso por medo??? (Kat)
É, bom... (Zenon)
Tira do meu logo. (Bea)
Mel pega um copo.
Espera, eles podem pegar Derik na cozinha com isso! (Estela)
Tem um jeito de disfarçar o cheiro. Dá no mesmo efeito, mas o cheiro fica diferente. Nem os CVs de sangue percebem. (Zenon)
E qual é? (Alan)
Vinagre. Vai ter que beber um litro, Beatrice. (Zenon)
Um litro de vinagre?! (Bea)
Quanto mais melhor. (Zenon)
Busca dois litros na cozinha, Derik. (Mel)
Dois?! (Bea)
Derik passa pela sala com um copo com sangue. Lora segura seu braço.
Que é isso? (Lora)
Sangue de animal... (Derik)
Se vier com insetos... (Lora)
Como assim? (Derik)
Essa coisa de insetos que está sempre escrita nos livros. Não comemos mais isso. (Lora)
Você é chefe da família? (Derik)
Sou. (Lora)
Então devo pedir uma coisa. Viu a pessoa que cuida de tudo aqui? (Derik)
Sim. Não é humana. Achei isso bom! Deve ser por isso que têm vampiros por aqui... Ficamos de pé atrás, mas ela tem controle de tudo, não é? Até os vampiros ela controla! Parece uma grande líder, a gente... (Lora)
Mel, Kat e Ang são de outro planeta. Têm uma coisa de não comer dentro de casa, nunca entendi muito bem. Estou avisando pra não insistirem de alguma forma, isso seria como uma ofensa. E como não queremos que outras pessoas hospedadas aqui causem problemas, vamos servir as outras pessoas em seus quartos. (Derik)
Pode deixar, vou avisar os outros. (Lora)
Agradeço. (Derik)
Mel, Bea, Zenon e Alan se armam.
Por que não podemos lutar também? (Estela)
Não têm idade e não sabem lutar. (Mel)
Você não ensina... (Kat)
Quando fizerem 18, eu começo a treinar. (Mel)
Mas você começou com 10! (Estela)
8. E sua promessa antes era 16. (Kat)
Eu morava em outro lugar e não mandava na minha vida. (Mel)
Se mandasse, teria começado com dois provavelmente... (Kat)
Isso não tá em questão, não adianta baterem o pé. (Mel)
Mel, Bea, Zenon e Alan saem pela janela do quarto. Descem até o chão. Olham pela janela da copa. Derik está em pé. Yaksahs começam a comer. Lora olha para Derik e sorri. Engasga. Zania olha para Lora. Olha para Derik. Engasga também. Todo mundo começa a engasgar.
Ei, parem com isso! Vou considerar isso uma ofensa grave! (Derik)
Você nos envenenou... (Zania)
Claro, vou envenenar as únicas pessoas pagando que temos desde um tempão, sou idiota agora... (Derik)
Entram Krene e Juer.
Que está acontecendo??? (Krene)
Eu nunca mais cozinho pra vocês! Só disseram que tinham alergia a sangue de vampiro, nada mais! (Derik)
Juer encosta Derik na parede.
Não tente nos fazer de idiota, você envenenou todo mundo! (Juer)
Agora nós vamos usar as duas crianças pro nosso sacrifício também! (Krene)
Mel arranca a cabeça de Krene com um machado. Juer puxa Derik para sua frente. Mel, Zenon e Alan cercam pela frente.
Nosso clã não irá morrer assim!!! (Juer)
Mel solta o machado e cruza os braços. Zenon e Alan franzem a testa, olhando para Mel.
É isso mesmo, não adianta lutar! Vamos usar os corpos mortos de vocês pra botar... (Juer)
Beatrice enfia um pano sujo de sangue na boca de Juer. Juer solta Derik. Cospe o pano. Engasga. Cai no chão. Mel olha para o pulso cortado de Beatrice.
Que foi? Queria parte dos nossos corpos, eu dei. Fica todo mundo feliz. (Bea)
Se tem algo que nunca pudemos reclamar foi da sua inteligência. (Mel)
Mel pega o machado e segue para a mesa. Beatrice sorri. Alan balança a cabeça para os lados. Vai ajudar Mel a cortar cabeças.
O que... (Bea)
A essa altura já não sei se é orgulho ou ciúmes. (Zenon)
Angely e Fábio chegam.
Parece que chegamos atrasados pra festa. (Fábio)
Vamos queimar a comida, antes que dê problemas. (Bea)
Mas eu demorei tanto pra fazer... (Derik)
Mel, Bea, Zenon e Alan encaram Derik.
Por quê... (Ang)
Fizemos um banquete pra envenenar porque queriam fazer um sacrifício no nosso jardim. (Mel)
Falando nisso, não é melhor desamarrar a pessoa? (Bea)
Não precisa. (Rob)
Como se livrou das cordas? (Alan)
Não sei. (Rob)
E como sabia que estávamos falando de você? (Zenon)
Vim ouvindo. Acordei ali, deitado no chão... (Rob)
Qual seu nome? (Estela)
Roberto. Me chama de Rob. (Rob)
Melhor levar você em casa. (Bea)
Meu pai me expulsou de casa. Acha que sou gay. (Rob)
Pode se abrigar aqui até provar que não é. (Estela)
Fábio baixa a cabeça.
Sério? (Rob)
Não tem que provar algo pra essa pessoa. Pode ficar aqui se quiser. Ninguém aqui tem nada contra sexualidade nenhuma. (Mel)
Não entendo muito bem quando as pessoas dizem que são bi, eu... (Alan)
Mel cruza os braços e encara Alan.
Não tenho nada a ver com a sexualidade das outras pessoas. (Alan)
Mel descruza os braços e olha novamente para Rob.
Vai ter que ajudar. Comece ajudando a jogar fora as coisas que estão lá em cima, junto com Kat e Estela. Zenon e Alan, vamos nos livrar dos corpos. Derik, Beatrice e Angely, queimem a comida. (Mel)
Sua frase parece que é pra jogar Kat e Estela fora também. (Zenon)
Mel encara Zenon.
Eu não vou suportar isso! (Derik)
Então suba com Rob. (Mel)
Mel olha para Fábio e franze a testa.
Estava com vocês quando soltaram Zenon. (Fábio)
É amigo da Soraia. (Alan)
Veio ficar aqui? (Mel)
Ajudo no que? (Fábio)
Vamos reorganizar. Zenon, Alan, nós subimos e damos um jeito na bagunça lá em cima, pode ter algo valioso. (Mel)
Vou junto, conheço vários desses objetos... (Derik)
Tá. Kat, Estela e Rob, queimem a comida. (Mel)
E eu? (Bea)
Vocês três se livram dos corpos. Vê se não vão jogar fora coisa errada. (Mel)
Mel sobe, Derik, Zenon e Alan seguem. Kat vai até a cozinha e volta com um latão. Jogam os pratos com comida dentro. Kat, Estela e Rob carregam o latão para a cozinha. Beatrice tira um corpo de uma cadeira e coloca nos ombros. Angely vai até a cozinha. Fábio pega uma cabeça e joga pela janela. Fábio olha para o outro canto da sala. Juer levanta uma besta na direção de Beatrice, que está indo para a saída. Fábio corre e chuta a besta. Beatrice olha para trás. Juer puxa a perna de Fábio, jogando no chão, e crava uma estaca no estômago. Ang vem da cozinha. Vai até Fábio. Beatrice joga o corpo no chão. Sai.
Agora vou ser realmente expulso... Me matei pra defender uma vampira... (Fábio)
Não pense nisso agora. (Ang)
Acho que não foi por Beatrice de qualquer forma... Foi por você... A única criatura... Pura de verdade... Que encontrei até hoje... (Fábio)
Vou dar um jeito de... (Ang)
Não tem jeito... (Fábio)
Fábio treme. Angely se senta e puxa Fábio para seu colo.
Posso te... pedir uma... última coisa? (Fábio)
Peça. (Ang)
Um beijo... Nunca ganhei um... de verdade... (Fábio)
Angely passa a mão no rosto de Fábio. Beija Fábio. Uma lágrima cai dos olhos fechados de Fábio. Param. Fábio abre os olhos.
Obrigado... (Fábio)
Fábio fecha os olhos. Angely levanta, com Fábio nos braços. Coloca Fábio no sofá. Sai. Beatrice encostou-se na parede da varanda.
Que aconteceu? (Bea)
Fábio te salvou. (Ang)
Eu sei. Por quê? (Bea)
Porque tem um bom coração. (Ang)
"Tem", no presente, quer dizer que ainda vive? (Bea)
Não. Mas continua tendo um bom coração. Longe de nós, mas continua. (Ang)
Conhece alguma amizade? (Bea)
Soraia. Mas vai ter que se esconder, Fábio disse que é CV de sangue. (Ang)
Quer dizer que tem o sangue e poder de Aléxis na veia? (Bea)
Sim. (Ang)
Vamos tirar daqui, é indigno ficar num lugar onde essas coisas morreram. (Bea)
Angely vai até o sofá, pega Fábio. Sai. Beatrice pega o machado no chão. Corta as cabeças que faltavam. Sobe. Volta com um baú. Coloca todas as cabeças no baú.
Pode ser que ainda vivam, mas quero ver enxergarem pra atirar em mim agora... (Bea)
A festa foi boa. (Edmont)
Beatrice vira-se para a porta.
Que tá fazendo aqui?! (Bea)
Angely mandou eu vir te ajudar enquanto leva o corpo pra criatura que gosta de Alan. (Edmont)
Ah? Mas Angely falou... (Bea)
Isso, Soraia. Qualquer vampir que se preze conhece a lista de CVs até de ponta cabeça. (Edmont)
Não estou mais nesse meio. (Bea)
Vamos dar um jeito nisso aqui logo que eu tô com fome. (Edmont)
Andar de cima.
Já pensou que o sótão não é um lugar seguro? (Alan)
Do que tá falando? (Mel)
Nós guardamos o que achamos lá, mas aquilo não é um local seguro. (Alan)
Ele tá certo. (Zenon)
Tá. (Mel)
E... (Alan)
Vocês cuidam disso. Não tenho tempo. (Mel)
Tá mandando a gente arranjar um lugar mais seguro? (Zenon)
Vou ter que soletrar? Vocês são as pessoas que não têm mais o que fazer por aqui. (Mel)
Ei! (Zenon)
Já arrumaram emprego? (Mel)
Alan e Zenon se entreolham.
No jardim, Rob, Kat e Estela estão olhando a comida queimar.
Podíamos ter doado isso. (Kat)
Matar Yaksahs não é a única propriedade do sangue vampírico. (Rob)
Ah? (Estela)
Você conhece sobre...? (Kat)
Eles estavam falando do meu lado. Aliás, não sei o que foi pior, ficar amarrado ou ouvir eles falando... Pior quando resolveram contar piadas! Posso conhecer quem salvou minha vida? Quer dizer, o vampiro que fez isso? (Rob)
Fui eu. (Bea)
Olham para Beatrice. Beatrice vem e pousa um baú no chão, perto do latão.
Vamos queimar isso também. (Bea)
E as cinzas? (Estela)
Não vamos queimar tudo junto, venderemos as cinzas pra alguma lojinha de objetos mágicos. (Bea)
Não é mais fácil vendermos os corpos? Porque cinzas podem ser de qualquer coisa... (Kat)
Beatrice franze a testa. Pega o baú e volta para dentro.
Não sei como Mel deixa ficar aqui. (Kat)
Desculpe me intrometer, mas não fosse ela eu estaria morto. (Rob)
Tem mais vampir aí. (Kat)
Aquele medroso?! Vou ter que concordar, não fosse ela, ele não estaria vivo. (Estela)
Por mim já tínhamos cravado uma estaca. (Kat)
Dia seguinte. Derik desce a escada.
Agora eu cuido, pode ir. (Derik)
Beatrice guarda o celular e sai de trás do balcão. Kat aparece com uma estaca.
Mel já disse pra você que não pode caçar. (Bea)
Vou matar alguém que Mel não quer matar. (Kat)
Mel não quer matar vampir? (Bea)
Não vai perguntar quem é? (Estela)
Não tenho nada a ver com isso, mas se quiser me dizer... (Bea)
Te mandaria olhar no espelho, mas você não tem reflexo... (Rob)
Brincadeira idiota... (Bea)
Não é brincadeira. (Derik)
Beatrice olha para a mão de Estela. Estaca. Derik também. Rob entra, também com arma.
Não quero ter que bater em vocês. (Bea)
Não precisa, nós não vamos deixar. (Derik)
Não me querem aqui, não é? (Bea)
Olha só, descobriu! (Kat)
Não aceitam que alguém possa mudar... (Bea)
Nós aceitamos! Até aceitamos Zenon, mas você... (Estela)
Sabe, está escrito na sua cara "prostituta assassina". Não tem como. (Rob)
Beatrice vai na direção da porta, Kat se coloca na frente. Derruba Kat. Estela e Rob tentam segurar, Beatrice joga no chão. Vira para a porta. Derik está com uma besta.
Desculpe, mas tenho que provar para Kat meu amor. (Derik)
Derik atira. Beatrice acorda. Olha para o teto. Senta-se na cama. Vai ao banheiro, olha para sua não imagem no espelho.
Ainda bem que eu não tenho o dom de Kat... (Bea)
Kat, Estela, Derik e Rob estão na recepção.
Mas se ela já fez tudo isso, porque confiam nela? (Rob)
Zenon fez muito mais. (Estela)
Isso é desculpa? (Rob)
Tava defendendo agora pouco... (Derik)
Eu não sabia que ela era desse jeito. Ela pode matar alguém aqui dentro! Pode ter feito isso pra ganhar confiança! (Rob)
Mas nós não podemos fazer nada. (Kat)
Espero que os que se acham adultos não descubram tarde demais. (Rob)
Rob sobe.
Não quis falar na frente dele, mas Kat veria se Beatrice fosse fazer alguma coisa. (Estela)
Isso é verdade. (Derik)
Por que você defende tanto Beatrice?! (Kat)
E o que você tem tanto contra ela?! (Estela)
Quer mesmo saber?! Quem criou Beatrice matou meus pais e costumavam matar junto! Não merece confiança nem de vampirs! (Kat)
E o Zenon?! Só por quê não são da sua família as pessoas que ele matou, merece mais confiança, é isso?! (Estela)
Não vamos brigar, ok?! Vocês não vão arriscar a amizade, ficar criando rixa por causa de alguém que nem pode fazer nada contra nós?! Por que sabe que, se fizer, vai direto pro inferno! (Derik)
Pode estar atrás de Mel! (Kat)
Por que estaria?! (Derik)
Transformou Edmont no que é agora, tá que não era nenhuma santidade, mas não era homicida! (Kat)
Era sim. (Ang)
Kat, Estela e Derik olham para a porta. Angely está do lado de fora.
Edmont gostava de matar as pessoas com quem competia desde criança. Sempre adorou matar. Pode ser que vampirismo, que também é um jeito de ter mais poder, suba a cabeça. Mas ninguém muda tanto assim, Kat. Tanto que Beatrice, que não era ruim, agora está tentando voltar atrás. Sabemos que deixar de ser vampir não pode mais, mas dê uma chance, é só o que peço. (Ang)
Não devia estar na escola? (Kat)
Mel me pediu pra buscar uma coisa. (Ang)
Angely sobe a escada. Kat respira fundo.
Anoitecer. As pessoas estão saindo da escola. Mel está na diretoria. Jessé entra na sala.
Co-como foi o dia? (Jessé)
Bem. Normal. (Mel)
T-tá. P-pode ir mais ce-cedo, e-eu fi-fico. (Jessé)
Valeu. (Mel)
Mel sai. Encontra Angely na sala, arrumando a bolsa.
Saindo mais cedo? Ou veio pedir algo? (Ang)
Jessé disse que ficava lá. Legal ter confiança de pegar a diretoria a noite. (Mel)
Como assim? (Ang)
A gagueira. As pessoas costumam fazer piada, às vezes tira a auto-confiança. (Mel)
Jessé não tem gagueira... (Ang)
Ah?! (Mel)
Diretoria, Jessé pega uma caneta. Tem o nome de Mel. Jessé se senta na cadeira.
Quando que você vai conseguir falar direito com ela? (Jessé)
Mel chega em casa com Angely.
Já teve fã que gaguejou perto de mim, mas isso é diferente... (Mel)
Por quê? (Ang)
Uma pessoa que aparece na televisão parece mais... Sei lá... Nos colocam em altares. Mas pessoalmente... (Mel)
Você causa efeitos estranhos nas pessoas. (Ang)
Tem certeza que não tem gagueira? (Mel)
Quem tem gagueira? (Derik)
Jessé. (Mel)
Não tem, não. (Derik)
Oi. (Rob)
Não era pra você ter se arrumado pra ir pra escola? (Mel)
Cara, esqueci completamente... Meus cadernos, minhas coisas, tão tudo lá em casa... (Rob)
Até acertarmos a situação com a sua família, você fica livre, mas assim que acertarmos tudo, vai voltar pra escola e vou cobrar que tenha toda a matéria. (Mel)
Claro, é justo. (Rob)
Mel sobe.
Não é difícil ficar gago perto dela. (Rob)
Rob olha para Angely.
Desculpa, eu não... (Rob)
Angely franze a testa.
Ang e Mel não têm nada. (Derik)
Ah... Eu achei que... Bom... (Rob)
Alguns minutos de silêncio. Rob sobe. Mais alguns minutos de silêncio. Angely olha para Derik.
Que foi? (Derik)
Que foi você. (Ang)
Eu não disse nada... (Derik)
Mas tá querendo dizer. Fale. (Ang)
Angely, Beatrice é bi? (Derik)
Quê? (Ang)
É, eu tô te perguntando isso porque você vê o que Edmont vê, então... Bom, deve saber. (Derik)
Por que quer saber? (Ang)
Estávamos conversando e alguém sugeriu a idéia de querer fazer com Mel o que fez com Edmont. (Derik)
Angely franze a testa.
Transformar. (Derik)
Beatrice jamais faria isso. Nem com Mel, nem com Kat, nem com ninguém. (Ang)
Eu não tava falando de Kat. (Derik)
Tava nos seus olhos. (Ang)
Noite. Beatrice chega.
Pronto, pode ir descansar. (Bea)
Derik vai em direção a escada. Beatrice vai para trás do balcão. Derik se vira de volta.
Você acha Mel atraente? (Derik)
Sim. (Bea)
E Kat? (Derik)
Kat é criança quase. Mas deve ficar. (Bea)
Você tinha... Deixa pra lá... (Derik)
Derik vai em direção a escada.
Não tá pensando em largar a Kat pra ser mais uma pessoa babando por Mel, tá? (Bea)
Derik vira.
Claro que não! (Derik)
Então por quê perguntou? (Bea)
Nada. Absolutamente nada. Nadinha mesmo. (Derik)
Derik sobe.
Espero que não esteja pensando que eu vá agarrar alguém no meio da noite! (Bea)
Não estou! (Derik)
Bom mesmo! (Bea)
Mel está saindo do banho (de toalha). Rob entra no quarto.
Tá, eu acho que eu devia ter batido a porta... (Rob)
Com certeza. (Mel)
Rob vai sair, mas volta.
Desculpe pode parecer uma pergunta rude mas não saberei fazer de outro jeito é verdade que você vai pra cama com qualquer um? Por favor não responda com um tapa! (Rob)
Seus pais conseguem entender o que você fala? (Mel)
Não vai me dar um tapa? Tá, eu disse muito rápido, você não entendeu e isso é um aviso pra eu não perguntar de novo... (Rob)
Rob vai em direção a porta.
Qualquer pessoa que me agrade. E não me importo de dizer isso e também não me importo com o que dizem de mim. (Mel)
Quem diz são os garotos da escola. (Rob)
Nunca transaria com alguém menor de idade. (Mel)
Eu sou maior. (Rob)
E ainda quer provar pra sua família que não é gay? (Mel)
Não é isso... (Rob)
Rob baixa a cabeça.
Bom, até é. (Rob)
Rob olha para Mel.
Mas é por você também. (Rob)
Se for pra começar a gostar de mim... (Mel)
Gostar? Ah, não... Eu prometo que não vou começar a gostar de você. (Rob)
Mel ri.
Não quis dizer que isso é impossível, sabe, alguém gostar de você... Quando estava falando em ser por você também me referia a sua beleza externa. (Rob)
Ao meu corpo? (Mel)
Isso!... Tá, acho que não fui muito gentil. (Rob)
Desde que não crie obcessão, tudo bem. (Mel)
Vou lá em casa e vou pedir dinheiro pro meu pai pra motel, ele vai ficar muito feliz... (Rob)
Cê quer mesmo fazer isso? Eu não acho que seja o melhor jeito de resolver as coisas. (Mel)
Acho que eu posso mudar ele. Mas não expulso de casa. (Rob)
Ok. Mas vou ficar de olho na sua família. Se eu souber se algo, seu pai vai tomar uma surra. (Mel)
Vou lá pedir a grana, vai ficar feliz. (Rob)
Não se achar que vai com homem. (Mel)
É mesmo. (Rob)
Eu pago. (Mel)
E como vou provar pra ele que fui? (Rob)
Mel cruza os braços.
Desculpa, não queria te passar essa impressão, mas é que ele disse que só é pra mim voltar lá se for com uma mulher... (Rob)
Tudo bem, eu vou com você até lá. Mas fico do lado de fora, não tô a fim de ouvir qualquer sugestão de que você esteja me pagando pra fazer isso. (Mel)
Mel e Rob saem da casa. Zenon chega.
Dessa vez eu arranjei um emprego. Foi boa a idéia de eu e Alan nos separarmos, o "fui enganado por uma vampira" não ajuda muito... Onde vão? (Zenon)
Resolver o problema de Rob e o meu também. (Mel)
Ah?! (Rob / Zenon)
Vamos falar com seus pais e eu vou aproveitar pra fazer algo que tava sem. (Mel)
E o que é? (Zenon)
Do que você se alimenta? (Mel)
Ah??? (Zenon)
Tem seus segredos, eu tenho os meus, por quê não vai cuidar da sua vida? (Mel)
Rob e Mel saem.
Noite seguinte. Zenon está saindo, Mel está chegando.
Olha só, quanto tempo... (Zenon)
Querendo mais patada? (Mel)
Demorou tanto resolver com os pais do Rob? (Zenon)
Sim. Quando vi, já tinha que ir pra escola, então voltei em casa, troquei de roupa, tomei um banho e fui trabalhar. Tô morrendo de sono, posso ir dormir agora ou quer mais alguma informação? (Mel)
Sim, quero. Viu algo suspeito na casa de Rob? (Zenon)
Não. (Mel)
Rob brigou muito com a família? (Zenon)
Não me pareceu, por quê? (Mel)
Por que, exceto a prima dele, que está em choque no hospital, não sobrou ninguém vivo na casa dele pra confirmar o que ele disse. (Zenon)
Ah?! (Mel)
Ele tá preso, suspeito de assassinar os pais, os três irmãos e as duas irmãs. (Zenon)
Delegacia. Mel chega a recepção.
Por favor, eu quero saber sobre a prisão de... (Mel)
Melody? (Rick)
Mel olha pra trás.
Ricardo. (Mel)
É a primeira vez que te vejo desde que... (Rick)
Desapareci de madrugada sem dizer nada? Homens vivem fazendo isso, aposto que você já fez isso muitas vezes. (Mel)
Já. Mas você é diferente. (Rick)
No que, exatamente? (Mel)
Te levei pra minha casa... (Rick)
Porque eu disse que na minha não podia. Ia me dispensar de manhã, se eu não tivesse saído. (Mel)
Eu sei que eu já fiz isso com muita mulher, deve ter ouvido minha fama... (Rick)
Não, tava escrito na sua cara mesmo. (Mel)
...Mas de você eu gostei. (Rick)
É, eu costumo me vingar por outras pessoas sem querer. Ou talvez seja por querer. Não importa. Mas não estou aqui para te ver, estou aqui para ver alguém que conheço que está aqui desde ontem, acusaram de matar a família... (Mel)
Roberto Soares? (Rick)
Como sabe? (Mel)
Acha que prendemos caras que matam a família inteira a toneladas por dia aqui? (Rick)
Não matou a família. (Mel)
Tem como provar? (Rick)
Tava num motel comigo. (Mel)
Silêncio.
É maior de idade. (Mel)
Eu... Sei... (Rick)
Se quiser, posso provar isso. (Mel)
Ninguém vai lembrar que esteve num lugar assim, ainda mais quando fazem quarenta e oito horas. (Rick)
48? Não foi ontem? (Mel)
Então, anteontem não estava com ele... (Rick)
Sim, mas ainda estávamos na minha casa. E nesse caso, tenho ainda mais testemunhas para te provar isso. (Mel)
Traga aqui e solto seu namorado. (Rick)
Não é namoro, é apenas alguém com quem fui pra cama. Que nem com você. (Mel)
Mel sai. As pessoas ficam olhando para Ricardo.
Que é, não têm mais o que fazer??? (Rick)
Cuidado, ela já te enganou uma vez... (Claudia)
Ela não me enganou! vira-se para a saída Melody, volte aqui! Eu vou com você pra garantir que os testemunhos não serão combinados! (Rick)
Madrugada. Rob e Angely conversam, do lado de fora de Delegacia.
É estranho. A melhor noite da minha vida seguida do pior dia. (Rob)
Já vi essa frase num livro. Cuida de quem sobreviveu. (Ang)
Em choque. E vou ter que arranjar trabalho pra cuidar dela. (Rob)
Tenta pensar que estão em um lugar melhor. (Ang)
Você já perdeu muita gente. (Rob)
Não. Eu nunca perdi ninguém, porque as pessoas não se perdem umas das outras. Agora eu entendo isso. (Ang)
Não parecia quando falou comigo sobre Edmont. (Bea)
Não iria te matar. (Ang)
Preferia que me matasse? (Bea)
Se você estivesse nos pensamentos de Edmont, também ia preferir. (Ang)
E Mel? Ela me parece tão desiludida com os homens... (Rob)
Não é só com homens. (Bea)
Problemas que teve no início da vida. Talvez agora só consiga amar como se fosse cria. (Ang)
Talvez seja porque não pode ter mais. Teve Kat, mas Kat tiraram de perto, e agora não pode mais ter crianças. (Bea)
Como assim? (Rob)
Mel se esterelizou depois de algo que aconteceu. (Ang)
Isso deve ser realmente ruim... (Rob)
Rob olha para o chão. Volta a olhar para Beatrice e Angely.
Bom, melhor eu deixar você ir, daqui à pouco amanhece e você tem que dar aula... Hoje ainda é sexta... (Rob)
Sol a pino. Estela, Derik e Kat chegam em casa. Estela sobe pro quarto. Encontra Rob.
Que tá fazendo aqui? (Estela)
Eu... Pedi pro Derik e pra Kat deixarem você subir sozinha. (Rob)
Por quê? (Estela)
Preciso falar com você... Sabe, você é uma garota... Bem... (Rob)
Que foi? (Estela)
Tá, eu acho melhor eu parar de falar e fazer logo! (Rob)
Rob beija Estela. Afasta. Silêncio.
Será que teria feito melhor falando? (Rob)
Depende do que quis dizer. (Estela)
Quer namorar comigo? (Rob)
Alan entra no quarto. Estela olha para Alan. Depois vira-se de volta para Rob.
Quero. (Estela)
Beatrice está na recepção, sobrancelha franzida, lendo um livro. Derik e Kat estão no sofá. Se beijam. Derik olha para Beatrice. Kat olha também.
Que tá vendo aí? (Derik)
Um livro. (Bea)
Essa parte dá pra ver. (Kat)
Por que o interesse? Pareciam fazer coisa melhor... (Bea)
Ficou olhando??? (Derik)
Estão se beijando na minha frente, só não teria visto se tivesse colocado meus globos oculares sobre o livro. (Bea)
É bem melhor, sim, mas podia ser que estivesse lendo algo sobre yaksahs... (Kat)
Deixa eu entender, o negócio tá tão interessante aí que o que eu estou lendo interfere? (Bea)
Deu curiosidade, sim, mas beijar Derik com certeza é melhor que... (Kat)
Estela... (Bea)
Já beijou Estela?! (Derik)
Kat franze a sobrancelha.
Estela vive te... (Kat)
Ai, que susto, achei que tinha lido algo errado... Bom, podem continuar se beijando aí... Ah, não, esqueci, você e Estela tem que ir trabalhar e Derik tem que cuidar da recepção... (Bea)
Beatrice fecha o livro.
Que pena! (Bea)
Kat encara Beatrice. Sobe. Encontra Estela e Rob, se beijando.
Desculpa interromper, mas temos que trabalhar. (Kat)
É mesmo, vamos chegar atrasadas! (Estela)
Rob, temos que nos arrumar. (Kat)
Eu sei. (Rob)
Kat aponta a porta.
Ah, claro! (Rob)
Rob dá mais um beijo em Estela e sai, fechando a porta.
Então? (Kat)
Bom, os uniformes estão... (Estela)
Tô querendo saber de vocês! (Kat)
Ele beija quase tão bem quanto o Angely! (Estela)
Do lado de fora do quarto, Rob franze a sobrancelha.
Ela já beijou o pai da própria amiga?! (Rob)
Dentro do quarto...
Nunca beijei Angely, nem pretendo, imagino que isso seja óbvio, pode dar mais detalhe?! (Kat)
Eu também nunca teria beijado, você sabe, deu aquele troço nele e ele quase me agarrou... Se Mel e Alan não tivessem chegado, era bem capaz de eu não ser mais virgem agora... (Estela)
Tá, dessa parte eu sei. Mas bem que gostou. (Kat)
Como não gostar, foi tão... (Estela)
Não estou afim de ouvir detalhes de Angely, perguntei de Rob! (Kat)
Não chega ao Angely, mas é muito bom... (Estela)
Encantou mesmo, né? (Kat)
Com o Angely? (Estela)
É, já deu a resposta. Agora vamos nos arrumar, pra ir pra loja. (Kat)
Rob desce as escadas. Encontra Derik na recepção.
E aí? (Derik)
Ela aceitou! (Rob)
Legal cara, só toma cuidado com Beatrice. (Derik)
Por que? (Rob)
Falou o nome de Estela agora pouco, quando lia um livro. (Derik)
Rob fecha a fisionomia.
Sério? (Rob)
Sim. (Derik)
Estou pensando numa coisa. Tenho que trabalhar mesmo pra ficar aqui, né? (Rob)
Acho que sim. (Derik)
Poderia substituir Beatrice. (Rob)
Anoitecer. Escola. Angely entra na diretoria.
Me chamou? (Ang)
Sim. Mas não tem a ver com a escola. (Mel)
E o que seria? (Ang)
Está escondendo alguma coisa. (Mel)
Angely baixa a cabeça.
Cadê Fábio? (Mel)
Alguém não tinha morrido e tentou atirar em Beatrice. Fábio salvou. (Ang)
Morreu? (Mel)
Sim. (Ang)
E por quê tentaram matar Beatrice? (Mel)
Beatrice me disse que vocês usaram o sangue pra matar e que Zenon disse que viriam atrás. (Ang)
Angely, a verdade é que nem eu, nem ninguém engolimos Beatrice lá. Então diz pra não ter esperanças, porque assim que aparecer alguém de mais confiança, nós substituiremos. E nem adianta me olhar com cara de cachorro abandonado e pedir por favor. (Mel)
Jessé entra na sala.
Ago-gora po-pode ir... Estã-tão com pro-problemas? (Jessé)
Nada da escola. Por que só eu achava que você tem gagueira? (Mel)
Q-quê? (Jessé)
Bom, vou sair e deixar vocês falarem. (Ang)
Angely sai.
Estela está com Rob. Estão na cama, sentaram-se. Rob tenta colocar a mão embaixo da blusa de Estela. Estela afasta.
Que tá fazendo? (Estela)
Ouvi vocês conversando. Só queria ver se ia deixar como quase deixou com o pai da Kat. (Rob)
Que??? (Estela)
Ouvi você e Kat conversando. (Rob)
Tá, agora que já sabe que não são só humanos que existem, posso te contar. Angely não é humano. Acho que naturalmente ele já deve beijar bem, mas ele usou um feitiço pra me deixar abalada desse jeito. Nem ele, nem a Kat, nem a Mel são normais. Aliás, eles têm a vantagem de ter atividade cerebral melhor e a desvantagem de se "alterar" mais fácil... (Estela)
Rob cruza os braços.
Sei. (Rob)
Que, acha que gosto dele??? (Estela)
Não, eu já percebi de quem gosta. Aquela resposta hoje de tarde não foi sincera. Só disse sim quando o seu primo entrou. (Rob)
Tá falando besteira. (Estela)
Tô mesmo? (Rob)
Rob se aproxima de Estela.
Eu posso te fazer esquecer ele. (Rob)
Estela beija Rob.
Beatrice está em casa, com um livro.
Tá, então são esses seus planos, né? Vai ver se eu não te desmascaro... (Bea)
Beatrice vai até a MEAK. Na sala, Mel está no sofá.
Oi, era com você mesmo que eu precisava falar. (Bea)
Tenho uma notícia ruim. (Mel)
Aconteceu alguma coisa?! (Bea)
Encontrei alguém pra te substituir. (Mel)
Que? (Bea)
Rob. Olha, a verdade é que o clima pesa aqui entre você e todo mundo, principalmente entre você e Kat. Se quiser posso te ajudar a arranjar outro emprego, mas... (Mel)
Era sobre Rob que eu vim falar! É possessão! (Bea)
Beatrice... (Mel)
É sério, eu vi no livro, Yahksahs... (Bea)
Pára. Antes que eu perca a confiança que ganhei em você, pára. (Mel)
Mel... (Bea)
Sai daqui. Não queira me irritar. (Mel)
Beatrice sai. Chega em casa, com lágrimas nos olhos. Vai até o quarto. Angely vê. Abraça Beatrice.
Te demitiu, né? (Ang)
Já sabia que ia fazer isso? (Bea)
Me disse hoje, ia falar com você, mas já tinha saído quando cheguei. (Ang)
Beatrice afasta.
Preciso de um tempo. (Bea)
Beatrice sai. Angely se senta na cama.
Espero que esse tempo não seja com Edmont. (Ang)
Eu espero o contrário. (Edmont)
Edmont... (Ang)
Sim? (Edmont)
Cala a boca. (Ang)
Madrugada. Beatrice está andando por Hera. Olha para a MEAK. Dentro, Rob está com Estela. Derik está na recepção.
Mas é horário de Rob! (Kat)
Que problema tem? (Derik)
Tem que ficar o maior horário aqui, você já cozinha! (Kat)
É um favor, quer ficar com Estela um pouco. (Derik)
Eu vou lá chamar. Também quero ficar com você. (Kat)
Kat sobe. Estela está saindo do quarto.
Ah, Rob já pode ir assumir o posto? (Kat)
Terminamos. (Estela)
Nossa, isso é que é recorde. Por quê? (Kat)
Porque não é ele que eu amo. (Estela)
Estela sai. Kat entra no quarto.
Qual o problema? (Kat)
A mesma coisa que você. Como suporta isso? (Rob)
Mas Derik me ama... (Kat)
E se nega a ir pra cama com você? Peraí, há quanto tempo vocês namoram?! Foi pra cama com aquela vagabunda e com você nada??? (Rob)
Nossa, Estela fala pra caramba, hein? (Kat)
Kat se senta na cama.
Gay já sabemos que ele não é. Talvez ele tenha medo do fato de você ser virgem... (Rob)
Quê??? (Kat)
Não, isso não seria desculpa se ele te amasse. (Rob)
Recepção.
Tem que acreditar em mim! (Bea)
Está dizendo isso porque roubou seu emprego! (Derik)
Que tá acontecendo aqui? (Estela)
Tá dizendo que Rob tá sob possessão. (Derik)
Como assim? (Estela)
Não transou com Rob, transou?! (Bea)
Não! Peraí, o que isso te interessa??? (Estela)
Que tá fazendo aqui? (Mel)
Transou com Mel com a desculpa de que precisava provar pros pais, daí descobriu que era infértil e, se quiser, pergunte pra Angely que reação Rob teve. Daí vem e de repente se apaixona por Estela. Tentou transar, não tentou? (Bea)
Todo homem faz isso. (Estela)
Aquele velho papo de "você não me ama?" ou "posso te fazer esquecer o canalha que não te merece", acertei? (Bea)
Isso só prova que não presta. Mas não matamos gente por não prestar. O dia que isso for autorizado, me avisem que tenho uma lista grande. (Mel)
Peraí, se não presta, vai tentar dar em cima de Kat! (Derik)
Rob está ao lado de Kat na cama. Se aproxima para beijar Kat. Segura um pedaço de madeira que quase acerta sua cabeça. Joga o pedaço de madeira no chão e encosta Derik contra a parede.
Não tenho culpa se você não satisfaz sua namorada. (Rob)
Rob se afasta de Derik. Olha para as mãos de Derik, com luvas.
Quem ri por último, ri melhor. (Derik)
Rob cai no chão.
Tá falando sério?! (Kat)
Rob olha para Derik e Kat.
Quem são vocês? (Rob)
Kat e Derik se entreolham.
É verdade o que falou? (Derik)
Não devemos nada pra ninguém. Quem tem que se entender e decidir é a gente. (Kat)
Beatrice entra no quarto.
Agora temos que queimar isso. (Bea)
Ou vender para uma lojinha. (Derik)
Para cair em mãos erradas? Melhor não. (Bea)
Kat pega as luvas de Derik, veste e pega o pedaço de madeira.
Será que o tal yaksah não quer tentar passar a mão em mim agora? (Kat)
Sai com o pedaço de madeira.
Manhã. Kat acorda e vai até a cozinha. Encontra Mel.
Ainda ou já? (Kat)
Pensando em Angely... (Mel)
No que, exatamente? (Kat)
Tinha razão, Beatrice não é tão ruim assim. (Mel)
Como assim?! (Kat)
Nós demitimos, podia ter deixado a gente se ferrar. (Mel)
Isso é. Agora eu ia estar carregando um monte de criaturinhas. Literalmente. Mas será que não fez isso por interesse? (Kat)
Não, eu vi nos olhos, era preocupação. (Mel)
Talvez tenha voltado a ser a pessoa que se preocupou que Elian não me visse. (Kat)
Deveríamos pegar mais leve. (Mel)
É difícil engolir que não foi Beatrice quem tirou Edmont da gente. (Kat)
Eu sei. Mas parece que Angely não está sempre se enganando enfim. (Mel)
Fica difícil distinguir, vê bondade em todo mundo. (Kat)
Não deve ser fácil ficar dentro da mente de Edmont. (Mel)
Tem razão. Perto de Edmont, todo mundo deve parecer legal. (Kat)
Algum tempo, algum lugar
Confiar em Beatrice ou não prova algo? (Xien)
Angely confiava em Beatrice. (Uehfo)
Sim. (Xien)
Edmont não sabia nem se amava ou odiava Beatrice. (Uehfo)
Edmont tratava mal Beatrice. (Xien)
Como você trata as pessoas depende mais do seu caráter do que de sentimento. (Uehfo)
Faz sentido. Não sei se Edmont confiava em Beatrice. (Xien)
E você? Confia? (Uehfo)
Xien respira fundo.
Não sei. (Xien)

Resumo do Capítulo

Mel reune as pessoas para comunicar que irão dividir quartos e terão que procurar trabalho. Kat, Estela e Derik vão imediatamente, Zenon e Alan reclamam. Mel coloca para limparem a casa. Dínamis convida Angely a ficar na diretoria da escola. Angely chama Mel. Mel acaba aceitando. Derik não encontra emprego e Mel designa Derik para cuidar da pensão. Angely convence Mel a deixar Beatrice cuidar a noite. Depois falam com as pessoas, Estela defende Beatrice, mas quem acaba convencendo é Angely. Mel se apresenta aos corpos docente e discente. Zenon e Alan ligam para vários lugares, mas não conseguem achar emprego. Fábio aluga um quarto com alguém na MEAK, e a pessoa depois vai embora, fingindo que nada aconteceu. Beatrice fala com Fábio, sobre problemas ao escolher pessoas. No horário de Beatrice, uma família aluga todos os quartos disponíveis da MEAK. Derik encontra o nome da raça e pensa que Beatrice deixara o nome no telefone errado. Zenon e Alan atacam Yaksahs, sem sucesso, mas Beatrice chega para desfazer o mal entendido. É explicado a todas as pessoas sobre Yaksahs. Edmont dorme com Fábio, Angely vai até Fábio, para tentar consertar. Beatrice encontra Yaksahs com refém. Discutem sobre como atacar, Derik tem a ideia de dar um banquete e atacar, depois falam em envenenar. Derik pergunta a descobre que sangue de vampir envenena. Zenon acaba dizendo que já sabia, tem receio porque podem descobrir depois. Beatrice se oferece. As pessoas se preparam para atacar. Derik faz o jantar e o veneno funciona, mas haviam Yaksahs que não comiam. Mel corta a cabeça Krene, Juer pega Derik, Beatrice enfia um pano na boca de Juer com seu sangue. Ninguém mais de Yaksahs em pé. Mel, Derik, Zenon e Alan sobem para descartar coisas, Kat, Estela e Rob levam a comida para queimar. Angely, Beatrice e Fábio ficam para se livrar de corpos. Yaksah tenta atacar Beatrice e Fábio defende, mas Yaksah crava uma estaca em Fábio. Angely leva o corpo para Soraia. Edmont ajuda Beatrice a se livrar da família Yaksah. Rob e Kat falam sobre Beatrice, Kat diz que preferia que Beatrice já tivesse morrido. Beatrice sonha que Rob, Kat, Derik e Estela lhe cercam para matar. No mundo real, Rob se coloca contra Beatrice. Estela defende Beatrice, Kat se irrita. Angely chega e defende, diz que Edmont não é culpa de Beatrice, que sempre foi homicida. Derik pergunta sobre a sexualidade de Beatrice para Angely. Angely garante que Beatrice não vai tentar transformar mais ninguém. Derik fala com Beatrice. Beatrice diz que não vai tentar nada com ninguém. Rob pede para transar com Mel. Diz que é maior de idade. Mel aceita. Voltando para casa na noite seguinte, Mel descobre que Rob está na cadeia, com acusação de matar a família. Vai a delegacia. Descobre que foi duas noites antes. Rob vai para a MEAK. Descobre que Mel é estéril. Pede para namorar com Estela. Estela aceita. Fala em substituir Bea na recepção. Mel avisa Angely que irá substituir Beatrice se puder. Rob tenta transar, mas Estela não quer. Beatrice descobre sobre Rob. Tenta avisar Mel, mas Mel acha que é por causa da substituição. Estela termina com Rob. Rob tenta convencer Kat a transar porque Derik não quer. Beatrice volta e fala com as pessoas. Derik entra no quarto e tenta acertar Rob com um pedaço de madeira. Rob segura, mas era um feitiço. Mel e Kat conversam sobre Beatrice. Que talvez confiar faça sentido.

Dara Keon