Água e Vinho
MEAK
B10

Água e Vinho ler resumo

Anoitecer. Loja de Douglas. Angely entra, com uma sacola na mão.
Veio vender mais alguma coisa? (Douglas)
Angely pousa a sacola sobre o balcão.
Aqui não! (Douglas)
Douglas abre a porta atrás de si, entra e Angely segue. Descem a escada. Angely coloca a sacola no chão. Douglas se abaixa perto.
Melhor não abrir. (Ang)
Douglas olha para Ang.
E pode me dizer o que é? (Douglas)
Partes internas... O nome tá aqui. (Ang)
Angely entrega um papel a Douglas. Douglas abre o papel, vai até um computador e digita. Abre uma página.
É, melhor mesmo não abrir. (Douglas)
Douglas pega um envelope e entrega para Angely. Angely abre e começa a contar.
Tá achando que te roubei??? (Douglas)
Mel pediu para contar. (Ang)
Não esqueci da surra do seu irmão! (Douglas)
Não mandei Edmont fazer aquilo. (Ang)
MEAK. Ang entra.
Deseja um quarto ou está fugindo de demônios de outra dimensão? (Bea)
Ang sorri. Coloca o envelope no balcão.
Entrega isso para Mel? (Ang)
Vai pra casa? (Bea)
Sim. Por quê? (Ang)
Queria ficar pra sempre. (Bea)
Pode ficar. (Ang)
Queria que ficasse também. (Bea)
Ang baixa a cabeça.
Não posso. (Ang)
Você não tá feliz longe da sua família. (Bea)
Ang olha para Beatrice.
Seria pior se eu tivesse que sair toda vez que vão falar algo. (Ang)
Ang sai. Estela chega e se joga no sofá.
Que cara é essa? (Bea)
Tem festa na escola amanhã. (Estela)
E daí? (Bea)
Tô cansada de bancar a vela. (Estela)
Alan e Zenon entram.
Mel tá aí? (Alan)
Não. Saiu com um cara. (Bea)
Um cara? (Zenon)
É, um moreno forte. (Bea)
Ah... (Zenon)
Tá conversando com Jessé lá no quarto, acho que não tem problema interromper. (Bea)
Ela pode estar com ele, fazendo... Algo mais. (Alan)
Não dorme com quem periga ter sentimentos, esqueceu? Jessé gagueja quando chega perto. (Bea)
Zenon sai.
Alan, você vai a uma festa amanhã. (Bea)
Alan franze a testa.
Vou? (Alan)
Com Estela. (Bea)
Beatrice! (Estela)
Alan olha para Estela.
Tá com vergonha de mim? (Alan)
Vai parecer que não arranjei com quem ir e te implorei pra ir comigo! (Estela)
Peraí, eu ouvi direito? Desde quando você se importa com isso? (Alan)
Desde quando Katerine tá se importando. O ataque de raiva da Mel não fez um efeito tão duradouro nela. Agora fica no meu ouvido "E aí, quando arranjar alguém?" e fica jogando tudo que é lixo da escola em cima de mim. (Estela)
Lixo? (Bea)
São aqueles que só servem para olhar, se abrir a boca estraga seu dia. (Estela)
Nossa, não sabia que Kat tava descendo assim de padrão. (Bea)
Mas tá. Não notou a tristeza do Derik? (Estela)
Isso até eu notei. Aliás, a Kat agora está treinando com a gente... (Alan)
Mel autorizou. A mim e a ela. (Estela)
E por que você não vai? (Alan)
Com aquela coisa? Eu sou humana, vou acabar me descontrolando e apanhar dela, de graça. (Estela)
Posso te treinar aqui. (Alan)
Estela levanta.
Pode? Sério?! (Estela)
Estela solta os ombros.
Não tenho dinheiro pra pagar. (Estela)
Tá me achando com cara de mercenário??? (Alan)
Zenon olha da cozinha.
Ah, só porque você tá cobrando da Michele e do Grupo? (Zenon)
Não cobraria de alguém que não tem dinheiro! (Alan)
Zenon volta a sala e cruza os braços.
Isso. Treina a Estela, que tá começando. A Kat e a Michele que já sabem lutar, deixa pra mim, você não tá muito bem... (Zenon)
Claro, você é vampiro, tem mais força... Aliás, da Kat já te vi apanhando! (Alan)
Gente, eu vou subir... (Estela)
Coisa de escola? (Alan)
Não, acho que vou arranjar o que fazer, ver vocês brigarem não é muito empolgante. (Estela)
Podemos treinar. Começar, que me diz? (Alan)
Claro! (Estela)
Estela e Alan saem.
Ê, bicho cego, viu... Isso ainda dá confusão. (Zenon)
Por quê? (Bea)
Ela tem dezesseis anos! (Zenon)
E daí? Eu tinha doze. (Bea)
Você foi criada por um vampiro obcecado por ter uma boneca presa num quarto, que fizesse tudo que ele mandasse. Chegou a acelerar seu crescimento para isso! (Zenon)
Essa história é um pouco mais complicada do que eu sabia. Elian era um animal. Mas isso não tem que ter idade. Se já se está produzindo hormônios, as duas pessoas realmente desejarem uma a outra e se previnem contra as possíveis conseqüências... (Bea)
Tá, esquece, eu nasci no século retrasado mesmo. (Zenon)
Moralista, aposto que sua primeira vez foi com menos de doze! (Bea)
Apostou errado! (Zenon)
Beatrice cruza os braços.
Ah, é? E quantos anos você tinha? (Bea)
Zenon baixa a cabeça. Olha para fora.
Meu aniversário de doze. (Zenon)
Casa de Angely. Angely entra. Vai até seu quarto. Olha para um quadro na parede, de Pandora.
Acho que esse quadro deveria ir para um museu. (Ang)
Ang deita na cama.
Acho que amanhã mesmo vou levar para o teatro que vendemos os outros. Coloco na porta, não vão ter dificuldade de reconhecer artista, sempre mesma pessoa pintada... (Ang)
Isso é comigo? (Edmont)
Tô falando só. (Ang)
Não vai adiantar mandar você pensar ao invés de falar, dá no mesmo, então, fale o quanto quiser. (Edmont)
Quem disse que preciso da sua autorização? (Ang)
Edmont sai de seu apartamento. Vai até a praia. Senta-se em uma pedra. Acende um cigarro. Olha para o mar e franze a sobrancelha. Levanta e vai até a beira. Um caixão.
Parece que finalmente vou ter algum dinheiro. (Edmont)
Minutos depois, Douglas chega, com um carro. Sai do carro. Vê Edmont, que sentou-se no caixão. Douglas dá um passo atrás.
Peraí, mas dessa vez eu paguei direito... (Douglas)
Dessa vez não vou te bater. Quanto acha que vale isso? (Edmont)
Edmont dá um tapa no caixão. Douglas olha.
Me parece trazido pela maré... (Douglas)
Alguma dúvida de que é meu? (Edmont)
Bom, se foi trazido pela maré, não seria exatamente... (Douglas)
Achado não é roubado. (Edmont)
Edmont dá um trago no cigarro. Levanta e vai em direção a Douglas. Apaga o cigarro com os dedos.
Alguma dúvida de que é meu? (Edmont)
Não, de jeito nenhum! Quanto você quer? (Douglas)
Edmont entrega o cigarro apagado a Douglas. Volta a olhar para o caixão.
Bem antigo... Bem feito... Parece a mão, não acha? (Edmont)
Com certeza! (Douglas)
Pode dar a opinião sincera agora. (Edmont)
Douglas vai até o caixão. Abaixa. Passa a mão na madeira. Acha o fecho. Coloca a mão. Edmont senta no caixão. Douglas se afasta.
Só se comprar. (Edmont)
Não está curioso? (Douglas)
A curiosidade mata. (Edmont)
Pode ter ouro aí dentro e você me vender apenas pelo valor da caixa. (Douglas)
Também pode ter uma bomba, que você vai explodir sem a minha companhia. Compra? (Edmont)
Sim, claro. (Douglas)
É um caixão. Deve ter um corpo. Ou, pela cara, restos de um. (Edmont)
Porão da lanchonete de Douglas. Douglas está de braços cruzados, olhando para o caixão. Angely chega pela escada.
Nossa, como você adivinhou, eu tava pensando em você! (Douglas)
Fale. (Ang)
Pode abrir pra mim? (Douglas)
Angely vai em direção ao caixão. Douglas corre e se esconde atrás de uma coluna. Angely abre o caixão. Há algo enrolado em um pano.
Parece uma pessoa. (Ang)
Deixa que eu vejo! (Douglas)
Douglas vai até o caixão.
Pode ir. (Douglas)
Angely começa a subir a escada.
Ah, espera! (Douglas)
Angely para.
Não veio fazer algo? (Douglas)
Te ajudar. (Ang)
Como soube? (Douglas)
Apenas soube. (Ang)
Angely termina de subir a escada. Douglas levanta o pano. É Pandora. O corpo está intacto, como se tivesse morrido naquela hora.
Nossa... Devia ter pedido pra ele abrir... Agora vou ficar tendo pesadelos com isso... Uma funerária! (Douglas)
Douglas vai até o telefone. Pega. Coloca de volta no gancho.
Ela tá num caixão, vão pensar que assaltei o cemitério... Acho que vou ter que te jogar em algum lugar... (Douglas)
Dia seguinte. Manhã. Angely passa em frente a uma banca. Volta. Olha para uma foto.
Vai levar? (Rafael)
Não, é que acho que conheço essa pessoa... (Ang)
Tá falando do corpo que foi achado? (Rafael)
Sim. (Ang)
Meus pêsames. (Rafael)
MEAK. Mel e Beatrice estão na sala. Angely entra e coloca um jornal sobre o balcão.
É a pessoa do quadro... (Mel)
Leo não disse que tinham matado, bebido o sangue? (Bea)
Deve ter se transformado, o corpo não ia se conservar tanto. (Mel)
Não sabemos quanto tempo Leo tinha de morte. (Ang)
Só o tempo de chegarmos aqui e encontrarmos Leo já dava pra ter alterado ao menos. (Mel)
Beatrice pega o jornal.
Cadê as marcas de mordida? (Bea)
Provavelmente no ângulo que a foto não pegou. (Mel)
A pessoa não omitiria isso. Alguém na polícia impediu pra não gerar lendas, ou alguém tinha interesse em impedir? (Bea)
Sol a pino. Íris e Henrique entram no necrotério.
Malditos policiais, chegaram antes... Se você tivesse sido mais rápido, a gente tinha pego ela antes! (Íris)
Tem mesmo uma vampira aqui, dá pra sentir. (Henrique)
Duvidou do meu faro? (Íris)
Não. Que bom que não tem ninguém aqui. (Henrique)
Que bom pra você, não teve que fazer nada. (Íris)
A culpa não é minha se só tem HT aqui... (Henrique)
Tem policial mulher no departamento. (Íris)
Uma mulher consegue fingir que tá com tesão, um homem não! Acha que ele levanta se eu pedir?! (Henrique)
Usasse a mão e a imaginação! Vamos parar com isso e levar logo a garota. (Íris)
Será que Edmont vai mesmo aprovar isso? (Henrique)
Vamos pegar uma vampira, impedir que CVs matem ela e entregar pra ele. (Íris)
Grande coisa. Se um de nós salvasse o outro ele diria "por que fez isso?". (Henrique)
Talvez ele fique melhor conosco quando levarmos ela. (Íris)
Pra substituir a Beatrice? (Henrique)
Meu Deus, você tem um cérebro! (Íris)
Ele não tinha proibido a gente de falar em Deus? (Henrique)
Faça um favor ao mundo. Fica quieto. (Íris)
Íris vai até uma gaveta. Abre. Tira o pano. Henrique vai abrir gavetas do outro lado. Íris abre três gavetas. Na quarta, tira o pano e para.
Aqui. (Íris)
Henrique se aproxima.
Falei que era melhor ter trazido uma roupa! (Henrique)
Não acho que precise mesmo... (Íris)
Desiste, reconheço HT de longe. (Henrique)
Temos que enterrar, para ela acordar. (Íris)
Então não era mais fácil ter esperado no cemitério? (Henrique)
Íris puxa o pano, cobrindo Pandora, e encara Henrique.
Que é? (Henrique)
Se tivesse tido essa idéia antes, eu não tinha que ter feito o que fiz! (Íris)
Somos vampiros, a gente entrava escondido e matava quem visse a gente. (Henrique)
Ok, agora que tá brilhante, nos dê uma idéia que sirva para agora, não algo que deveríamos ter feito! (Íris)
Podemos matar alguém, tirar a roupa, vestir ela e sair pela porta da frente. (Henrique)
Se alguém nos olhar, balançamos o braço dela num tchauzinho??? (Íris)
É mesmo... Podemos matar todos! (Henrique)
E dar a maior bandeira pros caça-vampiros? Não, obrigado, antes cem anos viva que cinco minutos famosa! (Íris)
Arranje as idéias você então, só sabe recusar as minhas! (Henrique)
Tá, vou aceitar parte da sua idéia. Tira a roupa. (Íris)
Quê??? (Henrique)
Ricardo entra no necrotério. Dá um passo para trás. Henrique está sem roupa.
Mas o que é isso??? (Rick)
Olha, ouve um engano, eu não sei o que eu tava fazendo na gaveta, mas eu juro que não tô morto! (Henrique)
Não lembro de te ver entrar aqui... (Rick)
É uma grande coincidência, eu também não lembro de ter entrado! (Henrique)
Ricardo sai e volta com um casaco. Henrique veste.
Nossa, bom esse perfume... (Henrique)
Perfume? (Rick)
É, o que tá aqui... (Henrique)
Ricardo franze a testa.
Minha namorada iria adorar! (Henrique)
Ah, claro. Pensei que... Esquece. (Rick)
Angely está andando pela cidade. Edmont está em seu apartamento.
Não vai me ajudar? (Ang)
Não. (Edmont)
Temos que achar Pandora. (Ang)
Sabe o que vou fazer se encontrar. (Edmont)
Vai me fazer mergulhar de novo? (Ang)
Farei isso quantas vezes eu puder. Sabe que adoro te atazanar, mas não é por isso. Eu não resisto, não sou anjo. (Edmont)
Lá vem você... (Ang)
Ah, desculpa, esqueci que você não gosta de ser superior. (Edmont)
Se eu não soubesse que você achava que Beatrice ia te matar, pensaria que se transformou por causa da sua cobiça. (Ang)
Esqueceu? Não pensa mais nada a meu respeito, simplesmente sabe! (Edmont)
Não precisa ficar me lembrando. (Ang)
Delegacia. Mel entra. Ricardo vem em sua direção.
Não devia estar dirigindo a escola? (Rick)
No domingo? (Mel)
Ah, claro... Estou tão acostumado a trabalhar todos os dias que... (Rick)
Quero saber sobre um corpo que foi encontrado hoje de madrugada. (Mel)
Com que direitos? (Rick)
Com os direitos de quem sabe porque você demorou pra atender o chamado ontem. (Mel)
Eu tava bêbado! (Rick)
Dá pra ver isso no vídeo. (Mel)
Por que veio atrás de mim? Podia ter saído com alguém aqui. (Rick)
É divertido te sacanear. (Mel)
Tá no necrotério. (Rick)
Essa informação não era necessária. (Mel)
Veio reconhecer o corpo? Alguma identidade da garota? (Rick)
Não. Pra isso tenho amizades. (Mel)
Ricardo revira os olhos e sai. Mel segue. Entram no necrotério. Ricardo abre uma gaveta. Sorri.
Acho que foi roubado. (Rick)
E você fala isso com essa cara de felicidade?! (Mel)
Vou tomar uma bronca e vou ter que caçar quem fez isso, mas ao menos você não teve o que queria e não pode descontar em mim. (Rick)
Melody revira os olhos. Sai.
MEAK. Mel entra.
Bom, acho que pode começar a procurar nas suas fontes. (Mel)
Angely ainda não deu notícia. (Bea)
Não acho que vá estar em algum lugar que Ang não tenha problemas em entrar. (Mel)
Cemitério. (Bea)
Ah? (Mel)
Ang pode entrar em cemitérios, e tem que passar pelo enterro para acordar, até onde sei. (Bea)
Mas, seja lá quem for, não vai fazer isso. Óbvio demais. (Mel)
Beatrice pega o telefone. Digita o número. Espera.
Que foi? (Mel)
Tem cinco lugares aqui para se enterrar alguém: cemitério, que seria muito óbvio; essa parte da ilha em que fica a MEAK, que nós veríamos; o teatro, que é muito público; a igreja, onde jamais se atreveriam; e a área de preservação. (Bea)
Grande e sem vigilância. (Mel)
Exato. (Bea)
Beatrice coloca o telefone de volta no gancho.
A gente vai ter que ir pessoalmente. (Bea)
Noite. Floresta de Ares. Henrique e Íris sentaram no chão.
Que merda, não lembro de ter demorado tanto pra acordar! (Henrique)
Só o que falta, descobrirmos que ela não deteriorou porque é santa, e não porque virou vampira! (Íris)
Se amanhecer, vou deixar ela aqui! (Henrique)
Quando amanhecer, não poderemos mesmo sair daqui, já que não trouxemos nada para nos cobrir, pensando no quão fechada é a floresta. (Íris)
Culpa sua! (Henrique)
Não te obriguei a vir sem nada, dei a idéia e você aceitou! (Íris)
Era bem capaz de, se eu viesse com algo e você não, você me roubasse e me deixasse pra morrer. (Henrique)
Ninguém manda ser mais fraco. (Íris)
Acho que devíamos ir embora. (Henrique)
Vamos até Edmont, falamos o que fizemos e... (Íris)
Somos mortos. (Henrique)
Isso... NÃO! (Íris)
Íris levanta. Henrique levanta também e bate a roupa.
Melhor nós esquecermos isso, que acha? (Íris)
Claro. (Henrique)
Não, vamos esperar mais um pouco. (Íris)
Perguntou só pra me contrariar?! (Henrique)
Não, mas você concordou, então percebi que a idéia era estúpida. (Íris)
Oi. (Bea)
Íris e Henrique se viram e dão passos para trás.
Não têm mesmo instinto, nem sentiram eu me aproximar. Podia ser um bicho selvagem. (Bea)
Aí eu ia ter o que comer... (Henrique)
E aí, o que tão fazendo? (Bea)
Estávamos esperando você. Edmont mandou te levarmos de volta. (Íris)
Ah, meu Deus! Quem vai me salvar??? (Bea)
É pra ficar com medo mesmo! (Henrique)
Íris olha para Henrique.
Ela tá tirando uma com a gente, idiota! (Íris)
Mel, pode atirar, não sabem de nada. (Bea)
Henrique olha ao redor.
Sabemos de muita coisa!!! O que querem saber??? (Henrique)
Íris suspira.
Ela não está aqui, Beatrice está nos... (Íris)
Melody aparece com uma arma.
... zoando de novo. (Íris)
Cavem. (Mel)
Que vai fazer?! Enterrar nossas cinzas? (Henrique)
Beatrice revira os olhos.
Não são covas pra vocês. (Bea)
Vão replantar alguma árvore? (Íris)
Não, acho que elas vão enterrar resto de algum... (Henrique)
Parem de blefar. Pra que mais viriam a floresta? (Mel)
Viemos enterrar corpos de vítimas nossas. (Íris)
Então estão querendo fazer um bem ao meio ambiente? (Bea)
Isso. Nós vivemos na Terra afinal! (Henrique)
Henrique... (Íris)
Já sei, cala a boca. (Henrique)
Quanto mais você fala, mais ferra a gente. (Íris)
Então, o que enterraram aí? (Bea)
Uma garota, que foi encontrada ontem. Teve até foto no jornal. (Íris)
Mas, como estão vendo, não fez efeito. Deve ser algum tipo de santa, não se deteriorou. (Henrique)
Como sabem se já era para ter se deteriorado? (Mel)
Vimos um quadro no teatro, daí, quando vimos a foto no jornal... (Henrique)
Nós cooperamos, não vão nos matar, vão? (Íris)
Mel atira.
Íris e Henrique olham a estaca na árvore. Corre Íris para um lado, Henrique para outro.
É, tem razão, eu devia ter ficado com a besta. (Bea)
É o problema de visão... (Mel)
As lentes não deveriam corrigir? (Bea)
Não, o problema não tem correção. Uso lente por causa da cor dos meus olhos, causada pelo problema. (Mel)
Por que não mostra para Beatrice? (Edmont)
Beatrice e Mel olham na direção de Edmont. Edmont está com uma pá.
São lindos. (Edmont)
Que veio fazer aqui? (Mel)
Segui idiotas. (Edmont)
Edmont cava. Mel cruza os braços. Edmont continua cavando. Para. Pega uma perna e puxa Pandora para fora da terra.
Agora chama anjinho pra carregar. (Edmont)
Edmont vai embora. Beatrice pega o celular. Disca.
MEAK... (Kat)
Katerine? (Bea)
Onde vocês tão??? (Kat)
Preciso falar com Angely. (Bea)
Acabou de sair correndo! (Kat)
Bea, Edmont estava aqui. (Mel)
Tá, valeu. (Bea)
Bea desliga o celular. MEAK.
Beatrice??? (Kat)
Deve ser algo com Edmont, Angely saiu correndo. (Derik)
Não teria mandado Beatrice ligar. Não ia querer ser entregue e, mesmo que quisesse, Ang já sabe do que Edmont faz. (Estela)
Beatrice não tá mais a mando de Edmont. Edmont deve ter feito algo e sumido. (Kat)
Noite seguinte. Mel, Kat, Angely, Derik, Bea, Estela, Zenon e Alan estão na parte externa da MEAK. Mel, Bea, Angely e Zenon cavam. Mel para.
Acho que assim tá bom. (Mel)
Não deveríamos chamar alguém? (Derik)
E como vamos explicar o corpo? (Alan)
Sei lá. Diremos a verdade. (Derik)
Assim que o vaticano e mais um milhão de pessoas baixar aqui para ver a pessoa santa cujo corpo não se deteriorou, vai esconder eu e Zenon no bolso? (Bea)
Ou talvez faça shows com suas transformações pra nos sustentar no hospício. (Zenon)
Tá, já entendi! (Derik)
Saem da cova. Mel e Ang pegam o caixão. Colocam na cova. Beatrice e Zenon começam a jogar a terra de novo.
Bom, Leo, onde quer que você esteja, espero que não fique com raiva de estarmos fazendo isso. (Derik)
Medroso. (Estela)
É uma questão de respeito! (Derik)
Pela morte dele ou pela sua vida? (Estela)
Mas você vive implicando com Derik, né?! (Kat)
Se ele fosse mais corajoso... (Estela)
Bom, é quem faz sua comida! (Kat)
Mel cruza os braços.
Estamos enterrando alguém. (Mel)
A essa hora ela já deve ter reencarnado umas dez vezes. (Alan)
Ou o espírito dela está aqui, esperando o enterro. (Zenon)
Alan olha para Zenon. Pega a pá que Mel deixara no chão e começa a jogar a terra rápido. Zenon ri. Edmont olha pela janela do hotel, com um cigarro.
Tudo bem. Santidade... Hã. Até parece. Eu não conseguiria ficar em pé do lado. (Edmont)
Edmont apaga o cigarro e solta fumaça. Angely olha na direção do hotel.
Que foi, Angely? (Mel)
Angely pega a pá. Ajuda a jogar terra. Mel para a pá de Angely.
Vai pra sua casa com Bea, nós terminamos isso. (Mel)
Luana vai até Edmont. Abraça pelas costas.
Que tá olhando? (Luana)
Nada. Tenho que ir. (Edmont)
Luana se afasta.
Já? (Luana)
Edmont ri.
Quer mais, é? (Edmont)
Madrugada. Angely sai do banheiro.
Assim não há água que baste. (Bea)
Desculpe. (Ang)
Eu não tô reclamando da conta, Angely, foi só uma brincadeira... (Bea)
Angely baixa a cabeça.
Não pode evitar que Edmont faça isso? (Bea)
Não. Não está prejudicando ninguém, além de mim. (Ang)
Apartamento de Edmont. Edmont entra. Cheira o ar.
Por que quem tem mais idade sempre acha que vai me surpreender? Quer que eu dê sua localização geográfica em relação a Terra ou a mim? (Edmont)
Não precisa. Só não queria que me visse de primeira. (Valesca)
Posso te descrever pelo seu cheiro. Cada detalhe. (Edmont)
Pra um bebê tem faro aguçado. (Valesca)
Poderia estar blefando. Pra alguém experiente, é muito inocente. (Edmont)
Valesca vem da cozinha.
Tava olhando suas coisas. Então sabe minha idade? (Valesca)
16. Mas dezenove séculos. (Edmont)
Nossa. Quanta precisão. (Valesca)
E a que devo a ilustre visita? (Edmont)
Uma pessoa. Queria ver o túmulo. (Valesca)
Amizade? (Edmont)
Sim, amizade. Por quê? (Valesca)
Não sei. Por que eu te ajudaria e pra que quer minha ajuda? (Edmont)
A ordem das perguntas não está invertida? (Valesca)
Não. Se não tiver um bom motivo pra eu te ajudar, pra que vou querer saber quê ajuda você quer? (Edmont)
Curiosidade. (Valesca)
Está fugindo das minhas perguntas. (Edmont)
Só quero ver o túmulo. (Valesca)
E minha recompensa? (Edmont)
Posso pensar nisso depois. (Valesca)
Tenho uma resposta pra agora, se quiser. (Edmont)
Qualquer coisa que queira. Só quero ver o túmulo. (Valesca)
E pra que precisa de ajuda? (Edmont)
Pandora é o nome. Receberam uma visita de parentesco. Fantasma. (Valesca)
Leva. E sem o que ia pedir. (Ang)
Sempre anjo, mesmo com homicida de quase dois milênios, que merda... Vou te levar lá. (Edmont)
MEAK. Edmont e Valesca se aproximam do túmulo. A terra começa a se remexer. Duas mãos saem para fora da terra. Valesca ajuda. Pandora sai. Na sala da MEAK, Angely arregala os olhos. Pandora se apoia em Valesca.
Vão embora. (Edmont)
Não vai me ajudar? (Valesca)
Não quero saber para onde vão. (Edmont)
Não se atreva a seguir. (Ang)
Hotel. Pandora e Valesca entram em um quarto.
Esse lugar... Tá muito estranho. (Pandora)
Dormiu mais do que deveria. (Valesca)
Ele me jogou no mar. (Pandora)
Eu sei. (Valesca)
Por que não me encontrou para me enterrar?! (Pandora)
Com fantasma não se brinca. Esperei que atormentasse alguém que mandasse pra longe. Depois comecei a procurar você. (Valesca)
Quanto tempo foi? (Pandora)
Não se lembra? (Valesca)
Depois dos primeiros quatro dias no mar, a pouca consciência que eu tinha foi embora. (Pandora)
Foram 238 anos. (Valesca)
Tudo isso??? (Pandora)
Deve estar com sede. (Valesca)
Pandora olha para a janela.
Nem tanto. (Pandora)
Usei um feitiço em mim para Edmont não perceber minha falta de alma. (Valesca)
Dá pra sentir? (Pandora)
Edmont se sente bem perto de coisas ruins, Angely perto de coisas boas. E parecem ter uma conexão extremamente forte. (Valesca)
Por isso usou o feitiço? Pra que Angely não soubesse? (Pandora)
Sim. Mas contava com a maldade de Edmont para te tirar dali. Era pra ter percebido sua falta de alma, Angely também saberia, mas contava que Edmont contrariasse Angely. (Valesca)
Que eles são? (Pandora)
Não sei. Mas Angely não consegue matar ninguém. Não briga com ninguém. A exceção é Edmont. (Valesca)
Saímos vivas. Seu plano deu certo. (Pandora)
Edmont com raiva em nos deixar partir. (Valesca)
E daí? (Pandora)
Você não perdeu a alma. (Valesca)
Como não? (Pandora)
Valesca vai até o telefone. Disca zero. Aguarda.
Alô? Meu jantar não chegou ainda. ### Seu serviço de quarto é um lixo. Quero meu jantar e quero agora. (Valesca)
Valesca desliga.
Primeiro, dizendo que você tem uma alma, estou dizendo que pode ser que eu te mate. Então, pensando que eu poderia matar você, já deveria ter me atacado, se não tivesse alma. (Valesca)
Não tem como tirar? (Pandora)
Sempre desconfiei que sim. Vai testar a minha tese. (Valesca)
Valesca vai até a parede e puxa um pano. É um espelho. Pandora tem reflexo.
Droga. Será que é alguma coisa com o que meu primo fez? (Pandora)
Acalme-se. A tese não só isso. (Valesca)
Batidas na porta. Valesca cobre o espelho. Vai até a porta. Abre.
Mas até que enfim! Poderia ter morrido se dependesse disso! (Valesca)
Desculpe, senhora. (Israel)
Israel entra, coloca a bandeja em cima de uma mesa. Vira na direção da porta. Valesca fecha a porta.
Você é bem sem carne, né? Não tem músculos. (Valesca)
Minha namorada diz que prefere assim do que gordo. (Israel)
Foi um comentário. Não era pra você responder. (Valesca)
Desculpe. (Israel)
Que acha, Pandora? (Valesca)
Não sei. (Pandora)
Tem fome? Não é necessário fazer um cadáver pra que se alimente. (Valesca)
Israel dá um passo atrás.
Eu sabia que vocês não eram normais... (Israel)
"Normais"? O que acha que somos, alienígenas? (Valesca)
São de alguma seita satânica, não são? (Israel)
Valesca ri.
Não. Não vou te matar. (Pandora)
Pandora se aproxima de Israel. Israel dá passos para trás. Pandora mostra os dentes, Israel começa a gritar, mas Pandora tapa-lha a boca. Segura Israel com outro braço e morde. Bebe parte do sangue. Para. Solta Israel. Israel cai no chão e se afasta de costas, encostando na parede.
Já? Só isso? (Valesca)
Tem algo diferente comigo. (Pandora)
Teoria confirmada. (Valesca)
Valesca descobre o espelho. Pandora vai até a frente. Não vê mais seu reflexo, apenas as roupas parecem flutuar.
Depois da primeira gota de sangue é que se perde a alma. (Valesca)
Pandora olha para Valesca.
Estou com vontade de outra coisa. (Pandora)
Se alimente direito. Daí eu te dou a outra coisa. (Valesca)
Pandora olha de novo para Israel.
Você prometeu!!! (Israel)
E você acreditou. (Pandora)
Israel corre para a porta. Pandora puxa Israel, jogando no chão, de costas. Sobe em cima, tampa a boca e morde. Israel se debate. Vai perdendo as forças. Fecha os olhos. Pandora continua ainda um tempo. Para. Levanta. Vai até Valesca. Beija Valesca. Valesca passa a mão no rosto de Pandora.
Não crio ninguém pra mim. Bom, tinha te criado para alguém, mas, além de você não ter acordado e eu ter dado outro presente, acho que tem alguém melhor agora. Não tem problemas com homens, tem? (Valesca)
Só com os que não me satisfazem. (Pandora)
Tá falando de Leonardo? (Valesca)
Quem vai ser meu tutor? (Pandora)
Vai ter que ajudar a pessoa também. Tem um certo problema fraterno. (Valesca)
Casa de Angely.
Leo me dizia que Pandora era muito doce, sabe? Uma boa pessoa. (Ang)
E por que então se transformou? (Bea)
Leo disse que Pandora queria poder se sustentar. Talvez tenha sido desespero. (Ang)
Manhã. Casa de Sandro. Etos e Alete chegam.
Olha, eu vou te levar até um lugar quando anoitecer. Encontrei um cartão no chão. É na outra Ilha, talvez possam te ajudar... (Etos)
Alete puxa Etos e beija. Etos se afasta.
Alete... (Etos)
Etos olha para a porta e vê Janaína. Baixa a cabeça.
Então era isso... Mais de um mês te procurando e você tava com outra! (Janaína)
Não vou dizer que posso explicar, porque eu não posso. Vou embora das Ilhas, vou te deixar em paz. (Etos)
Me deixar em paz??? Acha que preciso de alguma coisa sua??? (Janaína)
Etos olha para Janaína.
Tudo que tenho você também conquistou. Nada é só meu. (Etos)
Dane-se. Não quero nada que me lembre você. Quantas já teve? (Janaína)
É a primeira vez que isso acontece. (Etos)
Janaína sai. Alete segue. Para Janaína no jardim.
Você não é nada. (Alete)
Quê??? (Janaína)
Ele tá com pena de você. Não sabe como você vai se virar sem ele. Etos me contou que, até hoje, você viveu às custas dele. Claro, não disse com essas palavras, ele é meio bobinho. Quando nos encontramos e ele percebeu que me queria, não você, ele me disse que tava com pena. Com medo do que você poderia fazer se ele te deixasse. (Alete)
Janaína balança a cabeça para os lados.
Isso é absurdo. (Janaína)
Por que acha que ele não revidou seus ataques agora? (Alete)
Etos sentou-se no sofá. Tem uma foto de Janaína em uma das mãos, um copo com bebida em outra. Alete entra. Etos pousa ambas as coisas na mesa a sua frente e levanta. Alete vem e abraça Etos. Etos afasta Alete.
Que aconteceu? (Etos)
Alete baixa a cabeça.
Não teve mesmo como, né? (Etos)
Fi... c... com... go? (Alete)
Não sei. (Etos)
Alete dá um tapa na cara de Etos. Etos olha para Alete.
Mas que diabos você quer??? (Etos)
Alete beija Etos.
Começo da tarde. MEAK. Janaína entra.
Quer um quarto ou está com problemas? Pela sua cara... (Bea)
As duas coisas... Ajudam com problemas? (Janaína)
Só se for sobrenatural. (Bea)
Janaína solta os ombros.
Traição e ser abandonada não me parece sobrenatural. (Janaína)
Depende do caso. Pode ser feitiçaria. (Bea)
Tá tentando me animar? (Janaína)
Não funcionou. Mas ainda pode alugar um quarto. (Bea)
Bom, numa coisa ele tem razão, não vou sair de mãos vazias. As Ilhas serão minhas. (Janaína)
Ah, você é a pessoa de quem Mel falou? (Bea)
Tem problema se eu pagar mais tarde? (Janaína)
Nenhum. Mas preciso fazer um cadastro. (Bea)
Sempre problemas com a lei... (Janaína)
Lei? (Bea)
Não tenho sobrenome, sempre morei com ele. (Janaína)
Como assim? Até eu que fui criada por... (Bea)
Beatrice para. Olha para a saída.
Uma pessoa fora da lei. Até eu tenho sobrenome! (Bea)
Sério? (Janaína)
Sim, o sobrenome da minha família. (Bea)
Não, tô falando da sua criação. (Janaína)
Era meio... Fora de si. (Bea)
Você é vampira? (Janaína)
Beatrice franze a sobrancelha. Janaína aponta a capa atrás de Beatrice.
A coisa também é. Bom, era, agora deve ser saco de pancadas do capeta. (Bea)
Por isso engasgou. Eu também tava com um vampiro. (Janaína)
Já te traiu muitas vezes? (Bea)
Não. Pelo menos ele disse que não e essa foi a única que vi. (Janaína)
Será que não era fênix, não? (Bea)
Fênix? (Janaína)
Não tem muito como fugir. (Bea)
Como assim? Posso ter cometido uma injustiça? (Janaína)
Janaína suspira.
Não, ele se desculpou, não se desculparia se não fosse culpa dele... (Janaína)
Olha, a única fênix de que tenho notícia nas ilhas é uma que não consegue falar direito, inclusive tem gente que acha que não consegue falar, porque não fala em função do problema. (Bea)
Não, aquela ali fala! Ô, se fala! Fala demais até! (Janaína)
Noite. Alete está na cama com Etos. Etos se levanta. Vai até o banheiro. Fica em frente ao espelho.
Por que pensar parece mais fácil quando se tem reflexo? (Etos)
Alete vai até Etos e abraça. Etos pega as mãos de Alete, abre e se vira. Olha nos olhos de Alete.
Vou te levar até aquele pessoal que te falei. (Etos)
Alete se afasta. Expressão travada, punhos cerrados.
Olha, eu não posso ficar com você, é absurdo! Mesmo que consiga te amar, posso te trair mais tarde, já pensou nisso? Não posso simplesmente sair de uma coisa e pular em outra, como se estivesse certo! (Etos)
Etos baixa a cabeça.
Vou te levar praquele pessoal, antes que acabe te machucando. Como fiz com Janaína ou pior que isso. (Etos)
Alete sai. Etos vai para o quarto. Se veste. Vai ao quarto ao lado. Solta os ombros.
Alete está andando na rua. Olha para uma janela. Balança a cabeça para os lados. Segue. Apartamento de Edmont. Edmont deitou-se de costas na cama, corpo esticado, rosto virado para o lado contrário da porta. Abre os olhos. Batidas na porta.
Entra. (Edmont)
Valesca abre a porta. Entra. Pandora segue.
Não posso ficar. (Valesca)
Não esquece de deixar a coleira. (Edmont)
"Coleira"?! (Pandora)
Não se enraiveça comigo, quem falou como se você fosse uma coisinha encontrada na chuva não fui eu. (Edmont)
Ele nem é tão digno assim, está deitado de um jeito que qualquer um poderia chegar e enfiar uma estaca. (Pandora)
Edmont encosta Pandora a contra parede, com uma estaca apontada contra o coração.
Tinha uma estaca debaixo do meu travesseiro e acordei antes de vocês baterem a porta. Agora vou te deixar reagir. (Edmont)
Edmont afasta. Entrega a estaca a Pandora. Pandora pega a estaca e enfia no coração de Edmont. Edmont desaparece, depois volta, sem roupas. Pandora arregala os olhos, tenta cravar a estaca novamente, mas Edmont segura sua mão.
Deixa aqui. (Edmont)
Até outra vez. (Valesca)
Valesca sai.
Pandora não tem alma. (Ang)
Valesca provavelmente também não tem, deve ter usado algo pra esconder isso. (Edmont)
E usou em Pandora também... (Ang)
... mas nada funciona duas vezes com atlantes. (Edmont)
Vai matar Pandora? (Ang)
Vou te mostrar o que vou fazer. (Edmont)
Edmont joga Pandora na cama. Pandora sorri. Angely vai até o banheiro. A porta está trancada.
Beatrice? (Ang)
Tô tomando banho. (Bea)
Beatrice abre a porta, de toalha.
Tenho que sair pra MEAK daqui a pouco. (Bea)
Angely vira e dá um passo. Beatrice segura seu braço.
Posso demorar um pouco pra ir. (Bea)
Eu preciso... (Ang)
Eu sei. Não prometemos nada a ninguém, não tem nada errado. (Bea)
Bea... (Ang)
Também não sou de ferro. (Bea)
Não tem amor. (Ang)
Mentira. Você tem medo de Edmont. (Bea)
Não poderia dizer isso se fosse mentira. (Ang)
Tem razão. Acho que não tava falando de si. Não entendeu ainda que eu te amo? (Bea)
Beatrice vai para dentro do banheiro, levando Angely pela mão.
Quarto de Mel. Mel está na cama com o notebook no colo. Erro no programa. Mel tenta abrir o programa novamente. Mesmo erro. Reinicia o computador. Abre o programa de novo, dessa vez dá tela azul. Mel deixa o note na cama e sai. Volta com um pedaço de madeira. Acerta o computador no meio da tela. Kat, Estela, Zenon e Alan entram no quarto.
Que aconteceu??? (Kat)
Deu pau de novo. Eu resolvi que ia ser divertido dar com o pau nele. (Mel)
Mas não precisa dele pra trabalhar? Não foi por isso que compramos? (Zenon)
Fichas de papel não executam operações ilegais. (Mel)
Mas você é hacker... (Zenon)
Não quer dizer que tenha que ter paciência com isso o tempo todo. Principalmente tendo regredido 20 anos. (Mel)
Tá se alterando muito fácil ultimamente. (Kat)
Vai ver que é falta de homem. (Alan)
Zenon encara Alan. Mel olha para o teto. Sai. As pessoas olham Mel sair. Se entreolham.
Ela não foi...? (Zenon)
Acho que sim. (Kat)
Ares. Mel está andando. Zenon corre até Mel. Mel para.
Que vai fazer? (Zenon)
Arranjar com quem passar a noite. (Mel)
Aceitou a sugestão de Alan?! (Zenon)
Não. Não tô afim de homem hoje. Ao menos não cis. (Mel)
Como assim?! (Zenon)
Algum problema? (Mel)
Eu não tinha muita certeza se você... (Zenon)
Atlantes são predominantemente bissexuais. (Mel)
Então o Angely e o Edmont... (Zenon)
E há possibilidade de Kat também ser. Mas acho que, do jeito que tá com Derik, nunca vai descobrir. A menos que Derik descubra que não é cis. (Mel)
Como assim?! (Zenon)
Também pode ser que se dêem conta que monogamia não faz sentido. Mas não tenho nada a ver com essa parte da vida de Kat e Derik. (Mel)
Mel franze a sobrancelha.
Aliás, acabei de lembrar, você também não tem nada a ver com essa parte da minha vida! (Mel)
Mas pode pegar alguma doença saindo com qualquer pessoa assim! (Zenon)
Não parecia preocupado com doenças quando tava comigo. (Alete)
Mel e Zenon olham para Alete.
Vampiros não pegam doenças... (Zenon)
Nunca se encontrou uma doença que pegasse atlantes. Esteve com Alete? (Mel)
É, bem... (Zenon)
Não era para responder. Não tenho nada a ver com a sua vida, assim como você não tem com a minha. (Mel)
Mel sai.
Zenon para o chão. Franze a sobrancelha. Olha para Alete.
Peraí, desde quando você fala??? (Zenon)
Desde que percebi que meu jeito de boa moça não agrada mais. Um morreu, outro não me quer. Posso virar prostituta. (Alete)
Só de vampiros? (Zenon)
Não necessariamente. (Alete)
Torraria seus clientes! (Zenon)
Não teria nenhum obcecado por mim e não ganharia só o que quisessem me pagar, já pegava todo o dinheiro... Tem os pégasos... Esqueci de testar um dos meus conhecidos, será que dá pra eu fazer o gênero frágil de novo? (Alete)
Era tudo fingimento?! (Zenon)
Preciso me proteger. (Alete)
E por que fui excluído da lista? (Zenon)
Você quem saiu de fininho. E quem disse que você foi excluído? (Alete)
Não está fingindo. (Zenon)
Você não é chegado em boas moças. (Alete)
Quando falou em voltar a fingir... (Zenon)
Beleno. Mas teria que me livrar de Inês. (Alete)
Alete olha novamente para a janela que olhara antes.
Vocês bonzinhos ou fingidos de bonzinhos são muito complicados. Acho que vou ter que procurar entre garotos maus. (Alete)
Zenon olha para o prédio.
Devia parar de procurar o que eu quero e começar a procurar o que você quer. (Alete)
Quem te disse que quero a Mel??? (Zenon)
Mandei você procurar o que você quer, não disse o que era. (Alete)
Tem razão... (Zenon)
Zenon arregala os olhos.
Mel! (Zenon)
Zenon corre.
Madrugada. Edmont se levanta da cama.
Faz algum tempo que tô sentindo vigia, você não? (Edmont)
Está falando fora seu irmão? (Pandora)
Sim. E, quando falo de algum tempo, me refiro a algumas horas. (Edmont)
Já tentou procurar? (Pandora)
Sei que não tá perto, sentiria o cheiro. (Edmont)
Olha pela janela. (Pandora)
Talvez fuja. (Edmont)
Não se gostar de homem. Não tem motivos pra fugir de você se a pessoa gosta de homem. (Pandora)
Edmont vai até a janela. Abre. Olha para Alete. Alete sentou-se em frente a um poste.
Encontrei. (Edmont)
É homem ou mulher? (Pandora)
Alete. Ouvi a conversa mais cedo, Zenon e Mel estiveram ali também. Descobriram que a pessoa fala. Só não sabia que era quem tava olhando. (Edmont)
Atriz? Adoro atrizes. (Pandora)
Edmont olha para Pandora.
Por quê? (Edmont)
Meu pai as odiava. Diz que eram as "incitadoras da luxúria, desobediência e mentira". Pudera, na época eram prostitutas. (Pandora)
Edmont olha para Alete.
Acho que, na época em que nasceu, atriz e prostituta eram sinônimos. (Edmont)
Quem sabe ela não é as duas coisas? (Pandora)
Alete levanta-se do chão. Edmont faz um aceno leve com a cabeça para baixo e para cima. Alete entra no prédio. Sobe o elevador. Vai até a porta do quarto. Edmont abre antes que Alete encoste na porta.
Posso te ajudar em alguma coisa? (Edmont)
Parecia que sabia. (Alete)
Resolveu largar Batman? (Edmont)
"Batman"? Algum caçador de vampiros noturno ou que nos caçava em cavernas, achando que poderíamos virar morcegos? (Pandora)
Alete entra.
Uma vez mandei um e-mail pra um amigo pedindo ajuda por causa do estranho ataque que o irmão dele teve. O irmão dele viu. (Alete)
Quê, o irmão dele resolveu falar palavrões? (Pandora)
Bem pior que isso. Pena que voltou ao normal. Vamos ficar falando dele? (Alete)
É legal. Não pode me impedir de falar mal de si. (Edmont)
Pandora olha Alete de cima a baixo.
Também não pode te impedir de fazer uma festinha. (Pandora)
Na verdade, tá me pressionando pra matar você e levar Alete pra lá. (Edmont)
Pegaria você e ele fácil. (Alete)
Não foi nisso que Angely pensou. (Edmont)
Que pena. Então acho que não vou. (Alete)
Achei que seu irmão não matasse nem uma mosca. (Pandora)
Você não tem uma alma para que te salvem. (Edmont)
E o que é uma alma afinal? Nada. (Pandora)
Pensa que a alma é tipo uma influência de anjo da guarda. Agora se tornou uma criatura humana. (Edmont)
Acho que agora entendi a explosão demográfica. (Alete)
Alete se senta em uma cadeira.
Estou pensando agora... Devia ter aceitado dormir com o dono das Ilhas. A essa hora eram minhas. (Alete)
Edmont se aproxima de Alete.
Por que ainda não aconteceu? (Edmont)
Acontecer o que? (Pandora)
Fênix e vampiro. Há uma atração tão forte que torna os dois irracionais. (Alete)
Não só com homens. (Edmont)
Acabou de transar comigo. (Pandora)
Também não faz muito tempo que estive com alguém. (Alete)
Nunca transei com mulher. (Pandora)
Edmont olha para Pandora. Se afasta de Alete. Senta-se em uma cadeira. Alete vai até Pandora. No quarto de Angely, Angely anda de um lado a outro. Beatrice está na cama, deitou-se.
Não vai descansar para ir a escola? (Bea)
Tenho que matar Pandora. (Ang)
Matar? Achei que não matava... (Bea)
Duzentos anos. Pandora preferiu perder a alma. Pediu para perder a alma. (Ang)
Mas não há mesmo como salvar? (Bea)
Não quer que salvemos. (Ang)
Como pode saber? (Bea)
Alguém me disse. (Ang)
Deus? (Bea)
Angely olha para Beatrice.
Então Edmont não tava inventando... (Bea)
Não posso falar sobre isso. (Ang)
Tudo bem. Posso te ajudar. (Bea)
Mesmo que quiséssemos armar um plano, Edmont veria e ouviria. (Ang)
Armo um plano sem você. (Bea)
Edmont ouviu isso também. (Ang)
Sabe que vou fazer algo, mas não sabe o que. (Bea)
Melody sai de uma casa. Encosta a porta com cuidado. Vira-se e quase bate em Rust. Contrai o corpo e solta. Coloca a mão no tórax. Tira.
Que tá fazendo aqui? (Mel)
Achei que não gostasse de mulher. (Rust)
Por quê? (Mel)
Foi o que deu a entender da última vez que nos vimos. (Rust)
Conhece quem mora nessa casa? (Mel)
Um casal que Virgine quer. (Rust)
Então veio a mando de Virgine. (Mel)
Nem sabe que estou aqui. (Rust)
Vai fazer surpresa? (Mel)
Acha que, se eu tivesse vindo aqui pra transformar alguém, avisaria alguém que me caça? A mesma criatura criou eu e Dilan, mas não tenho a mesma burrice e prepotência. (Rust)
Sabe que isso é meio que uma piada interna, né? (Mel)
Não sabia que não conhecia Dilan. (Rust)
Você poderia estar tentando me confundir. (Mel)
Ou poderia ter vindo atrás de você. Fugiu da minha pergunta. (Rust)
Eu te disse que tava a trabalho. (Mel)
Achei que tava mentindo. (Rust)
Por que eu faria isso? (Mel)
Não sei explicar porque metade da raça humana faz isso. A outra metade é só estupidez, não tem explicação. (Rust)
Não sou um ser humano. (Mel)
Rust olha para o horizonte.
Vai amanhecer. (Rust)
É, eu tenho que trabalhar. (Mel)
Falsifiquei sua letra pra Jessé. Disse que, por motivos pessoais, não iria hoje. Que tinha que acalmar seus nervos. (Rust)
Já acalmei. Vai tentar me prender? Virgine quer alguma coisa com Edmont? (Mel)
Por que tem que se tratar sempre de Virgine e Edmont? (Rust)
Me disseram que você... (Mel)
Rust beija Mel.
Manhã. Quarto de Derik. Kat e Estela entram, com uniforme da escola.
É, Beatrice deve ter chegado. Derik não abandonaria a recepção. (Kat)
Deve ter chegado tarde, já devia ter acordado. (Estela)
Kat vai até Derik. Passa a mão no cabelo de Derik. Derik abre os olhos. Sorri. Arregala os olhos e levanta de uma vez.
Esqueci do café de vocês! (Derik)
Sai correndo. Kat e Estela se entreolham. Saem, passam pelo corredor, descem, atravessam a sala e vão até a cozinha.
Não esqueceu de mais nada, não? (Estela)
É. De avisar que não vou à escola. (Derik)
Bom, do jeito que tava dormindo pesado... (Kat)
Não vou nunca mais. (Derik)
Quê??? (Kat)
Derik olha para Kat.
Eu frequentei toda a escola na minha realidade. A diferença entre alguém que se formou aqui e eu é que não tenho um papel provando isso. (Derik)
Mas no que se formou? Não lembro de uma matéria que você... (Estela)
Derik vira para o armário e tira pratos. Pega copos. Coloca um na cafeteira. Liga.
Estela, precisa ser tão dura??? (Kat)
Não fiquei mal. Estou apenas mostrando. (Derik)
Mostrando?! Se formou em pegar louça no armário?! (Estela)
Cuidar da casa. Arrumação, cozinha, limpeza, etc. É profissão levada a sério de onde venho. (Derik)
Por isso disse que tinha aprendido isso de onde veio. (Kat)
Derik olha para Kat.
Algum problema? (Derik)
Cê podia dar todas as informações de uma vez... (Kat)
Quando eu lembrar de alguma diferente, eu dou. (Derik)
A cafeteira apita.
Já volto. (Derik)
Derik pega o copo de café e vai para a sala. Kat e Estela seguem. Derik se aproxima de Alan, que está no sofá.
Tá, o que o Alan tá fazendo dormindo aí? (Estela)
Já respondeu sua própria pergunta. (Derik)
Estela encara Derik.
Falou pra eu ir dormir que cuidava da recepção. Nunca mais aceito. (Derik)
Derik cutuca Alan. Alan acorda. Derik estende o café. Alan pega. Toma um pouco. Contrai o rosto.
Tá forte! (Alan)
Toma tudo e depois vai pro seu emprego antes que o perca. (Derik)
Michele! (Alan)
Casa de Michele. Alan chega. Olha o relógio. Franze a sobrancelha.
Sete e meia?! (Alan)
Alan solta os ombros.
Derik me sacaneou... (Alan)
Tava na farra?! (Michele)
Alan olha para Michele.
Não. Tava cuidando da MEAK. (Alan)
Não é pra isso que te pago. (Michele)
Não devia estar na escola? (Alan)
Não fuja do assunto. (Michele)
Alan cruza os braços. Zenon chega.
Alan, viu Mel? (Zenon)
Vocês dois são pagos para me treinar! (Michele)
Nosso horário é da hora que você sai da escola até as dez. (Zenon)
Não tinha lembrado disso. Derik me sacaneou. (Alan)
Acho que queria se livrar de você. (Zenon)
Zenon e Alan olham para Michele.
Vou pedir outros treinadores para os CVs. (Michele)
Zenon cruza os braços.
Fala de alguém que te seque quando "sem querer" sua roupa rasga? (Zenon)
Olha aqui... (Michele)
Olha aqui você! Nos contratou como treinadores, não pra satisfazer seus desejos de adolescente mimada, se quer alguém que fique te secando, ótimo, mas bons treinadores não fazem isso, e vai acabar batendo seu recorde de tempo de vida, no sentido negativo! Melhor começar a se comportar como gente, e isso inclui tratar as pessoas como gente! (Zenon)
E acho melhor ir para a escola também, porque ninguém vai te sustentar só porque sabe lutar... (Alan)
Você é sustentado só por isso. (Michele)
Mas você é uma mulher. (Alan)
Zenon respira fundo. Encara Alan.
Que foi? (Alan)
Zenon dá um soco em Alan.
Você tem que estudar sim, mas é pra não sair falando besteiras como Alan. (Zenon)
Michele ri. Sai. Zenon dá a mão a Alan, que pega a mão e levanta.
Fez isso pra ela ir pra escola? (Alan)
Soraia ou Melody. (Zenon)
Pera, não vai... (Alan)
Eu devia gravar sua cara quando falo esses nomes, e te mostrar quando falar asneira de novo. (Zenon)
MEAK. Beatrice entra. Derik está na recepção.
Desculpa! Não foi pra escola por minha causa?! (Bea)
Não, eu não vou mais a escola. Mas não gosto de telefone, pode ficar com seu trabalho. (Derik)
Mel não deveria estar aqui pra me dar bronca? (Bea)
Saiu. Não voltou ainda. (Derik)
Alan e Zenon? (Bea)
Toca o telefone. Derik sai de trás do balcão, Beatrice entra e atende.
MEAK, descreva seu problema e digo se podemos ajudar. ### Alan... ### Não, ainda não voltou. ### Podia cuidar um pouco da sua própria vida, que acha? ### Tá, esquece. Continua procurando. (Bea)
Beatrice desliga o telefone.
Bom, Kat e Estela estão em aula, né? (Bea)
Sim. (Derik)
Então vai ter que ser você pra me ajudar. (Bea)
Tarde. Derik está andando no esgoto. Alguém vai pegar Derik por trás, vira pó. Beatrice cravara uma estaca.
Não era. (Derik)
Informação desnecessária. Quantos já foram? (Bea)
Perdi a conta. Por que será que acho que não tá funcionando? (Derik)
Beatrice cruza os braços atrás de si e balança o corpo.
Por que você é pessimista? (Bea)
Derik cruza os braços e encara Beatrice. Beatrice para. Solta os ombros.
Tá, admito, isso não é um bom plano. Mas até que valeu pra alguma coisa. (Bea)
É, descobri que não tenho problemas do coração. (Derik)
Daqui a duas horas poderemos subir a superfície. (Bea)
Isso não é pleonasmo? (Derik)
Estamos atrás de uma criatura perigosa e está preocupado com o meu português?! (Bea)
Bom... (Derik)
Vamos logo, temos mais o que fazer. Continua andando. (Bea)
Melody acorda. Vira para o lado, olha para Rust. Vai até o banheiro. Rust chega na porta.
Quanto tempo faz que não... (Mel)
Não lembro. Cansou? (Rust)
Nem. Mas nem todo mundo tem tanto fôlego. (Mel)
Apesar dos meus mais de oitocentos anos, ainda consigo alguma coisa. (Rust)
Você não é ruim. (Mel)
Devo considerar que já encontrou muitas outras pessoas muito melhores nisso? (Rust)
Não tô falando disso. (Mel)
A gente pode só não entrar nesse assunto? (Rust)
Anoitecer. Ares. Beatrice e Derik andam.
Tá, agora temos que achar Pandora. Deve estar caçando. (Bea)
Não era mais fácil pedir ajuda pro resto do pessoal? (Derik)
Se não pudermos pegar alguém que mal acordou, o que poderemos? (Bea)
Noite. Derik está andando, só. Chega a um beco. Solta os ombros.
Será que vou ter que pintar um alvo na... (Derik)
Procurando algo? (Pandora)
Estou. Não ouviu o que eu disse? (Derik)
Isso é uma armadilha? (Pandora)
Derik olha para os lados.
Não era pra já ter aparecido?! Não. Estou precisando de ajuda de vampir. (Derik)
Pra que? (Pandora)
Você é vampir? (Derik)
Sim. (Pandora)
Temos vampir aqui! (Derik)
Pandora olha para os lados.
Com quem tá falando? (Pandora)
Amizade fantasma. Estamos precisando achar vampir porque quero saber da pessoa com quem teve um noivado. (Derik)
E por que um vampiro saberia disso? (Pandora)
Por que essa pessoa tem o poder de transformar vampirs em imortais. (Derik)
Os CVs podem ter pego essa... pessoa... por isso. (Pandora)
CVs! Porque não pensamos nisso?! Oi, onde você foi?! Tem vampir aqui, não era isso que queria?! Será que vou ter que virar lanche antes de você falar??? (Derik)
Beatrice aparece, atrás de Pandora, com uma besta. Alete aparece atrás de Beatrice. Beatrice aponta a arma para Alete. Encosta na parede, fica com a besta armada, olhando para Alete e Pandora.
Derik, sai daqui! (Bea)
Mas... (Derik)
Vai ser mais útil buscando ajuda que de alvo! (Bea)
Posso seguir ele. (Pandora)
Derik vira pássaro e foge.
Vai lá. Boa sorte. Ah, aquela parte da gente virar morcego é lenda. (Bea)
Por que precisamos brigar? (Alete)
Agora fala? E não me parece mais tão triste com a morte de Xisto... (Bea)
Cansei de ser idiota. Danem-se todos os humanos. (Alete)
Beatrice respira fundo. Olha para baixo. Olha para Alete.
E os vampiros bonzinhos também. (Alete)
Eles não são bonzinhos. Estão. É apenas um período, algo passageiro. (Pandora)
Mentira. (Bea)
Pandora chuta a besta de Beatrice. Segura as mãos de Beatrice contra a parede.
MEAK. Derik entra pela janela de seu quarto. Sobe em uma cômoda, empurra uma gaveta com a pata, pega roupas com o bico e vai até o banheiro. Sai, com roupas. Corre até o quarto de Estela e Kat, escorregando no caminho.
Cadê Mel??? (Derik)
Que aconteceu??? (Kat)
Com Mel acho que nada, mas com Beatrice... (Derik)
Por que se preocupa com Beatrice?! (Kat)
Fomos atrás de Pandora e pegaram Beatrice! (Derik)
Dane-se! (Kat)
Quem é Pandora??? (Estela)
A pessoa que enterramos. (Derik)
Peraí, ela já não tinha sido enterrada e não tinha continuado... (Estela)
Sei lá, mas acordou e tá com Edmont agora. (Derik)
E porque Angely não interfere? (Estela)
Edmont fica... Bom, sabe que, o que Edmont sente, Angely sente, certo? (Derik)
Sim. (Estela)
Por que saíram junto?! (Kat)
Beatrice...? (Derik)
Deixa de cinismo, sabe que é Beatrice! (Kat)
Íamos caçar Pandora. (Derik)
Ah, você luta muito bem... Quis é te levar de novo pra cama! (Kat)
Eu estou com você, e Beatrice está com Angely. (Derik)
Angely?! Não acredito! Que merda! (Kat)
Com licença, eu tô tentando entender porque Ang não acaba com a farra! (Estela)
Angely se altera junto com Edmont, Edmont tá usando isso pra acabar com a vida de Angely e por isso fomos atrás de Pandora! (Derik)
Ah, claro, Beatrice é legal... (Kat)
Se chama amor. Não acredito que tenha que te descrever isso. Tenho, Katerine? (Derik)
Está comparando aquela coisa comigo??? (Kat)
Não, Beatrice não mente. (Derik)
Quem disse que minto?! (Kat)
Não estou dizendo que deveria me perdoar, tô só pedindo pra não fingir que consegue se não consegue. (Derik)
Eu já te perdoei! (Kat)
Derik olha para baixo. Kat suspira.
Vamos ligar pra Zenon e Alan. Pra ajudarem Beatrice. (Kat)
Virada do dia. Apartamento de Edmont. Beatrice abre os olhos. Levanta. Se veste. Olha os cômodos. Ninguém. Sai. Atravessa a cidade, a floresta, vai até o porto. Entra em uma caverna. Anda até o final. Desce uma escadaria de pedra. Está no lago de Hera. Senta-se na beira da água. Edmont e Pandora chegam, atrás de Beatrice.
Parece que já arranjou quem substitua. (Bea)
E se eu matasse ela pra você? (Pandora)
Edmont coloca as mãos na cabeça e cai no chão. Beatrice arregala os olhos e levanta. Pandora se afasta. Angely está em sua casa, na cama. Olhos fechados, joelhos dobrados, pernas encostadas no tórax, braços abraçando as pernas.
Vai ser assim, é??? (Edmont)
Sim. Vai ter que mandar Pandora para onde deve. (Ang)
Vou matar se Beatrice não matar. Se Beatrice tiver que continuar a viver e não conseguir derrotar Pandora, sua amizade vai ter que fazer um milagre. (Edmont)
Edmont cai de lado. Angely também. Beatrice olha para Pandora. Dá um chute. Pandora defende. Devolve o chute. Beatrice cai na areia. Levanta. Dá um soco em Pandora, no rosto, Pandora cai no chão. Pandora levanta. Bloqueia outro soco de Beatrice. No terceiro, puxa Beatrice pelo braço e passa o próprio braço em volta do pescoço de Beatrice. Beatrice joga Pandora para a frente, por cima. Pandora levanta. Pandora tenta dar um soco em Beatrice. Beatrice segura, derruba Pandora, trança o braço de Pandora com a perna e puxa. Pandora grita. Beatrice solta. Pandora segura o braço. Fica no chão. Beatrice olha para Edmont. Vai até Edmont. Pandora puxa Beatrice e joga na areia. Sobe em cima e segura seus braços.
Parece que não é tão forte como ele descreveu... Sabe, você não devia criar alguém se não tem competência pra cuidar dele. (Pandora)
Pandora arregala os olhos. Vai para trás, sentando sobre Beatrice. Desfaz. Beatrice levanta. Vê Fábio.
Mas você... (Bea)
Será que foi isso? Morri pra te salvar e ressuscitei pra isso? (Fábio)
Beatrice engole seco.
Talvez você seja fantasma. (Bea)
Saí do meu caixão. Vim direto pra cá, não consegui pensar em mais nenhum lugar. Gosto desse lago. E deu pra me lavar. (Fábio)
Tem certeza que saiu? De repente foi só sua alma. (Bea)
Bom, nunca vi alma carregar terra quando passa. (Fábio)
Quando foi isso? (Bea)
Cinco dias. Era meu aniversário. (Fábio)
Bom presente. (Bea)
Beatrice olha para Edmont.
Acho que vou te levar pra MEAK. (Bea)
Madrugada. MEAK. Beatrice e Fábio entram. Kat e Estela estão no sofá, dormindo. Beatrice toca no ombro de Kat, que acorda. Derik desce a escada.
Onde você tava??? (Derik)
Quase indo dessa pra melhor. (Bea)
Beatrice franze a sobrancelha.
Pior provavelmente. (Bea)
Encontrou Alan e Zenon? (Kat)
Beatrice sorri.
Não, encontrei Fábio. (Bea)
Derik olha para Fábio e dá um passo atrás.
Ai, meu deus, mais fantasma! (Derik)
Estela acorda.
Fantasma?! (Estela)
Derik, olha pra Fábio, parece fantasma? (Kat)
Morreu, lembra? Yaksahs... (Derik)
Esse nome estranho... Bom, "os", são vários, o que posso me lembrar é daquela situação com Rob... (Estela)
Então, Fábio morreu! (Derik)
Bom, isso não sei como explicar. (Bea)
Vá pra casa. De manhã iremos a biblioteca. (Derik)
Eu saio e você já tá dando ordens? (Mel)
Se quiser assumir agora... (Derik)
Todo mundo indo pra cama que amanhã vocês têm escola. (Mel)
Mel olha para Beatrice.
Parece que fez bastante coisa hoje. (Mel)
Bem... (Bea)
Vai pra casa. (Mel)
Beatrice sai.
Fábio, vai dormir no quarto de Derik, Zenon e Alan não estão mais lá mesmo. (Mel)
Temos que avisar Alan e Zenon que Beatrice já foi salva. (Estela)
Melody pega o telefone.
Vão me explicar isso tudo direitinho amanhã. (Mel)
Casa de Angely e Beatrice. Beatrice entra. Malas no chão da sala. Beatrice franze a testa. Angely está no telefone.
Tá. Obrigado. (Ang)
Angely desliga o telefone.
Era Mel. (Ang)
Fiz algo errado? (Bea)
Uma vez você disse que queria morar na MEAK. (Ang)
Não foi nada contra você, eu te amo, sabe disso! (Bea)
Bea... (Ang)
Ai, já sei! É a luxúria, não é? O fato de eu sentir atração por você, isso é pecado, não é?! (Bea)
Não. (Ang)
Então o que fiz de errado?! (Beatrice)
Nada. Edmont quem fez. Não posso pagar o aluguel, porque tive que me demitir. Vendi minhas roupas. (Ang)
Os olhos de Beatrice marejam.
Por que isso? (Bea)
Não posso ficar na escola tendo que sair toda hora por causa de Edmont. E também não posso agir assim com você. (Ang)
Não me importo! (Bea)
Não tenho mais emprego, não posso pagar... (Ang)
Eu pago! Pago tudo! Só não me abandona... (Bea)
Angely olha para baixo.
Não estou te abandonando. (Ang)
Jurou que me protegeria! (Bea)
Angely olha para Beatrice.
Só precisa de proteção contra Edmont. Mas, infelizmente, você não é a única pessoa que precisa de proteção contra Edmont. (Ang)
E o que isso tem a ver?! (Bea)
Vou morar com Edmont. Vamos pra um lugar que não precise de aluguel nem nada assim. (Ang)
Uma lágrima desce o rosto de Beatrice.
Angely, por favor... (Bea)
Tenho que ficar perto. É o único jeito. (Ang)
Beatrice passa as mãos no rosto.
É egoísmo, não é? Ficar implorando pra proteger só a mim. (Bea)
Você é um anjo. (Ang)
Você é que é. Sou apenas alguém que fez a escolha errada e agora vai ter que pagar o preço. (Bea)
Angely baixa a cabeça.
Também fiz escolhas erradas um dia. Não estou pagando por nada ainda. Melhor irmos logo, antes que amanheça. (Ang)
Angely olha para o lado.
Tenho uma coisa pra você. (Ang)
Angely pega um vaso com uma planta. Vai até Beatrice e entrega.
Daxlidan? (Bea)
Se você e Zenon plantarem lá no fundo da casa e cuidarem bem, logo não precisarão mais comprar. (Ang)
Bea sorri. Coloca o vaso na mesa de centro e abraça Angely.
Ares. Edmont está andando. Para. Olha para trás. Valesca está olhando.
Por que o desprezo? (Valesca)
Tá falando de Pandora? (Edmont)
Era meu presente pra você, olhos de prata. (Valesca)
Costuma presentear vampirs recém chegados? (Edmont)
Só quem me parece uma boa promessa. (Valesca)
Quer me presentear? Me livra de Angely. (Edmont)
Sua alma? (Valesca)
Mais ou menos isso. (Edmont)
Não tem como. (Valesca)
Então não temos mais do que falar. (Edmont)
Edmont vira de volta e segue andando.
Desculpe não ter te contado, mas, se eu te dissesse que talvez tenha como, Angely iria ouvir também, bebê. (Valesca)
Algum tempo, algum lugar
Então vampirs perdem a alma? (Xien)
É meio incerto. E bem confuso. (Uehfo)
E o papo de que alma era a influência... (Xien)
Bom, pode ter sido você quem disse, você se sente confiável? (Uehfo)
Edmont não era confiável. (Xien)
E você? (Uehfo)
Alguém que nem sabe quem é poderia ser confiável? (Xien)
Não sei. (Uehfo)
Valesca então vai... Ia... Tentar separar Angely e Edmont? (Xien)
Aparentemente. (Uehfo)
E Fábio ressuscitou. (Xien)
Pois é. (Uehfo)
Fábio é um ser humano? (Xien)
Uehfo estende a mão a Xien.

Resumo do Capítulo

Ang vende coisas para Douglas, que tem uma lanchonete e uma loja de coisas sobrenaturais. Leva o dinheiro a MEAK. Beatrice sugere que fiquem, Ang diz que não pode. Estela fala em uma festa na escola, e reclama de Katerine estar tentando empurrar pessoas para ela. Alan e Zenon chegam. Beatrice diz a Alan para ir com Estela na festa, Estela diz que prefere que não, pois vai parecer desespero. Alan se oferece para treinar Estela, Estela aceita. Angely pensa em doar o quadro que Leo fizera de Pandora. Edmont acha um caixão na praia e vende a Douglas. Douglas abre e vê o corpo de Pandora. Joga na praia o corpo. Angely vê a notícia do corpo. Leva a notícia a MEAK. Deduzem que transformaram Pandora. Íris e Henrique vão ao necrotério, com intenção de levar Pandora a Edmont. Íris sai com Pandora com as roupas de Henrique, Henrique finge que acordou no necrotério. Mel vai ao necrotério, não acha Pandora. Íris e Henrique enterram, com esperanças que acorde. Mel e Beatrice encontram. Íris e Henrique fogem. Edmont chega e desenterra. Levam para a MEAK e enterram ao lado. Edmont provoca Angely, fazendo com que Angely precise ficar tomando banhos gelados. Valesca aparece para Edmont e pede para ver o túmulo de Pandora. Edmont leva, sob ordem de Angely. Pandora acorda. Angely ordena que deixe irem. Valesca e Pandora conversam. Valesca fala de um feitiço para que Edmont não percebesse a falta de alma, por causa de Angely, mas que deveria ter percebido de Pandora. Pandora ainda tem reflexo. Valesca traz uma pessoa, fala para Pandora morder, mesmo que sem matar. Pandora morde. Sente algo estranho. Perdeu o reflexo. Então mata a pessoa. Janaína descobre sobre Etos e Alete. Alete fala com Janaína, diz que Etos está com pena. Voltando a Etos, volta a fingir o problema de fala. Pede para ficarem juntos. Janaína pede um quarto na MEAK. Etos fala em levar Alete a MEAK, encontrara um cartão. Alete vai embora. Valesca leva Pandora a Edmont. Angely tenta ir para a água fria, mas Beatrice está tomando banho. Beatrice convence Angely de resolver de outro jeito. Mel sai para procurar alguém para transar, depois de destruir o computador em uma crise de raiva. Zenon segue. Passam por Alete. Alete fala com Zenon, não finge o problema de fala. Alete vai até Edmont. Angely quer que Edmont mate Pandora e leve Alete, mas Edmont se recusa. Beatrice se propoe a resolver isso. Melody encontra Rust. Desconfia. Rust beija Melody. Derik resolve que não vai mais para a escola e que, de onde veio, se formou em cuidar de casa. Acordam Alan, que se propusera a cuidar da MEAK e estava dormindo no sofá. Michele ameaça pedir outras pessoas para lhe treinarem, Zenon diz que Michele precisa levar a sério ou vai morrer mais cedo que das outras vezes. Beatrice pede ajuda a Derik para ir atrás de Pandora. Acham Pandora e Alete. Beatrice manda Derik fugir e buscar ajuda. Alete e Pandora desarmam Beatrice. Derik chega a MEAK. Derik e Kat brigam. Kat fala em chamar Zenon e Alan para ajudar Beatrice. Beatrice acorda no apartamento de Edmont e vai ao lago. Pandora e Edmont encontram. Angely derruba Edmont a distância. Pandora e Beatrice lutam. Pandora derruba Beatrice. Fábio mata Pandora, e conta que saiu do túmulo no dia do aniversário. Vão para a MEAK. Derik se assusta, achando que Fábio é fantasma. Beatrice volta para casa, mas Angely está indo embora, vai morar com Edmont, para proteger as pessoas. Dá um vaso de Daxlidan a Beatrice. Valesca encontra Edmont. Diz que não têm como livrar de Angely, mas não é o que pensa de fato.

Dara Keon