O que você vai ser quando você crescer
MEAK
B11

O que você vai ser quando você crescer ler resumo

Manhã de sábado. MEAK. Hall de entrada. Kat, Estela e Derik estão em um sofá. Zenon e Alan estão em outro. Beatrice está atrás do balcão da recepção. Fábio na frente. Mel vem das escadas. Olha para as pessoas.
Isso aqui tá ficando meio cheio. Daqui a pouco vou precisar de megafone pra falar com todo mundo. (Mel)
Tenho que fazer contato com o Grupo, provavelmente ainda não sabem de mim, mas assim que... (Fábio)
Mel olha para Fábio.
Não tô te expulsando. (Mel)
Mel olha para Beatrice.
Nem você. (Mel)
Janaína desce a escada. Para. Olha para as pessoas.
Eu juro que não ia sair sem pagar. (Janaína)
Chegou uma coisa ontem pra você. (Bea)
Beatrice pega um envelope grande embaixo do balcão. Janaína se aproxima, Beatrice entrega. Janaína abre. Arregala os olhos. Vai passando folhas e olhando. Para.
Etos me deu as Ilhas. (Janaína)
Não sabia que elas pertenciam a alguém... (Alan)
Eram do Sandro, ele tava devendo pro Etos, Etos cobrou. (Janaína)
Então, tecnicamente, não estamos no Brasil? (Zenon)
Não, estamos, mas é como se fosse uma grande propriedade privada. Tem um sistema próprio de venda e aluguel. Nem um centemilésimo da população brasileira sabe que existimos. (Janaína)
Kat franze a sobrancelha.
Existe centemilésimo? (Kat)
Cem mil avos? (Derik)
Se não existia, existe agora. (Janaína)
Não te conheço de algum lugar? (Fábio)
Também tive essa impressão, não parece com a filha do... (Alan)
Fábio olha para Alan.
Parece. Mas teria mais idade hoje. (Fábio)
Tenho dezenove. (Janaína)
Viu? (Fábio)
Não teria, não! (Alan)
Fábio encara Alan.
Você já vai? (Bea)
Eu ia até a casa do Etos, acertar as coisas. (Janaína)
Janaína guarda os papéis no envelope.
Não é mais a casa dele, mas ainda vou ter que acertar coisas por lá. (Janaína)
Janaína tira uma carteira da bolsa.
Aceitam cartão? (Janaína)
Nós não temos... (Zenon)
Beatrice pega uma máquina atrás do balcão. Zenon franze a sobrancelha. Beatrice digita na máquina, entrega a Janaína.
Ei, quando isso veio parar aqui?! (Zenon)
Estava treinando Michele quando instalaram. (Mel)
E quando foi encomendado? (Zenon)
Esperava ver ábacos e dinheiro embaixo do colchão? (Bea)
Falando em guardar, eu tava lendo um negócio... Podemos criar uma micro-dimensão para guardarmos as armas e livros. Assim, se houver outra explosão, apenas precisaremos reabrir a porta. (Derik)
Outra??? (Kat)
Como assim, explosão?! (Estela)
Bom, que eu lembre, nossa casa já explodiu duas vezes. (Mel)
Tem também o avião que caiu... (Kat)
É bom saber que estou tão segura perto de vocês! (Estela)
Bom, tô indo. (Janaína)
Sua casa é segura? (Estela)
Sou ex-namorada do maior agiota conhecido. (Janaína)
Tá. Eu fico. (Estela)
Janaína ri e sai.
Fábio, quer que liguemos pro grupo, pra falar de você? (Mel)
Desde que não seja Alan. (Fábio)
Ei! (Alan)
Tudo bem, eu ligo. (Mel)
Tenho mesmo mais o que fazer. Estela, vamos treinar. (Alan)
Alan sai. Estela segue.
Kat? (Zenon)
Ow! (Derik)
Sinto muito. (Kat)
Zenon pega sua capa.
Alan, vamos pra casa da Michele, é maior. (Zenon)
Tá. (Alan)
Zenon sai. Kat segue.
Qual o problema com a pensão?! (Mel)
É. Parece que ficou só a gente aqui. (Bea)
Kat volta correndo, pega Derik pela mão e saem. Beatrice balança a cabeça para os lados.
Vamos jogar trinca? (Bea)
Ainda não sabemos porque Fábio ressuscitou. (Mel)
Não se preocupem. O Grupo resolve isso. (Fábio)
Beatrice suspira. Mel olha para fora. Fábio olha para Mel. Então para Beatrice. Beatrice olha para Mel.
Que merda, não temos mais o que fazer aqui??? (Bea)
Mel olha para Beatrice.
Vou olhar as fichas pra vaga de matemática. Bea, liga pro grupo. (Mel)
Mel sai.
Mas sou... Isso... (Bea)
Acho que não vão perceber pelo telefone. (Fábio)
Bea suspira. Pega o telefone. Fábio se aproxima e digita. Beatrice coloca o telefone na orelha. Espera.
Alô? (Bea)
Droga, é meu dia de folga, quem é??? (Soraia)
Conhece Fábio? (Bea)
Ah, desculpa... Você é da família dele? (Soraia)
Não, tá aqui do meu lado. ### Alô? (Bea)
Tarde. Fábio e Beatrice estão nos sofás. Na mesa no centro, um tabuleiro de xadrez. Beatrice move a rainha e pega um bispo.
Acho que essa foi pessoal. (Fábio)
Beatrice encolhe ombros e volta. Soraia entra, com uma besta em punho, abaixada. Beatrice levanta do sofá.
Não mato mais ninguém! (Bea)
Não era pra você, mas acha mesmo que acredito em promessa de vampira? (Soraia)
Não é promessa, disse no sentido de que não está fazendo mais isso. (Fábio)
Como saiu do caixão? (Soraia)
Se eu soubesse, teria ligado direto pro Grupo, não pra você. Não me diga que eu cheiro a... (Fábio)
Estava cheirando quando te enterramos, mas eu percebi que o cheiro não era seu, estava em você. Parece inclusive que era dessa aí. Só não achei que o ferimento de estaca era pra disfarçar. (Soraia)
Saberia se... (Bea)
Vinagre. (Soraia)
Tá, então vamos esperar doze horas, pro efeito... (Fábio)
Soraia vira para trás, apontando a besta. Mel chuta a besta. Soraia olha a besta se despedaçar na parede. Olha para Mel.
Já escolheu a pessoa? (Bea)
Já. Alguém com experiência. (Mel)
É bem complicado fazer uma merda dessas, sabia? (Soraia)
Me refazer depois da estaca seria mais. (Mel)
Eu não ia atirar em você. (Soraia)
Não apontasse então. Que estava fazendo na minha casa com isso? (Mel)
Não tenho culpa se abriga vampiros. (Soraia)
Zenon deixaram e Beatrice é assunto meu. (Mel)
Tô falando de Fábio. (Soraia)
Mas não é. (Mel)
Ele foi enterrado e... (Soraia)
Não é. Temos que saber o que realmente aconteceu, mas Angely viu como morreu. (Mel)
Não tinham me dado essa garantia. Falando nisso, onde ele está? (Soraia)
Beatrice baixa a cabeça. Mel desvia o olhar.
Tomando conta de Edmont. (Fábio)
Estão com cara de que ele morreu. (Soraia)
Se isso acontecer, nem saberemos. É possível que nunca mais vejamos. (Mel)
Não diz isso... Angely vai se livrar... Um dia... Eu sei que vai... (Bea)
Ih, meu Deus, tá de quatro. (Soraia)
Beatrice cruza os braços.
Pelo menos não é por Alan. (Bea)
Soraia encara Fábio.
Pelo jeito alguém andou abrindo a boca demais... (Soraia)
Desculpa... A gente tava falando de você... Acabei citando... (Fábio)
Depois mulher que é fofoqueira. (Soraia)
Beatrice descruza os braços.
Bom, acho que temos algo pra fazer. (Bea)
Temos? (Mel)
Tem alguém que já morreu na sala. (Bea)
Não sou só eu. (Fábio)
Mas eu já tenho explicação. (Bea)
Vou mandar Derik e Estela verem isso. (Mel)
Viraram os pesquisadores da agência? (Bea)
Vocês não têm cargos definidos aqui? (Soraia)
Cargos? (Mel)
Registro? (Soraia)
Não cuidamos disso ainda. Você veio aqui pra resolver o problema de Fábio ou o nosso?! (Mel)
Tá, eu levo ele pro Grupo, descobrimos tudo. Vamos, Fábio. (Soraia)
Soraia vai em direção à porta. Fábio cruza os braços.
Não está esquecendo nada? (Fábio)
Ah? (Soraia)
É, meu pratinho, a coleira, o antipulgas... Tem também a caminha que já acostumei. Ah, e os truques novos que aprendi, pergunta pra Mel! (Fábio)
Vai ficar aqui?! (Soraia)
Tá me tratando como cachorro. (Fábio)
Fica. Tchau. Deve estar de quatro pelo loirinho também, fica aí se consolando com essa vampira arrependida! (Soraia)
Soraia sai.
Ainda bem que sabe. (Bea)
Derik e Estela ainda não voltaram, né? (Mel)
Derik e Estela estão no jardim. Kat chega.
Achei vocês! (Kat)
Não gosto de entrar aí. (Estela)
Isso não é um cemitério... (Kat)
Boa idéia, tem bastante espaço em cemitério! (Derik)
Eu ficaria mais confortável. (Estela)
Eu disse pra Michele que traria vocês, não tem problema. (Kat)
Foi na hora que te ouvi dizer "Chele? Você ainda tá aí?"? (Derik)
Tão se revezando pra me atacar? (Kat)
Toca o telefone de Kat. Derik e Estela se entreolham. Kat atende.
Alô? ### Tão. ### Tá, tô mandando. (Kat)
Kat desliga, Estela e Derik acompanham o telefone entrar no bolso e olham para Kat. Kat suspira e solta os ombros. Baixa a cabeça. Olha para Estela e Derik.
Estão livres. Mel chamou vocês. Dessa vez escaparam. (Kat)
Kat entra. Estela e Derik atravessam o jardim e saem. Andam pelas mansões e saem do condomínio.
Onde acha que é um lugar apropriado pra erguer um altar pra Mel? (Derik)
Temos que arranjar um jeito de nos livrarmos disso de vez. (Estela)
Estela??? (Rob)
Estela olha pra trás.
Oi, Rob. Esse é o Derik, o cara que... (Estela)
Ia usar um pedaço de pau em mim. (Rob)
Bom, não era bem você... (Derik)
Eu sei, bobo, e nem sou tão avesso a isso, se quer saber. Mas e aí, como anda a vida, namorando?! (Rob)
Não, foi só você mesmo. (Estela)
Posso te arranjar um namorado se quiser. (Rob)
Um dos seus ex? (Estela)
Não tenho nenhum ex, não arranjo fixo! (Rob)
Por quê? (Derik)
Como ia esconder? No bolso? Não querendo te agredir, mas não sou chegado em garoto de bolso! (Rob)
De... Bolso? Eu? (Derik)
Nem tanto, talvez uma mochila. (Rob)
Já melhorou. E é melhor que mala. (Derik)
Tenho que ir. (Rob)
Rob dá um beijo no rosto de Estela e sai. Estela e Derik continuam andando.
Meu primeiro beijo foi com um gay, porque ele estava possuído. (Estela)
Não foi Angely? (Derik)
Não conta. (Estela)
Podia ser pior. (Derik)
Derik... (Estela)
Esqueceu? Queria outra coisa também. Aí ia ser o seu primeiro beijo, a sua primeira vez e sua primeira linda gestação demoníaca! (Derik)
Não é porque não comi bosta que preciso ficar feliz de ter engolido poeira! (Estela)
Tudo bem, não tento mais ajudar! (Derik)
Dia seguinte. Sol a pino. Estela e Derik estão na biblioteca.
Não vai mesmo voltar na escola? (Estela)
Não. (Derik)
Tá difícil suportar aquilo com Kat tão perto daquelas duas. (Estela)
E Rob? (Derik)
Isso, provoca! (Estela)
Não, tô perguntando se você não fala com Rob, parecia... (Derik)
Não é a mesma coisa... Droga, é a Kat. Não pode se tornar... Aquilo. (Estela)
Não sei mesmo o que fazer. (Derik)
Mel chega no quarto de Fábio. Olha fixamente para Fábio.
Espero que isso não seja olhar de... (Fábio)
Eu sei que você não curte, sossega. (Mel)
Isso é ótimo. (Fábio)
Tô pensando que você pode ser Tioure. (Mel)
Isso quer dizer que...? (Fábio)
Ao pé da letra, significa verdade. (Mel)
Em atlante? (Fábio)
Em atlante. (Mel)
Ah. (Fábio)
Silêncio.
Não creio que esteja me chamando de senhor verdade. (Fábio)
Mais ou menos isso. (Mel)
Explique-se. (Fábio)
Não pode mentir e lê as mentes de quem mentir perto de você. (Mel)
Tem algum teste? (Fábio)
Sabe a planta que Beatrice e Zenon têm? (Mel)
A tal Daxlidan, que substitui sangue? (Fábio)
Isso se fizer chá. A fervura elimina as toxinas que matam outras coisas e deixariam Beatrice e Zenon bem mal. (Mel)
Deixe-me adivinhar, não me matariam? (Fábio)
Se eu tiver razão, você só morre se for no dia e hora do seu nascimento. Mas a planta, se você comer uma folha, não vai nem morrer e reviver como aconteceu agora, simplesmente não vai morrer. (Mel)
Não teria que ser atlante pra isso? (Fábio)
Sim. (Mel)
Ter a marca na mão então? (Fábio)
Nem sempre é na mão. (Mel)
E no caso de Tioure... (Fábio)
Pode tirar as meias? (Mel)
Fábio franze a testa. Senta na cama e tira as meias. Encolhe os ombros e volta.
Vai ficar mais estranho. (Mel)
Mais? (Fábio)
Pode passar saliva na mão e passar no pé? (Mel)
Hein?! (Fábio)
Tem um feitiço, pra esconder. Acaba com saliva. (Mel)
Eu leio mesmo sua mente se estiver mentindo? Cê tá mentindo e testando pra ver se eu leio? (Fábio)
Nunca aconteceu de ler? (Mel)
Sempre achei que tinha boa intuição. (Fábio)
Fábio passa a língua nos dedos e passa no peito dos pés. Avermelha. Aparece o mapa. Fábio suspira.
Eu não sabia que tinha sido uma criança anormal. (Fábio)
Também não tem tantas pessoas atlantes com seu gosto. (Mel)
Quer dizer gays? (Fábio)
Monossexuais. (Mel)
Legal, nem na minha espécie sou normal. (Fábio)
A gente não costuma ficar peneirando pessoas. (Mel)
Não é que eu tenha alguma coisa contra mulheres... (Fábio)
Tava querendo dizer que o que eu disse foi um dado, não um julgamento. Não sou eu quem tenho que escolher com quem as outras pessoas trepam. É uma boa você perguntar pra sua família. (Mel)
Fábio olha para a janela.
Acho que vou ter que voltar a falar com meu pai. (Fábio)
Isso é tão ruim? (Mel)
Fábio olha para Mel.
Vive tentando me tirar do Grupo. Chegou a dizer que eu estava com Zenon quando Zenon matou minha irmã. (Fábio)
E quem te gerou? (Mel)
Ela se matou. Se alguém pode me dizer algo, é ele. (Fábio)
Se matou? (Mel)
E adivinha se ele não me culpou por isso também... (Fábio)
Por que a briga? (Mel)
Conservadorismo. (Fábio)
Então não deve ser atlante. Ou ao menos não de criação atlante. (Mel)
Sei lá... (Fábio)
Talvez a semente que te gerou não seja dessa pessoa. E não tenha aceitado isso direito. (Mel)
Fábio levanta da cama e vai até a janela.
Quando eu era pequeno, ele me amava! Era o filho prodígio, o melhor em tudo! E eu era mesmo. Ele me treinava. (Fábio)
Fábio vira para Mel.
Até descobrir que eu sou gay. Daí começou a treinar minha irmã. E deu no que deu. (Fábio)
Você também culpa essa pessoa. (Mel)
Ela não tinha vocação pra isso, nunca gostou. Não conseguiu atirar no Zenon, não tinha coragem de tirar uma vida, mesmo sendo a dele. Ela sim era um anjo. (Fábio)
Vai ter que quebrar o silêncio. (Mel)
Pra saber se minha mãe era atlante? Que diferença isso faz? (Fábio)
Não, pra saber de tudo, o que aconteceu pra isso ainda estar escondido, se era atlante... Talvez haja outra pessoa. Lá ninguém tinha obrigação de criar uma criança, crianças não eram vistas como uma espécie de punição. Mas, sendo aqui, pode ser que alguém tenha te roubado. Não seria o primeiro caso. (Mel)
Fale logo do tal teste. (Fábio)
Talvez você morra se comer isso. É mais fácil esperar alguém mentir. (Mel)
Tá. Minta. (Fábio)
Não funciona assim, tem que ser mentira de verdade. (Mel)
Isso não é uma antítese ou paradoxo até? (Fábio)
Talvez. (Mel)
Então eu fico aqui com vocês. Ajudo a legalizarem isso e vou trabalhando, pra encontrar um mentiroso. (Fábio)
Se não for, vai ficar o resto da vida aqui. (Mel)
Fábio baixa a cabeça.
Desculpa, não achei que tava incomodando aqui... Nem pensei nisso... (Fábio)
Mel vai até Fábio e levanta-lhe o rosto.
Não tá. (Mel)
Mel tira a mão do rosto de Fábio.
Mas tem uma casa, amizades, não vai querer ficar aqui, vai? (Mel)
Na verdade, eu praticamente não tenho casa, sou meio nômade. (Fábio)
Se não te incomoda, tudo bem, não vamos recusar uma ajuda com certeza! (Mel)
Mel sai. Volta.
Tá. Minha preocupação real é com o atrito entre você e Zenon. (Mel)
Vou me esforçar. (Fábio)
Eu sei que não devia perguntar isso, mas o que exatamente aconteceu? (Mel)
Fábio senta na cama.
Meu pai tentou treinar minha irmã. Zenon ficou sabendo, veio atrás dela. Ela não conseguiu atirar. Ele seduziu ela. Ficaram algum tempo nisso. (Fábio)
Sexo? (Mel)
Não foi só uma noite. Ele sempre aparecia, dizendo que estava apaixonado. Um dia, ela veio atrás de mim e contou. Pior que eu acreditei nele. Ele chegou, falei com ele... Fui patético. (Fábio)
E como acabou? (Mel)
Esperou ela dormir e levou Virgine pro quarto dela. Não sei exatamente como aconteceu. (Fábio)
Como sabe dessa parte? (Mel)
Além do sangue de Zenon, que tomou uma surra ali mesmo depois que eles terminaram, ela veio falar comigo. Propôs ir com ela. (Fábio)
Depois de matar alguém que você amava?! (Mel)
Fábio se senta na cama.
Disse que o mundo não dava lugar pra quem era diferente. Que quis transformar minha irmã, pra proteger ela. Mas minha irmã, no último instante, desistiu. (Fábio)
Mel senta ao lado de Fábio.
Aí disse que estaria melhor se aceitasse ir. (Mel)
Sim. Eu disse pra ela sair dali antes que eu matasse ela. Ela não maltratou minha irmã, acredito quando ela disse que não fez nada contra a vontade, mas ainda é uma assassina. Você me entende, não entende? (Fábio)
Não quer mesmo procurar a pessoa da sua família? (Mel)
Tem outra coisa me preocupando. (Fábio)
Fale. (Mel)
Janaína. Tem uma garota que foi tirada do pai quando era muito pequena e pode ser ela. (Fábio)
Tiraram como? (Mel)
Janaína está em casa, tomando banho. Trinity está se vestindo no quarto.
Sabe, eu tenho sorte de ter sido criada por Etos. (Janaína)
Trinity termina de se vestir. Janaína sai do banheiro, de toalha.
Foi uma ótima criação. Mas isso que ele fez, Nit... (Janaína)
Tem certeza? Jana, se você gosta dele... (Trinity)
Droga, ele tava comigo e sai dormindo com a primeira que aparece... Você tinha que ter visto, ele nem tentou negar! (Janaína)
Tá, a decisão é sua. Espero que não pense que agourei isso. (Trinity)
Claro que não. Já vi caso de briga de irmão, mas não acho que isso fosse acontecer entre vocês. (Janaína)
Tem certeza que não tem problema eu ficar aqui? (Trinity)
Se quer achar o Etos e ficar na Ilha, não ia te deixar ficar em outro lugar! (Janaína)
Noite. Beleno entra pela janela de um quarto. Alete olha e ri.
Que foi, com medo que te vejam? (Alete)
Eu devia te matar. (Beleno)
Mata. Não duvido que seja capaz. (Alete)
Alete se aproxima e beija Beleno. Beleno afasta Alete.
Cheiro de quantos ainda vou sentir em você?! (Beleno)
Por que não posso aproveitar? Além de te trazer comida, ainda cuido da sua irmã. E você sabe que não resisto a vampiros. (Alete)
Quando Inês for maior... (Beleno)
Vai me deixar? (Alete)
Alete passa a mão no rosto de Beleno.
Enquanto ela não é... (Alete)
Alete beija Beleno. Choro de criança.
Que pena. (Alete)
Alete sai, fechando a porta atrás de si. Beleno joga um travesseiro na porta. Alete sorri. Vai até Inês.
Que foi, linda? Quer ver o papai? (Alete)
Inês pára de chorar.
Olha, eles estão longe. Vai ter que chamar Beleno de papai e eu de mamãe. Já expliquei isso pra você. (Alete)
Inês aponta a mamadeira.
Ah, tá... (Alete)
Alete vai até a cômoda. Beleno entra no quarto e pega Inês. Entra no banheiro e fecha a porta. Alete vai até a porta e bate na porta com força.
Que vai fazer??? Jogar ela na privada e dar descarga??? Devolve ela aqui já, seu louco!!! (Alete)
Barulho estridente. Alete tapa os ouvidos. Beleno sai com uma criança no colo, com uma fralda meio rasgada. Entrega para Alete. Vai para o outro quarto.
Agora pode conversar com ela a vontade! (Beleno)
Alete olha para a criança.
Inês? (Alete)
Mamãe? (Inês)
Pode ser... (Alete)
Alete olha para a porta.
Como fez isso??? (Alete)
Posso fazer apenas comigo e com ela, o quanto quiser, é só ter alguém que já tenha passado pela fase para a qual quero ir ou levar ela. Agora resolve isso e vem pra cá! (Beleno)
Alete olha para Inês.
Eu devia ir aprendendo a cuidar de você, enquanto você cresce... (Alete)
Alete coloca Inês no chão. Tira a fralda e joga no lixo. Volta.
Ainda bem que não tava suja. Quantos anos cê acha que tá? (Alete)
Inês abre a mão esquerda.
Que fofo, já sabe contar! Pode me dizer o que quer? (Alete)
Leite. (Inês)
Alete pega a mamadeira e entrega para Inês. Inês pega, coloca na boca, bebe um pouco e tira da boca, franzindo o rosto.
Não parece tão bom agora, né? (Alete)
Inês balança a cabeça para os lados.
Acho que vou chamar o Angely. (Alete)
Noite. Biblioteca. Estela fecha um livro.
Acho melhor irmos pra casa. (Estela)
Derik olha para Estela.
Ainda aguento um pouco. (Derik)
Estela aponta a frente.
Lis tá fechando com a gente aqui dentro. (Estela)
Derik fecha o livro. MEAK. Derik e Estela entram. Fábio está com uma vassoura, varrendo.
Isso é meu serviço... (Derik)
É, me disseram, mas tavam procurando sobre mim... Encontraram? (Fábio)
Nada. (Estela)
Bom, melhor irem dormir, têm aula amanhã. (Fábio)
Só Estela. Vou te ajudar. (Derik)
Sol a pino. Fábio está na recepção. Derik chega. Fábio sai correndo.
Eu falei que devia ter esperado chegar em casa! Agora fica devolvendo tudo! Conheço esse tipo de lugar imundo... (Derik)
Com licença... (Caio)
Sim? Procura um quarto pra ficar? (Derik)
Não, estou procurando uma pessoa... (Caio)
Ah, veio por causa da agência... (Derik)
Soraia me disse que ele estava aqui. (Caio)
Quem? (Derik)
Fábio. (Caio)
Ah... Se conhecem? (Derik)
Sou pai dele. Se for para dizer que ele está morto, eu já sei, mas Soraia disse que ele estava vivo, que tinha acontecido alguma coisa... (Caio)
Nós estamos investigando isso. (Derik)
Não é o que você pensa que é. (Mel)
Eu sabia... Virou um... (Caio)
Não foi nesse sentido que eu quis dizer. (Mel)
Beatrice entra, com uma capa. Tira a capa. Caio dá um passo atrás.
Derik, cadê Fábio? Trouxe remédio pra... (Bea)
Acho que já deve ter resolvido isso. (Derik)
Ah... (Bea)
Uma vampira. (Caio)
Como é mesmo seu nome? (Mel)
Eu ainda não disse. (Caio)
Pode dizer agora. (Mel)
Que fizeram com meu filho??? (Caio)
Nada, resolveu comer aquele cachorro quente por livre e espontânea vontade... (Bea)
Isso não é nenhum tipo de gíria pra...? (Caio)
Não, não é. Bea, tá falando de outra coisa. (Mel)
De ter ressuscitado? Salvou minha vida duas vezes já... (Bea)
Agora ele trabalha contra CVs??? (Caio)
A primeira vez foi de criatura que Beatrice nos ajudou a matar, estavam fazendo um ritual de possessão. A segunda foi de vampir de primeira linhagem que só acordou depois de muitos anos, uma pessoa tinha jogado no mar quando encontrou depois da transformação... (Derik)
Derik, não precisa explicar tanto. (Mel)
E que tipo de acordo fizeram para ela ajudar vocês?! (Caio)
Não mato mais pessoas. (Bea)
Ah, mas Estela não tem tanto motivo pra fugir assim dos treinos, Michele não... (Zenon)
Zenon entra na sala e olha para Caio.
Morde. (Zenon)
Maldito! (Caio)
Caio vai na direção de Zenon. Alan se coloca na frente.
Ele não faz mais nada, e nos comprometemos a matar ele se fizer! (Alan)
Então vão esperar ele matar alguém aqui dentro??? Quem é dessa vez, Zenon??? Não, deixe-me adivinhar, você gosta dos frágeis, quem pode ser?! (Caio)
Estela e Kat entram.
Que está acontecendo aqui?! (Kat)
Caio olha para as duas, depois volta para Zenon.
Qual das duas? A prima do alan? É, deve ser, dessa vez ele quem é seu protetor! (Caio)
Estela olha pra Zenon. Fábio chega.
Pai? (Fábio)
Estela, Katerine, pra cima. Você também, Derik. Aliás, Alan, Beatrice e Zenon, sumam daqui também. (Mel)
Zenon e Beatrice sobem. Estela, Alan e Derik em seguida. Caio abraça Fábio.
Não sabe como me arrependi de tudo que fiz quando te vi ser enterrado! (Caio)
Fábio afasta Caio.
Não sou mesmo o que falou, Mel. Zenon mentiu pra mim na cara dura e... (Fábio)
Talvez o feitiço de esconder tenha inibido isso. (Mel)
Do que tá falando? (Caio)
Comecei a falar e não me deixaram terminar. Foi você quem engravidou a pessoa que gerou Fábio? (Mel)
É claro que... (Caio)
Então me explica isso. (Fábio)
Fábio tira o chinelo e aponta o pé.
Que tem isso? Alergia? Desculpe, mas você ter alergia a algo que eu não tenho não quer dizer que... (Caio)
Mel tira a luva e mostra a mão para Caio.
E daí? (Caio)
É atlante. Vocês não conhecem isso muito bem, mas... (Mel)
Fábio é humano, como eu! (Caio)
Tá mentindo. (Fábio)
Como pode saber??? (Caio)
Fábio sorri.
Eu sei... (Fábio)
Eu não disse?! (Mel)
Fábio desfaz o sorriso.
Peraí, eu conheço muito bem, pode ser por isso. (Fábio)
Tá, então vamos continuar esperando. (Mel)
Do que estão falando??? (Caio)
Andar de cima, corredor.
Droga, eu quero saber o que tá acontecendo lá! (Alan)
Por que você gosta de se meter na vida dos outros. (Zenon)
Claro, só eu! Deve ser por isso que estamos os três no corredor! (Alan)
Estou esperando pra voltar ao meu trabalho. (Derik)
Estela e Kat passam.
Ah, viu, não aguentam esperar! (Alan)
Kat e Estela param e viram para trás.
Vamos trabalhar, intromissão! (Kat)
Kat e Estela seguem. Estela olha para Zenon um instante antes de sumir na escada.
Você viu isso? (Zenon)
Vi o que?! (Alan)
Ela tá com medo de mim. (Zenon)
Foi a besteira que o Caio falou. Ela esquece isso. (Alan)
Ah, chega! Não fico aqui em cima, tenho mais o que fazer lá embaixo. (Derik)
Derik desce. Caio sentou-se no sofá, Fábio encostou no balcão e Mel está em pé no meio da sala.
Terminaram? (Derik)
Caio olha pra Derik.
Peraí... O jeito como me perguntou se eu era algo dele... Vocês dois... (Caio)
E se for??? (Fábio)
Dá licença, tenho mais o que fazer. (Derik)
Derik vai para a cozinha. Ouve-se um barulho de torneira aberta.
Ele lava a louça? (Caio)
Arruma a casa inteira. (Mel)
Este mundo está mesmo... (Caio)
Fábio sobe.
Quer mesmo ter Fábio de volta? Se desculpar? Porque não tá parecendo arrependimento como disse, parece que quer continuar a mesma criatura estúpida. (Mel)
Caio olha para baixo.
Tenho que ir agora. Se quiser um quarto, peça pra Derik te arranjar. (Mel)
Mel sai. Caio vai até a cozinha.
Faz... Quanto tempo que... Você e meu filho... (Caio)
Não temos nada. A questão é que você não deveria se importar se tivéssemos. (Derik)
Mas você cuida dos serviços da casa... (Caio)
Derik fecha a torneira.
É, e Kat, com quem namoro, luta e trabalha. Aliás, Fábio também luta e nem por isso tem tesão em mulher. E, mesmo que eu fosse gay, isso não quer dizer que eu e Fábio teríamos algo. Devia olhar pro mundo direito ao invés de continuar com o medievalismo. (Derik)
Caio sai.
Dia seguinte. Manhã. Fábio está na recepção. Lúcio e Daniel entram. Fábio solta os ombros.
Deixe-me adivinhar... (Fábio)
Seu pai está arrependido. (Lúcio)
Devia falar com ele. (Daniel)
Já falei. E até demais. (Fábio)
Olha, eu conversei com ele. Até usei meu filho de exemplo. (Daniel)
Sei que preferia que eu fosse seu filho. (Fábio)
Ao menos você não sai com vampiros. (Daniel)
Beatrice desce a escada. Olha para Lúcio e Daniel.
Hóspedes? (Bea)
Bom, não os perigosos. E você não foi pra cama com ela! (Daniel)
Ah, não, só mais gente querendo comprovar que vai pro céu porque quem vai pro inferno sou eu. (Bea)
Beatrice não é ruim. (Fábio)
Tudo bem, nós acreditamos. (Lúcio)
Melhor falarmos de outra coisa. Sobrevivi afinal, não ficam felizes?! (Fábio)
É claro que sim! (Lúcio)
Lúcio vai até Fábio e abraça. Afasta. Daniel também abraça Fábio. Se afasta.
Sabe que ele praticamente te adotou depois do que aconteceu. (Daniel)
E sei também que você continua sem saber que certos assuntos não são pra serem falados. (Fábio)
Tudo bem, aos poucos estou tentando me contentar. Ainda vou achar minha filha, explicar pra ela o que aconteceu. (Lúcio)
Vampir levou? (Bea)
Cremos que sim. (Daniel)
Daniel sorri.
Talvez, estando nesse meio, você possa nos ajudar! (Daniel)
Não estou nesse meio. (Bea)
Ah, bom, mas eles ainda te reconhecem como vampira, pode fingir e... (Daniel)
Dá pra saber pelo cheiro que bebe "água suja", como chamam, e não sangue. (Lúcio)
"Água suja"?! (Daniel)
Chá de uma planta que substitui a necessidade de sangue. (Bea)
Não sou CV de sangue. (Daniel)
Agora eu entendi. Tô indo. (Bea)
Beatrice pega uma capa e sai.
Vai aonde? (Fábio)
Na casa de Janaína! (Bea)
Pede pra vir aqui, tá? (Fábio)
TÁ. (Bea)
Casa de Janaína. Beatrice anda pela casa. Cozinha, sala, nada. Sobe para os quartos. Entra em uma sala de jogos. Trinity está com um arco na mão.
Não sabia que a casa estava tão segura assim. (Trinity)
Posso dizer o mesmo. (Bea)
Acho que ela esqueceu de contratar seguranças. Está tão acostumada que Etos não precise disso que... (Trinity)
Cadê Janaína? (Bea)
Ah, achei que fosse amiga do Etos. (Trinity)
Pode responder minha pergunta? (Bea)
Pode ser mais educada? (Trinity)
Desculpa, tá? É que o assunto é delicado... (Bea)
Dinheiro? (Trinity)
Como sabe? (Bea)
Por que só conheço dois assuntos delicados: sexo e dinheiro. O primeiro seria muito indelicado chutar e Jana não é chegada. (Trinity)
Eu poderia estar gostando de Janaína e por isso querer conversar. (Bea)
Não acho que ela seja seu tipo. (Trinity)
Por que não? (Bea)
Parece mais que eu sou. (Trinity)
Prepotente. (Bea)
É Trinity. Mas pode chamar de Nit. (Trinity)
Pra quê eu ia querer intimidade com você? (Bea)
Trinity anda em direção a Beatrice. Beatrice dá passos para trás. Encosta na parede. Trinity coloca as mãos na parede, cercando Beatrice.
Você é mais forte que eu. Se quisesse, já tinha escapado. (Trinity)
Não posso fazer esse tipo de coisa. Já rodei demais por aí. (Bea)
Agora está procurando um relacionamento sério? (Trinity)
Vai me dar isso? (Bea)
Tá na cara que você gosta de alguém que, ou não te quer, ou não pode ficar com você. Eu também. (Trinity)
Homens são criaturas muito complicadas. (Bea)
É um homem? (Trinity)
É uma mulher? (Bea)
Não é porque não há amor que não pode ter um relacionamento. (Trinity)
Pode ser... (Bea)
Beatrice passa por baixo do braço de Trinity.
Mas acabamos de nos conhecer. (Bea)
Beatrice sai.
Ficou tão mexida que até esqueceu da Janaína. (Trinity)
Beatrice volta.
Quer dizer que vai responder minha pergunta agora? (Bea)
Na escola. Eu te levo. (Trinity)
Sei onde é. (Bea)
E eu tenho uma moto. (Trinity)
Diretoria. Beatrice e Janaína entram.
Licença... (Bea)
Pode falar. (Mel)
Janaína se ofereceu para entrar com sociedade na agência que criaremos. Com dinheiro. (Bea)
Não precisamos ficar apelando para... (Mel)
Ela não disse nada, eu me ofereci. Sempre me interessei por esse tipo de coisa. (Janaína)
Caçar criaturas? (Mel)
Parece estranho, né? (Janaína)
Não. Não parece. É estranho. (Mel)
Decidam aí. Vou pra casa. (Bea)
Com a pessoa que te trouxe? (Mel)
Foi só alguém que Janaína conhece. (Bea)
Encontrou Nit? (Janaína)
Com o tom explicativo, parece que... (Mel)
Não aconteceu nada! (Bea)
A política de cada um cuida da própria vida serve pra você também, não tem que me dar satisfações. (Mel)
Tava me esquecendo, Janaína, Fábio quer te ver. (Bea)
Eu já vou. (Janaína)
Beatrice sai.
MEAK. Beatrice entra. Fábio está na sala. Solta os ombros.
Que cara é essa? (Bea)
Trouxe Janaína? (Fábio)
Disse que vem depois... (Bea)
Tá difícil enrolar ele aqui. (Fábio)
Enrolar quem?! (Bea)
Sabe Janaína? Alan também reconheceu, só não sabia de onde, lembra? (Fábio)
Mas você disse que... (Bea)
Se for ela, fugiu de casa pequena. A mãe dela virou vampira, foi fazer uma visita e tomou com uma estaca do pai. (Fábio)
Que merda! (Bea)
Pois é, o pai dela é o Lúcio! (Fábio)
Lúcio não é quem tem menos idade? (Bea)
Sim, Lúcio tem 37 e Daniel tem 52. Lúcio encontrou a mulher quando era muito novo, se casaram cedo. (Fábio)
Tá querendo fazer se encontrarem??? (Bea)
Claro. Espero que Janaína chegue logo. (Fábio)
Janaína entra.
Oi... Queria falar comigo? (Janaína)
Só um instante... (Fábio)
Fábio vai até a cozinha. Volta com Lúcio, puxando pelo braço.
Fábio, tá ficando louco?! (Lúcio)
Lúcio olha para Janaína. Empalidece. Engole seco.
Que foi? (Janaína)
Por quem você foi criada? (Lúcio)
Janaína cruza os braços.
Tô tentando esquecer ele, se não se importa. (Janaína)
Me importo sim. (Lúcio)
Janaína olha pra Fábio.
Pode me explicar isso...? (Janaína)
Fábio. Você lembra quem são seus pais? (Fábio)
Nitidamente, porque? (Janaína)
Pode ter levado pessoas pra... (Bea)
Etos não iria me enganar. Esse senhor tá pensando que é meu pai? (Janaína)
Foi uma experiência traumática, ela pode ter bloqueado. (Daniel)
Tá, então contratem um psicólogo e mandem me hipnotizar, tenho certeza de quem são meus pais. Tem um monte de garotas sem pai que adorariam ganhar um, procurem outra, não sou eu. (Janaína)
Casa de Janaína. Trinity ri.
Não acredito, além da encrenca com Etos, agora arranjou mais essa... (Trinity)
Janaína se joga na cama.
Não tem encrenca com Etos. Já foi tudo resolvido. (Janaína)
Vocês não deviam mesmo ter vindo pra cá. (Trinity)
Janaína se senta.
Nem pra você cantar a Beatrice? (Janaína)
Nossa, ela já saiu espalhando assim? (Trinity)
Janaína se joga de novo na cama.
Espalhando? Tava escrito na cara dela, não precisava dizer. (Janaína)
De repente é quem tô procurando. (Trinity)
Até parece que você fica com alguém por muito tempo. (Janaína)
É difícil encontrar que me faça... (Trinity)
Trinity se senta sobre Janaína.
...te esquecer. (Trinity)
Eu tava bêbada. (Janaína)
Repete tanto isso que parece que é pra se convencer. (Trinity)
Eu tenho certeza, você é que ainda não acreditou. (Janaína)
Que você tava meio bêbada eu sei. Mas não pode negar que gostou. (Trinity)
Trinity coloca a mão na coxa de Janaína. Janaína tira a mão, empurra Trinity e levanta da cama.
Por que não pode ao menos tentar? (Trinity)
Isso é estranho demais pra mim. Além do que, você não... (Janaína)
Eu te atraio. Não pode dizer o contrário. (Trinity)
Mas isso é só corpo. (Janaína)
É isso que se chama atração sexual. Posso te ajudar a esquecer Etos. (Trinity)
Trinity se aproxima de novo de Janaína. Janaína sai do quarto. Trinity baixa a cabeça.
Noite. Beatrice está andando pela cidade. Para na mureta que está para o mar. Vira para trás.
Oi. (Zenon)
Tá fazendo o que aqui, exatamente? (Bea)
Te seguindo. (Zenon)
Isso eu percebi. (Bea)
Você gosta mesmo de Ang? (Zenon)
Não costuma chamar assim. (Bea)
Não gosto de demonstrar muita intimidade com homem, sabe como é... (Zenon)
Sei. É idiota. (Bea)
Beatrice vira de novo para o mar.
É, eu sei disso. (Zenon)
Ainda bem. (Bea)
Tô tentando mudar esse tipo de coisa. Vai ver que é por isso que a Mel não olha pra mim. Posso te chamar de Bea? (Zenon)
Pode. (Bea)
Zenon se aproxima da beira. Olha para o mar também.
Bom, pior que Alan é difícil. Tá querendo pedir alguma coisa? (Bea)
Saber se sou bom de cama. (Zenon)
Ah?! (Bea)
Não tô querendo nada, mas se eu dissesse isso, você não acreditaria, então... (Zenon)
É, você é sim. (Bea)
Ah. Não quer testar de novo? Pode ser que eu tenha ficado ruim... (Zenon)
Se acha que falei pra Mel que você é ruim e por isso não te quer... (Bea)
Ang e Mel são perfeitos... Distantes... Perfeitamente distantes... Distantemente perfeitos... (Zenon)
Não é a primeira pessoa a propor uma tentativa de esquecimento em dupla pra mim hoje. (Bea)
Isso é uma recusa tentando frustradamente ser delicada ou desprezo declarado por mim mesmo? (Zenon)
Não é assim que se esquece alguém, junta duas pessoas com problemas e vamos pro motel. É um pouco mais complicado que isso. (Bea)
Zenon vai para trás de Beatrice. Abraça Beatrice. Beija o pescoço.
Parece que não esqueceu, né? (Bea)
É difícil. Não precisamos procurar amor, podemos só esquecer esta noite. (Zenon)
Não quero mais fazer isso. (Bea)
Quer, sim. (Zenon)
Beatrice empurra Zenon com a parte de trás dos braços. Segue andando. Zenon segue. Beatrice para.
Droga, pára! (Bea)
Acho que só não foi com o outro cara porque ele não soube insistir. (Zenon)
Não quero mais ser a pessoa que procuram quando estão afim de trepar. (Bea)
Não se trata disso. Sabe que ninguém nunca vai nos entender... (Zenon)
Angely entende. (Bea)
Angely perdoa qualquer coisa. Estou falando de outras pessoas. Sei que sua segunda escolha é a minha primeira... (Zenon)
Agora está presumindo que me apaixonei por Mel? (Bea)
Zenon vai até Beatrice e abraça de novo.
Será que eu tenho cara de reserva? É só assim que as pessoas me procuram... "Não tem Mel, vai você mesmo!" (Bea)
Agora não tá falando de mim. Nem do Ang. (Zenon)
Beatrice abre os braços de Zenon e continua andando.
Esse seu lado eu não conhecia. (Zenon)
Beatrice para.
Que lado? (Bea)
A inveja dela. (Zenon)
Não tenho. Só queria ter alguém que não quisesse Mel. (Bea)
Não queira que outros façam o que você não consegue. (Zenon)
Beatrice vira e vai até Zenon. Zenon beija Beatrice.
Dia seguinte. Noite. Zenon chega na MEAK, Fábio está saindo, esbarram. Fábio encara Zenon. Zenon baixa a cabeça.
Beatrice tá aí? (Zenon)
Não devia estar treinando Michele? (Fábio)
Me liberou pra falar com Beatrice. (Zenon)
Lá em cima. Que fez com ela? (Fábio)
Ah... Eu... Eu e ela... (Zenon)
Se tiver vindo dizer que foi um erro e toda a besteirada que homens inventam pra se livrar, juro que leva uma surra e nem Mel me segura. (Fábio)
Relaxa, hoje é sexta, vai se divertir... (Zenon)
Zenon sobe. Fábio balança a cabeça para os lados. Volta para dentro. Derik está lendo um livro no sofá.
Derik, não notou nada estranho nele? (Fábio)
Sim, parecia embriaguez. (Derik)
Embriaguez?! (Fábio)
É. Deve ter bebido pra vir falar com Beatrice. (Derik)
Então ela te contou o que aconteceu? (Fábio)
Derik olha para Fábio.
Transaram, Beatrice quebrou uma vassoura em Zenon quando Zenon acordou Beatrice e ameaçou atravessar Zenon com a vassoura, não pelo coração. (Derik)
Nossa. Isso é briga de casal nível vampiros? Ou a gente devia... (Fábio)
Eu vou continuar falando com Beatrice para descobrir. (Derik)
Fábio vai até a porta. Derik volta para o livro.
Boa caça. (Derik)
Fábio olha pra Derik.
Primeiro que não vou sair pra me divertir como ele recomendou, segundo que chamar isso de caça é meio vulgar. (Fábio)
Derik olha para Fábio.
A arma. (Derik)
Fábio olha pra baixo. Olha de volta para Derik. Derik encara Fábio.
Tô falando da estaca. A que enfia nos vampiros. Tá, eu tô tentando falar algo que não tenha duplo sentido, mas tá difícil, o que quero dizer é que... (Derik)
Tá, já entendi. Obrigado. (Fábio)
Derik volta ao livro. Fábio sai.
Ares. Joana está no chão, se encolheu.
Olha, não vai adiantar ficar aí encolhida, uma hora vai ter que me dizer onde é sua casa... Eu preciso te levar, o vampiro fugiu, pode voltar aqui... (Zenon)
Zenon franze a testa. Se vira.
Pode me ajudar, ela acha que vou... (Zenon)
Onde tava ontem? (Fábio)
Que horas? (Zenon)
Você não me engana. Não é o que veio com eles. (Fábio)
Pronto, virei produto. Sou ou não o original? Não sabemos, afinal tem outro bundão igual a mim aqui! (Zenon)
Fábio aponta a arma pra Zenon.
Vai me matar aqui ou levar pra viagem? (Zenon)
Criança, você tá bem? Zenon te fez algo? (Fábio)
Tá vendo? Se eu fosse ele, tava usando a garota de escudo. (Zenon)
Aí ia deixar na cara que é você. (Fábio)
Ele tem... Dentes... (Joana)
Não, são dedos na boca... Você já tá me enchendo, sabia??? (Zenon)
Joana corre para trás de Fábio.
Já tive um enchimento de saco de manhã, agora mais essa... (Zenon)
Zenon toma com a estaca no estômago. Desmaia.
Zenon abre os olhos. Vê Fábio. Tenta se mexer. Está com correntes.
Onde estamos? (Zenon)
Esperando Clítia. (Fábio)
Perguntei onde estamos, não o que estamos fazendo. (Zenon)
E eu respondo o que quiser. (Fábio)
Caio chega.
Tá aí. (Fábio)
Não disse que era Clítia? (Zenon)
Ela vem se souber que você está aqui. (Caio)
Peraí, você deduziu que sou o outro, isso quer dizer que o outro está... (Zenon)
Não vai me fazer de idiota de novo. (Fábio)
Mel está no quarto, deitou-se na cama. Levanta-se, sai e bate na porta do quarto de Beatrice. Ouve um barulho de algo pesado batendo no chão.
Desculpa! (Mel)
Mel continua andando. Desce a escada. Kat e Estela entram.
Antes que pergunte, Derik tá tomando banho. (Mel)
Kat sobe correndo.
Com a porta trancada! Beatrice tá no próprio quarto! (Mel)
Talvez a gente tenha que trocar a porta. Por uma inteira. (Estela)
Não disseram que não trabalhavam na sexta? (Mel)
A gente não tava trabalhando. (Estela)
Tá um tédio essa casa. (Mel)
Sem namorado fica difícil. (Estela)
Tô me sentindo um inútil. (Alan)
Estela empalidece e olha para Alan.
Por quê? (Estela)
Michele. Me jogou pra escanteio. Nem sei por quê ainda me paga. (Alan)
Ela não vai querer cortar você e parecer estar contendo despesas. (Estela)
Obrigado, assim você levanta minha moral. (Alan)
Beatrice e Zenon, Derik e Kat... Por que vocês não ficam juntos de uma vez?! Assim eu saio logo. (Mel)
Mel sai.
Que deu nela? (Alan)
Sei lá. (Estela)
Que absurdo, eu e você... Você é quase minha irmã mais nova... (Alan)
Não, eu não sou! (Estela)
Estela sobe para seu quarto.
Mas que merda, que tá acontecendo aqui?! (Alan)
Toca o telefone. Alan atende.
Alô? (Alan)
Não deveria atender dizendo que é da agência? (Fábio)
Que seja. (Alan)
Vou te dar um endereço, pode vir até aqui e trazer Mel? (Fábio)
Se eu encontrar, levo. (Alan)
Mel, Fábio, Alan e Caio estão em uma sala. Zenon continua em correntes.
E se for mesmo o que tá lá? (Alan)
Como pegou? (Mel)
Ele foi muito gentil, tá vendo o furo no meu estômago? (Zenon)
Zenon olha para o próprio estômago.
Olha só, tá cicatrizando, não quer fazer outro? (Zenon)
É só continuar pedindo. (Fábio)
Mel olha para Zenon e sai.
Aonde ela vai? (Fábio)
Sei lá. Do jeito que é, pode ser que vá até em casa e... (Alan)
Mel bate na porta de Beatrice.
Zenon, cê tá aí? (Mel)
Beatrice abre a porta, com o lençol na frente do corpo.
Pelo menos dessa vez pegou numa hora que estávamos descansando... (Bea)
Preciso que Zenon venha comigo. (Mel)
Pra quê? (Bea)
Eu trago de volta. (Mel)
Zenon vem até a porta, só de calça.
Se não gosta de sair sem cueca, vai se vestir. (Mel)
Zenon volta. Beatrice sai e fecha a porta.
Como sabia que... (Bea)
Não faz muito tempo que vocês tão descansando, faz? (Mel)
Beatrice olha para baixo.
E vocês? (Mel)
Bom, estamos tentando. (Bea)
Não tô falando de sexo. (Mel)
Eu também não. E nesse quesito não precisamos ficar tentando... Só vai... (Bea)
Zenon sai.
Onde vamos? (Zenon)
Vem. (Mel)
Mel sai. Zenon segue.
Ares. Zenon continua seguindo Mel.
Onde vamos? (Zenon)
Vai ficar perguntando? (Mel)
Zenon olha para o outro lado.
Encontraram a réplica. Se for a réplica. Queremos saber quem é quem. (Mel)
Zenon para.
Ououou, como assim??? (Zenon)
Mel para e olha para Zenon.
Vai ser fácil descobrir quando colocarmos lado a lado. (Mel)
Mel e Zenon chegam. Caio fecha o punho e dá um passo. Fábio coloca a mão no peito de Caio.
Já tenho uma ideia de quem é de verdade. (Mel)
De verdade?! Me poupe, isso não foi uma clonagem, ou multiplicação, os dois são de verdade, só que um de cada lugar! (Zenon - correntes)
Fábio pega uma estaca no chão e vai na direção a Zenon (correntes). Mel tira a estaca da mão de Fábio e coloca embaixo do pescoço de Zenon (livre).
Calma demais. (Mel)
Era falta de sexo. (Zenon - livre)
Quantos anos você tem? (Mel)
199. (Zenon - livre)
224. (Zenon - correntes)
Não conto quando eu era humano, não adianta fazer isso. (Zenon - livre)
Não é o que você conta, é o que ela conta, idiota. (Zenon - correntes)
Zenon (livre) olha para Mel.
Nunca fui de falar da minha idade, porque tá perguntando isso??? (Zenon - livre)
Quem você ama? (Mel)
Zenon (livre) solta os ombros.
Você. (Zenon - livre)
Eu, mim e eu mesmo! (Zenon - correntes)
Fábio enfia a estaca em Zenon (livre). Zenon (livre) se desfaz em pó. Zenon (correntes) fecha com força os olhos. Abre, arregalando. Olha para Mel.
Essa foi a experiência mais bizarra que já vivi. (Zenon)
Eu percebi... Tava mentindo... Ama Clítia... (Fábio)
Nunca amei... (Zenon)
Eu sabia que você era! (Mel)
Mel abraça Fábio. Caio sorri. Mel se afasta de Fábio. Olha para Caio sorrindo e encara.
Dá pra me desamarrar? (Zenon)
Não pode ser sem dar? (Alan)
Ha-ha-ha. (Zenon)
Alan vai até Zenon. Desacorrenta. Zenon se aproxima das cinzas. Abaixa. Pega as cinzas com as mãos.
Vocês dois... (Caio)
Fábio olha para Caio. Olha para Mel. Volta a olhar para Caio.
Tá vendo?! Continua esperando que eu arranje uma esposa e lhe te dê netos! Por que não fica logo com o filho do Daniel? Ele também gosta de mulher, pode te dar uma nora se você quiser! Aliás, te dá quantas você quiser! (Fábio)
Fábio sai. Mel segue. Zenon olha para Caio. Levanta. Segue também, com as cinzas.
Posso te levar até o porto, se quiser. (Alan)
Obrigado. (Caio)
Alan e Caio saem.
MEAK. Zenon, Mel e Fábio chegam. Zenon vai ao banheiro. Descarga. Zenon volta.
Jogou suas cinzas no esgoto? (Fábio)
Deu uma coisa estranha em mim quando ele... foi. Como se lembrasse das lembranças dele. Podia ter sido eu. (Zenon)
Mel olha para Fábio.
Não acho. (Mel)
Zenon sobe. Entra em seu quarto. Beatrice puxa e beija. Joga Zenon na cama.
Peraí... (Zenon)
Peraí o escambal, me deixou esperando! (Bea)
Beatrice sobe em cima de Zenon e continua beijando.
Manhã. Zenon acorda. Olha para Beatrice ao seu lado. Beatrice acorda.
Que foi? (Bea)
Ninguém te contou. Acho que não tiveram tempo. (Zenon)
Do que tá falando? (Bea)
Foi o outro que esteve com você. (Zenon)
Tá dizendo que não aconteceu ontem?! (Bea)
Ontem sim. Mas não fui eu quem te... abordou... na cidade. (Zenon)
Beatrice se senta na cama.
Droga. Eu sabia que tava bom demais pra... Pera... Trepou comigo ontem mesmo assim? (Bea)
Sssshhh! Olha as palavras! (Zenon)
Por que fez aquilo ontem?! (Bea)
Você me atacou! (Zenon)
Ah, claro, só iria pra cama comigo se eu te atacasse! Beleza, agora nem mais comestível eu sou! (Bea)
Não é isso! Eu só não queria começar as coisas mentindo... (Zenon)
Começar o que?! (Bea)
Zenon se senta.
Tá, agora quem tá se sentindo rejeitado sou eu... (Zenon)
Você nem sabe o que... A outra... Versão de você me disse! (Bea)
Na verdade, sei. (Zenon)
Zenon baixa a cabeça.
Desde que ele morreu. Eu disse "podia ter sido eu", Mel disse que não, mas era eu. Era eu antes. E, de repente, tudo que fiz ficou tão mais... Mais... (Zenon)
Recente. (Bea)
Zenon olha para Beatrice.
Recente. (Zenon)
É ruim, não é? Lembrar... (Bea)
"Lembrar é reviver". (Zenon)
Zenon levanta e vai até a janela. Beatrice levanta, vai até Zenon, e abraça pelas costas.
Você continua bem na cama, se ainda quiser saber. (Bea)
Zenon sorri.
Quer testar de novo? (Zenon)
Mel abre os olhos. Fábio está dormindo do seu lado. Mel toca o rosto de Fábio. Fábio abre os olhos.
Assim Caio vai viver se animando a toa. (Mel)
Fábio levanta.
Do que estávamos falando quando dormimos? (Fábio)
Sei lá, parece que a gente tem tanto assunto... Isso é estranho. (Mel)
Ter assunto? (Fábio)
Não. Dormimos na mesma cama. (Mel)
Qual o problema? (Fábio)
Lá isso era casamento. (Mel)
Como assim? Nem fizemos nada... (Fábio)
Bom, sexo é só uma necessidade do corpo, dormir junto é muito mais confiança. Casamento não era sobre sexo, era sobre confiança. É a hora em que está mais vulnerável. (Mel)
Então vocês... ficam... com outras pessoas? (Fábio)
É tudo muito diferente por lá. Nem casamento nem sexo são exclusividade. (Mel)
Mel levanta.
Eu queria sair daqui. (Mel)
Pra onde? (Fábio)
Preciso reencontrar alguém que conheço. Queria treinar você. (Mel)
Sou treinado. (Fábio)
Não como atlante. Não conhecem isso, não sabiam o que era. (Mel)
Vai me ensinar sua língua? (Fábio)
Nossa. Se você quiser. (Mel)
Casa de Janaína. Janaína desce para a sala. Encontra Lúcio e Daniel.
Tá, o que vieram fazer aqui? (Janaína)
Falar com você. (Daniel)
É que você pode ser... (Lúcio)
Sua filha. Olha, eu conheci bem meus pais, não se apegue a uma esperança assim. Parte meu coração ver isso. (Janaína)
Pode fazer ao menos um teste? (Lúcio)
Quando foi a última vez que a viu? (Janaína)
Tinha sete anos. (Lúcio)
E acha mesmo que eu não lembraria? (Janaína)
Não sei. O que eu fiz... (Lúcio)
Fez...? (Janaína)
A sua mãe... (Daniel)
Pode tirar a parte do "sua"? (Janaína)
A mãe da garota virou vampira e veio atrás. (Daniel)
Matei ela na frente da minha filha. (Lúcio)
Ela podia machucar a garota. Quando o Lúcio viu, tava abaixada na frente da menina. A única reação que conseguiu ter foi pegar a besta, apontar e... (Daniel)
Ela nem reagiu. Acho que não acreditou que eu fosse fazer isso. Não na frente da minha filha. (Lúcio)
Nem todo vampiro vira mal, Etos... (Janaína)
Janaína baixa a cabeça. Volta a olhar para Lúcio e Daniel.
Olha, eu lembraria se fosse. Lembro de várias coisas de antes. (Janaína)
Jana, você sabe se a Beatrice tem... (Trinity)
Trinity olha pra Lúcio. Daniel olha Trinity de cima a baixo.
Lúcio, acho que sua filha também tem uma opção diferente... (Daniel)
Que ele tá fazendo aqui??? (Trinity)
Olha aqui, eu sou o... (Lúcio)
Trinity tira uma arma de fogo da cintura. Aponta para Lúcio.
Você vem comigo. (Trinity)
Daniel vai na direção de Trinity. Trinity volta o braço da arma, chuta a cara de Daniel e volta a apontar a arma para Lúcio.
Daniel, eu preciso te lembrar sua idade? (Lúcio)
Tá então tenta desarmar você! (Daniel)
Nit, andou se drogando??? (Janaína)
Tô mandando, não tô pedindo. (Trinity)
Qual o problema?! (Janaína)
Trinity olha para Janaína.
Não se mete! (Trinity)
Janaína olha para Lúcio.
Vem. (Trinity)
MEAK. Mel e Fábio estão na sala. Alete entra com Inês no colo. Mel franze a sobrancelha.
Oi. O pai dela tá aí? (Alete)
Não sei quem é, como vou saber... (Mel)
É a Inês. O Beleno me aprontou essa. (Alete)
Ah?! (Mel)
Eu sei que não tenho coisa alguma com isso, mas quem é? (Fábio)
Inês é de Angely, a pessoa segurando é Alete, namorava com Xisto, que dava aula na escola, e morreu. Beleno não sei se você conhece... (Mel)
Isso tá ficando complicado. (Fábio)
Eu tô com o Beleno agora. (Alete)
Também é de Ang. (Mel)
Não sabia que Ang tinha filhos. Muito menos em idade de estar com alguém. (Fábio)
Na verdade são de Edmont, só não gostam de dizer. (Alete)
Edmont não é vampiro? (Fábio)
Inês é fênix, Beleno é pégaso. Eu explico depois. Qual o problema, Alete? (Mel)
Ela cresceu mais do que devia. (Alete)
Não era pra crescer assim? Quatro vezes mais rápido que seres humanos? (Mel)
Sabe quando ela nasceu? (Alete)
Não lembro. (Mel)
Oito de fevereiro. Estamos em sete de junho. Ela só tem 4 meses! (Alete)
Deveria estar com cara de pouco mais de um ano. (Fábio)
E estava! Até Beleno fazer isso! (Alete)
Inês começa a chorar.
Não chora, pequena, eu não tô brigando com você... (Alete)
Gente, eu ouvi choro de criança. (Derik)
Serve você! (Alete)
Alete pega Derik pela mão e sobe. Daniel e Janaína entram.
Que caras são essas? (Mel)
Sabe a minha amiga que levou Beatrice na escola? (Janaína)
Mar. Barco. Cordas amarram Lúcio. Galões de gasolina na sua frente.
Que vai fazer? (Lúcio)
Te explodir. (Trinity)
E você junto. (Lúcio)
Sei nadar. (Trinity)
Não tem um dispositivo de programar explosões num barquinho desse. (Lúcio)
Sou rápida. (Trinity)
Pode não ser... (Lúcio)
Que decepção. Não tinha treinado tanto se soubesse que ia encontrar alguém fraco e sem reação, um velho, apesar da idade, implorando pela própria vida. Tinha te procurado com doze. (Trinity)
Tava me procurando porque? Matei seu namorado? A namorada? Os dois? (Lúcio)
Eu planejava te procurar daqui a dois anos. (Trinity)
Quando eu estivesse mais velho? (Lúcio)
Quando eu estivesse bem treinada. Não lembra mesmo de mim? (Trinity)
Vampira não parece... (Lúcio)
Minha mãe era. (Trinity)
Lúcio engole seco.
Como assim? (Lúcio)
Perdeu a coragem agora? (Trinity)
Lúcio empalidece.
Não pode ser... (Lúcio)
Quê, achou que era Jana? É, ela parece comigo quando eu era pequena, mas não é ela. Acha que, se fosse ela, teria se quer te deixado entrar ali, na casa dela??? Depois do que você fez??? (Trinity)
Eu sinto muito... (Lúcio)
Sente??? Você me disse que eu nunca mais veria minha mãe e, quando ela aparece, você manda pro inferno, e diz que sente muito??? Larga mão de ser falso! Eu pelo menos vou te mandar pro inferno sem o mínimo resquício de remorso e não vou ficar dizendo que "sinto muito"! (Trinity)
Porto. Fábio e Mel se aproximam de Fran.
Vocês são da polícia? (Fran)
Não exatamente... (Fábio)
Temos uma agência, sou Melody. (Mel)
Fábio. (Fábio)
Françoise. (Fran)
Que aconteceu aqui? (Mel)
Uma garota levou o Hermes. (Fran)
Chegou a machucar? (Fábio)
Hermes é um barco. Meu marido, Sófocles, é o dono dele. (Fran)
Menos mal. (Mel)
Ela tava levando um cara. (Sófocles)
Já sabemos. (Mel)
Podemos levar esse outro barco? (Fábio)
Juram trazer os dois inteiros? Não temos como nos virar sem isso! (Fran)
Vão ter que vir junto, não sei pilotar barco. (Mel)
Sofócles olha para Fábio.
Nem sequer ando de bicicleta. (Fábio)
Sófocles e Fran se entreolham.
Ângela (barco) chega até Hermes. Trinity aponta a arma para os galões.
Acho que você não nos conhece, mas... (Mel)
Se tentarem fazer alguma coisa, explodo isso aqui! (Trinity)
Ai, meu barco! (Sófocles)
Olha, quer matar esse cara, eu não me importo, mas não temos nada a ver com isso, então pode nos devolver nosso barco?! (Fran)
Só se me deixarem levar a gasolina. (Trinity)
Leva! (Fran / Sófocles)
Vocês não se importam com ele? (Fábio)
De repente ela tem motivo. (Fran)
Ele matou minha mãe. Vou explodir ele como ele fez com aquela estaca. (Trinity)
Tá vendo? Agora vamos pra terra, você fica com a gasolina e mata ele quantas vezes você quiser... (Sófocles)
Trinity, a pessoa se transformou. (Mel)
E daí? Nem todos eles são maus, sabia? (Trinity)
Primeira linhagem sempre perde a alma. (Lúcio)
Cala a boca! (Trinity)
Ele tá certo! (Fábio)
Ela voltou pra mim! (Trinity)
Pra te matar! (Mel)
Etos é de primeira linhagem! (Trinity)
Tá falando do agiota? (Lúcio)
Já mandei não abrir o focinho! (Trinity)
Trinity bate com a mão da arma na cara de Lúcio.
Agiotagem não é uma coisa muito correta, mas ele não é ruim. Ele me criou quando eu não tinha quem fizesse isso. E tirou a Jana dos dois drogados que eram os pais dela! Quando descobriu os dois presos e doentes, trouxe-os pra casa e deixou ela cuidar deles no fim da vida! (Trinity)
Esses seres não podem amar. (Lúcio)
Se esse negócio pode sumir, será que não pode voltar? (Mel)
Tá ouvindo?! O amor da minha mãe poderia tê-la feito... (Trinity)
Lúcio pode não ter razão, mas você também pode. (Mel)
Trinity coloca a arma na cabeça de Lúcio.
Ele tem que pagar pelo que fez. (Trinity)
Lúcio fecha os olhos. Fábio atravessa para o outro barco. Pega na mão desarmada de Trinity. Trinity olha para Fábio. Fábio pega a arma da outra mão. Tira as balas e joga no mar. Trinity abraça Fábio. Mel vai ao outro barco e levanta Lúcio. Desamarra. Trinity se afasta de Fábio. Olha para Lúcio. Para Mel. Pula no mar. Lúcio vai para a beirada do barco.
Filha! (Lúcio)
Não espere que te perdoe tão facilmente. (Fábio)
Será que a mãe dela era mesmo... (Lúcio)
Não é como se você ainda pudesse descobrir a resposta. (Mel)
Vai numa sessão espírita! (Sófocles)
Fran encara o marido.
Falei alguma besteira? (Sófocles)
MEAK. Fábio e Mel entram. Fábio senta no sofá. Mel vai até a porta de cozinha. Vira de volta.
Será que ela volta? (Fábio)
Sei lá. Você viria comigo? Pra treinar? (Mel)
E sua família? (Fábio)
Eu teria que preparar todo mundo aqui. Não seria tanto tempo, acho que aprende fácil. Posso me virar com isso. Quer ou não? (Mel)
Quer ou não o quê? (Estela)
Ah? (Mel)
Cadê Derik? Alguém sabe? (Kat)
É seu namorado, não meu! (Estela)
Tá de mal humor? (Kat)
Prometeu estudar comigo hoje! (Estela)
Alan entra e senta no sofá, de braços cruzados e boca travada.
Alan, ela não tá te rejeitando... (Zenon)
Tá sim, fica treinando só com você, não sirvo pra mais nada! (Alan)
Que droga, eu já disse que não é isso, ela só... (Zenon)
Prefere treinar com você! (Alan)
Não, Alete, Inês não usa mais fralda... (Derik)
Derik, onde você tava??? (Kat)
Vai me ignorar?! (Estela)
Alete entra com Inês no colo.
Ele tava me ajudando com ela. Disse que você é ciumenta, mas pode ficar sossegada que eu sou... (Alete)
Fênix e falante demais. (Kat)
E por isso ele não pode ir pra cama comigo. (Alete)
Peraí, te vi na cama do Zenon! (Alan)
Como é que é??? (Beleno)
Faz algum tempo, nem tava com você ainda. (Alete)
Com o Zenon eu não aceito! (Beleno)
Qual o problema comigo?! (Zenon)
Minhas crianças... (Mel)
Mel sorri. Olha para Fábio. Fábio sorri de volta.
Algum tempo, algum lugar
Um bando de conservadorzinho de merda e não saiu um hétero. (Xien)
Acho que Trinity devia ter atirado. (Uehfo)
Xien pisca e olha para Uehfo.
Que foi? Vai dizer que se alguém matasse alguém que você acha que voltou... (Uehfo)
Uehfo cruza os braços.
Não pode me julgar, você pode ter matado Lisa. (Uehfo)
É... Eu... (Xien)
Xien levanta do chão.
Inês cresceu, né? (Xien)
Uehfo encara Xien. Suspira fundo. Balança a cabeça para os lados.
Beleno tinha poderes. Além de voar e destroçar a comida em segundos. (Uehfo)
Uehfo franze a sobrancelha.
Será que pégasos fazem competição de quem destroça mais rápido? (Uehfo)
Inês cresceu e voltou, Beleno deve voltar atrás de Alete e Inês. (Xien)
Talvez. (Uehfo)
Ô! Pera! Cê tá me sacaneando! (Xien)
Por que? (Uehfo)
Você não falou nada de mim dessa vez! (Xien)
Uehfo some. Xien solta os ombros. Senta-se no chão e se joga para trás.

Resumo do Capítulo

Etos passa as Ilhas para Janaína. Beatrice liga para Soraia, para avisar de Fábio. Soraia aparece na MEAK. Fábio decide ficar. Mel encarrega Derik e Estela de encontrarem porque Fábio saiu do túmulo. Mel diz a Fábio que desconfia que seja Tioure: atlante que não consegue mentir e lê a mente de pessoas que mentem perto. Fábio de fato tem o mapa no lugar certo, os pés, mas estava escondido por feitiço. A mãe não é mais viva e o pai é homofóbico. Conta sobre sua irmã ter sido morta por Zenon. Que Virgine tentou convencer Fábio a se transformar. Fala de Janaína, que pode ser alguém que tiraram da família. Trinity está a casa de Janaína, veio às Ilhas para achar Etos. Alete está com Beleno, cuidando de Inês e atraindo vampirs, como comida para Beleno. Beleno se irrita e faz Inês crescer. Derik e Estela não encontram nada na biblioteca. Caio, pai de Fábio, aparece. Tenta atacar Zenon. Acha que Zenon agora está enganando Estela. Ao ver Fábio, diz que se arrependeu de tudo que fez quando viu Fábio sob a terra. Amizades de Caio, Daniel e Lúcio, aparecem depois, para falar com Fábio. Comentam que Lúcio perdeu uma criança, que talvez tenha sido levada por vampir. Beatrice sai para ir a casa de Janaína, Fábio pede que traga Janaína quando voltar. Trinity tenta algo com Beatrice, mas Beatrice se esquiva. Janaína fala para Mel que quer entrar na agência, com a parte do dinheiro. Janaína vai a MEAK, diz que não é a criança roubada. Trinity tenta Janaína, de quem realmente gosta, mas Janaína se recusa a aceitar. Zenon vai até Beatrice. Fala sobre ninguém entender a situação que vivem. Beatrice acaba cedendo. Zenon chega a MEAK para falar com Beatrice. Derik conta a Fábio que brigaram quando acordaram, Beatrice ameaçou Zenon. Na cidade, outra versão está falando com uma pessoa. Fábio chega. Prende Zenon. Chama Alan e Mel. Mel volta a MEAK e leva Zenon que estava lá. Fábio percebe quem estava mentindo e mata a versão de Zenon que é dessa realidade. Soltam Zenon que veio junto, pelo templo. Fábio, Mel e Zenon voltam a MEAK. Beatrice agarra Zenon no quarto, sem saber que tinha dormido com o outro. No dia seguinte, Zenon conta. Resolvem tentar ficar juntos, da mesma forma. Mel e Fábio acordam, conversaram a noite toda. Mel fala em voltar a outra realidade e treinar Fábio. Daniel e Lúcio vão atrás de Janaína novamente, explicam que a criança sumir após Lúcio matar a mãe, que virara vampira, na frente da criança. Trinity vê Lúcio e se enfurece. Aponta uma arma e leva embora. Alete leva Inês na MEAK, pega Derik e sai. Janaína e Daniel vão a MEAK pedir ajuda. Em um barco, com explosivos, Trinity conta a Lúcio que é a criança que sumiu. Mel e Fábio pegam outro barco e vão até Trinity. Fábio consegue acalmar Trinity. Trinity pula no mar.

Dara Keon