Frágil
MEAK
B12

Frágil ler resumo

Manhã. Mel está na sala de docentes. Há duas cadeiras vazias, o resto está ocupado. Chega Bianor. Senta-se. Mel continua em silêncio. Bianor olha para os lados.
Não vai começar, não? (Bianor)
Tá faltando mais alguém. (Mel)
Essa cadeira vazia... (Bianor)
Uma pessoa entra. Senta-se na cadeira vazia. As pessoas olham para baixo, para os lados.
Essa é minha notícia hoje. Fora isso, não lembro de nada importante. (Mel)
Silêncio. Mel respira fundo.
Falam pra uma sala inteira e comigo nada. Quando resolverem falar, sabem onde me achar. (Mel)
Mel sai. As pessoas olham para baixo ainda. Bianor olha para a pessoa.
Bem-vinda de volta, Ludmila. (Bianor)
Bianor levanta e sai da sala. As outras pessoas fazem o mesmo. Ludmila levanta e anda pela sala. Fica atrás da cadeira de Mel, colocando as mãos nas costas da cadeira.
Lar, doce lar. (Ludmila)
Tarde. Michele entra na sala de Melody.
Será que você ficou louca??? Recontratar Ludmila??? (Michele)
Mel encara Michele.
Quem te deu autorização pra entrar na minha sala assim? (Mel)
Por que contratou aquela mulher??? (Michele)
Tem um bom currículo. E você não manda mais aqui, esqueceu? (Mel)
Você não está me entendendo, minha opinião na escola é uma... (Michele)
Sobre o que, senhorita Michele? (Ludmila)
Michele endireita o corpo e arregala os olhos. Engole seco.
Não era nada, senhora Ludmila. Discussão pessoal. (Michele)
Mel franze a testa. Michele sai. Mel acompanha com os olhos. Volta a olhar para o caderno.
Como foi o primeiro dia? (Mel)
Bom. (Ludmila)
Só me disseram que não é primeiro dia. (Mel)
Já tinha passado pela escola. Recebi outra proposta. Gosto dessa escola, por isso voltei. (Ludmila)
Ludmila se aproxima da mesa. Mel olha para Ludmila.
Michele não costumava ficar escutando atrás de porta. (Ludmila)
Ouvem-se passos do lado de fora.
Também não costuma chamar ninguém com pronomes que denotem respeito. Mas eu ia deixar. Ia ser interessante abrir a porta. (Mel)
Então, é uma mulher de pulso firme. Deve ser por isso que ninguém diz coisa alguma na reunião. (Ludmila)
De vez em quando falam. É que eu também comecei mal, Bianor começou a reclamar e eu... (Mel)
Ludmila vai para trás de Mel e coloca as mãos nos ombros de Mel. Aperta, fazendo massagem. Melody fecha os olhos e levanta a cabeça de leve.
Não pense que o problema é você. Todo mundo sabe que Bianor reclama de tudo. Já viu alguém tocar na caneca dele? Aliás, ainda bem que me contratou, não uma professora que não conhecesse ele, se não ia ficar histérico. (Ludmila)
Suas mãos são... (Mel)
Você gosta? Não sou só professora de matemática, eu fui massagista quando era mais nova. Massagista mesmo, não prostituta. Acabei saindo com um ou outro cliente, mas isso não quer dizer nada. (Ludmila)
Quando vi a sua ficha, 47 anos, achei que parecesse... (Mel)
Mais velha? Esse período que passei, esse meu primeiro emprego, foi ótimo pra saber como não envelhecer. Você tem namorado? (Ludmila)
Não. Não namoro. (Mel)
Eu acho que homem envelhece demais. Deve ser por isso que eu tenho facilidade maior que as outras mulheres de me manter jovem. (Ludmila)
MEAK. Kat e Estela estão saindo, Michele chega.
Ah, peraí, já deu Michele, até quando vamos sair pro trabalho??? (Estela)
É uma emergência! Tiveram aula com a Ludmila?! (Michele)
Kat, vamos nos atrasar! (Estela)
Não, não tivemos. (Kat)
Ela é um monstro! (Michele)
Pronto, lá vem teatro! (Estela)
Michele, depois eu resolvo isso. (Kat)
Mas... (Michele)
Kat e Estela saem. Michele entra. Derik está na recepção.
Sim? (Derik)
Não me ouviu falar com elas? (Michele)
Não fico ouvindo conversa alheia. (Derik)
Na altura que eu falei... (Michele)
Volume. (Derik)
Quê? (Michele)
Esquece. Sim, eu ouvi, você consegue fazer qualquer pessoa ouvir tudo que diz. Aliás, Zenon devia te ajudar a falar mais baixo também... (Derik)
Estou com um problema maior que esse, se importa??? (Michele)
Derik tampa os ouvidos.
Maior que seu agudo, não dá! (Derik)
Daqui a pouco nem vou mais me preocupar com a Kat com você, parece que tá aviadando! (Michele)
Derik revira os olhos e destampa os ouvidos.
Rola ir embora agora? Ou tem mais alguma merda pra falar? (Derik)
Casa de Alice.
Será que vamos ter que apelar pra Janaína? (Alice)
Sei lá se ela vai acreditar na gente, vai ficar do lado da Melody também. (Michele)
Não custa tentar. (Alice)
Aposto que fez de propósito! (Michele)
Ela não ia arriscar a Katerine se soubesse do que aquela mulher é capaz. (Alice)
Podíamos falar com alguém na escola pra ir falar com a Melody, ou ainda melhor, direto com a Janaína! (Michele)
Só se for uma garota, porque os caras todos têm medo dela. (Alice)
Uma garota vai ser mais difícil convencer a falar. (Michele)
E se esperássemos? (Alice)
É mesmo... Foi logo atrás da diretora de novo. Podemos deixar Melody bem debilitada e depois salvar tudo! Imagina o crédito que íamos ganhar com isso! (Michele)
Por esse lado eu não tinha pensado. (Alice)
Anoitecer. MEAK. Recepção. Derik chega.
Pronto, terminei. (Derik)
Então podemos criar a tal dimensão guarda-roupas? (Fábio)
Ainda não tô com muita segurança disso. (Derik)
Nunca fez feitiço na sua vida? (Fábio)
Já, claro que já, mas e se abrirmos uma que tenha alguma criatura escondida, ou criarmos algo errado... (Derik)
Relaxa, vai dar tudo certo. (Fábio)
Três semanas depois. Noite. Kat desce na recepção.
Tá na cozinha. (Fábio)
Mas nem sabe quem tô procurando... (Kat)
Estela tava com você, Zenon com Beatrice, Alan apanhando de Michele, Derik tá ajudando Alete a aprender a cuidar de Inês, eu não poderia ser... (Fábio)
Continua comendo daquele jeito? (Kat)
Continua. Mas Ludmila tá usando todo o salário pra cobrir isso. (Fábio)
E com que Ludmila come?! (Kat)
Não faço a menor idéia. (Fábio)
Eu tô tentando pesquisar com Estela, mas não tenho vocação pra isso... (Kat)
Então tenta fazer trabalho em campo. (Fábio)
Michele está no banheiro. Alice chega.
Você está meio... (Alice)
Suando? Eu tava treinando. (Michele)
Com o Alan? (Alice)
Requisitei o Alan e não o Zenon porque Zenon não fala deles. Alan solta qualquer coisa fácil, fácil. Além do que ele não é tão ruim assim. Só não é tão bom como o Zenon e não foi muito bem treinado. (Michele)
Não vai me dizer que tá gostando dele, vai??? (Alice)
Claro que não! Aliás, mesmo que tivesse, a família dele não é pobre. (Michele)
Sério?! (Alice)
Tanto o pai quanto a mãe têm dinheiro. (Michele)
Pode estar inventando. (Alice)
Por que eu estaria??? (Michele)
Não você, ele! (Alice)
Não foi ele quem falou. Eu investiguei. (Michele)
Tá mesmo interessada, hein? (Alice)
Claro que não. Se estiver, pode levar. (Michele)
Seria uma boa. Ia ter um contato lá dentro. Arrancou algo dele? (Alice)
Melody continua se empanturrando. (Michele)
Deve ser por causa da Ludmila. (Alice)
Mas já era pra estar fraca! (Michele)
Ela é mais forte que o normal. (Alice)
Isso eu sei. Mas não mostra se quer um sinal de fraqueza. (Michele)
Por isso tava perguntando tanto dela... (Alan)
Tava ouvindo??? (Michele)
Ué, achei que tinha instinto suficiente pra saber... Não, só ouvi "não mostra se quer um sinal de fraqueza". Aliás, devia ter notado quando eu tava chegando. Se distrai demais quando tá fofocando e armando. Parece que vai mesmo bater seus recordes. (Alan)
Tentei falar com Melody sobre Ludmila. Se ela não ouve, azar dela. (Michele)
MEAK. Alan chega.
Mel tá aí? (Alan)
No quarto com Ludmila. Me parecia diferente quando conheci. (Fábio)
Ludmila? (Alan)
Melody. (Fábio)
Por que Melody? Achei que chamasse ela de Mel também... (Alan)
Só fica lá dentro, largou a escola nas mãos de Ludmila sem falar com ninguém, nem conversamos mais direito... (Fábio)
Tá com ciúmes??? Achei que você fosse... (Alan)
Você não tem ciúmes de amizade, não? Dos seus pais, sei lá, de um irmão?! (Fábio)
Não tenho irmãos. (Alan)
Que seja, Alan, é que... suspira Esquece. (Fábio)
Beatrice e Zenon descem.
Já de volta, Alan? (Zenon)
Não, meu holograma! (Alan)
Alan sobe.
Fábio, que cara é essa? (Bea)
Melody. Nem fala mais comigo direito. (Fábio)
Pra mim, Ludmila fede. (Bea)
Só se usar um perfume muito bom... Não percebi nada... (Zenon)
Não tô falando literalmente. (Bea)
Nem eu. Tá me tomando pelo Alan? (Zenon)
Mel disse que, no histórico, só consta que saiu, não o porquê disso. (Bea)
Vocês podem falar com Jessé. (Fábio)
Tão recente na escola quanto Mel. (Bea)
Mas ele pode nos dar endereços de alunos antigos, que conheçam a tal... (Zenon)
Ludmila? (Kat)
Gente, Ludmila tá aí e a gente falando, sem nem cuidado aqui... (Fábio)
Melhor a gente sair daqui. (Zenon)
Alguém sabe o endereço de Jessé? (Bea)
Silêncio.
Pular portões de escola? (Bea)
Kat e Zenon levantam as mãos.
Ótimo. Vamos pra escola. Fábio, você inventa algo se alguém perguntar? (Bea)
Claro. (Fábio)
Peraí, eu esqueci de falar algo! (Alan)
Holograma vem com recado? (Bea)
Chele disse que tentou avisar Mel de uma coisa, mas que ela não quis ouvir. Eu peguei elas comentando que alguém deveria estar fraco já, e perguntei se era por isso que ela tava perguntando da Mel. Joguei verde e colhi podre. (Alan)
Que evolução, você jogando! (Zenon)
Obrigado... (Alan)
Alan sorri. Fecha a expressão.
Ei, isso não foi um elogio! (Alan)
Vocês três vão pular o muro da escola. Nos encontramos na praça central de Hera. (Bea)
E você? (Zenon)
Eu vou falar com alguém em especial. (Bea)
Escola. Kat cai do lado de dentro, com os pés e as mãos no chão. Levanta. Zenon cai agachando, levanta. Olham para o muro. Kat olha para Zenon.
Não devíamos ter mandado na frente? (Kat)
Quê, eu jogo, você segura? Ele consegue! (Zenon)
Kat volta a olhar para o muro. Respira fundo. Cruza os braços. Zenon respira fundo. Olha para o chão. Olha para Kat, que descruza os braços e aponta o muro, com a palma virada para cima.
Alan??? (Zenon)
Pular o muro de uma escola não é antiético? (Alan)
Kat tapa o rosto com uma mão.
Alan? (Zenon)
Sim? (Alan)
Pula logo essa merda! (Zenon)
Droga... (Alan)
Alan segura em um bloco. Pisa em outro. Pisa com o segundo pé em um terceiro. Tirando o primeiro pé, o segundo escapa e Alan cai no chão. Levanta.
Eu não consigo! (Alan)
Talvez eu possa te ajudar com a chave. (Jessé)
Ah... É... Oi... Eu... Tava... (Alan)
Tentando pular o muro. Não achei que fosse ver alguém fazer isso do lado de fora, ainda mais com a sua idade. Não lembro de você. (Jessé)
Já passei da idade de estudar. (Alan)
Jessé coloca a chave no portão. Destranca.
Não fizemos as provas ainda, então não acho que tenha vindo roubar prova pro seu filho. (Jessé)
Jessé olha para Alan.
Peraí, você é amigo da Melody... (Jessé)
Jessé empurra o portão. Olha para Kat e Zenon.
E vocês também. Aliás, você é filha dela. E estuda aqui. (Jessé)
Na verdade, não tínhamos o seu endereço, então resolvemos... (Zenon)
Pular o portão. (Jessé)
Pular o portão. (Kat)
E onde exatamente iam pegar meu endereço? (Jessé)
Não tem sua ficha na escola? (Alan)
Ahã. Então além de puladores o portão, ainda são arrombadores de porta e hackers. Interessante. Mais algum atributo? (Jessé)
Pode tirar a parte de hackers. (Kat)
Acham que o computador da escola, aquele que contém todas as fichas de todos os que estão autorizados a entrar aqui, sem pular o portão e no horário de funcionamento da escola, acham que ele não tem senha? (Jessé)
Kat, Zenon e Alan se entreolham.
Tá, o que queriam comigo? (Jessé)
Saber de Ludmila. (Zenon)
Uma pessoa grosseira e estúpida, sem o menor senso de direitos humanos e que deve ter saído do exército. Mais alguma coisa? (Jessé)
Isso nós já sabemos, não me trata assim, mas percebi no resto da escola. (Kat)
Ah, tá, e você acha que ela quer morrer? Sim, porque é o que aconteceria se ela te tratasse mal. Mel não liga pro que aquela mulher faz pros outros alunos, mas com você... (Jessé)
Ououou, tá falando do que? (Zenon)
Que Melody protege Kat com unhas e dentes? (Jessé)
Não, dos outros alunos... (Zenon)
Mel não ia fazer injustiça! (Kat)
Ludmila tá convencendo Mel de que não está fazendo nada de errado. Dizem que, quando esteve aqui da outra vez, com as alunas ela foi mais mansa, como agora. Mas agora as garotas mesmo se distanciam dela, mesmo com o tratamento melhor. (Jessé)
Que aconteceu da outra vez pra ela ir embora? (Alan)
Jessé olha para os lados.
Pelo que comentaram comigo, ela separou um casal. Mandou um pra cadeia, outro pro hospício. Tenho mais o que fazer lá dentro. Licença. (Jessé)
Kat e Zenon saem. Jessé tranca o portão.
Bea falou que fedia. (Kat)
Casa de Michele. Michele está se vestindo no banheiro. Uma voz. Franze a testa. Sai do banheiro para o quarto e vê um gravador sobre a cama.
É, fiz. Mas está vivo e meu serviço foi limpo.
Michele pega o gravador.
Vai quebrar? Tenho outras. (Bea)
Michele se cobre com a toalha e vira para Beatrice, que sentou-se em uma cadeira no canto.
Se eu quisesse te ver, tinha entrado, não esperado você colocar calcinha e sutiã. Aliás, seu enchimento não engana ninguém. (Bea)
Veio me subornar? (Michele)
Vim perguntar o que sabe de Ludmila. (Bea)
Daí não precisava dessa fitinha ridícula. Mas, agora que mostrou, só falo se der todas as cópias que tem. (Michele)
Eu posso fazer mil cópias, te entregar quinhentas e dizer que é tudo. Você nunca vai saber. Mas não vim aqui fazer acordo. Se eu quiser, espalho essa fita pela cidade inteira. Imagina, que notícia linda pra cria de magnata. (Bea)
Eu sou rica. Pago pra não divulgarem. (Michele)
Divulgarem? ri Acha mesmo que vou deixar esse prazer pra outra pessoa? Assim que eu espalhar isso, ninguém vai mais se aproximar de você, nem por interesse, porque dinheiro não vai ser nada quando parecer que pode matar alguém e com tanto descuido. (Bea)
Vou pra São Paulo. Isso aqui já tava me enchendo mesmo. (Michele)
Você não é só cria de magnata, é reencarnação de Lish. Todo mundo vai saber. Acredite, qualquer buraco em que se enfiar tem CV. (Bea)
Michele dá um suspiro.
Dane-se. Odeio Ludmila mesmo. (Michele)
Senta na cama.
Ela bancava a militar com os garotos e mãe com as garotas. Começaram a descobrir garotas em suas casas desmaiadas. Algumas tinham namorado e largaram sem motivo aparente. Todas alunas íntimas dela. Estão em coma, pelo que se sabe. (Michele)
Quanto tempo ficou? (Bea)
Três anos. Foi embora no fim do ano retrasado. (Michele)
Tá vendo? É só ser legal e não teremos problemas. (Bea)
Beatrice sai. Michele atira a toalha na parede.
Droga! (Michele)
Praça central. Beatrice encontra Alan, Zenon e Kat.
E aí? (Bea)
Separou um casal. Cadeia e hospício. (Zenon)
Essa parte Michele não contou. (Bea)
Foi falar com Michele??? (Alan)
Quem você achou que era a "pessoa em especial"? (Kat)
Ué, mas então era mais fácil ter mandado você. (Alan)
Michele não quis falar comigo sobre Ludmila, por isso eu não disse nada. Como convenceu a falar com você? (Kat)
Não podemos perder tempo com isso. Disse que algumas pessoa foram encontradas em coma, tinham largado relacionamento e eram "amizades" de Ludmila. (Bea)
Tanto quanto Mel? (Zenon)
Conseguiram algum endereço? Não podemos ficar só nessas opiniões. (Bea)
Alan, Zenon e Kat se entreolham. Beatrice encara. Frente da escola.
Tá, quem pula primeiro? (Alan)
Jessé abre o portão. Sai. Fecha o portão.
Lembraram que querem o meu endereço pra outra coisa? (Jessé)
Jessé tira um cartão do bolso e entrega para Beatrice.
Obrigada. É bom ter o seu endereço pra uma ocasião assim, afinal duvido que venha todo fim de semana aqui, mas também queremos alguns endereços de discentes. Pra saber detalhes a mais desse e de outros casos. (Bea)
Na verdade, eu também quero saber de Ludmila. Ela não voltaria aqui a toa, quero ver se há alguma comprovação em algum lugar. Talvez ela esteja fugindo dessa vez não de uma cidade apenas, mas da polícia. (Jessé)
Poderíamos pedir pra delegacia daqui contatar... (Bea)
Pra convencer esses caras a falar com o resto da polícia do país é uma desgraça, são uns prepotentes que acham que podem fazer tudo sozinhos. (Jessé)
Então, teremos que fazer o serviço. Podemos começar com os endereços de quem tomou pé. (Bea)
Tomou pé? (Jessé)
Relacionamentos foram rompidos. E tem gente até hoje em coma. (Bea)
Jessé franze a sobrancelha.
Não sabia que tinham algo a ver com Ludmila. (Jessé)
Eram pessoas próximas. (Bea)
Desconfiável. (Jessé)
E o casal? (Bea)
A garota tá num hospício em Goiás, ele numa cadeia em Santa Catarina. (Jessé)
Jessé olha para Kat, Zenon e Alan.
Você cortou a língua deles pela informação pela metade? (Jessé)
Beatrice olha também.
Estão se dando tão melhor na conversa... (Alan)
Podem continuar. (Zenon)
Minha vocação é ver o futuro, não investigar. Alan, vamos pra casa? (Kat)
Por que eu?! (Alan)
Kat se aproxima de Alan e fala no ouvido.
Se Jessé for embora, ficamos segurando vela! (Kat)
Claro. Vamos. (Alan)
Kat e Alan saem.
Esqueceram que temos uma ótima audição. (Zenon)
Jessé franze a sobrancelha novamente.
Vou indo. Ver se encontro alguma ocorrência sobre Ludmila. E não vou nem perguntar porque vocês têm uma ótima audição. (Jessé)
Jessé sai.
Bom, então eu vou no hospício, você na cadeia. Já estive em um hospício. Pedimos pra Mel... (Bea)
Mel não tá com a gente, Beatrice. É a vítima agora. (Zenon)
Beatrice olha para o chão. Volta a olhar para Zenon.
Então, quem ainda temos? (Bea)
Fábio, Estela, Alan, Kat, Derik e Michele. (Zenon)
Michele descarta. (Bea)
Por quê? (Zenon)
Se não fez nada até agora... (Bea)
Nós também não tínhamos feito. E Michele disse que tentou avisar Mel. (Zenon)
E você acredita na palavra dessa pessoa? (Bea)
Beatrice... (Zenon)
Michele, Derik, Kat e Estela não contam. São praticamente crianças. (Bea)
Percebeu que excluiu metade do grupo? Isso contando com a gente. (Zenon)
É o que Mel faria. (Bea)
Não precisamos agir como Mel pra resolver as coisas. (Zenon)
Nesse caso precisamos para não piorar. (Bea)
Zenon revira os olhos.
Ok. (Zenon)
Fábio e Alan vão falar com quem não tá em coma. (Bea)
Os que esquecemos de pegar o endereço de novo? (Zenon)
Quem tem ex em coma. Vamos ao hospital, procuramos as pessoas em coma, falamos com as famílias... (Bea)
Nossa viagem é mais longa. Deixa essa parte com Alan e Fábio também. (Zenon)
1983
Louis sentou-se no chão e olha outras crianças. Carla se aproxima.
Oi. (Carla)
Meu nome é Louis. Veio adotar? (Louis)
Ah... Eu... (Carla)
Só olhando? (Louis)
Tá vendo aquele homem, falando com a tia? (Carla)
Carla aponta Marcos. Louis olha para Marcos. Volta a olhar para Carla.
Você chama de tia? (Louis)
Não. (Carla)
Eu também não. É costume das outras crianças. (Louis)
Louis olha de novo para Marcos.
É seu namorado ou seu irmão? (Louis)
Marido. (Carla)
Isso não é a mesma coisa que namorado? (Louis)
Depende do caso... (Carla)
Carla olha para Marcos.
No nosso caso, é. (Carla)
Vão adotar menino ou menina? Terá irmãos? (Louis)
Carla olha para Louis.
Sou infértil. (Carla)
Mas isso não é problema. Pode adotar mais de um. Eu recomendo. Uma criança que cresce num orfanato cresce cercada de outras crianças. Algumas adorariam ser filhas únicas, são meio reclusas, mas a maioria não fica muito sozinha... (Louis)
A mulher disse pra eu vir falar com você. (Carla)
Aqui me chamam de guia. Nunca uma família que eu tenha achado a criança devolveu. Desde que eu encaminho as coisas, ninguém se fere. (Louis)
Noite. Louis acorda.
Valquíria... (Louis)
Dionísio senta na cama.
A menina que você falou? (Dionísio)
Dionísio? Você vai amanhã, não é? (Louis)
É, tá tudo certo. Ele queria adotar você, mas... (Dionísio)
Ainda bem que não adotou. Preciso ir para outro lugar. (Louis)
Disse que podia contar comigo pro que fosse. (Dionísio)
Desculpe, sei que não queria ser adotado. (Louis)
Não esquenta, eu volto de vez em quando. Se não era difícil convencer as mulheres daqui a me deixarem sair... Encontrou Valquíria? (Dionísio)
Sabe a mulher que esteve aqui? (Louis)
Aquela que você recomendou a Julinha? (Dionísio)
Sim. Terei que arranjar outra pessoa para adotar a Julinha. O marido dela parte e, meses depois, ela também. (Louis)
Que merda! Mas ela é a mãe da Valquíria? (Dionísio)
É. Parece que finalmente encontrei. (Louis)
E não tem jeito de serem seus pais? (Dionísio)
Não. Pode ficar sossegado, não vou cometer um incesto. (Louis)
Viu isso no sonho? (Dionísio)
2003
Kat está no quarto, sentou-se na cama.
Sim. (Kat)
Então, tá me dizendo que tem alguém com seus poderes por aí? (Estela)
De repente sabe de onde veio! (Kat)
Mais um problema. (Estela)
Um problema, não, uma solução! Eu não faço a menor idéia de quem me deu isso... Se tem os mesmos poderes... (Kat)
Não disse que tem quatro anos? (Estela)
Vou voltar a dormir. (Kat)
Kat deita. Estela sai do quarto. Desce. Vai até a cozinha. Derik está fazendo almoço.
Kat teve um sonho. (Estela)
E por quê chamou só você?! (Derik)
Não chamou, eu já tava no quarto. Voltou a dormir, pra ver se continua. (Estela)
Uma sala cinza. Uma mesa no centro, de metal. Zenon está em uma cadeira. Louis chega e senta-se a sua frente.
Disseram-me que é sobre Ludmila. (Louis)
Qual seu nome? (Zenon)
Louis. Veio aqui sem saber nem isso? (Louis)
A pessoa que me informou não lembrava. Perguntei aos guardas falando do seu caso. (Zenon)
Certo. (Louis)
Mas me deu o endereço exato. Não sabia que tinha mordomia aqui dentro... (Zenon)
Todos gostam de mim aqui. Me chamam de poeta. Além do que, me disseram que quem pediu um lugar coberto foi você. (Louis)
Achei que me levariam pra um lugar coberto no pátio, onde todo mundo recebe as visitas. (Zenon)
Parece já ter estado em muitas cadeias. (Louis)
E você parece mal. (Zenon)
É ruim ficar longe da pessoa que você ama. Sabe onde tá? (Louis)
Quem? (Zenon)
Valquíria. Ludmila ficou com ela? Veio negociar isso? (Louis)
Não vim em nome de Ludmila. Ela voltou para as Ilhas e está, digamos, monopolizando uma amiga minha. (Zenon)
Está com ciúmes? (Louis)
Essa minha amiga não costuma parar de ligar pro mundo pra se dedicar a um caso. (Zenon)
Ludmila não conseguiu seduzir Valquíria. Por isso fez tudo o que fez. (Louis)
Preciso de provas. (Zenon)
Provas? Então é da polícia? (Louis)
Não. Mas minha amiga não vai acreditar tão facilmente. (Zenon)
Louis ri.
Se eu tivesse provas, acha que estaria aqui, privado da minha liberdade e longe do meu amor? Sabe ao menos onde está Valquíria? (Louis)
1983
Louis entra em casa. Olha para tudo. Volta-se para Carla e Marcos.
Devo chamá-los de pais? (Louis)
Quando quiser. (Carla)
Posso usar a cozinha? (Louis)
Você sabe cozinhar? (Marcos)
Desde a minha outra encarnação. (Louis)
Louis vai para a cozinha.
Ele é um garoto meio precoce, não acha? (Carla)
Talvez. (Marcos)
Será que saberemos lidar com ele? (Carla)
Olha, acho que, se não soubermos, ele ensina. (Marcos)
2003
Beatrice está andando por um corredor, seguindo Antônio.
Ela diz que a mulher rouba a força das pessoas. (Antônio)
E Ludmila colocou no hospício um mês depois de mandar prender Louis por sedução de menor? (Bea)
Olha, eu sei, a mulher parece o diabo, mas não podemos fazer nada com o depoimento de uma garota que afirma que a acusada é o próprio demônio... (Antônio)
Valquíria disse isso? (Bea)
Pra você ver. Olha, a garota fica perturbada de vez em quando, mas ela tá bem aqui... (Antônio)
Essa perturbação tem a ver com Louis? (Bea)
Não duvido que ele fosse um aproveitador também, aliás, pior, acho que ele é algum tipo de louco. Talvez devesse estar aqui também. (Antônio)
Por que acha isso? (Bea)
A própria história dos dois diz tudo... (Antônio)
1983
Louis está olhando Carla e Marcos comerem.
Onde eu durmo? (Louis)
Vou lá te mostrar... (Carla)
Carla sobe e Louis segue. Carla entra no quarto. Louis entra atrás. Olha para todo o quarto. Deita na cama. Carla cobre Louis. Dá um beijo na testa e sai.
Amanhã, quando eu acordar, Valquíria já terá voltado pra esse mundo. (Louis)
Carla volta a cozinha.
E aí, ele dormiu? (Marcos)
É uma criança, não um robô! (Carla)
É que parecia com sono... (Marcos)
Marcos tira a panela da mesa e leva para a pia. Pega um pote no armário. Carla traz os pratos. Marcos esvazia a panela no pote e guarda na geladeira. Carla lava os pratos. Marcos pega outra bochinha e lava a panela. Carla sai da cozinha, Marcos olha para a porta, pega os pratos e lava novamente. Olha para trás e Carla está de braços cruzados.
Cê tá aí faz tempo? (Marcos)
Vou começar a deixar tudo pra você lavar. (Carla)
Marcos vai na direção de Carla e beija.
Não fica brava. (Marcos)
Marcos beija o pescoço de Carla. Baixa a alça da blusinha, Carla puxa de volta.
Não dá mais pra fazer isso em qualquer lugar da casa... (Carla)
Relaxa, ele tá no quarto dele. (Marcos)
Não sabemos se ele já dormiu. (Carla)
Foi alguma coisa na comida que me deixou com vontade. (Marcos)
Ele não faria isso! (Carla)
Não estou falando que foi de propósito. Mas diz que você também não percebeu... (Marcos)
Carla beija Marcos. Marcos coloca a mão na coxa de Carla. Carla tira.
Já disse que aqui não! (Carla)
Carla pega Marcos para mão e atravessam a sala.
2003
Delegacia. Rick entrega um papel a Fábio.
Todos os nomes estão aqui? (Alan)
Sim. (Rick)
Tentaram investigar se eles não foram largados ou até mesmo se eles quem largaram por causa de alguma seita? (Fábio)
Não acreditamos nesse tipo de coisa, estamos no século XX. (Rick)
XXI, na verdade. E não precisa que vocês acreditem, basta que eles sim. Pessoas fazem sacrifícios humanos hoje e não precisam que a polícia acredite que dará certo. (Fábio)
Tá querendo fazer meu trabalho?! (Rick)
É exatamente o que vamos fazer. (Alan)
Fábio sai, Alan segue. Hospital.
Todas passaram por aqui? (Alan)
Todas. (Alessandra)
São esses os nomes dos namorados? (Fábio)
Fábio entrega um papel a Alessandra. Alessandra tira uma caneta do bolso. Adiciona mais um nome. Devolve a lista a Fábio.
Esse se matou. Mas pode falar com o amigo dele, que morava com ele. (Alessandra)
Obrigado. (Fábio)
Dia seguinte. Fábio e Alan batem em uma porta. Hector atende. Olha para Alan e Fábio. Coloca as mãos na cintura.
Não atendo em casa. (Hector)
Não faço a menor idéia de qual é sua profissão, mas não foi por causa disso que viemos. (Fábio)
Alan olha para Fábio, depois para Hector.
Acha que eu sou viado??? (Alan)
Oi?! (Fábio)
A cara que ele olhou, parecia achar que tenho alguma coisa com você! (Alan)
Fábio tapa o rosto e balança a cabeça para os lados. Alan olha para Hector.
Como é possível ter tesão em um homem??? (Alan)
Em você é impossível, pode ficar sossegado. (Fábio)
Hector ri. Dá passagem e Fábio entra.
Por que eu tenho impressão que você e o Zenon adoram me sacanear??? (Alan)
Alan entra. Hector fecha a porta.
Alan e Fábio se sentam em um sofá, Hector em outro.
Qual o assunto? (Hector)
Um amigo seu que se suicidou. (Alan)
Poderia ter um pouco mais de delicadeza. (Fábio)
Costumo ser delicado, mas prefiro que as pessoas sejam diretas comigo. (Hector)
Nós estamos investigando... (Alan)
Policiais? (Hector)
Não. Somos... (Alan)
Estamos procurando alguma pista de como tirar das Ilhas uma pessoa que já esteve aqui. Não sabemos como saiu, mas foi há um ano atrás, é a pessoa que interferiu no relacionamento e... (Fábio)
Fez ele se suicidar. (Hector)
Como assim, fez? (Fábio)
Quem conhecia o garoto sabe que nunca ele atentaria contra a própria vida. Não se não fosse levado a isso. (Hector)
Acha que não se matou? (Alan)
Sim, ele fez isso. Só tenho certeza de que foi muito estimulado. É claro que ele daria a vida por aquela garota, mas jamais faria isso só porque ela trocou ele. Ele queria a felicidade dela, e iria querer mesmo que fosse sem ele. Vivia mal, eu sei... Ele era contra suicídio. Não tenho mesmo o que dizer. (Hector)
A pessoa largaria por vontade própria? (Fábio)
Como assim? (Hector)
Se amavam? (Fábio)
Bom, ela tava com ele mais por ser uma boa companhia. Ele sabia disso, insistiu demais pra ela tentar. Mas também não acho que estivesse apaixonada pela mulher. Parecia enfeitiçada... Ela não largaria ele por alguém que não amasse, e acho que não amava. (Hector)
Acredita em feitiçaria? (Alan)
Não me levem a mal, eu sei que vocês provavelmente... (Hector)
Pertencíamos a um... grupo. (Fábio)
Tão falando do Grupo de CVs? (Hector)
Mas se você conhece, é muito mais fácil! Eu ao menos acho que a Ludmila não é humana! (Alan)
Hector cruza as pernas e pega um cigarro.
Pois pra mim parece bem humano passar por cima das vontades alheias. (Hector)
Nossa amiga, a Melody, tá comendo demais, tá devorando tudo que vem pela frente... (Alan)
Ela tá com a Ludmila? (Hector)
Acho que ela é um demônio que rouba a força das pessoas! (Alan)
Já ouvi falar disso... Em vários seriados de ficção. (Fábio)
Fábio encara Alan.
Tudo que sei além do que falei é que Ludmila odeia homens. (Hector)
Tá sempre me olhando feio. Melhor nós irmos. (Fábio)
Já? Não quer um café, um suco... (Hector)
Não, obrigado. (Fábio)
Hector abre a porta. Alan e Fábio saem. Hector segura o braço de Fábio.
Quando quiser mudar de profissão, é só falar comigo. Tenho clientes que te adorariam. (Hector)
Ele não gosta de mulher. (Alan)
E quem disse que tô falando de mulher? (Hector)
Não, obrigado. (Fábio)
Tem certeza? Eu também adoraria. (Hector)
Eu não sirvo para esse tipo de coisa. (Fábio)
Sentimental? (Hector)
Mais ou menos por aí... (Fábio)
Tá... (Hector)
Hector solta o braço de Fábio.
Até outro dia. (Hector)
Noite. MEAK. Fábio e Alan entram. Beatrice encostou-se no balcão de recepção e Zenon está no sofá.
Nós estávamos ali para pegar informações, não para dar. (Fábio)
E o que ele poderia fazer? (Alan)
Temos que ter um pouco mais de discrição, e não ficar entregando tudo, por mais confiável que pareça... Que caras são essas? (Fábio)
Vocês falaram com quem tinham que falar? (Zenon)
Sim. Descobrimos algumas coisas... (Alan)
Fábio faz sinal para Alan esperar.
Não respondeu minha pergunta. (Fábio)
Vocês falaram com quem tinham que falar. Eu falei com quem tinha que falar. Beatrice resolveu raptar a pessoa com quem tinha que falar. (Zenon)
Não ia deixar lá, não viu o jeito como tratavam! (Bea)
A garota do hospício tá aí??? (Alan)
Com Derik, lá em cima. (Zenon)
Isso não é tanto problema, temos motivo suficiente pra achar que não deveria estar lá. (Fábio)
Quer dizer que eu devia ter tirado Louis da cadeia??? (Zenon)
Kat e Estela chegam.
Peraí, Ludmila não está aqui? (Fábio)
Mel foi morar com ela em outro lugar. (Zenon)
Quê??? (Alan)
Como assim??? (Fábio)
Kat baixa a cabeça.
Foi. (Kat)
Kat olha para Zenon.
Louis... Vocês disseram Louis? (Kat)
Sim, o cara que Ludmila colocou na cadeia. E Beatrice trouxe a garota, Valquíria, pra cá. Raptou, na verdade! (Zenon)
Quer parar??? (Bea)
Tá, desculpa. Só que não sei como vamos nos livrar disso. (Zenon)
"Nos livrar"??? Parece que quer matar a garota! (Estela)
Sem baderna, por favor, eu tô querendo falar. Vi Louis num sonho. (Kat)
Tá ficando tão mandona quanto a mãe... (Alan)
E você tá parecendo cebolinha falando. Isso aqui não é briga de crianças, nem "guerra de sexos", nem nenhuma das besteiras com que pode ter se acostumado. (Kat)
E o mesmo jeito de me tirar a razão. (Alan)
Só não vale agarrar Kat por isso. (Derik)
Ué, não tava cuidando dela? (Estela)
Beleno tá de olho... (Derik)
Ninguém tá mesmo prestando atenção em mim??? (Kat)
Silêncio.
Seu sonho. Fale. (Zenon)
Louis tem sonhos. (Kat)
Todo mundo tem sonhos. (Alan)
Tá. Chegou, temos que oficializar. Quem pode traduzir pra Alan? (Kat)
Zenon levanta a mão. Kat aponta Alan com a palma pra cima.
Ela quis dizer que ele tem sonhos como os dela, profecias. (Zenon)
Eu vi criança. Falava com um outra criança... Estava num orfanato. Disse que tinha sonhado com Valquíria. Tive certeza quando falou o nome da outra pessoa. (Kat)
Se fosse ele, não poderia ter previsto o que Ludmila faria? (Estela)
Não sabemos se ele não previu. (Fábio)
Esse... Poder. Isso não é controlável. (Kat)
Então, Louis e Valquíria vieram de orfanato? (Derik)
Não, Louis encontrou Valquíria depois. Nasceu do casal que adotou Louis. (Kat)
Pode nos dizer algo mais? (Bea)
Que quem adotou morreu. O resto podemos perguntar a Louis. (Kat)
1984
Carla está na cama, suando.
Que está fazendo??? (Carla)
Tem que deixar ela sair... (Louis)
Nem sabemos se é mulher ou o que é! (Carla)
Confie em mim, eu sei. (Louis)
Como sabia que meu marido ia morrer??? (Carla)
E que ela viria. Já disse que vai para junto dele... (Louis)
Por que quer me matar??? Por que queria ele morto??? O que fizemos pra você??? Nós te adotamos, foi isso??? Queria ficar lá??? Por que não... (Carla)
Não matei vocês. Só sabia. Sabe que tenho sonhos. (Louis)
Deveria ter me avisado antes!!! (Carla)
Não tinha como evitar. Os sonhos foram mandados para não deixar ela sozinha, não para evitar que vocês reencarnassem. (Louis)
Está obcecado por ela! E a minha filha nem nasceu! (Carla)
Louis se aproxima de Carla.
Está tentando descontar sua dor. Faz isso desde que soube que ele se foi. (Louis)
E você não sente dor nenhuma! (Carla)
No fundo sabe que está falando bobagens. Se não, já teria me devolvido, chamado a polícia ou algo assim. (Louis)
Dionísio entra.
Oi. (Dionísio)
Carla grita. Dionísio dá um passo para trás.
Isso não foi comigo, foi? (Dionísio)
Estourou a bolsa há algum tempo. Que está fazendo aqui? (Louis)
Só por causa de uma bolsa? (Dionísio)
Louis encara Dionísio, que sorri.
Tô brincando. (Dionísio)
Vai chamar todos os amigos de sua seita?! (Carla)
Ele não me chamou. Não ouviu ele perguntar porque estou aqui? (Dionísio)
Eu quem não ouviu você responder. (Carla)
Daniel é caça-vampiros e está fora. (Dionísio)
Vocês são loucos! (Carla)
Pode me ajudar com ela? (Louis)
Fui adotado por um caçador de vampiros, não uma parteira. (Dionísio)
Carla desmaia.
Tá indo antes de Valquíria sair... (Louis)
Por que ela não vai para um hospital mesmo? (Dionísio)
Ela acha que, se a criança for algo de feitiçaria, alguém poderia descobrir e querer prender ou levar ela ou algo assim. (Louis)
Ainda bem que não entregou Julinha para essa paranóica. (Dionísio)
2003
Tarde. Derik chega com algumas folhas. Entrega para Fábio.
Internet? (Fábio)
Sempre. (Derik)
Agora temos que ver se Kat reconhece as fotos. (Fábio)
E Zenon. (Derik)
Olhos na escada.
Pode vir, Valquíria. (Fábio)
Valquíria desce. Vai até Fábio. Olha para as folhas. Fábio entrega as folhas a Valquíria.
Fotos... (Valquíria)
São vocês? (Fábio)
Sim. Posso ficar? (Valquíria)
Precisamos do texto para... (Derik)
Pode. (Fábio)
Valquíria sorri e sobe. Derik encara Fábio.
Qual é, podemos perguntar tudo que quisermos para ela! (Fábio)
E se mentir? (Derik)
Eu saberei. E não creio que vá mentir. E a gente pode imprimir de novo. (Fábio)
Bom, eu li o que tava escrito. A primeira notícia era que Louis salvou Valquíria quando quem gerou morreu em trabalho de parto. A segunda é da acusação de sedução de menor por Ludmila, há um ano atrás. (Derik)
Só comecei a fazer algo com Valquíria quando ela quis. (Louis)
Derik e Fábio olham para Louis. Zenon e Beatrice entram.
Não era você quem tinha achado loucura tirar Valquíria do hospício? (Derik)
Louis franze a sobrancelha.
Hospício??? (Louis)
Tá lá em cima agora, tá bem. (Derik)
Louis sobe correndo.
Tem mesmo os mesmos poderes de Kat. (Bea)
Se fingiu de morto e fomos como dois patetas ao necrotério, já pensando no que diríamos para Valquíria. E de repente, o presunto se levanta... "Vocês vieram me buscar?". (Zenon)
Por que não usou isso antes? (Fábio)
Katerine ligou na cadeia e falou com Louis. Ensinou o truque. (Bea)
Zenon aponta para cima.
Se tivéssemos comprado o caixão, ia ter que usar de cama! (Zenon)
Zenon, Michele está te chamando para treinar ela. (Alan)
Bom, agora vamos falar com Louis, ver se teve algum sonho a respeito de Ludmila. (Derik)
Não era o cara que tava preso? Deixa que eu falo com ele... (Alan)
Alan vai na direção da escada mas Fábio puxa de volta. Alan olha para Fábio, tenta ir de novo, mas de novo Fábio puxa.
Tá me achando gordo? Acha que preciso de exercício? (Alan)
Eles ficaram separados um ano, não rola deixar a sós por um instante, matando a saudade? (Fábio)
Mesmo porque, acho que até sei como estão "matando a saudade". (Zenon)
Alan sorri.
Como você... (Alan)
Alan desfaz o sorriso.
Audição. (Alan)
Olha para cima. Balança a cabeça para os lados.
Ok. Michele então. (Alan)
Zenon pega a capa e sai. Alan vai também.
Me lembra de nunca trepar perto de você... (Alan)
Fábio balança a cabeça para os lados.
Beatrice senta no sofá.
Já limparam a casa? (Bea)
Já. (Derik)
Quer dizer que não temos mais o que fazer? (Bea)
De certa forma, sim. (Fábio)
Com licença... (Hector)
Esqueceu algum detalhe? (Fábio)
Você é...? (Bea)
Hector. É amizade de... (Fábio)
Na verdade, sou irmão da garota. (Hector)
Não disse isso. (Fábio)
Fomos criados separados. Conheci através dele, então descobri porque meu pai tinha abandonado a minha mãe. (Hector)
Não fala os nomes... (Bea)
Prefiro não falar nomes de mortos. Se puderem não dizer também, eu agradeceria muito. Mas vim falar com você. Convidar para sair, se quiser. (Hector)
Tenho algum trabalho para fazer aqui. (Fábio)
Hector olha para o chão.
Foi o fora mais educado que já tomei. (Hector)
Não é fora, é que não tô com espírito para sair e me divertir, minha amiga desse jeito, com Ludmila... (Fábio)
Faz quanto tempo? (Hector)
Do começo do mês. (Fábio)
Então é melhor serem rápidos. Ludmila leva pouquíssimo tempo para acabar com suas vítimas. Aliás, deve estar usando outra também, ou sua amiga já teria ido embora. (Hector)
Anoitecer. Casa de Ludmila. Mel está na cama, dormindo. Ludmila chega. Mel se levanta. Ludmila vai até Mel e beija.
Você é bem resistente. Tive que largar as outras mulheres sempre muito rapidamente, para que não causasse danos. (Ludmila)
Do jeito que eu como... (Mel)
Mesmo comendo muito. Ninguém tem tanta resistência assim. (Ludmila)
Mel mostra a mão esquerda para Ludmila.
Atlante. (Mel)
Que quer dizer isso? (Ludmila)
Ludmila coloca o dedo na frente dos lábios de Mel.
Não. Deixe-me pesquisar. (Ludmila)
Talvez não encontre. (Mel)
Sempre encontro o que quero. (Ludmila)
Ludmila beija Mel de novo. Beija-lhe o pescoço.
Noite. MEAK. Louis está na cama, deitou-se com a cabeça no tórax de Valquíria. Valquíria se senta mais para trás e Louis se senta.
Temos que pegar Ludmila. (Valquíria)
Ela tá com uma amiga deles. Estão atrás dela. (Louis)
Não teve mais nenhum sonho? (Valquíria)
Não. Desde o começo do ano que não tenho. (Louis)
Batem na porta. Louis e Valquíria se levantam. Se vestem.
Entre. (Louis)
Kat abre a porta.
Temos um problema. (Kat)
Como assim? (Louis)
Vocês têm vínculos por aqui? Ou poderiam se adaptar a outro lugar? (Kat)
Por que está dizendo isso? (Louis)
Eu tenho sonhos e você também. Vim de outra Realidade, em cada Realidade tem um número equilibrado de videntes, então eu desequilibrei isso. Mas não posso sair daqui. (Kat)
Talvez possamos encontrar outro vidente que possa ir. (Louis)
Valquíria pega no braço de Louis. Louis olha para Valquíria, então para Kat.
Pode nos deixar a sós um minuto? (Louis)
Claro. (Kat)
Kat sai. Valquíria solta o braço de Louis. Louis vira para Valquíria.
Acho que devemos ir. (Valquíria)
Mas... (Louis)
Sou fugitiva de um hospício, você está legalmente morto, não é mais nosso lugar. (Valquíria)
E Dionísio? (Louis)
Ele vai saber se virar. (Valquíria)
Somos a família dele. (Louis)
Ele vive no mundo, andando por aí, não vai ligar se formos. Tem mais gente. Só saber onde estamos é o que quer. (Valquíria)
Mas vai ser diferente. Vamos para outra Realidade. (Louis)
Podemos até levar ele. (Valquíria)
Pode ser. Kat! (Louis)
Sim? (Kat)
Podemos levar mais alguém? (Louis)
Kat entra no quarto.
Na verdade, precisamos juntar seis pessoas. (Kat)
Então tá. Vamos resolver o problema com Ludmila e depois equilibramos isso. (Louis)
Michele entra no quarto de Miguel. Olha para a câmera: apagada. Começa a mexer nas coisas. Acha uma gaveta com cadernos diversos. Folheia alguns. Para em um que está incompleto. Começa a ler.
MEAK. Recepção.
Tudo que precisamos é juntar provas. (Fábio)
Provas do que? (Michele)
Todo mundo olha para Michele. Tem lágrimas nos olhos.
Se for contra Ludmila, tô dentro. (Michele)
Que aconteceu?! (Zenon)
Lembra que eu disse que meu pai escondia um caderno que tinha sido achado perto da minha mãe quando ela morreu? (Michele)
Sim. (Zenon)
Minha mãe se matou. (Michele)
Michele... (Alan)
Ela se separou do meu pai e foi morar com Ludmila. Então Ludmila descobriu um feitiço para ficar sempre jovem. Minha mãe não concordou com isso. Mas minha mãe tava grávida e meu pai não sabia. Ludmila se vingou contando isso pro meu pai, e meu pai me tirou da minha mãe, só deixou ela ficar comigo quando aceitou ficar com ele também. Depois que se cansou, convenceu ela de que era uma má influência por ser lésbica... (Michele)
Eu sabia que era bruxaria! (Alan)
Não, você disse que ela não era humana. (Fábio)
Kash, Yads e Wige aparecem.
Tem algum problema? (Derik)
Temos que levar agora, aceitou? (Kash)
Vocês que vão levar? Não precisam do templo? (Kat)
Katerine... (Wige)
Sim, aceitou, mas... (Kat)
Bom, acho que já têm qualquer informação que queiram, mas... (Louis)
Louis desaparece.
Sinto muito, precisamos urgentemente. (Yads)
Ei! (Valquíria)
Valquíria também desaparece. Depois Kash, Yads e Wige.
Perdemos dois soldados. (Alan)
Só impressão ou a informação que a gente precisava evaporou? (Fábio)
Zenon olha para Kat.
Pode explicar o que acabou de acontecer? (Zenon)
Causei um desequilíbrio vindo com os sonhos para cá. Tinha que desfazer a bagunça, poderia trazer muitos problemas. (Kat)
Vocês não ligam, né? Sou apenas uma garota fútil que por acaso teve um passado nobre... (Michele)
Permita-me fazer uma correção, mas Lish, ou melhor, você, no começo de sua vida, era bem pior... (Alan)
Zenon encara Alan. Vai até Michele e abraça.
Não quero voltar pr’aquela casa... (Michele)
Teatro... (Estela)
Michele olha para Estela.
Não, dessa vez é verdade. (Derik)
Estela e Michele olham para Derik.
Eu fui procurar o caderno porque Ludmila voltou... Eu sabia que meu pai não gostava dela, eu só... Era estranho, ela me tratava diferente das outras garotas... (Michele)
Tem quartos vagos lá em cima, se... (Derik)
Posso mesmo? (Michele)
Derik sobe. Michele vai atrás.
Estela, quando Derik voltar, vocês procuram na biblioteca uma forma de desfazer o que Ludmila fez. Alan e Kat distraem Melody, eu, Fábio e Beatrice pegamos Ludmila. (Zenon)
Posso lutar com Ludmila! (Kat)
É, mas eu não posso com Melody e ela me esfola três vezes se eu te deixar contra Ludmila. (Zenon)
Estela! (Rob)
Rob? (Estela)
Ela morreu! (Rob)
Ih, meu Deus, essa é a noite dos desastres! (Alan)
Vem comigo, Rob... (Estela)
Estela e Rob sobem.
Acho que vamos ter que deixar o trabalho para amanhã. (Zenon)
Tarde. Fábio e Beatrice chegam na casa de Janaína. Bea bate na porta do quarto.
Jana, estou com problemas... Rob, que ajudamos uma vez, precisa de ajuda, de um lugar pra ficar... (Bea)
Janaína? (Fábio)
Beatrice olha para Fábio. Derruba a porta. Encontram Janaína no chão.
MEAK. Janaína acorda. Está no quarto. Fábio e Alan estão em pé. Fábio está na porta, olhando para fora. Alan na janela.
Que eu tô fazendo aqui? (Janaína)
Você tava desmaiada... (Alan)
Ond’é que ela tá? (Janaína)
Ludmila? (Fábio)
Sim. (Janaína)
Bem que Hector disse... (Fábio)
Que Hector? (Janaína)
Por que tá com ela??? (Alan)
Não tô com ela! Somos só amigas... (Janaína)
Odeio ouvir esse tipo de desculpa, mas acho que parece pior quando o "amigo" sou eu. (Fábio)
Não sou lésbica! (Janaína)
Alan, me dá licença? (Fábio)
Por quê??? (Alan)
Alan... (Fábio)
Alan sai. Fábio se aproxima e se senta na cama.
Não precisa se sentir um monstro com isso. (Fábio)
Mas eu não sou! (Janaína)
Tá. Não vou espalhar isso, mas sei que estava tendo um caso com ela. Ela roubou suas energias, como está fazendo com Mel. (Fábio)
Jamais faria isso! (Janaína)
Sei que pode estar gostando dela, mas Ludmila fez uma bruxaria sim. (Fábio)
Ela não me trairia! (Janaína)
É difícil entender... (Fábio)
Não ficaria com Mel! (Janaína)
Fábio levanta.
Não tô ouvindo isso, o problema então é ela transar com outra, não te matar??? (Fábio)
Janaína olha para baixo.
As duas coisas. (Janaína)
Não importa, assim que descobrirmos... (Fábio)
Derik e Estela acharam. (Bea)
MEAK. Sala.
Vão ter que matar ela??? (Janaína)
Sim. (Derik)
Por quê??? (Janaína)
Para que a energia que ainda não gastou vá pras que ela deixou em coma. (Estela)
Kat e Zenon, cadê? (Fábio)
Foram dar uma olhada em Mel. (Bea)
Também, se estiver com Mel, que morra mesmo! (Janaína)
Janaína sai. Fábio e Alan se entreolham. Seguem Janaína.
Aonde vai? (Fábio)
Pra casa. (Janaína)
Ah, não, quem garante que não vai avisar Ludmila?! Nem pensar que vai sair daqui! (Alan)
Ela tá falando a verdade. Mas não prefere ficar aqui? (Fábio)
Não. Vou pra casa. (Janaína)
Janaína segue pela ponte.
Disse isso para ela ficar? (Alan)
Não, Alan, tava realmente falando a verdade. (Fábio)
Fábio volta para dentro.
Tá vendo, quando penso vocês não pensam no mesmo, assim não dá! (Alan)
Alan volta também.
E aí, qual vai ser a arma? (Fábio)
Precisamos da espada que Ludmila usou para fazer o feitiço. (Derik)
Aí dificulta. (Fábio)
Por que não ligamos para Zenon e Kat, para eles pegarem? Já não estão por lá mesmo? (Alan)
Assim que o telefone tocar, pedimos para entregarem pra Ludmila, que vai estar na frente deles, e pedimos direto para ela a espada. Quem sabe ela não nos poupa o trabalho e faz o favor de enfiar a espada nela mesma? (Fábio)
Estela e Derik já fizeram o trabalho. Agora eu e Kat distraímos Mel e você, Zenon e Beatrice pegam Ludmila. (Alan)
Ele gravou o que eu disse ou é só impressão minha? (Zenon)
Virou papagaio agora? (Kat)
Mudou o quadro. Precisamos de uma espada que deve estar com Ludmila. (Bea)
Vamos lá e pegamos. (Zenon)
Todo mundo encara Zenon.
Não acham simples? Afinal, depois é só enfiar nela, temos que matar na mesma hora, e daí se perceber? (Zenon)
Também podíamos pegar ela e torturar até que... (Alan)
Que horror, nem parece que sou eu quem tem um passado ruim! (Zenon)
Está com pena de alguém que sugou a vida de tantas garotas? (Alan)
Não precisamos nos sujar. Eu ao menos não quero fazer isso. (Zenon)
Não existe detector para achar a espada? (Kat)
Acho que não... (Estela)
Ludmila tem que refazer o ritual na mesma data. Deve ter a data nos diários que Michele achou. (Derik)
Perguntamos para Michele! (Alan)
Tá falando da garota chorando lá em cima? (Zenon)
Ah, ela ainda tá aí? Que bom, assim... (Alan)
Mas você às vezes parece que não tem sentimento mesmo, né? (Estela)
Não podemos esperar. (Fábio)
Você também??? (Estela)
Estou falando de esperar qualquer data. (Fábio)
Fábio tem razão. Mel está com Ludmila, não sabemos até quando suporta. Estela e Derik, vocês ficam aqui, com livros e telefone livre para qualquer assistência que a gente precise. (Zenon)
Tudo bem. (Derik)
Kat e Alan... (Zenon)
Distraímos Mel, você já disse o que precisava. (Alan)
Não, vocês procuram a espada, Fábio dá um jeito em Mel. (Zenon)
E se Ludmila tiver botado alguma coisa que faça Mel tentar... Você sabe... (Fábio)
Nesse caso, continua tendo que ser você. Consegue não dar isso. Não sei se sou tão resistente. (Zenon)
Nós pegamos Ludmila? (Bea)
Pode apostar nisso. (Zenon)
Tá. Onde Ludmila mora? (Kat)
Silêncio.
Posso ir até a escola. (Alan)
Não sabemos como entrar no computador. (Zenon)
Mas toda vez que penso em pular o muro, Jessé aparece. (Alan)
Não adianta lavar o carro para fazer chover. Temos o endereço de Jessé. (Bea)
E o de Janaína. (Derik)
Teríamos que ir até Ares. (Kat)
Ou Derik pode voar até lá. (Estela)
Até ele explicar de onde veio o poder, Mel já era. (Fábio)
Beleno entra, com Inês no colo.
Alete sumiu. (Beleno)
Todo mundo olha para Beleno. Derik pega Inês.
Não tinha instinto para cuidar dela? (Alan)
Ache Mel e cuidamos disso para você. (Zenon)
Achar Mel nas Ilhas? Estão me pedindo isso? (Beleno)
Se não quiser... (Bea)
Tá brincando, acha que prefiro cuidar de uma criança que achar Mel? E ainda só nas Ilhas?! (Beleno)
Beleno ri e sai.
Beleno entra na sala. Entrega um papel para Zenon.
Vai logo que tô com fome e tá começando a parecer apetitoso. (Beleno)
Preferia que dissesse isso para Beatrice. (Zenon)
Estou ameaçando deixar só seus ossos e ainda se preocupa com sua masculinidade?! (Beleno)
Não era isso... Nossa... Você mudou... (Zenon)
Apetitoso. Você. Sai. (Beleno)
Zenon sai. Fábio, Bea, Alan e Kat seguem Zenon.
Ei, meu acordo... (Beleno)
Não se preocupe, eu e Estela ficamos. (Derik)
Que bom. Posso dormir lá em cima? (Beleno)
Derik encara Beleno.
Casa de Ludmila. Mel acorda. Senta-se na cama. Fábio está na porta.
Ludmila foi comprar comida? (Fábio)
Nossa, faz tempo que não nos vemos. (Mel)
Por que você só dá atenção pra sua nova amante. (Fábio)
Kat e Alan estão na cozinha, mexendo nos armários e paredes. Zenon e Beatrice estão no jardim.
A gente podia pedir o carro de Douglas ou o do cemitério. Assim a gente ficaria dentro e não precisaria enfrentar logo de cara. E também a gente não ia ficar tão em evidência. (Bea)
É só atacar. Pra isso servem os instintos. (Zenon)
Mas a gente ia ficar mais... (Bea)
Vocês mulheres. Sempre com medo. (Zenon)
Quê??? (Bea)
Não tem problema, eu te protejo. (Zenon)
E você acha que eu preciso de cavalheiro de armadura brilhante??? (Bea)
Ah, não, você eu sei de que arma dura gosta... (Zenon)
Vai a merda! (Bea)
Não se faz de santa, vai... (Zenon)
Zenon toma com uma flecha no estômago. Cai no chão. Beatrice olha para Ludmila.
Não se fala assim com uma mulher. (Ludmila)
Tô começando a gostar de você! (Bea)
Posso matar, se quiser. (Ludmila)
Isso só provaria que Zenon venceu. Nem acredito que cheguei a querer alguma coisa! (Bea)
E o que estão fazendo aqui? (Ludmila)
Viemos falar com Mel. Mas acho que tá dormindo. (Bea)
Você gosta dela, não gosta? (Ludmila)
Claro, quem não gostaria? (Bea)
Michele. (Ludmila)
Essa ainda tá iludida com trastes. Você liga para a opinião de Michele? (Bea)
Kat aparece na porta, correndo. Alan vem atrás.
Beatrice! (Kat)
Beatrice olha para a porta. Kat joga um punhal. Beatrice enfia o punhal em Ludmila. Ludmila dá um passo para trás. Coloca a mão no punhal. Ri. Arranca o punhal.
Achou mesmo que seria tão fácil? (Ludmila)
Acho que vamos ter que ligar para casa... (Bea)
Sabe que vocês me fazem um belo serviço? Não quero vocês mortos. Porque, depois de aguentar um de vocês, elas vêm correndo pra mim, me implorando pra eu tirar delas essa vida de merda que é ser mulher nessa sociedade! Quem vai se importar de morrer, se puder ser bem tratada por ao menos um tempinho antes? (Ludmila)
Ludmila grita, curvando o corpo para a frente. Cai de joelhos.
Ninguém devia precisar dar a vida por esmola emocional. Principalmente quem já se fode de tudo que é lado. (Mel)
O corpo de Ludmila se deteriora. Ficam os ossos. Hospital. Hector anda no corredor. Olha para dentro de um quarto. Duas pessoas abraçam uma, que está na cama, sentou-se. Hector corre para um dos quartos. Uma pessoa se senta na cama. Hector vai até a cama e abraça a pessoa. Na casa de Ludmila, Mel olha para os ossos no chão.
Ao menos não fedeu. (Kat)
E não vai feder nunca mais. (Bea)
Mas como... (Alan)
Estava com Mel o tempo todo. (Fábio)
Acham mesmo que não pegaria isso na primeira oportunidade? Por que não vieram logo falar comigo? (Mel)
Você era a vítima. O que me lembra, uma flecha no meu estômago não estava no plano... (Zenon)
Mel vai até Zenon e arranca a flecha. Beatrice ajuda Zenon a se levantar.
Domingo. Sol a pino. Fábio e Mel estão na sala.
Então, vamos mesmo? (Fábio)
Não é meu lugar aqui. (Mel)
Mas disse que íamos voltar... (Fábio)
No espaço e no tempo. Acho que vamos voltar, mas não vai ser de imediato, mesmo encontrando rápido quem preciso encontrar. Preciso deixar Kat crescer. (Mel)
Tá. Mas quem vai junto? (Fábio)
Angely entra. Edmont atrás, com capuz.
Pode tirar isso aqui dentro. (Mel)
Já vamos sair mesmo. (Edmont)
Fábio olha para Mel.
"Vamos"?! (Fábio)
Nem olha para mim, eu não falei nada! (Mel)
Não acha que deixaríamos você ir sem a gente, acha? (Edmont)
Nós viemos pedir pra ir junto. (Ang)
Tanto faz. (Edmont)
Tudo bem, precisamos só de mais uma pessoa assim. (Mel)
Mas não são seis pessoas? (Fábio)
Rob pediu para ir, está sem família agora. A pessoa que tinha sobrado da família parece que tava doente. (Mel)
Posso ir? (Trinity)
Legal, tá completo! Vamos? (Edmont)
Por que quer ir? Nem sabe para onde vamos... (Mel)
Estão falando em seis. A pessoa que eu amo nunca vai assumir. Se for para sair desta Realidade, eu aceito qualquer lugar que vocês escolham. (Trinity)
Quem vai embora? (Kat)
Katerine, eu queria mesmo falar com você. (Mel)
Kat olha ao redor. Olha para Mel.
Ia ser a última pessoa a saber? (Kat)
Na verdade, ninguém sabia. Mel está pensando em voltar a Realidade original de vocês. Disse que precisa me treinar. (Fábio)
Kat olha para baixo.
Vocês me traíram. (Kat)
Tá triste comigo? (Edmont)
Kat olha para Edmont.
Não ligo pra você. Pode ir pro inferno se quiser. (Kat)
Ang se aproxima de Kat.
Mel não faria isso. Teve a idéia há pouco tempo. Daí apareceu Ludmila. (Ang)
Kat abraça Ang.
Por que vão me deixar?! (Kat)
Não vamos. A gente volta. Você e eu precisamos disso. (Mel)
Ang afasta Kat, que vai até Mel e abraça.
A gente já não ficou tempo demais longe? (Kat)
Mel afasta Kat. Limpa as lágrimas nos olhos de Kat. Dá um beijo em sua testa. Kat olha para Fábio. Vai até Fábio e abraça.
Mel vai cuidar bem de você. (Kat)
Zenon, Beatrice, Derik, Estela e Alan chegam. Kat se afasta de Fábio.
E meu abraço? (Edmont)
Parece uma despedida. (Zenon)
Trinity respira fundo.
Nós iremos para outra Realidade. Mel vai treinar Fábio. (Trinity)
Pro que? (Alan)
Fábio é atlante. Mel quer ensinar a Fábio o que isso significa. (Ang)
Tá fazendo umas afirmações que não tô gostando. (Mel)
Angely baixa a cabeça.
Foi Edmont que ficou te espionando, não eu. (Ang)
E vão assim? (Michele)
Já estão indo??? (Rob)
Não, Rob, não se preocupe, não vamos sem você. (Edmont)
Por que eu não posso ir? Quer dizer, eu também não... (Kat)
Porque alguém tem que botar ordem nessa zona. (Edmont)
Todo mundo olha para Edmont.
Fui só eu que notei? (Edmont)
Melhor irem agora, então. (Kat)
Nossa, achei que você fosse a última criatura a nos expulsar assim! (Edmont)
Você eu expulsaria de bom grado. (Kat)
Kat olha para Mel.
Quanto mais cedo forem, mais cedo voltam. E daqui a pouco, posso ter alguma idéia para amarrar vocês aqui! Vão! (Kat)
Mel abraça Kat. Inês entra correndo na sala e vai para o colo de Angely. Dá um beijo no rosto.
Boa viagem, papai. (Inês)
Inês... Oi. (Beleno)
Eu... (Ang)
Vai viajar. Inês saiu correndo dizendo isso. Eu... (Beleno)
Cresceu Inês porque estava atrapalhando suas festinhas com Alete. (Edmont)
Vamos indo, gente? Antes que Edmont continue com seus belos comentários. (Mel)
Está acelerando isso por mim? Vou chorar. (Edmont)
Zenon, você é a pessoa com mais idade aqui. Vou confiar em você. (Mel)
Podexá. (Zenon)
Mel, Fábio, Edmont, Angely, Trinity e Rob saem. Edmont volta. Puxa Kat e dá um beijo. Solta Kat. Kat limpa a boca.
Seu animal! (Kat)
Edmont sorri. Sai. Mel encara Edmont. Edmont segue andando na frente. Mel e Fábio em seguida. Rob e Trinity depois. Angely segue andando atrás.
Noite. Outro templo. Fábio está com a cabeça no colo de Angely, dormindo. Rob deitou-se perto de Fábio. Trinity perto de Mel. Edmont está do lado de fora, olhando o céu.
Insônia? (Edmont)
Talvez... (Ang)
Também não tô com sono. (Edmont)
E no que isso me interessa? (Ang)
Só porque vim aqui a pedido de Mel, não quer dizer que não possamos conversar. (Edmont)
Estaria se referindo a sua vinda a Terra e seu falso pedido de desculpas quando chegou? (Ang)
Pra você ver como eu já fazia bem isso desde criança. Mas não é das minhas mentiras que quero falar. (Edmont)
Vergonha? (Ang)
Nem um pouco. Mas eu tava mesmo pensando em Mel e Kat. (Edmont)
Jurou por Modret deixar em paz e não cumpriu. (Ang)
De que fala? (Edmont)
De quando raptou Katerine pra conseguir Inês. (Ang)
Sabe que eu não faria nada realmente com Katerine. É de outra coisa que eu quero falar. (Edmont)
Do que? (Ang)
A gente tá nesse equilíbrio estranho. Essa coisa que parece que vai explodir a qualquer momento. (Edmont)
E daí? (Ang)
A distância entre a gente. Foi o que nos tornou diferentes. (Edmont)
Mel e Kat não são a gente. (Ang)
Será? (Edmont)
Kat acorda.
Algum tempo, algum lugar
Mel e Kat? (Xien)
Por que não? (Uehfo)
Eu sei que... Bom, Angely e Edmont... (Xien)
Dividiram o mesmo útero. Como Mel e a pessoa que nunca nasceu. (Uehfo)
Pera... (Xien)
Uehfo some. Xien olha ao redor.
Pera é um pedido educado de esperar! Ô! (Xien)

Resumo do Capítulo

Melody contrata Ludmila para substituir Angely na escola. As outras pessoas ficam em silêncio. Michele tenta falar com Mel, mas Ludmila interrompe. Michele tenta falar com as outras pessoas, mas ninguém dá ouvidos. Melody e Ludmila passam a ter algo, e as pessoas percebem que Mel está comendo demais. Fábio reclama que Mel não fala mais consigo. Alan avisa as pessoas. Decidem tentar pegar o endereço de Jessé, que trabalha com Mel, na escola. Jessé diz que Ludmila não é flor que se cheire, e que mandou duas pessoas uma para cadeia, outra para hospício, da outra vez que esteve na escola. E que trata mulheres melhor que homens, mas, mesmo com o tratamento melhor, dessa vez as mulheres também não estão ficando perto de Ludmila. Michele conta a Beatrice que Ludmila deixou garotas em coma. Beatrice vai atrás de quem foi para o hospício, Zenon de quem foi para a cadeia, Fábio e Alan das pessoas que ficaram em coma. Kat vê em sonho Louis, uma criança com os mesmos poderes de premonição. A criança está em um orfanato, e guia pessoas para adotarem crianças. Vê em um sonho que um casal iria ter outra criança, de nome Valquíria, e decide ir com o casal. Zenon encontra a mesma pessoa, mas crescida, na cadeia. Louis pergunta de Valquíria. Na infância, Louis sabia já cozinhar, e fez o jantar do casal que lhe adotou, com afrodisíaco. Fábio e Alan vão à delegacia, uma pessoa adiciona um nome a lista de namorados largados. Diz que se matou, mas morava com alguém. Fábio e Alan vão falar com Hector. Hector diz que o amigo deve ter sido convencido a se matar. Beatrice tira Valquíria do hospício. Se reunem. Kat percebe que sonhou com a mesma pessoa que está na cadeia. No passado, o casal que adotou Louis morre. Dionísio ajuda Louis com o parto, a mãe cismou que a criança é resultado de feitiço, e não quis ir a um hospital. Beatrice e Zenon vão a prisão porque receberam uma ligação dizendo que Louis morreu, mas at ligara e ensinara o truque de parecer que morreu. Hector tenta sair com Fábio. Fábio nega. Hector avisa que é bom agirem rápido, que Mel está em perigo. Mel diz a Ludmila que é atlante, por isso resiste. Louis e Valquíria falam em pegar Ludmila. Louis diz que não sonha nada desde o começo do ano. Kat diz a Louis que desequilibrou as coisas vindo, mas que não pode ir. Valquíria pede a Louis para irem. Louis fala em Dionísio. Perguntam a Kat se podem levar outra pessoa. Kat diz que precisam ser 6 pessoas. Michele acha um diário da mãe, descobre que estava com Ludmila, mas não aceitou quando Ludmila achou o feitiço. Ludmila então contou ao pai de Michele da gravidez. O pai chantageou a mãe, fazendo ela ficar consigo. Quando perdeu o interesse, convenceu a mãe de que ela era má influência. A mãe acabou se matando. Kyw leva Louis e Valquíria embora. Michele procurou o caderno da mãe porque sabia que o pai não gostava de Ludmila. Rob chega e diz que a pessoa com quem estava morando, mãe de Henrique, morreu. Beatrice e Fábio vão falar com Janaína, e encontram inconsciente. Derik e Estela acham o feitiço. Precisam matar Ludmila, para a energia que não gastou voltar a quem deve. Beleno acha Mel. Acham um punhal. Beatrice crava em Ludmila, mas era errado. Ludmila se gaba, dizendo que as mulheres não ligam de morrer, se puderem ser tratadas bem por um tempo antes. Mel crava o certo em Ludmila. Diz que mulher nenhuma devia precisar dar a vida por esmola emocional. Fábio diz que o punhal estava com Mel. Mel pergunta porque não falaram consigo antes. Mel decide ir para outra Realidade com Fábio. Rob pede para ir, por estar só. Trinity também. Angely e Edmont vão junto. Kat sonha com uma conversa de Angely e Edmont, que Edmont questiona se a separação não vai fazer com Mel e Kat o que fez com Edmont e Angely.

Dara Keon