Efêmero
MEAK
B13

Efêmero ler resumo

Anoitecer. Beatrice está no sofá e Zenon está no colo de Beatrice.
Você não é má. (Zenon)
Agora eu sei disso. Mas quando acordei, logo no primeiro dia, Elian perguntou se eu tinha mesmo gostado da minha primeira vez. Disse que mulheres geralmente não gostam, ainda mais do jeito que foi. (Bea)
Ele te agarrou a força? (Zenon)
Beatrice olha para o vazio.
Disse que eu agia como criança trancando as portas, passei a agir como tal. Eu disse que agia como um animal derrubando as portas. Aderiu a minha lógica. (Bea)
Zenon franze a sobrancelha.
Mas você... gostou? (Zenon)
Eu entrei na coisa. Gostei de Elian me segurando, não sei o que tem em mim. Depois me disse que nenhuma mulher gostava disso. A partir desse momento passei a acreditar que eu era mesmo cria do inferno, que tinha que ser ruim. Durou algum tempo. Quando conheci Edmont, percebi que não queria ser assim. De repente não tinha mais graça ver pessoas gritando, correndo... (Bea)
Você tem salvação, pelo menos se arrependeu rápido, eu... (Zenon)
Zenon levanta bruscamente do sofá. Beatrice vai um pouco para trás, olhando para Zenon, franzindo a sobrancelha.
O que você tá fazendo aqui??? (Zenon)
Beatrice olha para a porta.
Acredita que levou 26 anos pra alguém encontrar meu corpo e enterrar? Só aí eu pude acordar... Mas isso foi compensado. Havia alguém no cemitério. Tinha um sangue doce como... (Guilherme)
Não respondeu minha pergunta. (Zenon)
Não nos vemos a tanto tempo e me recebe assim, com pedras? (Guilherme)
Devia ter continuado naquele poço. (Zenon)
Guilherme dá passos em direção a Zenon.
Quando acordei e saí, percebi que meu corpo não queimaria no sol nem se desfaria por uma estaca enquanto eu não mandasse uma alma pra seu destino. Mas minha sede era tanta que nem pude aproveitar. (Guilherme)
Ainda não respondeu. (Zenon)
Deixou meu pai me colocar naquele buraco, junto com a minha madrasta, viva e grávida. Aliás, até hoje não sei se era meu irmão ou meu filho. Sabe, eu aprendi cedo que vampiros não respiram. Enquanto ela morria sem ar, eu percebi que eu continuava ali, mas sem poder mover um músculo. Bom, mas isso são águas passadas e, como dizem, não movem moinhos. (Guilherme)
Vou te dar uma chance de ir embora. (Zenon)
Temos muito em comum. Você também seduzia donzelas. (Guilherme)
Não as fazia crer que era o diabo pra não me dedurarem. (Zenon)
Também dormia com sua madrasta. (Guilherme)
Não torturava ela com isso. (Zenon)
E também causou a morte dela. (Guilherme)
Não foi enfurnada viva, nem estava grávida, muito menos de filho meu. (Zenon)
Isso mesmo. Eu não tive culpa. Você causou diretamente a morte da sua. Aliás, a da sua e a da minha. (Guilherme)
Já não faço mais isso. Não mato mais pessoas. (Zenon)
Todos merecemos morrer. As pessoas boas vão pro céu e as más, bom... (Guilherme)
Mas nós não temos o direito de decidir isso. (Zenon)
Então vamos todos pro inferno, afinal precisamos nos alimentar. (Guilherme)
Nós escolhemos isso. (Zenon)
Não falo só de vampiros. Ninguém se alimenta de água e pedras. (Guilherme)
Os vampiros vão todos pro inferno. (Zenon)
Beatrice olha para Zenon. Zenon continua olhando para Guilherme.
Claro. Uma pessoa boa não escolhe ser vampiro. Ela sabe que vai pro céu e, se pensa que vai pro inferno, acha isso justo. Não é matar que nos manda pro inferno, e sim a cobiça pela vida eterna, a vaidade de sermos sempre jovens. Mas tanto eu quanto você sabemos que, se formos julgados pela crueldade, eu serei absolvido. Já você... (Guilherme)
Beatrice olha para Guilherme.
Não apresenta sua amiga? Acho que ela gostou de mim. (Guilherme)
Beatrice olha para o chão. Sobe correndo as escadas. Entra no quarto, deita na cama, enfia a cara no travesseiro. Zenon entra.
Que foi??? Você já conhece ele??? (Zenon)
Beatrice se vira.
Sai daqui! (Bea)
Eu? Bea... (Zenon)
Beatrice se senta, pega o móvel de cabeceira, joga contra Zenon. Zenon sai da frente e o móvel acerta a parede do corredor.
Sai! (Bea)
Zenon sai. Desce as escadas. Chega a sala. Ninguém.
Droga. (Zenon)
Que foi? (Kat)
Alguma coisa que eu disse... Viu um cara? (Zenon)
Kat franze a sobrancelha.
Um monte durante a minha vida. (Kat)
Não, um cara aqui, agora! (Zenon)
Kat desfranze.
Não. Mas vi uma coisa em um sonho meu. (Kat)
Eu sabia, ele está aprontando! Ele deixa rosas no ventre das mulheres... (Zenon)
Quem? (Kat)
Esse cara de quem tá falando! (Zenon)
Na verdade, quem estou falando deixa corpos estraçalhados. (Kat)
Ah. Talvez ele tenha mudado de tática. (Zenon)
Que seja. Tá nas Ilhas, faz as coisas de noite, mas precisamos ver nos livros o que é. Se não for quem falou, claro, porque, se for, você já sabe o que é. (Kat)
Um vampiro. (Zenon)
Tá, então não estamos falando da mesma coisa. (Kat)
Tem certeza? (Zenon)
Kat cruza os braços.
Eu sei o que é vampir. (Kat)
Tá. Vou chamar Alan e Beleno e vamos atrás disso. (Zenon)
Zenon sai. Kat olha para o balcão. Vai até o balcão e pega um envelope. Abre. Convites para uma peça de teatro.
Noite. Alan e Zenon entram. Gosma dos pés à cabeça. Derik trava o rosto. Beleno entra atrás.
Não consigo olha para vocês e não rir. (Beleno)
Também estaria limpinho se tivesse asas pra voar quando o cara explodiu. (Zenon)
Ele estava inchando, mandei correrem. (Beleno)
Vou tomar um banho. (Alan)
Alan sobe. Zenon sobe também.
Quem vai pegar o sabonete? (Beleno)
Hahaha. (Zenon)
Que aconteceu? (Derik)
Kat teve um sonho e fomos atrás. Quem tá cuidando da Inês? (Beleno)
Michele. (Derik)
Quê??? (Beleno)
Brincadeira. Estela tá lá também, mas só porque Inês tá dormindo, com cinco anos, e vocês deixaram a recepção sem ninguém. (Derik)
Vou lá. (Beleno)
Não, fica aqui, eu... (Derik)
Já ficou com ela o dia inteiro, sou irmão dela, sabia??? (Beleno)
Beleno sobe.
Derik, isso é seu? (Kat)
Kat entrega os convites a Derik.
Não. (Derik)
Tem um outro papel... (Kat)
Kat entrega um pedaço de papel.
Parece que foi molhado em algum momento, mas tá em branco. (Kat)
Derik baixa e pega um isqueiro no balcão.
Não sabia que tínhamos isqueiro... (Kat)
Achei em um quarto, nunca voltaram pra buscar. (Derik)
Derik acende e passa o fogo por debaixo do papel, na parte de cima. Aparece escrito Zenon.
Nem vou escurecer o resto, é pra Zenon, melhor não ler. (Derik)
Só viu o nome, pode ser algo sobre Zenon, não para Zenon. (Kat)
De curiosidade... (Derik)
Kat sobe.
Zenon! (Kat)
... morreu o gato. (Derik)
Guilherme entra no teatro. Synt passa o braço dentro de seu braço.
Olha só, Don Juan prestigiando minha peça? (Synt)
Mandou os convites. Como vai Hades? (Guilherme)
Bem. E cadê sua companhia? (Synt)
Descobri alguém que adoraria rever. Daí deixei os convites com ele. Sabe que não ando com companhias. (Guilherme)
Verdade. Mas ainda acaba se matando, de tanto sair com suicidas. (Synt)
Se elas querem morrer, ao menos morrem felizes. (Guilherme)
E quem é que ganhou os convites que você rejeitou? (Synt)
Nem me deu os convites de hoje... (Guilherme)
São os de estréia, no melhor lugar. Hoje só vim para reconhecimento. (Synt)
Não rejeitei. Até vim te pedir outro. Mas não podia deixar de provocar ele. (Guilherme)
Zenon? (Synt)
Quem mais seria? (Guilherme)
Bom, com você provocando, poderia ser metade dos que conheço, isso porque a outra metade não te conhece. Mas como a provocação fui eu... (Synt)
Ficou sabendo que agora ele caça vampiros? (Guilherme)
Synt franze a sobrancelha.
Explique-se. (Synt)
MEAK.
Vai com Derik. (Zenon)
Não gosta de teatro? (Kat)
Não. Eu poderia ir com Beatrice, mas tá com raiva de mim... (Zenon)
Um ótimo jeito de se reconciliarem. (Kat)
Deixo esses de presente pra vocês. Se eu for, vou comprar os convites para nós dois, Bea pode pensar que só não quis jogar os convites fora. (Zenon)
Kat sorri.
Tá. Valeu! (Kat)
Kat abraça Zenon e sai. Zenon sobe. Anda pelo corredor. Para perto do móvel de cabeceira quebrado. Bate na porta.
Entra. (Bea)
Zenon entra no quarto. Beatrice está na cama, sentou-se com os joelhos encolhidos, abraçando-os.
Tá melhor agora? (Zenon)
Ainda estou com vontade de me jogar no sol. (Bea)
Juro que achei que era comigo que queria fazer isso. (Zenon)
Você não acredita no que me disse, né? (Bea)
Do que tá falando? (Zenon)
Disse que eu tenho salvação e, quando a pessoa chegou, mudou isso para "os vampiros vão todos pro inferno". (Bea)
Desculpe. Não falava de você. Falava de mim, dele... (Zenon)
Também fui cruel propositalmente e me arrependi. Se você vai, então... (Bea)
NÃO! Quer dizer... Você não demorou tanto. (Zenon)
Tempo faz diferença? Ainda sim, fiz pessoas sofrerem. (Bea)
Tá. Então vamos pensar que quem tem que julgar isso é Deus. (Zenon)
Beatrice levanta, vai até Zenon e abraça. Zenon abraça de volta, colocando a mão atrás da cabeça de Bea. Beatrice se afasta. Limpa o rosto com as mãos.
Tá, agora seu problema. (Bea)
Que problema? (Zenon)
Sabe Titanic? (Bea)
Sei... (Zenon)
O buraco era menor que o da sua desculpa. (Bea)
Você queria ir? Se eu soubesse... (Zenon)
Bea cruza os braços.
Não é isso. (Bea)
Não sabia que garotas tristes escutavam a conversa das pessoas. (Zenon)
Não foge do assunto. (Bea)
Zenon baixa a cabeça.
Tenho vergonha de falar sobre isso. (Zenon)
Ex? (Bea)
Quê? Ah, não... É alguém do meu passado, mas eu nunca... (Zenon)
Por que? (Bea)
Bom... (Zenon)
1850
Synt chega a um prédio com Abel. Vários corpos esparramados no chão. Abel dá passos para trás.
Droga! (Synt)
Que aconteceu aqui?! (Abel)
Sei que está me seguindo! (Synt)
Ah?! (Abel)
Zenon e Clítia. (Valesca)
Como sabe? (Synt)
Você não quis fazer uma festinha, se ressentiram. (Valesca)
Vão ver a festinha que vou fazer... (Synt)
Synt mostra os dentes e vira para Abel. Abel arregala os olhos.
2003
Bea e Zenon sentaram-se na cama.
E depois? (Bea)
Depois Synt veio atrás da gente. Clítia fugiu. (Zenon)
E você? (Bea)
Perdi... os dentes. (Zenon)
Como assim??? (Bea)
Valesca é vampira de primeira linhagem. Synt é de segunda. Se uma pessoa for transformada pelos dois tipos, vira um monstro! (Zenon)
Bea franze a sobrancelha.
E como Synt consegue controlar? (Bea)
Não nesse sentido. Um monstro em questão de força e outras coisas. Ninguém faz isso porque é poder demais, sobe a cabeça. Aliás, costumam caçar qualquer um que seja criado. Mas o cara é apaixonado por Synt e Synt não é do tipo que quer dominar o mundo, só quer o grupo de teatro. (Zenon)
Então, é só não provocar. Por que mandou o convite? (Bea)
Deve ter sido Guilherme, o cara que esteve aqui. Ele adoraria ver Synt arrancar meus dentes, perdeu a primeira vez. (Zenon)
Dois dias depois. Anoitecer. Sala. Todas as pessoas estão reunidas.
Mel quis liberar os quartos, mas isso não adiantou, nem temos quem venha aqui. Então, já que Mel me deixou no comando, resolvi rearrumar os quartos. Eu com Bea e Kat com Derik, claro. Alan e Estela coloquei no mesmo quarto, afinal convivem desde sempre. Então, Beleno e Michele, vocês ficam juntos. (Zenon)
E eu? (Inês)
Olham para Inês.
Sei que não estou em posição de reclamar, mas... (Michele)
Não, ela não vai ficar no seu quarto só porque está com Beleno. Inês, seu quarto é o que tem banheiro na frente da porta, dificulta o acesso de quem está entrando à cama. (Zenon)
Decidiu os quartos? (Derik)
Para não dar briga. E ficaremos no segundo, não no terceiro andar, fica mais fácil correr. Se quiserem trocar depois e os quatro estiverem de acordo, tudo bem. Do lado do quarto de Inês, Kat e Derik. (Zenon)
Por que não o meu??? (Beleno)
É irmão dela, mas Derik é melhor em cuidar de crianças, se tiver um problema de noite, Derik tem que escutar. (Zenon)
Tenho asas e posso levar Inês voando para o hospital. (Beleno)
Nem sempre uma criança precisa de hospital. A porta de vocês fica na frente da de Estela e Alan, que ficam do lado da escada. Eu e Bea de frente para ela. (Zenon)
Caso alguma coisa suba? (Bea)
Talvez. (Zenon)
E o quarto do canto? (Kat)
Fico com ele, ficou vago! (Beleno)
Guardei caso precisemos abrigar alguém da MEAK. Se algo quiser quem está lá, vai ter que passar por todos nós. (Zenon)
Não, entra pela janela. (Alan)
Pra coisas desse tipo nem temos como planejar. (Zenon)
Mais alguma coisa na reunião? (Beleno)
Sobre o armário. (Derik)
Que armário? (Zenon)
Podemos criar a dimensão armário. Pode abalar a estrutura... (Derik)
E fazer isso cair na nossa cabeça? (Zenon)
Deixa terminar? (Derik)
Fala. (Zenon)
Por isso, eu pensei em fazer uma casinha aí do lado. (Derik)
Se é outra dimensão, porque precisa ter um lugar? (Alan)
Para não termos que fazer ritual toda vez que quisermos abrir. (Derik)
Não seria necessário só uma porta? (Alan)
E como explicamos uma porta pela qual ninguém pode passar e está no meio do jardim? Além do que, precisa de área construída. (Derik)
Tá. Alguém tem algo contra? (Zenon)
Zenon olha para todas as outras pessoas.
Aprovado. (Zenon)
Temos que construir a casinha, com prateleiras de cimento e... (Derik)
Não tá meio exigente? (Zenon)
Seria desleixado fazer menos. (Derik)
Se arranjar dinheiro, tudo bem. (Zenon)
Peço para Janaína. Quer entrar quando fizermos a agência. (Derik)
Sério? (Zenon)
Agora temos que arranjar quem entenda de burocracia. (Kat)
Nem olhem para mim, nunca precisei disso. (Beleno)
Trato disso. (Michele)
Ótimo. (Zenon)
Posso cuidar das coisas, mas quem tem que assinar é outra pessoa. (Bea)
Não necessariamente. Podemos dar um jeito de cadastrar vocês, há um tipo de cadastro para isso. (Alan)
Tá falando da lista negra ou da fila do paredão? (Zenon)
Não, é sério, tem uns e outros que resolvem ajudar e são cadastrados como pessoas comuns. (Alan)
Podemos saber porque não falou disso antes? (Bea)
Não lembrei. (Alan)
Beatrice fica encarregada. (Zenon)
Temos que criar os cargos também. (Estela)
Você e Derik podem organizar isso? (Zenon)
Por mim, tudo bem. (Estela)
Vou cuidar da construção do armário. A dimensão pode ser até sete vezes maior que o tamanho construído. (Derik)
Eu ajudo. (Bea / Michele)
Beatrice e Michele se encaram.
Já estará ajudando Estela com os cargos e a legalização, eu e Michele ajudamos Derik. (Kat)
Eu... (Bea)
Podemos começar agora. Tem mais alguma coisa na reunião? (Estela)
Já resolvemos os quartos, o armário e a legalização da agência. Mais alguma coisa? (Zenon)
Sobre os quartos... (Beleno)
Tá. Encerrado. (Zenon)
Zenon e Beatrice sobem. Kat, Estela, Derik e Michele em seguida. Alan olha para Beleno. Sobe.
Não vai adiantar insistir. (Inês)
Eu me mudo com você. (Beleno)
Inês franze o rosto.
Quero ficar aqui... (Inês)
Tá, tá, tá... Saco. (Beleno)
Quarto de Beatrice. Beatrice joga as roupas em cima da cama. Olha para a porta.
Acha que vou roubar? (Michele)
Não. (Bea)
Não precisa ficar me vetando. (Michele)
Não faria isso por um simples motivo: agora sabe que estar do outro lado não é bom. Foi assim, tomando porrada, que eu me consertei. (Bea)
Noite. Zenon está lutando. Enfia uma estaca em Juno. Zander pega uma lata de lixo e encesta Zenon. Zenon tira a lata. Olha para os lados. Olha para cima. Vê Zander escalando um prédio. Corre e começa a subir também. Chegam ao terraço.
Aí, cara, você não quer me matar... (Zander)
É, e você não ia matar aquele casal. (Zenon)
Exatamente! (Zander)
Zenon revira os olhos.
Tô sendo irônico. (Zenon)
Zander corre. Para, com um pedaço de madeira atravessado no tórax. Desfaz em pó.
Assim nem tem graça. (Zenon)
Como é ser encestado? (Guilherme)
Legal, pague dois e leve três? (Zenon)
Guilherme olha para baixo.
Desculpe, eu sei que pode ficar chateado... Essa não é minha praia. Mas você é um cara legal, vai encontrar alguém, eu sei que vai. (Guilherme)
Já encontrei. Pena que você não. (Zenon)
Zenon corre em direção a Guilherme.
MEAK. Synt e Hades entram. Derik está na recepção.
Um quarto? (Derik)
Não. Esteve na minha peça... (Synt)
Derik solta os ombros.
Tá, eu sei quem você é. (Derik)
Sabe? (Synt)
O grupo de teatro que assisti te pertence. Tem dinheiro demais para se hospedar aqui. (Derik)
Derik olha para Hades.
Não faz o papel principal? (Derik)
Sim. (Hades)
Então, tiveram curiosidade vendo a casa de Ares e vieram ver por dentro? Já estiveram tantas pessoas aqui que acho que devíamos transformar num museu, ia dar algum lucro ao menos. (Derik)
Sem ofensa, não que eu não quisesse que você e sua garota vissem minha peça, mas o convite veio para outra pessoa. (Synt)
Sim, brigou com a outra pessoa, não queria que pensasse que estava levando só para não jogar os convites fora. (Derik)
Não lembro de Clítia ser tão sentimental. (Synt)
Não está mais com Clítia. E agora caça vampirs. (Derik)
Como assim? (Hades)
Derik, eu tava pensando, Estela podia ficar aí na recepção um pouco pra... Oi. (Kat)
Você é atriz? (Synt)
Já pensei nisso, por que? (Kat)
Se quiser pode vir conosco quando partirmos da Ilha. Preciso de alguém com sua idade pra uma peça... (Synt)
Não preciso de vampir como chefe e até imagino o que faz com quem comete erros. (Kat)
Derik olha para o espelho na sala. Sem reflexos.
Dou uma passagem de volta pra casa. E, pra sua informação, a última vez que alguém matou meus atores foi há um século e meio. (Synt)
E se repetir a dose? (Kat)
Não creio que seu amigo esteja querendo uma nova arcada dentária. Não é, Zenon? (Synt)
Zenon entra. Está com a roupa rasgada, com machucados pelo corpo. Synt se vira. Hades também.
Dessa vez não fui eu. (Zenon)
A farra tava boa? (Hades)
Não é o que tá pensando. (Zenon)
Claro que não. Guilherme não é chegado. (Synt)
Que tão fazendo aqui? (Zenon)
Viemos saber das novidades. (Synt)
Sou um caça-vampiros, não sou dessa Realidade e já mataram minha réplica aqui. Não faço a menor idéia de onde tá Clítia, o que não é tanta novidade assim, eu nunca soube onde ela estava se fosse fora do alcance da minha visão. Podem ir agora. (Zenon)
Está sendo grosseiro. (Synt)
Não, você tá, invadiu meu espaço e tá me ameaçando com isso aí. (Zenon)
Zenon aponta Hades.
Não, não estou. A menos que considere a simples presença de Hades uma ameaça. (Synt)
Sim, eu considero. (Zenon)
Zenon fica de lado na porta. Synt e Hades saem. Zenon bate a porta.
Posso fazer uma pergunta? (Derik)
Já fez. (Zenon)
Por que não mata mesmo? (Derik)
Não são perigosos. (Zenon)
Pra mim pareceu medo. (Kat)
É que eles não são perigosos só para os humanos. (Zenon)
Precisamos colocar Inês na escola. (Derik)
Ela só tem um ano! (Zenon)
Biologicamente, cinco. (Kat)
Que seja. (Zenon)
Já tá na idade de pré-escola. (Derik)
Cuida disso. Vou trocar de roupa e sair para ver se mato mais alguns. (Zenon)
Zenon sobe. Alan desce.
Alguém anotou a placa? (Alan)
Amanhã eu vou ver se tem vaga na creche pra Inês. Alan, vai ter que ficar aqui na recepção. (Derik)
Tá. (Alan)
Temos algo para fazer aqui? (Kat)
Alan, não devia estar caçando, como Beatrice e Zenon? (Derik)
Boa idéia. Já treinei demais. Alan, vamos sair, eu, você e Michele. Chele! Mi! (Kat)
Kat sobe a escada.
Obrigado por estragar minha noite. (Alan)
Você nem sustenta isso aqui. Se vamos ter uma agência mesmo, temos que trabalhar. Afinal, quem vai entrar com o dinheiro não somos nós. (Derik)
Mas por que ela vai financiar isso aqui? Não é uma coisa que vá dar lucro e sei que o namorado rico ela já perdeu... (Alan)
Não preciso dele. (Janaína)
Alan se vira e olha para Janaína.
Eu ia dizer. Janaína veio falar com Estela sobre os cargos. (Derik)
Não quis te ofender. É que achei que não trabalhasse. (Alan)
E não mesmo. Fiz um curso de administração, para ajudar Etos. Deve servir para alguma coisa. (Janaína)
Ah, é, você tem as Ilhas! (Alan)
E recebo os impostos. Estela? (Janaína)
No quarto. Alan, leva a Janaína lá, já que é seu quarto também. (Derik)
Alan sobe, Janaína segue. Passam pelo corredor. Entram no quarto.
Oi. (Janaína)
Que ótimo, você veio... Alan, que tá fazendo aqui? (Estela)
É meu quarto também. (Alan)
Pensei que estivesse caçando. (Estela)
E vai. (Kat)
Kat sai do quarto. Volta, puxa Alan pelo braço.
Querem ajuda? (Inês)
Vai ficar com Derik, se não dorme da recepção. (Estela)
Inês sai. Janaína se senta no chão, onde também está Estela.
Já pensou em alguma coisa? (Janaína)
Zenon, Beatrice e Beleno estão em operações. Kat, Alan e Michele vão pro reconhecimento e defesa. Derik e eu na pesquisa. (Estela)
Presidente...? (Janaína)
As pessoas geralmente tomam o comando das coisas quando sabem lidar melhor com o assunto, melhor deixar seguir naturalmente. (Estela)
E eu? (Janaína)
Quer fazer algum trabalho? (Estela)
Tenho o dinheiro, mas isso não quer dizer que não possa fazer algum serviço. Com um bom programa de computador, as coisas saem fácil, não preciso ficar fazendo contas... (Janaína)
Sabe lutar? (Estela)
Nem com barata. (Janaína)
Tá. Eu te coloco na área de pesquisa. (Estela)
Melhorou. E o orçamento? (Janaína)
Por enquanto, tudo que estamos precisando é pro tal armário que o Derik quer fazer. Eu, Kat e Alan trabalhamos. (Estela)
Estão sustentando todo mundo??? (Janaína)
Michele chegou agora, Beleno toma banho no lago e não usa luz, Inês é uma criança e Derik arruma a casa inteira. (Estela)
Zenon e Beatrice... (Janaína)
Nem gastam muito e trazem dinheiro dos vampiros e coisas que matam. (Estela)
Vocês eu sei que trabalham na loja, mas e Alan? (Janaína)
Está sendo pago pelo Grupo para cuidar de Michele. (Estela)
Peraí, o Zenon também não? (Janaína)
Se demitiu ontem. (Estela)
Eu posso pagar vocês como pago a polícia... (Janaína)
Não é bom sairmos dos nossos empregos, são estratégicos, Alan treina mais um para a agência e trabalhamos numa loja que, no submundo, vende armas. (Estela)
Tá. Mas insisto em pagar. (Janaína)
Se você quer assim... (Estela)
Dia seguinte. Fim da madrugada. Beatrice e Zenon chegam. Encontram Inês, Derik e uma criança, aparentando seis anos, dormindo. Zenon trava.
Como alguém pode fazer isso com uma criança??? (Bea)
Conheço essa. (Zenon)
É muito ruim? (Bea)
Não sei. Vi o enterro quando eu tinha 10 anos. Depois só de relance. Ouvi falar que gosta de ser amiga imaginária. (Zenon)
Meu Deus... (Bea)
É de primeira linhagem. Foi transformada por Valesca. (Zenon)
Então... (Bea)
Sem alma. (Zenon)
Zenon pega uma estaca e se aproxima. Voa contra a parede. Guilherme pega a criança no colo. Derik e Inês acordam.
Lica, você tá bem??? (Guilherme)
Lica se segura forte em Guilherme.
Que ia fazer, seu animal??? (Guilherme)
É uma vampira de primeira linhagem! E agora eu caço de vampiros! É seu novo caso, virou pedófilo??? (Zenon)
Guilherme olha para Beatrice.
Segura o idiota do seu namorado, se não ele vira pó rapidinho! (Guilherme)
Guilherme sai com Lica no colo. Derik encara Zenon.
Inês, não percebeu o que ela era??? (Zenon)
Inês começa a chorar. Derik pega Inês no colo, abraça e levanta.
Enlouqueceu??? Deu pra atacar criancinhas agora??? (Derik)
Derik sobe a escada com Inês.
Temos que jogar ela no sol. (Zenon)
Uma estaca deve doer menos. (Bea)
Acho que, se for inocente, talvez isso reverta a transformação, como Amanda. Se tiver uma estaca cravada no peito, não vai adiantar muita coisa. (Zenon)
Isso quer dizer que devo te jogar no sol? (Bea)
Zenon olha para baixo.
Eu não seria perdoado. (Zenon)
Depois disso aqui, não mesmo. (Bea)
Zenon olha para Bea.
Ela pode ser... (Zenon)
Tô falando de Inês. (Bea)
Ah. (Zenon)
Não vai pedir desculpa? (Bea)
Zenon encara Beatrice. Beatrice cruza os braços.
Guilherme entra em um quarto do hotel com Lica. Coloca Lica no chão.
Ainda bem que me protegeu. (Lica)
Já falhei alguma vez? (Guilherme)
Desde que me encontrou, ficou bem mais fácil ficar viva. (Lica)
Continua sendo amiga imaginária. (Guilherme)
E você continua fazendo o trabalho dos suicidas. (Lica)
Jeitos de sobreviver sem fazer barulho. Ainda mata quem te diz que você não existe, que é ilusão? (Guilherme)
Não apreciam minha ajuda ou crescem. Quem não reclama, fica vivo. (Lica)
Até você se cansar. (Guilherme)
Adultos não têm graça. (Lica)
Nem eu? (Guilherme)
Conta estórias legais. (Lica)
Guilherme sorri.
E Derik? (Guilherme)
É quase um milagre! Nem parece adulto, de tão legal! (Lica)
Guilherme balança a cabeça para os lados.
Noite. Lica e Inês estão no chão, Lego espalhado.
Inês, eu preciso falar com você. (Beleno)
Por quê? (Inês)
Não podemos ficar aqui. (Beleno)
Inês cruza os braços.
Por que não? (Inês)
Olha, eu sei que você não entende, mas tenho certeza que, se eu... (Beleno)
Inês arregala os olhos, levanta e corre. Lica franze a sobrancelha. Levanta, veste a capa, e vai atrás. Beleno balança a cabeça para os lados. Vai atrás. As crianças entram no quarto de Alan. Beleno entra. Segura alguém.
Peguei! (Beleno)
Uma luz intensa. Apaga.
Peraí, você não é... (Beleno)
Me solta! (Lica)
Lica empura Beleno. Grita. Olha para baixo, para os braços e pernas.
Eu tô... Tô... Adulta... (Lica)
Adolescente. (Beleno)
Nem posso olhar num maldito espelho! (Lica)
Sua boca não tá muito suja pra quem acabou de crescer? (Alan)
Lica senta no chão. Começa a chorar.
Desculpa, não quis dizer isso. (Alan)
Não é por sua causa. (Beleno)
Desfaz isso! (Inês)
Lica levanta.
Bom, nunca desfiz, mas... (Beleno)
Beleno vai até Lica. Segura nos braços. Luz novamente. Apaga. Lica envelheceu ainda mais, parecendo estar em idade adulta. Grita. Corre.
Piorou. (Alan)
Já era cego, fiquei surdo. (Beleno)
Talvez fosse a intenção dela. (Alan)
Inês para na frente de Beleno, apontando o dedo.
Se tocar em mim de novo, frito suas mãos! (Inês)
Inês sai.
Acho que ela já tá crescida o suficiente. (Alan)
Não enche, Alan! (Beleno)
Guilherme chega em casa. Encosta Lica na parede. Sente o cheiro. Se afasta.
Não pode ser... (Guilherme)
Foi o pégaso que fez isso. (Lica)
Impossível. (Guilherme)
Mas ele fez! Agora sou adulta! (Lica)
Guilherme acende a luz. Lica ainda está com a roupa semi-rasgada, com lágrimas nos olhos. Guilherme abraça Lica.
Não chora... (Guilherme)
Não quero ser adulta... Não quero ficar mais viva... Não assim... Faz alguma coisa... Nem que seja... (Lica)
Não! (Guilherme)
Guilherme afasta Lica e olha nos olhos.
Não pode fazer isso. (Guilherme)
Já fez isso pra tantas outras... Por que não pra mim? (Lica)
Se você quisesse mesmo, tinha enfiado a estaca. (Guilherme)
Não tenho coragem. Mas eu quero. (Lica)
Dorme. Se acalma. (Guilherme)
Duvido que tenha pedido calma para alguém... (Lica)
Vem cá... (Guilherme)
Guilherme pega a mão de Lica. Vai até a cama. Lica deita. Guilherme deita atrás, abraçando Lica. Guilherme dá um beijo na cabeça de Lica. Lica fecha os olhos.
MEAK. Dia seguinte. Tarde.
Não sabia que podia crescer outro alguém. (Beleno)
Seu poder, funciona como? (Zenon)
Achei que era comigo e com Inês só. (Beleno)
Tenta comigo! (Kat)
NÃO! (Derik)
Comigo então. (Michele)
Beleno vai até Michele. Segura nos braços. Solta.
Não funciona. (Beleno)
Talvez seja só em gente como a gente, é meio que da espécie. (Bea)
Beleno vai em direção a Beatrice. Beatrice levanta e dá passos para trás.
Nem pensar, nem chega perto! (Bea)
Só posso chegar alguém a idade que cheguei. (Beleno)
E daí??? Quero continuar com a minha! (Bea)
E como você chegou a idade que tem? (Kat)
Usando outras pessoas. Primeiro, cresci junto com Inês, não o suficiente, e Natasha me deixou lá. Daí uma criança me encontrou. Ele queria me levar pra casa, achou que eu era um "bichinho legal". (Beleno)
E você? (Kat)
Cresci e voei. O garoto ficou chorando, depois eu voltei e falei com ele. Ficou tudo bem. (Beleno)
Bom, agora temos uma inimiga declarada. (Zenon)
Tem certeza que é tão sério? (Beleno)
Sério??? O prazer dela era ser criança! (Zenon)
Beleno, não pode descrever pro Zenon como ela ficou agora? Pra quando encontrarmos... (Alan)
Todo mundo encara Alan.
Que foi? (Alan)
Beleno é cego. (Zenon)
A gente pode perguntar a Inês. (Alan)
A de cinco anos?! (Zenon)
Era a primeira amizade de Inês. (Derik)
Tá, não tô afim de virar churrasco. (Alan)
E como vamos encontrar? (Kat)
Noite. Lica acorda. Vai até o banheiro. Tira os trapos. Abre o chuveiro. Se lava. Olha para o próprio corpo. Toca a parte de cima. Mexe. Desce a mão para baixo. Toca. Tira a mão, com susto. Termina de se lavar. Pega a toalha. Se enxuga. Coloca a toalha nos ombros. Volta ao quarto. Guilherme se vira de costas.
Que foi? (Lica)
Guilherme olha para o teto. Volta-se para Lica. Vai até Lica, tira a toalha dos ombros, passa pelas costas por baixo dos braços. Enrola. Prende a ponta em cima.
Onde foi? (Lica)
Fui pensar no que te dizer. (Guilherme)
Pra eu não me matar? (Lica)
Fiz um desenho. (Guilherme)
Guilherme entrega um papel a Lica. Lica abre o papel, olhando para Guilherme. Volta-se para o papel.
Até que fiquei bonita. (Lica)
Nunca vai poder se olhar num espelho, então... (Guilherme)
Quem me garante que esse desenho não é de outra pessoa? (Lica)
Já te menti alguma vez? (Guilherme)
Sou adulta agora. (Lica)
Ficou muito sexy com a roupa rasgada... (Guilherme)
Guilherme ri. Lica dá um tapa em Guilherme.
Não tenho culpa se tava usando uma roupa pro meu tamanho de verdade! (Lica)
Trouxe isso. (Guilherme)
Guilherme pega uma caixa em cima da cama e entrega a Lica. Lica abre. Fecha. Entra no banheiro. Guilherme senta na cama. Leva alguns segundos. Sai, com um vestido.
Agora que é... (Guilherme)
Não quero ser. (Lica)
Ao menos pela menstruação você não passa. Vem cá... (Guilherme)
Lica se senta no colo de Guilherme, de lado. Encosta em Guilherme.
Desistiu da idéia absurda já? (Guilherme)
Quero que mate ele. (Lica)
Guilherme tira Lica do colo e levanta.
Quê? (Guilherme)
Aquele garoto de asas. Corte elas. (Lica)
Por que quer isso??? (Guilherme)
Olha o que ele fez comigo! (Lica)
Não é tão ruim. E provavelmente não foi de propósito. (Guilherme)
Lica vai até a porta, abre, mas Guilherme lhe segura o braço.
Deixe-me pensar. (Guilherme)
Nunca me negou nada. (Lica)
Nunca pediu nada tão sério. (Guilherme)
É só matar. Quantas vezes já fez isso? Ainda tem as contas? (Lica)
Sabe muito bem que não é tão simples assim. (Guilherme)
Um dia. Se não fizer, eu faço. (Lica)
Guilherme solta o braço de Lica. Lica sai.
Lica está olhando para o mar.
De que festa você fugiu? (Etos)
Do velório da sua mãe. Estavam soltando fogos, não vai fazer mais nenhum como você. (Lica)
Não tem como fazer, me fizeram e jogaram a forma fora. (Etos)
Deviam ter jogado você junto. (Lica)
Etos vai até Lica. Abraça na altura da cintura. Lica pega nos braços de Etos, com firmeza. Para. Etos cheira o pescoço de Lica, que se arrepia.
Você é forte. (Lica)
Acabou de tomar banho? (Etos)
Sim. (Lica)
Prefiro cheiro de banho que perfume. Você é virgem? (Etos)
Também prefere cheiro de virgem? (Lica)
Não faz tanta diferença se souber tomar banho. (Etos)
E eu sei? (Lica)
Sabe. Poderíamos nos divertir um pouco. (Etos)
Etos começa a descer uma das mãos. Solta. Lica olha para trás. Etos sumiu. Olha ao redor. Vê Guilherme.
Achei que não quisesse ser mulher. (Guilherme)
Isso é ciúmes de irmão ou... (Lica)
Não sou seu irmão. Mas sabe que não tenho intenções com você. (Guilherme)
Por quê? (Lica)
Que espécie de pergunta é essa? Convivi com uma criança desde... (Guilherme)
Mostra. (Lica)
Mostrar o quê? (Guilherme)
Ser mulher. (Lica)
Lica... (Guilherme)
Já percebi que não tem como fugir. Essa coisa... Isso que senti... (Lica)
Guilherme olha para o céu.
Você ficou excitada. (Guilherme)
Todas as vezes que vi, me pareceu tão sujo... (Lica)
Guilherme franze a sobrancelha e olha para Lica.
Viu? (Guilherme)
Filmes. Nem precisam ser eróticos para mostrar esse tipo de coisa. (Lica)
As coisas mudam quando a gente cresce. Não é tão sujo assim. (Guilherme)
Guilherme sorri.
E você deve ter visto fazerem de qualquer jeito, em qualquer lugar. (Guilherme)
Você é tão lindo... Deve conquistar qualquer uma que queira... (Lica)
Guilherme fica com expressão séria.
Não gosto disso. (Guilherme)
Mostra. (Lica)
Você era... (Guilherme)
Tenho mais idade nessa vida que você. Droga, inclusive agora pareço mais velha que você! Foi transformado com dezessete anos! (Lica)
Desistiu do seu outro pedido? (Guilherme)
Se eu pedir pro outro, ele faz os dois. (Lica)
Ele não se arriscaria com um pégaso por sexo. (Guilherme)
Saiu daqui porque sentiu seu cheiro. (Lica)
Eu te amo. Não como mulher, mas amo. (Guilherme)
Não preciso de um irmão. (Lica)
Precisava antes. (Guilherme)
A culpa é dele. Ele precisa pagar. (Lica)
Lica se aproxima de Guilherme. Toca-lhe o rosto.
E eu preciso de você. (Lica)
Lica beija Guilherme.
Madrugada. Guilherme olha para Lica, que está dormindo na cama. Recostou-se na parede do banheiro. Vai rápido até Lica e cobre com o lençol. Olha para a janela. Etos sentou-se na armação da janela.
Por que eu também não posso olhar? (Etos)
Vai embora. (Guilherme)
Tá na cara que só fez isso pra não ir com outra pessoa. Não tem tesão quando não é a última vez? E eu que achei que quem caçava virgens é que era... (Etos)
Não vou deixar chegar perto dela. (Guilherme)
Acha que não vai notar sua cara de arrependimento? Vai perceber que não quer. Que tá pensando em qualquer outra coisa. Mesmo quem ama como Lica te ama cansa disso. Principalmente com o fato de você ter sido pior em vida. É de primeira linhagem, criança. (Etos)
Não vou nem perguntar como sabe o nome. Deve estar olhando faz tempo. (Guilherme)
É divertido. Tem um milhão de coisas divertidas a fazer por aí. A gente muda de opinião sobre as coisas depois de um tempo. (Etos)
Fala como um velho. (Guilherme)
Tenho mais idade que qualquer criança de segunda linhagem. E olha que é bastante, afinal, transformam qualquer rato. Nós escolhemos, a pessoa tem que aceitar... Que tal brincar a três, já que insiste em ficar com Lica? (Etos)
Quando disse que não vai tocar nela, não quis dizer que se eu estiver presente você pode. (Guilherme)
Não gosta de dividir... Só nós então? (Etos)
Não gosto de homens. (Guilherme)
Vocês de segunda linhagem são tão sem graça! Por isso que vai ficar comigo. Mesmo com você em cima. (Etos)
Etos ri.
Sabe o que adoro na cultura daqui? (Etos)
Não estou interessado. (Guilherme)
Duplo sentido. (Etos)
Etos pula. Guilherme vai até a janela e olha para baixo. Ninguém.
Tarde. MEAK. Guilherme entra. Ninguém na recepção. Sobe. Fareja o ar. Entra em um quarto. Vê Beleno sair pela janela. Pula também. Cai no chão. Atira. Beleno toma com a estaca na asa. Cai no mar. Guilherme pula no mar atrás. Trás Beleno para as pedras. Arranca a estaca. Tira uma espada nas costas. Olha para Beleno. Olha para o chão. Beleno abre os olhos. Vai para trás, se arrastando. Voa.
Quarto de Lica. Lica abre os olhos. Olha para a janela. Beleno está voando do lado de fora. Entra. Se transforma. Lica se senta e arregala os olhos.
Guilherme chega ao apartamento. Franze a sobrancelha. Arregala os olhos. Se aproxima dos ossos na cama. Uma lágrima cai de seus olhos. Toca os ossos. Olha para a cabeceira. Um bilhete. Guilherme pega.
Eu senti o cheiro dela em você. E também pelo cheiro sei com que freqüência se alimenta, isso é coisa de quem evita matar. Não tentaria o que tentou se não fosse por ela. Não se mate por ela. A maioria é melhor que qualquer homem, mas esta era uma das exceções.
Minha culpa... Se tivesse matado... Ou não tivesse aceitado o pedido dela... Nunca devia ter feito todas as vontades... Podia estar viva ainda... (Guilherme)
Seu bebê? (Etos)
Guilherme olha para a janela. Etos desce, fecha a janela, a cortina e tira a capa. Guilherme encosta Etos na parede, mas Etos joga Guilherme na cama. Sobe em cima, segurando os braços de Guilherme.
Eu poderia fazer o que quisesse. É engraçado alguém se achar forte como você se acha. (Etos)
Acha que estou me importando com alguma coisa? (Guilherme)
Poderia te deixar aqui e te usar pro resto da eternidade. (Etos)
Etos solta Guilherme.
Mas eu realmente não curto hétero. Nem forçar ninguém a isso. (Etos)
Etos sai.
Noite. Jardim da MEAK. Guilherme está cavando um buraco. Para.
Deixe-me terminar o que estou fazendo, ou vou ter que te desarmar. (Guilherme)
Zenon está com uma besta. Beatrice está atrás de Zenon.
E o que te faz pensar que vai conseguir? (Zenon)
Deixo atirar depois. (Guilherme)
Beatrice vai até Zenon e baixa a arma.
Por quê tentou matar Beleno? (Zenon)
Zenon, Beleno já respondeu isso. (Bea)
Quero ouvir da boca de Guilherme. (Zenon)
Eu devia mesmo ter cortado as asas quando pude. Mas não tive coragem. (Guilherme)
Por isso vou te matar. Para não tentar se vingar. (Zenon)
Não acredito em vinganças. (Guilherme)
E porque ia matar Beleno então? (Zenon)
Ela acreditava. (Guilherme)
Você... (Zenon)
Guilherme vira para Zenon e joga a pá para o lado.
Matar ele vai trazer ela de volta??? (Guilherme)
Zenon engole seco. Guilherme vai até a pá, pega e volta ao buraco. Continua cavando. Para. Vai até uma caixa grande. Beija. Pega a caixa e coloca no buraco. Começa a jogar terra. Beatrice sai. Volta com uma pá. Guilherme para. Olha nos olhos de Beatrice. Balança a cabeça para os lados. Beatrice olha para o chão e sai com a pá. Guilherme continua jogando a terra. Beatrice volta. Guilherme para. Pousa a pá no chão. Vira-se para a Zenon.
Pronto. Pode fazer agora. (Guilherme)
Você tá diferente de... (Zenon)
Beatrice tira a arma das mãos de Zenon.
Que tá fazendo??? (Zenon)
Todo mundo pode mudar. (Bea)
Não os de primeira linhagem. (Guilherme)
E isso você não é. (Bea)
Amor muda muito as pessoas. (Guilherme)
Não quer convidá-lo para entrar para a agência, não??? (Zenon)
Guilherme balança a cabeça para os lados. Segue para a ponte. Zenon vai pegar a arma, Beatrice tira do caminho de Zenon. Entra. Zenon olha para Guilherme atravessando a ponte. Entra.
Dia seguinte. Sol a pino. MEAK. Janaína e Estela estão na sala.
Você não tem mesmo vontade de procurar Etos? (Estela)
Não sei. Quando conheci, era ruim. Se vestia e se portava de forma... (Janaína)
Sexy? (Estela)
Janaína olha para trás. Etos está na porta. Etos está de preto, pele mais pálida, de óculos escuros. Está fumando. Tira os óculos.
Pronto pro puteiro. (Janaína)
Tem um cinzeiro? (Etos)
Estela vai até o balcão. Pega um cinzeiro e traz para Etos. Etos pega o cinzeiro, tocando a mão de Estela e olhando em seus olhos. Apaga o cigarro. Vai com o cinzeiro até o balcão e pousa. Estela não tira os olhos de Etos. Guarda os óculos no bolso. Olha para Estela.
Tenho uma ótima audição, sabia? (Etos)
Acho que já sei porque Alete desapareceu. (Janaína)
Ouvi falar que Lish tá aqui. (Etos)
Quer dizer Michele. (Janaína)
Michele não me interessa. Estou pensando em me hospedar, ex ficou com a casa. (Etos)
Não aceitamos seres como você. (Janaína)
Defina. (Etos)
Vampiros de primeira linhagem. (Janaína)
Na sua cama você aceitava. (Etos)
Não era a mesma coisa. (Janaína)
Você se prostituiria hoje se eu não tivesse te tirado dos seus pais. (Etos)
Seria uma se te aceitasse de volta. (Janaína)
E quem disse que quero? Já disse que estou aqui atrás de Lish. (Etos)
Então terá que dar meia-volta. (Michele)
Etos olha Michele de cima a baixo. Pisca os olhos devagar.
É sério isso? (Etos)
Etos aponta Michele de cima a baixo. Michele se olha.
O que que... (Michele)
Cheguei tarde, vou esperar a próxima. (Etos)
Etos sai.
Talvez Aléxis te queira assim. (Etos)
Porco! (Janaína)
Tarde demais... Ele não... (Estela)
Pedofilia?! Não... É o estilo de roupa, Etos detesta. (Janaína)
Tenho impressão que conheço ele. (Michele)
Deve ser de algum dos sonhos, os sobre suas encarnações passadas. (Estela)
Carta pra você. (Michele)
Michele entrega um envelope a Estela. Estela sobe. Abre o envelope.
adnil e ecov. rajieb et aireuq.
Estela pega um papel e responde.
azeleb alep os saossep sa ragluj aireved oan.
Outras cartas são trocadas.
ogluj oan. arof rop e ortned rop adnil e ecov sam.
ebas omoc?
otiej ues.
ues o e omoc e?
recehnoc em reuq?
oreuq. oruges lacol mun.
ecov arap uo mim arap oruges?
siod so arap.
omoc met oan. recehnoc em reuq es, odanodnaba oiderp o eta av, sera me. resup es los o odnauq aias. ohlepse ednarg mu ehca.
Uma semana depois. Noite. Estela vai até o prédio. Anda pelo prédio. Chega a uma sala com um grande espelho. Um papel no chão.
eriv es oan.
Ao lado, uma mesinha, com um pano preto.
Por que? (Estela)
É só um pedido. (Guilherme)
Sou curiosa. (Estela)
Veio aqui por curiosidade. Respondeu por curiosidade. Gosto de curiosidade. Eu queria te ver de perto. (Guilherme)
Como sabe se não sou uma amiga da pessoa com quem tava falando? (Estela)
Te encontrei. Como acha que mandei carta? (Guilherme)
Claro. Aliás, onde você tá, que eu não tô te vendo pelo espelho? (Estela)
Não se vira! (Guilherme)
Tá, tudo bem. (Estela)
Tem uma venda em cima da mesa, em frente ao espelho. (Guilherme)
Eu notei. (Estela)
Coloque a venda. (Guilherme)
Por que não quer que eu te veja? (Estela)
Já cansei de enganar com aparência. (Guilherme)
Pra mim você tem algum segredo. (Estela)
Que seja. Coloca venda. (Guilherme)
Estela coloca a venda. Guilherme puxa uma corda e cai uma cortina preta, tapando a luz que vem de fora. Risca um fósforo e o joga em algo grande em forma de uma taça, que acende. Estela se vira. Guilherme rodeia Estela. Para atrás de Estela. Puxa o cabelo para um lado.
Que tá fazendo? (Estela)
Tá com medo de mim? (Guilherme)
Por que estaria? (Estela)
Não tá frio aqui. (Guilherme)
Que isso tem a ver? (Estela)
Você tá tremendo. (Guilherme)
Eu? Tremendo? (Estela)
Não precisa... (Guilherme)
Guilherme beija o pescoço de Estela.
Não vou te machucar... (Guilherme)
Estela se afasta, ficando de frente para Guilherme.
Que foi? (Guilherme)
Não gosto disso. (Estela)
Se tirar a venda eu vou embora. (Guilherme)
Eu é que vou! (Estela)
Guilherme encosta Estela na parede, segurando-lhe os pulsos.
Não vai, não. (Guilherme)
Solta! (Estela)
Guilherme chega perto do rosto de Estela. Estela beija Guilherme. Guilherme corresponde. Guilherme afasta o rosto, soltando do beijo.
Agora eu vou deixar você ir. (Guilherme)
Guilherme beija o pescoço de Estela.
Mas não pensa que eu desisti. Eu volto. (Guilherme)
Guilherme solta Estela. Estela tira a venda. Olha ao redor. Vazio. Joga a venda no fogo.
MEAK. Estela passa pela porta quando Zenon está saindo. Zenon segura Estela pelo braço.
Onde tava??? (Zenon)
Interessa??? (Estela)
Você tá com um cheiro que não gostei. (Zenon)
E daí??? Você não é nada meu, não tem que gostar do meu cheiro!!! (Estela)
Estela se cheira.
Tá tão ruim assim? Vim andando de Ares... (Estela)
Não é isso... Conhece um cara chamado Guilherme? (Zenon)
Não. (Estela)
E alguém que você não sabe o nome te agarrou? (Zenon)
Estela arregala os olhos.
Claro que não! (Estela)
Estela puxa o próprio braço, fazendo soltar.
Acha que sou tão oferecida a ponto de qualquer um sair me agarrando assim?! (Estela)
Não é isso. Na verdade, não precisa ser oferecida pra alguém fazer isso... Enfim... O cheiro dele tá em você. (Zenon)
Tá ficando louco. Imagina, eu, com cheiro de homem! (Estela)
Você é lésbica? (Zenon)
Não! Só sabe interpretar coisa errada! Tenho 16 anos! Seu pervertido! (Estela)
Estela sobe correndo.
Vixi. 16 anos e acha que obrigatoriamente não deveria ter sexualidade ainda. Bem que Mel podia estar aqui. (Zenon)
Olha para o nada.
Bom Kat está. (Zenon)
Estela entra no quarto. Olha o espelho. Toca o pescoço.
Acho que estamos quase legalizando tudo. (Janaína)
Estela vira bruscamente.
Que foi? (Janaína)
Nada. Assustei. Chegou de repente. E Derik? (Estela)
Já encomendou o material para o quartinho. Zenon disse que tava preocupado com você. (Janaína)
Ele diz que sentiu o cheiro de um tal Guilherme em mim. Acho que tá obcecado, é o tal que a Bea não deixou ele matar. (Estela)
Ah, sim... (Janaína)
Melhor falarmos de outra coisa. (Estela)
Mas cheiro de algum homem você deve estar. (Janaína)
Janaína se senta na cama de Estela. Estela respira fundo. Abre uma gaveta e pega as cartas. Entrega para Janaína. Janaína olha. Folheia.
Não tô entendendo nada. (Janaína)
Lê ao contrário as frases, mas não inverte elas no parágrafo. (Estela)
Janaína volta a olhar. Lê cada uma. Olha para Estela.
Anda se correspondendo com alguém que não conhece? (Janaína)
Fui ver ele hoje. (Estela)
Sério?! Qual o nome dele? (Janaína)
Não sei. (Estela)
Peraí, então pode ser o tal Guilherme! (Janaína)
Mas ele é inofensivo. (Estela)
Ainda sim... (Janaína)
Estou falando desse Guilherme mesmo. Se for ele, é até mais seguro. (Estela)
Está crente que nem a Beatrice? (Janaína)
Bem... (Estela)
Ela conviveu demais com o Angely. (Janaína)
Isso é o que Zenon diz. (Estela)
Angely deu uma chance para ela porque vê a alma das pessoas. Não sei muito dele, mas sei que ele não julga ninguém. Já deixou matarem uma garota, talvez saiba quem é bom e ruim, mas Beatrice, pelo que sei, não tem tanto poder. (Janaína)
Como sabe tanto de Ang? (Estela)
Conversas com a Mel. (Janaína)
Vou me arriscar. (Estela)
Para esquecer Alan? (Janaína)
Talvez. Mas eu tenho que me soltar mais. Não posso ficar esperando o príncipe encantado do cavalo branco. (Estela)
Janaína dá um sorriso.
Bom, o Alan não é... (Janaína)
Estela cruza os braços e encara Janaína. Janaína desfaz o sorriso. Olha para as cartas.
Também não precisa ir com o primeiro sapo. (Janaína)
É que me sinto tão sozinha, entende? (Estela)
Estela descruza os braços e olha para baixo.
Não, ficou com Etos, você com certeza teria quem quisesse... (Estela)
Nem sempre é tão fácil assim. (Janaína)
Estela olha para Janaína.
Ele me quer. (Estela)
Mal conhece ele! (Janaína)
Não disse que vou com ele, disse que me quer. É bom se sentir assim. (Estela)
Teve Rob... (Janaína)
Estela encara Janaína.
Bom, Angely... (Janaína)
Estela cruza os braços de novo.
Você tem 16 anos. Ele tem quantos? Centenas? (Janaína)
É, porque ninguém nesse quarto nunca fez isso. (Estela)
E viu no que deu. (Janaína)
Não pretendo transar com ele. Não agora. (Estela)
Tá, mas é anormal ele se sentir atraído por você. E, bom, ainda tem um perigo... Zenon disse que ele só sai com suicidas. (Janaína)
Isso não quer dizer que vá me matar. E nem sabemos se... (Estela)
É ele. (Zenon)
Tava escutando atrás da porta? (Estela)
Sumiu. Ninguém sabe onde tá. Com certeza tá aprontando. (Zenon)
Por que acha que é? (Estela)
Está com o cheiro dele. (Zenon)
Posso ter esbarrado. (Estela)
Só se te encoxou na rua. E você deixou, porque o cheiro não tá fraquinho, como se fosse um segundo. (Zenon)
Olha aqui... (Estela)
Pergunta pra Beatrice se cheiro pega assim tão fácil. (Zenon)
Zenon sai.
Janaína fecha a porta do quarto. Volta a sentar na cama. Olha para baixo. Olha de novo para Estela.
Você e ele. (Janaína)
Ele me abraçou. Pela cintura. E me beijou. No pescoço. (Estela)
Pode descrever como ele é? (Janaína)
Mandou usar uma venda. (Estela)
E você aceitou??? (Janaína)
Iria embora se... (Estela)
Janaína coloca a mão no rosto.
Está mesmo desesperada. (Janaína)
Não estou, não! (Estela)
Janaína tira a mão do rosto.
Não pode ficar obedecendo ordem! Não precisa montar também, mas não se curve, isso é o pior erro! (Janaína)
Você acha? (Etos)
Janaína olha para a janela.
Que está fazendo aqui? (Janaína)
É divertido assustar vocês. (Etos)
Quem disse que me assustou? (Janaína)
Etos pula da janela. Puxa Janaína e beija. Janaína faz menção de empurrar. Abraça. Estela balança a cabeça para os lados. Levanta e vai até a porta, mas Etos solta Janaína, pega Estela e joga na cama.
Fica... (Etos)
Etos olha para Janaína.
Janaína curte umas coisas... (Etos)
Janaína dá um tapa em Etos.
Adoro quando fazem isso. (Etos)
Cachorro! (Janaína)
Não se esquece que foi você quem me agarrou, pra mostrar que tinha deixado de ser criança... (Etos)
Eu tinha 15! (Janaína)
Etos ri. Sai pela janela. Estela se senta.
Já saiu com outros homens? (Estela)
Janaína senta na cama.
Não. (Janaína)
Vamos num bar? Uma boate, ou algo assim? (Estela)
Pode ser... (Janaína)
Sei onde tem GLS! (Etos)
Estela e Janaína olham para a janela. Jogam travesseiros. Etos pula de volta antes que atinjam a janela.
Que saco! (Janaína)
Janaína vai até a janela. Olha para todos os lados.
Sumiu. (Janaína)
Já era assim antes? (Estela)
Gosta de provocar. Mas era mais quando bebia. Vamos falar para Michele caçar ele? (Janaína)
Boa idéia! (Estela)
Estela e Janaína saem. Alguns segundos depois, Zenon entra. Olha as cartas em cima da cama. Abre gavetas de Estela. Acha cadernos. Senta em uma cadeira. Começa a ler. Quarto de Michele.
Mas não é muito difícil? (Michele)
Está com medo dele? (Estela)
Não é isso... (Michele)
Michele levanta e vai até a janela.
Eu tenho limitações. Tá certo que sou a reencarnação da primeira vampira. Acontece que ele é bem mais velho que eu nessa encarnação, pode ser muito mais forte. (Michele)
Leva a Kat. (Estela)
É, pode ser, duas é mais fácil... (Michele)
Michele franze a sobrancelha e vira.
Peraí, tá achando que ela consegue e eu não??? (Michele)
Bom, ela é um pouco melhor que você nisso. (Estela)
E ele tem... Quantos anos ele tem mesmo? (Michele)
Eu não... (Janaína)
Michele franze a sobrancelha novamente. Abre uma gaveta, pega uma estaca e sai. Estela vai até a gaveta. Olha para dentro.
Calcinhas, sutiãs, meias... E uma estaca. Uma gaveta normal. (Estela)
Barulho de coisa de madeira quebrando. Estela olha para Janaína. Correm pela escada, saem da MEAK. Etos está segurando Michele.
Agora fiquei triste. Não lembra que idade eu tenho, amor? (Etos)
Michele fecha os olhos. Alguém no chão, sangue em sua boca, desespero, corta o pulso, desacordou. Um beijo entre si e a pessoa. Michele volta a realidade.
Tá vendo, nem tenta reagir... (Etos)
Michele! (Janaína)
Alan vem com uma estaca, Etos solta Michele e chuta Alan para trás. Etos coloca a mão na cabeça. Pula no mar. Kat está com o tranqüilizante de Angely.
Foi a única coisa que encontrei... Michele, cê tá bem? (Kat)
Ah? (Michele)
Kat vira Michele de costas, olha, vira de novo, olha.
Machucado não tem nenhum. (Kat)
Ê, delicadeza... (Estela)
Eu transformei ele. (Michele)
Por quê??? Achei que você nunca tivesse sido má!!! (Alan)
Bom, se é a primeira, tem que ter transformado alguém, ou seria só a única. (Janaína)
Ele é o segundo... (Michele)
Michele cai, Kat segura. Ajuda Michele a chegar ao sofá. Alan sobe as escadas. Deita em sua cama.
Se ele é o segundo... Eu devia saber disso... Não lembro de nada sobre a cadeia depois de Lish... Deve ser porque é muito antigo... (Alan)
Estela entra no quarto.
A Michele tá bem? (Alan)
Não pareceu tão preocupado. Tá na sala ainda. (Estela)
Alan levanta e sai. Zenon sai de trás da porta e fecha.
Nossa, o Alan deveria ser mais atento, nem te... (Estela)
Shhh. (Zenon)
Estela franze a sobrancelha. Zenon fica em silêncio um tempo.
Desceu. Não tem ninguém nesse andar. (Zenon)
E daí? (Estela)
Vim te perguntar por que se sente atraída por vampiros. (Zenon)
É por causa do tal Guilherme de novo??? (Estela)
Zenon encosta Estela na parede. Estela arregala os olhos.
Li seu diário. Então, vou repetir, talvez você não tenha entendido, vim te perguntar por que se sente atraída por vampiros. (Zenon)
Então pergunte. (Estela)
Não estou pra gracinhas. (Zenon)
E eu não estou com ele. (Estela)
Não li só coisas recentes, Estela. (Zenon)
Não escolho o que gosto. Se as pessoas escolhessem, você não tava gostando de alguém que não te quer. (Estela)
Zenon joga Estela na cama e sobe em cima.
Eu tenho muito mais força que isso, sabia? E posso fazer o que quiser com essa força, qualquer coisa mesmo. Há um motivo para haver medo de vampiros e há um motivo para eles serem caçados. (Zenon)
E você? (Estela)
Não deveria confiar tanto nem em mim. (Zenon)
Beatrice não faria isso que tá fazendo, tá me assustando... (Estela)
É pra assustar mesmo. Pra ver se você se cuida melhor. (Zenon)
Rasga a camiseta de Estela. Levanta e sai. Estela vai até o banheiro. Etos a abraça Estela por trás.
Calma, não é Zenon... Sou eu, lembra de mim? (Etos)
Lembro... O ex da Janaína. (Estela)
Não... A pessoa sexy. (Etos)
Falei aquilo por falar. (Estela)
Não adianta dar desculpa, tirei o figurino do seu diário. Nem imagina o tesão que deu vendo Zenon com você agora. Aliás, imaginar cê imagina, porque... (Etos)
Ele teria te notado se estivesse ali. (Estela)
Pode ser que tenha notado mesmo... Principalmente na parte que te jogou na cama. Pena que parou por aí. A preocupação em te assustar era tanta que não percebeu que o medo por fora era tesão por dentro. (Etos)
Que quer? (Estela)
Você... Mas não gosto de fruta verde. Vou deixar amadurecer. (Etos)
Tanto quanto Janaína? (Estela)
Eu tava há oito anos sem dar uma, a pessoa senta de pernas abertas no meu colo, beijando e lambendo meu pescoço e descendo... Você recusaria? (Etos)
Estela cheira o pescoço de Estela.
Também tinha bem mais corpo que você. Sabe, quando você amadurecer... (Etos)
Etos fala algo baixo. Vira Estela e beija. Estela corresponde. Etos solta Estela, passa a mão no rosto e se afasta. Sai. Estela vai até o quarto. Tira a camiseta rasgada. Alan chega. Sai no mesmo instante.
Tem chave na porta, poderia trancar se vai se trocar... (Alan)
Você poderia bater. (Estela)
Também é meu quarto. (Alan)
Verificar se pode entrar num ambiente se chama educação. Conhece? (Estela)
Por que não me disse que a Michele tava bem logo de uma vez? (Alan)
Não tava afim. (Estela)
É assim que vai me tratar agora? O que eu fiz pra você??? (Alan)
Responde rápido. Eu: menina ou mulher? (Estela)
Garota? (Alan)
Bom. Tá evoluindo. (Estela)
Bom, você tá usando sutiã. Graças a Deus. (Alan)
Estela se deita. Alan franze a testa. Vai até Zenon.
Zenon, a Estela gosta de mim? (Alan)
Ela pintou isso na parede do quarto? (Zenon)
Não... (Alan)
Achei que só assim você perceberia. (Zenon)
Mas é sério? (Alan)
Diz que gosta desde sempre. Pretende ir pra cama com ela por isso? (Zenon)
NÃO! (Alan)
Do jeito que tá... Além de Clítia e sua ex, não transou com ninguém, pelo que sei. Dar beijo não tem problema, se quiser namorar... (Zenon)
Não! É muito estranho isso... Ela é quase minha irmã! (Alan)
Vai dormir. (Zenon)
Alan cruza os braços.
Eu já transei com prostitutas, pra sua informação. (Alan)
Quantas? (Zenon)
Alan descruza os braços. Olha para baixo.
Uma. Quando eu tinha 14 anos. (Alan)
Cuidado, pode ter uma doença. (Zenon)
Alan arregala os olhos e olha para Zenon.
Acha mesmo? (Alan)
Tá falando sério?! Não usou camisinha? (Zenon)
Foi há 9 anos atrás. (Alan)
Se tivesse alguma doença, já tinha se manifestado. (Zenon)
Dia seguinte. Estela vai ao prédio onde encontrara Guilherme. Acha o lugar onde era o espelho. Nem espelho, nem a grande tocha.
Sei que deve estar aí... Tem que estar. Até trouxe minha própria venda! (Estela)
Estela levanta um pano. Nada. Amarra a venda em volta dos olhos. Respira fundo. Nada. Coloca a mão na venda, alguém lhe segura a mão. Deixa a mão cair. Guilherme passa a mão no rosto de Estela. Depois beija Estela. Se afasta.
Esteve com outro. (Guilherme)
Conhece Etos? (Estela)
Ele??? Por que logo ele??? (Guilherme)
Me agarrou! Não tive como fugir! (Estela)
Ele não faz isso. Prefere convencer pra jogar na nossa cara depois. (Guilherme)
É sério, droga! Veio e me abraçou, começou a dizer coisas, tão... perto... (Estela)
É disso que tô falando! (Guilherme)
Eu não sou mais uma criança, eu preciso de algo, não posso ficar só nesse jogo de esconde! O primeiro cara que me beijou tava atacado e beijaria qualquer coisa que aparecesse, o segundo tava possuído e fui descobrir depois que era gay, como acha que me sinto??? (Estela)
Silêncio. Estela está ofegante.
Você ainda tá aí? (Estela)
É só isso que está procurando? Só sexo? (Guilherme)
Se fosse, era só cortar um vestido pela metade, colocar uma maquiagem escandalosa, ir a um desses bares e me esfregar em alguém. Se não fosse o primeiro, ia o segundo ou a terceiro. Tô procurando uma pessoa, mas eu também preciso disso. Não que eu queira isso agora, mas quero alguém que namore comigo, sabe? Não que fique se escondendo atrás de... (Estela)
Guilherme tira a venda de Estela.
Vou falar com o seu primo. Então vou pedir ajuda do seu pessoal para caçar Etos. Se importa de nunca podermos passear de tarde? (Guilherme)
Ainda tem a luz da Lua. (Estela)
Guilherme veste uma capa. Dá a mão a Estela, que sorri e pega sua mão. Saem.
MEAK. Estela vai até seu quarto. Alan levanta da cama bruscamente.
Eu precisava mesmo falar com você. (Alan)
Antes preciso te apresentar alguém. (Estela)
Estela pega Alan pela mão e leva até a sala.
Alan, esse é o meu namorado... (Estela)
Namorado?! (Alan)
Tem algum problema? (Guilherme)
Alan sorri.
Não! Isso é demais! Quer dizer, agora ela tem um namorado, isso quer dizer que Zenon estava enganado! Que eu estava também! (Alan)
Sobre o que? (Estela)
Nada. (Alan)
Alan desfaz o sorriso.
Você não é muito velho pra ela? (Alan)
Na verdade, é um ano de diferença. Tecnicamente. E não pretendo fazer nada com ela agora. Não que eu seja virgem... Mas também não vou trair ela... Eu... (Guilherme)
Perfeito. Então, agora você é namorado dela... Qual seu nome mesmo? (Alan)
Guilherme. (Guilherme)
Cuidado, tem o mesmo nome do cara que o Zenon tá atrás. (Alan)
Estela baixa a cabeça.
Meu problema com o Zenon é meio pessoal. Mas sei de alguém que precisa ser caçado. (Guilherme)
Quer me ensinar a fazer meu serviço? (Zenon)
Estela abraça Guilherme.
Podem nos deixar a sós? (Guilherme)
Estela olha para Guilherme. Alan pega Estela pela mão e sobem.
Por que veio atrás de Estela? (Zenon)
Etos. Falou coisas dela. Achei que fosse suicida. Por isso vim. (Guilherme)
E agora que descobriu que não é, resolveu namorar com ela. (Zenon)
Sabe muito bem com quem ela se parece. (Guilherme)
Não, eu não tinha me tocado. Era mesmo apaixonado pela sua madrasta?! Você é doente, sabia?! (Zenon)
Transformou um cara de 17 anos e o doente sou eu?! (Guilherme)
Noite. Kat passa pelo corredor e entra em seu quarto. Estela sai de seu quarto e vai até Kat.
Aconteceu alguma coisa??? (Estela)
Aonde? Por quê? (Kat)
Eles não tão mais lá embaixo??? (Estela)
Quem??? (Kat)
Ai, meu Deus! (Estela)
Eu e Michele estamos pensando em sair pra caçar Etos, queríamos saber se Alan e Zenon queriam ir. Que tá acontecendo? (Kat)
Estela tá namorando. (Alan)
Kat sorri.
Isso é bom! (Kat)
Kat olha para Alan e Estela e desfaz o sorriso.
Não? (Kat)
É o cara que o Zenon tava atrás. Eles tavam conversando. (Alan)
E... (Kat)
Exatamente. (Alan)
Tinha cinzas no chão??? (Estela)
Zenon voltou em frangalhos da última. (Kat)
Os móveis estariam quebrados. (Alan)
Kat e Estela se entreolham. Estela sai. Alan e Kat seguem. Kat vê um bilhete na recepção. Pega.
"Fomos atrás de Etos". (Kat)
Deviam ter me avisado! (Estela)
Deixaram o bilhete. (Alan)
Cadê Derik? (Kat)
Aqui! Alguém precisa de alguma coisa? (Derik)
E Michele? (Kat)
Michele aparece, também vindo da cozinha.
Vocês?! Junto?! (Kat)
Derik abre a boca.
Esquece. Derik, acha Beleno, vocês vão procurar Zenon e Guilherme pelo ar. Eu, Alan e Michele procuramos por terra, Estela toma um copo de água e fica dentro do quarto. (Kat)
Kat sai. Alan, Derik e Michele seguem. Estela olha em volta. Sobe. Alguém sobe atrás. Estela entra no quarto. Vê um livro em cima da cama, aberto em uma página. Olha a capa: é sobre pégasos.
"Os ossos de uma vítima de pégasos se desfazem em um dia. Se forem enterrados, o vampiro"... Droga... Volta à vida... Tenho que avisar... (Estela)
Estela se vira e vê Lica.
Você foi legal comigo quando vim aqui da primeira vez. Por que não vai ser agora de novo? (Lica)
Mandou matar meu amigo. (Estela)
Ele ainda está vivo. Vamos esquecer as mágoas. Eu prometo que não o ataco mais. Pelo menos não para matar. (Lica)
E porque devo acreditar? (Estela)
Aprendi outras brincadeiras... Mais divertidas... Quer brincar comigo? (Lica)
Brincar? (Estela)
Lica segura Estela. Etos entra. Lica sorri.
Manhã. MEAK. Kat, Zenon, Michele, Derik, Beleno, Alan e Guilherme entram. Guilherme cheira o ar e franze a testa. Vai até o balcão e pega um bilhete. Sobe correndo. Lica está dormindo e Estela com amarras no canto do quarto. Lica se levanta.
Que foi? Você não quis, arranjei quem quisesse. (Lica)
Guilherme vai até Estela. Desamarra.
Não fizemos nada com ela. Aula teórica. Quer participar da prática? (Lica)
Ela tem 16 anos. (Guilherme)
Etos estava me falando de um feitiço para te consertar... (Lica)
Guilherme pega Lica. Joga pela janela. Lica puxa Guilherme junto. Viram pó. Estela levanta devagar. Vai até a janela devagar. Uma lágrima cai de seus olhos. Alan chega. Vira Estela. Estela abraça Alan. Alan abraça Estela.
Que aconteceu? (Alan)
Ele mandou ela embora... Mas ela levou ele junto. Por que sempre vão embora sem me explicar nada? (Estela)
Você é nova ainda. Ainda vai se decepcionar mais. Mas eu tô aqui. Vou estar aqui sempre. (Alan)
Estela abraça Alan mais forte.
Dias depois. MEAK, lado de fora. Derik está no chão, sentou-se, com um grande livro.
Temos mesmo que ficar todos aqui fora? (Alan)
Se quiser entrar... (Derik)
Alan vai entrar, mas Zenon segura-lhe o braço.
Não, Derik, vamos ficar todos aqui, afinal, trabalhou muito nisso, né, Alan? (Zenon)
Ele disse que... (Alan)
Por favor, silêncio agora. (Derik)
Derik levanta com o livro nos braços.
Sete vezes no espaço, guardado do mundo, fechado de cinco trancas, viradas três vezes. (Derik)
Derik joga um pó azul na porta de entrada aberta do quartinho ao lado da MEAK. Depois um líquido vermelho. Uma fumaça roxa aparece. A porta bate, Derik se afasta. Pára a fumaça.
Só isso? (Alan)
MEAK desaba em si, como uma implosão. Zenon dá passos para trás, Kat protege Estela com o braço, Beleno pega Inês e levanta voo para trás, Zenon coloca o braço na frente de Michele, Beatrice puxa Alan. As pessoas ficam olhando. Derik folheia o livro.
Quem vamos processar? (Zenon)
Tá no final do feitiço, "Lahi"... Nasceu em 1900... Morreu em 1870??? Ah, tá, é antes de Cristo... (Derik)
Derik olha para todo mundo.
Você não estão com caras muito boas. (Derik)
Derik, querido, não devia ter olhado isso antes? (Estela)
Acho que eu que vou ter que limpar, né? (Derik)
Algum tempo, algum lugar
Parece que estavam se virando muito bem. (Uehfo)
Acho que Mel matava Etos em um segundo. Ou Lica, talvez Lica fosse o problema. (Xien)
Talvez Mel tivesse ido para cama com Etos e Lica e Guilherme e estaria todo mundo feliz. (Uehfo)
É, faz mais sentido. Bom, aparentemente tava controlando Ludmila o tempo todo da outra vez. (Xien)
Mel nunca é vítima. (Uehfo)
É. Não mais. (Xien)
Nilrem... (Uehfo)
Mel era uma criança. (Xien)
Uehfo olha para o nada.
Mas eu tava me referindo a segunda criança. (Xien)
Não dá pra amar algo que depende da sua vida e não ficar vulnerável. (Uehfo)
Tenho medo disso. Acho que não conseguiria carregar uma criança. (Xien)
Talvez a transformação de Angely tivesse mais a ver com isso. (Uehfo)
Será? (Xien)
Acho que podemos acelerar isso um pouco. Que acha? (Uehfo)
Xien sorri.
Não se empolga. Não é tanto assim. (Uehfo)
Xien desfaz o sorriso e solta os ombros. Uehfo pega a mão de Xien.

Resumo do Capítulo

Beatrice e Zenon falam sobre maldade e julgamento. Guilherme, alguém que Zenon transformou, aparece. Guilherme diz que não se transforma por completo antes de beber sangue, mas estava com muita sede quando acordou. Zenon diz que tudo que é vampir vai para o inferno, e Beatrice fica mal. Kat sonha com um caso, Zenon, Alan e Beleno vão resolver. Kat acha convites para o teatro no balcão, para Zenon. Guilherme fala com Synt, que deu os convites do teatro a Zenon. Zenon dá os convites a Kat e Derik. Zenon fala com Beatrice, se reconciliam. Zenon conta que matou todo o grupo de teatro de Synt uma vez, com Clítia. E que Synt criou um Hades, com Valesca, pra se vingar. Hades é alguém que sofreu transformação das duas linhagens. Zenon redefine os quartos. Beatrice diz a Michele que não vai mais implicar, por causa do que houve com Michele. Zenon encontra Guilherme e lutam. Synt vai a MEAK com Hades e pergunta porque não foi Zenon que foi a peça. Zenon fala para irem embora. Kat chama Alan e Michele para caçar. Janaína vem para ver sobre a agência com Estela. Organizam cargos e Janaína fala em pagar a agência. Zenon e Beatrice acham Inês, Derik e Lica, criança vampir, dormindo. Zenon tenta matar a criança, Guilherme impede e leva embora. Pergunta pra Inês, com raiva, se não percebeu. Inês chora. Derik leva embora. Beatrice diz que deve se desculpar. Guilherme e Lica conversam, falam sobre Guilherme ter salvado Lica diversas vezes. Lica diz que gostou de Derik. Beleno tenta crescer Inês, na intenção de que vão embora, mas pega Lica por acidente. Lica pede a Guilherme que lhe mate, Guilherme se recusa. Beleno conta que cresceu Lica. Tenta com Michele, não funciona. Beatrice não deixa testar consigo. Conta que cresce a si usando outras pessoas. Guilherme faz um desenho para Lica, de como ficou. Lica pede para Guilherme matar Beleno. Guilherme diz que vai pensar. Etos tenta seduzir Lica e some quando Guilherme aparece. Lica pede a Guilherme que transe consigo. Diz que Etos atenderia os dois pedidos, se os fizesse. Guilherme acaba cedendo. Etos sugere sair com Guilherme e Lica, Guilherme ameaça Etos. Etos ri e vai embora. Guilherme tenta matar Beleno, mas não tem coragem. Beleno faz atrás de Lica. Deixa apenas os ossos. Guilherme encontra. Vai ao jardim da MEAK. Enterra os ossos. Beatrice impede que Zenon mate Guilherme, sem que Guilherme tenha mostrado resistência a ideia. Etos vem atrás de Lish, mas desiste quando vê. Estela gosta do novo estilo de Etos. Começa a se corresponder com uma pessoa. Encontra Guilherme, sem saber quem é, e com venda. Se beijam. Guilherme vai embora. Zenon percebe o cheiro, Estela nega. Janaína fala com Estela sobre a agência. Falam sobre Guilherme, Estela diz que é mais seguro ainda se for Guilherme mesmo. Zenon ouve. Diz que é Guilherme. Etos beija Janaína, Janaína corresponde, Estela tenta sair, Etos sugere um menage, Janaína se irrita. Etos sai. Estela fala em saírem, Etos provoca novamente, Janaína se irrita de novo. Pedem para Michele caçar. Zenon olha diários de Estela e descobre que tem atração por vampir. Etos zomba de Michele. Michele lembra que transformou Etos. Zenon fica só com Estela. Tenta assustar Estela, com o fato de ser vampir. Sai. Etos vira, e diz que Estela gostou e Zenon não notou. Beija Estela, mas diz que vai esperar Estela crescer. Alan pergunta a Zenon se Estela gosta de Alan. Zenon confirma. Fala que não deveria fazer algo além de beijar, Alan diz que vê Estela como irmã. Estela vai atrás de Guilherme novamente. Guilherme percebe que Etos beijou Estela, concorda em aparecer, diz que vai pedir ajuda para caçar Etos. Zenon e Guilherme discutem. Guilherme e Zenon somem. As pessoas vão procurar, Estela fica. Acha um livro sobre pégasus na cama, dizendo que, se enterrar os ossos de vampir em menos de um dia, reverte o efeito. Lica que deixara, está com Etos. As pessoas voltam. Guilherme sobe, encontra Lica, Lica diz que deram "aula teórica" a Estela, Guilherme joga Lica pela janela, mas Lica puxa Guilherme junto e viram pó. Estela fica mal, Alan diz que sempre estará ali. Derik faz a dimensão armário, para guardar as coisas que não podem ser roubadas. Mas a MEAK desaba em si no processo.

Dara Keon