Canis
MEAK
B16

Canis ler resumo

Luana entra em um quarto. Lisa está na cama. Senta-se.
Então?! (Lisa)
Pode sossegar. Não é de Modret. (Luana)
Então não tem como Nilrem ter feito algo e fazer agora de novo... (Lisa)
Sempre tem. Se não sabemos porque Nilrem ficou em cima de Modret, não tem como saber o que mais Nilrem quer. (Luana)
Lisa suspira fundo.
Ainda mais com o coma esquisito de Domnik. (Luana)
Olha, eu sinto muito que isso tenha acontecido quando cheguei aqui, mas eu juro que não... (Lisa)
Luana sorri.
Que foi? (Lisa)
A gente não sai assumindo essas coisas assim por aqui. (Luana)
Sou da mesma espécie de Nilrem. (Lisa)
Essas também não. (Luana)
Lisa baixa a cabeça.
Acho que tenho muito a aprender ainda. (Lisa)
Luana sorri novamente.
E quem não tem? (Luana)
Tem quem queira aprender as coisas erradas. (Lisa)
Luana baixa a cabeça.
Às vezes eu tenho dúvidas da ideia de que todo mundo consegue ser boa pessoa. (Luana)
Luana volta a olhar pra Lisa.
Mas, se a gente começa a pensar assim, começamos a procurar uma linha onde pode separar pessoas boas de ruins. (Luana)
Talvez isso não seja de todo mal. (Lisa)
Tem certeza? (Luana)
Lisa encolhe e volta os ombros.
Imagina... (Domnik)
Luana coloca o dedo mindinho no meio da barriga de Lisa, na parte de cima, e vai descendo.
... se alguém traçasse uma linha de bem e mal entre suas crianças. (Luana)
Lisa arregala os olhos. Olha para a barriga. Luana tira o dedo. Lisa olha para Luana. Kat sente o rosto molhado. Senta bruscamente. Derik, que agachara-se ao lado da cama, se levanta.
Achei que alguma coisa tivesse acontecido. Você tá bem? Passei água no seu rosto pra ver se acordava... (Derik)
Kat coloca as pernas para fora da cama.
Água ou lágrimas? (Kat)
Kat passa as mãos no rosto de Derik.
Quanto tempo eu dormi? (Kat)
Hoje é noite de sexta. Dormiu quinta, quando chegou da escola... (Derik)
Você falou com alguém? (Kat)
Kat olha em volta. Vários livros espalhados pelo quarto.
Tentou resolver sem ninguém. (Kat)
Achei que fosse feitiçaria. A única pessoa que poderia me ajudar um pouco seria Estela, e talvez ficasse com mais medo que eu. (Derik)
Quanto custou a entrega? (Kat)
Que? (Derik)
Dos livros. Você não pensou em nada, não falou com ninguém porque não queria sair de perto de mim. Aposto que também não comeu. (Kat)
Deve estar com fome também, dormindo até agora... (Derik)
Não quer saber o que sonhei? (Kat)
Você nem se mexia... Só respirava. (Derik)
Derik baixa a cabeça.
"Só"... (Derik)
Derik olha para Kat.
Acho que foi isso que me manteve com esperança. (Derik)
Kat abraça Derik. Derik respira fundo e afasta.
Pode contar agora. (Derik)
Não sou da família de Angely e Edmont. (Kat)
Mel não é... (Derik)
Não. Testaram porque estavam com receio de Nilrem tentar algo contra Lisa, porque desconfiavam que era por causa de Nilrem o que aconteceu na gravidez de Domnik. (Kat)
Como assim? O que aconteceu? (Derik)
Mel não estava só na barriga. Mas a outra criança não saiu com vida. (Kat)
Tá falando sério?! (Derik)
Sim. Não sei se me espanto ainda com qualquer coisa vinda de Nilrem. (Kat)
E porque não estava no diário? (Derik)
Talvez tenha sido algo feito de impulso, talvez Mel ter resistido tenha sido uma falha que Nilrem não queria registrar, pode ser qualquer coisa. (Kat)
Edmont deve saber! Por isso aquilo que Beatrice me contou, que quer Melody... (Derik)
Acha que é por causa de Nilrem?! (Kat)
Não... Eu só quis dizer que ao menos não são... Cê sabe... Acha que Edmont pode chegar no nível de... (Derik)
Não. Edmont tem princípios. Não carrega todo o preconceito. Aliás, a palavra preconceito nem existe na nossa língua natal. (Kat)
Como sabe disso? Mel te contou? (Derik)
Porque diz isso? (Kat)
Você nunca viveu entre atlantes pra saber as coisas. Acho que está esquecendo parte dos seus sonhos, descobre as coisas e... (Derik)
Não tenho como lembrar como descobri tudo! (Kat)
Desculpa. (Derik)
Kat solta respiração forte e olha para a parede, engole seco.
É melhor eu ir fazer a janta. Você deve estar com muita fome. (Derik)
Derik sai do quarto. Atravessa a sala. Entra na cozinha.
Ah! Acabei achando sobre Lara... (Derik)
Derik pega uma panela no armário.
Aliás, de novo... quando aconteceu aquele negócio de Meg, eu tinha achado. (Derik)
Derik pega um pacote de macarrão no armário.
Esqueci por causa da confusão, nem falei mais, Beatrice não tocou de novo no assunto. (Derik)
Derik abre a geladeira e pega um pacote de molho.
Agora eu tava tão fora de mim que não fui falar ainda com Beatrice... (Derik)
Derik fecha a porta da geladeira e dá um pulo para trás. Respira fundo.
E o que achou? (Bea)
Por que as pessoas não tocam mais a campainha, e entram dizendo "Olá, tudo bem? Vim fazer uma visita..." (Derik)
Não sou uma pessoa e isso não é uma visita. Estranhei vocês sumirem. (Bea)
Já resolvi isso. (Derik)
E resolveu outra coisa também. (Bea)
Kat precisa se alimentar. (Derik)
Pago uma pizza. (Bea)
Pizza?! Tá de esculhambação! E eu com consciência pesada de fazer macarrão... (Derik)
Beatrice cruza os braços. Derik revira os olhos.
Te conto enquanto cozinho. (Derik)
Beatrice está em uma cadeira. Olha para Lara, que está na cama, ainda no mesmo estado. Zenon em pé.
Não merece isso. (Bea)
Vai ter que entregar isso para alguém. (Zenon)
Não vou deixar que escravizem Lara. (Bea)
Já imaginou como deve estar a agonia, se está aí, sem poder falar, se mexer, nada? E se fosse você? (Zenon)
Beatrice levanta, virando para Zenon.
Não sou eu! Lara nunca fez mal a ninguém! Será que você entende isso?! (Bea)
Nós dois entendemos. (Zenon)
Nós sabemos como é estar do lado ruim. Devia ser eu. Não é justo. (Bea)
Ele disse. Ela só acorda quando alguém colocar o anel no dedo... (Zenon)
Beatrice encosta Zenon na parede e coloca-lhe uma faca no pescoço.
Eu sei o que Derik disse. Que vai servir alguém o resto da eternidade. (Bea)
Vai ter que escolher alguém. Alguém da sua confiança... (Zenon)
Claro! Aí essa pessoa morre e Lara fica nas mãos de sei lá quem! (Bea)
Conhece um que não vai morrer. (Zenon)
Angely não tá aqui. (Bea)
Peraí, eu sei de alguém... Dá pra tirar isso do meu pescoço? (Zenon)
Beatrice guarda a faca e se afasta.
A garota que me libertou. A filha de Lish e Aléxis. (Zenon)
E como vou encontrar? (Bea)
Dei metade da idéia pelo menos. Talvez ela responda ao chamado da mãe. (Zenon)
Não sei. Talvez eu tente. (Bea)
Beatrice sai. Zenon se aproxima da cama onde está Lara.
Por que sua filha insiste em querer carregar o peso do mundo nas costas? (Zenon)
Kat está comendo. Pára.
Não vai comer? (Kat)
E se não sobrar pra você? (Derik)
Sobrar? Já é a terceira vez que repito, faz favor de fazer seu prato. (Kat)
Derik levanta. Pega um prato. Vai até o fogão. Coloca duas colheres de macarrão. Volta a mesa. Senta, colocando o prato a sua frente. Kat revira os olhos, pega o prato, levanta, vai até o fogão, coloca mais três colheres, volta a mesa, coloca o prato na frente de Derik e senta.
Ainda preocupação. (Kat)
Promete que não faz mais isso? (Derik)
Posso prometer que sempre voltarei, mas não quanto tempo vou estar fora. (Kat)
Já é um começo. (Derik)
Kat levanta, para ao lado de Derik, puxa para si e abraça.
Nossa, pra estarem comendo tanto... Estavam mesmo em lua-de-mel. (Estela)
Se afastam.
Alguma coisa na nossa ausência? (Kat)
Fora a prova de Artes? (Estela)
Por que não contou a Beatrice sobre o que descobrimos? (Derik)
Acabei esquecendo... Você também não contou! (Estela)
Acho que estava com medo da reação. (Derik)
Pelo menos ela não vai morrer, nem envelhecer. (Estela)
Têm certeza que não tem como resolver? (Kat)
Derik sai e volta com um papel. Entrega a Kat.
Será imortal e não mais envelhecerá. Porém pertencerá a quem usar o anel e deverá fazer o que mandar. Além da imortalidade, após a libertação do anel, a pessoa terá seu metabolismo parado e sua saúde depende da saúde da pessoa a quem servir. Esta pessoa tem por obrigação cuidar de quem lhe serve. Quando morre, quem serve cai em sono profundo até que outra pessoa tome para si o anel.
Só isso que acharam? (Kat)
Isso foi o Derik que resumiu. No livro conta a origem, etc. (Estela)
Essa origem, será que, se fizer o contrário, não acaba com o feitiço? (Kat)
Na verdade, é o jeito de matar a pessoa e quem estiver usando o anel. (Derik)
Então não é imortal. (Kat)
Mas é quase. (Derik)
Michele entra em casa.
Errou de casa. Achei que era só o Beleno que fazia isso. (Michele)
Não errei. Vim falar com você. (Bea)
Você e Zenon voltaram? (Michele)
Beatrice revira os olhos.
Não. Por que não tira isso da sua cabeça? (Bea)
Michele suspira.
Eu tenho ciúme de você ainda. (Michele)
Isso é besteira. (Bea)
Michele encolhe e volta os ombros.
Até agora vocês são tão unidos... (Michele)
Foi solidão. Zenon sabia que eu gostava de Ang e eu sabia que... (Bea)
Beatrice fecha a boca. Michele baixa a cabeça.
Isso passou. (Bea)
Não tenho tanta certeza. (Michele)
Não pensa nisso... (Bea)
Eu já sabia que ele tinha gostado, mas pra você dizer isso, quer dizer que realmente foi forte. (Michele)
Michele olha para Beatrice. Os olhos estão marejados.
E você comparou isso com o que sente pelo Angely. (Michele)
Zenon não sente mais nada por Mel. Talvez atração, mas isso não quer dizer nada. Se tá com você, sabendo que gosta mesmo... (Bea)
E se ele gostar dela? (Michele)
Se estiver com você e gostar de Mel, provavelmente acha... Não, tem certeza que você pode ajudar a esquecer Melody. (Bea)
Afinal de contas, ela não vai ficar com ele mesmo... (Michele)
Michele vira de costas, vai na direção do quarto, Beatrice se coloca em sua frente.
Pode parecer insensibilidade, mas não foi pra falar de Zenon que vim aqui. (Bea)
E pra quê veio? (Michele)
Preciso que fale com sua criança. (Bea)
Ah? (Michele)
Michele franze a sobrancelha. Desfranze.
Ah... (Michele)
Michele enxuga os olhos.
Não tenho filhos, Beatrice. (Michele)
Nessa encarnação, não teve. Tô falando de quem teve com Andrews. (Bea)
Michele franze a sobrancelha.
Quem é Andrews? Tem mais gente nesse rolo todo?! (Michele)
Beatrice fecha os olhos.
Desculpe. (Bea)
Beatrice abre os olhos.
Aléxis. (Bea)
Diamante. (Michele)
Com certeza eu não falava de quem tá dormindo. (Bea)
Pra quê? (Michele)
Um feitiço prendeu Lara a um anel. Preciso entregar a alguém para que acorde, mas ficará a mercê dessa pessoa. Diamante é boa pessoa, e é imortal. (Bea)
Ela não é imortal, tá morta. (Michele)
Quê? (Bea)
É um espírito. (Michele)
Droga... (Bea)
E Aléxis? (Michele)
Sem chance! (Bea)
Ensinou os humanos a... (Michele)
Acordaram na outra Realidade. Matou pessoas. Talvez realmente não seja ruim, mas é melhor não tentar descobrir. (Bea)
Beatrice franze a sobrancelha, desfranze, olha para a janela. Michele olha também. Etos sorri e sai. Beatrice vai até a janela. Não vê mais Etos.
Droga. Espero que encontre alguém com quem trepar no caminho e esqueça o que ouviu. (Bea)
Madrugada. Subterrâneo. Etos entra por uma porta. Um quarto simples, uma cama, uma mesa com papéis, lápis, uma cômoda com três gavetas. Argo está na cama, de barriga pra cima.
Toc-toc. (Etos)
Que eu saiba, o costume é bater antes de entrar. (Argo)
Soube algo interessante sobre Aléxis. (Etos)
É boato, é hétero. (Argo)
Não foi disso que falei. (Etos)
Vindo de você, só poderia ser sexo. (Argo)
Como tem certeza que é hétero? Já tentou? (Etos)
Eu não disse? (Argo)
Argo se senta na cama.
Eu também sou hétero. E você já sabe disso. (Argo)
Alguém que veio de outra Realidade disse que acordaram lá e matou pessoas. (Etos)
Argo franze a sobrancelha.
Sabe mesmo o que eu ensino pras minhas crias? (Argo)
Tudo bem, mas isso quer dizer que não caça mais a gente. (Etos)
De repente resolve acabar com todo mundo. (Argo)
Ia ser interessante descobrir. (Etos)
Devia ter batido na porta de Virgine. (Argo)
Não iria me ajudar. (Etos)
Etos franze a sobrancelha.
Acha que iria? (Etos)
Daria um jeito em você, que é o que merece. (Argo)
Argo volta a deitar. Etos encolhe os ombros e volta. Sai. Segue andando. Uma mão pega seu braço. Etos encosta na parede.
Quero falar sobre Aléxis. (Kassandra)
Já? (Etos)
Sim. (Kassandra)
Kassandra olha para a boca de Etos e volta a olhar nos olhos.
Pode ser mais tarde também. (Kassandra)
Kassandra beija Etos, que corresponde. Kassandra pula e trança suas pernas na cintura de Etos. Etos para de beijar e afasta o rosto.
Que foi? (Kassandra)
Tudo bem que a coisa pega fogo rápido, mas aqui é um pouco de esculhambação, não acha? (Etos)
Kassandra olha em volta, distorce o rosto.
É... (Kassandra)
Tarde. Kassandra pega o telefone e disca. Espera. Sorri.
Dilan? ### Acho que vai gostar de saber o que tenho a contar. (Kassandra)
Beatrice está em uma cadeira. Dilan com os pulsos presos ao teto, sangrando.
Então, ainda insiste? (Bea)
Bota na sua cabeça: ele caça vampiros. (Dilan)
Isso já é problema meu. (Bea)
Não, é meu também. Sou um vampiro. (Dilan)
Não precisa dizer isso. (Bea)
Beatrice levanta, vai até Dilan e beija. Dilan corresponde.
Eu sei. (Bea)
Por que quer acordar ele então? (Dilan)
Terá gratidão a mim. (Bea)
Vai te agradecer te mandando pro inferno. (Dilan)
Já me amou, vai amar de novo. (Bea)
Não sei de quando você o conhece, mas é louca se pensa que vai conseguir fazer ele voltar ao normal. É mais louca que ele ainda. (Dilan)
Beatrice solta as mãos de Dilan, que cai no chão. Dilan senta-se. Beatrice senta no colo de Dilan.
Talvez não seja tortura que vá te fazer falar. (Bea)
Dilan ri.
Posso ter quantas mulheres eu quiser. (Dilan)
Então por que perdeu sua noite vindo atrás de mim? (Bea)
Não sabia que isso custaria tão caro. (Dilan)
Tem mais três pra eu perguntar. (Bea)
Dilan franze a sobrancelha.
Há cinco vampiros no mundo que sabem onde ele está enterrado. (Dilan)
Mas tem alguém de quem eu não conseguiria arrancar isso nem que... (Bea)
Beatrice franze a sobrancelha.
Ou conseguiria? (Bea)
Vai torturar ela também? (Dilan)
Se você não me ajudar, vou direto a Elian. Creio que não saiba quem é. (Bea)
Sim, eu sei. Ele não sabe. (Dilan)
Mas eu sei que Kassandra gosta de Elian. Se você não disser, eu vou atrás de Elian. Vou matar Elian. Depois Kassandra. Se mesmo assim ninguém me contar, eu mato você. Vou matar até saber como trazer Aléxis. (Bea)
Elian já está morto. Sei que você já fez o serviço. (Dilan)
Do que você... (Bea)
E essa história de Kassandra gostar de Elian era coisa da cabeça dele. Kassandra só não acabou com Elian porque nunca descobriu como ele tinha enfeitiçado ela. (Dilan)
Você até que tem bastante informação. (Bea)
Sou um bom partido. (Dilan)
Eu quero Aléxis, não você. (Bea)
Vamos fazer uma aposta. (Dilan)
Aposta? (Bea)
Te conto onde ele está. Se ele ainda for um caça-vampiros, o que tenho certeza que é, matamos ele e você fica sendo minha. (Dilan)
Por quanto tempo? (Bea)
Pelo resto da sua vida. (Dilan)
Beatrice ri.
E se eu tiver razão? (Bea)
Viro seu escravo. (Dilan)
E pra que você me serviria? (Bea)
Isso você descobre. É esperta. (Dilan)
Não vejo vantagem pra mim. (Bea)
Se tivesse certeza do que fala, aceitaria. (Dilan)
Beatrice ri. Beija Dilan.
Eu tenho certeza. (Bea)
Isso é um sim? (Dilan)
Não. (Bea)
Beatrice empurra Dilan no chão, que grita.
Isso é um sim. (Bea)
Beatrice deita por cima de Dilan. Beija-lhe o pescoço. Começa a descer a mão pelo corpo. Abre os olhos, enrijecendo o corpo. Está em sua cama. Mais ninguém no quarto. Levanta, vesta uma calça e uma camiseta. Em sua cama, Zenon senta, puxa o lençol pra se cobrir. Encara Beatrice, que está na frente de sua janela.
Nada que eu nunca tenha visto. (Bea)
Tem coisa que você fala que eu agradeço da Michele não estar ouvindo. (Zenon)
Beatrice olha para baixo.
Que foi? (Zenon)
Beatrice olha para Zenon.
Sabe a sugestão que me deu? (Bea)
Sobre a Diamante? (Zenon)
Michele disse que morreu, é só um espírito, e sugeriu que eu achasse Aléxis. (Bea)
Vai fazer isso? (Zenon)
Eu sei onde tá. O caso é que CVs não se importaram em desenterrar, lá acordou com raiva e voltou a matar. (Bea)
Os humanos não sabem que Aléxis está vivo. (Zenon)
Como assim? (Bea)
A notícia correu como se os cinco tivessem emboscado e matado Aléxis. Eu só soube por Mel que Aléxis, que lá era Andrews, tinha sido enterrado séculos antes. Até correu um boato de que ele tinha voltado, mas se ouvisse o que fantasiaram... Que ele tinha vindo dos céus, que tinha vindo do inferno, que era o fim dos tempos... (Zenon)
Por isso não desenterraram. Podemos usar isso se alguém souber o que vai se tornar e acordar... (Bea)
Mas não saberão, só nós sabemos. (Zenon)
Etos me escutou dizendo isso a Michele. (Bea)
Por que Etos acordaria Aléxis? (Zenon)
Por que adora uma novidade. (Bea)
Descartamos Virgine e Rust. Odeiam Aléxis. (Zenon)
Argo também. Não quer Aléxis nem caçando a si, nem a humanos. (Bea)
Dilan e Kassandra. (Zenon)
Possivelmente. Mas Dilan é hétero. (Bea)
E daí? (Zenon)
Pelo que sei, Etos não curte tortura. (Bea)
Talvez não precise convencer, só contar. (Zenon)
E como vamos atrair Kassandra ou Dilan? (Bea)
Kassandra e Dilan. Temos que matar. (Zenon)
Podemos contar a Virgine e Rust. (Bea)
E como encontramos? (Zenon)
Não sei. Podemos simplesmente ir ao lugar onde Aléxis está. (Bea)
Ele te contou? (Zenon)
Sim. (Bea)
Então esteve com Aléxis. (Zenon)
E daí? (Bea)
Ele te contou onde estava enterrado, que achou que os humanos não se importaram com ele... Beatrice, tá com medo de caçar pessoas ou de você querer ficar com ele? (Zenon)
Beatrice senta na cama. Respira fundo.
Sonhei que tentava seduzir Dilan para que me dissesse onde tá, que ameaçava ir atrás de Kassandra... Que eu queria Aléxis, do jeito que fosse. (Bea)
Chegou a gostar dele? (Zenon)
Foi a primeira pessoa que me tocou sem ser só... Você sabe. (Bea)
Então ele também gostou de você. (Zenon)
Não sei. (Bea)
Talvez você o convencesse... Afinal, sozinho ele já se arrependeu. (Zenon)
Vamos pra onde está. Não sabemos o que pode acontecer. (Bea)
Noite. Campo. Dilan pega uma faca da cintura. Corta o pulso. Cai sangue na terra. Tudo treme. Aléxis sai da terra. Cai no chão.
Estamos em 2006. (Dilan)
Por que me soltaste? (Aléxis)
A pergunta certa não é porque nós te soltamos. Mas porque CVs não te soltaram. (Kassandra)
Aléxis se senta e olha para Kassandra.
Atraíste-me para a emboscada e agora apareces... (Aléxis)
Desde que me transformou sabia que eu só ajo segundo meus interesses. (Kassandra)
Aléxis. (Etos)
Aléxis se levanta bruscamente, olhando para Etos.
Não vi que estavas... (Aléxis)
Beatrice não gosta de sotaque. Vai ter que perder isso. (Etos)
Quem é Beatrice? (Aléxis)
Sabe que existem outras Realidades? (Etos)
Sim. Matei muitas bruxas. (Aléxis)
Hoje em dia bruxaria nem é necessariamente vista como ruim, mas isso não vem ao caso. Em outra Realidade também te enterraram e também acordou. Beatrice te conheceu lá. (Etos)
Uma bruxa? (Aléxis)
Vampir. (Etos)
Da Lish ou minha? (Aléxis)
Eu podia começar a usar essa sua nomenclatura também. Afinal, eu quem sou "responsável" pela primeira linhagem, Lish não transformou mais ninguém. (Etos)
Não respondeste. (Aléxis)
Bom, Elian que transformou, que Kassandra transformou. (Etos)
Sabe que a "nomenclatura" me agradou também? Se seguirmos isso, Edmont seria meu... (Kassandra)
E por que eu teria que agradar Beatrice? (Aléxis)
Qualquer homem quer agradar ela. (Dilan)
Algumas mulheres também. (Kassandra)
Elian criou Beatrice. (Etos)
Acabou de dizer isso. (Aléxis)
Não me entendeu. Desde que nasceu. (Etos)
Beleno entra no quarto de Beatrice. Beatrice está na janela.
Não vai sair pra caçar? (Bea)
Quase não tem nada nessas ilhas. (Beleno)
Por que estamos sempre de olho. (Bea)
Qual a última vez que pegamos algo? (Beleno)
Mas quando aparece uma encrenca... (Bea)
E isso quer dizer que não adiantou ficarmos de olho. (Beleno)
Podemos nos mudar pra São Paulo. (Bea)
Se deixarmos uma parte do pessoal aqui... (Beleno)
Não seria uma idéia ruim. (Bea)
Tenho uma outra boa idéia. (Beleno)
Beleno vai até Beatrice, vira Beatrice e beija. Beatrice corresponde. Mas para e afasta Beleno.
Que foi? (Beleno)
Se vampiros podem engravidar fênixs... (Bea)
Só se me matasse depois de... (Beleno)
Como pode ter certeza? (Bea)
Por que cansei de ficar na seca e perguntei pra Estela. (Beleno)
Quero que Estela me diga isso. (Bea)
Tenho algo melhor. (Beleno)
Beleno sai. Volta com um livro. Abre e entrega a Beatrice. Beatrice pega, olha, fecha e devolve a Beleno. Beleno pousa o livro na cama.
Então? (Beleno)
Não tenho mais tesão em você. (Bea)
Não tá falando sério, tá?! (Beleno)
Tô. Não desconfiou? Ficamos duas semanas sem fazer nada. Não foi porque eu não queria engravidar. (Bea)
Achei que era por causa da Lara. (Beleno)
Mas não era. (Bea)
Também pode ser por causa da Inês. (Beleno)
Beatrice franze a testa.
Que tem Inês?! (Bea)
Ela não te quer. Eu quero. (Beleno)
Você quer a mim e metade do planeta. (Bea)
E se eu fosse fiel a você? (Beleno)
Tem que cuidar da sua criança. (Bea)
Então é isso?! (Beleno)
É, é isso! (Bea)
Então vou embora com Alete e nunca mais volto. (Beleno)
Beatrice cruza os braços.
Vai. Já acostumei com essas coisas. (Bea)
Beleno sai. Volta e beija Beatrice.
Não entendeu ainda que não vou te largar por nada? (Beleno)
Beatrice afasta Beleno.
É melhor tirar isso da sua cabeça. (Bea)
E com o meu coração, o que eu faço? (Beleno)
Você tá se enganando. Não pode estar gostando de mim, não entende? Ninguém pode. (Bea)
Vou te provar. Não toco em mais mulher nenhuma, enquanto você não tirar esse absurdo da sua cabeça. (Beleno)
Tá me achando com cara de árvore? (Bea)
Árvore?! (Beleno)
Pra ficar com um monte de galho. Antes não, e depois? Eu não passo mais na porta? (Bea)
Depois que ver que te amo, vou te provar que posso ser fiel. (Beleno)
Alete precisa de você. Muito mais que eu. (Bea)
Beleno sai.
Se você fosse menos 220, eu te entregaria o anel. (Bea)
Beatrice baixa a cabeça. Suspira. Abaixa e pega uma mochila embaixo da cama. Abre, pousa em cima da cama. Abre a gaveta da cômoda, pega uma calça, coloca na mochila. Abre ourra gaveta, pega uma blusa, duas camisetas, em outra gaveta alguns pares de meia. Coloca na mochila. Vai até a cabeceira da cama. Abre uma gaveta. Pega um dardo tranquilizante, que era de Angely, e um punhal. Coloca o dardo na mochila e o punhal na cintura. Fecha a mochila. Coloca nas costas. Sai de casa, desce a escada, bate na porta de Zenon. Zenon abre.
Você vem comigo? (Bea)
Pra onde? (Michele)
Grécia. (Bea)
Algo especial lá? (Michele)
Não é coisa pra você resolver, Michele. (Bea)
Por quê? Sou a primeira vampira. (Michele)
Beatrice respira fundo.
Quando resolveu sair de casa, foi viver só, na rua? Acho que não. Alguma vez na sua vida passou por tortura? Outro não. Você já sequer falou com alguém que Aléxis criou diretamente? Olha, que surpresa, outro... (Bea)
Fiz tudo isso em outra encarnação. (Michele)
Michele cruza os braços. Beatrice tira o punhal da cintura, encosta Michele na parede e coloca o punhal em seu pescoço.
No dia que puder evitar isso, pode dizer que cresceu, criança. (Bea)
Não vai fazer nada, Zenon?! (Michele)
Beatrice tem razão. (Zenon)
Eu e Zenon já fizemos coisas bem piores do que colocar remedinho na bebida dos outros pra separar casal. Pode parecer muito bonitinho nos filmes essa coisa do bem sempre vencer, mas você tem que ter algo de ruim dentro de você pra encarar certas coisas. (Bea)
Beatrice solta Michele, guarda o punhal e sai. Zenon pega uma mochila do lado do sofá. Vai até Michele e beija.
Vai mesmo com ela? (Michele)
Michele, eu sei do que Bea tava falando. Me contou do que você fez. (Zenon)
É mentira dela. (Michele)
Você mudou, Michele. Não estou fazendo nada contra você, então espero sinceramente que não fique brava. (Zenon)
Acho que ainda tá com ela. (Michele)
Aléxis foi seu amante em outra vida. E eu não estou inventando que você queira ir para ver Aléxis. (Zenon)
É sobre Aléxis? (Michele)
Zenon franze a testa.
Disse bem, era outra vida. (Michele)
Sim, eu disse muito bem. E já que isso inclui romances, também inclui a sua suposta experiência. (Zenon)
Posso ir atrás de vocês se pedir dinheiro... (Michele)
Pro seu pai? (Zenon)
Pra Janaína. (Michele)
É, mas vai ter que nos encontrar. E isso vai precisar de bem mais que dinheiro. Fique aqui. Não é bom que vá atrás de Aléxis, muitos vampiros irão atrás. Disso você pode ter certeza. (Zenon)
Madrugada. Alan está na cozinha de sua casa, de frente para a pia.
Que foi? (Estela)
Nada. (Alan)
Mas levantou assim, no meio da noite, por nada? (Estela)
Estela vai até Alan, vai abraçar, Alan se vira. Estela volta os braços.
Tem certeza que gosta de mim? (Alan)
Estela cruza os braços.
Não. Eu tenho certeza que te amo. Serve? (Estela)
Que estava sonhando? (Alan)
Não lembro. (Estela)
Tem certeza? (Alan)
É um interrogatório? (Estela)
Alan pega o rosto de Estela entre as mãos e beija Estela, que descruza os braços e corresponde.
Eu posso não ser o cara mais observador e inteligente que existe. Mas eu percebo certas coisas. (Alan)
Estela franze a sobrancelha.
Não está com ciúmes do Derik, tá? (Estela)
Derik?! Não... Deveria? (Alan)
Claro que não. Então quem é? (Estela)
Esquece. Besteira minha. (Alan)
Sol a pino. Beatrice e Zenon estão dentro de um barco.
Tem certeza que pode nos colocar no navio? (Bea)
Sim. Já fiz isso várias vezes. (Zenon)
Vai matar alguém? (Bea)
Não! (Zenon)
Mas matava antes. (Bea)
Isso é só um detalhe. (Zenon)
Se for naufrágio, nos levarão de graça. (Bea)
E como fazemos com o sol? (Zenon)
Acho que vamos ter que viajar na clandestinidade mesmo. (Bea)
Vai entregar o anel a Aléxis? (Zenon)
Não. Eu estou indo para tentar impedir que Aléxis volte a matar. (Bea)
Toca o telefone de Zenon. Zenon atende.
Alan? (Zenon)
Avisei ao Grupo sobre Aléxis. (Alan)
Quê?! (Zenon)
Michele me contou. (Alan)
Sabia que ela não deixaria barato... (Zenon)
Eles foram atrás e descobriram que Aléxis veio para o Brasil. (Alan)
Mas eles nem sabiam onde ele estava! (Zenon)
Não, mas com a informação sobre a Grécia, colocaram vigias nos aeroportos e portos, reconheceram por um quadro antigo e verificaram que ele vinha. (Alan)
Detiveram quando desceu do avião? (Zenon)
Viram sair do avião, mas não entrar no aeroporto. (Alan)
Que merda. (Zenon)
Tarde. Zenon e Beatrice entram em uma van, com capas grossas.
Dilan tinha trazido pra cá da primeira vez. (Bea)
Será que já matou alguém? (Zenon)
Sei que Dilan e Kassandra não gostam de viver sem luxo. Não vai ser tão difícil achar. Devem estar em São Paulo, foi pra lá que foram da outra vez. Dilan é da Itália, Rust da Rússia, Virgine da Inglaterra, Argo da Holanda e Kassandra da França. Aléxis por algum motivo só criou por lá. Também não sei porque todo mundo acabou vindo para Brasil. (Bea)
Bom, o fato de Dilan ser italiano explica gostar de São Paulo. Mas acho que tem a ver com as guerras. (Zenon)
Achei que gostassem de guerras. (Bea)
Ninguém gosta de ser mutilado. E a perseguição é maior. (Zenon)
Já esteve em muitas guerras? (Bea)
Nem tantas. (Zenon)
Falando nisso, sabe onde estão aquelas pessoas que encontramos nas Ilhas? (Bea)
Provavelmente, não mais nas Ilhas. Por que esse súbito interesse? (Zenon)
Pensei em entregar o anel a alguém de lá. Se pegar apenas uma pessoa, é frágil, mas todo mundo ali junto... (Bea)
E se alguém refizer o feitiço? (Zenon)
Beatrice solta o corpo para trás.
Droga, viu... (Bea)
Vai conseguir descobrir como resolver isso. (Zenon)
Beatrice respira fundo.
Eram em quantas pessoas quando pegaram Andrews? (Bea)
Bastante, pelo que sei... Tinha Edmont, Dara, um policial, um CV e Rust. (Zenon)
E Mel? (Bea)
Coma. Andrews que fez. (Zenon)
Caralho. (Bea)
Pelo que sei, Rust sentiu algo por Dara, mas viu que tava com Edmont. (Zenon)
Sério? (Bea)
Rust chegou a se aproximar de algumas pessoas, mas Virgine sempre mata e diz que morreriam algum dia. Como ele não teria coragem de transformar alguém... (Zenon)
Vocês têm uma certa rixa, né? (Bea)
Zenon encolhe os ombros e volta.
Nem sei te dizer como isso começou. Só lembro de nunca ter gostado dele. (Zenon)
Você deve ter feito alguma coisa. (Bea)
Eu?! (Zenon)
Você já foi ruim. Rust é fraqueza. (Bea)
Claro! Agora ele é um santo! Faz um pedestal pra ele então! (Zenon)
Zenon acelera. Beatrice para, ri e balança a cabeça para os lados.
Dias depois. Noite. Aléxis e Juliana andam pela rua.
Qual disseste... (Aléxis)
Quê? (Juliana)
Qual você disse que era seu nome mesmo? (Aléxis)
Juliana. Mas pode me chamar do que quiser, meu amor, tá pagando. Tem certeza que quer ir a minha casa? Tantos lugares que... (Juliana)
Sua casa. Quero ver fotos suas. (Aléxis)
Não costumo tirar fotos. (Juliana)
Juliana se dirige a um portão. Abre. Passam por um corredor, com outras casas. Juliana destranca mais um portão, esse não é vazado. Entram. Juliana tranca. Há um quintal pequeno com tanque. Juliana destranca a porta, entram. Juliana joga a chave em uma mesa de centro. Há um sofá de dois lugares, dois móveis pequenos cobertos com um lençol, com uma TV em cima.
Então, como saberei que é sua casa? (Aléxis)
Pelo cheiro. (Juliana)
Sugere que eu fique farejando o chão? Como um cachorro? (Aléxis)
Juliana franze a sobrancelha.
Não, que saiba, como um vampiro. (Juliana)
Aléxis franze a sobrancelha. Juliana desfranze.
Que foi? Achou que eu não soubesse? (Juliana)
Estamos dentro sua casa. (Aléxis)
Tenho uma filha pra sustentar. (Juliana)
Não tem medo que eu faça algo com ela? (Aléxis)
Nossa, você é mesmo novo nisso. Me fez permitir diretamente que entrasse e não tem reflexo. (Juliana)
Juliana aponta um espelho, na parede perpedicular a da porta. Aléxis se vira e olha. Juliana arregala os olhos.
Peraí, se você não sabia que... Você vai... (Juliana)
Pretendia. (Aléxis)
Então não vai mais fazer isso? (Juliana)
Não sei. Estou confuso. (Aléxis)
Pediu pra eu ajudar com seu sotaque... Achei que tivesse alguma idade... Vampiros não costumam sair de seus países de começo, e vir pro Brasil não é exatamente embarcar num sonho, a Europa é muito melhor... (Juliana)
Juliana dá um passo para trás.
Por favor, não me mata... Olha, eu sou uma das melhores no que faço... (Juliana)
Eu sou um vampiro, você sabia disso. (Aléxis)
Sabe com quantos vampiros já trepei?! Aliás, já até tive que me limpar de cinzas por causa de caçadores impacientes! (Juliana)
Aléxis mostra os dentes, fecha a porta, segura nos braços de Juliana e encosta contra a porta.
Emboscou vampiros?! (Aléxis)
Não... Droga, acha que eu iria querer matar a clientela que melhor paga?! Tá escrito otária na minha cara?! (Juliana)
Aléxis solta e se afasta.
Nunca te machucaram? (Aléxis)
Claro que sim! Acha que humanos não machucam?! Tem cara que conseguiria fácil uma mulher, mas gosta de coisa que, se fizer com uma mulher comum, com certeza vai ter que se explicar. Por isso procura a gente. Faz o que quer e vai embora pra casa, pra namorada, pra esposa. Por que elas são as mulheres doces e gentis que eles não devem machucar. Isso os que não aprontam por lá também. Não sei de que bolha você veio, todo mundo sabe disso. (Juliana)
E sua filha? (Aléxis)
Minha filha fica bem protegida e bem longe daqui. Uma mulher me ajudou quando eu não sabia pra onde ir. Hoje eu sustento a ela e ela continua me ajudando, cuidando da minha filha. (Juliana)
E se um vampiro se apaixonasse por você e você não o quisesse, e ele fosse atrás dela? (Aléxis)
Juliana revira os olhos.
Sim, um homem já ficou obcecado por mim. Um humano. Sabe quem salvou minha filha, quando eu não esperava que ela precisasse ser salva? Um vampiro. E, adivinha! Ele não tava apaixonado por mim. Nem se quer me conhecia. (Juliana)
Rust nunca mais veio aqui. (Ísis)
Juliana arregala os olhos.
Ísis! (Juliana)
Juliana pega um roupão que estava pendurado na parede, veste, pega Ísis no colo e vai para o quarto.
Que tá fazendo aqui?! Cadê a Susy?! Por que ela te trouxe aqui?! (Juliana)
Quando o coração das pessoas pára de bater, quer dizer que a pessoa morreu? A vovó tá morta, mamãe? (Ísis)
Meu amor... O que...? (Juliana)
Ela não acordava... Peguei o pulso... No peito também não tem barulho... (Ísis)
Juliana abraça Ísis. Olha para trás. Aléxis está na porta.
Sai daqui! (Juliana)
Ela não sabe o que faz, sabe? (Aléxis)
Se tô fazendo pra ela não precisar! Agora saia daqui! Não tá me devendo nada, vai embora! Agora! (Juliana)
Sabe quem sou? (Aléxis)
Juliana se levanta e encara Aléxis.
Pela minha vida eu temo, pela dela eu mato. Agora sai. (Juliana)
Quem vai cuidar dela, agora que sua protetora se foi? (Aléxis)
Você com certeza não vai ser. Que vai me dizer, que vai dar a vida eterna a ela?! Muitos já me fizeram essa proposta. Eu não disse que meus clientes não matam, eu disse que eles não tentam me matar. Eu sei o que é isso. E essa vida eu também não quero pra minha filha. (Juliana)
Eu tive filhas. Gêmeas. Uma foi morta por um vampiro. A outra se rebelou, a primeira voltou para me ajudar. Não sei onde ela está agora. (Aléxis)
Juliana olha para Ísis.
Fica aqui, meu amor, tem uns amigos da mamãe que são meio doidos. (Juliana)
Você é psicóloga, mamãe? (Ísis)
Mais ou menos... (Juliana)
Não parece legal dizer na frente de um doido que ele é doido, vai deixar ele triste. (Ísis)
Só fica aqui, já volto. (Juliana)
Juliana vai para a sala. Aléxis segue.
Esse vampiro que matou ela, ele quem te transformou? (Juliana)
Na verdade, eu já... Enfim... Não. Eu não fui... Esquece. (Aléxis)
Aléxis olha para a porta do quarto. Volta a olhar para Juliana.
Precisa entregar essa menina para o pai. Sabe quem é o pai dela? (Aléxis)
Sim. Eu não achei que fosse acontecer algo de errado, ele tinha 14 anos. Era a primeira vez. Queria agradar. Nem sabia se ele conseguiria terminar, quanto mais me engravidar. Então, não me protegi. Mas não vou entregar Ísis pra ele. (Juliana)
Não tem mais quem cuide dela. (Aléxis)
E quem disse que ele vai ter? Deve ter uma família agora. Tem 23 anos. (Juliana)
Você disse que não quer que ela passe pelo que você passou. (Aléxis)
É? A primeira coisa que ele vai dizer é que não é dele. A segunda é que filha de puta é puta também. (Juliana)
Eu investigo ele pra você. Mas terás... Terá que me prometer que entregara se ele puder e quiser criar. (Aléxis)
Eu não tenho que te prometer nada. (Juliana)
Então eu derrubo você, levo-a e nunca mais irá vê-la. (Aléxis)
Vou morrer lutando. (Juliana)
E tua filha fica só do mesmo jeito! (Aléxis)
Juliana cruza os braços. Aléxis respira fundo.
Que tinha de errado no pai dela?! (Aléxis)
Nada. (Juliana)
Fale. (Aléxis)
Vai me matar se eu não falar? (Juliana)
Pode ser. Vou matar exatamente a única pessoa que se importa com a sua filha. Quer isso? (Aléxis)
É assim que espera ganhar minha confiança? (Juliana)
Se na base da confiança não funciona... (Aléxis)
Juliana descruza os braços e revira os olhos.
Fui expulsa de casa porque tava tendo um caso com a mãe dele, cinco anos antes de conhecer ele. Ela não me ajudou. Não quero que chegue perto da minha filha. (Juliana)
Ela não necessariamente precisa chegar perto. (Aléxis)
Ela saia com muitos homens e mulheres, sabe? Não sabia ser fiel, ou respeitar o sentimento dos outros. O filho dela mesmo: tinha dois pais, porque não dava pra fazer teste de DNA, eram gêmeos. Casou com um deles, ele foi atrás de uma vampira quando descobriu que ela tava traindo ele com outras pessoas, ele acabou transformado e o irmão quem teve que matar ele. Não tem senso de nada... Fiquei sabendo que até roubar a noiva do filho ela roubou! (Juliana)
Então pode ficar sossegada, ele não vai deixar ela chegar perto da menina. Não deve querer essa mulher por perto. (Aléxis)
E se algo acontecer com ele?! Ele caça vampiros, essas pessoas sempre morrem cedo! (Juliana)
Prostitutas também. Acha que vai poder mantê-la perto pra sempre? (Aléxis)
Posso tentar. (Juliana)
Não, não pode. Vou até os CVs, vou levar sua filha. (Aléxis)
Ela não é caçada por nenhum vampiro. (Juliana)
Vou dar um jeito nisso. Não a deixe sozinha... (Aléxis)
Aléxis tira uma carteira do bolso. Juliana olha para a carteira.
Não é você nessa... (Juliana)
Aléxis tira notas de cem da carteira, conta e entrega a Juliana.
Bom, nem todo mundo sai tão parecido na foto. (Juliana)
Aléxis encara Juliana.
Cê tem que aprender a não julgar ninguém no meu meio. (Juliana)
Acho que isso deve dar enquanto não se resolve isso. (Aléxis)
É muito. (Juliana)
Ótimo. (Aléxis)
Aléxis sai. Pula o primeiro portão. Pula o segundo. Beatrice está do lado de fora.
Eu ia te dizer que alguém pode te ver e chamar a polícia, mas isso seria mentira. (Bea)
Ela não vai mais trabalhar nisso. (Aléxis)
Quê? (Bea)
Vai cuidar da filha agora. (Aléxis)
De quem caralhos você tá falando? (Bea)
Farejou-me até aqui? (Aléxis)
Beatrice tira o tranquilizante do bolso, Aléxis tira da mão de Beatrice e espeta em Beatrice. Beatrice vê o mundo ficar turvo. Abre os olhos. Está com amarras em uma cadeira.
Caralho... (Bea)
Mandaram-te para espionar-me? (Aléxis)
Não. (Bea)
Então porque o tranqüilizante? (Aléxis)
Caço coisas como eu e você. (Bea)
Ah, sim, aí soube que eu estava de volta e resolveu matar-me, afinal, não fui eu quem ensinou os CVs e lhes deu poder para subjugar os vampiros! (Aléxis)
Vim de outra Realidade. Uma que você acordava matando. (Bea)
Penso que estavas a espionar-me, que te mandaram, para ver se eu acordava bom ou ruim, então decidiriam se me enterrariam ou não, não foi para o que foste mandada? (Aléxis)
Dá pra disfarçar a porra do sotaque? A desgraça que me criou falava assim e eu não gosto de ficar lembrando daquela coisa! (Bea)
Beatrice. (Aléxis)
Aléxis senta-se. Beatrice revira os olhos.
Deixa eu adivinhar, conheceu Etos? (Bea)
Já conhecia de antes. (Aléxis)
É, eu imagino. (Bea)
Não me disseram que caçavas... (Aléxis)
Eu caço, tu não caças, você caça... (Bea)
Já entendi. Ainda estou tentando. (Aléxis)
Posso te ajudar. A coisa me criou, também tinha sotaque. Mas porque quer largar? (Bea)
Me disseram que tinha que perder o sotaque pra te agradar, que qualquer homem queria te agradar. (Aléxis)
Quem te acordou? (Bea)
Alguns dos que me enterraram. Parece que não fez muita diferença pros humanos... (Aléxis)
Não sabem. Te enterraram e espalharam por aí que tinha morrido. (Bea)
Isso é sério? (Aléxis)
Quem, exatamente, te acordou? (Bea)
Kassandra, Dilan e Etos. (Aléxis)
Bom, te dou as boas-vindas ao terceiro milênio, onde vampirs não tem mais o que fazer e ficam pregando peças. (Bea)
Como assim? (Aléxis)
Etos vive me enchendo o saco. (Bea)
Por que os caçadores ainda não... (Aléxis)
Não vale o trabalho ir atrás. Não mata pessoas, no máximo arrancou coisas de gente que não era exatamente angelical, e dispensaria tempo demais pra pegar. (Bea)
Não se fizessem uma armadilha... (Aléxis)
Qualquer segundo dedicado a isso seria desperdício. (Bea)
Conhece os CVs? (Aléxis)
Não muito. Por que? (Bea)
Preciso de um lugar pra uma menina. (Aléxis)
Vampir tá atrás? (Bea)
Não. A mãe dela não tem como ficar com ela. (Aléxis)
Bom, então leva pra um orfanato. (Bea)
Já tem 8 anos. (Aléxis)
Só não aceitam com 18. (Bea)
Mas queria uma família, sabe? (Aléxis)
Se você se preocupa com coisas assim, acho que não vai sair por aí matando pessoas, vai? (Bea)
Eu ia matar. A mãe dela. (Aléxis)
Como assim?! (Bea)
Não sei. Tava com sede, confuso... Sei lá... Quando você vê uma demonstração de afeto... (Aléxis)
Você tem umas coisas bem esquisitas. Ainda está com sede? (Bea)
Sim. (Aléxis)
Aléxis arregala os olhos.
Ei, eu não matei a mãe dela! Está achando que por isso quero arranjar um lugar para a garota?! (Aléxis)
Nunca se sabe. Tem uma planta que substitui o sangue. (Bea)
Sério? Onde? (Aléxis)
Vai ter que viajar comigo. Agüenta a fome? (Bea)
Não trouxe nada com você? (Aléxis)
Trouxe. Mas tá com alguém. (Bea)
Outro vampiro? (Aléxis)
Também caça coisas. (Bea)
Imaginei. (Aléxis)
Pode me desamarrar? (Bea)
Virada do dia. Aléxis e Beatrice entram em um galpão. Zenon vem dos fundos.
Até que enfim... (Zenon)
Zenon olha para Aléxis. Então para Beatrice.
Devo deduzir que não vai matar ninguém? (Zenon)
Ele também é da outra Realidade? (Aléxis)
Sim. (Zenon)
Tá com sede. (Bea)
Zenon tira algo do bolso e joga para Aléxis. Um pacotinho com folhas moídas.
O gosto não é dos melhores... (Zenon)
Mãos onde eu possa ver! (Carlos)
Beatrice, Zenon e Aléxis olham para Carlos. Carlos está apontando uma arma para Zenon.
É pra considerar? (Zenon)
Eu sei o que é isso! Vocês são traficantes! Ficam vendendo drogas pra crianças em porta de escola! (Carlos)
Zenon segura uma risada, Beatrice coloca a mão no rosto, na altura dos olhos. Aléxis olha para o pacote em sua mão.
É disso que tá falando? (Aléxis)
É claro que é! (Carlos)
Beatrice tira a mão do rosto.
É um remédio, ainda está em fase de testes... Pra ajudar com certos problemas particulares. (Bea)
Não vai me enganar! (Carlos)
É sério, não levanta. (Bea)
Zenon ri, engasga. Beatrice encara.
Eu sei que não é isso! (Carlos)
Dá um susto nele, falta pouco pra ele se borrar! (Zenon)
Aléxis abre a boca, com os caninos crescidos. Toma cinco tiros. Carlos sai correndo em seguida. Beatrice vai até Aléxis. Baixa perto.
Que merda... (Bea)
E a donzela abaixa sobre o herói ferido e diz: "Que merda..." (Aléxis)
Não sou donzela e você não é herói. (Bea)
A propósito, ao que você se referia quando disse que não levantava? (Aléxis)
Beatrice, aviso: isso não é uma pergunta para saber realmente, ele quer é te provar o contrário! (Zenon)
Ah? (Aléxis)
Vamos levar daqui. (Bea)
Anoitecer. Beatrice e Zenon entram na MEAK. Aléxis entra atrás. Alan olha pra Aléxis.
Ei! É ele! (Alan)
Não, é um dinossauro. Pediu ajuda pra gente pra fazer cosplay de vampiro, disse que tá na moda. (Zenon)
Vou ligar e dizer que pegaram! (Alan)
Alan pega o telefone. Zenon vai até o balcão e tira da mão de Alan.
Que foi? (Alan)
Não é ruim. (Zenon)
Eles podem decidir isso. (Alan)
Não tem que decidir nada. (Zenon)
Nem vocês. (Soraia)
Oi. (Zenon)
Como tem caçado? (Soraia)
Vampiros, demônios... Nada humano. (Zenon)
Ótimo. Porque quem tinha se responsabilizado por você parece que fugiu. (Soraia)
Faz três anos inclusive. Pode ficar aqui e ficar olhando se quiser. (Zenon)
Talvez eu faça isso. Por enquanto, levarei Aléxis comigo. (Soraia)
Beatrice cruza os braços.
Posso saber como vai fazer isso? (Bea)
Se não deixarem, chamo reforços. (Soraia)
Chame minha filha. Ela dirá se devo morrer ou viver. (Aléxis)
E se todos deixassem de ser vampiros quando você morresse? (Soraia)
Não acontece. Morreu na outra. (Bea)
Como posso ter certeza? (Soraia)
Azar seu se não tem. (Bea)
Pode ficar aqui, se quiser. Traga seu salário inclusive, porque a vida aqui, como no resto do mundo, não é de graça. (Zenon)
Soraia balança a cabeça para os lados. Sai.
Noite. Aléxis está dormindo. Beatrice dormiu ao lado, mais próximo a janela. Aléxis acorda. Levanta. Vai até a janela. Olha para o mar. Se vira e olha para Beatrice. Franze a sobrancelha. Agacha e pega o anel do chão. Coloca o anel no polegar. Toca o ombro de Beatrice, que entreabre os olhos.
Que anel é este? (Aléxis)
Beatrice arregala os olhos e senta na cama.
Por que fez isso? (Bea)
Se quiseres de volta... (Aléxis)
Aléxis coloca a mão no anel.
NÃO! Não pode devolver! (Bea)
Está bem... (Aléxis)
Aléxis tira a mão do anel e senta-se na cama. Beatrice se levanta.
Que acontece? (Aléxis)
Você sabia. (Bea)
Do que? (Aléxis)
Etos deve ter te falado... Por isso eu sou quem qualquer pessoa quer agradar, o anel! É quase imortalidade! (Bea)
Aléxis franze a sobrancelha e olha o anel.
Mas o Olho da Lua era azul... (Aléxis)
Não se faça de idiota! (Bea)
Batidas na porta.
Quem é??? (Bea)
Aqua. (Aqua)
Beatrice respira fundo. Vai até a porta. Olha para baixo. Olha para o teto. Respira fundo novamente. Abre a porta.
Lara? (Bea)
Aqua. (Aqua)
Aqua se ajoelha diante de Aléxis. Beatrice dá um soco na parede.
Ela é tua mãe? (Aléxis)
Aqua levanta e olha para Beatrice.
Não. Ela me salvou. (Aqua)
Outra Realidade... (Aléxis)
Beatrice pega Aléxis pela mão e puxa para a sala.
Aqui Lara perdeu a criança. Senti quando morreu. (Bea)
Por que a criança era tu. (Aléxis)
Veio pra pegar o anel, não foi? (Bea)
Não. O que é este anel? (Aléxis)
Devo mesmo acreditar em você? (Bea)
Só se tu... você quiser. (Aléxis)
Beatrice olha para o quarto. Olha para Aléxis.
Agora Lara serve a você. Peço pra Derik te explicar depois. Volta a dormir, que ainda não se recuperou da ferida. (Bea)
Beatrice bate na porta da casa de Zenon. Michele atende.
Que você quer? (Michele)
Encontramos Aléxis. (Bea)
Ele me contou. (Michele)
Preciso falar com Zenon. (Bea)
Zenon abraça Michele. Está só de calça.
Fale. (Zenon)
Volto outra hora. (Bea)
Não, se for importante... (Michele)
Os botões da sua blusa estão trocados, Michele. (Bea)
Beatrice sai andando. Zenon vai atrás.
Não tá com ciúmes, tá? (Zenon)
Poderia ser inveja porque vocês têm com quem transar. Ciúmes, não. (Bea)
Vocês?! Peraí, veio dizer algo e ainda não disse! (Zenon)
Não converso com gente armada. (Bea)
Zenon olha pra baixo. Coloca a mão na frente da parte de cima da calça.
Vou tomar um banho frio. (Zenon)
Ótimo. Vou estar na minha casa. (Bea)
Beatrice sobe a escada.
Beatrice entra em casa. Beleno encosta Beatrice contra a parede.
Não estive com ninguém. (Beleno)
Por isso que tá no cio? (Bea)
Ouvi o que disse pra Zenon. (Beleno)
Vai continuar sem ninguém no que depender de mim. (Bea)
Por que continua com isso? (Beleno)
Falta o que, um mês e meio? (Bea)
Um mês. Não deixou de amar Angely porque tava cuidando de mim e de Inês. E não deixou de transar com Zenon porque queria Angely. (Beleno)
Não pretendo sair com mais ninguém. (Bea)
Beleno se afasta.
Cada vez é um motivo. Será que não consegue parar de mentir? (Beleno)
Zenon vai vir falar comigo. É sobre Aléxis. (Bea)
Beleno balança a cabeça para os lados.
Bem que senti o cheiro de outro homem em você... (Beleno)
Não é isso... (Bea)
Beleno sai voando.
Que droga, Beleno! (Bea)
MEAK. Aléxis e Aqua estão do lado de fora. Asas. Aléxis some. Aqua olha para cima. Seus olhos ficam brancos completamente. Materializam-se arco e flecha em suas mãos. Atira. As asas brancas caem no mar. O arco some. Aqua corre para a beirada e pula no mar.
Três meses depois. Madrugada. Aléxis e Beatrice estão na cama. Beatrice se senta na cama.
Que foi? Ainda se sente mal com o que aconteceu? (Aléxis)
Sei que Beleno precisava levar um chega pra lá, mas... (Bea)
Olha só, meu casal preferido. (Etos)
Beatrice olha para a janela. Aléxis senta na cama.
Nossa, realmente uma grande coincidência nos encontrar na nossa casa. (Bea)
Vão gostar do que encontrei. (Etos)
Templo abaixo da floresta de Ares. Beatrice, Etos e Aléxis descem. Beleno sentou-se no chão, com uma criança nos braços. Alete está a seu lado. Alete olha e aperta o braço de Beleno. Beleno fareja o ar.
Que fazem aqui? (Beleno)
Não precisa se isolar assim. (Bea)
Eu decido o que preciso ou não fazer. Você não decidiu sua vida? (Beleno)
E elas? (Aléxis)
Estão muito bem aqui comigo. Fênixs são selvagens e independentes por natureza. (Beleno)
E eu? (Inês)
Beatrice e Aléxis olham para Inês. Beleno se levanta, Alete também.
Pode ficar com a gente se quiser. (Beleno)
Aqui? (Inês)
Se não quer... (Beleno)
Pelo menos podemos ir pra outro lugar? Um lugar limpo? Uma casa? (Inês)
Em que país? (Beleno)
Beleno... (Bea)
Não quer que eu leve ela de você? (Beleno)
Quero que fique aqui. (Bea)
Eles não vão voltar, Beatrice. (Beleno)
Se for pra ele não viver assim... (Aléxis)
Quem te disse que você tinha direito à opinião? (Beleno)
Beleno estende a criança a Alete, que pega a criança e sai.
A próxima vez que me encontrar e me entregar, será meu próximo jantar. (Beleno)
Vai me comer? Isso é uma promessa? (Etos)
Beleno sai.
Mereço recompensa? (Etos)
Beatrice olha para Aléxis.
Você colocou algum cartaz? (Bea)
Não, você colocou? (Aléxis)
Não que eu lembre. (Bea)
Beatrice e Aléxis saem. Inês olha para Etos.
Nem olha. Ainda posso colocar fogo em você. (Inês)
Talvez você goste. (Etos)
Falou, Calígula. (Inês)
Tarde. Inês acorda na cama da MEAK. Beleno está em pé lhe olhando.
Tava falando sério quando falou que iria embora comigo? (Beleno)
Continua aqui por minha causa, né? (Inês)
Nasci pra te defender. (Beleno)
Beatrice... (Inês)
Não toca nesse nome. (Beleno)
Não queria te maltratar. (Inês)
Não. Ela simplesmente não me queria. (Beleno)
E te disse isso. (Inês)
Por que não eu? Por que qualquer um menos eu? (Beleno)
Sabe de quem somos filhos. (Inês)
Mas você ela não rejeitou. (Beleno)
Inês franze a sobrancelha.
Não tentei nada com Bea. (Inês)
Pois é, nem precisou tentar! (Beleno)
Foi quem transformou nosso pai. (Inês)
Então ela me acha parecido com ele?! (Beleno)
Não! (Inês)
Óbvio que não! Por que até com ele ela ficou! (Beleno)
Como quer ter alguma coisa com Bea se continua agindo como Edmont? Como se tivesse obrigação disso? (Inês)
Ela disse que obriguei ela?! (Beleno)
Não, Beleno! Conta muita coisa pra mim, mas isso eu vi! (Inês)
Viu? Do que está falando?! (Beleno)
Você chega, encosta na parede, aproveita a fraqueza e faz o que quer. Acha que já não cansou disso? Teve bastante disso antes de vir pra cá. Precisa de alguém que saiba quem ela é, não mais um que acha ela gostosa. (Inês)
Eu amo essa desgraçada!!! (Beleno)
Então mostra isso direito! (Inês)
Já que a conhece tão bem, casa com ela então! Com certeza ela aceita! Aceita qualquer um que não seja eu! Vai ver que ela tem medo que eu acorde com fome no meio da noite e resolva comê-la do jeito que ela não gosta! (Beleno)
Beleno sai voando pela janela. Inês respira fundo. Arregala os olhos. Olha para a porta. Beatrice parou ali.
Beleno tá com raiva. (Inês)
Já ouvi coisas piores de Edmont. Beleno vai embora mesmo? (Bea)
Não sei. (Inês)
Beatrice sai.
Beatrice entra em casa. Tira a capa. Pendura em um gancho na parede. Um braço segura seu corpo, com braços juntos, e uma mão tampa sua boca com um pano. Beatrice se debate. Cede.
Beatrice abre os olhos. Pernas e os braços com correntes presas a uma cama, cercada por grades. O cômodo onde está a gaiola é grande. Do lado de fora das grades, Aléxis está com os pulsos em correntes que ligam ao teto. Rust está em uma cadeira dentro das grades, olhar fixo em Beatrice, também com correntes. Vampirs pelo quarto. Virgine está atrás de Rust.
É assim que faz com que faça o que você quer? (Bea)
Ele tem uma maldição, ou algo do gênero. Tinha 27 anos e cara de 18 quando encontrei. E um bracelete de esmeralda. Disse que nunca tinha tirava, que diziam para não tirar. (Aléxis)
É isso. Eu tiro sempre que quero. Faço o que eu quiser com ele. Sabe o que é mais... interessante? (Virgine)
Que Katerine vai sonhar com isso e acabar com sua festa? (Bea)
Katerine sonha com o que tá perto, ela percebe quando tá dormindo o que está a sua volta e consegue ligar as coisas e saber o que vai acontecer. Quando é perigoso, recebe o alerta. É como uma visão do mundo mais expandida. Você até vê os carros de movendo, mas só presta atenção se um estiver vindo na sua direção. (Virgine)
Virgine se senta na cama. Coloca a mão na canela de Beatrice, perto da tornozeleira.
Você foi transformada com 12 anos, com cara de 18. E quando nós falamos cara, nos referimos ao nosso olfato na verdade, com cheiro de 18. Se fizer as contas, os dois são 3 anos a cada 2. (Virgine)
Elian fez um feitiço. (Bea)
Elian não teve nada a ver com isso. No máximo deve ter descoberto o bracelete de controle. (Kassandra)
Olha, todo mundo aqui... Vai ser assim tão interessante? (Dilan)
A gente pode tentar outras coisas. (Etos)
Dilan se vira e dá passos para trás, olhando para Etos.
Não se assuste, sei que nunca tentou, porque não experimentar? (Etos)
Dilan abre a boca. Fecha.
Pronto, agora isso vai virar um puteiro... (Aléxis)
Foi num que me achou. (Kassandra)
Pois é! (Aléxis)
Não esqueçamos quem é nossa convidada de honra. Tão calada... (Virgine)
Tava morrendo no hospital, era bebê, foi isso que me curou, o feitiço... (Bea)
A pedra. Rust também usa desde que nasceu. (Virgine)
Beatrice puxa a perna.
Calma. A sua corrente é mais fraca que a dele. Vai soltar assim que eu te livrar disso. Vamos ver se você fica tão interessante quando o Rust. (Virgine)
Virgine levanta.
Não se preocupe. Vou soltar ele também. (Virgine)
Manhã. Beatrice abre os olhos. Os braços de Rust estão em volta de Beatrice. As correntes penduradas no teto do lado de fora permanecem, mas Aléxis não. Olha para o braço de Rust, a esmeralda está ali. Em seu tornozelo também. Beatrice se senta na cama.
Rust? (Bea)
Rust abre os olhos. Se senta.
Que houve? (Rust)
Rust olha em volta.
Sem corpos dessa vez. (Rust)
Costuma fazer muito isso? (Bea)
Sempre que fica com vontade. Estou com Virgine há mais de meio milênio, então já perdi a conta. Não parece ter qualquer diferença de quem conheci lá. (Rust)
Virgine sabe? Porque, do jeito que falou... (Bea)
Kassandra tem poderes, mais que muitas pessoas. Pedi que alterasse a realidade. Só quem veio e Kassandra mesmo não afetou. (Rust)
Rust levanta da cama. Olha para fora da grade.
Você nunca lembra do que aconteceu? (Bea)
Pior. Demoro, mas lembro de tudo. (Rust)
Desistiu de se tornar boa pessoa por causa disso? (Bea)
Rust se vira para Beatrice.
Se Deus quisesse que eu fosse boa pessoa, não teria feito o que fez. (Rust)
Rust olha para o chão. Pega uma calça e uma camisa. Joga em cima da cama. Veste a calça, depois a camisa. Se senta na cama, de costas para Beatrice.
Já tentou lutar contra isso? (Bea)
Rust olha para o teto.
Quanto pude. E sempre que tenho alguma força pra isso. (Rust)
Quando não tem, chora sempre? (Bea)
Rust baixa a cabeça. Beatrice vai para a frente de Rust. Agacha. Levanta o rosto e limpa as lágrimas com as mãos.
Já tentei me matar. Virgine não deixa. Já tentei parar. Virgine não deixa. (Rust)
Podia ter ficado livre quando veio pra cá. (Bea)
A culpa é minha. Mas eu só queria poder cuidar de Virgine sem ter que... (Rust)
Rust olha para a janela.
Vai ver é parte da minha punição. (Rust)
E se eu te ajudar? (Bea)
Te prende também. Se é que já não prendeu. (Rust)
Já tentou matar Virgine? (Bea)
Sabe que não posso. (Rust)
Acho que precisa de alguém pra colocar no lugar. (Bea)
Fazer cagada com outra pessoa? (Rust)
Não tenho mais tanta certeza que seja culpa que te prende. (Bea)
Beatrice olha para as correntes no teto.
Cadê Aléxis? (Bea)
De quadro com o pau de Etos enfiado na bunda. Quem se importa? (Rust)
Eu me importo. (Bea)
Virgine é quem é por culpa de Aléxis também. (Rust)
Tá com pena de Virgine? (Bea)
Se você pode ter de Aléxis... (Rust)
Aléxis começou a caçar o que criou. Teve coragem pra enfrentar os próprios instintos. (Bea)
Me diz se o que aconteceu com a gente dá pra enfrentar! (Rust)
Talvez Virgine já fosse ruim. Aléxis apenas fez ser imortal. Como você pediu, aliás. (Bea)
Valeu por me lembrar disso. (Rust)
Também quase fiquei a merce pra sempre de uma monstruosidade que criei. (Bea)
Quando encontrar a pessoa legal que nasceu com Virgine, pode me contar. (Rust)
Tá querendo dizer que foi mais fácil pra mim?! (Bea)
Não. Só que você tem quem pare Edmont. (Rust)
Eu tô me oferecendo pra parar Virgine. (Bea)
Só que agora você tá no mesmo barco que eu. Se eu estou começando a me lembrar, você também deve estar. (Rust)
Beatrice fecha os olhos. Abre.
Virgine disse que agora lhe pertenço também. (Bea)
Espero que o balanço não te dê enjoo. (Rust)
Tarde. Rust e Beatrice estão na cama. Deitaram-se, estão olhando para o teto.
Agora não tá só, podemos lutar contra isso. (Bea)
Também é atlante, né? (Rust)
Sabe muito sobre atlantes? (Bea)
Quem me gerou me contava. Era. Morreu por causa disso. Por não ser um ser humano. Na mão de seres humanos. Como são as criaturas que vocês tentam proteger. (Rust)
Parece que não é só Virgine que te força. (Bea)
Vou pro inferno de um jeito ou de outro, se Virgine me deixar morrer. (Rust)
Beatrice franze a testa. Levanta, agacha e pega uma chave embaixo da cama.
Sim, sempre deixa a chave. E conta sempre onde deixou. (Rust)
Beatrice levanta.
E porque nunca foge? (Bea)
Eu sempre fujo. (Rust)
Rust levanta. Pega a chave da mão de Beatrice, abre a porta. Sai. Beatrice sai também. Pega a chave da mão de Rust, tranca a gaiola e joga a chave pela janela.
Virgine se irrita com essas coisas. (Rust)
Dane-se. Vou procurar Aléxis. (Bea)
Virgine levou pra Grécia de volta. (Argo)
Rust e Beatrice olham para Argo.
Que pena. (Rust)
Acho que não vai conseguir fazer o feitiço sem nós lá. (Argo)
E o que estamos esperando? (Rust)
Noite. Argo e Rust chegam em uma sala. Aléxis, de olhos fechados, está com correntes no pulso, vão até o teto. Kassandra, Dilan e Virgine estão na sala.
Até que enfim. Tenho mais o que fazer. (Kassandra)
Deixa adivinhar, Etos não quis vir? (Rust)
Não é da sua conta. (Kassandra)
Dilan sorri.
Ela tomou um toco. (Dilan)
Kassandra olha para Dilan.
Você também. (Kassandra)
Dilan desmancha o sorriso.
Não sei do que você tá falando. (Dilan)
Não precisa se envergonhar, italiano. Muita gente gosta de experimentar coisas novas. A primeira vez sempre dói, depois fica bom. (Kassandra)
Vai pro inferno, Kassandra. (Dilan)
Virou viado depois de tanto tempo? (Rust)
Dilan vai na direção de Rust, Virgine coloca o braço na frente, segurando Dilan.
Temos uma coisa pra fazer. (Virgine)
Ou não. (Argo)
Vampirs com armas invadem o lugar, atrás de Argo. Vampirs que estavam nas sombras, atrás de Virgine, com roupas iguais, também avançam e levantam armas.
Assim fica fácil quem caça mirar, Virgine. (Argo)
Já falei pra pintar um alvo na bunda do uniforme também. (Rust)
Kassandra olha para Dilan.
Acabei de lembrar, tem um bar ótimo aqui perto. (Kassandra)
Não é GLS, é? (Dilan)
Não acha que eu vou lembrar onde peguei homem e onde peguei mulher, acha? (Kassandra)
Foda-se, tô afim de encher a cara hoje. (Dilan)
Rust balança a cabeça para os lados. Dilan olha para Rust.
Não é isso! (Dilan)
Dilan sai. Kassandra ri. Sai.
Que é isso? (Virgine)
Tenho certeza que não preciso explicar. (Argo)
Não concordamos que Aléxis deveria ficar dormindo? (Virgine)
Isso foi há muito tempo. (Argo)
Rust... (Virgine)
Foi você quem matou. Tentando transformar. A pessoa não queria. (Rust)
Eu falei a verdade... Quem inventou isso? (Virgine)
Talvez a primeira pessoa pra quem você contou. (Argo)
Não contei pra nenhuma pessoa. (Virgine)
Virgine olha para Argo.
Contei pra um vampiro. Você não é mais uma pessoa há muito tempo, ou será que já esqueceu? Nem família tem mais. (Virgine)
Argo olha para o teto. Volta a olhar para Virgine. Virgine olha para Rust.
Mas foi culpa de Aléxis. Não me ensinou a fazer direito. (Virgine)
Não queria. E você sabia disso. (Rust)
Vai libertar ou vamos disputar? (Argo)
Por quê? (Virgine)
Não acho mais que seja uma ameaça a minhas crias. E não é prendendo quem ensinou CVs a se defenderem que conseguirei uma trégua. (Argo)
Uma lâmina entra pela porta, quebra a corrente de Aléxis, que cai no chão, e prega na parede. Beatrice entra. Mostra os dentes, morde o próprio pulso. Abaixa perto de Aléxis. Coloca o pulso na boca de Aléxis. Aléxis abre os olhos e morde. Bebe. Para. Olha para Argo.
Vamos. (Bea)
Rust olha para Aléxis. Aléxis se apoia em Beatrice. Saem. As crias de Argo saem. Argo segue. Virgine se aproxima de Rust.
Gostou dela, não gostou? (Virgine)
Rust olha para a porta.
Dessa vez ao menos é alguém que não vai morrer. (Virgine)
Rust olha para Virgine.
Não vai mais tocar Beatrice. (Rust)
Virgine olha ao redor. Seu grupo sai. Ficam apenas Rust e Virgine na sala.
E o que eu ganho com isso? (Virgine)
Não vai ter mais ninguém. E não tento mais ir embora. (Rust)
Não é como se tivesse algo no mundo que fosse te tirar de perto de mim. (Virgine)
Se você acreditasse nisso mesmo, não matava todo mundo que eu chego perto. (Rust)
Rust coloca a mão no bracelete.
E não sei o que fez nisso, mas não teria feito. (Rust)
Virgine franze a sobrancelha.
Você não... (Rust)
Tá. Vai ser mais fácil se parar de brincar de roleta russa. (Virgine)
Dias depois. Tarde. MEAK. Derik, Kat, Michele, Zenon, Estela, Alan, Soraia, Inês, Janaína, Aqua, Beatrice e Aléxis estão na sala.
Beleno então já não volta? (Zenon)
Não. (Inês)
Aléxis... Vai ficar por aqui mesmo? (Zenon)
Sim. Ao que parece. (Aléxis)
Soraia? (Zenon)
Até eu ter certeza que você não fará nada. (Soraia)
Beatrice, sabe como impedir que tirem isso aí? (Zenon)
Não. (Bea)
Katerine, Estela, como estão na escola? (Zenon)
As pessoas se entreolham. Derik respira fundo, vai para trás do balcão, pega um caderno, volta e estende para Zenon.
Pode anotar na nossa frente. Todo mundo já sabe. (Derik)
Zenon pega o caderno. Olha para o chão. Olha para Derik.
Não vou lembrar de tudo pra dizer a Mel. (Zenon)
Zenon sai com o caderno. Volta, pega uma caneta no balcão e sai.
Traduzindo, gente, não tinha motivo pra chamar a gente aqui aqui, podem voltar pras suas casas. (Michele)
As pessoas saem, exceto Beatrice e Derik. Beatrice se joga no sofá. Derik se senta ao lado.
Então o que tenho é uma doença atlante? (Bea)
Sim. (Derik)
E tem cura? (Bea)
Ainda estou procurando. (Derik)
Não há livros sobre atlantes aqui, há? (Bea)
Não que eu tenha encontrado. Pode falar com Rust. Parece saber. (Derik)
Rust desistiu. Não quero que me convença a fazer o mesmo. (Bea)
Algum tempo, algum lugar
Rust era como Beatrice. (Xien)
Sim. Mas com anos a mais de vida. (Uehfo)
Porque Virgine prendia Rust? (Xien)
Porque lutava bem pra caralho. Era pelos ideais. E precisava de qualquer coisa que pudesse lutar junto. (Uehfo)
Então logo que soubesse do anel que estava com Aléxis, com certeza voltaria a tentar matar. (Xien)
Talvez. Não tinha pensado sobre isso. (Uehfo)
Ué, achei que sabia de tudo do futuro. (Xien)
Xien arregala os olhos.
Você sabe que Virgine não chega a saber do anel. (Xien)
Uehfo respira fundo.
Você parece que implora. (Uehfo)
Uehfo some. Xien senta no chão.

Resumo do Capítulo

Passado. Luana conta a Lisa que Mel não é de Modret. Falam sobre o coma de Domnik. Falam sobre bem e mal. Derik acorda Kat. Kat dormira por mais que 24 horas. Conta que Nilrem pode ter interferido na gravidez de Domnik, que Mel não estava só na barriga, mas foi só quem saiu com vida. Derik fala que achou sobre Lara. Beatrice chega. Derik conta. Beatrice e Zenon falam sobre entregar o anel a alguém, Beatrice diz que não quer Lara sob as ordens de ninguém, que não merece isso. Mas é o único jeito de Lara acordar. Zenon sugere entregar pra Diamante. Kat, Estela e Derik falam sobre o feitiço em Lara. Que o reverter o jeito que foi feito é o jeito de matar Lara. Beatrice fala com Michele. Michele tem ciúmes de Beatrice e acha que Zenon ainda gosta de Mel. Beatrice pede para que fale com Diamante. Michele sugere Aléxis, Beatrice descarta, diz que acordou matando na outra Realidade. Etos ouve e sai. Tenta falar com Argo, que ignora. Kassandra se interessa. Fala com Dilan. Beatrice sonha que está tentando convencer Dilan a mostrar onde está Aléxis, que diz que ele lhe ama. Fala com Zenon. Zenon diz que ninguém nunca desenterrou Aléxis porque ninguém sabia. Resolvem ir ao lugar onde Aléxis está, para talvez impedir que acordem. Etos, Kassandra e Dilan acordam Aléxis e falam sobre Beatrice. Beleno e Beatrice fala sobre separar a agência. Beleno insiste em tentar ficar com Beatrice. Beatrice recusa. Fala para cuidar de Alete. Vai até Zenon. Michele fica com ciúmes, mas fica para trás. Alan tem ciúmes e pergunta com o que Estela sonhava, mas Estela não lembra. Michele conta a Alan sobre Aléxis, Alan fala com o Grupo. Aléxis veio ao Brasil, mas o Grupo perdeu. Zenon e Beatrice vão ao continente. Aléxis conhece Juliana. Vai até a casa. Se espanta de Juliana saber que é vampir. Juliana fala de vampir já ter lhe salvado. Ísis, de Juliana, aparece, diz que foi Rust quem salvou. Diz que a pessoa que cuida de si morreu. Aléxis tenta dizer para Juliana entregar Ísis ao pai. Juliana se recusa, diz que expulsaram a si de casa depois que teve um caso com a mãe do pai da criança, e que ela não é boa pessoa. Convence Juliana a ficar cuidando da criança, e diz que investigará o pai, para saber se pode cuidar da criança. Beatrice acha Aléxis, mas Aléxis derruba Beatrice. Aléxis percebe que é Beatrice. Beatrice conta que CVs não sabiam que não tinha morrido. Conta que Etos, Dilan e Kassandra só lhe acordaram por diversão. Fala de Zenon e de Daxlidan. Encontram Zenon, alguém da polícia chega, confunde Daxlidan com drogas, atira em Aléxis. Levam para a MEAK. Soraia aparece e fala em levar Aléxis. Aléxis diz para chamarem Diamante. Aléxis dorme ao lado de Beatrice e, por curiosidade, acaba colocando o anel. Lara aparece, se apresentando como Aqua agora. Beatrice se enfurece, acha que é por isso que falaram de si para Aléxis, Aléxis nega ter sido de propósito. Beatrice chama Zenon. Beleno percebe o cheiro de Aléxis em Beatrice. Fica com ciúmes e tenta levar Aléxis, mas Aqua impede. Beleno some, mas Etos encontra. Beleno diz que vai embora. Fala que Inês pode ir junto. Diz que as pessoas que foram para a outra Realidade não irão voltar. Ameaça Etos e sai. Inês acorda na MEAK com Beleno lhe olhando. Brigam. Virgine pega Beatrice e Aléxis. Diz que Rust e Beatrice têm o mesmo problema. Deixa sem as esmeraldas, para perderem o controle. Acordam no dia seguinte. Rust diz que Virgine controla sua vida e não consegue fazer nada a respeito, que tem responsabilidade sobre Virgine. Lembram que Virgine disse que Beatrice agora lhe pertencia também. Argo fala que levaram Aléxis de volta a Grécia. Vão. Mas Argo liberta Aléxis. Fazem uma reunião na MEAK. Derik diz a Zenon que todo mundo sabe que está escrevendo cadernos para quando Mel voltar, do que aconteceu. Beatrice fala sobre o que tem, que seria uma doença atlante, com Derik. Derik fala em falar com Rust, mas Beatrice diz que não quer que Rust lhe convença a desistir.

Dara Keon