Alguém pra cuidar
MEAK
B17

Alguém pra cuidar ler resumo

1820
Diego está em um quarto com Adele. Está na cama, sentou-se, Adele está de joelhos entre suas pernas. Diego beija o pescoço de Adele. Baixa a manga do vestido. Adele se levanta e se afasta. Diego coloca a mão no bolso e tira dinheiro.
Não é isso. (Adele)
É a primeira vez? (Diego)
Sim. (Adele)
Então finge que casou comigo. (Diego)
Diego se levanta, tira um anel do dedo mindinho e coloca no anelar de Adele. Pega o queixo de Adele, levanta e beija. Amanhece. Diego abre os olhos. Olha para a cama. Vazia.
Espantou minha nova menina. (Zenaide)
Se fugiu de mim, não era pra estar nesta vida. (Diego)
Ela te contou que era virgem? (Zenaide)
Era isso que ela entendeu quando perguntei se era a primeira vez? (Diego)
O pai expulsou porque achou que tivesse feito alguma coisa. (Zenaide)
Diego ri.
Atualmente
Noite. Zenon abre os olhos. Está em sua cama.
Michele? (Zenon)
Tô com sono. (Michele)
Eu perdi o meu. (Zenon)
Por que? (Michele)
Queria dizer que foi o sonho de quando eu era humano. Mas acho que é por causa da Soraia. (Zenon)
Eu sei que ela é... (Michele)
Tá na sala. (Zenon)
De novo?! Ela não tem mais o que fazer, não?! (Michele)
Trouxe jantar pelo menos? (Zenon)
Não deviam estar levantando, pra caçar? (Soraia)
Zenon senta na cama.
Não tem nada acontecendo nessas ilhas. (Zenon)
Então já não deviam estar aqui. (Soraia)
Devia arranjar um namorado. (Michele)
Me importo mais com a vida das pessoas que com a minha... (Soraia)
Não precisamos saber da sua vida. Nem da outra coisa que você ia dizer. (Zenon)
Ao contrário de você. (Michele)
Soraia revira os olhos. Sai. Bate a porta de Estela e Alan.
Sim? (Estela)
Cadê o Alan? (Soraia)
Caçando. (Estela)
E o que ele tá caçando? (Soraia)
Nosso jantar. Viramos vampiros, não sabia? (Estela)
Estela, quem tá aí? (Alan)
Soraia encara Estela e entra, esbarrando em Estela.
Claro, faz de conta que a casa é sua! (Estela)
Estela fecha a porta. Soraia vai até quarto. Para na porta e cruza os braços.
Oi. (Alan)
Hoje é o dia mundial da preguiça ou da luxúria? (Soraia)
Tragam a inquisição, nós estávamos transando! (Estela)
Soraia sai, bufando. Alan levanta da cama e vai para o banheiro.
Alan! Roupa da rua! (Estela)
Não tenho culpa! (Alan)
Vou ter que trocar tudo agora... (Estela)
Estela puxa a roupa de cama e joga no chão. Soraia bate a porta de Kat e Derik. Derik abre a porta, enrolou-se em um cobertor, apenas o rosto e as pernas de fora.
Sim? (Derik)
Ninguém caça por aqui, não? (Soraia)
Me mostra o que caçar. (Derik)
Por que não procura? (Soraia)
Soraia, hoje é domingo. Porque não simplesmente descansa de vez em quando? Principalmente quando aparentemente nada tá acontecendo... (Derik)
Aparentemente. (Soraia)
Não é saudável fazer isso com a sua vida. (Derik)
Vai me mandar arranjar um namorado também? (Soraia)
Não. Porque você quem tem que decidir o que faz da sua vida. Como a gente faz com a nossa . (Derik)
Soraia encara Derik.
Olha, se você quer mesmo trabalhar o tempo todo, vai ter que voltar pra onde tem trabalho. (Derik)
Por que vocês não vão pra lá? Deixem um bilhete dizendo a eles, se é que algum dia eles vão voltar... (Soraia)
A única pessoa com tédio demais pra esperar aqui é você. (Derik)
Soraia sai. Derik fecha a porta. Joga o cobertor no sofá. Está com roupas.
Acho isso sacanagem. (Derik)
Soraia tem que voltar pra própria vida. (Kat)
Por que não podemos simplesmente dizer que estamos de olho, ao invés de fingir que estamos pouco nos fodendo? Acho que iria mais fácil. (Derik)
Casa de Beatrice. Soraia abre a porta. Beatrice e Aléxis levantam do chão. Soraia olha para o chão. Uma besta quebrada. Soraia sorri.
Estão trabalhando? (Soraia)
Não, é uma... Uma... (Bea)
Deixa eu ver! (Soraia)
Soraia entra e pega besta que estava no chão. Beatrice tira das mãos de Soraia.
A gente tá tentando consertar. (Bea)
Já anoiteceu, podemos caçar. (Soraia)
Caçar o que? (Aléxis)
Será que ninguém aqui se importa em procurar algo, ao invés de esperar que caia no colo??? (Soraia)
Soraia sai.
Será que vai se frustrar? (Bea)
Pior que hoje não é nem fingimento... Acho que a gente devia se mudar pra São Paulo. (Aléxis)
Sabe porque não vamos. Se você quiser ir... (Bea)
Aléxis se aproxima de Beatrice. Segura o rosto de Beatrice entre suas mãos, olhando nos olhos.
Quer que eu vá? (Aléxis)
Beatrice se afasta.
Não devia fazer isso. (Bea)
Achei que era com ele. Mas você tá se protegendo de tudo e de todos. (Aléxis)
Beatrice vai até a cozinha e coloca a besta em cima da mesa. Aléxis abraça Beatrice pelas costas. Beatrice pousa seus braços sobre os de Aléxis.
Você tá segura agora. (Aléxis)
Beatrice abre os braços de Aléxis.
As outras pessoas é que não estão. (Bea)
Beatrice sai da cozinha, passa pela sala, pega um casaco e sai de casa. Aléxis vai até a porta. Baixa a cabeça. Fecha a porta.
Zenon está andando pela cidade.
Procurando? (Bea)
Zenon para olha para Beatrice, atrás de si.
Não agüentei. Falei pra Michele falar pra Soraia que fui dar pro Etos se ela perguntar. (Zenon)
Mas aí eu preciso confirmar. (Etos)
Não, aí você se aproveita que faz tempo que Soraia não... (Zenon)
Zenon! (Bea)
Não é uma idéia ruim. (Etos)
Etos sai.
Legal, agora vai fazer o que? (Bea)
Etos não vai matar Soraia, você sabe disso. (Zenon)
Talvez se mate pelo que fez depois. Viu como reagiu com Alan, sabe como olha pra gente. (Bea)
Zenon franze a sobrancelha.
Acha que cede? (Zenon)
Acha que não? (Bea)
Pra mim, é de gelo. (Zenon)
Já tentou? (Bea)
Só pode. Tem umas cicatrizes, mas feia não é. Pra não sair com ninguém, deve ser de gelo. (Zenon)
Ou ter algum trauma. Ou amar alguém já. (Bea)
Ou é de gelo. (Zenon)
Não existem pessoas de gelo. (Bea)
Tem gente que não gosta de sexo. (Zenon)
Assexualidade estrita. (Bea)
Ah... Tem um nome... Isso quer dizer que fui ofensivo, né? (Zenon)
Bem Alan. Eu vou procurar Etos e impedir que tente algo com Soraia. (Bea)
Sabe que só tem um jeito. (Zenon)
Por isso que você vai comigo. (Bea)
Eu?! (Zenon)
Beatrice sai andando. Zenon bufa. Segue Beatrice.
Zenon está no alto de um prédio. Olha para baixo. Uma pessoa segura outra contra a parede. Pula. Cai no chão, de costas. Fica no chão. Louise solta Maya. Se aproxima de Zenon. Sorri. Zenon se vira e lhe crava uma estaca. Arregala os olhos. Louise se desfaz.
Que merda... (Zenon)
Você me salvou... Veio do céu? (Maya)
Zenon levanta.
Não vai fazer a piadinha do caiu de cara, ou bateu no poste, pegou fogo e apagaram na porrada, né? (Zenon)
Ah?! (Maya)
Zenon pega o celular. Anda alguns passos, olhando para a tela. Disca. Coloca na orelha e espera.
Pode me ajudar? Pulei de um prédio e me estrepei... (Zenon)
Tá aí um termo que eu não ouvia faz tempo... Tá praticando esportes radicais agora? Pára-quedismo sem pára-quedas? (Bea)
É sério. Salvei alguém de uma vampira. Tô perto do prédio abandonado. (Zenon)
Tô indo praí. (Bea)
Zenon desliga. Vai até as roupas.
Acha que ser lésbica é pecado? (Maya)
Zenon abaixa perto das roupas.
Depende, tá traindo alguém? (Zenon)
Maya engole seco. Zenon franze a sobrancelha e olha para Maya.
Usando alguém pra fingir que não é? (Zenon)
Maya olha para o chão. Zenon levanta.
Olha, eu sou hétero, então não tem muito o que eu dar conselho. Mas, se não der mesmo pra sair do armário, talvez pudesse procurar alguém que estivesse no armário também. Vocês podiam até rir disso. (Zenon)
Zenon sorri. Maya continua olhando.
Você não vai pro inferno. Pode ir pra casa agora. (Zenon)
Maya sai.
Eu devia começar a vir com uma camiseta com isso escrito. (Zenon)
Zenon abaixa perto das roupas novamente. Levanta a camiseta e sacode. Cai uma corrente com um anel. Zenon solta a camiseta e pega o anel. Coloca de volta no mindinho.
1836
Um corpo sem sangue no chão. Clítia segura Adele. Zenon segura Louise.
Quem a gente mata primeiro? (Clítia)
O desespero da sua parece maior. E você ficou com ele. (Zenon)
Não tenho culpa se seu gosto é tão seletivo. (Clítia)
Zenon mostra os dentes.
Não quer se divertir com ela primeiro? (Clítia)
NÃO! (Adele)
Adele se mexe mais. Clítia segura mais forte.
Não tô falando de forçar, calma. Não somos monstros. Eu ia perguntar pra ela. Acho que merece conhecer essas coisas antes de morrer, não acha? Vai deixar a coitadinha morrer virgem? (Clítia)
Ela é sua filha, Diego, não faz isso! (Adele)
Zenon franze a sobrancelha. Solta Louise. Louise se vira e olha para Zenon. Clítia ri. Solta Adele. Adele vai até Louise, abraça.
Não tinha sentido isso ainda, querido? Se te deixar feliz, podemos leva conosco e ensinar a viver. Acha que ela tem tanta vocação quanto você? (Clítia)
Adele arregala os olhos. Afasta de Louise. Tem uma faca enfiada em seu estômago. Adele cai. Louise olha para Zenon.
Sempre quis conhecer você. (Louise)
Gostei de você... (Clítia)
Louise olha para Clítia.
Ouvi boatos... É possível fazer o que se faz com homens sem homens? (Louise)
Você é bonita, mas não vou largar Zenon. Não faz ideia do quanto... (Clítia)
E quem falou nisso? (Louise)
Louise vai até Clítia. Dá um beijo, encostando apenas sua boca na boca de Clítia.
Ainda tem muito que aprender. Mas eu te ensino. (Clítia)
Clítia dá um beijo de língua em Louise. Zenon se dirige à porta.
Aonde vai? (Clítia)
Zenon franze a sobrancelha e olha para Clítia.
Ela é minha filha... (Zenon)
Algum problema? (Louise)
Zenon encara Louise. Louise dá um passo em direção a Zenon, Zenon sai da casa. Louise solta os ombros. Vira-se. Vai até Clítia e beija, dessa vez, de língua.
Atualmente
Zenon está olhando para o anel.
Gostou? Acho que não vai ligar de ficar pra você... (Bea)
Zenon olha para Beatrice, franzindo a testa.
Esse anel aí... (Bea)
Zenon olha novamente para o anel.
Era meu. (Zenon)
Bom, tenho certeza que desceu por causa pessoa que salvou, não teria visto o anel lá de cima. Mas cadê a pessoa? (Bea)
Foi embora. Talvez vá contar pro namorado que é lésbica. (Zenon)
Ah. Bom, a pessoa ainda vive, você tem seu anel de volta, todo mundo feliz. (Bea)
Beatrice franze a sobrancelha.
Exceto quem tava tomando chifre. (Bea)
É uma garota, não uma mulher. Deve ter uns 18. Louise preferia mulheres com aparência mais jovem, se fossem humanas. (Zenon)
Então conhecia? (Bea)
Homens e mulheres mais velhas ela só gosta se for vampiro. (Zenon)
Ah, entendi! Um dos seus casos... (Bea)
Zenon levanta e distorce o rosto.
NÃO! Eu não fiz nada com ela! Que absurdo! Quem você acha que eu sou??? (Zenon)
Nossa, calma, não precisa agir assim também... Quem era, pra ficar desse jeito?! (Bea)
Ela é minha filha. (Zenon)
Zenon olha para a roupa no chão, Beatrice franze a sobrancelha.
Ou era. (Zenon)
Ou, perae, que porra cê tá falando?! Conta essa história direito... (Bea)
Zenon olha para Beatrice. Respira fundo.
Transei com uma garota... Quando era humano... Mais tarde encontrei casada, com uma filha, e ela disse que era minha. (Zenon)
E o casamento? (Bea)
Eu e Clítia entramos na casa porque o cara queria... Queria... (Zenon)
Te queria. (Bea)
É. (Zenon)
Podia ser bi. (Bea)
Louise disse que descobriu que não era seu pai porque era gay. Se casou com Adele para se ajudarem. (Zenon)
Zenon franze a sobrancelha.
Meu cérebro acabou de me perguntar em que circunstância Louise descobriu que era gay, e me deu uma resposta que não gostei... (Zenon)
Acha que Louise... Mas se achava que era quem ajudou a vir pro mundo... (Bea)
Deu em cima de mim. Mais de uma vez. A gente pode só esquecer essa parte? (Zenon)
Aceito. Seduziu pra entrar na casa? (Bea)
Não, ele me viu na rua... Estávamos meio esfarrapados. Clítia percebeu o olhar dele e disse que éramos irmãos, pra ele não se desanimar por causa dela. (Zenon)
Mas então foi coincidência encontrar? (Bea)
Zenon olha para as roupas no chão.
Matei minha filha. (Zenon)
Deve ter matado cria de muita gente. (Bea)
Eu também. (Zenon)
Beatrice respira fundo.
Olha, eu só não vou citar sua conversa de que merecemos perdão porque logo em seguida apareceu alguém que você não gostava e você contrariou tudo que disse. Vamos continuar protegendo pessoas. Se vamos pro céu ou pro inferno, a gente deixa pra descobrir depois. (Bea)
Zenon abaixa no chão. Pega as roupas. Dobra. Levanta. Segue andando. Beatrice também.
Beatrice entra em seu quarto. Beleno joga Beatrice na cama.
Que vai fazer? Me estuprar? (Bea)
Não preciso. Você quer. (Beleno)
Vai começar com esse papo agora? (Bea)
Beleno sobe em cima de Beatrice. Fica com o rosto a centímetros do rosto de Beatrice.
Diz não. Diz e eu saio. (Beleno)
Beatrice olha nos olhos de Beleno. Beija Beleno. Beleno passa a beijar seu pescoço. Desce pelo corpo.
Zenon está no sofá, virando o anel no dedo, olhando para o teto. Tira o anel do dedo, coloca no bolso. Levanta. Sai. Anda por Hera. Vai para Ares. Chega a mureta que separa a praia. Pula. Se aproxima do mar. Pega o anel do bolso e olha. Fecha a mão, levanta e volta o braço. Toma uma porrada na cabeça e desmaia.
Zenon abre os olhos. Alguma fumaça saindo de si. Arregala os olhos, levanta e corre. Olha para trás. O sol nascendo. Corre mais. Entra em um lugar com duas portas grandes. Fecha. Olha para a frente. Bancos, um púlpito, uma cruz grande atrás. Pega o celular. Disca. Em casa, Beatrice atende.
Beatrice? Vem me buscar. (Zenon)
Onde tá? (Bea)
Em uma igreja. (Zenon)
Beatrice senta na cama.
Claro, amanhece e você decide confessar seus pecados! Tá querendo ir pro sol, porra?! (Bea)
Grita mais alto, eles ainda não ouviram! Ou talvez tenham, tem um padre vindo na minha direção, olhando estranho... (Zenon)
Um vento. Beatrice rola para o chão. Olha para a janela aberta.
Acho que vão achar que o apocalipse tá chegando. Tem alguém com asas indo te buscar. (Bea)
Tá brincando?! Beleno lembra que não posso sair no sol? (Zenon)
Acho que sim... Qualquer coisa, pega algum pano aí, antes que chegue... Zenon? Zenon?! (Bea)
Beatrice desliga o telefone. Vai até a janela e fecha. Olha para a cama. Balança a cabeça para os lados. Anda para um lado e para outro. Olha para o teto. Um barulho na sala. Beatrice se enrola em um lençol. Vai para a sala. Zenon está no chão. Inconsciente e com queimaduras na pele. Beatrice abaixa ao lado. Beleno vem da cozinha, com um copo de água.
Não adianta tirar o pulso. (Beleno)
Eu tava mesmo pensando em fazer isso. (Bea)
Beatrice olha para Beleno.
Que você fez? (Bea)
Tirei ele da igreja. (Beleno)
Beatrice volta a olhar para Zenon.
Quanta gente tava batendo em Zenon quando chegou? (Bea)
Beleno franze a sobrancelha.
Ninguém. (Beleno)
Como ninguém?! (Bea)
Se queria que batessem, era só ter me pedido. (Beleno)
Beatrice revira os olhos.
Como Zenon tá assim se ninguém bateu? Tava mal ontem, mas não desse jeito. (Bea)
É que demorou pra eu descer. (Beleno)
Beatrice levanta e vira para Beleno.
Zenon saiu da igreja?! (Bea)
Não. Foi na hora que derrubei ele. (Beleno)
Beatrice encara Beleno. Vai até a cozinha. Pega uma chaleira. Coloca água e coloca no fogão, acendendo o fogão. Abre uma gaveta, pega um pacote, abre e despeja dentro da chaleira.
Vai gastar tudo desse jeito. (Beleno)
Você busca mais. (Bea)
Ei! (Beleno)
Beatrice olha para Beleno.
Eu ia buscar! (Bea)
Claro, iam ser dois pra eles assarem! (Beleno)
Bom, agora com certeza garantimos alguém nessas condições! (Bea)
Eu tava tentando ajudar! (Beleno)
Beatrice olha pro chão. Olha para Beleno.
Anjo, eu sei que tava tentando ajudar. Valeu. (Bea)
Agora sobe que eu termino isso. (Beleno)
Beatrice franze a sobrancelha.
Ei, só porque te chamei de anjo não quer dizer que... (Bea)
Não vou deixar você aparecer desse jeito na frente dele. (Beleno)
Beatrice solta o lençol que estava preso, deixando cair no chão.
Assim tá melhor? (Bea)
Beleno pega o lençol e cobre Beatrice, passando por cima dos ombros.
Zenon já viu mais que isso. (Bea)
Mas agora você tá comigo! (Beleno)
Vê se pode! Quem disse?! (Bea)
Beleno pega Beatrice no colo. Leva até o quarto. Deita na cama. Volta. Fica olhando para a chaleira. O chá ferve. Beleno desliga o fogo. Pega um copo, coloca o chá, vai para a sala. Chacoalha Zenon.
Acorda aí! (Beleno)
Zenon abre os olhos.
Toma isso aqui. (Beleno)
Zenon senta no chão. Estende a mão pra pegar o copo. Aléxis entra, pega o copo e se afasta.
Que tal fazer com água benta? Queima melhor. (Aléxis)
Bom dia pra você também. (Beleno)
Vi um risco no céu, vindo pra cá... (Aléxis)
E aí veio ver se tinha caído alguma criança de Kripton? (Beleno)
Ah?! (Aléxis)
Onde você arranja tempo pra ver televisão, Beleno? Aliás, onde arranjou uma televisão? (Zenon)
Vai pro inferno. E de nada. (Beleno)
Beleno vai na direção da porta. Aléxis franze a sobrancelha e segura o braço de Beleno. Cheira Beleno.
É. Eu dormi com ela. E você não. (Beleno)
Beleno puxa o próprio braço e sai.
Achei que ele tinha ido embora de vez. (Aléxis)
Será que já esfriou? (Zenon)
Ah? (Aléxis)
Aléxis olha para o copo em sua mão.
Ah! Tó, só dá uma... (Aléxis)
Zenon pega o copo e vira de uma vez.
Soprada. (Aléxis)
Que aconteceu?! (Michele)
Zenon coloca o copo no chão.
Alguém me jogou no mar. Acordei na praia e tive que me esconder na igreja. Não sei quais machucados e queimaduras foram por causa disso e quais foram porque o Beleno resolveu me trazer e bateu num prédio no caminho, quando olhava pra mim e tentava dizer que chegaríamos rápido... (Zenon)
Quer ajuda pra ir pra cama? (Aléxis)
Eu ajudo. (Michele)
Michele vai até Zenon, Zenon segura em seus braços para levantar. Michele passa o braço de Zenon por cima de seus ombros. Saem da casa. Aléxis fecha a porta. Vai até o quarto. Beatrice está de lado, para a parede. Aléxis se aproxima. Passa a mão na cabeça de Beatrice.
Sei que tá acordada. (Aléxis)
Beatrice permanece imóvel. Aléxis se deita atrás de Beatrice. Coloca um braço embaixo de seu travesseiro, outro por cima da cintura de Beatrice.
E não me importo com cheiro dele em você. (Aléxis)
Casa de Michele e Zenon. Zenon deita na cama. Michele entra com uma jarra, com um líquido vermelho. Pousa na cabeceira. Abre uma gaveta.
Tem certeza que não prefere que eu... (Michele)
Michele tira uma faca da gaveta. Zenon pega a faca, coloca na gaveta de volta e fecha a gaveta.
Nem fodendo. (Zenon)
Mas assim você já... (Michele)
Zenon encara Michele.
Ok. Chazinho. (Michele)
Michele senta na cama.
Agora vamos pensar em outra coisa: porque alguém te jogaria no mar? (Michele)
Deve ser alguém que andava com a minha filha. (Zenon)
Michele cruza os braços.
Legal. Agora você tem filha? (Michele)
Tinha. Tive. Sei lá. Só pode me tirar uma dúvida? (Zenon)
Zenon tira a camisa. Michele descruza os braços.
Vai querer saber se as quedas afetaram outras funções? (Michele)
Zenon encara Michele. Vira de costas.
Tem uma marca aí? (Zenon)
Michele franze a sobrancelha.
Sim. Um H. (Michele)
Hugo. (Zenon)
Zenon veste de volta a camiseta.
Se Soraia queria trabalho, arranjou. (Zenon)
Tarde. MEAK. Reunião.
De tempos em tempos ele aparece. Banca o serial killer, faz alguém acreditar que é o assassino. Alguns pegos, outros não. Não tem como saber quais serial killers da história eram reais, ou o que foi obra dele. (Zenon)
Soraia cruza os braços.
E agora ele deixou uma tatuagem em você e você tá com medo. (Soraia)
Pode parar de abrir esse sorriso. Enquanto ele não me pega, vai sair matando o que lhe der na telha. E, se ele achar que gosto de alguém, vai ir atrás. (Zenon)
Tão clichê... (Derik)
Então tô livre. (Soraia)
Não sei, tô pensando em encomendar uma faixa com uma declaração de amor pra você nesse exato momento. Pelo menos assim você ficaria ocupada. (Zenon)
Soraia descruza os braços.
Não é uma má idéia. Eu serviria de isca. (Soraia)
Se não nos esforçássemos pra te achar, interpretaria mal? (Estela)
Zenon franze a sobrancelha. Apalpa os bolsos.
Que foi? (Alan)
Meu anel... (Zenon)
Te roubou?! (Derik)
Pode ter caído no mar. Aliás, Hugo pode ter te jogado no mar porque achou que a maré te levaria? (Kat)
Costuma fazer as coisas durarem mais. (Bea)
Você o conhecia? (Aléxis)
Da outra Realidade. (Bea)
Ele pode ter algo a ver com a vampira que você matou? (Michele)
Que merda. (Zenon)
O anel tem a ver com essa pessoa? (Kat)
Tava com a pessoa. (Bea)
Michele olha para Zenon.
Falou com ela antes de falar comigo? (Michele)
Beatrice revira os olhos.
Não é hora pra ciúmes. A pessoa tava com o anel de Zenon. (Bea)
Por quê? (Estela)
Roubou. (Bea)
Era filha dele. (Michele)
Beatrice, que falara ao mesmo tempo que Michele, encara Michele.
Zenon olha pro teto.
Obrigado, Michele. (Zenon)
Não contou pra ela? Tá com medo que ela termine com você?! (Michele)
Zenon franze a sobrancelha e olha para Michele.
Vocês estão juntos? (Aléxis)
Zenon olha para Aléxis. Beatrice olha para Michele.
Eu sabia. (Bea)
Beatrice olha para Aléxis.
Não, não estamos. (Bea)
Então ela sabe de tudo sobre você?! (Michele)
Assim não dá. (Zenon)
Zenon sai. Michele olha para Beatrice.
Viu o que você fez?! (Michele)
Michele sai. Derik olha para Kat.
A gente ainda entra no guiness no quesito "maior torta de climão". (Derik)
Lindo. Tudo o que a gente precisa. (Soraia)
Bom, ainda estamos no meio da tarde. Vamos dormir, Beatrice? (Aléxis)
Aléxis sai. Beatrice segue.
Mas o que é isso? (Soraia)
E a gente tem que estudar, né? (Estela)
Estela, Kat e Derik saem. Soraia olha para Alan.
Vai me ajudar a achar esse cara. (Soraia)
Eu tenho que... (Alan)
Não era uma pergunta. (Soraia)
Anoitecer. Ares. Aléxis e Beatrice andam.
Não existe a menor chance daquilo ser fingimento dela hoje a tarde? Por causa da Soraia? (Aléxis)
Só se aprendeu a controlar até o batimento cardíaco. Cê jura que não percebeu?! (Bea)
Aléxis suspira.
Já estou te disputando com o Beleno, não queria ter que disputar com o Zenon também. (Aléxis)
Beatrice para. Aléxis para e olha para Beatrice.
Que foi? (Aléxis)
Me disputando?! Que droga, eu já disse que não quero nada com nin... (Bea)
Beatrice olha para o céu.
Peraí! Beleno! (Bea)
Aléxis olha para a mesma direção. Franze a sobrancelha. Fecha os olhos. Baixa a cabeça. Abre os olhos.
Isso quer dizer que decidiu? (Aléxis)
Não, isso quer dizer que, no meio do seu delírio, me deu uma ótima idéia. Beleno pode achar mais rápido que qualquer de nós. (Bea)
Templo de Ares. Uma asa grande no chão. Beatrice se abaixa e toca a asa. Aléxis vai até uma cama de galhos e folhas, onde Alete está. Beatrice olha para a cama.
Alete? (Bea)
Aléxis abaixa perto de Alete.
Vai virar cinzas em poucas horas. (Aléxis)
Beatrice vai até Alete. Vira de costas. Um H nas costas.
Por que veio atrás de Beleno? (Aléxis)
Beleno salvou Zenon da igreja. (Bea)
Aléxis olha para a asa.
Será que... (Aléxis)
Se tivesse matado, teria deixado aqui. (Bea)
Pégaso desfaz também. (Aléxis)
Alete não desfez ainda. (Bea)
Pode ter pego Beleno primeiro. (Aléxis)
A asa não desfaz? (Bea)
Não. (Aléxis)
E cadê a outra asa? (Bea)
Não tinha uma criança com eles? (Aléxis)
Beatrice e Aléxis andam pelo espaço. Aléxis se aproxima de uma armação de galhos presa no teto. Toca na armação, um círculo de fogo se forma ao redor. Beatrice olha ao redor. Olha na direção da porta: uma onda de água invade o lugar, indo na direção de Aléxis, apagando o fogo e arrastando Aléxis alguns metros. Beatrice vai até Aléxis. Aqua vem também. Beatrice estende a mão e Aléxis levanta.
Tô começando a achar que se eu sair no sol, ela vai fazer chover. (Aléxis)
Não duvido. (Bea)
Bom, você não precisa se preocupar dela se machucar. (Aléxis)
Aqua vai até a armação. Toca.
Lê minha mente também?! (Aléxis)
Talvez estivesse aqui o tempo todo, só não vimos. (Bea)
Aqua quebra a armação com um soco. Choro de bebê. Beatrice se aproxima, Aqua pega Vivian de dentro da armação quebrada e entrega a Beatrice, ainda chorando. Beatrice franze a testa.
O que você espera que eu faça com isso? (Bea)
Aléxis vem até Beatrice, pega Vivian, segura em pé, encostando em si, com a cabeça em seu ombro, e balança de leve.
Como você...? (Bea)
Tive duas. (Aléxis)
Derik. (Bea)
Ah?! (Aléxis)
Adora crianças. (Bea)
MEAK. Quarto. Derik está com Vivian no braço esquerdo. Inês traz uma mamadeira, entrega a Derik. Derik pega com a mão direita, pinga na mão esquerda.
Agora sim acertou na temperatura. (Derik)
A gente consegue ficar no meio do fogo, não acho que uma mamadeira fervendo ia ser problema. (Inês)
Derik balança a cabeça para os lados. Coloca a mamadeira na boca de Vivian. Kat está na cama. Estela sentou-se ao lado da cama. Soraia e Alan estão na sala.
Precisou acontecer alguma coisa com um dos de vocês pra vocês se mexerem... Que absurdo... (Soraia)
Amor, onde é que tá o esparadrapo?! (Alan)
Não sei o que ainda estamos fazendo aqui. (Soraia)
Protegendo a casa, nossos dois pesquisadores e nossa vidente, além de uma criança. (Alan)
Beleno está em uma cama de Hotel. Uma das asas foi cortada. Beleno está suando. Andrea está perto da janela, olhando para Beleno.
Por que um pégaso salvaria um vampiro? (Hugo)
Por que um vampiro caçaria vampiros? (Andrea)
É verdade, Andrea. Parece que o mundo inteiro tomou êxtase. (Hugo)
Não sei se quero que você se envolva com ele. (Andrea)
Hugo ri.
Por que? Tá com medo que eu morra? (Hugo)
Andrea baixa a cabeça. Hugo vai até Andrea e levanta-lhe o rosto.
Ninguém mais toca em mim desde que você me devolveu a vida. (Hugo)
Andrea vira para a janela. Hugo abraça Andrea.
Não fique assim. Não tinha outro jeito. (Hugo)
Não vai atrás dele. (Andrea)
Não posso deixar isso barato. Ela tava comigo. (Hugo)
Andrea abre os braços de Hugo e sai. Hugo se aproxima mais da janela e olha para fora.
Será que tem algum lugar interessante por aqui? (Hugo)
Bar. Bela está em uma mesa com Hugo.
Não posso te levar pra minha casa. (Hugo)
Você não quer. (Bela)
Tá bom. Vou te contar meu grande segredo. (Hugo)
Ahã... (Bela)
Hugo olha para os lados. Curva o corpo em direção a Bela. Bela faz o mesmo.
Eu moro com a minha mãe. (Hugo)
Bela se afasta e dá risada. Hugo endireita o corpo.
Que foi, não acredita? (Hugo)
Essa é a desculpa mais esfarrapada que já ouvi. (Bela)
É sério... (Hugo)
Ahã... (Bela)
Tá, vou falar a verdade. Tem um cara na minha cama, eu amputei ele, e não quero que você veja. (Hugo)
Bela cruza os braços.
Você acha que sou trouxa? (Bela)
Tudo bem, você não acredita em mim. E se eu disser que... (Hugo)
Hugo se aproxima do ouvido de Bela. Diz algo. Hugo se afasta. Bela morde o lábio inferior.
Tá falando sério? (Bela)
Posso? (Hugo)
Hugo aponta para o pescoço de Bela. Bela tira o cabelo da frente. Hugo se aproxima e cheira. Se afasta.
Percebi que tinha gostado do meu perfume. (Bela)
Nem imagina o quanto... (Hugo)
Hugo suspira fundo.
Ok, vamos fazer uma aposta. (Hugo)
Que aposta? (Bela)
Eu pago a sua conta. Se eu fizer o que estou dizendo, você me devolve o dinheiro. Se não, bebeu de graça. (Hugo)
Nem bebi tanto assim... (Bela)
Ok. (Hugo)
Hugo tira o relógio. Coloca no decote de Bela.
Vai poder ficar com isso também. É caro. (Hugo)
Ah, não sei... (Bela)
Transo com outro homem na sua frente se não te deixar satisfeita no final da noite. E essa é minha última proposta. (Hugo)
Bela franze o rosto.
Quem disse que quero ver isso?! (Bela)
Você tem cara de quem gosta. (Hugo)
Bela encolhe os ombros e volta. Hugo fica olhando em seus olhos. Bela olha para baixo e dá um sorriso.
Além do que, isso é uma aposta, se eu perder tenho que fazer algo que me puna, não necessariamente que te agrade. (Hugo)
Sei... (Bela)
Se eu estou oferecendo algo que homem nenhum oferece por motivo nenhum, provavelmente é porque posso fazer o que disse que posso. (Hugo)
Tá. (Bela)
Hugo levanta e estende a mão para Bela. Bela segura na mão de Hugo e saem dali. Chegam a casa de Bela. Entram. Elis está no sofá.
Boa noite... (Elis)
Hugo olha Elis de cima a baixo. Elis franze a testa.
Ei! (Bela)
Não tinha fidelidade na nossa aposta. (Hugo)
Elis levanta, sai com pressa. Barulho de porta batendo.
Minha irmã mais nova só tem 14 anos! Seu louco! (Bela)
Hugo pega Bela no colo, coloca no sofá e sobe em cima.
Que bom que ela livrou o espaço... (Hugo)
Dia seguinte. Delegacia. Alan vai até Ricardo, que está em uma mesa.
Vim falar com a garota. (Alan)
Que garota? (Rick)
Que a irmã foi morta. (Alan)
Ela não tá falando. (Rick)
Talvez eu consiga fazer ela falar. (Alan)
Ricardo vira a cadeira para Alan.
Com todo esse seu charme? (Rick)
Tá de TPM? (Alan)
Quer um conselho? (Rick)
Dispenso, eu quero falar com ela. (Alan)
Manda uma mulher. (Rick)
Não, Ricardo, a Melody ainda não voltou. (Alan)
Alan sai da delegacia. Vai até Inês e Derik.
E aí? (Inês)
Ele disse que ela só fala com mulher. (Alan)
Bom, eu vou lá então. (Inês)
Mas... Você é... Tipo... Quase um bebê... (Alan)
Inês vira a palma pra cima e faz fogo. Alan dá um passo para trás. Derik arregala os olhos e olha ao redor. Inês apaga a chama.
Sabe que tá indo falar com a vítima, né?! (Derik)
Só tava lembrando Alan que ele não sabe o que sou, pra dar palpite. (Inês)
Inês sai andando.
Tão Handhara... (Derik)
Sabe que eu sinto falta da época que eu tava cercado de humanos e era considerado bom no que fazia? (Alan)
Inês entra na delegacia. Vai até Ricardo. Olha para a tela.
É uma foto bonita. (Inês)
Ricardo levanta de sopetão.
Mas acho que, se pedisse, teria te arranjado uma que fosse de menos de vinte metros de distância. (Inês)
Mas isso aqui é mesmo a casa da mãe Joana... (Rick)
Inês tira a carteira do bolso, Ricardo pousa a mão sobre a carteira.
Eu já sei. Detetive. Vem comigo. (Rick)
Inês guarda a carteira. Ricardo sai e Inês segue. Passam por um corredor. Ricardo abre uma porta e entram em uma sala. Elis está em um canto, sentou-se no chão. Encolhe-se. Ricardo sai, fechando a porta.
Oi. (Inês)
Silêncio.
Podemos pegar quem fez isso. (Inês)
Eu já disse como ele era. (Elis)
Já? (Inês)
Elis aponta a mesa. Inês se aproxima da mesa e pega a folha. Fecha os olhos, solta o ar. Abre os olhos. Olha para Elis.
Agora fala a verdade. (Inês)
Eu disse a verdade. (Elis)
Inês coloca fogo na folha. Elis se encolhe mais.
Não vou deixar meu irmão ser preso por algo que não fez. (Inês)
Elis engole seco.
Não vou te machucar. Mas eu posso ferir quem fez isso com você. Se eu tocar, vira cinzas. (Inês)
Inês se aproxima de Elis, senta-se no chão a sua frente.
Acabamos de achar a filha do meu irmão. A mãe morreu. E havia uma parte do corpo dele junto. (Inês)
Elis esconde o rosto.
Criança, esse pessoal não sabe lidar nem com o que te fez. Como que jogam uma vítima do que te aconteceu numa sala sem ninguém? No mínimo você devia estar falando com alguém de psicologia. (Inês)
Elis olha para Inês. Seus olhos estão marejados.
As pessoas ficam me dizendo que eu devia agradecer por estar viva. Que foi um milagre. Não consigo ver nada que mostre esse tal milagre nas minhas lembranças. (Elis)
Me dá alguma coisa pra eu pegar quem fez isso. (Inês)
Elis tira uma pulseira do braço. Estende para Inês.
Ele vai te achar. (Elis)
Inês pega a pulseira. Coloca no braço. Sai. Elis levanta e vai na direção da porta. Para. Olha para baixo.
conteúdo oculto (+)
Noite anterior
Elis está com os pulsos presos na grade da cama. Seu olhar está congelado. Hugo, sem roupa, com o corpo com sangue espalhado, desamarra os pulsos de Elis. Vai até a porta, onde há um casaco pendurado. Pega uma foto no bolso. Volta até Elis. Segura seu rosto olhando para a foto.
Se alguém perguntar, esse é o cara que fez tudo isso. (Hugo)
Hugo solta o rosto de Elis e solta a foto na cama. Elis vira de lado. Hugo vai até a penteadeira, pega a calça e veste. Pega a pulseira do bolso da calça. Pega o pulso de Elis e coloca a pulseira. Solta o pulso. Agacha de frente para onde Elis virara.
Se a pessoa desconfiar, entregue isso. Se alguém me achar por sua causa e não estiver usando isso, eu vou saber. E aí você vai lembrar com saudade de como fui bonzinho hoje. (Hugo)
Hugo levanta. Pega o telefone no bolso. Digita. Coloca na orelha. Espera.
Emergência? Ouvi uns gritos. Estou preocupado, são duas garotas que estão sozinhas... Pode pegar o endereço e verificar? (Hugo)
conteúdo oculto (–)
Inês sai da delegacia. Vai até Derik e Alan.
Então? (Derik)
Tá tentando culpar Beleno. (Inês)
Ah?! Pra que ele faria isso? (Alan)
Tava dormindo quando Zenon falou? (Derik)
Beleno está na cama, suando. Hugo sentou-se na parte de baixo.
Acha que ele sobrevive? (Hugo)
Não se tirar a segunda asa agora. (Andrea)
Hugo levanta.
Posso esperar. Ainda pretendo brincar mais um pouco mesmo. (Hugo)
Andrea baixa a cabeça. Sai.
Sempre tão sensível... (Hugo)
Hugo e Paulo andam.
Aonde estamos indo? Não posso chegar em casa tarde... (Paulo)
Chegar em casa tarde é a primeira coisa que tem que fazer se quiser que seus pais parem de desconfiar. (Hugo)
Escuta, eu não sei se quero fazer isso... (Paulo)
Hugo encosta Paulo na parede. Paulo suspende a respiração. Hugo se aproxima do pescoço de Paulo. Cheira. Aproxima a boca próxima ao ouvido.
Repete que não quer. Que não treme de cima a baixo só de eu te encostar na parede. (Hugo)
Eu nunca... (Paulo)
Hugo revira os olhos, solta a respiração forte, se afasta.
Pára de repetir que é virgem. Daqui a pouco quem vai brochar sou eu. (Hugo)
Hugo continua andando. Paulo segue. Então para.
Tá legal, eu não quero. (Paulo)
Hugo para. Solta forte a respiração novamente.
Quê? (Hugo)
Olha, isso não é legal. Eu nem te conheço. (Paulo)
Agora é meio tarde pra desistir. (Hugo)
Hugo se vira para Paulo. Vai em direção a Paulo. Paulo dá passos para trás.
Você não vai tentar nada a força, vai? (Paulo)
Vai fazer o que? Gritar? (Hugo)
Paulo se vira, dá um passo para correr, Hugo puxa Paulo e joga no chão. Pega Paulo do chão e encosta no muro de costas.
Acabou com todas as chances que tinha de eu ser gentil. (Hugo)
Ei! (Henrique)
Hugo olha para trás. Vê Henrique. Paulo franze a sobrancelha.
Não vai fazer isso. (Henrique)
Mas... Você... (Paulo)
Larga ele. (Henrique)
Hugo olha para Paulo. Olha para Henrique. Ri. Joga Paulo no chão novamente. Henrique olha para Paulo, volta a olhar rápido para Hugo.
Tá pensando em me impedir? (Hugo)
Hugo dá um soco em Henrique. Paulo corre até Henrique.
Pára! Eu faço o que você quiser, mas pára! (Paulo)
Era seu namorado? (Hugo)
Henrique mostra os dentes para Paulo, que recua, se arrastando no chão.
Sai daqui. Ele não vai me matar. (Henrique)
Meu Deus do céu! (Paulo)
Paulo levanta e corre.
Não tem problema, eu acho ele de novo. (Hugo)
Faço o que você quiser. Se deixar ele em paz. (Henrique)
Íris pula em cima de Hugo. Hugo joga Íris contra o muro. Henrique vai até Íris. Ajuda a levantar.
Que está fazendo aqui?! (Henrique)
Cometendo um grande engano. (Hugo)
Kat acorda. Senta devagar na cama.
Achou algo? (Estela)
Íris e Henrique. Mas não sei onde era. (Kat)
Que se danem, matam pessoas. (Estela)
Só gente mandada, Estela. (Kat)
Pois se eu estivesse lá, enfiaria uma estaca nos três. (Estela)
Tanto Henrique quanto Íris iriam preferir uma estaca. E você não ia querer estar lá. (Kat)
Soraia entra no quarto.
Previu algo? (Soraia)
Que você tinha ido embora. Ah, não, esse era sonho! (Kat)
Alan entra.
Chamou reforço, Soraia? (Alan)
Não me ouvem. Acham que estou paranóica. (Soraia)
Então estão um passo antes de nós. Estão precisando conviver mais com você, aí terão certeza. (Estela)
Boa noite, amor... (Derik)
Derik entra, com Vivian no colo. Vai até Kat. Beija.
Alguém lembrou de ser legal! (Kat)
Não vou te beijar, sinto muito. (Soraia)
Sempre fica babando com bebê no colo. (Estela)
Tá com ciúmes? (Alan)
Quê? (Estela)
Nada. (Alan)
Vamos caçar? (Soraia)
Toca o telefone. Soraia vai em direção ao telefone, Inês corre e pega.
MEAK. (Inês)
Eu preciso de ajuda! Tô no meio da cidade, fui atacado! (Paulo)
Sabe dizer perto de que prédio está? (Inês)
Alan e Zenon chegam.
MEAK! (Alan)
Grita "pizza", quem sabe ele aparece. (Zenon)
Paulo sai de dentro de um latão de lixo.
Já tinha sido atacado antes? (Zenon)
Não... (Paulo)
Foi uma boa idéia. Pra mim só tinha lixo aí atrás. (Zenon)
Por que você é humano... (Paulo)
Zenon e Alan se entreolham.
Não é? (Paulo)
Não vem ao caso. Como era o cara que te atacou? (Zenon)
Alto, forte, moreno, roupas elegantes, usava um perfume... (Paulo)
Não precisa dizer a cor da cueca. (Alan)
Zenon encara Alan. Paulo arregala os olhos.
Ele me atacou, essas coisas ficam marcadas! Eu falei do perfume porque acabaram de falar do cheiro! E não, não sei a cor da cueca! Agora será que podem ir atrás dele ao invés de ficar aqui me rotulando?! (Paulo)
Alan olha para Zenon. Zenon continua encarando. Alan baixa a cabeça. Olha para Paulo.
Sabe dizer o nome do perfume? (Alan)
Amanhecer. Zenon bate na porta de um apartamento. Nada. Alan dá passos para trás. Respira fundo. Zenon segura na maçaneta e abre a porta. Alan solta os ombros.
Podia ter falado. (Alan)
E você podia ter tentado. Pára de assistir filme. (Zenon)
Zenon entra. Alan segue. Sangue por toda a sala.
Kat não tava brincando. (Alan)
Alan vai até a cozinha. Zenon vai para o quarto. Henrique está na cama, de lado, sem roupas.
Levanta daí, vai ter a eternidade pra superar seja lá o que ele tiver feito... (Zenon)
Henrique se senta na cama. Levanta. Veste uma calça. Uma camisa. Vai até o canto do quarto. Pega uma vassoura, quebra, Zenon dá um passo para trás, Henrique se vira, Alan atira com uma estaca no estômago de Henrique. Henrique olha para baixo. Cai. Zenon se aproxima, tira a estaca, Henrique puxa o ar forte. Alan pega Henrique pela camisa e encosta contra a parede. Henrique tenta empurrar Alan, não consegue se livrar. Olha ainda fixo para Zenon.
A culpa é sua! (Henrique)
Ele quem te mandou fazer isso? (Zenon)
Ele não mandaria em mim nem que fosse o próprio diabo! Aquele maldito! Maldito! (Henrique)
Henrique chuta entre as pernas de Alan. Alan cai no chão. Henrique sai pela janela. Zenon vai em direção, mas para. Olha para Alan. Estende a mão para Alan. Alan pega e levanta. Vai meio mancando até a janela. Olha para fora. Olha para o chão.
Ele morreu? (Alan)
Tem cinzas no ar? (Zenon)
Não teria voado? (Alan)
Não ouvi nada. (Zenon)
Estamos no décimo andar, ele não chegaria lá tão rápido. (Alan)
Zenon arregala os olhos. Sai. Alan segue. Zenon desce a escada. Cruza o corredor do andar, farejando o ar. Chega do outro lado, desce a escada de novo. Repete em todos os andares. Chegam na recepção. Karina está no telefone público. Desliga.
Que aconteceu? (Alan)
Karina se encolhe e dá um passo para trás. Coloca a mão no tórax. Respira.
Um cara. Tava pelado, meio queimado. Entrou no meu apartamento, pegou meu cobertor e fugiu. (Karina)
Tinha uma tatuagem nas costas? (Zenon)
Sim. Acho que era um nome. (Karina)
Tarde. Kat e Estela estão na casa de Paulo. Estão na sala, Kat e Estela em um sofá, Laura, Paulo e Mark em outro.
Meu filho, não pode ficar correndo atrás de rabo de saia desse jeito! (Laura)
Não nega o sangue, fazer o que? (Mark)
Então essa pessoa, a tatuagem nas costas... (Kat)
Meu nome. (Paulo)
E sabe como podemos encontrar? (Estela)
Costumávamos ir visitar o pai dela. (Paulo)
E onde mora? (Kat)
Não lembro mais o endereço. (Paulo)
São tantas mulheres... (Mark)
Laura encara Mark, que ri.
Kat, Estela e Soraia vão ao hospital.
Sabemos que o nome dele é Henrique e que nasceu aqui. (Soraia)
Boa sorte no arquivo. Não está em ordem alfabética. (Luana)
Também sabemos que tem 27 anos. (Estela)
Não está em ordem de data. (Luana)
Está em alguma ordem? (Kat)
As pessoas só pegam as fichas e arquivam. (Luana)
Talvez ele tenha sido atendido alguma vez. Tinha uma tatuagem nas costas, se você viu deve lembrar, era nome de homem e isso não é muito comum... (Estela)
Luana fecha os lábios.
Estela, Luana é da recepção, não do corpo médico... (Kat)
Henrique era o nome do pai dele, não dele. (Luana)
Olham para a Luana. Luana baixa a cabeça. Pega uma foto na carteira. Mostra.
Isso! Sabe onde podemos encontrar ele?! (Soraia)
Ele morreu há quatro anos. Era meu filho. (Luana)
E o pai dele? (Soraia)
Luana se levanta.
Também tá morto! Todo mundo morreu! Agora saiam daqui! (Luana)
Kat sai. Estela e Soraia seguem. Luana acompanha com os olhos. Olha para a foto. Beija. Do lado de fora, Kat para na calçada do outro lado. Estela e Soraia param de frente para Kat.
Talvez ele estivesse falando da mãe dele mesmo. Estava invertendo tudo, por causa dos pais. (Estela)
Essa parte não precisava inverter. (Kat)
Espero que não fosse, porque ela não vai ajudar. (Soraia)
Espera! As pessoas visitam os mortos... (Kat)
Cemitério. (Soraia)
Que lugar pra namorar... (Estela)
Noite. Cemitério. Lápide de Henrique. Zenon olha. Beatrice olha ao redor. Bate no braço de Zenon. Aponta uma direção. Zenon olha para onde Beatrice apontou. Beatrice vai. Zenon segue. Chegam perto de Henrique, que sentou-se no chão e está com um cigarro. A lápide é de Íris.
Minha mãe dizia que o cigarro ia me matar. Íris dizia que a gente ia acabar sendo morto antes. (Henrique)
Henrique se levanta.
Não vão me matar. (Henrique)
Queremos saber porque disse que era culpa de Zenon. (Bea)
Não têm mais o que fazer, não? Pegar ele, por exemplo? (Henrique)
Tem gente procurando. (Zenon)
Sua mãe sabe que não morreu? (Bea)
Eu morri. Você é minha mãe agora. (Henrique)
Isso quer dizer que posso te obrigar a falar o que Guilherme te disse? (Bea)
Não, não quer. (Henrique)
Não fui eu quem transformou ele, se é isso que ele te disse. (Zenon)
Não importa mais. Eu tô sozinho agora. (Henrique)
Íris. (Bea)
Com certeza eu não tava falando de Edmont. (Henrique)
Henrique olha para a lápide.
Quase irmãos. Aliás, mais que isso, irmão a gente não escolhe. Não foi a primeira vez que ela me protegeu. (Henrique)
Henrique volta a olhar para Zenon.
Mas foi a última. Graças a você, ela passou por uma coisa que achou que nunca mais fosse acontecer, depois que o maldito do pai dela morreu. (Henrique)
Por que a culpa é de Zenon? (Bea)
Quer mesmo saber? (Henrique)
Sim. (Zenon)
Henrique dá mais uma tragada no cigarro. Vai até a lápide ao lado da de Íris, que tem algumas marcas. Apaga o cigarro. Vai até Zenon, pega a mão, coloca a bituca do cigarro, fecha, chega perto do ouvido.
Por mim você vai morrer sem saber. (Henrique)
Henrique sai andando. Zenon dá um passo na direção, Beatrice segura. Zenon olha para Beatrice.
Não vai arrancar nada. (Bea)
Eu conheço meios de conseguir uma informação que... (Zenon)
Pode usar os meios que quiser. Não acha que já foi tortura demais? (Bea)
Talvez eu arranque o que ainda sobrou dele. (Zenon)
Beatrice olha na direção de Henrique.
Não vai ter o que arrancar. Não sobrou nada. (Bea)
Henrique está em frente à casa de Paulo. Paulo sai e vai até Henrique.
Não tô mais assustado. (Paulo)
Que bom pra você. Mas corra se alguém estiver com caninos maiores que o normal. E sempre leve isso na carteira. (Henrique)
Henrique mostra um cartão da MEAK. Coloca a mão no bolso da calça de Paulo e pega a carteira. Abre. Olha pra baixo. Paulo abre mais os olhos. Henrique guarda o cartão na carteira, fecha e coloca de volta no bolso de Paulo. Olha para Paulo.
Além da camisinha, é claro. (Henrique)
É pra enganar meu pai. (Paulo)
Eu sei que você sai com outras pessoas. E sei também que ainda não teve coragem de usar isso. Mas fico feliz que tenha pensado em proteção antes. (Henrique)
Vampiros não morrem dessas coisas, né? (Paulo)
Não. Mas pegar um bronzeado, nem pensar. (Henrique)
Não consegui com outra pessoa porque não paro de pensar em você. (Paulo)
Henrique olha para o lado.
Pára... (Henrique)
Poderia me transformar e fugiríamos e eu não precisaria mais mentir! (Paulo)
Henrique olha para Paulo. Pega o rosto de Paulo entre as mãos.
Um dia eu também achei que isso fosse a salvação. (Henrique)
Henrique dá um beijo na testa de Paulo. Mark sai pela porta. Franze a testa.
Que está acontecendo aqui??? (Mark)
Henrique olha pro chão e se afasta.
Seu filho é como um irmão pra mim. (Henrique)
Henrique franze a testa e ri.
Peraí, não tá achando que sou viado, tá? (Henrique)
Mark olha Henrique de cima a baixo. Olha para Paulo.
Entra. (Mark)
Paulo respira fundo. Olha para baixo. Dá um passo a frente. Para. Olha para Mark.
Não. (Paulo)
Quê?! (Mark)
Ele é meu namorado. (Paulo)
Paulo... (Henrique)
Eu não vou te perder de novo! (Paulo)
Quê que você tá dizendo, moleque?! Vou te dar uma boa surra pra você virar macho! (Mark)
Mark dá dois passos na direção de Paulo, Henrique se coloca na frente mostra os dentes. Mark dá três passos para trás.
Mas só podia ser coisa do demônio mesmo! Filho, vem pra cá, eu te levo pro padre benzer e você logo volta ao normal! (Mark)
Vem comigo. Eu sei pra onde te levar. (Henrique)
Henrique sai andando. Paulo segue. Mark se benze e entra em casa.
Laura!!! O demônio pegou nosso filho!!! Laura!!! (Mark)
Paulo para e olha para trás. Henrique para. Paulo olha para Henrique. Henrique estende a mão a Paulo. Paulo segura na mão de Henrique. Seguem.
Beleno abre os olhos. Senta na cama. Seus pulsos e tornozelos têm correntes que prendem à cama. Olha para a asa que fora arrancada, agora reconstituída.
Anjo você não é. Por que tem asas? (Andrea)
Não me parece ser má. (Beleno)
Não, mas o amo. (Andrea)
Ele mata e tortura pessoas. (Beleno)
Não nessa ordem. (Andrea)
Em qualquer ordem. Matar alguém é torturar outros. (Beleno)
Andrea se aproxima e senta-se na cama, ao lado de Beleno, com o corpo parcialmente virado para Beleno.
Mas não foi ele. Foi você. (Andrea)
Quê?! (Beleno)
Andrea beija Beleno. Se afasta. Os olhos de Beleno estão fixos olhando para a frente.
Você é o assassino que tem aparecido no jornal. Tem matado todas aquelas pessoas. Cada um deles. Não se lembra como. Apagou da sua cabeça porque não queria se lembrar. Não sabe porque. Simplesmente quis torturá-los e matá-los. (Andrea)
Andrea tira uma chave do bolso. Pega o pulso esquerdo de Beleno. Abre o mecanismo. Faz o mesmo com o outro pulso.
Não ficou preso aqui. (Andrea)
Andrea se estica. Liberta os tornozelos de Beleno. Volta a sentar-se.
Apenas está escondido. Não tem coragem de se entregar, mas fará isso. Uma hora fará. Mas não agora. Está com medo. Mas sabe que precisa, porque não quer que volte a acontecer. Se aparecer mais algo do jornal, saberá que foi você. Mas eu estou aqui pra te ajudar. (Andrea)
Andrea beija Beleno. Beleno fecha forte os olhos e abre. Olha para baixo. Olha para Andrea.
Preciso me entregar. Não posso mais me esconder. (Beleno)
Não por enquanto, querido. Espere mais um pouco. Talvez isso passe. (Andrea)
Cai uma lágrima dos olhos de Beleno.
Será que herdei o sangue ruim do meu pai? (Beleno)
Seu pai era ruim? (Andrea)
Luana chega em casa. Entra. Um vulto aparece em sua frente. Luana bate no vulto com a bolsa. O vulto segura a bolsa. Luana tenta puxar.
Queimou a lâmpada de novo? (Henrique)
Luana para. Entra na porta ao lado, acende a luz. Vai até Henrique.
Filho? (Luana)
Luana passa a mão no rosto de Henrique. Abraça.
Você voltou pra mim... (Luana)
Não posso voltar. (Henrique)
Fica, por favor. (Luana)
Não posso ficar muito tempo. Te trouxe alguém. (Henrique)
Paulo vem do quarto.
Não posso mais voltar pra casa. (Henrique)
Luana toca o rosto de Henrique.
Não é fantasma... Não me importa como voltou, meu bebê, fica! (Luana)
Henrique pega a mão de Luana.
Vim me despedir direito. Não tem como eu ficar. (Henrique)
Henrique beija a mão de Luana.
Te amo, mãe. Tem alguém aqui precisando de uma mãe. Você sempre gostou dele. (Henrique)
Henrique abraça Luana. Vai até Paulo. Limpa uma lágrima, e beija Paulo. Volta para Luana. Beija-lhe a testa. Sai pela porta. Luana vai para o corredor. Olha para os lados. Vazio.
Eu também queria que ele ficasse. (Paulo)
Luana olha para Paulo.
Se não quiser que eu fique, vou entender. (Paulo)
Luana vai até Paulo e abraça. Caem lágrimas de seus olhos.
MEAK. Zenon chega. Se joga no sofá, deitando. Beatrice entra. Senta no outro sofá.
Acho que ele falava mesmo da minha filha. (Zenon)
Não sei, algo me diz que não... Tem certeza que não transformou? (Bea)
Casa de Kat. Kat abre os olhos. Senta-se na cama. Olha ao redor.
Estela! Derik! Eu já sei qual a ligação! (Kat)
Silêncio. Kat levanta. Vai até a sala. Na mesa de centro, um envelope. Kat pega. Atrás, um H. Abre, pega o papel de dentro, desdobra.
Só você, no templo
Templo. Aurium está em uma gaiola. Hugo segura Estela, com o braço em volta do pescoço. Estela tem uma mordaça na boca, pulsos com amarras.
Não sabia que seu namorado virava tanta coisa. Cachorro, pássaro... Pena que, quando fui pegar ele, eu tava usando a cortina... (Hugo)
Hugo. (Kat)
Falou umas coisas interessantes enquanto dormia. (Hugo)
Andrea não te contou. (Kat)
Mas você vai contar. Ou vai ficar sem nenhum dos seus amigos. (Hugo)
Te mato. (Kat)
Não vai trazer eles de volta. Não vai fazer isso. E sei que tem a ver comigo, então acho que tenho direito de saber. (Hugo)
Por que veio atrás de Zenon? (Kat)
Ele matou minha amante. (Hugo)
Amante? (Kat)
Sim. (Hugo)
Cria de Zenon. (Kat)
Sério? (Hugo)
Ficou tudo em família, não devia se meter. (Kat)
Não era dela que você tava falando quando dormia. (Hugo)
Foi Zenon transformou. (Kat)
Não, não foi ele, foi Clítia. (Hugo)
Não tava falando de Louise. (Kat)
Não é isso. (Hugo)
É sim. (Kat)
Andrea foi transformada antes de Zenon. (Hugo)
Como sabe? (Kat)
Clítia me contou. Recorri a ela antes de vir te perguntar. (Hugo)
Hugo joga uma chave.
Voltamos a nos falar quando quiser me contar a verdade. (Hugo)
Hugo sai, de costas, com Estela olhando para Kat. Some. Kat corre, olha, não vê Hugo. Volta e abre a gaiola.
Acha Estela! (Kat)
Derik bate as asas, e dá uma volta.
Que foi?! (Kat)
Aurium baixa a cabeça. Sai da gaiola andando. Se transforma em Derik. Fica em pé. Estica os braços com a palma da mão para baixo.
Me cortou as penas das asas, no finalzinho. Minhas mãos não têm pêlos, vê? (Derik)
Kat olha para as mãos de Derik, franzindo a testa.
Você nunca teve... (Kat)
Derik volta os braços.
O que tô dizendo é que não posso voar por uns dias. (Derik)
Kat sai andando. Derik segue.
Manhã. Kat abre os olhos. Senta na cama. Vai até a sala. Abre a porta da casa. Uma pessoa com um capuz, com Estela nos braços. Kat aponta o sofá. A pessoa entra e coloca Estela no sofá. Kat se aproxima e se abaixa perto de Estela.
Não aconteceu nada com ela. Está dormindo apenas. (Andrea)
Kat se levanta. Olha para Andrea.
Não conte para ele. Posso proteger qualquer um que ele tente atacar. (Andrea)
Como posso saber disso? (Kat)
Andrea se aproxima da janela. Vira de novo para Kat.
Sou eu quem o protege. (Andrea)
Sim, é. (Bea)
Andrea e Kat olham para Beatrice. Beatrice entra. Tira um capuz que vestia e joga no sofá.
Queremos Beleno de volta. E essa brincadeirinha de Hugo acaba aqui. (Bea)
Andrea olha para Kat.
Ela sabe? (Andrea)
Quer seu segredo protegido? (Bea)
Contou a ela?! A quem mais contou??? (Andrea)
Andrea vai na direção de Kat, Kat se mantem firme.
Não me interessa qual o segredo. Mas essas são as condições. (Bea)
Andrea para. Olha para Beatrice. Olha para Kat.
Vou trazê-lo de volta. (Andrea)
Toca o telefone. Kat vai até a parede da cozinha. Atende.
Inês? ### Pára de chorar... ### Não, você não vai colocar fogo na delegacia! ### Beleno?! ### Merda... ### Vamos pra lá agora! (Kat)
Kat desliga. Olha para Beatrice.
Ricardo ligou. Beleno se entregou pelos assassinatos. (Kat)
Beatrice olha para Andrea.
Vai se entregar e dizer que foi você e desfazer seja lá o que Hugo tenha feito. (Bea)
Posso desfazer, mas não me entregar. Não posso deixá-lo desprotegido. (Andrea)
Não sei o que vai fazer, mas vai tirar Beleno de lá. (Bea)
Não vai, não. (Hugo)
Que está fazendo aqui? (Andrea)
Talvez o mesmo que você. Vamos pra casa. (Hugo)
Não, vocês vão tirar Beleno de lá! (Kat)
Hugo ri.
Se não o quê? (Hugo)
Kat olha para Andrea. Olha para Hugo.
Conto se você tirar. Não conto se Andrea tirar. (Kat)
Hugo franze a sobrancelha.
Você sabe o nome... (Hugo)
Andrea tira uma espada e vai na direção de Kat, mas Hugo se coloca na frente, de frente para Andrea.
Continua. (Hugo)
Sai da frente. (Andrea)
Por quê? (Hugo)
Não vou deixá-la... (Andrea)
É disso que estou perguntando o porquê. (Hugo)
Andrea baixa a espada.
Você decide, garota. Alguém pode te proteger dele. Eu posso te proteger dele. Ele não vai te matar enquanto só eu e você soubermos. Mas de mim, não vai ter quem te salve. (Andrea)
Pelo menos uma dúzia de pessoas. (Bea)
Vou matar um a um quem você conhece se não me disser, Katerine. (Hugo)
Beatrice empurra Kat no chão e segura Hugo por trás, com um punhal em seu pescoço. Andrea levanta a espada novamente.
Você escolhe. (Bea)
Solta ele. (Andrea)
Vocês vão embora. (Bea)
Beatrice joga Hugo em cima da espada de Andrea. Andrea abaixa, junto com Hugo. Hugo desmaia. Andrea segura e faz deitar de lado no chão. Olha para Beatrice.
Não vai querer medir poder comigo. (Bea)
Vai pagar por isso. (Andrea)
Pelo que? Agora pode levar com você, e você não teria coragem de ferir pra isso. (Bea)
Andrea olha para Hugo. Beatrice baixa perto. Arranca a espada. Joga no chão. Pega o capuz no sofá. Veste em Hugo. Vira Hugo no chão. Fecha o capuz. Pega Hugo no colo. Se levanta. Andrea levanta junto. Beatrice coloca Hugo nos braços de Andrea.
Agora vai. Vocês resolvem seus problemas amorosos longe daqui. (Bea)
Andrea sai.
E agora??? E Beleno??? (Kat)
Beatrice mostra um frasco pequeno com um líquido vermelho.
Quem garante que é isso? (Kat)
Acho que ia tentar usar em você. Derik achou algumas drogas de hipnose... (Bea)
Beatrice tira um maço de folhas dobrado do bolso. Senta-se no sofá. Pousa o frasco na mesa de centro. Kat pega. Beatrice abre o maço de folhas. Joga a primeira, a segunda e a terceira na mesa. Olha para o frasco na mão de Kat. Olha para a folha.
É esse. (Bea)
Como se usa? (Kat)
Você toma... (Bea)
Kat abre o frasco.
E beija a pessoa. (Bea)
Kat fecha o frasco.
Entendi. (Kat)
Estela e você descarta. Podia ser Alete, se tivesse sobrevivido. (Bea)
Você pode fazer. (Kat)
Vai ter que ser. Mas tenho medo de iludir Beleno. (Bea)
Delegacia. Cela. Beleno sentou-se na cama. Hall de entrada. Ricardo está olhando pela janela. Diversas pessoas, com câmeras e microfones. Fecha a persiana.
Que merda. Temos que arranjar um cara muito parecido com ele e botar asas falsas. (Rick)
Ricardo olha para o final de um corredor.
Quando precisávamos encontrar o cara, ninguém ajudava, agora aparece essa aberração e sai no jornal "Anjo confessa crimes. Será o fim do mundo?". Se eu pego o maldito que vazou essa merda... (Rick)
Viemos falar com Beleno. (Bea)
Ricardo olha para Beatrice e Kat.
Que bom. Pode convencer ele de contar de onde é? (Rick)
Kat franze a sobrancelha.
Se não sabe de onde é, como sabe quem a gente veio procurar? (Kat)
Deve ter falado o nome. (Bea)
Não, ele só sabe dizer que matou todo mundo. Deduzi porque vocês sempre vêm atrás da encrenca da vez. E essa é das grandes. (Rick)
Beatrice entra em uma sala. Beleno se levanta.
Que está fazendo aqui? Posso machucar você! (Beleno)
Não, não pode. Sabe disso. (Bea)
Beleno balança a cabeça para os lados.
Não sabia que podia machucar pessoas... (Beleno)
Beatrice beija Beleno. Ricardo cruza os braços e franze a testa. Beatrice se afasta. Beleno olha pra frente, com olhar fixo.
Isso aqui não é festa do caqui, não pode ficar... (Rick)
Beatrice olha para Ricardo.
Quieto, Ricardo. (Bea)
Beatrice olha para Beleno.
Agora você vai lembrar de tudo como realmente aconteceu. (Bea)
Beatrice beija Beleno novamente. Se afasta. Beleno pisca forte. Olha para Beatrice.
Maldita... Malditos... (Beleno)
A gente vai dar um jeito. Mas primeiro você. (Bea)
Beleno olha para Ricardo.
Banho de sol? (Beleno)
Acha que vão te deixar tomar banho de sol? Só se for com correntes. (Bea)
Ricardo fecha a porta.
Ele é um de vocês? (Rick)
Isso vai melhorar ou piorar a situação? (Bea)
Não sei. (Rick)
Alguma chance de ajudar a gente com isso? (Bea)
Ah, claro! Agora eu saio lá e digo "Ei, gente, o anjo não é culpado, enfeitiçaram ele, vamos deixar ele voltar pro céu!" (Rick)
Beatrice olha para Beleno.
Peraí, não levou a sério, né? (Beleno)
Beleno está dentro da delegacia. Usa um grande pano branco.
Beatrice, eu juro que vou dar um soco naquele cuzão por ter tido essa ideia... (Beleno)
Isso é jeito de um anjo do senhor falar? (Bea)
Beleno encara Beatrice.
Devia ter seguido meu conselho e não olhado nos meus olhos. Você quem quis ver. Quer ou não sua liberdade? (Bea)
Beleno respira fundo. Abre as portas e sai. Pessoas com câmeras e microfones. Flashes. Beleno mira nos olhos das pessoas. Estufa o peito.
Não fui eu quem fez isso. Tentaram me derrubar... (Beleno)
Beleno baixa a cabeça. Beatrice trava a boca.
Tentaram me derrubar, me enfeitiçaram. Mas pegarei o anjo caído que fez isso! (Beleno)
Agora a saída de super-homem... (Bea)
Beleno bate asas. Levanta pouco acima da multidão. Os flashes continuam. Beleno voa em direção ao mar. Flashes acompanham.
Não sei como esse bando de... (Rick)
Ricardo olha para trás. Ninguém. Olha ao redor.
Não podiam sair andando, que nem gente normal?! "Tchau, Rick". "Valeu a ajuda, Rick". Claro. Contem comigo. (Rick)
MEAK. Noite. TV no meio da sala, ligada. As pessoas estão rindo. Beleno entra, ainda com a roupa branca. As pessoas param.
Muito engraçado. (Beleno)
Beleno desliga a TV. Vai para a cozinha. As pessoas voltam a rir. Zenon vai até a cozinha.
Foi mal, cara, é que ficou muito engraçado. (Zenon)
Beleno sai da MEAK pela porta da cozinha. Zenon segue.
Peraí, também não fica... (Zenon)
Beleno vira para trás, Zenon arregala os olhos e dá um passo para trás. Beleno está na forma em que mata vampirs: olhos flamejantes, músculos tensionados, garras e dentes afiados.
Beleno, não é pra tanto... (Zenon)
Uma mão no ombro de Zenon. Zenon se vira de lado e dá passos para trás.
É comigo. Mas não devia. Também estou com raiva de quem você quer matar. Com toda certeza, com mais raiva que você. Me ajuda a encontrar? (Henrique)
Beleno volta ao normal. Vai até Henrique, abraça e voa. Zenon entra. Kat olha para Zenon. Fecha a expressão.
Acho que tá na hora de voltar ao trabalho. (Kat)
Kat vai para um quarto. Estela e Derik também. Kat deita. Derik pega um laptop, entrega a Estela, e pega outro para si. Na sala, Alan pega o telefone. Digita. Espera.
Aléxis? ### Beatrice tá acordada? ### Vamos voltar à caça do Hugo. (Alan)
Diz que Beleno tá sobrevoando. (Zenon)
Zenon mandou... ### Como ouviu? ### Orelhas de vampiros, sei. (Alan)
Alan franze a sobrancelha.
Isso ficou parecendo parte de encantamento, né? (Alan)
Que estão fazendo? (Soraia)
Vamos sair. Caçar Hugo. (Zenon)
Beatrice mandou dizer... (Alan)
Hugo tá ferido. Jogou Hugo em cima de uma espada. (Zenon)
Chega. Eu quero um telefone com viva-voz! (Alan)
Vamos! (Soraia)
Inês, pode ficar de guarda? (Zenon)
Inês vira a palma para cima e faz uma chama.
Eu e Michele vamos para Ares. Vocês procuram em Hera. (Zenon)
Zenon, Alan e Soraia saem.
Manhã. Hugo acorda. Andrea dorme a seu lado. Hugo se levanta devagar. Coloca uma calça. Olha para Andrea. Imóvel. Abre a porta. Sai. Olha para trás no corredor. Vazio. Vai até o elevador. Aperta o botão. Espera. Acompanha cada andar. Abre a porta do elevador. Hugo respira fundo. Andrea está dentro do elevador.
Onde pensa que vai? (Andrea)
Não posso deixar isso barato. (Hugo)
Não vai é se levantar enquanto não estiver totalmente curado. (Andrea)
Eu não tenho cinco anos de idade. (Hugo)
Mas está agindo como se tivesse. (Andrea)
Andrea pega a mão de Hugo e voltam para o quarto. Hugo se joga na cama. Distorce o rosto, colocando a mão no tórax. Andrea deita a seu lado, de lado.
Que você tanto guarda? O que não quer me contar? (Hugo)
Não vai conseguir nada fazendo doce dessa vez. (Andrea)
Hugo se vira de lado. Andrea abraça Hugo.
Kat está dormindo. Está um beco estreito. Andrea grita enquanto cinco homens seguram. Um homem chuta repetidamente Hugo, que está no chão. Para. Cospe em Hugo. Se afasta. Os outros soltam Andrea. Andrea se aproxima de Hugo. Vira. Seu rosto está inchado. O homem se aproxima de Andrea. Andrea levanta e mostra os dentes. Todo mundo corre. Andrea abaixa perto de Hugo. Morde. Bebe por algum tempo. Morde o pulso. Coloca na boca de Hugo.
Andrea abre os olhos e senta na cama. Olha para os lados.
Droga! (Andrea)
Kat sentou-se na cama. Levanta. Cai para trás. Derik e Estela largam os notes e vão em direção a Kat. Derik chacoalha Kat.
Kat! Fala comigo! (Derik)
Kat abre os olhos.
Que aconteceu?! (Derik)
Eu ia voltar, mas alguma coisa me puxou de volta. Hugo pegou Janaína. (Kat)
Hugo está em casa de Janaína. Janaína está com amarras no chão, presas a pregos. Boca amordaçada. Acima de Janaína, uma mesa de ponta cabeça, com as pernas com cordas presas a uma roldana no teto. Diversas facas presas na mesa, com pregos. A respiração de Janaína é ofegante.
Calma, sou um bom marceneiro. (Hugo)
Hugo dá um tapa na mesa. Cai uma das facas. Ao lado da cabeça de Janaína. Janaína tenta gritar.
Ou não. (Hugo)
Hugo senta-se em cima das pernas de Janaína. Arranca a faca. Olha para a faca.
Planejei errado. Era pra ter caído uma que pegaria no seu rim. O que mais será planejei errado? (Hugo)
Hugo olha para Janaína.
Queria poder ler mentes. Descobrir se seu maior medo é de eu ter planejado muito errado ou se é que dê certo daqui para frente. (Hugo)
Hugo fica sobre os joelhos, ainda com Janaína entre as suas pernas, e abaixa a parte da frente do corpo, ficando com a boca ao lado do ouvido de Janaína.
Com o medo, o sangue ferve e corre mais rápido. Líquidos quentes e remexidos tem cheiro mais forte. Pena que, se essa mesa cair, vai te cortar em tantos pedacinhos que não vai ter uma gota de sangue que não vá esparramar pelo chão. (Hugo)
Se quer saber o segredo, solta Janaína. (Kat)
Hugo senta sobre Janaína.
Sua parte primeiro. (Hugo)
Kat vai até Hugo. Entrega um papel. Hugo sorri e pega o papel, ainda segurando a faca. Levanta, vai até a janela. Abre. Lê. Fecha o rosto. Olha para Kat. Atira a faca em direção a corda, a corda é cortada, a mesa cai, as facas cravam no chão. Kat trava o corpo, coloca a mão na boca. Respira fundo. Se vira. Vira de volta. Franze a sobrancelha. Se aproxima da mesa. Vira a mesa. Um buraco no meio do chão. Janaína está no buraco, ainda com amarras, mordaça, olhos arregalados, respiração ainda mais ofegante. Olha para os lados.
Agora sim a coisa vai ficar feia. (Kat)
Hugo chega no apartamento. A cama está vazia. Pega o braço de Michele, que vinha com uma estaca, torce. Joga Michele contra a parede. Zenon aponta uma besta para Hugo.
Minha mãe morreu no parto. (Hugo)
E o que eu tenho a ver com isso? (Zenon)
Hugo encolhe e solta os ombros.
Não sei... Ah, tá, tem o fato de que devia ter cuidado dela durante a gravidez! (Hugo)
Como assim? (Zenon)
Eu poderia ficar traumatizado. Katerine me disse que Louise era sua filha. Mas acho que cometeria incesto mesmo que soubesse. Com minha mãe não, que aí já seria demais, mas irmã? Aliás, meia-irmã, né... (Hugo)
Zenon franze a sobrancelha.
Do que você tá falando? Adele era sua mãe? (Zenon)
Adele? Ah, a mãe de Louise... Não, não tenho a mesma mãe que ela. (Hugo)
Zenon desfranze a sobrancelha, baixa a arma.
Pelo que soube, fez a mesma cara quando descobriu de Louise. Isso tá parecendo novela mexicana. Matou sua filha. Seu filho, que tava tendo um caso com ela, veio atrás. Mas ficar sossegado, não vou te abraçar e chorar. Aliás... (Hugo)
Hugo ri.
Puta que pariu, quantos filhos será que você ainda tem por aí? (Hugo)
Sempre foi cruel assim? (Zenon)
Não. Passei a ser depois que me espancaram e quase morri. Mas uma mulher, aliás, a melhor mulher do mundo, me salvou. (Hugo)
Isso não é salvação... (Zenon)
Ah, não? Foi a salvação que deu pra minha irmã? (Hugo)
Ela era uma assassina. (Zenon)
Zenon levanta a besta.
E você também é. (Zenon)
Como você. (Hugo)
Eu salvo pessoas. Pode se regenerar também. (Zenon)
Hugo começa a rir.
Essa é boa... ri Eu? ri de novo Salvando pessoas? Certo... Olha, você me mataria de rir... Se eu pudesse perder o fôlego, mas isso é pra quem respira. (Hugo)
Hugo... (Zenon)
Hugo fecha a expressão.
Sabe o quanto minha mãe pastou? (Hugo)
Não posso voltar no tempo. Não posso desfazer o que fiz. (Zenon)
Como se você se importasse. Ninguém se importa. Só ela se importa comigo. E eu com ela. (Hugo)
Zenon franze a sobrancelha.
Não disse que ela morreu no parto? (Zenon)
Existem outras pessoas que só tem uma pessoa no mundo. (Henrique)
Olha só... Como vai seu namorado? Até esqueci de ir atrás dele... (Hugo)
Sabe que é muito perigoso tirar de alguém a única coisa que esse alguém tem? Quando você não tem nada, também não tem nada a perder. (Henrique)
Que vai fazer? Explodir o prédio? (Hugo)
Henrique olha para a janela.
Vou dar um passeio no inferno. Mas tinha promoção onde comprei. (Henrique)
É mesmo? Que promoção? (Hugo)
Aquelas pague um, leve dois. (Henrique)
Hugo franze a sobrancelha.
Henrique olha para a janela. Hugo olha para a janela. Olha para Henrique. Zenon olha para a janela. Olha para Henrique.
Já te disseram que frase de efeito não mata ninguém? (Hugo)
Uma corrente entre pela janela e se enrola em Hugo. Henrique pega as duas pontas da corrente e puxa para perto da janela. Hugo puxa, resiste. Asas entram pela janela, puxam Henrique, e Hugo junto, pelas corrente. Zenon baixa a besta. Baixa a cabeça. Pousa a besta no chão. Anda em direção a janela, devagar. Andrea entra correndo no quarto, passa Zenon, chegando a janela. Olha para baixo. Se afasta da janela. Zenon se aproxima. Puxa o capuz. Andrea, com lágrimas nos olhos, se vira para Zenon.
Feliz agora? (Andrea)
Eu sinto muito... (Zenon)
Sentir? Você não sabe o que é isso! (Andrea)
Eu tentei falar com ele... (Zenon)
Não se importou naquela época, por que se importa agora?! (Andrea)
Eu mudei. (Zenon)
Já entendi, quer fazer teatro pros seus amigos. Não se preocupe, sou uma vampira, como ele também era, ninguém vai ligar pra isso agora. Pode me matar. (Andrea)
Zenon levanta a mão em direção ao rosto de Andrea, Andrea dá um passo para trás.
Eu disse que podia me matar, não te autorizei a tocar em mim. (Andrea)
Andrea olha para Michele. Vai até a besta, pega e estende a Zenon.
Aproveita. Sua amiga tá acordando. Ela não sabe de nada. Tudo que verá é você transformar uma vampira em cinzas. (Andrea)
Henrique não virou pó. (Beleno)
Tá vivo? (Zenon)
Não. Me disse que quase estraguei o final da peça e fechou os olhos. Não entendi nada. Devia ter me agradecido, não ia conseguir sem ajuda, o cara era quase o dobro dele... (Beleno)
Andrea olha para Beleno. Olha para Zenon.
Não foi você quem matou meu filho? (Andrea)
Faz diferença? (Zenon)
Andrea se deixa cair no chão. Chora. Beleno mira nos olhos de Zenon. Se senta ao lado de Andrea.
Vai embora, Zenon. (Beleno)
Eu... (Zenon)
Leva Michele e vai embora. (Beleno)
Noite. Michele abre os olhos. Está em sua cama. Zenon está em um canto, no chão, olhando para o teto. Michele se levanta.
Ai... (Michele)
Ele era bem forte, né? (Zenon)
Você conseguiu matar? (Michele)
Henrique fez isso. Morreu junto. (Zenon)
Pelo menos uma coisa certa ele fez. (Michele)
Zenon olha para Michele.
Não está lamentando, está? (Michele)
Era meu filho. (Zenon)
Também?! (Michele)
Consegui achar e perder dois filhos em menos de uma semana. (Zenon)
Michele vai até Zenon. Senta ao lado. Puxa para o colo.
Não é culpa sua. (Michele)
Tive dois filhos, não criei nenhum e praticamente matei os dois... (Zenon)
Não tinha como mudar isso. (Michele)
Zenon levanta. Vai para a janela.
Pior é que eu tinha. (Zenon)
Michele levanta. Vai até Zenon. Abraça. No outro andar, Beatrice está com a cabeça no colo de Aléxis.
Entendo ele um pouco. Tive que recorrer a uma filha para parar outra. (Aléxis)
Não sei. Parece que, quanto mais tentamos fazer o certo, pior fica. (Bea)
Fizemos muito de ruim. Sempre volta. (Aléxis)
E pra quem não fez? (Beleno)
Beatrice se levanta.
Não precisa se dar ao trabalho. Você já escolheu. (Beleno)
Não escolhi nada. E se eu estivesse no colo de uma mulher, por exemplo? (Bea)
Beleno encara Beatrice.
Tá, não foi um bom exemplo. (Bea)
Beleno olha para Aléxis.
Beatrice me contava que você foi o primeiro que olhou pra ela que não fosse só sexo. Na outra Realidade, sabe? (Beleno)
Ficou com Andrea. (Bea)
Beleno olha para Beatrice.
Pediu que não contasse nada sobre. (Beleno)
Entendo. (Bea)
Vou embora. (Beleno)
Beleno... (Bea)
"Fica, precisamos de você". Não. (Beleno)
Mas... (Bea)
Não. As asas de Derik estão quase boas. Todo mundo anda por aí caçando o anjo que foi enfeitiçado. Não vou mais ficar aqui. (Beleno)
E Inês? (Bea)
Vai comigo. (Beleno)
Como assim? (Bea)
Se quiser se despedir, vá até a MEAK. (Beleno)
E sua criança? (Bea)
Vai também. (Beleno)
Beatrice baixa a cabeça.
Tarde demais. Para de pensar. Você já fez sua escolha. (Beleno)
Beleno se vira. Para. Vira de volta.
A menos que queira ir comigo. (Beleno)
Beatrice olha para Beleno de novo. Uma lágrima cai de seus olhos. Beatrice vai até Beleno. Abraça. Beleno afasta. Beija Beatrice, que corresponde. Aléxis olha para o teto, se vira. Beleno sai pela porta andando. Barulho de asas.
Algum tempo, algum lugar
Teve mais alguma? (Xien)
Alguma o que? (Uehfo)
Cria de Zenon. (Xien)
Não sei. (Uehfo)
Ou não pode falar. (Xien)
Ou talvez eu só não saiba. (Uehfo)
Beleno foi mesmo embora para sempre? (Xien)
Beleno não conseguia aceitar que Beatrice não queria nada consigo. Tem bastante gente assim no mundo. A humanidade educa uma parte da população pra ser assim. (Uehfo)
Como as pessoas podem acreditar nessas coisas? (Xien)
Na metade da panela, tampa da laranja? (Uehfo)
Não tá ao contrário? (Xien)
Que diferença faz? Não faz sentido de qualquer jeito. (Uehfo)
Você definitivamente tem um ponto. (Xien)
Uehfo respira fundo. Estende a mão a Xien. Xien pega a mão de Uehfo.

Resumo do Capítulo

Zenon sonha com uma pessoa que conheceu antes da transformação. Soraia aparece. As pessoas fingem para Soraia que não estão trabalhando em nada, para tentar convencer Soraia de voltar a própria vida. Aléxis fala em ir para São Paulo. Beatrice diz que vai ficar. Aléxis tenta algo com Beatrice, mas Beatrice sai. Encontra Zenon. Falam sobre Soraia, Etos aparece, e dá a entender que vai atrás de Soraia. Beatrice fala para impedirem Etos, pra Soraia não ceder e se arrepender. Na cidade, Zenon salva uma pessoa de vampir. Ao mexer nas roupas, acha um anel seu de antes da transformação. Dera o anel a alguém que, sem saber, engravidara. Clítia transformou a pessoa. Beatrice vai buscar Zenon, Zenon conta de Louise. E que acabou de matar sua cria. Beleno seduz Beatrice. Alguém derruba Zenon. Quando acorda, com o sol nascendo, entra no primeiro lugar que acha: uma igreja. Beleno resolve ir buscar e traz, com queimaduras. Beleno e Beatrice discutem. Beleno faz o chá para Zenon. Aléxis e Michele chegam. Aléxis fica com Beatrice, Michele e Zenon vão pra casa. Zenon tem um H marcado nas costas. Fala que é de alguém de nome Hugo. Em reunião na MEAK, fala que Hugo mata pessoas, fazendo alguém acreditar que tem culpa. Zenon não acha o anel. Michele fala para as pessoas que era da cria de Zenon. Michele fica com ciúmes de Beatrice. Zenon sai. Falam em Beleno achar Hugo. Encontram a asa arrancada de Beleno, Alete sem vida e uma armação. Beatrice toca, pega fogo ao redor, mas Aqua apaga o fogo, por risco a Aléxis. Quebra a armação e entrega uma criança a Beatrice. Levam a criança a Derik. Beleno está com Hugo e Andrea. Hugo fala que está atrás de Zenon por causa de Louise. Hugo vai a um bar e pega uma vítima. No dia seguinte, Inês fala com a irmã da vítima, Elis. A mando de Hugo, Elis descrevera Beleno para a polícia. Elis lhe entrega uma pulseira que Hugo ordenara que entregasse se alguém estivesse de fato lhe procurando. Hugo tenta fazer de Paulo a segunda vítima. Henrique impede. Íris tenta defender Henrique. Kat vê em sonho o que acontece. Paulo liga na MEAK, Alan e Zenon vão. Encontram Henrique, que tenta atacar Zenon. Foge. Falam com Paulo. Paulo fala que visitavam o pai de Henrique. Falam com Luana, mãe. Luana diz que morreu há quatro anos, tanto Henrique quanto o pai. Encontram Henrique no cemitério. Henrique se recusa a contar porque disse que era culpa de Zenon. Vai até a casa de Paulo. Paulo se revela para a família, Henrique leva Paulo embora. Beleno acorda. Andrea enfeitiça para que ache que foi quem matou as pessoas. Henrique leva Paulo para a casa de sua mãe. Kat sonha com Hugo, acorda e Derik e Estela sumiram. Vai ao templo, sem ninguém, a mando de Hugo. Hugo diz que ouviu o que Kat disse enquanto dormia. Kat tenta enganar, mas Hugo vai embora com Estela. Andrea devolve Estela, fala que Kat não conte nada a Hugo. Beleno se entrega pelos crimes. Beatrice fala para Andrea resolver. Hugo chega. Discutem. Beatrice joga Hugo na espada de Andrea. Fala para Andrea levar dali e lhe rouba um frasco sem que veja. Beatrice e Kat vão a delegacia. Desenfeitiçam Beleno. Inventam que Beleno é anjo e que enfeitiçaram, para conseguir sair livre da delegacia. Henrique aparece e pede ajuda de Beleno para achar Hugo. Saem. Kat sonha com a transformação de Hugo por Andrea. Hugo pega Janaína. Kat conta o segredo a Hugo. Hugo volta ao apartamento, encontra Michele e Zenon. Hugo conta que Zenon é seu pai. Henrique chega. Henrique e Beleno conseguem arrastar Hugo janela a fora, para o sol. Andrea chega. É mãe de Hugo. Beleno entra e fala que Henrique não virou pó. Lê a mente de Zenon e manda Zenon embora. Mais tarde, Beleno decide ir embora.

Dara Keon