Silêncio
MEAK
C02

Silêncio ler resumo

MEAK, sede São Paulo. Melody entra. Kat e Derik olham para Mel.
Nenhuma resposta ainda? (Mel)
Tô na dúvida se se mataram ou se ainda estão discutindo. (Derik)
Poderíamos ir lá ver. (Kat)
Precisam resolver seus problemas antes de pensar em lutar de verdade. (Mel)
Estela abre os olhos. Se senta. Diversas garrafas ao redor. Alan com corpo encolhido em um canto. Zenon deitou abraçando Michele. Aléxis está em frente a Michele. Estela se levanta. Vai até Alan. Toca seu ombro. Alan levanta com uma estaca, Aléxis puxa Estela. Alan solta a estaca.
Desculpa... Eu... (Alan)
Alan coloca a mão na cabeça. Zenon e Michele olham. Se entreolham. Zenon senta, soltando Michele. Michele se senta e passa a mão nos cabelos. Estela vai na direção da porta. Alan levanta, vai até Estela, toca seu ombro.
As pessoas têm razão. Eu exagerei. Não importa se a gente teve alguma coisa, a gente sempre teve só um ao outro, e não deveria fazer diferença se a gente tá junto ou não. (Alan)
Estela suspira.
Eu vou entender se não me... (Alan)
Estela abraça Alan.
Não faz ideia do quanto senti sua falta! (Estela)
Pior que faço. (Alan)
Estela e Alan saem.
E a gente? (Aléxis)
Não tem muito um "a gente", vocês tão juntos agora. (Zenon)
E se eu ainda gostar de você? (Michele)
Aléxis baixa a cabeça.
Mas eu... Gostar do Aléxis... Também? (Michele)
Aléxis olha para Michele. Olha para Zenon.
Meu deus do céu, eu sou uma vadia... (Michele)
A gente pode fazer um pacto de deixar para pensar nisso depois. Por agora, temos coisa mais importante pra resolver. (Zenon)
Sem ressentimentos quando a gente passar por aquela porta então? (Aléxis)
Acho que sim. (Zenon)
Aléxis vai até Zenon e estende a mão. Zenon aperta a mão de Aléxis. Michele cerca as mãos com suas mãos. Sai. Zenon e Aléxis soltam as mãos e saem também.
Tarde. Katerine, Derik, Estela estão em um sofá. Zenon está em pé atrás. Aléxis e Michele encostaram na parede atrás. Beleno está junto a porta, de braços cruzados, com Inês do lado. Leonardo está na janela, de um lado Soraia e Alan, de outro Fábio e Dionísio. Janaína entra. Olha ao redor.
Mel realmente faz milagres. Não acreditei quando Derik disse no telefone. (Janaína)
Tudo pelo bem maior. (Etos)
Janaína se afasta da porta. Suspira fundo. Estende a mão a Etos. Etos franze a sobrancelha.
Sem provocações? Ao menos até pegarmos Padoi? (Janaína)
Etos aperta a mão de Janaína. Janaína solta a mão de Etos e senta-se no sofá de dois lugares. Etos senta ao lado. Mel entra, Trinity seguindo.
O que temos sobre Padoi é que quem começou uma linhagem consegue matar Padoi. Então temos que armar um jeito de cercar Padoi, e Aléxis apunhala. (Mel)
Sem acordar Edmont? (Alan)
De preferência. (Kat)
Beleno, achou Beatrice? (Zenon)
Acho que Beatrice não quer que encontremos. (Beleno)
Por que diz isso? (Derik)
O rastro mais forte está perto do apartamento. De repente o cheiro some em um mercado. Descobri que assaltaram, e que levaram todo o vinagre. (Beleno)
Até Virgine não foi, falei com Rust. (Mel)
Talvez a gente devesse seguir a vontade de Beatrice. (Kat)
Seria bom a ajuda. (Michele)
Zenon olha pra Michele.
Tô tentando. Juro. (Michele)
A hora que Beatrice conseguir lutar, vai voltar. (Mel)
Precisamos achar Padoi. (Inês)
Como a gente pode fazer isso? (Janaína)
Padoi se considera deus. (Etos)
Mas sabe que estamos atrás e que podemos matar. (Aléxis)
Isso. Por isso não vai se declarar para o mundo inteiro. Mas onde estiver... (Etos)
... vai fazer o que bem entender. Se alimentar sem medo, inclusive. (Kat)
E deixar corpos. (Derik)
Esse é o rastro que se pode seguir de qualquer criatura que mata. (Soraia)
Bom, tô morto, posso sair pelo mundo procurando. (Leo)
Na verdade, você está... Pera, conseguiu sair de Hera... (Estela)
Com algum treino vou conseguir até sair do planeta se quiser! (Leo)
Não dá tempo de treinar nada. Derik, Estela, conseguem encontrar um feitiço pra acelerar isso? (Mel)
Talvez... (Derik)
Ótimo. Beleno, pode mudar seu foco de busca? (Mel)
Quem sabe não encontro Beatrice no caminho? (Beleno)
Devia aprender a respeitar o que Beatrice quer. (Inês)
Beleno baixa a cabeça. Olha para Mel.
Pode pensar em Padoi? (Beleno)
Só Angely e Edmont viram. (Trinity)
Precisamos encontrar Angely também. (Kat)
Está onde Beatrice estava. (Beleno)
Por que não falou antes? (Alan)
Não tinham me dito que não sabiam dessa parte. (Beleno)
Pode trazer Angely para cá? (Estela)
Trago. Depois vou procurar Padoi. Só volto quando achar. (Beleno)
Acho que o melhor que posso fazer é ajudar Andrea a proteger Glória, Vivian e as outras crianças. (Inês)
Talvez fosse bom Ísis ficar com Inês também. (Soraia)
Mas... (Alan)
Alan olha para Soraia. Baixa a cabeça. Olha para Inês.
Pode fazer isso? (Alan)
Claro. (Inês)
Vou com Inês pegar Ísis e depois vou deixar com Andrea. (Alan)
Depois que Alan voltar, parece uma boa ideia que eu, ele, Fábio e Dionísio voltemos ao Grupo. Teremos informações lá dentro, o Grupo está no mundo todo, e então vamos ter mais informação. (Soraia)
Eu me juntaria a vocês, mas tenho a leve impressão que não vão me aceitar muito bem. (Trinity)
Etos, Trinity, Zenon e Aléxis, preciso que procurem entre vampirs. (Mel)
Não somos exatamente bem vindos. (Zenon)
Fala por você. (Etos)
Mas não se parecem com comida. (Derik)
O que eu poderia fazer? (Janaína)
Investir em qualquer tecnologia ou armas que pudermos usar. E na construção de uma fortaleza. (Mel)
Parece uma boa. (Janaína)
E a gente? (Michele)
Você vai treinar Katerine. Vai lutar como se realmente quisesse matar. (Mel)
As pessoas se entreolham, franzem sobrancelhas. Olham para Mel. Kat olha para o chão. Olha para Mel.
A profecia supostamente fala de uma criança que saiu de mim. Padoi deixou Glória para trás. (Mel)
Então, se Aléxis falhar... (Zenon)
Katerine tem que conseguir derrubar Padoi. (Mel)
Alan dirige. Inês está olhando pela janela.
Acha que Ísis vai achar que abandonei ela? (Alan)
Inês franze a sobrancelha e olha para Alan.
Do que diabos você tá falando?! (Inês)
Se acontecer alguma coisa comigo. (Alan)
Por que aconteceria? (Inês)
Esse cara... (Alan)
Ninguém disse que era um cara. (Inês)
Ok. Essa criatura. Mel tentou aumentar o poder do Edmont pra deter... Isso. (Alan)
E agora você acha que vai morrer. (Inês)
Eles atacam o elo mais fraco muitas vezes. Acho que eu e Estela somos os primeiros alvos. (Alan)
Acho que pegamos Padoi antes. (Inês)
E se a gente não conseguir? (Alan)
Inês volta a olhar para a frente.
É bom conseguir. Você não é o elo mais fraco. (Inês)
Não tenho poderes, Inês. (Alan)
Nem Ísis. (Inês)
Alan olha para Inês, arregalando os olhos. Volta a olhar para frente.
Derik e Estela estão em frente a uma biblioteca.
Quando Mel tava com Glória no ventre, a gente passou meses em uma biblioteca, tentando descobrir como desfazer a suposta maldição. (Derik)
Vocês nunca tinham comentado dessa maldição. (Estela)
No final das contas, foi o que trouxe a gente aqui. (Derik)
Como assim? (Estela)
Edmont mordeu Mel para tirar as forças e conseguir, agora a gente sabe, pegar Glória. (Derik)
Essa parte eu sei. Mas o que isso tem a ver com o que houve com Angely e Edmont? (Estela)
Mel torturou Edmont depois disso. Nem quero imaginar como foi, com a quantidade de sangue, de fresco a seco, que tinha naquele lugar. (Derik)
Não vou ficar com pena de Edmont. (Estela)
Não é questão de pena. Acho que ninguém imaginava que Mel pudesse chegar a essa ponto. No final, Mel decidiu matar Angely e Edmont. (Derik)
Foi aí que aconteceu a coisa toda? Edmont se defendeu? (Estela)
Aconteceu depois que enfiaram as estacas. Quando Mel falou que mataria, Edmont pediu que fizesse de uma vez. (Derik)
Silêncio. A porta se abre. Leo sai.
Arrombar uma biblioteca não me torna ruim? (Leo)
Estela olha para Derik. Olha para Leo.
Não se for pra uma boa causa. (Estela)
Tem certeza? (Leo)
A biblioteca não vai ter muita utilidade se o mundo virar um caos. (Derik)
Derik entra. Estela segue. Leo olha para fora, entra e fecha a porta.
Beleno desce na varanda do apartamento de Beatrice. Entra e senta-se ao lado de Angely na cama.
Bem que você podia dormir de olhos abertos. (Beleno)
Beleno senta atrás de Angely, puxa pelo tronco e levanta essa parte, posicionando em frente a si. Cruza seus braços em frente ao tronco de Angely. Se levanta e fica em pé na cama, trazendo Angely junto. Pula da cama, para o chão. Anda até a varanda novamente. Começa a bater as asas, levantando no ar. Trança as pernas em Angely e segue o voo.
Michele e Katerine entram em uma sala grande. Há diversas armas. Katerine olha ao redor.
Por algum motivo, gosto mais de espadas. (Kat)
Já ouvi falar que é gosto de família. (Michele)
Katerine franze a sobrancelha e olha para Michele.
Zenon. Já comentou de quando conheceu vocês, que Angely e Edmont treinavam isso. (Michele)
Kat se aproxima das espadas.
Também já se enfrentaram várias vezes assim, depois que Edmont abandonou a gente. (Kat)
Me disseram que Mel fez uma espada pra me matar. (Michele)
Mel cresceu com Nilrem por perto, veio pra Terra pra achar gente caçando atrás, cessou isso e, ao invés de ter descanso, nos enfiamos nessa vida. Nem era tão ruim. Até tudo que houve com Glória. Acho até que engravidou porque parecia tudo bem. (Kat)
Tipo de propósito? (Michele)
Alguma vez já te pedi absorvente emprestado? (Kat)
Eu uso coletor! (Michele)
Esse não era o ponto. (Kat)
Michele franze a sobrancelha.
Você não menstrua? (Michele)
A gente só tem sementes se quer isso. Mas não é totalmente consciente. (Kat)
Não rolou uma história de Angely achar que engravidou alguém? (Michele)
O corpo que Angely está não menstruaria. Acho que a dúvida talvez fosse por Lisa não ser atlante. Ou talvez Angely quisesse ajudar a fazer uma criança, talvez tivesse essa vontade, mas sabia que, seja lá quem tivesse engravidado, talvez não tivesse vontade também. (Kat)
Queria ser atlante. (Michele)
A gente pode começar com a espada? (Kat)
Com um chute, Kat bate no braço de Michele, que vinha com uma espada. Michele olha para a espada no chão. Olha para Kat.
Como se quisesse te matar, Mel disse. (Michele)
Tá tudo bem. (Kat)
Kat pega a espada do chão. Joga para Michele.
Etos entra em um bar. Trinity entra atrás.
Tem certeza que tem mais vampir aqui? (Trinity)
Procura alguém que cheira mais parecido comigo que com você. (Etos)
Por que? Alguém com mais idade? (Trinity)
Alguém que não esteja fedendo a Daxlidan. (Etos)
Trinity franze a sobrancelha.
Tá falando sério que isso muda o cheiro?! (Trinity)
"Não precisa derrubar a laranjeira pra comer laranja". Diz que a pessoa que foi pra Zorana dizia isso. (Etos)
Ah, e eu faço o que? "Oi, cê vem sempre aqui? Quer me dar um pouco do seu sangue?" (Trinity)
Cê pede pra trepar assim também? (Etos)
É diferente. (Trinity)
Não precisa mostrar os dentes, pode usar uma faca e disfarçar que é fetiche. (Etos)
Não tinha pensado nisso. (Trinity)
Só se for agora. Sei de pelo menos três. (Etos)
Trinity olha para Etos.
Intromissão isso aí. (Trinity)
Sempre. (Etos)
Etos entra no meio das pessoas. Trinity segue para outro lado. Chega a um balcão. Suzana olha para Trinity.
Tequila. (Trinity)
Trinity entrega uma comanda. Suzana pega, anota, devolve, pega um copo, coloca a Tequila, coloca no balcão. Júnior vem, pega a Tequila e bebe. Olha para Trinity.
Te pago outras duas como pedido de desculpas. É que a mina que eu tô pegando disse que você é bonita, vim saber se quer sair com a gente. (homem)
Às vezes dá vontade de tacar fogo no laranjal inteiro. (Trinity)
Ah? (homem)
Não, eu não quero. (Trinity)
Júnior olha para Suzana.
E você? (homem)
A pessoa tá trabalhando, coisa dos infernos, não pode te mandar tomar no cu, como deveria! (Trinity)
Gato, tô afim de ir indo... (Lisandra)
Trinity olha para o pulso de Lisandra, uma pulseira cor de cobre. Sorri e olha para o rosto.
Nossa, você por aqui... (Trinity)
Oi... (Lisandra)
E Virgine, como anda? (Trinity)
Bem... (Lisandra)
Então vocês se... (homem)
É. Minha ex. Melhor a gente ir indo, o último que ela viu comigo ainda não saiu da UTI. (Lisandra)
Júnior franze a sobrancelha. Lisandra pega pela mão e sai andando. Júnior solta a mão de Lisandra, volta até o balcão, olhando para Suzana.
Foi mal, eu tô bêbado. (homem)
Ok. (Suzana)
Júnior olha para Trinity, depois vai até Lisandra e saem.
Outra tequila. (Trinity)
Se quiser, posso chamar a segurança. (Suzana)
Não, vai ter o que merece hoje e não tá nem sabendo. (Trinity)
Não arrisca ser presa por causa de um traste desses... (Suzana)
Pode sossegar, não sou eu quem vai dar. (Trinity)
Suzana pega outro copo, coloca mais tequila e entrega na mão de Trinity. Trinity ergue o copo.
Aos pés bichados que são derrbados. (Trinity)
Suzana ri e se afasta. Trinity vira a tequila.
Etos se aproxima de uma pessoa na pista. Começa a dançar junto. Pega o celular do bolso, desbloqueia, olha, bloqueia, guarda. Sorri para a pessoa e volta a dançar.
Zenon pega o celular, olha, desliga a tela e guarda no bolso. Aléxis está mexendo na tela de diversos jeitos. Zenon cruza os braços. Aléxis olha para Zenon, entrega o celular. Zenon desbloqueia. Entrega para Aléxis.
Um símbolo? (Aléxis)
Parece que isso era o símbolo da seita de Padoi. Mel desenhou e mandou. (Zenon)
Alan, Fábio, Dionísio e Soraia já foram falar com o grupo? (Aléxis)
Mel mandou pra todo mundo. Espero que não estejam cagando pra isso. (Zenon)
É um vampiro, é trabalho deles. (Aléxis)
Isso se acreditarem na gente. Soraia mesmo continua achando que sou um risco. (Zenon)
Bom, você já foi. (Aléxis)
Você também. (Zenon)
Sim. (Aléxis)
Zenon suspira.
Ok. Precisamos de sinais de Padoi. Só sei fazer isso de um jeito. (Zenon)
Batendo? (Aléxis)
A gente deixa eles vivos se cooperarem. (Zenon)
Não podemos ver com outras espécies? Naquela época já haviam lugares de reunião, deve ter agora também. (Aléxis)
Faz mais sentido. (Zenon)
Conhece algum? (Aléxis)
Zenon e Aléxis entram em um lugar cheio de panos, pedras e estátuas. Sentam em um sofá. Luiza e Naian saem por uma porta. Naian, com apenas um pano liso sobre o corpo, pára, olhando para Zenon. Vira a cabeça de lado. Sorri. Olha para Luiza.
Toma direitinho a poção que te dei. (Naian)
Vai dar certo! (Luiza)
Naian sorri novamente. Luiza sai.
Acho esse nome poção estranho, mas é o que as pessoas usam. (Naian)
O que deu pra... (Aléxis)
Ervas calmantes. Acha que as coisas não estão indo bem porque estão com inveja, mas o stress ali tá uma coisa! (Naian)
Naian olha para Zenon e sorri.
E você, como anda? (Naian)
Não lembro de tanta simpatia comigo... (Zenon)
Digamos que li você e parece estar... Não lembro a palavra... É algo como... Legal... Acho... (Naian)
Pera... A falta de gênero... Como eu nunca me toquei? (Zenon)
Naian fecha o sorriso.
Calma, conheço mais gente atlante, seu segredo tá seguro. (Zenon)
Naian sorri.
Precisa me apresentar então! E o que te traz aqui? (Naian)
A gente precisa encontrar alguém, um cara chamado Padoi. (Aléxis)
Naian cruza os braços.
Preciso de alguma coisa específica, não funciona que nem google. (Naian)
O que é o google? (Aléxis)
Acordou ontem? (Naian)
Talvez você saiba de alguém que apareceu recentemente, originou uma nova linhagem de vampir. (Zenon)
Naian olha para Zenon. Olha para Aléxis. Volta a olha para Zenon. Aléxis suspira.
Que não eu. (Aléxis)
Posso olhar na minha bola de cristal. (Naian)
Zenon franze a sobrancelha.
Você tem uma... (Zenon)
Não era literal. (Naian)
Ah... (Zenon)
Naian entra na sala de novo. Zenon e Aléxis seguem. A sala é igualmente decorada. Passam para outro espaço. Uma mesa baixa, chão verde, paredes azuis. A mesa parece feita de tijolos, os bancos são cubos amarelos com interrogações. De um armário, Naian tira um globo terrestre com pedras encrustradas. Coloca o globo sobre a mesa e se senta. Zenon e Aléxis sentam do outro lado.
Essa sala... (Aléxis)
Naian sorri.
Não é o máximo?! (Naian)
Aléxis olha para Zenon. Zenon dá um meio sorriso. Naian desmancha o sorriso.
Vocês não jogam. (Naian)
Porque as pedras no globo? (Aléxis)
Beatrice... (Zenon)
A gente não veio procurar Padoi? (Aléxis)
Sim, eu... (Zenon)
Beatrice é atlante? (Naian)
E usa uma esmeralda. (Zenon)
Naian endireita o corpo, abre mais os olhos e fecha a boca.
Não tire. Seria como tirar o marcapasso de alguém... Bom, não mata... Enfim, só não tire. (Naian)
Porque isso? (Aléxis)
A relação que seres humanos têm com plantas, nós temos semelhante com pedras. Esmeralda ajuda Beatrice a controlar o que tem. Essas pedras me ajudam a sentir o que está perto da outra metade. O globo foi só pra eu não ficar tendo que lembrar onde tá cada uma. (Naian)
Não tem nenhuma erva que faça humanos verem coisas. (Aléxis)
Zenon segura uma risada.
Discutível. (Naian)
Naian começa a tocar as pedras com os dedos.
Se estiver em uma região calma é mais simples de encontrar. Tô começando por aí. Tem pontos desse globo que eu passo mal só de encostar. (Naian)
Muitos vampirs? (Aléxis)
Naian olha para Aléxis.
Quem me dera você tivesse ajudado a criar o único mal desse mundo. (Naian)
Naian continua passando os dedos. Para. Respira fundo.
Tá. Vou dar algumas localizações pra vocês e vocês olham. Se não acharem, vocês voltam e eu procuro nos outros lugares. Espero que não precise, e nem por eu passar mal, mas porque aí a chance de eu encontrar é quase zero. (Naian)
Aléxis e Zenon saem.
27 lugares, isso é muito! (Aléxis)
Bom, vamos eliminar bastante mal do mundo. (Zenon)
Aléxis olha para Zenon.
Tem razão. (Aléxis)
Precisamos avisar o resto das pessoas. (Zenon)
Principalmente Soraia. (Aléxis)
O grupo tem gente no mundo todo, ótima ideia! (Zenon)
Tem? (Aléxis)
Tem uma estrutura gigante hoje em dia, os líderes de regiões têm até títulos! (Zenon)
Aléxis sorri. Zenon franze a sobrancelha.
Meu deus. Era mesmo uma bola e tinha... Pedras... (Zenon)
Ah? (Aléxis)
O... Negócio... Naian... (Zenon)
Quê?! (Aléxis)
Esquece. (Zenon)
Alan para o carro em frente a uma casa. Inês desce da carona, Ísis do banco de trás. Alan respira fundo. Sai do carro. Vai até Ísis. Se abaixa.
Por que não posso ficar com a mamãe? (Ísis)
A gente não sabe onde a mamãe tá. (Inês)
E, onde estiver, é perigoso demais pra você. (Alan)
Antes ela dizia que era perigoso também, mas sempre vinha me ver! (Ísis)
Que tal se a gente combinar uma coisa? (Alan)
Ísis cruza os braços.
O quê? (Ísis)
É perigoso, mas você pode treinar. E aí ficar forte. Aí você vai poder ver ela. Quando quiser. (Alan)
Ísis sorri. Abraça Alan. Alan sorri. Afasta Ísis. Passa a mão no rosto de Ísis. Pega no colo. Entram na casa. Glória, de dentro de outro cômodo, olha para Ísis. Está em um círculo no chão, com as outras seis crianças. Levanta e vem até a sala. Alan desce Ísis no chão. Glória pega Ísis pela mão, e leva para o outro cômodo. As outras crianças abrem mas o círculo, e Glória e Ísis se sentam. Alan suspira.
Espero que a gente não demore demais. (Alan)
Vocês vão conseguir. Mel não vai deixar isso ficar assim por muito tempo. Se conseguiu até fazer as pessoas se falarem de novo. (Inês)
Isso não foi tão difícil. Foi só mostrar o quão patética era a situação. (Alan)
Quer ficar mais um pouco? (Inês)
Andrea vem até a sala. Olha para Alan. Vai para o cômodo, com as crianças.
Não. Cada segundo a mais aqui é um a mais pra Padoi. (Alan)
Inês abraça Alan.
Boa sorte. (Inês)
Alan retribue o abraço. Afasta. Sai. Inês fecha a porta. Vai para o outro cômodo.
Você disse que não podem ficar comendo miojo, nem sopa de daxlidan, e que não posso caçar os animais dos vizinhos, então resolvi que você cozinha a partir de hoje. (Andrea)
Inês suspira. Vai para a sala e passa pela porta por onde Andrea entrou. Andrea se senta no chão.
Que tal a gente continuar aquele feitiço? (Andrea)
Aquele que é surpresa pra Inês? (Glória)
Isso! (Andrea)
Ísis olha para a porta. Levanta, vai até a sala. Volta e senta no chão.
Já foi mesmo. (Inês)
Andrea sorri.
Alan está dirigindo. Para o carro no acostamento. Pega o celular. Desbloqueia. Clica. Respira fundo. Clica de novo. Coloca no ouvido. Espera.
Zenon, é Alan. (Alan)
Isso apareceu no visor... (Zenon)
Posso te fazer uma pergunta sobre Ísis? (Alan)
Zenon olha para o chão.
Claro. (Zenon)
Eu conheci Ísis na outra Realidade? (Alan)
Conheceu. (Zenon)
Ela tinha raiva de mim? (Alan)
Por quê? (Zenon)
Matei Juliana? (Alan)
Juliana não era vampira lá. Foi assassinada por um cliente, foi horrível. (Zenon)
Acha que eu teria matado? (Alan)
Tenho certeza. (Zenon)
Acha que ela teria raiva de mim? (Alan)
Você nunca contaria. (Zenon)
Eu deveria fazer isso? (Alan)
Não. Você é uma pessoa melhor aqui do que era lá, mesmo com tudo que fez por mim lá. (Zenon)
Obrigado. Eu acho. (Alan)
Passei uns endereços pra Soraia. (Zenon)
Estou indo encontrar. Falou. (Alan)
Zenon guarda o celular.
Ísis ainda é viva lá? (Aléxis)
Não. Nem Alan. Virgine matou. (Zenon)
Deve ser complicado esconder isso. (Aléxis)
Tudo mudou quando viemos pra cá. Alan deveria ser paraplégico, Estela era para ter morrido. Aí Alan ficaria com Soraia... (Zenon)
Alan ficou com Soraia. (Aléxis)
Zenon olha para baixo.
Mas foi diferente. (Zenon)
Aléxis abre mais os olhos.
Você matou Estela. (Aléxis)
Zenon olha para Aléxis.
Não sou mais aquela pessoa. (Zenon)
Aléxis coloca a mão no ombro de Zenon.
Tudo bem. Queria eu ter a chance de ver alguém que eu matei bem e feliz. (Aléxis)
Tem razão. (Zenon)
Beleno está com Angely no ar. Destrança as pernas, desce ao chão. Tira um braço da frente, escorrega as costas de Angely para o outro, passa o primeiro embaixo das pernas, levanta Angely no colo. Assovia. Mel, que está no sofá, com a cabeça entre as mãos, levanta a cabeça. Levanta do sofá, vai até a porta, destranca, sai. Alguns segundos. Beleno entra, coloca Angely no sofá. Mel entra.
Edmont tá por aí? (Beleno)
Tá no quarto. (Mel)
Beleno pega Angely no colo. Mel vai até a porta do quarto, abre. Beleno entra e coloca Angely ao lado de Edmont na cama.
Costumavam dormir na mesma cama quando eram menores. (Mel)
É difícil acreditar que Edmont já foi decente. (Beleno)
Não sei o que já foi. Só tenho o que tenho agora. (Mel)
Mel sai do quarto. Beleno segue, fecha a porta.
Você se alimenta de vampir. (Mel)
Sim (Beleno)
Padoi deve ter cheiro de comida diferente pra você. (Mel)
Não tinha pensado nisso. (Beleno)
Me dei conta disso agora pouco. Só não tenta comer. (Mel)
Beleno sai pela janela. Mel franze a sobrancelha. Pega o celular no bolso. Desbloqueia, arrasta, clica. Revira os olhos, vai até a janela, olha. Suspira.
Podiam ter mandado uns segundos antes. (Mel)
Um quarto fechado, sem móveis, janela e porta fechadas. Derik, Estela e Leo formam um círculo, de mãos dadas. Uma fogueira no centro, com papel, de um fogo avermelhado.
Liberta quem aqui está em prisão. Tira a corda, a corrente, a âncora. Faz do mundo sua casa, tão livre quanto um dia já foi. (Estela)
Estela aperta os olhos e as mãos de Leo e Derik. Leo tenta puxar a mão, mas Estela segura.
Tem certeza que não quer que eu faça? (Derik)
Pode afetar seus poderes. (Estela)
Eu posso conseguir sozinho... (Leo)
Você ouviu Mel, não temos tempo pra isso! (Estela)
Estela abre os olhos.
Liberta quem aqui está em prisão. Tira a corda, a corrente, a âncora. Faz do mundo sua casa, tão livre quanto um dia já foi. (Estela)
Estela aperta mais as mãos de Derik e Leo, cerra os dentes, urra. Abre os olhos. Respira fundo.
Liberta quem aqui está em prisão. Tira a corda, a corrente, a âncora. Faz do mundo sua casa, tão livre quanto um dia já foi. (Estela)
Estela grita. Deita sobre as pernas, sem soltar as mãos, fechando os olhos com força. Suspira. Relaxa as mãos. Volta a sentar. Solta as mãos. Olha para Leo.
Será que a gente errou alguma coisa? (Leo)
Estela respira fundo. Pega as mãos de novo.
Liberta... (Estela)
A fogueira explode e voa todo mundo contra as paredes. Leo, no chão, volta a ser completamente visível.
Mel entra no quarto de Angely e Edmont. Está com um copo, três panos, uma faca. Senta-se no chão ao lado de Edmont. Pousa os panos na cama. Pousa o copo no chão, puxa o pulso de Edmont para cima, corta. Cai sangue dentro do copo. Larga a faca dentro do copo, pega um pano, enfaixa o pulso. Pega o copo com a faca e os outros dois panos, levanta, vai para o lado de Angely. Senta no chão. Pousa o copo no chão. Os panos na cama. Passa a mão nos cabelos de Angely.
Perdão. Mas não tem outro jeito. (Mel)
Pega a faca de dentro do copo, puxa o pulso de Angely para cima, corta. Pega outro pano, enfaixa o pulso de Angely. Coloca o próprio pulso em cima do copo. Corta. Aperta. Cai sangue. Pousa a faca dentro do copo. Pega o terceiro pano, enfaixa o próprio pulso. Pega o copo com a faca, levanta, sai. Vai até a cozinha, mexendo o sangue com a faca. Respira fundo. Coloca o copo de sangue na boca. Bebe tudo. Desce o copo. Passa os dedos dentro do copo e lambe os dedos. Suspira. Vai até a pia, passa água, pousa o copo, pega a bochinha, coloca detergente, ensaboa o copo, larga a bochinha, passa água. Coloca no escorredor.
Soraia sai por uma porta. Dionísio levanta de um banco. Fábio desvira da janela. Olha para Soraia. Baixa a cabeça.
E aí? (Dionísio)
Eu não sei o que... Eu... (Soraia)
A culpa não é sua. (Fábio)
Claro que não! Como diabos pode ter tanta gente burra reunida numa sala??? (Soraia)
Que aconteceu? (Alan)
Não querem ajudar. Não querem nos passar qualquer tipo de informação mais. Disseram que Mel tinha feito uma promessa e foi embora. E que não sabem nem se podem ainda confiar em Mel. (Soraia)
Você contou sobre o que Edmont tentou fazer? (Fábio)
Claro que não! Aí que iam querer aparecer lá e caçar todo mundo mesmo! (Soraia)
Faz sentido. (Dionísio)
E agora? (Alan)
Não podemos apelar pra Diamante? (Fábio)
Eu tentei. Gritei ela lá dentro. Aí que eles riram de mim, disseram que ela sabia que a gente tava mentindo. (Soraia)
Diamante interveio por causa de Zenon, que era muito menos importante. (Fábio)
Diamante protegeu Zenon por algum motivo. Será que Zenon não vai conseguir encontrar Padoi? (Alan)
Espero que sim. Por que essas múmias dentro dessa sala não vão mexer um dedo. (Soraia)
Trinity entra em um quarto. Se aproxima de um homem na cama. Uma faca em seu pescoço.
Segui a instrução da Virgine. (Lisandra)
Só matar se tentar forçar? (Trinity)
Como sabe de Virgine? Você não tá com nenhum sinal. (Lisandra)
Virgine já me pediu pra ir consigo. Eu não queria me transformar. (Trinity)
Parece que mudou de ideia. (Lisandra)
Não foi por vontade própria. (Trinity)
Aí virou um desses vampiros que caça outros vampiros? (Lisandra)
Trinity ri.
Eu não vim te caçar. Pode baixar a arma. (Trinity)
Lisandra baixa e se afasta. Trinity vira para Lisandra.
Tá fazendo o que aqui então? (Lisandra)
Preciso que peça um favor a Virgine. Um favor de Etos. (Trinity)
Etos agora manda recado? (Lisandra)
Etos também está atrás do problema, mas estava seguindo por outras pistas. Ouviram falar de alguém de nome Padoi? (Trinity)
Não. (Lisandra)
Devem ouvir, em algum momento. Outra linhagem de vampir. Se não tiver transformado alguém, deve ser só Padoi no momento. (Trinity)
E daí? (Lisandra)
Aparentemente forte demais, e com intenções de fazer mais estrago que qualquer de nós gostaria. (Trinity)
Eu falo com as outras pessoas. (Lisandra)
Não. Você não vai. (Trinity)
Por quê?! (Lisandra)
Te transformou quando? Ontem? (Trinity)
Semana passada. (Lisandra)
Trinity ri.
Leva o recado direto pra Virgine. Virgine decide se fala com outras pessoas ou não. Se você sair falando, Virgine vai cortar sua cabeça no dia seguinte. (Trinity)
Lisandra engole seco. Trinity sai.
Etos é um dos únicos caras por quem Virgine tem algum respeito. Por causa de como protege Valesca. Não saia levando recado de qualquer um assim pra Virgine, achando que Virgine vai ouvir. E a sua comida não morreu ainda. (Trinity)
O homem mexe a mão. Lisandra senta em cima das costas e morde o pescoço. A mão estica mais. Tenta levantar. Solta.
Mel anda de um lado para outro. Beleno entra pela janela. Mel para.
Você realmente precisa de um celular. (Mel)
Cheiro de sangue, tá tudo bem? (Beleno)
Rust achou. Precisa me levar. (Mel)
Mas não tinha que ser... (Beleno)
Eu tenho o sangue de Katerine. Posso conseguir matar. E sinceramente acho que sou nossa melhor chance. (Mel)
Mel pula pela janela e cai na rua, pernas curvadas. Levanta. Espera alguns segundos. Asas passam, Mel some.
Kat encosta em Estela. Estela abre os olhos. Derik sentou-se, esfrega seus olhos. Michele chacoalha Leo, que acorda e senta.
Você ainda consegue se transportar? (Michele)
Leo fecha os olhos. Abre.
Acho que não. (Leo)
Meu deus do céu... Ferrei tudo, a culpa é minha... (Estela)
Leo sai. Vai até um elevador. Aperta o botão. Espera alguns segundos. A porta abre. Leo vê seu reflexo. Sorri. Volta ao quarto. As pessoas levantaram.
Você me chacoalhou, não foi??? (Leo)
Sim... (Michele)
Eu tô vivo!!! (Leo)
Leo vai até Estela e abraça Estela.
Desculpa, eu sei que a gente devia estar feliz... (Derik)
Leo afasta de Estela.
Eu vou fazer tudo que eu puder pra ajudar. Vocês conseguem trazer gente de volta a vida! Vou espalhar isso pra quem eu conheço, que é só fazer uma boa ação e depois fazer esse feitiço! Vocês vão ver, a gente vai conseguir achar esse Padoi num instante! (Leo)
Leo sai correndo do quarto.
Quem Leo conhece? (Estela)
Será que fantasmas têm um bar ou algo do tipo? (Derik)
Janaína está dentro de um quarto, andando de um lado a outro. Rust sentou-se em frente a porta. Tanto Janaína quanto Rust têm as roupas sujas de sangue.
Eu jogava jogo de apocalipse zumbi, mas, eu juro, nunca quis ver um! (Janaína)
A gente não sabe o que são. (Rust)
Se tivesse jogado os jogos, ia conseguir reconhecer claramente! (Janaína)
São jogos... (Rust)
E a gente tá numa ilha! Essas coisas sempre começam em ilhas! (Janaína)
Rust levanta. Para em frente a Janaína.
Quantas pessoas costuma ter? (Rust)
O que eu gosto mais tem quatro. (Janaína)
Mel e Beleno estão vindo. Assim que chegarem, a gente vai passar por tudo isso e se salvar. Ok? (Rust)
Sempre fica alguém pra trás. (Janaína)
Não vai ficar. (Rust)
Eu não tenho super poderes... (Janaína)
Mas eu tenho. Já te trouxe aqui, não trouxe? (Rust)
Janaína abraça Rust. Rust fica sem reação.
Assim que Melody enfrentar o final, a gente se salva. (Rust)
Janaína se afasta.
Não percebeu? A gente veio na frente, agora Melody salva a gente. (Rust)
Se isso tudo acabar, juro que te arranjo uma réplica da master sword. (Janaína)
As crianças estão na sala, em círculo, em pé. Vivian, bebê, está em um pano, aos pés de Glória. Os móveis foram afastados. Andrea traz Inês em seu colo. Pousa no meio das crianças. Glória franze a sobrancelha.
Por que Inês tá dormindo? (Glória)
Porque não concordaria com o que vou fazer. Mas precisa estar aqui. (Andrea)
Andrea se levanta. Começa a girar. As crianças sentem tontura. Olham para o teto, com o corpo reto, braços cruzados em frente ao tórax, pernas juntas. Vivian se encolhe. Glória fica com os olhos totalmente vermelhos, Buí laranjas, Dearg amarelos, Dubh verdes, Groc azuis, Vermell cianos, Negre roxos, Ísis pretos, Vivian pratas. A cor se espalha a partir dos olhos para o resto do corpo, endurecendo a pele, travando todas as crianças na mesma posição, e Vivian com corpo encolhido, transformando em estátuas. Andrea para de girar. Inês acorda tossindo. Andrea abaixa e ajuda Inês a levantar. Inês olha para Andrea. Afasta. Respira fundo. Arregala os olhos e tira Andrea da frente. Pega nos braços petrificados de Ísis. Tira a mão rápido.
Ísis... As crianças... Está todo mundo um gelo assim?! (Inês)
Inês faz fogo com as mãos e toca os braços de Ísis. Seu fogo apaga. Andrea afasta Inês.
O que te deu na cabeça, podia ferir Ísis!!! (Andrea)
Ferir??? Mas Ísis... (Inês)
Andrea vira Inês.
Eu fiz isso. (Andrea)
Inês solta os braços e se afasta.
Desfaz. (Inês)
Agora Padoi não tem como pegar as crianças. (Andrea)
Inês faz fogo com as mãos.
Do que diabos você tá falando?! É melhor explicar logo, antes que eu... (Inês)
Você acredita mesmo que Padoi não conseguiria passar por cima da gente e matar todo mundo aqui? (Andrea)
Inês apaga o fogo e baixa as mãos.
Era pra gente proteger essas crianças. (Inês)
E estão sob proteção agora. (Andrea)
Mas isso... (Inês)
É o feitiço que César colocou sobre vampirs naturais, mas modifiquei. Por isso as cores diferentes. O de César afetava uma espécie, esse afeta quem está no ambiente. César usou Shy, eu usei você. (Andrea)
Por que? (Inês)
Se eu pudesse, eu te protegeria também. Mas não dava. Eu precisava de um catalisador. (Andrea)
Então, se eu te matar, as crianças voltam. (Inês)
E só você pode me matar. (Andrea)
Inês levanta as mãos. Faz fogo de novo. Fecha a mão.
Preciso que me prometa uma coisa. (Inês)
Se Padoi chegar aqui, eu te mato. (Andrea)
Inês faz sinal para baixo com a cabeça.
Mel cai no terraço da casa de Janaína. Beleno desce junto.
Se você queria que eu procurasse algo que cheira a comida, realmente isso aqui tá parecendo um banquete. (Beleno)
Será que você consegue comer tanto? (Mel)
Não. Tampa os ouvidos. (Beleno)
Mel tampa os ouvidos. Beleno levanta voa. Dá um grito agudo, para o céu. Mel se abaixa. Beleno desce novamente. Mel destampa os ouvidos.
O que foi isso?! (Mel)
Um chamado. Aprendi ano passado. Pedi para replicarem o chamado antes de virem. (Beleno)
Ótimo. Eu vou entrar. (Mel)
Vai ser uma noite e tanto. (Beleno)
Mel entra por uma porta. Desce escadas. Corre por um corredor. Para.
Rust! (Mel)
Rust abre a porta.
Onde? (Mel)
Rust entra, pega uma espada, entrega a Mel.
Acho que tá no salão de festas. Eu te levo. (Rust)
Zenon entra no escritório. Alan está na janela, Soraia encostou na parede, Dionísio e Fábio estão no sofá, Kat, Derik e Estela (com um computador na mão) em outro sofá. Michele vem da cozinha. Aléxis, Trinity e Etos entram atrás.
Mel não tá? (Zenon)
Talvez tenha ido para algum dos lugares. (Kat)
Que era o que a gente devia estar fazendo. (Soraia)
Então vamos sentar e mapear isso... (Fábio)
Pronto. (Estela)
As pessoas se colocam atrás de Estela, da forma que podem.
A gente realmente precisa de um projetor... (Zenon)
Posso? (Derik)
Estela passa o computador para Derik. Na tela, um mapa, com diversos pontos. Derik aproxima de um ponto no meio do mar.
Isso não é... (Derik)
Hera e Ares. (Kat)
Etos corre e pula a janela. Aléxis, Zenon e Trinity seguem. Derik vira pássaro e voa. Michele pula também. Chega no chão e cai de mal jeito. Zenon ajuda a levantar. Kat, Soraia, Alan, Fábio e Dionísio saem pela porta. Estela fecha o computador, coloca em uma mochila, bota nas costas, sai, tranca a porta e corre para a escada.
Mel entra em um salão, com uma espada. Padoi está no meio. Diversos corpos espalhados no chão. Padoi se vira para Mel.
Finalmente nos encontramos. (Padoi)
Se queria, porque correu tanto? (Mel)
Eu tinha medo que você realmente pudesse ganhar. (Padoi)
Do que você tá falando? (Mel)
Padoi franze a sobrancelha.
Não é você? Mas o cheiro... Eu sinto que... Bom, não importa. Com certeza não veio aqui pra brincar, não segurando um brinquedo assim. (Padoi)
Mel corre em direção a Padoi. Faz um movimento horizontal com a espada, Padoi desvia. Faz mais dois, diagonais. Desvia também. Padoi chuta a espada e tenta um soco, Mel desvia o movimento. Mel chuta Padoi, que cai no chão. Procura a espada. Padoi segura Mel pelo pescoço e vai morder, mas Mel joga Padoi para a frente, no chão. Rust joga a espada para Mel. Mel tenta cravar em Padoi, mas Padoi segura a espada com as mãos. Chuta Mel, que cai para trás. Padoi empunha a espada. Mel levanta e Padoi consegue fazer um corte na altura de seu estômago. Padoi sorri. Joga a espada para trás. Mostra os dentes.
Não preciso desses seus brinquedos. (Padoi)
Padoi vai na direção de Mel, Mel chuta o rosto de Padoi, jogando Padoi no chão. Vai até a espada. Pega. Crava a espada para trás, atravessando Padoi, que grita. Padoi se afasta. Arranca a espada, gritando de novo. Atira a espada contra Rust. Rust se joga no chão, desviando. Rust pega a espada e olha para Mel. Padoi está em cima de Mel, morde Mel. Rust empunha a espada. Anda. Para. Padoi grita. Mel tira a mão de dentro da ferida que fizera com a espada, e inverte, ficando em cima de Padoi. Rust joga a espada. Mel, de costas, pega e crava no meio do coração de Padoi. Padoi grita. Mel levanta.
Alguém já te disse que você grita demais? (Mel)
Padoi ri.
Isso não funciona. Não vai me matar assim. (Padoi)
Mel arranca a espada. Padoi grita mais uma vez. Mel joga a espada para trás, caindo perto de Rust. Levanta Padoi pela roupa, Padoi urra baixo.
Eu sei como te matar, pedaço de merda. (Mel)
Os cabelos de Mel ficam vermelhos. Os olhos roxos. Crescem os dentes.
Agora eu entendi... (Padoi)
Uma lágrima cai dos olhos de Padoi.
Você é a coisa mais perfeita do mundo. (Padoi)
Mel rosna. Rust arregala os olhos.
Mel! Olha pra mim! (Rust)
Padoi ergue o pescoço. Mel morde. Padoi abraça Mel. Rust balança a cabeça para os lados. Abaixa e pega a espada. Respira fundo. Os braços de Padoi perdem as forças. Mel solta Padoi. Antes que Padoi caia, Mel arregala os olhos. Rust puxa de volta a espada e então aí o corpo de Padoi cai. Sai sangue da boca de Mel. Rust solta a espada e segura Mel. Abaixa no chão junto, deita Mel em seu colo. Janaína entra. Tampa a boca com a mão.
Eu sabia que você faria isso por mim. (Mel)
Como? (Rust)
Por que você queria que Virgine fizesse isso por você. (Mel)
Mel fecha os olhos. Rust abaixa sobre Mel.

Resumo do Capítulo

Estela e Alan se entendem. Michele, Aléxis e Zenon fazem uma trégua, para pensar em relacionamentos depois que resolver os problemas reais. Janaína faz um acordo com Etos de não haver provocações até pegarem Padoi. Beleno fica a cargo de trazer Angely e achar Padoi. Derik e Estela de procurar um feitiço para fortalecer Leo, para que procure também. Inês vai proteger com Andrea as crianças: Glória, Vivian, Ísis, Buí, Dearg, Dubh, Groc, Vermell, Negre. Soraia, Dionísio, Fábio e Alan vão ao grupo, ver se conseguem mais informações. Trinity, Etos, Zenon e Aléxis vão procurar no meio vampir. Janaína fica responsável por construir uma fortaleza. Michele fica responsável por treinar Kat. Alan vai com Inês para buscar Ísis. Estela, Derik e Leo vão a biblioteca. Beleno pega Angely. Michele começa a treinar com Kat. Trinity e Etos vão a um bar. Trinity encontra alguém que é cria de Virgine. Mel envia o símbolo da seita de Padoi às pessoas. Etos e Aléxis vão até Naian. Naian é atlante. Descrevem Padoi. Naian pega um globo com pedras, diz que atlantes têm uma relação com pedras como pessoas humanas têm com ervas. Dá algumas localizações possíveis a Zenon e Aléxis. Alan deixa Ísis com Inês e Andrea. Andrea está fazendo um feitiço com as crianças, escondido de Inês. Alan pergunta a Zenon se matou Juliana na outra Realidade - não - e se Ísis perdoaria. Zenon diz a Alan que é melhor nesta do que era na outra. Beleno traz Angely e coloca na cama ao lado de Edmont. Mel fala para Beleno procurar algo que tem cheiro de comida diferente, mas não comer (Padoi). Beleno sai, Mel recebe os endereços de Naian. Estela e Derik fazem o feitiço para ajudar Leo. Todo mundo fica inconsciente. Mel bebe sangue de Angely, Edmont e seu misturado. O grupo se recusa a ajudar, alega que não podem mais confiar em Mel. Trinity pede ajuda da cria de Virgine, pede para avisar Virgine sobre Padoi. Mel diz a Beleno que Rust achou. Beleno estranha o cheiro de sangue. Mel pede a Beleno que lhe leve. Leo voltara a vida. Diz que vai procurar mais fantasmas e espalhar a notícia que é só fazer uma boa ação e fazer esse feitiço. Rust está com Janaína. Janaína fala em apocalipse zumbi. Andrea faz o feitiço, com Inês inconsciente. Petrifica todas as crianças. Inês acorda, Andrea explica que é o feitiço de César, e que Inês tem o papel de Shy. Que fez isso para proteger as crianças. Inês pensa em matar Andrea, mas concorda, e pede que Andrea lhe mate, caso Padoi apareça. Beleno deixa Mel em Hera. Diz que o lugar cheira a banquete. Beleno chama mais pégasus. Mel encontra Rust, que lhe dá uma espada. As pessoas na MEAK mapeiam os pontos que Naian deu. Um é em Hera. Todo mundo sai correndo. Mel e Padoi lutam. Padoi chega a morder Mel. Mas Mel consegue pegar Padoi. Se transforma. Rust tenta chamar. Padoi se emociona, dizendo que Mel é a coisa mais perfeita do mundo. Mostra o pescoço para que Mel morda. Mel morde. Padoi abraça Mel. Mel tira todo o sangue de Padoi. Quando solta, Rust lhe crava a espada. Mel agradece.

Dara Keon