Vida difícil
MEAK
C05

Vida difícil ler resumo

Zenon está no quarto. Anda de um lado para outro. Olha para Kat. Na sala, Derik e Murilo estão no sofá. Soraia sentou-se em uma cadeira ao contrário. Alan está de pé, ao lado. Aléxis está no canto. Michele anda de um lado a outro.
É seguro deixar lá dentro, com Katerine? (Soraia)
Sabe que se fizer algo, vai direto pro sol. (Aléxis)
Eu não acho que vai fazer alguma coisa. (Alan)
Como sabe? (Soraia)
Eu tava lá quando Renata atacou. O sonho deve ter sido pra avisar da Renata. (Alan)
Por que perdeu a memória? Se é que perdeu. (Soraia)
A gente precisa cavar e descobrir isso. (Murilo)
Pode ser a mesma coisa que afetou Kat. (Alan)
Não aconteceu comigo. (Derik)
Você não é vampiro. (Alan)
Não aconteceu nada comigo. (Derik)
Derik franze a sobrancelha. Limpa os olhos. Levanta do sofá.
Renata. (Derik)
Que tem? (Murilo)
Quando vi que Kat se enfiou na minha frente, olhei pra Renata por um instante. Pareceu que se assustou com o que aconteceu. Pode ter sido porque quase me acertou, ou porque percebeu alguma coisa. (Derik)
Renata tinha alguma coisa de sobrenatural. Zenon me falou que já sabia que a irmã tava morta, e que percebeu a diferença entre ele e o outro. (Michele)
Outro? (Aléxis)
Outro Zenon. Que era dessa Realidade. (Michele)
Não tem chance de ser o outro, tem? (Aléxis)
Talvez a alma ter possuído? (Murilo)
Mas não têm a mesma alma? (Derik)
Talvez isso seja o problema. Mataram o outro, é isso? (Soraia)
Mas o espírito é o mesmo, gente. Não é outro espírito possuindo. Se se juntassem, as coisas se fundiriam. (Derik)
Mas isso talvez fizesse pender pra outro lado. (Soraia)
Derik suspira.
Não sei dizer. (Derik)
Precisamos prender Zenon. (Michele)
Isso é ridículo, ele não tá fazendo nada! (Alan)
As pessoas olham para Alan.
Me digam se estiver! (Alan)
A gente não sabe o que houve. (Michele)
Achei que gostava dele. (Alan)
O suficiente pra preferir ver dentro de uma jaula, não ir jogar as cinzas no mar. (Michele)
Soraia cruza os braços.
Deixa eu falar com ele então. (Alan)
Soraia solta os braços e revira os olhos. Aponta o quarto com a palma pra cima. Alan entra no quarto. Fecha a porta. Zenon sentou-se na cama.
Você não lembra mesmo? (Alan)
Não. (Zenon)
Não tá fingindo porque tem gente ouvindo? Ficou todo mundo na sala. (Alan)
Zenon franze a sobrancelha, distorce a boca, balança pouco a cabeça para os lados. Alan suspira.
Querem que você fique preso, pra saber o que tá acontecendo com você. (Alan)
Zenon levanta e vai para a sala.
O que eu fiz? (Zenon)
Lutou com Renata. (Derik)
Por que? (Zenon)
A gente não sabe. (Derik)
Alan tava com você. (Murilo)
Renata matou Naian. (Alan)
Vocês trouxeram um vídeo e mostrava Renata saindo correndo da casa de Naian. Você disse que Naian foi encontrada morta no dia seguinte. (Aléxis)
Cadê Renata? A gente perguntou pra ela porque tava lá? (Zenon)
Você disse que falou pra ela ir, que ela disse que precisava de um guia. (Alan)
Mas a gente já falou com Renata? (Zenon)
Tentamos. Falamos em ela ir pro julgamento do Grupo. (Alan)
Ela não quis? A gente pode falar de novo... (Zenon)
Não dá. (Alan)
Por que? (Zenon)
Zenon olha para as pessoas. Olha de novo para Alan.
Eu não fiz isso. Diz que eu não fiz isso. (Zenon)
Alan engole seco. Zenon senta no sofá. Passa as mãos no rosto. Levanta.
Onde vocês vão me prender? (Zenon)
Derik entra no quarto. Senta na cama. Pega a mão de Kat. Murilo entra atrás. Depois, Aléxis e Michele, com pilhas grandes de livros.
Onde a gente bota? (Michele)
Deixa no chão mesmo. (Murilo)
Michele e Aléxis pousam os livros no chão. Saem. Voltam com mais uma pilha cada, deixam, saem. Michele volta, com uma terceira pilha. Pousa no chão. Se aproxima da cama.
Kat vai ficar bem. (Michele)
Talvez esteja procurando alguma coisa. Por isso não acordou ainda. (Murilo)
Vamos começar procurando feitiços para achar espíritos. (Derik)
Faz sentido. (Murilo)
Michele sai. Murilo pega um livro, senta no chão. Derik levanta, vai até o guarda roupas, pega diversas almofadas, coloca na cama, formando um encosto. Tira o livro da mão de Murilo. Murilo franze a sobrancelha. Olha para a cama. Levanta do chão, senta na cama, encostando nas almofadas. Estende a mão.
Meia hora lendo, meia hora descansando. (Derik)
Mas... (Murilo)
Quem te operou falou que não podia nem lavar sua louça, segurar um livro é esforço pro braço. Vou botar o cronômetro no celular. (Derik)
Derik entrega o livro. Pega um da pilha. Senta no chão e abre.
Casa de Alan e Soraia. Porão. Soraia tranca uma grade. Zenon está do lado de dentro. Senta em uma cama de cimento na parede. Soraia sobe. Alan suspira.
Vou vir te fazer compania quando não estivermos caçando algo. (Alan)
Espero que não levem tanto tempo pra descobrir que eu vá sentir falta assim. (Zenon)
A última vez que estivemos em uma situação assim, eu ainda queria te ver morto. (Alan)
Tiveram outras. (Zenon)
A gente era muito amigo lá? (Alan)
Zenon baixa a cabeça.
Não sei como. (Zenon)
Por quê? (Alan)
Zenon olha para Alan. Levanta e dá alguns passos.
Talvez você queira me matar agora por dizer isso. Eu matei Estela na outra Realidade. (Zenon)
Alan franze a sobrancelha e afasta um passo da grade. Zenon baixa a cabeça.
Eu e Clítia. A gente enganou vocês. Depois deixamos você paraplégico. (Zenon)
Zenon olha para Alan.
Não sei porque me ajudou. Quando me encontrou, achei que tava vindo me matar. (Zenon)
Alan olha para baixo. Olha para Zenon.
Também não sei. Mas não me arrependeria. A pessoa pra quem eu tô olhando agora não faria isso. (Alan)
Talvez seja a mesma coisa. Eu agi estranho de alguma forma? Disseram que eu tava com você. (Zenon)
Não me pareceu. A gente vai descobrir o que é. Deve ser só memória. (Alan)
Eu matei Renata. (Zenon)
Renata matou Naian. (Alan)
Zenon baixa a cabeça. Volta para a cama. Deita. Alan sobe as escadas. Fecha a porta. Tranca.
A gente vai te ajudar. Cê vai tá com a gente de novo. (Alan)
Fábio entra na MEAK. Pousa a mochila no sofá. Franze a sobrancelha. Bate na porta do quarto. Derik abre. Fábio entra. Olha para Kat.
Estão vendo algum caso? (Fábio)
Zenon está agindo estranho. (Murilo)
Antes de mais nada, Fábio, é Murilo. (Derik)
Fábio olha para Murilo.
Nem imaginava. (Fábio)
Acho que escondi bem até hoje. (Murilo)
Tava escondendo por causa de Alan? (Fábio)
Com razão, pelo que me disseram da reação. (Derik)
Mas ele pediu desculpa. Tá tentando se acostumar. (Murilo)
Fábio franze a sobrancelha.
Meio rápido isso. (Fábio)
Fábio olha para Kat.
Já sonhou algo? (Fábio)
Derik baixa a cabeça.
Sonhou. Parece que interferiu no sonho. Aí chegamos até o ponto que sonhou, desmaiou. Não acordou ainda. (Murilo)
Fábio olha para Derik.
A gente tá procurando feitiços pra achar um espírito. (Murilo)
Mas o corpo tá frio? (Fábio)
Derik olha para Fábio. Olha para Murilo. Deixa o livro em uma pilha, vai até o lado de Kat da cama, senta-se no chão e encosta na cama. Murilo e Fábio acompanharam com os olhos. Murilo fecha o livro. Levanta e coloca em outra pilha. Olha para Fábio.
Soraia pensou na hipótese de você saber algo, pelo tempo que passou com Mel. (Murilo)
Não que eu lembre, mas vou pensar melhor. (Fábio)
Pode me ajudar a carregar os livros pra sala? (Murilo)
Derik levanta o rosto. Os olhos estão com lágrimas.
Murilo não pode carregar peso. (Derik)
Derik baixa a cabeça de novo. Murilo senta na cama. Fábio pega a primeira pilha de livros.
Dionísio desce a escada do porão. Traz uma garrafa na mão, com um líquido escuro. Zenon olha para Dionísio. Se senta na cama.
Descobriram alguma coisa? (Zenon)
Não. Me mandaram te trazer algo pra se alimentar. (Dionísio)
Te contaram tudo? (Zenon)
As versões lá em cima divergem um pouco. (Dionísio)
Alan tá tentando me defender. (Zenon)
E Soraia já teria cravado a estaca. (Dionísio)
Talvez fosse o certo. (Zenon)
Talvez. Eu vou pra cama com vampirs, mas sei bem que não são unicórnios fofinhos. (Dionísio)
Dionísio franze a sobrancelha.
Se fossem, eu não iria, seria zoofilia... (Dionísio)
Dionísio fecha os olhos, balança a cabeça para os lados e abre.
Enfim. O ponto é que não sei se não concordo com Soraia. Mas as pessoas acreditaram em você. Te defenderam. (Dionísio)
Alan agiu estranho. (Zenon)
Como assim? (Dionísio)
Zenon se aproxima da grade. Dionísio também.
Como se eu e Alan estivéssemos escondendo algo. Talvez seja bom descobrir se não fizemos algum feitiço ou algo assim. (Zenon)
Tá. (Dionísio)
Dionísio entrega a garrafa. Zenon pega. Dionísio sai. Zenon abre, leva em direção a boca. Solta. Coloca as mãos na cabeça. Cai de joelhos, fecha os olhos com força. Abre os olhos. Pega a garrafa do chão. Levanta. Entorta a boca. Coloca a garrafa na boca, vira o resto do que tem na garrafa. Joga a garrafa para trás.
Pelo menos não desmaiei dessa vez. (Zenon)
Olha ao redor. Ri.
Afinal eu tenho muito o que fazer aqui. (Zenon)
Zenon deita na cama de cimento.
Katerine que tem sorte. (Zenon)
Alan entra no carro. Bate a porta. Se debruça no volante. Respira fundo. Olha para cima. Pega o celular. Desbloqueia. Clica no ícone de ligar. Passa os contatos até um J. Suspira. Clica. Coloca o celular na orelha. Espera. Em outro lugar, um quarto, o celular toca. Clítia acorda. Senta na cama. Pega o celular na cabeceira. Juliana entra no quarto. Clítia atende.
Tá tudo bem com Ísis? (Clítia)
Quem tá falando? (Alan)
Responde. Já passo pra Ju. (Clítia)
Tá... (Alan)
Clítia estende o telefone.
Eu te diria que pode voltar a respirar, se você ainda respirasse. (Clítia)
Juliana pega o celular. Clítia deita de novo, se cobre.
Oi! Ela tá precisando de alguma coisa? (Juliana)
Eu preciso falar com você. (Alan)
Vou poder ver ela? (Juliana)
A gente deixou ela num lugar seguro, com Inês. Tinha um cara que a gente tava caçando, era perigoso. Vou buscar ela quando resolvermos um mal entendido com Zenon. (Alan)
Juliana franze a sobrancelha. Clítia se senta na cama.
Mal entendido...? (Juliana)
Nada pra se preocupar. Eu sei que não tem nada errado. (Alan)
Quer me encontrar onde? (Juliana)
Cê tá em São Paulo? (Alan)
Não. Mas consigo chegar amanhã. (Juliana)
Ótimo. Vai pra cede da MEAK. (Alan)
Ok. (Juliana)
Juliana desliga o telefone. Clítia levanta e vai até o guarda roupas.
Levamos mala? Não tô mais acostumada a ter coisas. (Clítia)
Vai comigo? (Juliana)
Você ouviu. Alan falou que tem algo errado com Zenon. (Clítia)
Ainda gosta dele? (Juliana)
Clítia baixa a cabeça e ri. Olha para Juliana.
Ciúmes não tava no nosso acordo. (Clítia)
Não é ciúmes. É que a gente não costumava esconder coisas. (Juliana)
Clítia se senta na cama e pega as mãos de Juliana.
Amor, mesmo que eu quisesse, o que não quero, porque as pessoas têm direito a sua individualidade, inclusive em uma relação, acha mesmo que eu conseguiria te contar cada detalhe de todos os meus anos de vida? (Clítia)
Juliana baixa a cabeça. Clítia solta as mãos de Juliana e volta ao guarda-roupas.
Mas isso é um detalhe besta. Gostar de Zenon seria bem complicado. Um dia eu te conto porque. (Clítia)
Esse porquê tem a ver com o fato de você querer ir? (Juliana)
Tem sim. (Clítia)
Clítia pega um casaco vermelho, coloca em frente ao corpo e se vira.
Acha que vai estar frio? (Clítia)
Noite. Alan desce as escadas do porão.
Soraia tá em casa? (Zenon)
Você matou Soraia também lá? (Alan)
Não. (Zenon)
E Ísis? (Alan)
Virgine. (Zenon)
Eu tô vivo? (Alan)
Virgine. (Zenon)
Alan baixa a cabeça.
Tem mais uma filha. (Zenon)
Alan levanta a cabeça.
Virgine? (Alan)
Não. Tá viva. (Zenon)
É com Soraia? (Alan)
Sim. Mas mudamos tudo quando viemos pra cá, então pode ser que nem aconteça. (Zenon)
A porta se abre. Soraia desce as escadas. Alan olha para o chão.
Quero saber o que estavam escondendo. (Soraia)
Se eu soubesse, te falava. (Zenon)
Soraia olha para Alan.
A gente não tava escondendo nada. (Alan)
Posso falar com a Soraia? (Zenon)
Alan olha para Soraia. Sobe as escadas.
Tô tentando ajudar Alan a aceitar a situação. (Zenon)
Soraia cruza os braços.
Como assim? (Soraia)
Com a Estela. (Zenon)
Não vai conseguir, se nem você consegue acertar. (Soraia)
Não tentei matar ela. (Zenon)
Soraia revira os olhos e solta os braços.
Mas acho que cometemos erros e precisamos consertar. (Zenon)
Pra mim você é um deles. (Soraia)
Eu também acho. (Zenon)
Soraia franze a sobrancelha.
Quero ajudar a pegar a Clítia e a Juliana. (Zenon)
Então você realmente foi atrás de Renata. (Soraia)
Fui. Queria saber o que tava fazendo, achei que Naian pudesse me ajudar e dizer se Renata realmente era inofensiva. (Zenon)
Zenon baixa a cabeça.
No final das contas, matei Naian. (Zenon)
Fábio passa pela porta, desce as escadas. Soraia olha para Fábio. Zenon olha para Fábio.
Zenon tá falando em ir atrás de Clítia e Juliana. (Soraia)
A gente não tinha concordado em deixar em paz? (Fábio)
E íamos deixar Renata. (Zenon)
Fábio olha nos olhos de Zenon.
Acha mesmo que Renata matou Naian? (Fábio)
A culpa da morte da Naian é minha. (Zenon)
Fábio aperta os olhos. Volta ao normal.
Se quiserem ir, ok. Descubram se Juliana fez algo, antes de mais nada. (Fábio)
Clítia fez. No mínimo ela vocês deveriam pegar. (Zenon)
Disse que quer ajudar. (Soraia)
Não parece seguro eu sair daqui. (Zenon)
Soraia vai até a grade. Destranca.
Por onde começamos? (Soraia)
Alan volta para a porta. Desce a escada. Abraça Zenon. Zenon franze a sobrancelha. Abraça de volta. Se afastam.
Liguei pra Juliana. (Alan)
Soraia arregala os olhos.
Não vai usar Ísis de isca... (Soraia)
NÃO! Eu nem tô pensando em buscar as crianças enquanto tudo não se acalmar. (Alan)
Então vamos derrubar Clítia e levar Juliana a julgamento? (Soraia)
Alan olha para Fábio. Baixa a cabeça. Suspira.
Não vai adiantar nada mentir, então, não, eu pretendia matar Juliana. (Alan)
Vai ter que decidir se acredita em segunda chance ou não. (Soraia)
Talvez segunda chance só sirva quando você acha que convém. (Fábio)
Alan suspira.
Tá. Julgamento. (Alan)
Zenon, o que você acha? (Fábio)
Que a primeira coisa que precisamos é encontrar Clítia e Juliana. (Zenon)
Juliana sabe que Ísis não tá aqui? (Fábio)
Eu disse que estamos com uma situação com Zenon e preciso falar com ela. (Alan)
Fábio baixa a cabeça. Olha para Soraia.
Desculpa, mas eu não vou ficar aqui montando emboscada ao invés de resolver as coisas do jeito limpo. (Fábio)
Fábio sobe as escadas.
Combinou onde? (Soraia)
Na MEAK. (Alan)
Soraia fecha os olhos e coloca uma mão no rosto.
Que foi? (Alan)
E... Murilo tá lá. Acabou de passar por cirurgia. (Soraia)
Alan pega o telefone. Desbloqueia. Digita. Coloca na orelha. Espera. Mais algum tempo. Desliga.
Caixa postal. (Alan)
Continua tentando. Eu vou checar as armas. (Soraia)
Soraia sobe a escada.
Você realmente precisa aprender a fazer isso. (Zenon)
Escolher lugar de emboscada? (Alan)
Mentir. (Zenon)
Alan abre mais os olhos.
Você lembrou! (Alan)
Eu nunca esqueci nada. (Zenon)
Mas como... (Alan)
Se Fábio te perguntar alguma coisa, fala a verdade, mas alguma outra verdade. (Zenon)
Alan franze a sobrancelha.
Cê fez isso? (Alan)
Quando perguntou o que eu achava de matar Juliana. (Zenon)
E sobre Naian? (Alan)
Zenon arregala os olhos.
É claro que não! Acha que não me sinto culpado?! Fui eu quem mandou Renata ir lá! (Zenon)
Desculpa... (Alan)
Zenon baixa a cabeça.
Tá tudo bem. Eu entendo. (Zenon)
Zenon olha para Alan.
Preciso te pedir mais uma coisa. (Zenon)
Claro. (Alan)
Quero que você me mate. (Zenon)
Alan franze a sobrancelha.
Cê tá falando sério? (Alan)
Eu também sou uma ameaça. (Zenon)
Não... Você tá lutando com a gente... (Alan)
Eu já fui ruim. E não sabemos o que me fez deixar de ser. E se isso some? (Zenon)
Alan baixa a cabeça.
Não posso fazer isso. (Alan)
Preciso que faça. Assim que consertarmos as coisas. (Zenon)
Alan olha para Zenon.
Não pode ser outra pessoa? (Alan)
Zenon olha para o alto. Olha para Alan, os olhos marejam.
Não é fácil pra mim pedir isso. Eu não queria morrer. Então eu preciso pedir isso a pessoa mais próxima de um irmão que eu já tive. (Zenon)
Alan olha para baixo. Olha para Zenon.
Eu faço. (Alan)
Zenon abraça Alan. Se afasta. Limpa os olhos.
Agora a gente precisa encontrar Juliana e Soraia. (Zenon)
Quer dizer Clítia? (Alan)
Isso! Desculpa. A cabeça tá na lua. (Zenon)
Juliana desce de um avião. Clítia desce atrás. Atravessam a passarela, o aeroporto. Clítia olha para os táxis. Suspira.
Um taxista ia bem agora. (Clítia)
Tá falando de não pegar ônibus, espero. (Juliana)
Clítia olha para Juliana.
Sinto falta do sangue às vezes. A única vantagem é que daxlidan, feita do jeito certo, deixa o corpo quente. (Clítia)
Ainda vai me contar essa receita. (Juliana)
Clítia sorri. Beija Juliana. Olha para um homem, que olha Clítia e Juliana de cima a baixo.
Oi! Você tem carro? Não quer dar uma carona pra gente? (Clítia)
Juliana revira os olhos, pega a mão de Clítia e saem andando.
Mas a gente ia estar fazendo um favor ao mundo! (Clítia)
Juliana e Clítia descem do ônibus. Juliana pega o celular. Desbloqueia. Clica algumas vezes.
Ele não fez isso... (Juliana)
O que? (Clítia)
Juliana entrega o celular para Clítia. Clítia lê. Ri. Devolve a Juliana.
Nem sei onde é isso. (Juliana)
Eu sei. Vamos andar pra caramba. A menos que peguemos um carro. (Clítia)
A gente não tem grana. (Juliana)
Alan paga quando a gente chegar lá. (Clítia)
Juliana vira a cabeça de lado.
Isso parece totalmente justo. (Juliana)
Armazém onde Alan levou Renata. Para o carro. Juliana está no celular, desliga. Alan sai do armazém. Se aproxima do banco de motorista. Amália entrega uma maquininha de cartão. Alan arregala os olhos.
Caralho, cê veio de onde?! (Alan)
Da MEAK. (Clítia)
Alan olha para Clítia. Clítia sai do carro.
Não sabia que você vinha. (Alan)
Acha que ia deixar minha namorada encontrar um ex assim? (Clítia)
Alan franze a sobrancelha. Clítia ri.
Você acreditou... Homens são patéticos. (Clítia)
Clítia fecha a porta do carro. Entra no armazém. Soraia está no meio do espaço. Clítia olha ao redor. Fixa o olhar em um canto.
É você ou ele que vai tentar? (Clítia)
A gente nem sabia que você vinha. (Soraia)
Alan disse que estavam com uma situação com Zenon. (Clítia)
Foi resolvida. (Soraia)
Clítia olha para Soraia.
A gente tá vivendo em paz em uma fazenda. Até descobri vantagens naquela planta insossa. Por que agora? (Clítia)
Soraia franze a sobrancelha. Zenon pula em frente a Clítia. Soraia tira uma estaca da cintura.
Vamos começar a resolver as coisas de verdade. Sem perdões. (Zenon)
Nem pra você? (Clítia)
Essa é a ideia. (Zenon)
O Zenon que conheço nunca faria isso. Mas será que você é algum dos que conheço? (Clítia)
Soraia franze a sobrancelha. Clítia levanta a mão esquerda. Soraia desmaia.
Feitiçaria. Você sempre gostou disso. (Zenon)
Clítia olha para Soraia.
Não vou matar ela. Ela tem uma coisa no momento que eu sempre quis ter. (Clítia)
Clítia abaixa rápido, pega a estaca, atira contra Zenon. Zenon desvia.
Hora da diversão então, girassol? (Zenon)
Do lado de fora, Juliana anda de um lado a outro.
Eu não pude fazer nada. (Alan)
Juliana olha para Alan. Vai até Alan e empurra.
Você disse que ia cuidar dela! (Juliana)
Mais baixo... Clítia vai sair aqui e me matar se souber... (Alan)
Juliana olha para o céu. Olha para Alan.
Meu anjinho... (Juliana)
Alan vai até Juliana. Abraça. Juliana abraça de volta. Chora.
Eu... Desculpa... (Alan)
Juliana pega uma estaca da cintura de Alan e se afasta. Coloca a estaca na mão de Alan. Alan fecha a mão. Posiciona a estaca no centro do tórax de Juliana. Balança a cabeça para os lados.
Não... Não posso fazer isso com você... Não tá certo... (Alan)
Eu preciso que faça. (Juliana)
Juliana beija Alan. Alan retribui. Se afasta.
Por favor... (Juliana)
Eu... (Alan)
Zenon sai. Alan olha para Zenon. Zenon mexe a cabeça de leve para baixo e volta. Alan crava a estaca de Juliana. Juliana se desfaz em pó. Alan abaixa. Toca as cinzas. Zenon se aproxima de Alan.
E se eu estiver errado? (Alan)
Você não tá. (Zenon)
Ela chorou... Eu matei ela... E a última coisa que ela tava pensando era que a filha dela tinha morrido... (Alan)
Ela já tava morta. (Zenon)
Mas a gente é o lado bonzinho, não era a gente que devia fazer os outros chorarem e mentir... (Alan)
Zenon pega Alan pelos braços e levanta.
Os fins justificam os meios. Você libertou ela, na verdade! E vai me libertar quando tudo isso acabar! (Zenon)
Alan balança a cabeça para cima e para baixo de leve. Olha para Zenon.
E a Clítia? (Alan)
Derrubou Soraia. Fugiu. Vou atrás. (Zenon)
Alan arregala os olhos.
Leva Soraia pra casa. (Zenon)
Alan entra no armazém. Zenon escala o armazém para o telhado e olha ao redor. Fixa olhar em um ponto. Corre.
Murilo passa pela sala, para a cozinha. Um barulho na sala. Murilo volta. Um dos livros está no chão, aberto. Murilo abaixa devagar. Pega o livro. Levanta. Percorre as páginas com os olhos.
Derik! (Murilo)
Derik vem andando até a sala, do quarto, com os ombros baixos. Olha para o livro, endireita o corpo, abre mais os olhos.
Achou alguma coisa? (Derik)
Esse livro, aberto no chão. (Murilo)
Derik solta os ombros.
As pilhas não estão exatamente bem feitas. (Derik)
Esse tava no começo de uma pilha, foi aquele primeiro que eu peguei. (Murilo)
Derik se aproxima de Murilo. Lê.
É um feitiço pra ver se a alma está no corpo. (Derik)
Exato. (Murilo)
Mas a gente já sabe que Kat está. (Derik)
Talvez não esteja. Talvez tenha sido Kat quem jogou isso no chão. (Murilo)
Ou pode ter algo a ver com Zenon. (Derik)
A gente pode preparar as coisas e chamar todo mundo. Não levantaria suspeita. (Murilo)
Boa. (Derik)
Derik pega o livro das mãos de Murilo.
Eu preparo, você liga pra todo mundo. (Derik)
Mas... (Murilo)
No viva-voz, pra não ficar com o braço levantado. (Derik)
Derik vai para a cozinha. Murilo vai para o quarto.
Soraia acorda. Está em seu quarto. Senta na cama. Alan entra.
Pensei em te levar no hospital, mas fiquei com dó da equipe de enfermagem a hora que você acordasse e resolvesse que ia sair. (Alan)
Conseguiram pegar Clítia? (Soraia)
Zenon tá atrás. (Alan)
E Juliana? (Soraia)
Alan baixa a cabeça.
Você não fez isso... (Soraia)
Alan olha para Soraia.
Acha que Juliana ia deixar a gente matar Clítia e ficaria tudo bem? (Alan)
Podia ao menos ter tentado. (Soraia)
Ela me pediu pra fazer isso. (Alan)
Como assim? (Soraia)
Alan baixa a cabeça.
Pode pedir pra Fábio me perguntar isso se quiser. Mas eu preferia esquecer o que houve. (Alan)
Soraia franze a sobrancelha. Desfranze.
Você vai contar pra Ísis. (Soraia)
Uma hora vou ter que fazer isso. (Alan)
Ísis não vai te perdoar. Aí você vai se dar conta da merda que fez. (Soraia)
Alan olha para Soraia.
Ela me pediu. Não sei se não vou me arrepender. Mas eu tô falando a verdade. (Alan)
Soraia levanta da cama e vai ao banheiro. Alan senta na cama.
Eu fiz o melhor. Zenon tá certo. A gente precisa arrumar as coisas. (Alan)
O telefone de Soraia toca. Alan pega o telefone e bate na porta do banheiro. Alguns segundos. Soraia sai. Pega o telefone. Desliza na tela, coloca na orelha.
Sim? ### Ir praí? ### Ok. (Soraia)
Soraia desliga.
Era Murilo. Falou pra irmos pra MEAK, descobriram um feitiço que pode ajudar. (Soraia)
Por que ligou pra você, não pra mim? (Alan)
Precisa mesmo que eu diga? (Soraia)
Soraia devolve o telefone na cabeceira e volta ao banheiro.
Aléxis está segurando Michele, com o braço envolta do pescoço. Franze a sobrancelha. Com a outra mão, pega o telefone. Tenta mexer. Michele joga Aléxis para sua frente, pegando o telefone. Aléxis levanta.
Você vai conseguir usar isso algum dia? (Michele)
Eu não nasci usando isso... (Aléxis)
Michele balança a cabeça para os lados. Desbloqueia. Lê. Entrega a Aléxis.
A gente tem que ir. (Michele)
Michele pega um casaco do outro lado da sala e sai. Aléxis segue.
Dionísio lendo. Olha para Fábio. Fábio olha para Dionísio. Dionísio volta a ler.
Algo sobre vidência? (Fábio)
Não. (Dionísio)
Você tava me olhando. (Fábio)
Dionísio fecha o livro.
Não poder mentir pra você é um saco. (Dionísio)
Pode falar. (Fábio)
Você sabe. Pra que eu vou falar? (Dionísio)
Fábio baixa a cabeça.
Mel. Eu sei. (Dionísio)
Estar com Mel não impediria nada. Mas eu... (Fábio)
Fábio suspira.
Doeu demais, né? (Dionísio)
O suficiente pra não querer botar esse peso em cima de ninguém nesse momento. (Fábio)
Um celular sobre a mesa toca. Fábio pega e atende.
A gente precisa que venha todo mundo aqui. (Murilo)
Acharam alguma coisa? (Fábio)
Pode ser que Kat tenha achado. (Murilo)
Kat acordou?! (Fábio)
Não. (Murilo)
Mas... (Fábio)
Vem, a gente explica aqui. (Murilo)
MEAK. Murilo está quase no meio da sala, sentou-se. Derik está em frente, também no chão. Há velas de diversas cores ao redor. Aléxis, Etos e Trinity estão na parede oposta da janela. Alan, Soraia e Dionísio estão próximo a janela. Michele está na parede oposta a porta. Zenon entra. Alan desencosta da parede.
E aí? (Alan)
Fugiu. Imaginei que não íamos encontrar fácil. Mas pintamos uma alvo na bunda com o que fizemos, Clítia não vai embora tão fácil. (Zenon)
Foi por isso que fizeram? (Soraia)
Fizeram o que? (Michele)
Melhor deixar isso pra explicar depois. (Derik)
E aí, o que acharam? (Zenon)
Fábio vem do quarto com Kat no colo. Vai até o centro da sala e coloca Kat entre Murilo e Derik, corpo esticado.
Vai ficar no suspense mesmo? (Zenon)
Você já vai ver. (Murilo)
Fábio se afasta, vai para junto de Michele. Murilo estende os braços com as palmas para cima. Derik coloca suas mãos por cima.
Tem certeza que consegue fazer isso? (Derik)
Tá vendo mais alguém que consiga nessa sala? (Murilo)
Derik suspira.
Mais gente aqui precisa aprender essas coisas. (Derik)
Posso aprender. Zenon disse que eu era inteligente lá. (Alan)
Melhor a gente fazer logo. (Murilo)
Derik fecha os olhos. Murilo também. Derik aperta mais os olhos. As velas acendem, com chamas opostas às suas cores, uma a uma.
Eu definitivamente queria saber fazer isso... (Alan)
As chamas saem de parte das velas. Vão em direção às pessoas.
Não precisa se assustar, gente, não vai queimar ninguém. (Fábio)
As chamas dão voltas nas pessoas, formando um círculo luminoso ao redor. Uma chama flutua sobre Katerine. Uma das chamas que não havia saído da vela sai. Vai em direção a Zenon, que franze os olhos, ainda bem abertos. Forma um segundo círculo ao redor de Zenon. Murilo abre os olhos. Derik também. Derik sorri, olhando para Katerine. Murilo abre mais os olhos. Derik olha para trás, para Zenon. Arregala os olhos.
Não pode ser... (Derik)
Todas as pessoas olham para Zenon. Murilo e Derik soltam as mãos. As chamas somem. Soraia tira um punhal da cintura. Vai até Zenon e encosta na parede, lâmina no pescoço. Alan cerra os punhos, engole seco.
O que isso significa?! (Soraia)
Tem dois espíritos em Zenon. (Murilo)
Algum dos que conheço... (Alan)
Soraia olha para Alan, as pessoas acompanham.
Clítia perguntou se Zenon era algum dos que ela conhecia... (Alan)
Soraia tira a lâmina do pescoço e crava no estômago. Zenon cai. Soraia se afasta. Alan se aproxima.
Se for o errado, não vai sair daqui andando assim. (Soraia)
O que a gente faz agora? (Aléxis)
Agora a gente prende. (Etos)
E chama um exorcista? (Dionísio)
Pra vampir? (Fábio)
As pessoas se entreolham.

Resumo do Capítulo

Discutem sobre se sequer a perda de memória de Zenon é real. Falam em prender Zenon, Alan não quer, diz que Zenon não fez nada. Alan vai ao quarto contar e pergunta se perdeu mesmo a memória, dizendo que todo mundo está na sala. Zenon não entende. Vai a sala e pergunta o que fez. Ao saber que matou Renata, Zenon concorda que prendam. Derik e Murilo ficam procurando algo para ajudar Kat. Prendem Zenon no porão de Soraia e Alan. Fábio chega na MEAK. Derik e Murilo estão procurando sobre achar espíritos. Fábio pergunta se o corpo de Kat está frio. Se dão conta que a procura não fazia sentido. Zenon conta a Dionísio que Alan agiu como se tivessem um segredo. Dionísio sai, Zenon tem outra dor de cabeça, mas não desmaia. Toma a Daxlidan que Dionísio trouxe, a contra-gosto. Alan marca com Juliana na MEAK. Clítia decide ir junto. Zenon conta a Alan que Virgine matara Alan e Ísis na outra realidade, Soraia já havia morrido, e havia uma segunda criança, de Soraia, que ainda estava com vida. Pede para falar com Soraia. Diz que está tentando ajudar Alan a aceitar Murilo. Soraia diz que não confia em Zenon, Zenon concorda. Diz que quer pegar Clítia e Juliana. Confessa que foi atrás de Renata. Diz que acabou sendo a causa da morte de Naian. Fábio chega. Não vê mentiras. Zenon diz que não é seguro sair dali, mas Soraia solta. Alan diz que ligou para Juliana. Concorda em levar a julgamento. Fábio vai embora, não gosta da ideia da emboscada. Soraia lembra que Murilo está na MEAK. Vai buscar armas. Zenon diz a Alan que nunca esqueceu nada. Fala para Alan sempre dizer a verdade a Fábio, mas outra verdade. Pede a Alan que lhe mate, depois que pegarem Juliana e Clítia. Clítia e Juliana chegam a São Paulo. Vão ao mesmo armazém onde lutaram com Renata a primeira vez. Clítia entra. Encontra Soraia e Zenon. Percebe o que fizeram. Pergunta a Zenon se Zenon é alguém que conheça. Desmaia Soraia, dizendo que Soraia tem uma coisa que Clítia sempre quis ter. Zenon chama Clítia de girassol. Começam a lutar. Do lado de fora, Alan mente a Juliana que Ísis morreu. Juliana pede que Alan lhe mate. Alan tenta recuar, mas Zenon aparece. Alan mata Juliana. Acha que não devia ter feito, mas Zenon diz que fez a coisa certa. Na MEAK, Murilo acha um livro no chão. Um feitiço para ver se a alma está no corpo. Acham que foi Kat quem jogou. Alan conta a Soraia que matou Juliana e diz que Juliana pediu. Diz que não quer mais falar disso. Soraia diz que Alan contará a Ísis e Ísis não vai perdoar. Murilo liga para Soraia, avisando. Michele e Aléxis estão treinando, Aléxis não consegue atender, recebem mensagem. Fábio e Dionísio estão pesquisando, recebem a ligação também. Zenon chega e diz que Clítia fugiu. Fazem o feitiço. Todas as pessoas têm uma chama voando em torno de si, exceto Zenon, que tem duas. Alan se lembra de Clítia perguntar se Zenon era alguém que conhecia. Soraia derruba, para que não consiga sair. Decidem prender Zenon novamente.

Dara Keon