Sol na janela
MEAK
C08

Sol na janela ler resumo

Noite. Derik abre os olhos. Senta na cama. Levanta. Vai até a cozinha. Kat está na mesa. Olha para Derik.
Que foi? (Kat)
Nada. Quer alguma coisa? (Derik)
Que todo mundo suma! (Kat)
Kat sai da cozinha. Entra no quarto. Bate a porta. Derik suspira. Vai para a sala. Aléxis entra.
Alguma notícia? (Derik)
Etos conseguiu avisar Argo. Mas Argo só chegou a tempo de salvar as crianças. Parece que aconteceu o mesmo que aconteceu nas ilhas. (Aléxis)
Aléxis olha para a porta.
Kat tá dormindo? (Aléxis)
Kat não tá muito bem. Gripe. (Derik)
Ah. (Aléxis)
Derik baixa a cabeça.
Queria que tivessem salvado aquelas pessoas. Achei que imaginava o peso que Kat carregava. Eu vi todo mundo morrer. (Derik)
Aléxis se senta ao lado. Abre a boca. Fecha. Abre de novo. Fecha de novo.
Não precisa ter algo de animador pra me dizer. (Derik)
Você vai salvar pessoas. (Aléxis)
Talvez. (Derik)
Quer sair pra comer alguma coisa? (Aléxis)
Derik olha para Aléxis. Aléxis suspira, fecha os olhos e abre de novo.
Eu juro que não estou te convidando pra matar alguém. (Aléxis)
Você come alguma coisa? (Derik)
Posso beber. Eu amo Lish, mas... (Aléxis)
Aléxis olha para a janela.
Não queria que Beatrice tivesse... (Aléxis)
Você conhecia há pouco tempo. (Derik)
Aléxis olha para Derik.
Você queria que fosse? (Aléxis)
Eu queria que Beatrice tivesse conseguido ser feliz. (Derik)
Queria que tivesse ficado com o anel. (Aléxis)
Derik franze a sobrancelha.
Aqua. (Derik)
Ai, meu deus, Aqua ainda... Não... (Aléxis)
Aléxis levanta. Anda pela sala.
Como a gente vai contar? (Aléxis)
Derik ainda olha para o nada.
Derik? (Aléxis)
Derik olha para Aléxis.
Que? (Derik)
Como a gente vai contar pra Aqua que Beatrice morreu? (Aléxis)
Derik desfranze a sobrancelha.
O feitiço. Aqua já sabe. (Derik)
Aléxis arregala os olhos. Sai.
Aléxis está em um descampado. Olhando para o horizonte. Começa a nascer o sol. A pele de Aléxis começa a queimar. Aléxis cerra os punhos e os dentes. A terra se levanta em um círculo ao seu redor, formando muros, depois um teto. Aléxis olha para trás.
Você tá sabendo de Beatrice? (Aléxis)
Sim. (Aqua)
E... Se sabe por que eu sei... (Aléxis)
Aqua baixa e levanta a cabeça.
Só pude vir porque não estava tentando se matar. Não entendi porque me quis aqui. (Aqua)
Tô preocupado com você. (Aléxis)
Eu quem tenho que me preocupar com você. (Aqua)
Não... Não quero que se prenda a esse feitiço idiota! (Aléxis)
Não tem como. (Aqua)
Aléxis suspira.
Você tá bem? Ou vou ter que te ordenar que sinta alguma coisa? (Aléxis)
Eu preferia que você não fizesse isso. (Aqua)
Por que não? (Aléxis)
Por que eu já perdi minha criança duas vezes. Você me pediu para aprender o que pudesse pelo mundo afora. Eu tenho conseguido manter minha cabeça ocupada. (Aqua)
Se você precisar de alguém... (Aléxis)
Eu precisei. Beatrice me salvou. E me disse que, se precisar de algo, devo procurar Rust. (Aqua)
Aléxis engole seco.
Você falou com Beatrice antes de... De... (Aléxis)
Você não me chamou aqui porque quer me ajudar. Me chamou porque você não consegue acreditar. (Aqua)
Aléxis baixa a cabeça.
Beatrice não tá mais aqui. Não tem mais o que chorar. Eu já chorei o suficiente. Eu me despedi. Se houver céu e inferno, pretendo redimir o que Beatrice fez. (Aqua)
Aléxis olha para Aqua.
Quer que eu dê o anel a Rust? (Aléxis)
Não. Rust precisa ser livre antes. (Aqua)
De Virgine? (Aléxis)
De si. Da culpa. Me espanta logo você não saber disso. (Aqua)
Aqua some. Aléxis senta no chão.
Manhã. Murilo entra na MEAK. Derik dorme no sofá. Murilo senta no outro sofá. Toca o ombro de Derik. Derik abre os olhos. Se senta.
Achei que ia sonhar logo com Zenon. (Derik)
Alguma vez Kat sonhou com algo tipo do outro lado do mundo? (Murilo)
Acha que isso tem um alcance? (Derik)
Talvez. Tentou encontrar Leo? (Murilo)
Não. Só fiz aquele dia de sair do corpo. (Derik)
Talvez a gente devesse matar Padoi de vez. (Murilo)
Isso já impediria quem tá tentando ressuscitar. (Derik)
Aléxis gerou uma linhagem. (Murilo)
Derik olha para o quarto.
Não iria querer Kat bebendo todo o sangue daquela coisa. Não quero que aconteça o que houve com Mel. (Derik)
Derik olha para Murilo.
Mas e se Aléxis virar alguma coisa também? (Derik)
Será que não conseguiríamos matar? (Murilo)
Tava pensando se Aléxis quer arriscar isso. (Derik)
Enterraram Aléxis porque tentou defender a humanidade. (Murilo)
Ainda me preocupo, lá Aléxis acordou e voltou a matar pessoas. (Derik)
Talvez a gente não conseguisse matar Aléxis porque ia conseguir se proteger, é isso? (Murilo)
E se a gente tentar destransformar Padoi? (Derik)
Padoi foi uma junção de muitas Realidades. A gente não teria que separar primeiro? (Murilo)
Como se os feitiços fossem uma cebola, que tem que tirar todas as camadas? (Derik)
Murilo franze a sobrancelha.
Sim... Que exemplo esdrúxulo... (Murilo)
A palavra esdrúxulo é esdrúxula. (Derik)
Enfim. A gente pode falar com Aléxis. (Murilo)
Pra onde levamos Padoi? (Derik)
Michele está em uma sala grande, com um caixão no centro. Sai por um arco de porta. Segue por um corredor. Passa por uma porta. Um hall. A porta do elevador abre. Cinzas no chão. Michele entra. A porta se fecha. Alguns segundos. A porta se abre novamente. Dionísio olha para Michele.
E aí? (Dionísio)
Não morri. (Michele)
E vampirs que mandaram... (Dionísio)
No elevador. (Michele)
Então, depois do elevador... (Dionísio)
Não conseguimos que nenhum passasse. (Michele)
Então não dá pra garantir a validade dos feitiços depois do elevador. (Dionísio)
Na teoria, sim. (Michele)
Na prática, não. (Dionísio)
Por isso vamos ficar eu, você e Alan aqui. (Michele)
Mas a gente passa por esse troço? (Dionísio)
Michele aponta o elevador com a palma para cima.
Eu prefiro ficar por aqui mesmo. (Dionísio)
Michele revira os olhos.
Vai sentir antes de entrar. (Michele)
Não é isso. É melhor a gente impedir aqui. (Dionísio)
Ok. Vou chamar Aléxis então, e a gente fica lá embaixo. (Michele)
Alan entra.
A gente não devia estar por aí caçando a pessoa? (Alan)
E fazer que nem nos filmes que sai todo mundo do forte e invadem? (Dionísio)
Se a gente conseguir pegar a Clítia, isso vai ser resolvido. (Alan)
Ou Zenon. (Michele)
Alan cruza os braços.
Não me olha com essa cara, sabe muito bem que não sou a primeira pessoa que faria alguma coisa contra ele. (Michele)
Bom, você já traiu ele. (Alan)
Porque achei que tava me traindo! E entre trepar com outra pessoa e enfiar uma estaca no peito tem uma diferença bem grande, não me culpe se você não sabe disso! (Michele)
Michele entra no elevador. A porta fecha. Dionísio pega o celular. Digita. Coloca na orelha. Espera. Tira e desliga.
Aléxis? (Alan)
Achei que tinha aprendido a mexer com isso, mas aparentemente não. Próxima lição: porque colocamos nossos celulares em fiozinhos que ligam na parede. (Dionísio)
Noite. Trinity entra na MEAK. Kat, Murilo e Derik olham para Trinity. Trinity balança a cabeça para os lados.
Cara, onde essa pessoa... (Kat)
Toca o celular de Derik. Derik vai pegar, Kat atende.
Onde caralhos você tá? ### Como assim, casa de barro?! (Kat)
Kat fecha os olhos e respira fundo. Abre os olhos.
Vem pra cá duma vez. (Kat)
Kat desliga o telefone e entrega a Derik.
Desculpa, eu... Enfim... (Kat)
Sem problemas. (Derik)
Seu cabelo tá mais curto? (Trinity)
Derik olha para o cabelo de Kat. Olha para o rosto. Kat revira os olhos.
Eu sei que cortar não ajuda. (Kat)
Ficou mais? (Derik)
Não quero que se preocupem. (Kat)
Tem a ver com Zenon? (Trinity)
Não. (Kat)
Kat baixa a cabeça.
Eu viciei. (Kat)
Trinity franze a sobrancelha.
O remédio que usava pra dormir. (Derik)
Nossa. Pra ter os sonhos? (Trinity)
Kat olha para Trinity.
Não dava pra ficar esperando o sono chegar enquanto alguém podia estar em perigo! (Kat)
Quantos anos você tá fazendo isso? (Trinity)
Muitos. (Derik)
Derik baixa a cabeça.
E a gente nunca parou. Não tentou ajudar. (Derik)
Foi uma escolha minha. E agora eu tenho que parar. (Kat)
Se precisar de ajuda com alguma coisa... (Trinity)
Não compre nada que Kat te peça da farmácia. Na verdade, Kat não fica doente. (Murilo)
Kat baixa a cabeça.
Pera, aquele papo das coisas não funcionarem duas vezes em atlantes... (Trinity)
Não sabemos porque funcionava. Talvez tenha a ver com a descendência de Kat. (Derik)
Kat revira os olhos.
A gente podia não tocar no assunto de quem me deu metade do meu DNA! (Kat)
Kat entra no quarto e bate a porta.
É tão ruim assim? (Trinity)
É pior. (Derik)
Até que a minha história? (Trinity)
Eu chutaria que sim, mas não vivi nem da sua pele nem na de Kat. (Derik)
Tá. A gente vai esperar Aléxis? Vamos tentar com Michele também? (Trinity)
Talvez. Michele parece mais seguro que Aléxis. (Murilo)
Murilo tira o celular do bolso. Disca, coloca no ouvido.
Oi. ### A gente tá pensando num jeito de dar um jeito de vez nisso. (Murilo)
Etos está andando pela cidade. Entra em uma lanchonete. Senta-se a uma mesa. Kassandra olha para trás, levanta do balcão e vai sentar em frente a Etos.
Alguma previsão pra mim? (Etos)
Por que teria? (Kassandra)
Não sei. Essa coisa toda de Padoi. (Etos)
Kassandra sorri.
Quer ter um caso com Padoi também? Quer saber se é seguro? (Kassandra)
Se você não tem nada pra mim, porque tá me olhando diferente? (Etos)
Kassandra desfaz o sorriso.
Mentir pra você seria impossível, não é, amor? (Kassandra)
Não é como se você quisesse. (Etos)
Nunca de verdade. (Kassandra)
Então? (Etos)
Kassandra olha para fora.
Quem mais eu vou perder? (Etos)
Kassandra olha para Etos. Fecha os olhos. Abre.
Não consigo. (Kassandra)
Mas você sabe. (Etos)
Kassandra baixa a cabeça.
Então tem mais gente. (Etos)
Kassandra engole seco. Etos olha para o teto. Kassandra olha para Etos.
Procura Rust. (Kassandra)
Kassandra levanta. Vai para o lado de Etos. Levanta o queixo com a mão e beija Etos. Etos retribue. Kassandra passa a mão no rosto de Etos.
Só não conta que fui eu que falei pra fazer isso. (Kassandra)
Kassandra se afasta. Sai. Etos levanta a mão. Maira se aproxima.
Pode me ver uma batata frita e um refrigerante? Não tô com estômago pra comer nada pesado hoje. (Etos)
Maira franze de leve a sobrancelha e segura um riso.
Tá bom! (Maira)
Tarde. Aléxis entra na MEAK. Tira o capuz. Derik vem para a sala.
Voltamos ao plano original então? (Aléxis)
Já te falaram? (Derik)
Trinity. Tava na estufa. (Aléxis)
Trinity te falou que estamos com receio que... (Derik)
Eu vire um bicho pior que Padoi. (Aléxis)
Não leva pro lado pessoal... (Derik)
Mesmo que fosse pessoal, depois do que Mel me disse que fiz na outra Realidade, eu não poderia reclamar. (Aléxis)
Então? (Derik)
Lish tentou me transformar. Eu não mudo. (Aléxis)
Derik endireita o corpo.
Sério?! (Derik)
Pode procurar se quiser, pode chamar Etos pra tentar de novo. Não morro por estacas e não posso virar outra coisa. É bem provável que por isso falem de quem gerou uma raça de vampirs. Qualquer outra criatura poderia ser afetada. (Aléxis)
Ótimo. Então é só ir lá e... Bom... Cê sabe... (Derik)
Derik e Aléxis ficam em silêncio.
Então? (Derik)
Aléxis continua olhando para Derik.
Não vai? (Derik)
Você não viu ainda, né? (Aléxis)
Derik franze a sobrancelha. Pega o celular.
Alan está em uma cama de hospital. Dionísio está ao lado. Murilo entra no quarto. Vai até Alan e abraça. Kat e Derik entram atrás.
Como encontrou Zenon? (Kat)
Murilo se afasta.
Zenon conseguiu falar comigo, me ligou. Disse que precisava de ajuda. (Alan)
E aí te mordeu? (Kat)
Não. Clítia me mordeu. Zenon bateu com alguma coisa nela, ela me jogou no chão. Quando acordei, ela tinha levado ele. (Alan)
Como você sabe que levou? (Kat)
Porque Zenon não teria me deixado ali. Ela quem levou ele da cela. (Alan)
Alguém te disse isso? (Kat)
Não precisou. Ele tava todo machucado. (Alan)
E Clítia, não tava? (Kat)
Alan olha para baixo.
Tavam lutando. (Alan)
Alan olha para Kat.
Mas se Zenon me quisesse morto, eu não taria vivo. Clítia é que não ia me salvar! (Alan)
Alan tem um ponto. (Murilo)
Kat olha para Murilo.
Temos que encontrar e exorcizar Zenon. Só assim a gente vai saber de alguma coisa. (Derik)
Kat olha para a bandeja de remédios ao lado de Alan. Baixa a cabeça.
Eu vou indo. Vou falar com Michele e Aléxis pra resolver de vez a situação de Padoi. (Kat)
Kat sai. Murilo olha para Derik. Derik segue Kat.
Ela não acredita em mim, né? (Alan)
Ah, não. Só tá com um pouco de agonia de hospital. Cê sabe, pessoas morrem, parece que não para de morrer gente perto da gente... (Murilo)
Murilo abraça Alan. Alan olha para Dionísio. Abraça Murilo.
Tô tão feliz que não te aconteceu nada de mais grave! (Murilo)
Eu fingi que era hétero. O tipo sanguíneo dele é o mesmo do meu. (Dionísio)
Murilo afasta de Alan e olha para Dionísio, franzindo a testa.
Pera, isso acontece de verdade? (Murilo)
Mais do que imagina. (Dionísio)
Deu tempo de testar o sangue? (Alan)
Dionísio cruza os braços. Murilo revira os olhos.
Kat entra no carro no banco de motorista. Derik entra no banco de carona.
Não quer me deixar dirigir? (Derik)
Você pode saber voar, mas dirigir não é sua especialidade. (Kat)
Kat fecha os olhos.
Desculpa. (Kat)
Kat abre os olhos.
Tá tudo bem. Eu nem gosto de dirigir. Tava oferecendo por causa do que aconteceu agora pouco. (Derik)
Acha que alguém notou? (Kat)
Provavelmente Alan acha que foi consigo. (Derik)
Derik passa para o banco de trás.
Vou aproveitar o balanço da viagem pra dormir. (Derik)
Kat liga o carro. Derik deita no banco. Kat sai.
Noite. Kat estaciona embaixo de uma ponte. Sai do carro. Bate no vidro de trás. Derik abre os olhos. Se senta. Sai do carro. Derik se espreguiça.
Não sonhei nada... (Derik)
Eu sei. Não dá muita vontade de se espreguiçar quando sonha com alguma coisa. (Kat)
Kat olha ao redor. Entra em um buraco na estrutura da ponte. Derik segue. Andam um pouco, estão em uma sala. Uma pessoa no chão. Kat se abaixa. Coloca a mão no pescoço da pessoa. Vira a pessoa. Derik arregala os olhos. Michele está com machucados e ematomas. Kat pega no colo e sai. Derik segue. Saem da ponte. Derik abre a porta de trás, Kat coloca Michele no banco. Vai em direção a ponte.
Kat! (Derik)
Kat olha para Derik. Joga a chave do carro para Derik.
Vai ter que dirigir. Volta pro mesmo hospital. Eu preciso ver se está lá ainda. (Kat)
Mas... (Derik)
Manda Trinity e Etos! Agora vai! (Kat)
Derik entra no carro. Liga e arranca. Kat volta para dentro. Entra no elevador. A porta fecha. Alguns segundos. Abre. Kat sai. Fecha os olhos com força, cerra os punhos. Avança. Atravessa o corredor. Olha para o caixão no centro da sala. Começa a tossir. Tosse sangue. Se aproxima do caixão. Abre. Puxa o ar com força. Vazio. Anda até o elevador, com a mão no tórax. Respira fundo. A respiração volta ao normal. O elevador fecha. Kat levanta a parte de trás da camiseta, de costas para o espelho e olha. Duas marcas roxas. Baixa. Sai do elevador. Começa a correr.
Derik está dirigindo. Freia de uma vez. Michele chacoalha no banco de trás. Derik passa para o banco de carona. Kat entra no carro, no banco de motorista.
Como fez isso? (Derik)
Meu problema com você dirigindo é a velocidade. (Kat)
Kat arranca com o carro.
Hospital. Aléxis olha por um vidro. Michele está com aparelhos. Kat, Murilo e Derik estão do lado de fora.
Alguém deve ter usado o sangue de Michele para passar pela proteção. (Derik)
Mas porque deixaram viver? (Murilo)
Pressa de sair talvez. (Kat)
Mas Michele não é ameaça pra Padoi? (Murilo)
Talvez. Talvez não. (Derik)
Aléxis se aproxima.
O que disseram? (Murilo)
Está em coma. (Aléxis)
Kat senta em um banco.
Eu preciso muito me controlar, mas tô com uma vontade muito grande de quebrar tudo que eu encontrar. (Kat)
Vamos sair. (Derik)
Derik sai. Kat segue.
Michele não deveria ser mais forte? (Murilo)
Foi demais, mesmo pra Lish. (Aléxis)
Tem alguma coisa que a gente possa fazer? (Murilo)
Rezar conta? (Aléxis)
Aléxis sai andando.
Madrugada. Uma pessoa entra no quarto de Michele. Tira um bisturi do bolso. Corta a lateral do corpo de Michele. Os aparelhos se alteram. A pessoa olha para trás. Pega um saquinho, tira algo de dentro. Coloca dentro do corpo de Michele. Os aparelhos se alteram mais. Dá um passo para trás. Jogam seu corpo contra a parede. No chão, Aléxis tira a máscara de boca. Aqua pega Michele no colo. Pula pela janela. Aléxis olha para a porta. Levanta e pula pela janela também.
Tarde. Alan está saindo do hospital, com uma muleta. Dionísio e Murilo estão junto. Kat e Derik se aproximam.
Não precisava me buscar, falei pra Murilo que não precisava. (Alan)
A gente não veio te buscar. Nem sabia que tava saindo. (Kat)
Alan franze a sobrancelha.
Ligaram pra gente agora pouco pra dizer que ontem a noite deu um alerta de alteração nos aparelhos de Michele e depois sumiu. Falamos com Beleno pra procurar. A gente veio ver se acha algo que não acharam. (Kat)
Então era isso... Pera, porque não avisaram a gente, que tava aqui?! (Murilo)
Isso o que? (Kat)
Ontem tavam comentando no corredor de alguém que fugiu pela janela. (Murilo)
Não tem câmera nesse negócio?! (Alan)
Não vão dar acesso pra gente ao quarto. (Dionísio)
A gente tava contando que Alan tava lá dentro ainda. (Kat)
Alan se vira e volta para dentro do hospital com a muleta, gemendo. Murilo segue. Na recepção, Alan cai no chão. Murilo se abaixa perto. Grita. Luiza, segurança, se aproxima.
Que houve?! (Luiza)
A médica disse que não podia ter alta ainda, ele insistiu, deu nisso! (Murilo)
Luiza vai até o telefone na recepção. Disca.
Me arranja uma cadeira de rodas, a que tava aqui sumiu, pra variar. (Luiza)
Luiza desliga. Se aproxima de Alan, levanta Alan junto com Murilo. Coloca no banco. Arnaldo, enfermagem, chega. Dionísio entra. Arnaldo para e olha para Dionísio. Depois para Alan.
Você não tava andando normal? Só faltou fazer malabarismo pra provar que podia sair... (Arnaldo)
Eu achei que tava... (Alan)
Deve ter sido o remédio pra dor que fez achar que tava normal. (Murilo)
Eu vou falar com a doutora Zuleide, já volto. (Arnaldo)
Arnaldo sai. Dionísio olha para Murilo, Murilo olha, Dionísio aponta Luiza com os olhos.
Alan, cê ainda tá querendo ir no banheiro? Foi por isso que a gente entrou de volta... Aliás, ainda bem que entrou, né? (Murilo)
Eu? (Alan)
Alan franze a sobrancelha. Desfranze.
Caramba, quase esqueci! (Alan)
Melhor esperar a cadeira de rodas... (Luiza)
Me ajuda só um pouco, dentro do banheiro eu ajudo. (Murilo)
Alan franze a sobrancelha de novo. Luiza revira os olhos e se aproxima de Alan. Alan se apoia em Murilo e Luiza, olhando para Murilo. Saem. Dionísio atravessa a porta que Arnaldo atravessou, correndo, segue por um corredor, olha para os dois lados no final, vê e corre até Arnaldo. Arnaldo olha para Dionísio, arregala os olhos e olha para os lados.
Calma, não arranco ninguém do armário assim. (Dionísio)
Arnaldo engole seco.
Que tá fazendo aqui? (Arnaldo)
Conheço Alan. (Dionísio)
Não te vi lá em cima. (Arnaldo)
Também não, ou já tinha te cantado de novo. (Dionísio)
Aqui é meu ambiente de trabalho. (Arnaldo)
Eu sei, fofo, é brincadeira. E só porque te conheço. Não se faz essas coisas com as pessoas quando elas não podem responder do jeito que querem. (Dionísio)
Então por que você... (Arnaldo)
Eu também conheço Michele. (Dionísio)
Ah. (Arnaldo)
Então? (Dionísio)
Arnaldo respira fundo.
Qualquer coisa não fui eu quem te falou, ok? (Arnaldo)
Alan e Murilo estão na recepção, nos bancos. Dionísio se aproxima. Luiza olha para Dionísio e cruza os braços.
Eu fui procurar vocês. (Dionísio)
O banheiro é pra outro lado. (Luiza)
É, me disseram, já tomei o esporro. (Dionísio)
Dionísio olha para Murilo e Alan.
Tem certeza que ainda tá sentindo dor? (Dionísio)
Alan estica a perna e sorri.
Acho que não. (Alan)
Ótimo. (Dionísio)
Dionísio sai. Murilo ajuda Alan a levantar. Saem também. Luiza cruza os braços. Olha para dentro. Descruza e vai para o corredor.
Carro. Dionísio dirige, Kat está ao lado, Murilo, Derik e Alan estão atrás.
Se teve alteração nos aparelhos, alguém pode ter tentado matar Michele. (Kat)
Mas porque levar o corpo? (Murilo)
Talvez precisem do sangue pra alguma coisa. (Derik)
Talvez não tenham matado. Talvez não queiram que Lish reencarne. (Kat)
Então congelariam ou alguma coisa assim?! (Alan)
Mas será que a alma ia ficar presa? (Dionísio)
Talvez. (Derik)
Alguém tentou falar com Aléxis? (Kat)
Murilo pega o telefone. Disca. Coloca na orelha. Espera.
Onde cê tá? (Murilo)
Esgoto. Algum lugar da cidade. Não sei como voltar. (Aléxis)
Tava no hospital ontem? (Murilo)
Ok, não fiquem bravos comigo... (Aléxis)
Murilo franze a sobrancelha.
Por que a gente...? (Murilo)
Dei o anel para Michele. (Aléxis)
Quê?! (Murilo)
Achei que Aqua poderia curar Michele! (Aléxis)
Kat estende a mão para trás, Murilo entrega o celular, Kat coloca no ouvido.
E aí você usou Aqua, como prometeu que nunca faria. (Kat)
Como sabe disso? (Aléxis)
Não foge do assunto. (Kat)
Tava tentando salvar Lish! (Aléxis)
E ajudou? (Kat)
Silêncio. Kat desliga.
Michele tá com Aqua. A gente não precisa se preocupar. (Kat)
Mas Aqua não é médica... (Alan)
Aqua consegue fazer brotar arco e flecha e uma casa de barro, acho que são as melhores chances de fato. (Kat)
Kat olha pela janela.
E agora Michele não pode devolver o anel, de qualquer forma. (Kat)
Será que Michele vai acordar? (Murilo)
Não sei. Mas foi uma ideia idiota de Aléxis. Aqua poderia ajudar a matar Padoi. (Kat)
MEAK. Aléxis entra. Derik está com um livro no sofá. Murilo está em outro sofá.
A gente sabe como encontrar Padoi? (Aléxis)
Coloquei um feitiço. Talvez dê, se não tiverem tirado. (Derik)
Derik acende uma vela. Murilo entrega uma bússola. Derik vira a bússola e pinga cera da vela.
Tem alguma coisa especial na vela? (Aléxis)
Tirei coisa de Padoi pra misturar. (Derik)
Derik desvira a bússola. Aponta para a janela.
O norte não fica pra lá. (Aléxis)
Derik estende a bússola para Aléxis. Aléxis pega. Sai. Desce a escada. Arregala os olhos. Zenon se segura no corrimão, no meio da escada. Olha para Aléxis. Fraqueja, Aléxis corre e segura. Ajuda a subir. Entra. Ajuda Zenon a sentar no sofá.
Que que aconteceu?! (Murilo)
Clítia. Não sei o que tem em mim, mas a gente precisa pegar Clítia... Alan tá bem?! (Zenon)
Tá se recuperando. (Kat)
Podem me prender, por favor, não naquele porão, Clítia conseguiu pegar, mas a gente precisa pegar Clítia... (Zenon)
O que aconteceu? (Kat)
Eu tava no porão, lembro de Dionísio me entregar uma garrafa. Aí senti dor, e acordei num lugar. Eu não tava amarrado, mas tava todo machucado. Clítia também. Clítia falou qualquer coisa de eu proteger Alan. (Zenon)
E Padoi? (Kat)
Tava lá. (Zenon)
Acho que a gente não vai precisar da bússola. (Murilo)
Um galpão. Etos abre o portão. Aléxis entra. Etos fecha.
O que tem pra mim? (Aléxis)
Etos acende a luz. Não há como contar as espadas, machados, maças, punhais, facões, lanças, escudos, malhas e outras proteções.
Você fez uma coleção grande. (Aléxis)
Tem séculos. Só pra registro, não importa o que pegar, devolva. (Etos)
Aléxis vai até os machados. Tira um. Dá um golpe de lado no ar. Devolve. Pega outro. Dá outro golpe.
Procurando o mais pesado? (Etos)
Aléxis coloca o machado de volta no lugar. Etos vai até uma das pontas. Tira um machado com as duas mãos. Aléxis se aproxima. Etos entrega, Aléxis pega com uma mão, quase derruba, segura com a outra mão. Olha para Etos.
Porque acha que eu tava segurando com as duas? (Etos)
Do que essa coisa é feita? (Aléxis)
É bem novo, na verdade. Feito com ciência. É tudo que consigo explicar. (Etos)
Vamos ver se o novo derrota o antigo. (Aléxis)
Bom, você é bebê perto de Padoi. (Etos)
Aléxis encara Etos.
Boa sorte. (Etos)
Zenon está no carro. Aléxis abre a porta, entra com o machado, o carro baixa, Aléxis fecha a porta. Zenon franze a sobrancelha.
Caralho... (Zenon)
Espero que seja suficiente. (Aléxis)
Acho que até bater de lado com isso deve ser suficiente! (Zenon)
Zenon arranca com o carro.
Kat anda de um lado para outro. Derik está no sofá, deitou-se. Murilo está mordendo as pontas dos dedos.
Kat. (Derik)
Sim? (Kat)
Derik levanta, vai até Kat e para em sua frente. Kat para. Derik pega as mãos de Kat.
Respira fundo. (Derik)
Eu não... (Kat)
Não vou conseguir dormir sem você se acalmar. (Derik)
Eu posso sair. (Kat)
Aí que eu não vou conseguir mesmo. Acha que não sei o que tá querendo fazer? (Derik)
Arrancar a cabeça de Padoi com os dentes. (Kat)
Etos entra.
O imbecil pegou só a arma. Ia ficar bonito de malha. (Etos)
Por que? (Murilo)
Ah, geralmente ficam... (Etos)
Murilo suspira.
Por que não pegou nada de proteção? (Murilo)
Porque só morre com o sol. (Etos)
Bom, sem um braço fica difícil continuar lutando. (Murilo)
Acho que ouvir não é a especialidade ali. (Etos)
E se Zenon estiver mentindo e tiver levado pra uma armadilha? (Murilo)
Não tava. (Fábio)
Quando você... (Derik)
Eu chamei. A gente precisava de ajuda. (Kat)
Mas não ia dar tempo de ter vindo... (Derik)
Era por causa de Alan, chamei antes. (Kat)
Dionísio vai cuidar de Soraia. (Fábio)
Fábio olha para Kat.
Perguntei no carro, quando tava só. Seria uma boa ver se Beleno consegue ler a mente, acho que agora é Zenon mesmo falando, provavelmente não vai tentar impedir. (Fábio)
E talvez Beleno consiga acessar coisas que Zenon mesmo não consegue. (Kat)
Sim. (Fábio)
O notebook faz barulho em cima do balcão. Derik se aproxima.
Mais de cinco minutos no mesmo lugar. Ou acabou a gasolina, ou chegaram. (Derik)
Kat entra no quarto, fecha a porta. Fábio acompanha, franze a sobrancelha. Olha para Derik.
Aléxis não queria que fôssemos. Concordou em rastrear, pra estarmos perto, caso precisasse de ajuda, mas nos fez prometer que Kat não iria. (Derik)
Chamaram Rust? (Fábio)
Derik olha para Murilo. Olha para Fábio.
Como a gente ia chamar Rust? (Derik)
Por que a gente chamaria Rust, pra começo de conversa? (Murilo)
Rust ajudou com Andrews, não? Não seria a primeira vez que ajuda. E não duvido que Virgine desse o exército inteiro pra resolver isso. (Fábio)
E depois a gente ia estar com o exército todo cercando a gente... Pera, quem é... (Murilo)
Era o nome de Aléxis na outra Realidade. (Derik)
Eu não me incomodo de irmos agora pra lá, alguém se opõe? (Etos)
Fábio sai. Etos segue. Murilo também. Derik olha para o quarto. Sai também.
Derik está olhando por uma janela. Respira fundo. Olha para o horizonte. Os primeiros raios de sol saem.
Por que tá demorando tanto? (Derik)
Não deve ser uma luta fácil. (Murilo)
Achei que dava agonia de olhar essas coisas. É muito pior estar a distância. (Derik)
Alguma coisa quebra a janela do outro prédio e cai lá embaixo. Derik arregala os olhos. Desce correndo. Passa por Etos. Etos passa correndo. Para na porta, com os raios de sol. Derik passa de novo, corre até o corpo. Aléxis está com o machado cravado no meio do corpo. Derik tenta levantar. Não consegue. Etos vai em direção a Aléxis, toma uma flecha no peito e cai. Derik olha para a entrada do outro prédio, vê uma pessoa com um arco e capuz, que entra de novo. Fábio vem correndo, tenta levantar o machado. Murilo chega e tenta ajudar. O sol continua a nascer. Derik olha para Etos.
Vai... (Aléxis)
Derik olha para Aléxis.
Diz pra Lish... que eu amo ela... (Aléxis)
Derik balança a cabeça para os lados. Vai em direção a Etos. Fábio vai também. Derik e Fábio carregam Etos de volta para dentro do prédio. Murilo abaixa perto de Aléxis, pega sua mão.
Você não consegue... (Murilo)
Eu não tava... só tentando salvar... Lish... (Aléxis)
Se Padoi te matasse, ia pegar o anel. (Murilo)
Não podia deixar... Mas Padoi não... Tá... (Aléxis)
Aléxis desmaia. O sol continua nascendo. Murilo toca o rosto de Aléxis, que começa a virar cinzas, assim seguindo o resto do corpo. O machado tomba no chão, Murilo se assusta, cai para trás. Sobram apenas roupas. Murilo olha para o sol. Olha para as cinzas. Cai uma lágrima de seus olhos.

Resumo do Capítulo

Kat está com raiva. Derik e Aléxis conversam. Falam sobre Aqua. Aléxis fala com Aqua sobre Beatrice. Aqua diz que falou com Beatrice, e que pretende redimir o que Beatrice tenha feito. Derik e Murilo falam novamente em Aléxis matar Padoi. Michele, Alan e Dionísio estão guardando o lugar que tem diversos feitiços para impedir que cheguem ao caixão de Padoi. Kat conta a Trinity que viciou no remédio para dormir - Murilo e Derik já sabiam. Falam em tentar fazer Michele acabar com Padoi também. Etos pergunta a Kassandra se vai perder mais alguém. Kassandra diz que pergunte a Rust, e que não lhe diga que foi quem disse isso. Derik pede e Aléxis que tente matar Padoi. Alan está no hospital, diz que Zenon lhe ligou, foi encontrar, Clítia lhe mordeu, Zenon bateu em Clítia, Clítia lhe jogou no chão. Quando acordou, tinham sumido. Kat e Derik vão ao lugar onde está o caixão de Padoi. Michele está inconsciente, o caixão está vazio. Levam ao hospital. Michele fica em coma. Especulam que o sangue de Michele foi usado para entrar. Aléxis tira o anel de Canis de sua mão e coloca dentro do corpo de Michele. Aqua tira Michele do hospital. Aléxis segue. Chegam ao hospital para ver se conseguem entender o que houve com Michele. Aléxis confessa o que fez. Zenon aparece na MEAK, com machucados. Pede para que lhe prendam. Aléxis pega uma arma emprestada de Etos. Vai com Zenon achar Padoi. Exigira que Kat não ajudasse no cerco contra Padoi. Murilo, Derik, Fábio e Etos esperam em um prédio ao lado. Aléxis voa pela janela, com o machado no peito. Etos tenta salvar, mas toma uma flecha. Com o sol nascendo, Aléxis fala para Derik salvar Etos. Fala para Murilo que entregou o anel a Michele também para proteger Aqua de Padoi, para caso falhasse Padoi não pegasse o anel de Canis. Aléxis vira pó no sol, tentando dizer algo a mais sobre Padoi.

Dara Keon