Ao encontro delas
MEAK
C16

Ao encontro delas

Kat está dormindo, na grama, em correntes. Alguns elos têm cores diferentes, alguns têm fitas amarradas. Rust está com uma solda e uma máscara, soldando uma peça de metal, mais ou menos do tamanho de Kat. Para. Pousa a solda. Levanta a máscara. Suspira. Olha para Kat. Olha para trás. Uma caixa para a tampa. Rust tira a máscara e pousa ao lado da solda. Vai até Kat, abaixa. Pega Kat no colo. Levanta. Vai até a caixa. Abaixa e coloca Kat dentro. Vai até a tampa, pega, vem até a caixa. Pousa a tampa. Volta, pega a máscara, veste, pega a solda e vai até a caixa. Abaixa. Começa a soldar a caixa.
Derik anda de um lado a outro. Trinity entra. Derik para.
Que houve? (Trinity)
Kat. Por que tá demorando tanto? (Derik)
Trinity franze a sobrancelha.
Achei que já teria voltado. (Trinity)
E Rust? (Derik)
Tá falando sério que mais ninguém voltou aqui, enquanto eu me recuperava? (Trinity)
Eu preciso dormir, mas tá impossível! (Derik)
Não vai tomar nada pra viciar que nem Kat... (Trinity)
Um assovio. Trinity e Derik vão ao quarto. Edmont está na cama.
Você tem como ir atrás? (Derik)
Tá me pedindo pra salvar as pessoas agora? (Edmont)
Você já fez isso antes. (Derik)
Inês é diferente. (Edmont)
Não tava falando de recente, mas pode ser. Não é possível que não considere mais Kat. (Derik)
Edmont ri.
Eu já usei Kat como moeda de troca. (Edmont)
Mas você ainda ama Kat. (Derik)
Kat sabe se virar. (Edmont)
Eu só quero saber como tá! (Derik)
Então dorme! (Edmont)
Edmont dá dois tapas na cama ao seu lado. Derik suspira. Deita ao lado de Edmont. Trinity balança a cabeça para os lados.
Tá com saudade de Rob? (Trinity)
Edmont se vira para o lado da janela. Trinity sai, pega uma cadeira, volta, coloca em frente a cama. Senta-se.
Gosta de ficar olhando? (Edmont)
Posso não conseguir te derrubar, mas brigar comigo vai dar tempo de Derik sair voando. (Trinity)
Do jeito que tô, nem você eu consigo derrubar. (Edmont)
Porque me deu sangue de Beatrice? (Trinity)
Tem razão. Devia ter dado de alguém comum. (Edmont)
Você amava Beatrice. (Derik)
Tá virando especialista em dizer quem eu amo. Você não tinha que dormir? (Edmont)
Derik vira para o outro lado.
Rust para a solda. Pousa no chão. Tira a máscara, pousa também. Olha para Fábio.
Que tá fazendo? (Fábio)
Kat. (Rust)
Que? (Fábio)
Ninguém que é pégasus te contou? (Rust)
Eu só... Vim até o lago... Cê tava soldando... (Fábio)
Notei você aí. Só achei estranho não me interromper. (Rust)
Mel me falou que vocês tinham algum contato, mas não achei que era tão forte. (Fábio)
Mais ou menos. Não tem tantas pessoas da nossa gente por aí assim. (Rust)
Rust olha de novo para a caixa.
Mas eu nunca tive que fazer o que fiz com Melody. (Rust)
Fábio baixa a cabeça.
E agora com Kat. (Fábio)
Não matei Katerine. (Rust)
Fábio olha para Rust.
Não estranhou a caixa? (Rust)
Fábio olha para a caixa.
Colocamos Melody, Angely e Edmont no lago sem nenhum tipo de estrutura em volta. (Rust)
O que aconteceu com Kat? (Fábio)
Pode ser que a gente consiga salvar. Mas não tem controle agora. (Rust)
E porque no lago? (Fábio)
Porque espero que alguma coisa além dos vários feitiços que fiz ajude a impedir de sair. Mas nada deve durar muito. (Rust)
Eu também tenho isso? (Fábio)
Rust olha para Fábio.
Sou Tioure. (Fábio)
Rust sorri. Desfaz o sorriso.
Nandé também era. A pessoa que me gerou. Você é uma das exceções. A chance de isso sair em você é quase zero. Até onde sei, não conhecem ninguém com quem tenha acontecido. (Rust)
Rust olha para o caixão.
Etos está procurando como ajudar. (Rust)
Onde? (Fábio)
Uma biblioteca de alguém que conhecia quando ainda não tinha morrido. (Rust)
Zeiro pousa atrás de Fábio.
Que houve? (Zeiro)
Precisamos colocar no fundo do lago. (Rust)
Zeiro dá um grito para o alto. Espera. Huru desce ao lado de Zeiro. Se aproximam da caixa. Zeiro franze a sobrancelha.
Esse cheiro... (Zeiro)
Zeiro vira para Rust. Mira os olhos. Vai para uma das pontas da caixa, abaixa e levanta a caixa, com esforço. Huru vai para a outra, levanta um pouco, desce. Respira fundo e levanta o outro lado. Começam a bater as asas. Voam até o meio do lago. A caixa escapa de uma mão de Huru, Huru segura de novo. Abaixam devagar. Soltam com cuidado pouco acima da água. A caixa afunda. Vão até a beira do lago de novo e pousam. Rust vira para a direção oposta e começa a andar. Fábio franze a sobrancelha.
Era pra isso acontecer? (Fábio)
Rust, Zeiro e Huru olham para o lago. A água ficou vermelha. Aos poucos, perde a cor. Rust fecha os olhos, suspira, abre. Olha para Fábio.
Angely. Fui escolher o pior lugar. (Rust)
Fábio olha para Rust.
Mas o feitiço em Padoi não tinha sumido já? (Fábio)
Que feitiço? (Zeiro)
Apesar de parecer que a ideia de proteger os corpos foi nossa, achamos que Melody fez algum feitiço, usando a si, Edmont e Angely, pra segurar Padoi. (Rust)
Mas agora Padoi já acordou. (Fábio)
Talvez não esteja com força total. (Rust)
Rust olha para o lago.
Agora está em dois terços. Se em um terço nem Lish, que criou uma linhagem, nem Katerine, que supostamente tinha uma premonição de matar Padoi, conseguiram... (Rust)
Então chegaram a tentar? (Fábio)
Rust olha para Fábio.
A boca de Lish, tinha sangue e cheirava a sangue de Padoi. (Rust)
Boca? Lish tá inconsciente de novo, por isso não deu pra perguntar? (Fábio)
Rust engole seco. Fábio suspira.
Padoi matou Lish. (Fábio)
E fugiu. E vi Katerine beber todo o sangue. E Padoi fugiu de novo. (Rust)
Fábio olha para o lago. Seus olhos marejam. Abre mais os olhos e olha para Rust.
Aqua! (Fábio)
Etos me disse que Padoi não pegou o anel. Não sei se foi Etos quem pegou, acordei no templo, com Katerine e um bilhete de Etos. (Rust)
Fábio suspira. Limpa os olhos.
Vamos voltar ao continente. A gente precisa falar com as pessoas. (Fábio)
Etos sai no jardim. Vai até uma árvore. Abaixa, pega folhas no chão. Coloca uma das folhas na boca e começa a mastigar. Senta junto a árvore. Deoclides se aproxima. Etos olha. Deoclides senta-se ao lado de Etos. Etos franze a sobrancelha.
Tá me vendo aqui? (Etos)
Eu não podia falar com você antes. (Deoclides)
Então fingia que não me via? (Etos)
Eu via. Mas não na hora. Tentei várias vezes falar com você, até perceber que o que eu via era um fantasma que tinha passado. (Deoclides)
E como soube que dessa vez era real? (Etos)
Porque olhou pra mim. (Deoclides)
Deoclides olha para Etos. Seus olhos têm lágrimas. Etos passa a mão no rosto e limpa as lágrimas.
Acho que é por causa do livro que você está procurando. (Deoclides)
Não estou procurando um livro específico. (Etos)
Fala sobre atlantes. Eu peguei porque é muito bonito. (Deoclides)
Deoclides levanta.
Se eu fosse atlante... Se eu vivesse lá... (Deoclides)
Deoclides olha para Etos.
Não teria feito o que fiz com vocês. (Deoclides)
Já foi agora. (Etos)
Deoclides sorri.
Mas Loz só me perdoou depois que Lish ficou livre. (Deoclides)
Como assim? (Etos)
Diamante... (Deoclides)
Deoclides gira. Respira fundo.
Acho que era assim que chamavam ultimamente nessa encarnação. (Deoclides)
Etos suspira. Coloca mais uma folha na boca.
E agora eu posso te ajudar. Para me redimir. (Deoclides)
Deoclides corre ao redor da árvore, dá duas voltas. Para em frente a Etos, se curva, estende a mão. Etos pousa o resto das folhas no chão, pega a mão de Deoclides, se levanta. Seguem em direção a construção. Entram. Deoclides vai até o fundo da sala, puxa uma estátua. Pega um livro grande no chão. Sopra. Vai até Etos, entrega o livro. Etos dá um beijo na testa de Deoclides. Se afasta, vai em direção a porta.
Você me desculpa, meu amor? (Deoclides)
Etos para, olha para trás.
Eu nunca te culpei. (Etos)
Deoclides sorri. Fecha os olhos e suspira. Etos se vira para continuar, franze a sobrancelha e vira de novo. Apenas as roupas, jogadas no chão, em cima de um volume. Etos vai até a roupa, tira o volume. Uma gatinha preta, filhote, lhe mia. Etos sorri. Sai, com o livro em uma mão, a gatinha em outra.
Lago. O caixão de metal está no fundo. Ao lado, um volume, sob plantas que cobrem. Um par de olhos azuis abre.
O telefone toca. Trinity vai até a sala e atende.
MEAK, o que... (Trinity)
Vocês entregam lanches na Escócia? E um sachet de atum seria bom. (Etos)
Etos? (Trinity)
Achei uma coisa, mas talvez precise de ajuda. (Etos)
Não sei, Derik vai ficar só com Edmont aqui... (Trinity)
Rust não voltou ainda? (Etos)
Fábio tá nas ilhas, não faço ideia de onde foram Lish, Rust e Kat, Beleno não sei como chamar, mas deve estar com Inês nas ilhas protegendo as crianças também... (Trinity)
Rust foi colocar Kat em um lugar seguro. (Etos)
Padoi machucou Kat? (Trinity)
Kat bebeu todo o sangue de Padoi. (Etos)
Trinity arregala os olhos.
Pelo menos a coisa morreu então? (Trinity)
A menos que alguém tenha tido bastante velocidade pra levar o corpo, não. (Etos)
Trinity fecha os olhos, cerra os dentes e bufa. Abre de novo os olhos.
E Kat? (Trinity)
O lugar seguro não era pra segurança de Kat. Ao menos não a física. (Etos)
O que a gente vai fazer agora? (Trinity)
Acho que achei uma solução, mas vai ser mais rápido com ajuda. E acho que Rust derruba mais fácil Edmont se for necessário, então pode me encontrar quando Rust aparecer aí? (Etos)
Posso. (Trinity)
Ótimo. Já tô compartilhando minha localização em tempo real. (Etos)
Beleza. Até. (Trinity)
Cê acha que Derik tem problema com bebês que miam? (Etos)
Hein?! (Trinity)
Noite. Rust entra na MEAK. Fábio entra atrás. Trinity está no sofá. Olha para Rust e Fábio. Fábio olha para Rust. Olha para Trinity.
As pessoas estão por aqui? (Fábio)
Pode falar quem é, apesar de não estar sobrando muita gente. (Trinity)
Derik. (Fábio)
Derik levanta da cama e vai correndo até a sala.
Aqui! Que?! (Derik)
A gente precisa falar. (Fábio)
Derik dá um passo atrás.
Por isso Edmont não queria falar... (Derik)
Derik... (Fábio)
Não, pera, Edmont não se preocuparia comigo... (Derik)
Fábio vai até Derik e segura nos braços.
Kat vive. (Fábio)
Derik suspira.
Dormindo de novo não tá. (Derik)
Não. (Fábio)
Tecnicamente, tá. (Rust)
Derik olha para Rust. Fábio solta os braços de Derik e se afasta. Derik senta no sofá. Trinity senta no outro.
A gente encontrou Padoi, fomos pra um lugar longe. Falei pra Padoi o que houve com Melody. Padoi veio pra cima de mim, Katerine se enfiou na frente, jogou Katerine longe, Lish foi atrás. Padoi derrubou Trinity, eu cravei uma estaca. Lish me falou pra sair com Trinity. Quando voltei, Lish tava no chão, Katerine ia morder Padoi, mas Padoi nem tentou resistir. Como foi com Melody. Derrubei Katerine, espantei Padoi. Trouxe Lish até aqui. Fui atrás de Katerine. Etos me achou. Não sabe de Lish ainda. Me convenceu a tirar o bracelete e derrubar Katerine, depois devolveu o bracelete. Katerine tá nas ilhas, coloquei no lago, com vários feitiços. (Rust)
Como assim? (Derik)
Como assim o quê? (Rust)
No lago... Mas... Kat... Kat não morreu... (Derik)
Eu esperava que no lago, com Melody e Angely, fosse mais garantido. Não me toquei que, mesmo dentro de uma caixa de metal, poderia quebrar a proteção de Angely. (Rust)
Derik levanta.
Angely saiu do lago?! (Derik)
Não. Não sei se vai sair. As proteções eram pros corpos, Derik, não é porque Edmont voltou que Angely vai voltar. (Rust)
Derik senta.
Lish morreu então? (Trinity)
Rust baixa a cabeça.
Acho que Etos não sabe. (Rust)
E o anel? (Derik)
Aqua não teria protegido Lish? (Trinity)
Não se Padoi conseguiu pegar o anel antes. (Fábio)
Não tinha anel na mão de Lish quando vi. (Rust)
Rust olha para Derik.
A gente tá tentando arranjar um jeito de trazer Katerine de volta. (Rust)
Eu vou ajudar Etos. (Trinity)
Vai contar de Lish? (Rust)
Trinity olha para Rust.
Espero não ter que impedir nada de novo. (Trinity)
Trinity sai. Derik levanta e vai para o quarto. Fábio segue. Rust senta no sofá.
Queria não ter me enfiado aqui, pra ver uma pessoa por vez ir embora desse jeito. (Rust)
Trinity desembarca em um aeroporto. Vai até Etos, que está com uma mochila. Abraça. Etos franze a sobrancelha. Afasta Trinity.
Que houve? (Etos)
Lish. (Trinity)
Etos solta os ombros. Se vira. Fecha os olhos, balança a cabeça para os lados, abre.
Padoi. Naquela noite. (Etos)
Sim. (Trinity)
Etos suspira. Volta a olhar de novo para Trinity.
Parece que a temporada de caça a MEAK e alianças continua aberta. (Etos)
É uma boa ideia então a gente evitar que a última pessoa da sigla original se foda. (Trinity)
Edmont também era. (Etos)
Era. Antes de virar o que virou. (Trinity)
Etos coloca a mão no bolso e tira duas passagens.
Pra onde vamos? (Trinity)
Sibéria. (Etos)
Pegar o que? (Trinity)
Diamante. (Etos)
Tá falando sério? Porque a gente só não compra ou rouba isso? (Trinity)
A gente tem que tirar da terra direto, pra poder fazer o que vamos fazer. Do mesmo jeito que provavelmente Melody conseguiu as aquamarines e provavelmente como foi com as esmeraldas de Rust e Beatrice. (Etos)
Não tem mina no Brasil? Ou aqui mesmo? (Trinity)
Essa tá fechada. E acho que é longe o suficiente pra Padoi não saber. (Etos)
Por isso não me falou por mensagem ou telefone. (Trinity)
Eu não sei a hora que Padoi vai descobrir a internet e começar a achar gente perigosa pra saber dessas coisas. (Etos)
Etos olha o relógio.
Ainda bem que seu voo não atrasou. (Etos)
Etos sai andando. Trinity segue.
Rust desliga a boca do fogão. Pega a chaleira. Vai até a pia, coloca em dois copos. Pega um dos copos e vira, bebe de uma vez. Pega o outro e vai ao quarto. Coloca no móvel ao lado de Edmont na cama e sai andando. Edmont senta na cama. Pega o copo, bebe tudo. Pousa o copo de volta. Deita de novo. Fábio vai até a sala. Rust está em um sofá. Fábio senta ao lado.
Queria ter ido com Etos? (Fábio)
Não preciso me colar em Etos. Mas acho que, depois do tempo com Melody, cê já sabe disso. (Rust)
Sim. Mas não achei que pensasse assim também. (Fábio)
Por causa de Virgine? (Rust)
Talvez. (Fábio)
É culpa pelo que fiz. (Rust)
Não tem receio de deixar Virgine agora? Tá passando bastante tempo aqui. (Fábio)
As duas maiores ameaças que sei são Padoi e Edmont. (Rust)
Ficou para cuidar de Edmont. (Fábio)
Etos acha que eu conseguiria segurar. (Rust)
Edmont não tá em grande forma no momento, talvez até eu conseguisse. (Fábio)
Talvez. (Rust)
Acharam alguma coisa na biblioteca? (Fábio)
Até onde vi, não tinha nada. Etos ficou reolhando. (Rust)
Derik vem até a sala. Senta no outro sofá. Boceja.
Eu não consigo. (Derik)
Se você virasse gato, talvez fosse mais fácil. (Fábio)
Acho que em outra forma não consigo sonhar. Não sonhei nada quando tava na forma canina. (Derik)
Derik boceja.
Conhece alguma canção de ninar? (Rust)
Como assim? (Derik)
Alguma coisa que cantavam pra você dormir quando era criança. (Rust)
Não que eu lembre. (Derik)
O passado de Derik é um tanto... Nebuloso. (Fábio)
Vou tentar uma coisa. (Rust)
Rust levanta. Vai até o quarto. Fábio e Derik ficam olhando para a porta. Alguns segundos, Rust sai, Edmont atrás. Derik levanta de uma vez, engole seco.
Não, valeu. (Edmont)
Edmont olha para Fábio. Fábio franze a sobrancelha. Levanta. Edmont deita no sofá, de costas para cima. Fecha os olhos, suspira. Rust aponta o quarto com a palma para cima. Derik entra. Fábio entra também. Rust se senta no sofá menor.
Você sabe de Beatrice? (Edmont)
Sim. (Rust)
Foi você quem encontrou as cinzas? (Edmont)
Nesse mundo ou em outro, a coisa que Beatrice menos precisa é você. (Rust)
Não me respondeu. (Edmont)
Não sei com o que se acostumou, mas eu não tenho que te responder nada. (Rust)
Você gostou de Dara. (Edmont)
Rust franze a sobrancelha. Desfranze.
Virgine teria matado. (Rust)
Acho mais fácil que tivesse transformado. (Edmont)
Dara não ia querer. (Rust)
Te falaram de Inês? (Edmont)
Não. (Rust)
Dara. Reencarnou. Acho que Angely saiu arrastando Dara. (Edmont)
Até onde sei, Inês veio de você. (Rust)
O corpo. (Edmont)
Você não devia se aproximar de mais ninguém. Não tem nada de bom pra dar a ninguém. (Rust)
Edmont se senta no sofá.
Verdade? (Edmont)
Rust encara Edmont. Edmont se senta ao lado de Rust.
Acha mesmo? (Edmont)
Edmont vira de lado e se aproxima do ouvido de Rust.
Por que consigo pensar em algo bom pra te dar. (Edmont)
Rust levanta de uma vez. Edmont sorri. Balança a cabeça para os lados. Rust cruza os braços. Edmont volta para o outro sofá. Deita de costas de novo. Rust senta novamente no sofá.
Não vai me enganar. (Rust)
A gente não precisa se enganar pra isso. Não somos gente iludida buscando a felicidade eterna ao lado da pessoa que te faz se sentir uma criatura inteira. (Edmont)
Vai me dar coceira daqui a pouco. (Rust)
Sério? Não pensa mesmo em andar de mãos dadas no parque, casar, prometer nunca mais tocar em outra pessoa, matar a pessoa por ter descumprido? (Edmont)
Edmont ri.
Pior que já quase fiz isso. (Edmont)
Casar? (Rust)
Matar a pessoa. (Edmont)
Mel te impediu? (Rust)
Mel ainda sentia muita raiva da pessoa. Foi um ponto seguro que acabou deixando Mel na pior situação possível. A reação que teve, me disse recentemente que é uma das coisas que mais tem vergonha. (Edmont)
E Katerine? (Rust)
Era praticamente uma criança, mas era contra matar Agatha. (Edmont)
Agatha... Tá falando da pessoa que... (Rust)
Edmont vira de lado no sofá, olhando para o encosto, com a expressão fechada.
No final, eu matei. Mas foi por escolha de Agatha. (Edmont)
Trinity e Etos estão descendo um buraco, com cordas. Um buraco realmente muito grande. Estão com mochilas. Trinity pula no fundo. Etos pula também. Trinity tira a mochila, abre, pega um recipiente com um líquido denso amarelo. Pousa no chão e pega uma caixa de fósforos e um canetão. Pousa a mochila. Coloca a caixa de fósforos em cima do recipiente. Com o canetão, desenha um triângulo grande no chão. Coloca um ponto no meio de um dos lados, mais dois dividindo novamente em meios, fazendo assim uma divisão da reta em quatro. Faz o mesmo com os dois outros lados. Com diversos riscos, vai ligando cada ponto a todos os pontos de outros lados. Terminando o desenho, vai até a mochila e pega duas espátulas, joga uma para Etos. Começam a afundar o chão nos lugares dos riscos que ligam pontos, ignorando o triângulo. Ao terminar, Etos pega o recipiente, pousando a caixa de fósforos no chão, e abre. Despeja devagar o líquido em uma das fendas, e o líquido se espalha para as outras. Depois de preencher todo o símbolo, Etos pega o livro na mochila. Abre em uma página quase no final. Trinity pega a caixa de fósforos.
Você viu onde preencheu por último? É pra acender dali. (Etos)
Trinity olha para o recipiente. Olha para o lado oposto. Acende o fósforo.
Qualquer coisa a gente tenta de novo. (Trinity)
Trinity abaixa e deixa o fósforo cair no líquido. Não acende.
Pelo menos não vamos ter que entalhar de novo. (Etos)
Trinity encara Etos. Acende outro fósforo. Outro ponto. Não acende. Estende a caixa a Etos.
Tenta você. Talvez tenha que ser você, por ter jogado essa meleca aí. (Trinity)
Etos pega a caixa. Vai ao primeiro ponto que Trinity tentou. Não acende. Olha para o símbolo. Pega uma espátula de novo e entalha mais um risco. Trinity risca um fósforo e coloca no primeiro ponto. Todo o símbolo pega fogo, Trinity cai para trás. Etos sorri. O fogo começa a consumir e descer no chão. Etos desfaz o sorriso. Continua descendo. Trinity se levanta e olha para baixo.
Cara, a gente não tá fundo o suficiente? (Trinity)
Espero que ache um diamante mesmo. (Etos)
Trinity olha para Etos. Etos olha para Trinity.
É um feitiço genérico, usam pedras pra tudo, pode pular uma onix aí. (Etos)
Então pelo menos a pedra sai sozinha do buraco. (Trinity)
Não faço ideia. (Etos)
Etos olha para dentro do buraco.
Parece que não. (Etos)
Etos pega uma das cordas. Vai até o buraco e joga a corda. Pula dentro. Caindo no chão, há duas pedras transparentes. Etos sorri. Pega e coloca no bolso. Pega a corda e começa a subir. Trinity pega as coisas e coloca de volta nas mochilas, inclusive os fósforos queimados. Etos termina de subir. Trinity lhe entrega uma mochila. Coloca a outra nas costas. Pega a segunda corda e começa a subir. Etos pega as pedras do bolso e olha.
Vocês tão sabendo de Mel também. (Etos)
Etos coloca as pedras dentro da mochila. Coloca a mochila nas costas. Olha o buraco no chão. Vai até a corda e começa a subir, atrás de Trinity.
Rust pega o celular, atende.
Acharam alguma coisa? (Rust)
Vamos chegar em São Paulo na hora. Aí vamos até aí e depois você vai com Trinity resolver. (Etos)
E você? (Rust)
Alguém tem que cuidar de olhos de prata. (Etos)
Rust olha para Edmont no sofá, que está de lado. Edmont não se mexe. Rust se aproxima, toca o ombro.
Não vou hoje... (Edmont)
Edmont se vira de bruços. Rust franze a sobrancelha.
Por mais bizarro que pareça, acho que Edmont tá dormindo de verdade. E deve estar achando que eu ia chamar pra ir pra algum lugar, tipo trabalho... Ou escola... (Rust)
Edmont frágil. Tá aí uma coisa que eu nunca vi. Vai ser divertido. (Etos)
Não precisa sacanear também. (Rust)
Outra coisa que nunca achei que ia ver, você defendendo. (Etos)
Só vem logo. (Rust)
Rust desliga o telefone.
Derik está dormindo. Então, está em um cartório, com terno todo dourado. Kat entra, com uma roupa de apenas um pano, que cobre todo o corpo. Sorri. Mel entra, está com a mesma roupa. Pega Kat pelo pulso e sai. Derik segue. Estão no templo. Kat corre, Mel cai no chão. Coloca a mão no tórax, tenta puxar o ar. Derik coloca a mão no bolso, pega um colar com um diamante, abre a travinha, coloca no pescoço de Mel e fecha. Mel volta a respirar. Levanta. Sai correndo. Derik segue. Estão na floresta de Ares. Mel tenta puxa Kat, mas vários cipós seguram sua mão. Derik pega uma pulseira do bolso, com um diamante menor, coloca no pulso de Kat que estava preso. Os cipós soltam. Mel abraça Kat. Então franze a sobrancelha e se afasta. Derik senta na cama. Vai até a porta. Sua mão trespassa a maçaneta. Balança a cabeça para os lados. Volta para a cama e deita sobre seu corpo. Abre os olhos. Se senta com calma. Olha para trás. Cama vazia. Levanta e pega a maçaneta. Dessa vez, consegue abrir. Vai para a cozinha. Rust franze a sobrancelha. Vai até a porta. Derik sai, passando por Rust, vai para trás do balcão. Fábio sai do quarto. Derik pega uma adaga, uma caixa de metal grande e volta a cozinha. Fecha a porta da cozinha.
Sonhou alguma coisa? (Rust)
Acho que sim. (Fábio)
Etos e Trinity estão em frente a MEAK. Trinity sobe as escadas, Etos, com uma caixinha de transporte, segue. Entram na MEAK. Trinity se joga no sofá onde Edmont não está. Etos entra, pousa a caixa ao lado do sofá. Fábio e Rust saem do quarto. Trinity franze a sobrancelha.
O que acharam tem algo a ver com uma adaga de prata? (Rust)
Seria útil. (Etos)
O que vocês... (Trinity)
É mais fácil ouvir Derik do quarto. Se trancou na cozinha com a adaga. (Rust)
Deixaram Edmont sem ninguém aqui. (Trinity)
Trinity franze a sobrancelha.
Edmont tá dormindo? (Trinity)
Tá. E também dava para ouvir do quarto. (Rust)
Porque a adaga seria útil? Adagas não cortam diamantes... (Trinity)
A prata seria útil. Se a gente enfiar o diamante dentro do corpo, o efeito poderia ser forte demais. (Etos)
Derik abre a porta da cozinha.
Diamante dentro do corpo pode causar algum efeito diferente? (Derik)
Sim. Por quê? (Etos)
Tava pensando em pedir Kat em casamento do jeito que Aléxis pediu Lish? (Trinity)
Os calmantes perdiam o efeito rápido com Kat, Kat procurou coisas alternativas, acho que tinha pó de diamante na combinação do que acabou... Enfim... (Derik)
E comprou essa porra de quem, Hyoga?! (Trinity)
Rust olha para Trinity.
Esquece. (Trinity)
Derik entra de novo e fecha a porta da cozinha. Fábio suspira.
O que diabos tá fazendo ali dentro? (Fábio)
Bom, se tiver a ver com o que achamos, Derik é ourives e não contou pra ninguém. (Etos)
Rust olha para a caixinha de transporte. Franze a sobrancelha. Arregala os olhos e olha para Etos.
Não é minha janta. (Etos)
Fábio olha para a caixinha. Abre a portinha. Pega a gatinha preta de dentro, que mia. Olha para Etos.
Deoclides sumiu. Tava embaixo da roupa quando olhei de novo. (Etos)
A gente devia levar a um abrigo. (Fábio)
Com o tanto de criança que a gente já arranjou, não vai fazer diferença. (Etos)
Você tá querendo adotar? Acha que é Deoclides? (Rust)
Etos ri.
Não. Acho que estava com Deoclides. O tempo todo. (Etos)
Faz mais sentido. (Rust)
Rust se aproxima de Fábio e pega a gatinha no colo. Derik sai da cozinha. Olha para a gatinha. Olha para Rust.
Etos achou. (Rust)
Pensei em chamar de Deo. (Etos)
Derik pega Deo do colo de Rust, leva para a cozinha. Coloca no chão. Abre a geladeira, pega um pote com uma sopa laranja. Coloca no microondas, deixa trinta segundos. Tira. Coloca o pote no chão, em frente a Deo. Deo começa a comer.
Não dá pra alimentar gatos com dieta vegetariana, são carnívoros, não foram domesticados pelo ser humano há tanto tempo quanto cachorros. (Rust)
Derik olha para Rust.
Não é só uma gata. (Derik)
Derik levanta, vai até a mesa, pega peças de prata. Vai até a sala. Estende a mão a Etos. Etos franze a sobrancelha.
Deve ter sonhado alguma coisa. (Rust)
Etos tira a mochila, abre, pega os diamantes, estende a Derik. Derik vai até Edmont, coloca a mão no ombro. Edmont abre os olhos e vira. Derik estende uma peça de prata. Edmont senta no sofá. Pega a peça. Derik entrega o diamante maior. Edmont pousa o diamante no colo. Estende a peça. É um colar, há um espaço. Edmont coloca a pedra maior sobre o espaço. Respira fundo. Uma luz. O diamante está agora no formato e tem lugar no colar. Edmont suspira. Estende o colar a Derik, que pega. Deita no sofá novamente. Derik vai até Rust e estende a outra peça.
Edmont não pode fazer? (Rust)
Já gastou energia demais. (Derik)
Eu não tenho esses poderes. (Rust)
Você é atlante. (Etos)
Rust olha para Etos. Etos tira o livro da mochila e levanta. Rust olha para Derik. Pega a peça. É uma pulseira, com o espaço no meio. Derik entrega o diamante menor. Rust coloca sobre o espaço.
Por que não Fábio? (Rust)
Não sei. Citando a pessoa que a gente sabe que pode salvar: eu só sei. (Derik)
Rust suspira. Fecha os olhos. Franze os olhos. A luz de novo. A pedra está na pulseira.
Hora de vocês irem. (Etos)
Rust olha para Etos. Olha para Trinity. Trinity vai até Etos e abraça. Sai. Rust estende a mão.
Não. (Derik)
Fábio baixa a cabeça. Rust recolhe a mão. Sai.
Algum dia? (Fábio)
Derik olha para o colar.
Não sei. (Derik)
Rust e Trinity desembarcam na praia de Hera. Zeiro pousa.
Que vieram fazer aqui? (Zeiro)
Temos uma coisa para ajudar Katerine a se controlar. (Rust)
Trinity tira a pulseira do bolso. Zeiro pega, mirando os olhos de Trinity. Devolve.
É como sua pedra? (Zeiro)
Zinai vem até as pessoas. Trinity franze a sobrancelha.
São parte das pessoas que falamos. (Zeiro)
Sou Zinai. Pégasus troxeram para cá suas irmãs fênix. Sou irmã de Zeiro. (Zinai)
Cada vez mais parece mesmo uma fortaleza esse lugar. (Rust)
Não conseguimos tirar o caixão na água, mal conseguimos colocar lá. E com penas molhadas, é pior ainda. (Zeiro)
Eu posso mergulhar e tentar levantar. (Rust)
Ou a gente pode só amarrar um monte de cordas e puxar. (Trinity)
Rust olha para Trinity.
Ou isso. Faz bem mais sentido. (Rust)
Lago. Rust tem um grande pedaço de metal com uma corda amarrada na ponta em mãos. Coloca na boca. Começa a andar para dentro do lago. Começa a nadar. Mergulha. Nada embaixo da água por um tempo. Chega ao fundo, a caixa. Coloca a ponta do ferro embaixo do caixão. Empurra até atravessar do outro lado. Do outro lado, puxa. Amarra em cima. Repete isso, mas agora com as partes de cabeça e pés do caixão. Repete mais algumas vezes. Coloca novamente a barra de metal na boca. Começa a nadar para cima. Chega a superfície. Nada. Levanta. Pega a barra de metal. Anda. Vai até Trinity, que está com a corda em mãos.
Conseguiu? (Trinity)
Acho que sim. (Rust)
Rust pega na corda e começa a puxar normal. Trinity também. Trinity para. Rust para um pouco depois. Olha para Trinity. Acena para baixo com a cabeça. Começam a puxar com força. Algum tempo e o caixão começa a aparecer, tendo arrastado consigo algumas plantas. Rust e Trinity puxam até estar metade fora da água. Trinity solta a corda e anda em direção ao caixão. Rust para também. Segue Trinity. Pegam de cada lado do caixão. Levam para fora do lago. Zeiro e Zinai se aproximam.
Não é uma boa ideia estarem aqui. (Rust)
Por que não? (Zinai)
O caixão também é um feitiço. Se for o último segurando Katerine, vou ter problemas para segurar. (Rust)
Então devia ter mais gente pra fazer isso. (Zeiro)
Não vai conseguir segurar Katerine. (Rust)
Zinai faz fogo com as mãos.
É atlante também, Zinai. Vieram trazer a cura. (Zeiro)
Zinai olha para Zeiro. Apaga o fogo.
Sabe também? (Rust)
Fui eu quem ensinou Zeiro sobre isso. (Zinai)
Preciso que saiam. Todo mundo. (Rust)
Não. (Trinity)
Rust olha para Trinity.
Trinity, você mal se transformou. (Rust)
E você não vai me atacar. Por causa de Etos. (Trinity)
Não fico tão racional assim. (Rust)
Vou precisar de bem mais superpoderes pra tentar contar com racionalidade de homem. (Trinity)
Rust franze a sobrancelha. Trinity estende o pulso, Rust cheira. Franze a sobrancelha.
Etos me deu sangue na viagem de volta. Disse que ia precisar disso em último caso. (Trinity)
Então sabe o que fazer. (Rust)
Uma canção de ninar vai ter que funcionar, porque não pretendo fazer nada com você. (Trinity)
Qualquer coisa, pelo menos arrancar Trinity daqui a gente consegue. (Zinai)
Se eu estiver de pé, não interfiram. Não importa o que acontecer. (Rust)
Zinai puxa algo de dentro da roupa, nas costas. Parece uma alça. Zeiro segura e levanta voo com Zinai. Dá um grito. Aos poucos, todo mundo que é pégasus nas ilhas se levanta, carregando fênixs em alguns casos.
Abaixo da floresta de Ares, Beleno levanta do chão.
Não podemos sair. (Inês)
Eu sei. Mas não é… (Beleno)
É só pra ficar a postos, eu sei. (Inês)
Inês levanta. Faz fogo com as mãos.
As estátuas resistem. Se alguma coisa entrar aqui, vou precisar que você saia. (Inês)
Beleno acena para baixo com a cabeça.
Consegue controlar o suficiente para eu conseguir pegar cada uma e jogar no mar? (Beleno)
Como a gente vai recuperar depois? (Inês)
Dependendo do que houver, a gente não vai estar aqui pra isso. (Beleno)
Inês desfaz o fogo. Abraça Beleno. Beleno abraça de volta. Se afastam, viram para a entrada. Inês faz fogo de novo, Beleno agita um pouco as asas.
Rust se aproxima do caixão. Crava a barra em uma borda lateral. Trinity pega uma faca grande que trazia na cintura. Corta todas as cordas e tira de cima do caixão. Rust estende a mão, Trinity franze a sobrancelha. Entrega a faca. Rust começa a entalhar a barra. Um S. Um U. Um N. Olha ao redor. Pega uma pedra, passa a faca algumas vezes. A. R. I. Pega a pedra de novo, passa a faca. O. M. Passa a faca algumas vezes na pedra de novo. Estende a faca de volta a Trinity.
Valeu. (Rust)
Espero que a saudação ajude a deixar Kat com menos vontade de te fazer em pedaços. (Trinity)
Trinity pega a faca e guarda. Pega a pulseira do bolso, entrega a Rust. Se afasta. Rust coloca a pulseira no bolso. Segura a barra. Trinity arregala os olhos. Rust empurra a barra com força. A tampa levanta. Rust levanta mais e tira a tampa. Kat ainda dorme. Rust olha para Trinity. Padoi solta Trinity no chão. Rust pega a barra e vai em direção a Padoi. Crava no peito de Padoi. Padoi grita, dá dois passos para trás. Rust vai até uma árvore, arranca um galho. Se aproxima de Trinity. Suspira. Abaixa e vira Trinity.
Droga… (Rust)
Trinity abre os olhos.
O que… (Trinity)
Trinity coloca a mão no tórax. Rust senta Trinity.
Padoi te envenenou. (Rust)
Vou virar monstro de vez? (Trinity)
Não, não vai. (Rust)
Dói a estaca? (Trinity)
Vou fazer não doer. (Rust)
Trinity sorri.
Pelo menos agora eu vou encontrar elas de novo. (Trinity)
Rust morde o pescoço de Trinity. Trinity fecha os olhos novamente. Rust afasta do pescoço. Crava o galho no peito de Trinity. Trinity vira cinzas. Rust engole seco. Levanta. Se vira. Kat está no chão. Quase todas as correntes foram removidas. Padoi levanta e olha para Rust. Sorri.
Eu já sei que Melody está aqui. Eu sinto. (Padoi)
Não é só Melody. (Rust)
Padoi olha para trás. Voa longe, caindo no mar, a uma distância tão grande que mal se vê a queda. Os olhos de Angely são duas bolas de sangue. Aos poucos, o sangue passa, seus olhos ficam naturais. Então fecham e Angely cai de joelhos ao lado de Kat. Estende a mão a Rust. Rust se aproxima e lhe entrega a pulseira. Angely senta no chão. Respira fundo. Abre os olhos. Pega o pulso de Kat. Coloca a pulseira. Kat abre os olhos e trava o corpo. Solta. Respira. Seus caninos voltam ao tamanho dos outros dentes. Rust se aproxima e tira o resto das correntes.
O que houve? (Kat)
Kat olha para Angely. Se senta e abraça Angely. Angely retribui.
A gente ainda tá tentando conter Padoi. (Angely)
Angely fecha os olhos. Kat segura e deita Angely.
Vai devolver Angely no lago? (Rust)
Mesmo que eu quisesse, a proteção de Angely não existe mais. (Kat)
Desculpa. (Rust)
Merda acontece. (Kat)
Kat olha para Rust.
Você fez tudo que estava ao seu alcance. Me salvou. (Kat)
Kat olha para o mar.
Mas eu tinha matado Padoi. (Kat)
Não ter morrido é um problema. Mas com essa devoção que tem por você… (Rust)
Posso fazer Padoi falar. (Kat)
Rust olha para o lugar onde as roupas estão no chão. Kat levanta. Se aproxima das roupas. Abaixa.
Trinity? (Kat)
Kat olha para Rust. Rust baixa a cabeça. Kat olha de novo para as roupas. Seus olhos marejam. Kat pega a faca. Vai até a barra de metal, pega. Atrás de Sunariom, grava Trinity, com os dentes semicerrados e algumas lágrimas que descem. Pega as roupas e sai. Rust pega Angely no colo e segue Kat.
Kat chega a MEAK, em Hera. Pousa as roupas no chão, com a faca e a barra de ferro. Começa a cavar com as mãos. Rust chega, com Angely. Pousa Angely no chão. Kat para. Coloca as roupas e a faca dentro do buraco. Coloca a terra de novo por cima. Pega a barra de ferro, levanta. Crava a barra no chão, pouco acima do buraco tampado. Continua empurrando. Sobra um quarto da barra acima da terra, onde estão as inscrições.
Mais alguém que não devia ter morrido. (Rust)
Padoi vai pagar o que tá fazendo. (Kat)
Vingança? (Rust)
O que, eu devia só querer que parasse e ficar feliz depois? (Kat)
Devia. Mas eu também não sei como se faz isso. (Rust)
Rust olha para Angely.
Se descobrir como, me ensina. (Rust)
Rust pega Angely no colo novamente e entra na MEAK. Beleno pousa ao lado de Kat.
Precisam de carona? (Beleno)
Olhem o mar. Se encontrarem Padoi, me avisem. (Kat)
Não vão voltar? (Beleno)
Vamos. Mas não hoje. (Kat)
Kat entra na MEAK. Beleno levanta voo. Grita.

Dara Keon